Avaliação Psicológica e Tabagismo: uma Revisão Sistemática da Literatura

Resumo: O tabagismo é um importante problema de saúde pública e uma das principais causas de morte evitável no mundo. Objetivou-se analisar a avaliação psicológica para identificar o perfil da personalidade do indivíduo tabagista, visando o bem-estar social. Trata-se de uma revisão sistemática que possibilitou a síntese e análise de estudos relevantes publicados sobre o assunto, permitindo que pesquisas prévias sejam sumarizadas. Dentre os trabalhos avaliados na presente revisão, houve uma variedade de abordagens metodológicas, o que reflete a pluralidade da temática estudada e que mostra também os diferentes tipos de métodos para se investigar esse tipo de tema. Numa visão global dos estudos, os resultados sugerem que pessoas com algum sofrimento psíquico são mais propensas a serem fumantes, com uma predisposição aproximadamente duas vezes maior quando comparadas a não fumantes. O sofrimento psicológico também está associado a uma menor probabilidade de cessação do tabagismo e níveis elevados de dependência e nicotina, com aumento do risco de recaída ao longo do período de um ano de acompanhamento. É possível concluir que fumantes exibem um perfil emocional diferenciado de não fumantes; que a psicoterapia pode aumentar a probabilidade de o fumante parar e manter-se abstêmio.

Palavras-chave: Fumantes, Perfil de Personalidade, Análise Psicológica, Psicodiagnóstico.

1. Introdução

O tabagismo é um importante problema de saúde pública e uma das principais causas de morte evitável no mundo (MONTOANI et al., 2014). O tabagismo é considerado doença crônica epidêmica que causa dependência física, psicológica e comportamental. Segundo a OMS, é responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis, sendo considerada a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Inúmeros agravos de saúde, muitos dos quais incapacitantes e fatais, têm relação direta com o tabagismo, como diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rins, bexiga, estômago, fígado e colo de útero), doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), doença coronariana (angina e infarto) e doenças cerebrovasculares (AVC) (INCA, 2014).

O aumento da mortalidade associada ao tabaco vem sendo documentado há várias décadas. O hábito de fumar pode aumentar o risco de morte em 20 a 30 vezes, enquanto o fumante passivo também tem suas taxas de mortalidade aumentadas (WHO, 2013). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013, o fumo foi responsável por cerca de 6 milhões de mortes em nível global, e no Brasil estima-se cerca de 200 mil mortes anuais decorrentes do tabagismo.

Em virtude de números tão elevados a política de controle do tabagismo no Brasil, nos últimos anos, avançou bastante com resultados positivos que se refletem na redução da prevalência, porém ainda é necessário intensificar ações já adotadas, para que a eficácia sejam ainda maiores.

A prevenção da recaída reúne um conjunto de estratégias a fim de evitar que o fumante volte a fumar após sua parada. A entrevista motivacional é um instrumento que pode auxiliar na tomada de decisão de parar de fumar. Mais recentemente, a terapia de aceitação e compromisso, com enfoque analítico-comportamental, tem mostrado resultados animadores no tratamento do fumante. A psicoterapia também pode ser associada à farmacoterapia, obtendo-se um aumento da eficácia das duas intervenções. Conclui-se que os métodos psicoterápicos são eficazes no tratamento do tabagismo, mas ainda pouco utilizados, e que uma avaliação comportamental do fumante é necessária antes de se aplicar qualquer técnica (MESQUITA, 2014).

À luz desses pressupostos empíricos e teóricos, o presente estudo buscou analisar a avaliação psicológica para identificar o perfil da personalidade do indivíduo tabagista, visando o bem estar social. O interesse em conhecer essa população recai na tentativa de melhorar e ampliar os dispositivos de prevenção, promoção e acompanhamento terapêutico no contexto da saúde pública do país.

2. Desenvolvimento

O tabagismo é doença presente na Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), no grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas. A nicotina, alcalóide cuja principal fonte é o tabaco (Nicotiana tabacum), é substância capaz de alterar estruturalmente (pelo aumento da densidade de receptores) e fisiologicamente, causando intensa dependência, de forma semelhante a outras drogas, como a cocaína e a heroína (MEIRELLES, 2009). Tal dependência obriga o fumante a se expor a mais de 4700 substâncias, inclusive tóxicas, o que resulta no enorme dano causado pelo hábito de fumar. 

Aspectos Psicológicos do Tabagismo

O hábito de fumar causa no paciente dependência física e psicológica, havendo compulsão pelo uso, desenvolvimento de tolerância e síndrome de abstinência quando o paciente é afastado desse hábito. Além disso, é comum o fumante associar o cigarro com situações corriqueiras, criando condicionamentos como fumar após ingerir café ou ao dirigir. Os condicionamentos reforçam o comportamento de fumante.

Existe cerca de 1,3 bilhões de fumantes no mundo, sendo que 80% deles vivem em países em desenvolvimento. Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, de acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico (VIGITEL Brasil, 2013), a frequência de adultos (maiores de 18 anos) fumantes foi de 11,3% - 14,4% entre os homens e 8,6% entre as mulheres. Em números, há cerca de 27,9 milhões de fumantes no País. 

Estudos em adultos revelaram que os padrões de personalidade narcisista e antissocial estão associados ao consumo de cigarros nos homens, enquanto o traço esquizoide é mais comum nas mulheres fumantes (PIÑEIRO et al., 2013). As chances de abandono são maiores para os homens com padrão de personalidade compulsiva e menor entre as mulheres esquizoides. Além disso, diferentes facetas  da ansiedade e sintomas depressivos também foram  associadas a  padrões  afetivos de abstinência aguda do tabaco (LEVENTHAL et al., 2013). Não menos importante, os dados epidemiológicos mostram que os riscos para tentativas de suicídio bem- sucedidas são mais elevados entre fumantes atuais do que em pessoas que nunca fumaram (LUCAS et al., 2013).

Características Recorrente entre Fumantes

Apesar de não existir um perfil psicológico definido sobre os fumantes, os múltiplos fatores, de condição cultural, social, econômico, comportamental, genético e neurobiológico, podem ser importantes para caracterizar e compreender o fenômeno do tabagismo no Brasil, e assim promover iniciativas de prevenção e controle da dependência numa abordagem eficaz, integrada por múltiplas medidas e técnicas (FERREIRA et al., 2011).

Conforme ressaltam Seabra, Faria e Santos (2011), a relação existente entre o consumo de tabaco e a depressão pode ser vista de diferentes formas, visto que o tabagismo auxilia na automedicação de sintomas relacionados ao humor, bem como em sentimentos de tristeza e angústia. Outra forma com as quais os sintomas depressivos podem estar relacionados com o consumo é a alteração dos sistemas neuroquímicos associados à regulação de humor pela ingestão da nicotina. Existem evidências de que o tabaco e a depressão influem-se mutuamente, além dos outros fatores biopsicossociais contribuírem para a expressão de ambos.

Kuhnen et al. (2009), realizou um estudo transversal de base populacional com o objetivo de estimar a prevalência de tabagismo e os fatores associados em adultos com idade entre 20 e 59 anos, com uma amostra composta de 2.022 indivíduos residentes em uma cidade de médio porte do sul do Brasil. Os resultados evidenciaram maior prevalência de tabagismo em indivíduos de renda mais baixa, escolaridade menor que oito anos e relataram problemas com álcool.

Tabagismo e o Sintoma Depressivo de Ansiedade e Solidão

Atualmente, existem várias hipóteses para explicar as altas taxas de tabagismo em pessoas com depressão e ansiedade. A hipótese de auto-medicação postula que os indivíduos fumam para aliviar seus sintomas, e, portanto, sugere que os sintomas de depressão e ansiedade podem levar ao tabagismo. Uma hipótese alternativa é que fumar pode levar à depressão ou ansiedade, através de efeitos na neurocircuitos do indivíduo que aumenta a susceptibilidade a estressores ambientais. Estudos com animais indicam que uma prolongada exposição à nicotina desregula o sistema hipotálamo-hipófise- adrenal, resultando em hipersecreção de cortisol e alterações na atividade do sistema neurotransmissor cuja função é regular as reações a estressores, um efeito que parece normalizar após retirada de nicotina (FLUHARTY et al., 2017).

Com relação à dependência ao tabaco, percebe-se que, além da dependência física provocada pela nicotina, existem outros fatores que devem ser considerados no manejo do trabalho com o fumante. Percebe-se uma grande associação entre patologias psiquiátricas e o hábito de fumar, apontando a importância de uma intervenção que contemple as características de ordem psíquica no planejamento das ações terapêuticas para o tratamento do tabagismo (SEABRA; FARIAS, SANTOS, 2011).

Conforme explica Belinghini (2008), cerca de 20% dos tabagistas têm dependência química forte e os outros 80% apresentam dependência psicológica à droga. A dependência química não se estabelece de imediato, mas leva aproximadamente dez anos para se consolidar, sendo o vínculo com o tabaco nesse período anterior de característica psicológica.

A associação entre tabagismo e depressão/ansiedade também pode ser bidirecional, iniciar a fumar para aliviar os sintomas, pode torná-los piores ao longo do tempo. Estudos longitudinais podem ajudar a informar a compreensão da relação causal entre tabagismo e depressão/ansiedade, clarificando a associação temporal (MUNAFO; ARAYA, 2010).

Inúmeros trabalhos mostram a associação entre distúrbios de ansiedade  com   o tabagismo. Indivíduos com distúrbios de ansiedade exibem riscos aumentados de tabagismo em relação a aqueles sem essas anormalidades (KOENEN et al., 2005; SWENDSEN et al., 2010).

Pesquisas sugerem que sentimentos negativos exibem associações com o tabagismo. Um tipo específico de estado afetivo negativo é a solidão, que é experimentado quando uma pessoa se percebe como socialmente  isolada,  ou quando tem uma insuficiente qualidade e/ou quantidade de conexões sociais que definem suas perspectivas no meio em que vive (DYAL; VALENTE, 2015).

A relação entre vida solitária, doenças cardiovasculares, depressão,  infecções e mortalidade já foi demonstrada em estudos epidemiológicos, assim como a associação entre solidão e maus hábitos de saúde. Entretanto, as relações com tabagismo não estão bem estabelecidas.

3. Metodologia

Trata-se de uma revisão sistemática que possibilitou a síntese e análise de estudos relevantes publicados sobre o assunto, permitindo que pesquisas prévias sejam sumarizadas. Para a sua realização, seguiram-se as seguintes etapas: identificação do tema e formulação da situação problema; estabelecimento do objetivo da revisão, estabelecimento dos critérios de inclusão/exclusão para a seleção da amostra; definição das informações; avaliação dos estudos incluídos; interpretação e apresentação dos resultados.

Para auxiliar no momento da coleta de dados foi utilizado um instrumento que contém os seguintes itens: identificação do estudo, metodologia, resultado e discussão, considerações finais, recomendações e evidência. Bem como: títulos, autores, questão de pesquisa, objetivos, tipo de pesquisa e descritores em Ciências da Saúde.

Após formulação da questão de pesquisa: “Como avaliar o perfil de personalidade do indivíduo tabagista? ”, foi feito uma busca de artigos nas bases de dados a fim de incluir os estudos na pesquisa. Para tanto, foi realizado um levantamento bibliográfico nos bancos de dados Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),

Os descritores utilizados nesta fase foram selecionados a partir do vocabulário estruturado e trilíngue denominado Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Para o cruzamento dos descritores foi utilizado o operador booleano AND.

Para alcançar estudos que respondam à questão da pesquisa optamos por utilizar os seguintes descritores: “Avaliação psicológica”, “Tabagismo”, “Fumantes”, “Perfil de personalidade” e “Indivíduo tabagista”. Em seguida, apresentamos, na figura 1, o organograma referente à seleção dos artigos que foram selecionais por meio da pesquisa bibliometria.

Figura 1 – Fluxo do processo de seleção dos artigos após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão

avaliacao-psicologica-e-tabagismo-img-1

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores, 2018.

Os artigos preencheram os seguintes critérios de inclusão para a revisão de literatura: Acessibilidade do texto completo e gratuito; idiomas em português; ano de publicação no período de 2013 a 2018; seleção do título que contenha referência aos descritores; leitura classificatória do resumo; leitura do texto na íntegra; estudos não empíricos. Foram excluídos os artigos que não responderam à questão norteadora; artigos que se repetissem nas bases de dados; artigos de opinião, de reflexão, editoriais; artigos de revisão ou teóricos; relatos de experiência; capítulos de livros; teses; dissertações e monografias.

4. Resultados e Discussão

São apresentadas as características dos artigos científicos inqueridos, as categorias de análise relacionadas com esta pesquisa de revisão de literatura. Para a análise dos estudos que foram selecionados para fazer parte da amostra, realizou-se um resumo, tendo como base um quadro que será posteriormente apresentado e discutido de forma descritiva.

Quadro 1 – Artigos indexados em bancos e bases de dados sobre Avaliação psicológica de fumantes

AUTORIA/

ANO

OBJETIVO

METODOLOGIA

RESULTADOS

Lopes et al. (2013)

Descrever a aplicação de um programa de cessação do tabagismo.

Aplicação de um programa de cessação centrado em quatro pontos: padrão de consumo, métodos para deixar de fumar, manejo da fissura e prevenção de recaída.

O programa demonstrou boa eficácia, pois, dos 16 fumantes que participaram, 7 atingiram a abstinência e 9 reduziram o consumo.

Afonso e Pereira (2013)     

Avaliar sintomas de transtornos psicológicos, qualidade de vida, suporte do parceiro, coping familiar, ajustamento de casal e representações do tabaco em fumantes, ex-fumantes e não fumantes.

Foram selecionados   224 fumantes diários, 169 ex-fumantes há pelo menos 3 meses e 173 não fumantes. Tratou-se de uma amostra de conveniência. Os participantes foram recrutados na consulta médica.

Os ex-fumantes, quando comparados com os não fumantes e fumantes, revelaram representações cognitivas face ao tabaco mais ameaçadoras, mais ansiedade, mais coping familiar, mais suporte positivo e negativo do parceiro e mais qualidade de vida mental. Os não fu- mantes, apresentaram representações emocionais mais ameaçadoras e menor compreensão face ao seu comportamento de fumar e mais coesão. Os fumantes, interessantemente, reportaram mais qualidade de vida física.

Afonso e Alves (2013)

Avaliar a morbidade psicológica como um moderador na relação entre as representações do tabaco e a qualidade de vida em fumantes e ex-fumantes, assim como as variáveis psicológicas que descriminam os fumantes com e sem intenção para deixar de fumar.

Estudo quantitativo, correlacional e transversal com uma amostra de conveniência constituída por 224 fumantes e 169 ex-fumantes.

Verificaram um efeito moderador da morbidade psicológica na relação entre a qualidade de vida (física e mental) e as representações do tabaco (representações cognitivas e emocionais e compreensão).

Freire et al. (2014)

Descrever um programa de cessação tabagística com novos procedimentos e avaliar seu índice de sucesso.

Participantes de um programa de cessação tabagística, baseado em terapias cognitivas comportamentais e farmacológicas, foram acompanhados por um ano, e a taxa de cessação avaliada foi, no mínimo, de seis meses, após pararem de fumar.

Dos 145 indivíduos que participaram do estudo, observou-se um índice de sucesso de 64,42% durante o acompanhamento.

Oliveira; Santos; Furegato (2014)

Identificar o perfil sociodemográfico de pacientes psiquiátricos, tabagistas, comparando-o com o de ex-tabagistas e não tabagistas.

Pesquisa exploratória, envolvendo pacientes psiquiátricos, internados em hospital geral, por meio de entrevista com questionário estruturado.

Das 433 pessoas internadas, participaram 270, das quais 83,7% eram portadoras de transtornos mentais severos, 35,6% eram tabagistas, 14,1% ex-tabagistas e 50,4% não tabagistas. Entre os tabagistas, predominou o sexo masculino, 30-49 anos de idade, ensino fundamental, área rural, separados/divorciados, sem ocupação, renda R$ 600, espiritas e sem pratica religiosa.

Pawlina et al.(2015)

Avaliar mudanças nos níveis de ansiedade, depressão, motivação e estresse em pacientes durante o tratamento para a cessação do tabagismo.

Estudo de coorte com pacientes participantes de um programa de cessação do tabagismo. Foram selecionados os pacientes que completaram o tratamento em até seis meses (n = 142). As avaliações dos pacientes foram realizadas em três momentos: avaliação inicial (A1), após 45 dias de tratamento com medicação e terapia cognitivo-comportamental (A2) e ao final dos seis meses de duração do estudo (A3).

Entre os 142 pacientes avaliados, houve melhoras nos níveis de ansiedade, depressão, motivação e estresse entre A1 e A2 e entre A1 e A3. Além disso, o sucesso do tratamento correlacionou-se significativamente com os níveis de motivação e ansiedade ao longo de todo o estudo; com o nível de depressão, porém, somente em A2 e A3.

Lopes Fujita; Nakano (2015)

Investigar diferenças em características de personalidade entre estudantes universitários fumantes e não fumantes.

A amostra geral deste estudo foi composta por 93 estudantes matriculados em uma instituição particular de Ensino Superior, escolhidos por conveniência. Os participantes foram divididos em dois grupos: fumantes e não fumantes.

Revelaram médias significativamente mais altas para dependentes de nicotina na faceta busca por novidades e no fator abertura, enquanto que não fumantes obtiveram médias significativamente mais altas nas facetas vulnerabilidade, pró-sociabilidade, confiança nas pessoas e empenho. Foi encontrada associação significativa com dependência nicotínica apenas na faceta confiança nas pessoas.

Fonte: Elaborado pelos pesquisadores, 2018.

Dentre os trabalhos avaliados nessa revisão, houve uma variedade de abordagens metodológicas, o que reflete a pluralidade da temática estudada e que mostra também os diferentes tipos de métodos para se investigar esse tipo de tema. Em relação a distribuição temporal, houve uma predominância de publicação no ano de 2013 o que torna evidente a importância que esse tema teve naquele ano.

Numa visão global dos estudos, os resultados sugerem que pessoas com algum sofrimento psíquico são mais propensas a serem fumantes, com uma predisposição aproximadamente duas vezes maior quando comparadas a não fumantes. O sofrimento psicológico também está associado a uma menor probabilidade de cessação do tabagismo e níveis elevados de dependência e nicotina, com aumento do risco de recaída ao longo do período de um ano de acompanhamento.

Lopes et al. (2013), aplicaram um programa de cessação em uma empresa de transporte rodoviário urbano, onde fizeram um levantamento através de um formulário e dos 642 funcionários que responderam 90 se declaravam fumantes e 70 queriam ajuda para parar de fumar, destes 30 se inscreveram no programa e 16 participaram efetivamente. Ao final do programa os participantes relataram que ao atingir a abstinência sentiram uma sensação de controle, sensação de liberdade, receberam elogios dos familiares, obtiveram melhoria nas relações sociais e fim do preconceito. Além desses benefícios referentes à melhora da saúde, como aumento da capacidade pulmonar, melhora do paladar e do olfato foram citados tanto pelos participantes que atingiram a abstinência como pelos participantes que apenas tinham conseguido a redução.

Em consonância com esse estudo Lopes et al. (2014), relatam que entre os motivos para a cessação do fumo citados pelos participantes de seu estudo, buscaram tratamento foi pelo policiamento social e a sensação de hostilidade que percebiam ao fumar em lugares públicos.  Isso infere que umas das preocupações é dos fumantes é também com o bem-estar das pessoas que o cercam.

Afonso e Pereira (2013) sugerem que a intervenção ao nível do consumo de tabaco deve ser diferenciada tendo em conta a presença de sintomas de transtornos psicológicos, qualidade de vida, suporte do parceiro, coping familiar, ajustamento de casal e representações do tabaco em fumantes, bem como o facto de se tratar de fumantes, ex-fumantes e não fumantes. O estudo sublinha ainda a importância do controle das representações do tabaco, sintomas de transtornos psicológicos e suporte do parceiro no comportamento tabágico.

Fumantes e ex-fumantes tem sintomas depressivos mais frequentemente que não fumantes e que entre esses fumantes, aqueles que são usuários de antidepressivos tem uma maior propensão a sofrer ansiedade e insônia. Os dados também sugerem que o abandono do tabagismo está associado com a redução da ansiedade e da angústia (SANTOS; GODOY; GODOY, 2016).

Castro et al. (2010), compararam entre fumantes e nunca fumantes, os aspectos: Qualidade de Vida (WHOQOL-BREF), índice de massa corpórea, hospitalizações, incapacidades, história familiar de transtorno mental, doenças relacionadas ao uso de tabaco e QTF depressão e uso de substâncias psicoativas. Um total de 167 fumantes e 272 nunca fumantes foram inscritos em um programa de cessação do tabagismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e incluídos no estudo. A média de idade para fumantes e nunca fumantes, foi respectivamente, de 45 e 44 anos. As mulheres predominaram nos dois grupos. Fumantes apresentaram mais freqüentemente incapacidades laborais e domésticas, presença de fumantes em casa, hospitalizações, transtornos depressivos, uso de sedativos, história de transtorno mental na família e piores escores em domínios do WHOQOL-BREF.

Uma outra pesquisa realizada com objetivo de avaliar a QV em indivíduos fumantes comparando-os com ex-fumantes e não fumantes através do questionário SF-36 e a associação entre a qualidade de vida com o grau de dependência nicotínica pelo QTF, avaliou 45 indivíduos fumantes (30 homens e 15 mulheres) com média de idade de 55 (±20) anos. O grupo de ex-fumantes foi composto por 43 indivíduos sendo 30 homens e 13 mulheres com média de idade de 44 (±12) anos, com interrupção há 12 (±7) anos. Participaram também 64 indivíduos não fumantes (39 homens e 25 mulheres) com média de idade de 50 (±10) anos. Os fumantes apresentaram uma pontuação menor em todos os domínios do SF-36. Quanto ao grau de dependência nicotínica 36% fumantes apresentaram elevada dependência, 20% baixa dependência, 18% muito elevada, 13% muito baixa dependência e 13% média dependência nicotínica. Um achado interessante neste trabalho é que os ex-fumantes apresentaram uma pontuação maior em todos os escores do SF-36, sugerindo que a interrupção do hábito de fumar pode melhorar a QV (COUTO et al., 2010).

Afonso e Alves (2013), no estudo sobre morbidade psicológica encontraram achados semelhantes aos descritos, ressaltando a importância do efeito moderador da morbidade psicológica na qualidade de vida mental e física de fumantes e ex-fumantes, bem como a importância das variáveis sociocognitivas na intenção para deixar de fumar nos fumantes. Os resultados contribuem para a importância de informar os programas de intervenção na cessação tabágica em relação à diminuição da morbidade psicológica, bem como à inclusão das variáveis sociocognitivas.

Corroborando, um estudo prospectivo realizado para avaliar as alterações na QV (SF-36) relacionada a saúde de 60 pacientes, doze meses após cessação tabágica, por meio de um programa que consistiu de sessões em grupo semanais com duas horas de duração durante o primeiro mês e quinzenais até o sexto mês, seguidas por telefonema mensal durante mais seis meses, baseou-se na mudança comportamental e no uso de bupropiona (antidepressivo) associada à terapia de reposição nicotínica. Os escores de QV relatados foram significativamente maiores nos 40 ex-fumantes do que nos 20 fumantes ativos. Doze meses após a intervenção para a cessação tabágica, os escores dos componentes físico e mental sumarizados foram maiores em ex-fumantes do que nos fumantes. Os achados ilustraram que a abstinência tabágica está relacionada à melhora da QV, especialmente nos aspectos relacionados à saúde mental (SALES et al., 2009).

Freire et al. (2014) desenvolveram um programa de cessação tabagística, baseado em terapias cognitivas comportamentais e farmacológicas, a amostra foi composta por 202 indivíduos tabagistas que procuraram o Programa de Orientação e Conscientização Antitabagismo de uma universidade no estado de São Paulo. Destes indivíduos, 145 preencheram os critérios de inclusão propostos, ou seja, compareceram a minimamente três das cinco reuniões realizadas antes da data de cessação previamente estabelecida e com acompanhamento de seis meses. Foram implementados os seguintes procedimentos: intensificação na frequência dos encontros (duas vezes semanais); data de cessação pré-estabelecida pelos terapeutas do programa, primeiro encontro com apresentação do tratamento, esclarecimento de dúvidas e motivação dos pacientes e participação de ex-tabagistas para incentivar os iniciantes. Dos indivíduos que alcançaram sucesso na abstinência, 51,04% eram do gênero feminino, com média de idade de 50,34±12,54, índice de Fagerstrom 6,25±1,85, e 71,88% destes fizeram uso da medicação Bupropiona + Adesivo Transdérmico.

No processo de deixar de fumar, os fumadores, podem apresentar dependência física à nicotina acompanhada de sintomas físicos, alterações de humor/ansiedade quando tentam deixar de fumar, especialmente os que fumam mais cigarros por dia (SATTLER; CADE, 2013).

Estudos revelam que fumadores com elevada dependência à nicotina apresentam mais resistência ao tratamento para deixar de fumar e necessitam de uma intervenção mais complexa, combinando métodos cognitivo-comportamentais e métodos alternativos (por ex., estratégias de promoção da saúde física e mental)  (DUARTE et al., 2015).

Além da dependência física também estão presentes dificuldades de dimensão cognitiva e emocional, tais como a associação de sentimentos positivos ao uso do cigarro (sensação de calma), alívio de sentimentos negativos (ansiedade, agitação motora, tristeza), dependência psicológica (dado o cigarro ser percepcionado como “um amigo”) e falta de motivação para deixar de fumar.

Oliveira; Santos; Furegato (2014) desenvolveram um estudo envolvendo pacientes psiquiátricos, internados em hospital geral, por meio de entrevista com questionário estruturado. Houveram diferenças no perfil de pacientes psiquiátricos, segundo o tabagismo. Esse conhecimento pode ajudar o profissional da saúde a planejar intervenções preventivas, educativas e terapêuticas, no cuidado prestado segundo as necessidades e possibilidades dos sujeitos.

No estudo de Pawlina et al. (2015) percebemos que, assim como aconteceu com a ansiedade dos pacientes a gravidade da depressão, quantificada pela pontuação obtida no BDI, foi menor após o tratamento do tabagismo. Esse resultado pode ser atribuído aos efeitos combinados do tratamento farmacológico com bupropiona e da Terapaia Cognitivo Comportamental. Portanto, o tratamento farmacológico funciona como auxiliar à abordagem cognitivo comportamental no estágio durante o qual os fumantes apresentam sintomas da síndrome de abstinência, por facilitar a abordagem aos pacientes, que foram gradualmente incentivados e aconselhados a lidar com sua dependência e a tentar quebrar as associações condicionadas estabelecidas com o cigarro.

Conforme Castro et al. (2008), dependentes de nicotina têm maior probabilidade de sofrer de transtornos psiquiátricos concomitantes de que a população geral. Cerca de 60 a 95% dos indivíduos apresentam dependência de nicotina com outras substâncias psicoativas e seu tratamento é um desafio porque inclui intervenções psicossociais e /ou farmacológicas.  A comorbidade do tabaco relacionada à depressão e uso de substâncias psicoativas foi estatisticamente significativa. Pacientes depressivos têm maiores riscos de fumar e usar outras substâncias psicoativas, e isto está associado a maiores incapacidades e piores resultados de tratamento, em decorrência da depressão aumentando os afetos negativos encontrados durante a tentativa de abster-se de uma ou ambas drogas e leva a maior incapacidade profissional.

Há evidências de que tabagismo e depressão podem influenciar-se reciprocamente. Por exemplo, alguns fumantes deprimidos podem fumar para aliviar seus sentimentos negativos e, por conseguinte, uma vez que a nicotina tem esse efeito desejado, o tabagismo para esses indivíduos é reforçado positivamente. Contudo, sob a cessação do consumo, fumantes com histórico depressivo aumentam seu risco de desenvolver novo episódio depressivo, o que pode aumentar sua predisposição às recaídas. Ainda uma outra hipótese revela que mais do que uma relação causal entre depressão e tabagismo, uma série de variáveis comuns, ou altamente correlacionadas (como, por exemplo, fatores genéticos e psicossociais), contribui para a expressão de ambos (tabagismo e depressão). De um total de 64 pacientes estudados, 42 mulheres e 22 homens, o índice de episódio de depressão no passado foi de 25% e o índice de depressão atual foi de 20% (MARTINS et al., 2009).

Segundo relata Nunes et al. (2011), dependentes de nicotina têm maior probabilidade de sofrer de transtornos psiquiátricos concomitantes do que a população geral. Cerca de 60% a 95% dos indivíduos apresentam dependência de nicotina de maneira simultânea com outras substâncias psicoativas, e o tratamento delas, junto com o tabaco, é um desafio. O tratamento de transtornos psiquiátricos coexistentes inclui intervenções psicossociais e/ou farmacológicas. A não adesão pode ter muitos fatores, incluindo comprometimento cognitivo, medo do paciente de adesão ao tratamento da dependência da nicotina 135 interações medicamentosas prescritas e as substâncias de abuso, medo que a própria medicação prescrita seja prejudicial, mudança na motivação e falta de apoio.

Glassman et al. (2001) citado por Castro et al. (2008) verificaram a depressão como a maior comorbidade relacionada ao tabagismo e consumo de substâncias psicoativas. Importante também foi a maior ocorrência de depressão grave naqueles que utilizam outras substâncias psicoativas em relação aos que não as utilizam. Há uma relação recíproca de fumantes terem mais depressão do que os não fumantes, e os depressivos serem mais fumantes do que os não fumantes. Pacientes depressivos têm aumento do risco de serem dependentes de nicotina, e a associação de depressão e tabaco aumenta duas vezes o risco de doenças cardiovasculares.

Lopes, Fujita e Nakano (2015) pontuam que os resultados encontrados no seu estudo não apresentam consenso acerca do número exato de traços de personalidade que influenciam o tabagismo, mas certamente apresentam semelhanças que ampliam o entendimento da relação. Foi possível verificar que os dados de personalidade encontrados no grupo de indivíduos fumantes endossam dados de outras pesquisas conduzidas com populações clínicas, tais como dependentes químicos e alcoólatras. Podem também indicar que múltiplos aspectos de interação social e dimensão interpessoal podem desempenhar um papel importante na manutenção do hábito.

Nesse mesmo sentido, Shadel et al. (2000) sugerem que a razão para que a relação entre tabagismo e caracteristicas de personalidade seja tão inconsistente é que as concepções de personalidade que têm sido investigadas não seriam coerentes com visões contemporâneas das dimensões de personalidade, citando, como exemplo, os cinco grandes fatores de personalidade, que, segundo os autores, seria um modelo teórico mais condizente com as transformações culturais que ocorreram desde que o modelo tridimensional de personalidade foi criado, composto pelos fatores de extroversão, neuroticismo e psicoticismo.

Patton, Barnes e Murray (1997) pontuam que aspectos acerca da  personalidade pode advir do fato de que fumantes diferem com relação aos motivos pelos quais fumam, sendo que podem ser influenciados tanto por diferenças individuais quanto por fatores situacionais que interagem com essas diferenças.

Os artigos incluídos nesse estudo destacam a importância da prevenção e da cessação do tabagismo, que devem ser incluídas precocemente como forma de diminuir os riscos de desenvolvimento de sofrimento psíquico, e de patologias associadas ao tabagismo. Como também comprovam a significativa melhoria da qualidade de vida, do convívio social e do bem-estar de maneira geral naqueles que conseguiram parar de fumar como nos que diminuíram, influenciando diretamente na tranquilidade mental e emocional.

5. Conclusão

A partir dos resultados encontrados, foi possível verificar que os dados de personalidade obtidos na presente revisão endossam dados de outras pesquisas conduzidas com populações clínicas, tais como dependentes químicos e alcoólatras. Tal constatação permite o levantamento da hipótese de que fumantes também podem ser considerados grupos clínicos, com perfil de personalidade diferenciado daquele encontrado na população em geral. Podem também indicar que múltiplos aspectos de interação social e dimensão interpessoal podem desempenhar um papel importante na manutenção do hábito.

Destarte, é possível concluir que fumantes exibem um perfil emocional diferenciado que não fumantes; que a psicoterapia pode aumentar a probabilidade de o fumante parar e manter-se abstinente, contudo o profissional de saúde deve conduzir o paciente a uma avaliação individual do comportamento de fumar para oferecer um tratamento adequado para cada fumante, visto que cada um tem motivações diferentes para o consumo que implicam diretamente no seu aspecto emocional.

Sugere-se que novos estudos, que comparem perfil de personalidade e avaliação psicológica entre fumantes e não fumantes, sejam realizados na população brasileira, haja vista que ainda são poucos os estudos com essa população enquanto na literatura internacional há uma vasta publicação. 

Sobre os Autores:

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Psicólogo graduado em Psicologia pela Universidade Estadual do Piauí. Pós-graduado em Avaliação e Diagnóstico Psicológico. Psicólogo no NASF, CRAS e Docente no ISESPI. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.  

 Juliana Dias Rosa - Psicóloga graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Piauí. Pós-graduada em Saúde Mental. Psicóloga do CRAS. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 

Referências:

 AFONSO, F.; PEREIRA, M. G. Comportamento tabágico: um estudo com fumantes, ex-fumantes e não fumantes. Temas em psicologia, Ribeirão Preto, v. 21, n. 2, p. 379- 389, 2013.

AFONSO, M. F. B; ALVES, M. G. P. Morbidade psicológica como moderador da intenção de deixar de fumar: um estudo com fumantes e ex – fumantes. ver. J Bras Pneumol. v. 39, n. 4, p. 461 – 468, 2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico - VIGITEL BRASIL 2013. Brasília, 2014.

CASTRO, M. R. P.; NUNES, S O V; FARIA, D. D. de; ROCHA, C. E. B. da; BACCHI, R. S. A dependência da nicotina associada ao uso de álcool e outras substâncias psicoativas. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 29, n. 2, p. 131-140, 2008.

CASTRO, M. R. P. de; MATSUO, T.; NUNES, S. O. V. Características clínicas e qualidade de vida de fumantes em um centro de referência de abordagem e tratamento do tabagismo. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 36, n. 1, p. 67-74, 2010.

COUTO, V. F.; RUAS, G.; JAMAMI, M.; JAMAMI, L. K. Avaliação da qualidade de vida e dependência nicotínica em indivíduos fumantes, ex-fumantes e não fumantes. Rev. Digital. v.15, n.151, p.15-21., 2010.

DYAL, S. R.; VALENTE, T. W. A systematic review of loneliness and smoking: small effects, big implications. Substance Use & Misuse, v.50, n.13, p.1697-716, 2015. 

DUARTE, M. D. L. C.; CAMPOS, L. M. P.; MONTEIRO, L.,  OLIVEIRA, M. C. Grupo de tabagismo em um ambulatório de saúde mental no rio grande do sul. Rev. Contexto & Saúde, v.14, n.27, p.75-80, 2015. 

FERREIRA, S. A. L.; TEIXEIRA, C de C.; CORRÊA, Ana Paula AlmeidA; LUCENA, Amália de Fátima; ECHER. Isabel Cristina Motivos que contribuem para indivíduos de uma escola de nível superior tornarem-se ou não tabagistas. Rev. Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 287-293, 2011.

FLUHARTY, M.; TAYLOR, A. E.; GRABSKI, M.; MUNAFÒ, M. R. The Association of Cigarette Smoking with Depression and Anxiety: A systematic review. Nicotine & tobacco research: official journal of the Society for Research on Nicotine and Tobacco , Abingdon, v. 19, n. 1, p. 3-13, 2017. 

FREIRE, A. P. C. F. et al.. Resultados de um programa de cessação tabagística: análise de novos procedimentos. ConScientiae Saúde, v. 13, n. 3 p. 4894, 2014. 

INCA. Instituto Nacional do Câncer. PREVALÊNCIA DE TABAGISMO NO BRASIL. Dados dos inquéritos epidemiológicos em capitais brasileiras. Ministério da Saúde. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Rio de Janeiro, 2014.

KOENEN, K. C. et. al.  A twin registry study of the relationship between posttraumatic stress disorder and nicotine dependence in men. Archives of General Psychiatry, v.62, p.1258–65, 2005.

KUHNEN, M.; BOING, A. F.; OLIVEIRA, M. C. de; LONGO, G. Z.; NJAINE, K. Tabagismo e fatores associados em adultos: um estudo de base populacional. Rev Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 12, n. 4, p. 615-626, 2009. 

LEVENTHAL, A. M. et al.. Anxiety and depressive symptoms and affective patterns of tobacco withdrawal. Drug and Alcohol Dependence, v.133, n.2, p.324–9, 2013.

LOPES FUJITA, A. T et al. Características de personalidade e de dependência nicotínica em universitários. Avaliação Psicológica (em linea) v.14, 2015.

LOPES, F. M; PEUKER, A. C; BIZARRO, L. Aplicação de um programa de cessação do tabagismo com rodoviários urbanos.  Rev. Psicologia Ciência e Profissão. v.33, n.2, p.490-499, 2013.

MARQUES DE OLIVEIRA, R.; FERREIRA SANTOS, J. L; FERREIRA FUREGATO, A. R. Perfil sociodemográfico de tabagistas internados em enfermaria psiquiátrica de hospital geral Rev. Brasileira de Enfermagem, v. 67, n. 3, p. 381-385 , 2014.

MARTINS, M. B.; SEIBERT, J. S., BRANDALISE, L; JEREMIAS, E. T.; CHATKIN, J. M. Associação do Tabagismo com Transtornos Psiquiátricos. X Salão de Iniciação Científica – PUCRS, 2009.

MEIRELLES, R. H. S. Tabagismo e DPOC - dependência e doença - fato consumado. Pulmão RJ - Atualizações Temáticas. v. 1, p. 13-19, 2009.

MESQUITA, A. A. Avaliação e tratamento psicológico do fumante: uma revisão bibliográfica. Mudanças – Psicologia da Saúde, São Bernardo do Campo, v. 22, n. 2, p. 33-41, 2014.

MONDIN, T. C. et al.. Anxiety disorders in young people: a population-based study. Rev. Brasieleira de Psiquiatria, v.35, p.347-52, 2013.

MONTOANI, L. C. et al.. Long-term Effects of a Program to Increase Physical Activity in Smokers. Chest, v. 146, n.6, p.1627-32, 2014.

NUNES, S O. V.; CASTRO M. R P; CASTRO, M. A. Tabagismo, Comorbidades e Danos à Saúde. In: NUNES, S. O. V.; CASTRO, M. R. P. (orgs.) Tabagismo: Abordagem, prevenção e tratamento. Londrina: EDUEL. 224 p., 2011. 

PAWLINA, M. M. et al.. Depression, anxiety, stress, and motivation over the course of smoking cessation treatment. J. Brasileiro de Pneumologia, v.41, n.5, p. 33-39, 2015.

PATTON, D.;BARNES, G. E.; MURRAY, R. P. A Personality typology of smokers. Addictive Behaviors, v.22, n.2, p.269-273, 1997.

PIÑEIRO, B. et al.. Craving and nicotine withdrawal in a Spanish smoking cessation sample. Adicciones, v. 26, n. 3, p. 230-7, 2013.

SATTLER, A. C.; CADE, N. V. Prevalência da abstinência ao tabaco de pacientes tratados em unidades de saúde e fatores relacionados. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 253-264, 2013.

SALES, M.P.U, OLIVEIRA, M.I, MATTOS I.M, VIANA, C.M.S, PEREIRA, E.D.B. Impacto da cessação tabágica na qualidade de vida dos pacientes. J. Bras Pneumol. v. 35, n.5, p. 436-441, 2009.

SEABRA, C. R.; FARIA, H. M. C.; SANTOS, F. R. dos. O tabagismo em uma perspectiva biopsicossocial: panorama atual e intervenções interdisciplinares. CES Rev., Juiz de Fora, v. 25, n. 1, p. 321-336, 2011.

SHADEL, W. G.; NIAURA, R.; GOLDSTEIN, M. G.; ABRAMS, D. B.. Does the Five Factor model of personality apply to smokers? A preliminary investigation. J. of Applied Biobehavioral Research,. v.5, n.2. p.114-120, 2000. 

SWENDSEN, J., et al.. Mental disorders as risk factors for substance use, abuse and dependence: results from the 10-year follow-up of the national comorbidity survey. Addiction, v.105, p.1117–28, 2010. 

Como citar este artigo:

Seguindo normatização ABNT para citação de sites e artigos online:

MIRANDA, Alex Barbosa Sobreira de; ROSA, Juliana Dias. Avaliação Psicológica e Tabagismo: uma Revisão Sistemática da Literatura. Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/psicodiagnostico/avaliacao-psicologica-e-tabagismo-uma-revisao-sistematica-da-literatura . Acesso em .

Seguindo normatização APA para citação de sites:

Miranda, A. B. S. & Rosa, J. D., 2019. Avaliação Psicológica e Tabagismo: uma Revisão Sistemática da Literatura. [online] Psicologado. Available at: https://psicologado.com.br/psicodiagnostico/avaliacao-psicologica-e-tabagismo-uma-revisao-sistematica-da-literatura [Acessed 04 Aug 2020]

Seguindo normatização ISO 690/2010 para citação de sites:

MIRANDA, Alex Barbosa Sobreira de; ROSA, Juliana Dias. Avaliação Psicológica e Tabagismo: uma Revisão Sistemática da Literatura [online]. Psicologado, (2019) [viewed date: 04 Aug 2020]. Available from https://psicologado.com.br/psicodiagnostico/avaliacao-psicologica-e-tabagismo-uma-revisao-sistematica-da-literatura