Escolha e Deliberação na Ética a Nicômaco

Escolha e Deliberação na Ética a Nicômaco
(Tempo de leitura: 38 - 75 minutos)

Resumo: O objetivo desta monografia é explicitar a importância das ações e da deliberação para o bem viver na Ética a Nicômaco de Aristóteles. A análise dirige-se ao método utilizado por Aristóteles, à noção de bem supremo, às divisões da alma humana e suas respectivas funções, à questão sobre o que é virtude e a vida feliz. Em Aristóteles, a vida feliz ou é a vida virtuosa ou a vida contemplativa. Nosso principal propósito aqui é a análise da vida virtuosa. A vida virtuosa diz respeito às ações. É fundamental o papel dos desejos, prazeres e dores nas ações humanas, e estes devem, de algum modo, participar da razão. Por esta razão, Aristóteles faz mudanças no seu modelo de alma humana de um modo que a parte irracional da alma responsável por eles tenha contato e seja capaz de “ouvir” a razão. Não a razão teorética, que parte de princípios universais e imutáveis, não podendo, portanto, dar conta da grande variedade de circunstâncias que envolvem a ação humana, mas sim a razão prática, responsável pela deliberação. Esta é vista Aristóteles como um meio pelo qual se pode atingir um fim posto pelo desejo, o qual controla e decide sobre escolha deliberada e a posterior ação. Tal razão prática controla, pois, tanto se a deliberação chegar a um ponto em que o agente moral não encontra saída, ou se a única saída é moralmente reprovável, quando ele cessa a deliberação, e o fim é vetado, ou se delibera no sentido positivo. Entretanto, a felicidade não pode ser deliberada, apenas desejada, mas ela só será atingida por aquele agente virtuoso que possuir a virtude moral e intelectual, voltadas ao justo meio, à justa medida. A virtude moral traria melhoria das ações do agente, e a virtude intelectual visaria uma excelência nas deliberações. Também, do ponto de vista moral, embora a felicidade não possa ser deliberada, esta e consequentemente a escolha deliberada nos informam sobre o caráter do agente. Será a virtude da deliberação que conseguirá detectar o justo meio em cada ação a ser tomada, e caberá à escolha deliberada decidir-se por ele. Deste modo, não só a deliberação e a posterior escolha são, além de importantes em si mesmos, mas imprescindíveis para a Eudaimonía, a felicidade.

Palavras-chave: Ética, Felicidade, Virtude, Ação, Deliberação, Bases Filosóficas da Psicologia.

 

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