Habilidade Musical no Transtorno do Espectro Autista (TEA): uma revisão da literatura

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Resumo: O objetivo do presente estudo foi realizar uma apresentação de experimentos realizados com autistas para avaliar habilidades musicais, bem como casos de autistas com a condição savant musical na literatura. Foi realizada uma revisão da literatura, as combinações de descritores utilizados foram: autistic savant musical abilities, autistic OR musical OR ability. As bases de pesquisa foram Google scholar, PubMed/MedLine. Scielo e LILACS Foram inseridos artigos acadêmicos de pesquisas experimentais realizados entre 1977 e 2017, que apresentam as descrições das habilidades musicais desses indivíduos e casos de savants autistas. Tendo em vista a grande quantidade de savants que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA) compreende-se que pode haver uma relação entre o desenvolvimento dessas habilidades e o déficit em outros processos cognitivos. Acredita-se que este estudo ajude na compreensão de alguns aspectos do autismo a partir da observação de suas habilidades excepcionais e da relação destes com um objeto de interesse, a música.

Palavras chave: autismo; savantismo; habilidades musicais; cognição;

Musical ability in Autism Spectrum Disorder (ASD): a literacture review 

Abstract: The objective of the present study was to perform a presentation of experiments performed with autism to assess musical abilities as well as cases of autistic with savant syndrome in the literature, seeking to make an analysis of the condition in the autistic population. A systematic review of the literature was performed, the combinations of descriptors used were: autistic savant musical abilities, autistic OR musical ability OR. The search bases were Google scholar, PubMed and MedLine. Academic articles of experimental research were carried out between 1977 and 2017, which present the descriptions of the musical abilities of these individuals and cases of autistic savants. Given the large number of savants who have ASD it is understood that there may be a relationship between the development of these abilities and the deficit in other cognitive processes. It is believed that this study helps to understand some aspects of autism by observing their exceptional abilities and their relation to an object of interest, music.

Keywords: autism; savantism; musical skills; cognition;

1. Introdução

Síndrome do idiota prodígio, ou, “idiot savant” é uma condição rara onde algumas pessoas com deficiência mental apresentam habilidades específicas extraordinárias (Taffert, 2009).  A expressão foi cunhada por J. Langdon Down em 1887, onde “idiot” descreve pessoas com o QI abaixo de 25 e “savant” tem origem no francês “savoir” que significa “sábio”, o termo foi abandonado por questões terminológicas pelo termo “síndrome savant”, ou, savantismo, uma vez que nem todo sujeito que possui a condição apresenta um baixo Q.I (Taffert, 2009). Down (1887), descreve casos em que tinha sob sua observação no asilo para deficientes mentais Earlswood, no Reino Unido, o médico também é conhecido por ter descrito na literatura primeiras as características da Síndrome de Down que por tal razão carrega seu nome. Em um dos casos de Down (1887), um garoto era capaz de reproduzir fidedignamente todos os atos de uma ópera a qual tinha assistido apenas uma vez.

Na literatura encontramos descrições de savants, Ramachadram (1998) narra o caso observado por Oliver Sacks do garoto Tom de trezes anos que apesar de não conseguir amarrar os cadarços do sapato era um autodidata para a música, aprendera a tocar piano apenas por observação, um feito extraordinário do garoto foi tocar duas músicas diferentes no piano enquanto cantava uma terceira música, outro caso é o do gênio artístico Nadia de seis anos, que apresentava sinais de autismo severo e o QI entre 60 e 70, entretanto, era capaz de reproduzir fielmente retratos de pessoas, cavalos e cenas visuais complexas.

Segundo Treffert (2009), apesar de rara, essa condição acomete 1 a cada 10 autistas no mundo, sendo 50% das pessoas com síndrome savant são autistas, é válido ressaltar que nem todo autista possui necessariamente a condição savant e vice-versa. A habilidade mais notada entre as pessoas autistas por Rimland (1978) em suas pesquisas com autistas savants foi a musical, geralmente inclui habilidade em tocar piano com perfeita reprodução das notas, compor sem a necessidade de instrumento e tocar uma grande quantidade de instrumentos musicais, em alguns casos mais de 20 (Taffert, 2009).

 O DSM-IV (APA, 2000) caracteriza o transtorno do espectro autista (TEA) dentro dos transtornos invasivos do desenvolvimento como o desenvolvimento anormal ou prejudicado na interação e comunicação social com restrito repertório de atividades e interesses. Dentro dos critérios de diagnóstico da síndrome encontram-se: falta de reciprocidade social ou emocional, atraso ou falta do desenvolvimento do idioma falado ou uso estereotipado e repetitivo da linguagem, comportamentos estereotipados, dificuldade em realizar ações não-verbais como contato olho-no-olho, expressões faciais, postura corporal e gesticulação para a regulação da interação social (DSM-IV, APA, 2000).

A partir das observações de onze crianças feita Leo Kanner em 1943 o autismo saiu da categoria de sintoma da esquizofrenia e passou a ser encarado como um transtorno, ele notou que elas apresentavam comportamentos parecidos, como movimentos repetitivos e estereotipados, ausência da fala ou fala com ecolalia, inversão pronominal e dificuldade de abstração, bem como o desinteresse no convívio social (Kanner, 1943).

De acordo com Gallese (2006) as principais características de uma criança autista são: a dificuldade na atenção compartilhada, reação de forma harmônica com as emoções das pessoas, e a dificuldade em identificar rostos e comportamentos sociais, o que torna importante o diagnóstico precoce. Ademais, Rogers & Willams (2006) complementam que as crianças com autismo apresentam atraso no desenvolvimento da imitação e da linguagem, com dificuldades em imitar gestos e vozes, o que é corroborado por achados de neuroimagem, onde tem-se conhecimento em alterações em estruturas cerebrais importante para a interação social, como a AFF (área facial fusiforme), que reconhece expressões faciais (Assumpção et al, 1999; Schultz et al, 2000) e na ASV (área seletiva da voz) que é ativada com um estimulo vocal (Gervais et al, 2004), os estudos demonstraram que não houve ativação nessas áreas em pessoas autistas.

É importante ressaltar que seis das crianças analisadas por Kanner (1943) apresentavam alguma relação com a música. No caso de Donald T. descrito em seu artigo, foi relatado que com um ano ele era capaz de canta e murmurar tons, vistas a dificuldade na linguagem, de forma precisa, por mais, o garoto apresentava uma memória incomum para rostos e nomes, no caso Christina também foi relatado uma habilidade em murmurar uma música exatamente no tom correto, Alfred apresentava interesse pela música bem como uma excelente memória. No caso de Charles com um ano e meio ele era capaz de discriminar dezoito sinfonias diferentes, e reconhecer o compositor da sinfonia no exato instante em que ela começasse, no caso John, o garoto tinha uma memória muito boa e era capaz recitar canções em línguas diferentes (Kanner, 1943)

Tem-se o conhecimento na neurociência que a música envolve uma vasta gama de estruturas cerebrais, assim, o reconhecimento do som e a prática musical envolvem áreas como: lobos temporais, cerebelo, córtex motor, córtex occipital, córtex somatosensorial, áreas do sistema límbico como a amígdala e o tálamo, bem como áreas relacionadas a memória (Muszkat & Correa, 2000; Higuchi, 2012; Hyde et al., 2009) havendo também diferença no corpo caloso, estrutura que promove a comunicação entre os dois hemisférios cerebrais, de músicos e não-músicos (Schlaug, 1995). Nesse diapasão, percebe-se um interesse crescente dentro da neurociência em compreender a relação música-cérebro, tendo em vista os efeitos na plasticidade neuronal advindos do treino e aprendizagem musical (Santos, 2015; Jazen, 2008).

Dessa forma segundo Muszkat & Correa (2000), faz-se fundamental a compreensão das alterações fisiológicas ocasionadas pelo treino musical, como forma de promover uma intervenção musical coerente. Faz-se válido, também, considerar o caráter emocional presente na música. Nesse sentido, a relação entre emoção, música e cérebro de pessoas autistas foi investigada por Gebauer e col. (2014) demonstrando que não há alterações no processamento das emoções musicais em regiões no cérebro nesses indivíduos, entretanto, houve uma diferença na ativação com relação à música “felizes” do que “tristes”, onde foi observado uma maior demanda cognitiva na decodificação de músicas ditas feliz. 

Com relação às funções executivas, estas são compreendidas como um conjunto de habilidades que possibilitam comportamentos voluntários, estas são utilizadas sempre há a necessidade de esquematização de respostas e um plano de ação no meio precise ser elaborado, assim, está relacionada a flexibilidade cognitiva e tomadas de decisão (Mourão Jr. & Melo, 2011). No TEA, evidências demonstram déficits nos processos de controle inibitório, planejamento, flexibilidade cognitiva, fluência verbal e memória de trabalho em crianças e adolescentes com o transtorno, entretanto, os achados se mostram controversos, necessitando de um maior aprofundamento (Czermainski, Bosa & Sales, 2013; Robinson et al, 2009;).

Compreender a relação autismo-música faz-se fundamental, dado que esta já foi demonstrada como marcador  de interesse pela população autista em detrimento da fala (Blackstock, 1978) e compreendida dentro da neurociência como ferramenta importante para a plasticidade cerebral e desenvolvimento das funções cognitivas superiores principalmente na infância (Gomes, 2013; Andrade, 2004), bem como na psicologia para desenvolvimento das habilidades sociais e desenvolvimento dos processos cognitivo (Carminatti & Krug, 2010; Pederiva & Tristão, 2006), elucidar e observar essa relação mostra-se extremamente importante para buscar uma compreensão acerca do TEA.

Posto isso, intenta-se investigar a literatura presente acerca do autismo, habilidades musicais e savantismo, analisando estudos experimentais em vistas a compreensão da relação entre música e autismo. Buscou-se, primordialmente, observar as características presentes na habilidade musical da população autista e o processamento de informações auditivas musicais.

2. Materiais e Métodos

Trata-se de um estudo de revisão narrativa da literatura entre o período de 1977 e 2017, (últimos 40 anos) a diferença temporal é justificada pela escassez de produções científicas acerca do tema. A pesquisa foi operacionalizada de uma busca na bibliografia com as palavras-chave que incluíam: autistic savant musical abilities, autistic OR musical OR ability, as mesmas palavras foram pesquisadas na língua portuguesa, nas bases de dados: PubMed/MedLine e Google scholar, Scielo e LILACS. A busca procedeu em setembro de 2017 e foram encontradas ao todo 4695 produções. Na primeira ferramenta foram encontrados 15 artigos, 3 atendiam as diretrizes da pesquisa. No google scholar foram encontrados 4680. A partir da leitura dos títulos, restaram 159. No Scielo e LILACS não foram encontrados artigos sobre o tema. Houve uma análise de acordo com as diretrizes para inclusão resultando em 8 artigos acadêmicos. Desse modo, em um total de 11 artigos foram selecionados para uma análise final (Tabela 01).

Tabela 1. Distribuição das referências incluídas, de acordo com: autor, título do artigo, país de publicação, ano de publicação e base de indexação, ordenados por ano de publicação.

Autor (es) Título do artigo País Ano Base de dados
Appleblaum et al Measuring musical abilities of autistic children. EUA 1979 Google scholar
Sloboda, Hermelin & O’Connor An Exceptional Musical Memory EUA 1985 Google scholar
Young & Nettelbeck        Theabilities of a musical savant and his family   Austrália 1995 PubMed/MedLine
Pring, Hermelin & Heaton Autism and Pitch Processing: A Precursor for Savant Musical Ability Reino Unido 1998 PubMed
Mottron e col. Absolute pitch in autism: A case study Reino Unido 1999 Google scholar
Mottron Local and global processing of music in high-functioning persons with autism: beyond central coherence? Reino Unido 2000 Google Scholar
Bonnel et col.     Enhanced pitch sensitivity in individuals with autism: A signal detection analysis EUA 2003 Google scholar
Heaton  Pitch memory, labeling and disembedding in autism. Reino Unido 2003 PubMed/MedLine
Haton, Davis & Happé Research note: exceptional absolute pitch perception for spoken words in an able adult with autismo Reino Unido 2008 Google scholar     
Bouvet e col. Veridical mapping in savant abilities, absolute pitch, and synesthesia: an autism case study França 2014 Google scholar
Stanutz & Burack Pitch discrimination and melodic memory in children with autism spectrum disorder Canadá 2014 Google scholar

Os critérios de inclusão foram: artigos científicos disponíveis na integra em suporte eletrônico, publicados em periódicos confiáveis, na língua inglesa, portuguesa ou espanhola. Foram excluídos os artigos que tratavam de autistas savants com habilidades não relacionadas a música, savants que não possuíam a TEA, artigos de revisão bibliográfica, relatos, teses, capítulos de livros, anais de congresso e capítulo de teses.

Em relação aos artigos científicos selecionados, observa-se a prevaleça da língua inglesa, destaca-se publicações de pesquisadores dos EUA (9%), Reino Unido (45,4 %), França (9%), Canadá (9%) e Austrália (9%), com maior preponderância do Reino Unido. As áreas de pesquisa compreendiam neurociências, psicologia, psiquiatria e música. Os artigos selecionados apresentavam pesquisas experimentais com delineamento com grupo (07 artigos) ou sujeito único (04 artigos). Estes terão seus resultados e particularidades descritas e uma análise crítica será feita correlacionando com produções teóricas sobre o tema.

3. Resultados e Discussão

A literatura investigada no presente estudo traz experimentos com sujeitos únicos de autistas que possuem habilidade musical incomum conhecidos por autistas “savant”, as informações deste serão descritas e ao final será feita uma análise das concepções presentes. Relacionado aos estudos de casos, 4 foram selecionados para discussão.

3.1 Sujeito Único

Young & Nettelbeck (1995) observaram a habilidade musical de uma criança savant chamada pelos autores de TR. O garoto de 12 anos e 11 meses, apresentava o transtorno do espectro autista. Testes que mensuravam a inteligência, memória, organização visual, leitura e criatividade foram aplicados tanto em TR quanto em seus pais e irmãos. Os resultados demonstraram baixo nível de funcionamento cognitivo e compreensão verbal, porém altos níveis de concentração e memória, o que é descrito na literatura, onde a capacidade percepção, busca visual e atenção foram averiguadas em autistas demonstrando resultados similares (Burack, 1994; Ramington, Swettenham & Coleman, 2009). A velocidade de processamento de informações em TR foi avaliada como superior, na literatura foi observado em crianças autistas com baixo Q.I uma capacidade de processamento de informações superior à crianças com outros tipos de deficiência e igual a crianças com desenvolvimento típico (Scheuffgen, Happé, Anderson, & Frith, 2000).

 Desde dos quatro anos de idade TR já demonstrava habilidades extraordinárias para a música, o ouvido absoluto também foi identificado, assim como a capacidade de improvisar. O ouvido absoluto (AO) é uma condição rara na população, implica na capacidade de discernir e identificar tons a partir de uma representação mental posteriormente construída acerca dos sons e símbolos mediadores destes, sem a necessidade de uma nota de referência (Veloso & Feitosa, 2013; Deutsch, 2006). Para os que possuem essa habilidade, o reconhecimento das notas é algo automático e natural, desse modo, postula-se que o treinamento para adquirir essa habilidade não seja garantia de tal (Vanzella & Ranvaud, 2014). O ouvido absoluto também foi observado por Bouvet e col. (2014).

Bouvet e colaboradores (2014) apresentam o caso de F.C., um indivíduo autista com habilidades savant notadas desde os 9 anos. F.C apresenta bastante interesse pelo instrumento piano, e é capaz de tocar tanto o piano moderno quanto clássico. Apesar de tocar independentemente com as duas mãos, possui dificuldades com o ritmo musical. Ele criou um mecanismo particular para ler música, onde dias da semana e meses do ano representam as notas, uma vez que  F.C também possui a habilidade de “Calendar calculator”, sendo capaz de dizer que dia da semana corresponde a determinada data. No teste de ouvido absoluto, realizado pelos autores, F.C não obteve nenhum erro, sendo capaz de identificar e produzir a tonalidade correta, entretanto, só relatou notas subsequentes na composição dos acordes.

Sloboda, Hermelin & O’Connor (1985) relatam o caso de um autista savant que possui uma memória musical descrita pelos autores como excepcional. N.P. nascido em 1962, não teve aulas de música, apenas tinha acesso ao piano até o ano de 1979. Ele era capaz de tocar uma nova sonata escutando apenas após 3 ou 4 vezes, apresenta facilidade com guitarras e flauta. O experimento consistiu em apresentar duas peças de piano, Gierg e Bartok, efoi solicitado para que ele reproduzisse a peça o quanto fosse possivel. N.P. foi capaz de reproduzir quase perfeitamente a peça de Gierg com tentativas após 12 minutos. Na peça de Bartok, N.P tem uma queda no desempenho em relação ao sujeito controle. Entretanto, foi observado que os erros cometidos por N.P. mantinham a estrutura da música e demonstravam a tentativa de codificar a música, enquanto o sujeito controle não era capaz de codificar rapidamente e com eficiência as peças. No que dizia respeito ao melhor desempenho do sujeito controle na peça de Bartok, explica-se pelo fato da familiarização com a linguagem Bratokiana que este possuía.

Montron et al (1999) observaram o ouvido absoluto em uma adolescente com autismo, Q.C. e com hipersensibilidade a ruídos, Q.C desde os 2 anos apresenta interesse pela música, após escutar uma música apenas uma vez, ela era capaz de reproduzi-la em um teclado infantil. Com dezoito anos na época da pesquisa, ela tocava peças de piano clássico com dificuldade moderada “de memória” apesar de precisar de uma pequena quantidade de pratica para memoriza-los e ainda treinava técnicas de expressão emocional. Os procedimentos avaliaram a identificação de tom e solfejo (cantar notas musicais) dos nomes das notas. Na identificação do tom, era dada uma nota no piano e solicitado que ela escrevesse a nota correspondente, sem nenhuma outra nota de referência.

O ouvido absoluto em Q.C foi confirmado. Segundo os autores, o caso sugere que o ouvido absoluto no autismo pode não ser resultado de um déficit multimodal no processamento da informação global. Todavia, pode ser resultado de uma falta de flexibilidade cognitiva no indivíduo com um objeto de seu interesse por estímulos auditivos que ocorre na idade crítica para o aparecimento do ouvido absoluto, que de acordo com Russo, Windell, & Cuddy (2003) seja mais possível entre 5-6 anos.

A teoria da flexibilidade cognitiva, segundo Carvalho Amorim (2000), é aplicada no que tange a aquisição de novos conhecimentos complexos e pouco estruturados e na transferência do conhecimento a situações distintas. Todavia, as pesquisas que investigam a flexibilidade cognitiva, bem como as funções executivas no autismo demonstram resultados discrepantes (Kalanda, Smith & Mortensen, 2008; de Vries, M., & Geurts, 2012; Goldstein, et al. 2001; Corbertt et al, 2009).

Heaton et al (2008) observaram a capacidade de identificação do tom em palavras faladas em um autista com ouvido absoluto, nomeado de A.C. Na época do experimento A.C. Tinha 35 anos. Poliglota, ela falava inglês, italiano, espanhol e holandês. Aos três anos apresentou sinais de ouvido absoluto, ele relatou que lembrava do tom das músicas que escutava, ainda criança ele observava as diferenças das tonalidades do pronunciamento de algumas palavras por seus pais. O experimento teve como grupo controle 9 participantes que se relatavam ter ouvido absoluto, entre eles músicos formados ou em formação e músicos amadores, um não possuía atividade. Os resultados mostram que A.C, teve menor pontuação na identificação do tom nas palavras em comparação a nomeação de tons puros, e apresentou uma pontuação significativamente maior do que o grupo controle. Tendo em vista o fato que o autismo compreende dificuldades na comunicação verbal e no desenvolvimento da linguagem, a hipótese é que A.C. negligencia a fala e a exposição a música pode ter contribuído para isso. Ademais, vale ressaltar que a ocorrência de traços autistas em músicos com ouvido absoluto foi verificada por Donh e col. (2012).

3.2 Habilidades Músicas em Autistas

Em relação à avaliação das habilidades musicais em autistas, 8 artigos foram incluídos para a discussão.

A habilidade musical foi observada em crianças autistas por Applebaum e col. (1979). Foi observado que crianças autistas apresentam o desempenho em performances musicais tão boa ou até melhor do que crianças que não apresentam o transtorno e que tenham sido expostas a mesma experiência musical. Foram utilizadas seis crianças, três diagnosticadas com o transtorno e três sem o transtorno e o procedimento consistia em avaliar a precisão na imitação de estímulos musicais, estes eram apresentados em série ou individualmente através de um piano, da voz ou sintetizador. Foi avaliado a precisão da imitação do tom, do ritmo e a duração. Segundo Gordon (1989) para a imitação e audição musical são fundamentais a memória de longo e curto prazo, entretanto a memorização de uma música não implica necessariamente na compreensão da estrutura desta.

Os experimentos de Heaton (2003) também apresentam resultados relevantes no que tange a observação da habilidade musical em crianças autistas, a hipótese era de que as crianças com o transtorno autista seriam capaz de decompor acordes musicais, que são um conjunto de duas ou três notas que são executadas simultaneamente (Dourado, 2004), em notas individuais. O experimento de número um investigou a capacidade memorizar e distinguir tons. As crianças com autismo apresentaram resultados significativamente maiores do que o grupo controle. No segundo experimento foi observada uma maior capacidade em crianças autistas em utilizar tons anteriormente expostos e registrados em tarefas analíticas que pressupõem uma segmentação de acordes musicais, no experimento mais complexo, de número três, não houveram diferenças significativas. Essa capacidade de discernimento pode ser observada dentro da modalidade do AO, que pressupõe uma representação mental dos acordes.

Mottron (2000) analisou o processamento de informação musicais em crianças autistas através da utilização de modelos hierárquicos de processamento (local ou glocal). As descobertas de Mottron (200) sugerem que há a predominância global no processamento de estímulos musicais em autistas, desse modo, haveria na população um processamento global intacto.

Bonnell e colaboradores (2003) realizaram experimentos com um grupo de 24 pessoas, 12 com autismo e 12 com desenvolvimento típico. O experimento 1, consistia em analisar a discriminação entre tons, foram avaliados o tempo de resposta, precisão e confiança. No segundo experimento foi analisada a categorização dos tons. No grupo experimental e controle, maior confiança nas respostas e maior acerto foram correlacionados. No que tange a confiança, não houveram diferenças entre grupo experimental e grupo controle. Entretanto, o grupo controle realizou a categorização dos tons com menos habilidade do que discriminação, enquanto o grupo experimental realizou ambas as tarefas com o mesmo nível de habilidade, por mais, individuo com maior grau de autismo tiveram uma melhor performance do que indivíduos com desenvolvimento típico. Ademais, o grupo experimental superou o grupo controle na tarefa de categorização. Os resultados, então, demonstram que o grupo experimental possuiu maior sensibilidade em discernir tons.

A capacidade de 25 crianças autistas e 25 com desenvolvimento típico de memorizar tons foi testada por Stanutz e Barack (2014). Desenvolvido para englobar tanto a memória de longo prazo como a de curto prazo para música. O objetivo do estudo era encontrar a relação entre “pitch memory”, memória de tons musiciais, e outras áreas de funcionamento cognitivo. Desse modo, o experimento consistiu em apresentar um par de tons puros para discriminação seguido por uma tarefa de codificação de memória melódica. Após uma semana, os grupos retornavam e lhes era apresentado primeiramente a tarefa de memorização melódica seguido a tarefa de identificação do tom em um contexto melódico. O grupo experimental teve melhor desempenho na tarefa de identificação do tom, bem como na segunda tarefa. De acordo com os autores é fundamental a compreensão do desenvolvimento dessas habilidades nessas crianças para a que se obtenha um modelo educacional eficaz.

Pring, Hermelin e Heaton (1998) observaram a habilidade de crianças autistas e não autistas com musicalidade natural, de identificar e lembrar frequências de notas simples e sons da fala. Os objetivos do estudo foi identificar possíveis percursores para habilidades savant na população autista. 10 garotos autistas entre 7 e 13 anos e 10 garotos com desenvolvimento típico participaram do experimento. Foram apresentados animais pareados com tons para familiarização durante 48 vezes quase-aleatórias. Após esse procedimento era perguntado a criança “qual nota determinado animal mais gosta?”, na segunda etapa as imagens dos animais foram removidas, deixando apenas o estimulo auditivo. O teste foi repetido após uma semana para verificar a memória musical das crianças. A identificação de sons da fala foi verificada em outra ocasião, onde 4 novas imagens de animais foram associadas a sons: ta, la, da e há.

Os resultados de Pring, Hermelin & Heaton (1998), confirmaram a hipótese inicial de que autistas savants musical possuem um ouvido absoluto, crianças com o diagnóstico teriam maior habilidade em identificar e recordar tons isolados. Em ambas etapas do teste o grupo experimental apresentou resultados superiores ao grupo controle. Assim, de acordo com os autores, a relevância hierárquica dos estímulos auditivos pode ser compreendida diferentemente por autista e pessoas normais. No estudo, as crianças autistas puderam identificar tons isolados melhor do que os sujeitos controle.

Com relação aos artigos analisados observa-se que não compartilham instrumentos similares de investigação, o que pode acarretar em déficits em pesquisas futuras sobre o tema, sendo necessária a elaboração e adequação de instrumentos que possam avaliar a habilidade musical. Seis dos artigos estudados realizaram experimentos com crianças (Pring, Hermelin & Heaton, 1998; Stanutz e Barack, 2014; Heaton, 2003; Applebaum e col. 1979; Bouvet e col. 2014; Young & Nettelbeck, 1995).

No que diz respeito aos resultados, contatou-se que o número de produções acerca do tema é ainda escassa. Entretanto, os artigos demonstram resultados significativos para elucidar a relação entre o autismo e a música. Essa população apresentou melhor desempenho comparado aos grupos controles, o que demonstra haver uma relação entre o desenvolvimento de habilidades relacionadas a músicas e o TEA.

4. Considerações Finais

Os artigos acerca da avaliação das habilidades musicais no autismo alavancam questões que são importantes de ser discutidas, demonstrando que a presença da música nessa população pode ir além proporcionar melhoras na interação social e desenvolvimento da linguagem, mas, por se tratar de marcador de interesse, pode elucidar o funcionamento dos processos cognitivos em pessoas com TEA. A produção sobre o tema é escassa, principalmente no que se refere à relação existente entre processos cognitivos e música na população autista.

Nota-se que os artigos investigados envolvem: ouvido absoluto, memória musical, capacidade imitação, identificação e discernimento de tons, processamento de informações, atenção, concentração e tempo de resposta. Todavia, os estudos acerca dessas funções e o autismo são bastante controversos, o que demonstra a necessidade de aprofundamento e elaboração de instrumentos de investigação adaptados.

O processamento da informação de estímulos auditivos musicais é um meio importante para investigar a habilidade musical no TEA e vice versa.

A ocorrência do ouvido absoluto na população autista merece ser aprofundada e examinada, uma vez que essa condição reflete em um processo de interpretação de estímulos auditivos bastante peculiar e de rara ocorrência, podendo estar relacionado a uma capacidade de percepção auditiva musical incomum, bem como à uma habilidade em ignorar estímulos sociais e por consequência gastar mais recursos cognitivos na aquisição de habilidades relacionada à música. A memória e o autismo também exigem investigação, tendo em vista a importância desse recurso para a aprendizagem musical e outros processos de aquisição do conhecimento.

Sobre a Autora:

Tereza Raquel da Silva Santos - Discente do curso de psicologia da Universidade Federal do Vale do São Francisco, diretora de ensino e pesquisa da Liga acadêmica de desenvolvimento Humano (LADH) da UNIVASF.

Referências:

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