A Entrevista Psicológica

A Entrevista Psicológica
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A entrevista psicológica é um instrumento fundamental de trabalho para o psicólogo e se diferencia das demais formas de entrevista devido aos seus objetivos puramente psicológicos (investigação, diagnóstico, terapia, dentre outros). Sendo uma técnica, ou conjunto de técnicas, de coleta de dados e informações que permitem ao entrevistador conhecer as representações do indivíduo, como sua história de vida, crenças, valores, desejos, conflitos, traumas, fantasias, "sombras", e etc.

Para Bleger (1998) a entrevista psicológica pode ser definida como "uma relação humana na qual um dos integrantes deve procurar saber o que está acontecendo e deve atuar segundo esse conhecimento".

Tipos de Entrevista Psicológica: Estrutura

A entrevista psicológica pode ser classificada conforme sua estrutura em tipos fundamentais em: entrevista aberta e entrevista fechada.

Na entrevista aberta há uma maior flexibilidade, pois o entrevistador conduz o curso das perguntas de acordo com a necessidade e o caso, em detrimento da entrevista fechada onde tanto a ordem quanto a maneira de formular as perguntas já estão previstas e não podem ser alteradas.

A escolha entre a forma mais livre e aberta ou a forma mais fechada e pré-estruturada de entrevista se dá principalmente por suas características peculiares, para quem pretende investigar mais ampla e profundamente a personalidade do entrevistado deve optar pela entrevista aberta, já quem pretende fazer uma comparação sistemática de dados deverá optar pela entrevista fechada.

Ao pensar na estrutura da entrevista deve-se levar em consideração o problema exposto, assim como é importante associar a perspectiva histórica e uma abordagem dinâmica. Dependendo da problemática e da estrutura da personalidade do paciente, certas áreas e certos conflitos deverão ser mais explorados do que outros, concentrando-se em determinados pontos da vida do entrevistado que sejam potencialmente capazes de fornecer explicações para a emergência e o desenvolvimento do transtorno atual (Cunha, 2000, pág 60)

Maior ou menor ênfase pode ser dado a cada tópico de uma entrevista estruturada (fechada) ou a forma de seleção das informações significativas tem que estar de acordo com o objetivo do exame, tipo de paciente e sua idade, ou, ainda, com "às circunstancias da entrevista de avaliação" (Strauss, 1999, pág 574)

A entrevista aberta também pode ser configurada ou adaptada de acordo com as variáveis que dependem da personalidade do entrevistado.

Subtipos de Entrevistas Psicológicas

A entrevista pode ser classificada de acordo com o número de entrevistados em entrevista individual e entrevista grupal.

Bleger (1998) apresenta uma divisão dos tipos de entrevistas em função do beneficiário da seguinte forma:

  • Entrevista psicológica em benefício do entrevistado (consulta psicológica ou psiquiátrica)
  • Entrevista psicológica em favor dos resultados (pesquisa - importam os resultados)
  • Entrevista psicológica em benefício de terceiros (instituição)

Em cada tipo de entrevista supracitada deve-se levar em consideração as distintas variáveis que entrarão em ação, como no caso da entrevista para uma instituição, as respostas do entrevistado podem ser mais tendenciosas do que em uma pesquisa anônima, por exemplo.

A entrevista psicológica (em benefício do entrevistado) é a única das três que não precisa de uma atitude motivadora marcante por parte do entrevistador, pela existência de motivos individuais por parte do entrevistado que já são auto-motivantes, o que não ocorre nas outras duas formas.

Quanto aos objetivos da entrevista psicológica podemos observar variadas formas, como:

  • Anamnese: tem por objetivo reconstruir a história do sujeito.
  • Orientação: julgar suas aptidões para uma aprendizagem.
  • Seleção: Sondar as aptidões para um emprego.
  • Arguição Oral: tem por objetivo sondar seus conhecimentos.
  • Entrevista preliminar a uma psicoterapia: objetiva contribuir para o diagnóstico, para a indicação e para o tratamento de sujeitos que sofrem distúrbios psíquicos e/ou relacionais.
  • Aconselhamento Psicológico: Ajudar o sujeito a enfrentar uma dificuldade pontual na existência.
  • Formação: Levar os sujeitos a uma melhor comunicação com outrem.

A entrevista pode ser solicitada pelo interessado (entrevista clínica, aconselhamento), pelo psicólogo (enquete, sondagem de opinião, estudo de mercado, pesquisa cientifica) ou por um terceiro (medico, empregador, professor)

A realização dos objetivos possíveis da entrevista (investigação, diagnóstico, orientação, etc) depende desse saber. O técnico não só utiliza a entrevista para aplicar seus conhecimentos psicológicos no entrevistado, como também essa aplicação se produz precisamente através de seu próprio comportamento no decorrer da entrevista.

A regra básica para a Entrevista Psicológica consiste em obter dados completos sobre o comportamento total do indivíduo no decorrer da entrevista.

A teoria da entrevista foi enormemente influenciada pelos conhecimentos provenientes da psicanálise, gestalt, topologia e behaviorismo.

As principais contribuições das abordagens para a teoria da entrevista:

  • Psicanálise: contribuiu com a inserção do conhecimento acerca da dimensão inconsciente do comportamento, como nas resistências, repressões, introjeção, projeção, transferência e contra-transferência.
  • Gestalt: contribuiu com a compreensão da entrevista como um todo, onde o comportamento do entrevistador é uma das partes que deve ser levada em consideração.
  • Topologia: levou a delinear e reconhecer o campo psicológico e suas leis, assim como o enfoque situacional.
  • Behaviorismo: contribuiu com seu enfoque na observação e estudo do comportamento.

Referências

CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico V/ Juerama Cunha et al. - 5ª ed revisada e ampliada. Porto Alegre : Artes médicas, 2000.

BLEGER, José. Temas de psicologia: entrevista e grupos/José Blerger; tradução Rita Maria M. de Moraes; Revisão Luis Lorenzo Rivera - 2ª Ed - São Paulo; Martins Fontes, 1998

DORON, R. e PAROT, F. Dicionário de Psicologia. São Paulo: Ática, 2001.

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