A Importância da Socialização na Terceira Idade

A Importância da Socialização na Terceira Idade
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Resumo: O presente artigo tem por objetivo elaborar a inserção do psicólogo em um grupo com pessoas que estão em uma fase importante de suas vidas, a terceira idade. Descrevemos no decorrer desse trabalho as problemáticas levantadas em observação de um grupo de idosos, este, situado no município de Camboriú, também, diz respeito aos mesmos fatores que os profissionais da área vêm discutindo. Gerontologia é um estudo do envelhecimento de todas as coisas vivas em aspectos biológicos, psicológicos e sócio-econômicos, afirma Hayflick (1997). Em decorrência do aumento da longevidade, foram poucas teorias construídas sobre a temática, assim, dificultando o início de novos estudos. Em nosso trabalho a questão mais pertinente foi relacionar a importância da socialização, em um contexto religioso, para as pessoas que estão vivenciando esta fase do ciclo vital.

Palavras-chave: Gerontologia, terceira idade, socialização.

1. Introdução

Este trabalho se refere a um artigo científico, que foi constituído como requisito parcial para aprovação na disciplina de Estágio Básico Interdisciplinar V, orientado pela Prof.ª Dra. Vanessa Silva Cardoso. O grupo escolhido para realização deste trabalho foi o Grupo da Terceira Idade do município de Camboriú, os encontros aconteceram na Ação Social, da Igreja Católica, localizada na Rua Monte Agulhas Negras, no Bairro Monte Alegre. A equipe responsável pelo grupo é composta por: Coordenadora, Animadora, Tesoureira e equipe de cozinha. O encontro acontece todas as quintas feiras das 14h30min às 17h00min, os participantes correspondem ao número médio de 40 a 50 pessoas por encontro, a idade média do grupo gira em torno dos 70 anos entre homens e mulheres. Entretanto, a população mais interessada pelo grupo é composta pelo sexo feminino, sendo que a maioria dos participantes são ativos.

O grupo foi fundado no ano de 2010 por uma Irmã que também é a animadora do grupo, uma senhora simpática que enxergou neste trabalho uma possibilidade de apoio para o decorrer dos encontros, pois o grupo é grande e demanda mais tempo que o suportado pela equipe de apoio atual, até porque, esta equipe está envolvida em outros departamentos da igreja. Porém, apesar do cansaço destas atividades, a equipe demonstrou estar muito satisfeita com o trabalho realizado. As atividades desenvolvidas com o grupo, seguem respectivamente o modelo a seguir: oração inicial, dinâmicas e reflexão, atividade laboral, dança, café e em seguida jogam bingo.

O tema que este artigo recebe por título: A importância da socialização na terceira idade, apresenta os seguintes temas para discussão e problematização: conhecer e contextualizar os serviços prestados pelo profissional psicólogo na área da gerontologia social, buscando relacionar a Psicologia com grupo de idosos em questão, procurando conhecer os aspectos relacionados à subjetividade e comportamento das pessoas que vivem em um momento importante de suas vidas.

Existem alguns aspectos comuns nessa fase da vida que ocorrem em todas as classes sociais, que podem ser entendidas como mudanças significativas na vida do sujeito, tais como: perda da vitalidade, aposentadoria, envelhecimento, perdas de cônjuges, dentre outros. A forma de como lidar com essas mudanças depende de cada indivíduo, mas ao idoso se socializar e encontrar novas redes de relacionamento poderá ressignificar essas perdas, de modo a proporcionar mais qualidade de vida.

Posteriormente, buscou-se estabelecer um olhar próximo sobre cada atividade realizada no local, além disso, avaliar a estrutura da instituição, bem como sua demanda e organização. Também foram realizadas algumas atividades como o grupo, com temas como: inter-relações, importância do grupo e socialização, autoestima, importância das memórias, qualidade de vida e bem-estar, traçar metas e objetivos para melhor desenvolvimento pessoal. Este tema foi escolhido devido ao interesse dos acadêmicos em compreender o papel do psicólogo no âmbito da gerontologia, e dessa forma, compreender como é possível envelhecer e ter qualidade de vida, e ainda trabalhar essas questões com o grupo.

2. Fundamentação Teórica

Atualmente, a expectativa de vida no Brasil é maior, a média de vida em 2012 foi apontada entre os 74,08 anos, demonstrando assim uma grande diferença em comparação ao ano de 2000 no qual a expectativa de vida era 8,08 anos a menos. (IBGE, 2013).

O Estatuto do Idoso Lei nº 10.741 de 1º de outubro de 2003 considera idosa a pessoa que tem mais de 60 anos. Por motivo do aumento de expectativa de vida, e o aumento do número de idosos, o governo tem aumentado as políticas públicas para os idosos, a fim de garantir-lhes a saúde e o bem-estar.

 No Brasil, as políticas públicas para o idoso ainda estão muito aquém de corresponder a demanda social, isto por que a implementação de políticas públicas para o idoso é recente. Somente no ano de 1994 é que foi criado a Política Nacional do Idoso (PNI), e sua regulamentação foi no ano de 1996. Essa política foi criada para garantir os direitos sociais da pessoa idosa, bem como promover ações para desenvolver sua autonomia, integrar o indivíduo na sociedade e assim assegurar sua participação, além de reafirmar o direito à saúde no atendimento do SUS. Em 2003, com a aprovação do Estatuto do Idoso e em conjunto com o PNL, os conhecimentos nessa área passam a ser ampliados (FERNANDES; SOARES, 2012).

Existem muitas políticas voltada para os idosos no Brasil, segundo Fernandes e Soares (2012), só que a maior dificuldade está na implementação, uma vez que o governo não dispõe de recursos para implementar, e também o próprio sistema é fragilizado. Entendendo que os programas deveriam ser regionais, para que assim possam atender às diferentes demandas de cada local.

A psicologia surge nesse contexto, no qual as demandas advindas do envelhecimento acarretam em outros problemas, como: conflito de interesses, deficiência entre os cidadãos e as instituições, carga econômica. O psicólogo atua para orientar e acompanhar os indivíduos, e as instituições, e na criação e promoção de programas para gerar qualidade de vida e mudança de comportamentos (NERI, 2004).

Segundo Moragas (2010) a psicologia no estudo do envelhecimento ainda é recente, por isso possui poucas teorias e estudos. O que se tem publicado são os primeiros ensaios sobre esse tema. As maiores contribuições da psicologia se caracterizam pela ênfase do patológico sobre o normal, embora a maioria da população nessa faixa de idade não seja atingida patologicamente. Vale destacar a ideia de que o envelhecimento não é entendido como sinônimo de declínio, o mesmo faz parte do processo de desenvolvimento humano com expectativas de ganhos associados.

Para que se possa falar sobre a importância da socialização nessa fase da vida, e abordar o tema qualidade de vida, irá se conceituar a palavra velhice ou terceira idade; vejamos as três principais segundo Moragas (2010):

  1. Velhice cronológica: em que as pessoas alcançam os 60 anos de idade ou mais, momento em que se afastam do trabalho profissional, também é o momento em que surgem outras condições, as pessoais, e ambientais, que determinam o estado geral do indivíduo.
  2. Velhice funcional: corresponde ao termo de “velho”, “incapaz” ou “limitado”, trata-se de um conceito errado, pois a velhice não significa incapacidade, portanto, é preciso rever os conceitos de que velho é funcionalmente limitado, pois essa não é a realidade da maioria da população idosa, apesar de muita gente o tratar como tal. Criou-se uma cultura que idoso seja incapaz, mais do que são as deficiências reais.
  3. Velhice, etapa vital: baseia-se no reconhecimento do que o transcurso do tempo produz de efeito na pessoa, possui uma realidade própria dessa etapa de vida, pois é aqui principalmente que surgem as limitações físicas, mas por outro lado existem as potencialidades como: experiência, serenidade, maturidade, perspectivas de vida pessoal e social, que podem compensar as limitações dessa fase.

É preciso conhecer a idade cronológica, mas também as condições psíquicas, econômicas e sociais da pessoa, para que se possa compreender o sujeito em sua totalidade. Para isso é necessário superar preconceitos relacionados à velhice e considerar como uma variável acrescida as que condicionam sua situação. Nesse sentido, faz-se necessário uma visão holística, no qual o ser humano passa a ser entendido na rede de relacionamentos do qual faz parte. Para uma valorização integral da pessoa, a variável idade deve ser acompanhada de outros fatores originários e adquiridos como: raça, sexo, família, educação, carreira profissional, status social; dessa forma a visão é ampliada para enxergar o ser humano integral.

Quando considera-se as faculdades que um idoso tinha quando jovem, pensa-se que hoje ele tem muitas limitações, mas, quando se percebe as faculdades residuais e as possibilidades vitais muda-se esse pensamento. Ao analisar e refletir sobre as capacidades e as limitações referentes às características da velhice em vários aspectos da vida, este discutirá sobre os aspectos biológicos, psíquicos e social. O aspecto biológico diz respeito ao envelhecimento em si, os tecidos perdem flexibilidade e capacidade de recuperação. O envelhecimento é real, mas não se configura uma doença, tampouco a limitações (MORAGAS, 2010).

Cancela (2008) contribui afirmando que o envelhecer é um processo natural, mas que os fatores biológicos, sociais e psicológicos, influenciam de modo a acelerar ou retardar o surgimento de doenças somadas à idade. No entanto, o fator biopsicossocial deve ser considerado para compreender e intervir com o público da terceira idade.

Com respeito ao envelhecimento fisiológico, este é compreendido pelas alterações no funcionamento do organismo e da mente, por causa dos efeitos da idade avançada. Sendo assim, o organismo vai aos poucos perdendo sua capacidade de autorregulação e assim começam a surgir as patologias (FIRMINO, 2006 apud CANCELA, 2008).

A forma de vida que cada pessoa assumiu durante a vida, mesmo quando criança, são determinantes para o envelhecimento fisiológico, já que os tecidos, órgãos, células, assumem um envelhecimento diferente do que o restante do organismo. Algumas das alterações fisiológicas por conta do envelhecimento são: o fluxo do sangue para os rins, o fígado e o cérebro diminuem; o rim atenua a capacidade para extinguir as toxinas; a função celular que combatem as infecções diminuem; há uma diminuição a intolerância à glicose; e o pulmão retém mais ar depois da expiração (CANCELA, 2008).

A velhice é uma etapa da vida que pode ser tão saudável quanto às outras, desde que se permita viver dentro de suas possibilidades. O aspecto psíquico diz respeito à perda de capacidade mental, a nível cognitivo a memória, apesar de não se perder tanto em relação às outras etapas, com bastantes atividades e técnicas pode ser compensada, ao contrário do que se imagina, as pessoas idosas têm facilidade de apreender e sua motivação é maior do que as dos jovens. Em relação à personalidade, a maioria se conserva a mesma de quando era jovem, o meio social é que influencia de forma positiva ou negativa na personalidade dos idosos (MORAGAS, 2010).

3. Fatores Psicológicos 

O estudo do idoso e suas faculdades psíquicas durante muito tempo foi influenciado pela fisiologia, que dizia que com o tempo se reduzia as potencialidades vitais, com esse saber a psicologia acabou por aceitar que o idoso teria sua capacidade cognitiva também reduzida, hoje a psicologia está reestudando a psique do idoso, duvidando das hipóteses que antes foram aceitas. A capacidade de reagir quanto a um estímulo luminoso se reduz com a idade, mas não tem ligação para influenciar nos fatores da motivação e aprendizagem.

Está ocorrendo uma recolocação da psicologia aplicada ao estudo da velhice: durante anos supunha-se que a memória se perdia. As últimas pesquisas revisam esta conclusão, ao demonstrar que, sob estímulos e apoio adequados, idosos podem manter e até mesmo melhorar a memória (MORAGAS, 2010, p. 44).

Moraes, Moraes e Lima (2010) inferem que o envelhecimento psicológico diminui a vulnerabilidade do idoso, uma vez que este possui muitas experiências do qual resultou em sabedoria, para assim se relacionar, sem a ingenuidade de uma criança. Suas decisões e modo que escolhe viver são mais racionais, e de certa forma mais inteligente, pois, tem mais maturidade para compreender a vida.

Conforme destaca Moragas (2010) o fator psicológico de cada idoso dependerá de como foi suas vivências passadas, de como foi sua infância sua situação econômica, as perdas, isso refletirá em como irá se adaptar e como irá se comportar nessa fase. O aspecto social diz respeito ao papel do idoso na sociedade, e este torna-se relevante para compreender o estado psicológico do idoso, em uma sociedade em que a beleza e o poder econômico são os grandes valores, os idosos permanecem à margem.

Outra questão, segundo Moragas (2010), a ser considerada, é a aposentadoria. Como foi visto anteriormente, toda pessoa desempenha um papel social, quando a pessoa se aposenta, perde essa função social, e muitas vezes não consegue encontrar um lugar no qual pode se reconhecer dentro da sociedade, esse fator pode gerar sofrimento ao idoso, pois, não é apenas a ruptura com os meios econômicos, mas também sociais e o status da pessoa na sociedade, então se faz necessário reavaliar a concepção de status e valores para que mesmo que a pessoa esteja aposentada possa ser reconhecida no âmbito social. 

3.1 Inteligência

Definir esta palavra tem dado trabalho, visto que existem muitos conceitos sobre ela. De forma geral há um consenso em identificar a inteligência como aptidão mental e capacidade de raciocínio abstrato, numérico, dedutivo, velocidade de percepção, fluidez verbal etc. Os testes de inteligência foram planejados para medir a aptidão intelectual para o rendimento, os testes mostram uma variedade de resultados: em alguns casos valoriza-se a velocidade do teste e em outros a resposta. No idoso o que se pretende avaliar é a sua capacidade global cognitiva, o que é impossível de se adquirir com um só teste ou com apenas o teste.

Na visão de Moragas (2010), a inteligência se divide em inteligência fluida e inteligência cristalizada. A inteligência fluida representa a aptidão fisiológica e neurológica para resolver novos problemas e organizar informação em situações concretas, baseia-se na dotação biológica original da pessoa, nesses testes os idosos revelam-se inferiores aos jovens em termos de rendimento. A inteligência cristalizada se baseia no produto da educação, no conhecimento e na experiência que os indivíduos adquirem, neste teste os idosos apresentam melhor resultado do que os jovens.

3.2 Memória

A importância da memória é fundamental para a aprendizagem. A memória foi considerada um instrumento da inteligência ou qualidade psíquica, aptidão mecânica para proporcionar o material sobre o qual trabalha a inteligência. Essa concepção não é correta, pois na memória não existe uma capacidade mecânica de reprodução da informação como em um computador. O que existe é um processo em que as imagens e experiências entram na memória de forma a discriminar subjetivamente a experiência, de forma a lhe proporcionar prazer ou não. A memória, segundo Oliveira e Rodrigues (2008), é o mecanismo de retenção de fatos e experiências, do qual o indivíduo se serve desses conteúdos para manipular e compreender o mundo, através de funções psíquicas.

 No que diz respeito ao efeito do envelhecimento sobre a perda de memória, esse por sua vez não é inevitável ou irreversível. É possível que se faça uma prevenção para que se possa ser evitada ou adiada a perda da memória através de técnicas mnemônicas, prolongamento do processo de aprendizagem, redução de interferências de aprendizagem e conscientização.

3.3 Raciocínio

É o processo mental que introduz ordem ao caos dos dados recolhidos da mente através da percepção e aprendizagem, é a capacidade de formar conceitos. Os idosos apresentam maior precaução na tomada de decisão, eles conseguem aproveitar as experiências passadas para tomar decisão sobre seu presente. Segundo Gurgel e Sisto (2010) o raciocínio é nada mais que o procedimento mental, no qual se resulta a uma conclusão.

Para resolver um problema, é necessário pensar em várias formas de solução e optar por uma através da análise da lógica e do raciocínio. A diferença da aprendizagem e a tomada de decisão é que na aprendizagem se acumulam conhecimentos sobre a realidade, e para a tomada de decisão se utiliza os conhecimentos e sua valorização para chegar à tomada de decisão.

A aptidão para solucionar problemas no envelhecimento não diz respeito ao fato de que o envelhecimento diminui essa capacidade no idoso, mas está no fato de que a sua formação intelectual e de oportunidades quando ainda jovens não foram cortadas.

3.4 Qualidade De Vida

A qualidade de vida pode ser compreendida como um conjunto de situações cotidianas que envolve o bem-estar físico, social e psicológico, que pode se citar como exemplo: relacionamentos sociais, família, amigos, educação, saúde, trabalho, moradia, entre outros.

Segundo Vicchia et al. (2005), a qualidade de vida trata-se de algo subjetivo. É ela que orienta um envelhecimento com sucesso, pois, para cada idoso o significado de qualidade de vida e bem-estar pode ser diferente, pode estar relacionado: à saúde, à realização pessoal, status, enfim, cada pessoa definirá o que é mais importante para si para obter a qualidade de vida.

 Quando fala-se sobre qualidade de vida, logo lembra-se de saúde, isto porque os dois temas são muito próximos, pois a saúde colabora para melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, e esta é essencial para que um indivíduo tenha saúde. Mas, não significa apenas saúde física e mental, mas sim que essas pessoas estejam bem consigo mesmo, com a vida, com as pessoas que os cercam; enfim, ter qualidade de vida é encontrar um ponto de equilíbrio.         

Minayo (2000) contribui afirmando que os valores como: amor, felicidade, autonomia, inserção social, solidariedade, realização pessoal, fazem parte do montante que abrange essa temática qualidade de vida.

Para a promoção de qualidade de vida, se faz necessário a observância de alguns elementos: a promoção do bem-estar físico e psíquico. O bem-estar físico diz respeito principalmente a alimentação e o exercício. De acordo, com Nobrega e Paula (2010) para que o corpo esteja saudável é preciso ter uma alimentação balanceada, uma má alimentação aumenta os riscos de doenças como: hipertensão, colesterol, diabetes, entre outros, uma alimentação correta previne muitas dessas e outras doenças.

Nobrega e Paula (2010) corroboram dizendo que a prática regular de atividade física promove um envelhecimento sadio, contribuindo para aumentar a capacidade funcional, sendo assim seus benefícios são inúmeros provendo assim qualidade de vida.

Quanto ao bem-estar psicológico, Silva (2009) em seus estudos afirma não haver um consenso quanto ao termo, o que se tem são aproximações, já que o bem-estar psicológico está ligado à autoestima, ao nível de satisfação do indivíduo, ao equilíbrio, a sociabilidade, entre outros.

Outro fator importante para a promoção de qualidade de vida, é a inserção do idoso em um grupo regular, no qual o indivíduo se sinta pertencido a esse grupo social. Santos e Vaz (2008) destacam a importância desses grupos, como uma forma de promover relações sociais, além de possibilitar a descoberta de habilidades, pois nessa etapa ocorre muitas redescobertas, e há um despertar de novos interesses, principalmente na participação dos centros de convivência, estar inserido em grupo social, no qual pode se sentir valorizado e se sinta pertencido nesse meio, é fundamental para a o bem-estar do idoso.

4. Método

Como método, utilizamos dentre vários, o da atividade física e do trabalho em equipe como ponto focal e norteador do mesmo. Dentro destes, foram realizados vários exercícios que pudessem basear este trabalho e legitimar tais afirmações.

5. Realização Do Estágio 

Na realização do estágio o foco era perceber como o profissional psicólogo atua na área da gerontologia, buscando relacionar a Psicologia com grupo de idosos em questão, e ainda, discutir a importância de o idoso se socializar para uma melhor qualidade de vida. Para isso os acadêmicos participaram do grupo, e realizaram atividades no local, totalizando seis encontros. 

No primeiro encontro estavam presentes cerca de 50 participantes do grupo escolhido, o objetivo foi realizar observação participativa, a fim de conhecer a dinâmica do grupo, e os participantes. Para a realização de cada encontro foi seguido um plano de ação conforme demonstração a seguir:

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso

PLANO DE AÇÃO – 1.

 

Objetivo Geral

  • Observação participativa.

Objetivos Específicos

  • Conhecer os participantes e a dinâmica do grupo.

Procedimentos Didáticos

  • Interagir com o grupo enquanto as atividades eram desenvolvidas.

Recursos

  • Nenhum

Primeiro encontro – Foi realizado observação participativa, no qual pode-se compreender um pouco da dinâmica do grupo, conhecer os participantes e também os acadêmicos foram apresentados ao grupo. Percebeu-se bastante dificuldade de conduzir o grupo, pois, rapidamente se dispersam e iniciam conversas paralelas, além disso, a acústica do local é bem ruim, e isso torna ainda mais dificultoso de o grupo compreender o que se pretende transmitir.

No segundo encontro o número aproximado era de 40 participantes. O objetivo nesse encontro era interagir com o grupo e realizar atividade para melhor desenvolvimento da memória. Para a realização do encontro foi seguido um plano de ação conforme demonstração abaixo:

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso

 

PLANO DE AÇÃO – 2.

 

Objetivo Geral

  • Interagir com os participantes. 

Objetivos Específicos

  • Interagir com os participantes
  • Desenvolver a memorização. 

Procedimentos Didáticos

  • Com uma bola, passava o objeto para a pessoa da direita e ela tinha que dizer seu nome e algo que gostasse, após todos os participantes falarem, invertia o sentido e a pessoa da esquerda tinha que lembrar o que o colega disse senão não o grupo deveria ajudar.

Recursos

  • Bola

Segundo encontro – A animadora iniciou o grupo com a oração inicial e uma reflexão, após foi dado a palavra aos acadêmicos, foi realizado uma dinâmica com uma bola, passava-se o objeto para a pessoa da direita e ela tinha que dizer seu nome e algo que gostasse, após todos os participantes falarem, invertia o sentido, e a pessoa da esquerda tinha que lembrar o que o colega disse, senão não o grupo deveria ajudar.

Escolheu-se essa dinâmica para interagir e conhecer melhor o grupo, assim como desenvolver a memória, e todos participaram. A memória, segundo Oliveira e Rodrigues (2008), é o mecanismo de retenção de fatos e experiências, e é importantíssima no processo da aprendizagem. Os acadêmicos sentiram bastante dificuldade de os participantes escutarem e compreenderem as atividades que lhes eram propostas, após a realização dessa atividade, o grupo seguiu com a programação da animadora.

No terceiro encontro seguiu-se com o objetivo de conhecer melhor o grupo e criar vínculo com os participantes, além disso, foi contemplado nesse encontro, um momento para que os participantes pudessem relaxar e buscar conectar-se consigo. Para a realização do encontro foi seguido o plano de ação conforme demonstração a seguir:

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso

PLANO DE AÇÃO – 3.

Objetivo Geral

  • Propor um momento para que os participantes, pudessem se reconectar consigo 

Objetivos Específicos

  • Conhecer melhor os participantes.
  • Criar vínculo
  • Propor um momento para que os participantes pudessem relaxar e se conectar consigo.

Procedimentos Didáticos

  • Dinâmica da bola.
  • Dança circular.

 

Recursos

  • Aparelho de som.
  • Música.

Terceiro encontro – O grupo já estava mais à vontade com os acadêmicos. A animadora iniciou o encontro com a oração, e após assumiu-se o grupo. Foi realizado a dinâmica da bola novamente, porque havia faltado muitos participantes no encontro anterior. Após foi proposto a dança circular, no intuito de o grupo relaxar e conectar-se consigo. Conforme observou-se, não foi atingido o objetivo, pois o grupo está acostumado com dança gaúcha e não entenderam qual era o objetivo da dança circular. Apesar disso, todos participaram. Não conseguiu-se fazer o fechamento, pois o gaiteiro chegou e o grupo se dispersou. 

Apesar da dispersão do grupo, observa-se a importância desse momento em que o grupo se encontra para rir, se divertir. O que chama a atenção é a espera desses idosos para o momento da dança gaúcha, muitos momentos bons podem ser lembrados e revividos através do encontro e da música, dessa forma como destaca Silva (2009), esse momento pode ser compreendido como bem-estar psicológico, pois desenvolve a autoestima, a satisfação do indivíduo, a sociabilidade, entre outros.

No quarto encontro tinha-se como objetivo trabalhar a importância das lembranças como forma de ressignificar o presente. Para a realização do encontro foi seguido um plano de ação conforme demonstração abaixo:

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso

PLANO DE AÇÃO – 4.

Objetivo Geral

  • Propor um momento para reviver as lembranças.

Objetivos Específicos

  • Interagir com os participantes.
  • Propor um momento para pensar nas pessoas mais importantes.
  • Propor um momento para identificarem-se com seus pares. 

Procedimentos Didáticos

  • Dinâmica do herói.
  • Teatro de memórias.

Recursos

  • Papéis com impressão.

Quarto encontro - A animadora iniciou o encontro com a oração, e após assumiu-se o grupo. Foi proposto a dinâmica do herói, no qual previamente foi impresso um desenho de uma pessoa, os participantes tinham que preencher com uma pessoa que representou em sua vida um herói, uma pessoa que poderiam se espelhar e identificar-se. Após foi proposto outra atividade: o teatro de memórias, foi solicitado um voluntário para lembrar e contar um fato de sua vida, para que outras pessoas pudessem encenar. Uma senhora se propôs, para facilitar a leitura irá se utilizar aqui o nome fictício de Ana.

Ana contou que quando era criança ela estava brincando com seus irmãos em um monte de madeiras perto do fogo, até que ela caiu e se cortou, sua mãe não estava em casa, então foi dormir, quando sua mãe a viu, levou correndo para o hospital. Quando estava tudo pronto, a enfermeira que lhe atendeu, deu uma imagem porque ela havia se comportado, a mesma contou que tem guardado até hoje, então foi solicitado mais voluntários para encenar, enquanto Ana ficava assistindo. A experiência com o teatro de memórias foi bastante positiva, o grupo ficou bem envolvido com a atividade, pode-se trabalhar sobre a importância das lembranças em nossas vidas, e como de um fato até negativo pode se tirar algo positivo, e ressignificar no presente. Conforme destaca Moragas (2010) a experiência de vida de cada pessoa, auxiliará para a forma de olhar a vida no presente, nesse sentido, é importante um resgate de memórias ao idoso para perceber o modo de vida que tem assumido e provocar mudanças necessárias para o seu bem-estar.

No quinto encontro o objetivo foi reconhecer e potencializar as qualidades de cada um para bom convívio social. Para a realização do encontro foi seguido um plano de ação conforme demonstração abaixo: 

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso

PLANO DE AÇÃO – 5. 

Objetivo Geral

  • Reconhecer e potencializar as qualidades de cada participante.

Objetivos Específicos

  • Reconhecer e potencializar as qualidades de cada participante, para um bom convívio social.

Procedimentos Didáticos

  • Dinâmica do presente.

Recursos

  • Caixa de presente.
  • Etiquetas com adjetivos.

Quinto encontro – A animadora iniciou o encontro com a oração inicial, após realizou atividades laboral com os participantes. Conforme Nobrega e Paula (2010) a prática regular de atividade física promove um envelhecimento sadio, contribuindo para aumentar a capacidade funcional, sendo assim seus benefícios são inúmeros provendo assim qualidade de vida. Na sequência, os acadêmicos foram solicitados a dar sequência no encontro, foi proposto assim, a dinâmica do presente, no qual previamente preparou-se uma caixa de presente, contendo frases com adjetivos no interior da caixa, os participantes deveriam pegar uma etiqueta e relacionar o adjetivo, com uma pessoa do qual achavam que a possuía, por exemplo: o mais alegre, e assim deveriam achar a pessoa mais alegre do grupo. Com essa dinâmica pôde-se trabalhar que todos tinham qualidades e essas precisavam ser potencializadas.

No sexto encontro, os objetivos foram: propor um momento de descontração entre os participantes, a fim de fortalecer o grupo, trabalhar com metas de curto e longo prazo, e resgatar metas os sonhos que foram deixados de lado. Para a realização do encontro foi seguido um plano de ação conforme demonstração abaixo:

Instituição: Ação Social

Orientadora: Vanessa Silva Cardoso 

PLANO DE AÇÃO – 5. 

Objetivo Geral

  • Propor o resgate de sonhos e metas deixados de lado.

Objetivos Específicos

  • Propor um momento para traçar metas e objetivos.
  • Fortalecer o vínculo entre os participantes.

Procedimentos Didáticos

  • Dinâmica das máquinas.
  • Dinâmica dos balões.
  • Dinâmica do Papel.

Recursos

  • Balão.
  • Aparelho de som.
  • Música.

Sexto encontro – A animadora iniciou o encontro com a oração, e após assumiu-se o grupo. Nesse encontro foram propostas três dinâmicas: a dinâmica das máquinas; a dinâmica dos balões e a dinâmica do papel. Na primeira os participantes deveriam fazer o som de qualquer máquina que lhes vinha na memória, e logo após fazer o movimento correspondente, essa dinâmica além de proporcionar um momento de descontração, proporcionou trabalhar a psicomotricidade.

Na dinâmica dos balões, os participantes deveriam jogar os balões para cima sem deixar cair no chão, de fundo estava tocando uma música para incentivar a brincadeira, à medida que jogavam o balão para cima, pedia-se que algumas pessoas se sentassem, para que os que estivessem em pé, dessem conta de todos os balões. Essa dinâmica além de desenvolver a motricidade, proporcionou um momento de muito riso ao grupo, incentivava-se que os participantes se permitissem experimentar esse momento e voltar a ser criança, pois ficaram tão concentrados na atividade. Com uma atividade tão simples se permitiram brincar e liberar toda adrenalina.

Na dinâmica do papel, foi sugerido que os participantes pensassem em um objetivo ou meta de curto ou longo prazo e escrever na folha que foi entregue previamente, ou simplesmente poderiam mentalizar. Foi dado um tempo para pensarem em como chegariam ao objetivo, e se iriam precisar de outras pessoas, em seguida foi proposto que eles colocassem a folha em cima da mão e empurrasse a folha para formar uma flor. Foi finalizado refletindo que a flor eram eles e o que estava escrito ou foi pensado eram seus sonhos, foi sugerido para que guardassem a flor como lembrete para não deixarem de buscar seus objetivos.

Como pode-se observar, é de grande importância a participação dos idosos nesses centros de convivência, pois é um momento único de encontro social, partilha. Santos e Vaz (2008) destacam ainda, a valorização e sentimento de pertença que o convívio neste espaço pode proporcionar.

5.1 Desafios 

Com todos os encontros realizados, percebeu-se que de fato o idoso não perdeu a capacidade intelectual, de memória, de aprendizagem, de socialização... etc. Mas por outro lado, os desafios são de conservar essas capacidades no idosos, pois se não houver espaços onde essa população possa trabalhar suas faculdades, dificilmente vão poder chegar na terceira idade sem essas deficiências.

O grupo que tivemos a oportunidade de intervir é um grupo muito especial, e com um grande número de participantes, porém se faz necessário melhorar a estrutura para atender as demandas do próprio grupo e da comunidade, não foi possível medir se a dispersão do grupo acontece por causa da acústica do local, por não estar apropriado ou se é por conta de dificuldade de ouvir ou manter se concentrado.

Esse grupo é muito importante para os participantes, é de suma importância para essa idade manter-se socializada. Uma questão que gerou nos acadêmicos uma inquietação e que pode servir de base para futuros estudos, é de como estão estes sujeitos após os encontros, pois observou-se um comprometimento com o grupo, a maioria não perde um encontro, ali é um momento de rir, de dançar, de encontrar os amigos, esquecer-se dos problemas de modo geral, e durante a semana será que tem outros momentos de prazer, de encontro. Nesse grupo não havia psicólogo, ao psicólogo trabalhar com esse público, poderá intervir nessas situações também.

Considerações Finais

Considera-se que este artigo possa contribuir para melhor compreensão de como trabalhar com as pessoas da terceira idade, e qual a realidade de nossos idosos. Destacamos como ponto positivo, novas oportunidades de trabalho, uma demanda para área de psicologia social, o que nos dá maior reconhecimento e autonomia. Os desafios são saber trabalhar respeitando o tempo, o processo de aprendizagem, as limitações por conta da própria idade. A psicologia na área de gerontologia é nova, então, temos bastante trabalho pela frente para que se possa unir cada vez mais a teoria com a prática e explorar novos métodos para trabalhar com esse público.

A experiência com o grupo da terceira idade proporcionou um olhar mais humano, porque para aquelas pessoas que vem todo encontro, esse momento é tudo, como é importante esse espaço, eles são parte daquele grupo, ali eles podem chegar, colocar suas preocupações que tem alguém para ouvi-los.

O estágio vem como a oportunidade de sairmos da sala de aula, das teorias e vivenciarmos na prática. Que bom ter esse momento para poder experimentar os desafios de cada realidade na nossa profissão, e no espaço que nos foi concedido pôde-se fazer essa experiência, de não somente observar, mas intervir, o que nos acrescentou muito conhecimento. A realização deste estágio trouxe aos acadêmicos uma visão maior do que é ser psicólogo, proporcionou perceber a realidade das pessoas, e de entender que cada ser humano é único e precisa ser compreendido em sua totalidade.

Sobre os Autores:

André Luiz Andréa - cursando 5ª fase do curso de psicologia da Faculdade Avantis. Trabalho apresentado para a disciplina de estágio básico interdisciplinar V.

Michele Inácio - cursando 5ª fase do curso de psicologia da Faculdade Avantis. Trabalho apresentado para a disciplina de estágio básico interdisciplinar V.

Orientadora: Dra. Vanessa Silva Cardoso - docente da Faculdade Avantis.

Referências: 

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