A Importância da Tecnologia para Crianças com Deficiência Intelectual

A Importância da Tecnologia para Crianças com Deficiência Intelectual
(Tempo de leitura: 12 - 24 minutos)

Resumo: A deficiência intelectual tem seu quadro grave, requerendo atenção especial e estratégias de ensino voltada para o desenvolvimento intelectual dos indivíduos.Dessa forma, suscita-se a importância das tecnologias adequadas para tentar resolver problemas de aprendizagens causadas pela ausência de estímulos cognitivos e mobilidades motoras que limitam esses sujeitos. Sendo analizadas as causas da deficiência intelectual, necessita-se de uma intervenção diferenciada com fundamentos teóricos, avaliativos e reflexivos para a prática pedagógica, afirmando que os avanços podem surgir no decorrer dos processos de ensino-aprendizagem. Propõe-se informar que a deficiência intelectual, suas causas, soluções e intervenções acontecem com recursos de tecnologias assistivas para  crianças e adolescentes com deficiência intelectual.Esperando que os trabalhos realizados nesta perspectiva venham atender aos professores, gestores e escolas, que estão envolvidos nos processos de ensinos de uma educação integradora e inclusiva.

Palavras-chave: Deficiência Intelectual, Tecnologia, Prática e Formação Docente.

1. Introdução

Essa pesquisa tem como origem leituras bibliográficas e apresentações de vídeos sobre crianças com deficiência intelectual. Disciplina ministrada no curso de Educação Especial da Faculdade Campos Elíseos.

A concepção atual de trabalho com a deficiência intelectual é a de apropriação dos conceitos de educação inclusiva que deve se dar por meio de atividades lúdicas. É importante esclarecer que isso só acontece quando há uma intenção educativa, ou seja, quando o professor media a situação na tentativa de alcançar os objetivos traçados e planejados.

Para que o planejamento seja alcançado deve ser observado os PCNs, Referenciais e outro documentos curriculares que norteiam propostas de aprendizagem e desenvolvimentos para atender as crianças que apresentem necessidades educacionais especiais. Os Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação de alunos com Necessidades Educacionais (BRASIL, 1998) falam sobre os direitos das crianças com tais necessidades e do acesso à escola que vai além do ato da matrícula e implica na apropriação do saber e das oportunidades educacionais oferecidas para todos os alunos, visando atingir as finalidades educacionais, considerando a adversidade da população escolar.

Dessa forma, são apontadas as perspectivas que são constituídas de desafios e a realidade de uma numerosa parcela de excluídos do sistema educacional, apesar dos esforços empreendidos para a universalização do ensino. Segundo os PCNs:

A escola que se espera para o século  XXl tem compromisso não apenas com a produção e a difusão do saber culturalmente construído, mas com a formação do cidadão crítico para fazer face às demandas cada vez mais complexas da sociedade moderna (BRASIL, 1998).

Para isso, o ensino deve ser democratizado, dando oportunidades a todas as crianças, oferecendo atendimentos educacionais com qualidade. Priorizando o ensino fundamental, contando com a colaboração dos órgãos comprometidos com a educação, a própria sociedade civil, com o intuito de garantir o acesso das crianças à escola na idade própria.

Conforme define a nova LDB (1996), trata-se de uma modalidade de educação escolar, voltada para a formação do indivíduo, com vista ao exercício da cidadania. A mesma assegura no seu artigo 59, inciso lV:

A educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins,bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,intelectual ou psicomotora(1996).

Para alguns teóricos que discutem os direitos à educação inclusiva, é necessário que as escolas estejam conscientes das suas obrigações em cumprir com o currículo escolar para atender a essas crianças com necessidades especiais, bem como oferecer oportunidades  de formação adequada para os professores inseridos na área. Além da proposta pedagógica oferecida para nortear o ensino aprendizagem dessas crianças, são apresentados alguns recursos que serão utilizados pelos professores para desenvolver a aprendizagem das crianças com deficiência intelectual.

Nos jogos e brincadeiras a criança se apropria desses recursos, desencadeando habilidades que seriam interrompidas na psicogenética, dificultando a aquisição do conhecimento, segundo Emília Ferreiro e Ana Teberosk (1996) e posteriormente o convívio social das mesmas (VYGOSKSI).

Os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil, (BRASIL, 1998), apontam os jogos e brincadeiras como subsídios integradores para essas crianças a fim de democratizá-las socialmente. Outros recursos mais próximos para se trabalhar e serem utilizados pelos professores e estudantes são a calculadora e o computador, quando programados para atender os objetivos comuns direcionado pelo professor.

Durante o desenvolvimento do texto também será apresentada várias discussões e definições de tecnologias num conceito original que se inicia desde os tempos primitivos com as descobertas do fogo, a evolução da roda, da escrita dentre outras. Nesse sentido, pode-se entender que a tecnologia é uma invenção humana que busca desenvolver a sociedade, e não a sociedade uma criação das tecnologias. Sendo essa uma compreensão de conceitos que precisam ser fundamentados de acordo com as teorias apresentadas.

1.1 Justificativa

Diante da pesquisa bibliográfica realizada sobre a importância da tecnologia para crianças com deficiência intelectual, precisa-se descobrir se as escolas oferecem tais recursos, ou se os professores têm conhecimentos desses recursos e se apropriam deles para estimular nas crianças habilidades de leitura e escrita, o raciocínio lógico matemático e a integração desse cidadão no contexto social.

Dessa forma, pode-se creditar que a partir desses conhecimentos com atividades e os acompanhamentos considerados alternativos, que a criança se sente gente, se sente pessoa. Para esse fim, os recursos pesquisados de modo inicial foram aqueles que todas as crianças têm acesso nos primeiros anos escolares. Os mais apropriados para se compreender o que  se passa ao seu redor.

Depois irá se apresentar os recursos específicos para se trabalhar com crianças que apresentam deficiência intelectual. As tecnologias assistivas, que é um termo novo e que precisa ser conhecido por todos que estão envolvidos na educação de pessoas que necessitam de atendimentos especializados.

Lembra-se que todos os recursos apresentados têm grande relevância para o desenvolvimento intelectual, motor, cultural e social dessas crianças. Devendo ser considerada as suas limitações e habilidades reduzidas. No entanto, foi com base nas leituras de teóricos e preferencialmente nos Referenciais Curriculares que foi encontrada a melhor resposta para se resolver situações de conflitos entre os profissionais da educação, crianças e escola.

São os recursos mais simples para se trabalhar com essas crianças. Os jogos, as brincadeiras, a participação do outro, o convívio social. Sem essa participação seria inviável a utilização desses recursos para o aproveitamento na aprendizagem. Dessa forma, pode-se afirmar que surge na criança o interesse de querer aprender, de interagir com o outro no processo em que está inserido. E é nesse processo de interação que acontece a construção do conhecimento.

  Portanto, essa construção só acontece quando todos (escola, professores, famílias) têm os mesmos objetivos: desenvolver o crescimento dos indivíduos como sujeitos participantes dessa ação. Dessa forma, a escola se torna inclusiva, integradora por uma educação transformadora. Possibilitando aos seus educandos a oportunidade de igualdade de crescimento e de conquistas dos direitos de cidadania.

2. A Tecnologia no Contexto Social

2.1 Definições

Essas determinações têm seu ponto de partida numa educação de política inclusiva. Por meio das ações realizadas pelos professores, gestores escolares, funcionários e famílias envolvidos nos processos escolares. Com essas ações, as tecnologias serão mais uma ferramenta de apoio para os professores e gestores resolverem situações de problemas culturais e sociais, tornando-se sujeitos participantes da vida cotidiana dos seus educandos.

De acordo com pesquisas realizadas, Tecnologia é um produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas. É uma aplicação prática do conhecimento em diversas áreas de pesquisas. No seu sentido etimológico, a palavra TECNOLOGIA tem sua origem no grego TEKHNE, que significa técnica, arte, juntamente com o sufixo “logia” que significa “estudar”.

Pode-se compreender com estes conceitos que as tecnologias têm a sua origem em tempos primitivos. É conhecida como tecnologia primitiva clássica, que envolve as descobertas do fogo, a invenção da roda, a escrita dentre outras. Dessa forma, chega-se a uma conclusão de que a tecnologia é uma invenção humana, partindo das descobertas e observações por grupos de pessoas ou realizadas individualmente, com finalidades para atender a uma sociedade.

Nesse sentido, o ensino da tecnologia é relevante para o contexto social dos indivíduos. Uma vez que todos estejam envolvidos de forma parcial ou total no mercado de trabalho. Sendo assim, pode-se apontar esta ferramenta como instrumento indispensável na execução das atividades realizadas pelos estudantes.

De acordo com Walter Bazzo, no seu artigo Ciência, Tecnologia e Sociedade, este tema busca encaminhar algumas discussões sobre a sua importância na educação e principalmente nas escolas de engenharia.

2.2 A Função dos Recursos Tecnológicos

Antes de iniciar os conceitos de tecnologias para crianças e adolescentes com deficiência intelectual, é necessário uma breve definição do que é de fato Deficiência Intelectual. Segundo Fernanda A. Garcia traz na sua definição como “um transtorno que corresponde a uma insuficiência, falta, falha ou carência na cognição”.

Para alguns teóricos a deficiência mental é sustentada por toda a legislação que ainda cita essa definição. Por outro lado a deficiência intelectual é sustentada pela Declaração de Montreal e também a Associação Americana de Deficiência Intelectual e Desenvolvimento.

Nesse sentido, se pode definir esta deficiência como uma limitação significativa, que acontece no funcionamento intelectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas) e no comportamento adaptativo que abrange muitas habilidades sociais e práticas do cotidiano. Por esta razão é que pesquisadores e estudiosos se interessam em discutir por meio de políticas públicas situações que venham a solucionar problemas relacionados às deficiências de modo geral, e elaboração de projetos de leis assegurando os direitos de todos os que necessitam de educação especializadas.

Sendo assim, torna-se relevante dizer que a Tecnologia Assistiva veio para desencadear paradigmas situados tanto nas escolas, quanto na sociedade e na própria família. Assim, a Tecnologia Assistiva aponta caminhos e desconstrói conceitos de que crianças e adolescentes com deficiências intelectuais não são capazes de desenvolver habilidades.

Há necessidade de mudanças urgentes e de construção de uma escola inclusiva para as crianças assimilarem saberes necessários, que podem ser compreendidos através de programas de recursos tecnológicos. O software, por exemplo, é um programa que desenvolve habilidades visuais, auditivas, leitura e escrita com crianças que apresentam tais situações.

A declaração de Salamanca (1994), assegura que todos os alunos devem aprender juntos independentemente das dificuldades e das diferenças apresentadas:

É uma proposta que cria perspectiva tanto para os profissionais da educação quanto para os pais que de certa forma não estão satisfeitos com alguns modelos de exclusão social. Essas mudanças fizeram com que professores e escolas mudem suas concepções e práticas de ensino em sala de aula (1994).

Pensando assim, tais mudanças explicam no novo paradigma os conceitos sobre as deficiências e especialmente como as pessoas podem compreender o resultado e a participação do indivíduo, considerando as alterações de estruturas e funções do corpo e as barreiras que estão impostas na sociedade.

Nesse sentido, faz-se necessário saber que as deficiências estão evidenciadas nos aspectos sociais e tecnológicas e não somente na ordem médicas ou de saúde. É o que sinalizam os autores que discutem essa teoria. De acordo com Elizabet Dias, os recursos e as alternativas disponíveis são considerados caros e pouco acessíveis para todos. Embora seja  necessário disseminar esse conhecimento e fomentar a produção de tecnologias assistivas.

Dessa forma, Elizabet afirma que:

Todos os profissionais envolvidos na situação devem apresentar sugestões de soluções mais simples para resolver problemas funcionais no dia a dia da escola. Um exemplo de tecnologia mais simples é engrossar o lápis para facilitar a apreensão e a escrita ou mesmo fixar a folha de papel com uma fita desiva evitando um deslize do movimento involuntário do aluno.

Para a autora, outra estratégia que possibilita a tecnologia assistiva é a preocupação com postura dorsal desses alunos. O professor deve projetar um assento e um encosto de cadeira que garanta a estabilidade postural favorecendo o uso funcional das mãos.

3. Reflexões: dificuldades e avanços

No cotidiano escolar se fala muito em integração e inclusão, mas o que define mesmo os termos citados não é a compreensão de conceitos formados pelos vocabulários existentes e sim o que representam essas palavras. Caso não aconteça o esperado ou mesmo o necessário para a realização e cumprimento dos regulamentos garantidos na lei implementada na Constituição Federal.

Segundo Damien, Teófilo e André (2007) a integração é uma qualidade ou habilitação da pessoa com deficiência, para que ela possa se integrar à sociedade. Uma vez que as deficiências eram vistas como um tratamento de saúde, hoje considerada também como uma questão social.

Assim, a sociedade deve receber e tratar desses indivíduos como sujeitos integrantes e participantes dos direitos garantidos nas diretrizes nacionais e sociais. Desse modo, os autores argumentam que:

A sociedade inclusiva é uma sociedade para todos; este conceito surgiu na década de 90, numa Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas).Também está registrada na Resolução nº 54/91,a ONU trouxe a atenção da comunidade internacional sobre a situação de grupos que estavam vulneráveis nos países em desenvolvimentos,inclusive pessoas que apresentavam alguns tipos de deficiências.Quando estas estavam relacionadas à pobreza (Damien, Teófilo e André, 2007).

De acordo com o IBDD (INSTITUTO BRASILEIRO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA), que trabalha com pessoas deficientes, regulamenta que a construção da cidadania das pessoas com deficiências faz com que elas se tornem sujeitos ativos de seus direitos e lutem contra o preconceito em torno da “questão”.

O IBDD, num dos seus textos sinaliza que o termo deficiente quer dizer não eficiente. Portanto, é uma negação da própria essência da pessoa como pessoa, porque ela está sendo avaliada por algo que não é pessoal, que pertence a uma média e que tem a ver com a produção de efeitos.

No caso dos deficientes intelectuais, que uma vez já se chamou “excepcionais”, de retardados e mais recentemente “deficiente mental”, era chamado “o simples”. Entretanto, analisando as maneiras de pensar e de tratar das deficiências, as pessoas podem ser vistas de formas positivas e que podem contribuir para o progresso e desenvolvimento de suas próprias civilizações.

Para os autores Damien, Teófilo e André (2007) há um modelo social que está ligado a uma nova fase de políticas, denominada de inclusão. Neste sentido, pode-se afirmar que a inclusão está ligada a autonomia de vida independente ou ainda empoderamento das pessoas com deficiências.

Assim, tanto os deficientes intelectuais, quanto os demais gozam dos direitos legais definidos na Constituição Brasileira e outros documentos que implementam esses direitos. Contudo, as dificuldades foram superadas por meios de esclarecimentos e garantias dos direitos regulamentados nas Resoluções e sensibilizados pela sociedade que de uma forma procurou estagnar os conceitos e preconceitos que eram tratadas as pessoas com deficiências em geral.

Hoje, as políticas públicas têm desenvolvidos projetos educacionais que incluem crianças e adolescentes no ensino regular da rede pública e privada e os mesmos participam de atividades de recursos tecnológicos oferecidos pelas instituições de ensino. Contudo, a grande dificuldade de lidar com crianças e adolescentes que apresentam deficiência intelectual é a maneira de como avaliá-las, já que as mesmas são objetos de investigação em diversas áreas do conhecimento.

Nesse sentido, o que diferencia as avaliações com crianças deficientes intelectuais e não deficientes intelectuais são o planejamento de recursos de acessibilidades que possam garantir e estar à disposição dos alunos para aprender por meio dos recursos e técnicas oferecidas pela Tecnologia Assistiva.

Segundo Damien, Teófilo e André (2007), um bom planejamento, das atividades pedagógicas pode garantir uma linguagem assistiva na comunicação, vinculadas às suas expectativas de vida. Dessa forma, as atividades com o concreto e práticas ajudam os alunos a estabelecer relações, elaborar suas conclusões no processo de ensino-aprendizagem. Assim, podem-se observar os avanços e dificuldades percorridos pelos alunos.

De acordo com pesquisa realizada em biblioteca virtual, sobre educação inclusiva, chegou-se a conclusão que o quê torna mais relevante nas avaliações é observar o progresso desse aluno e planejar estratégias para que os avanços continuem.

4. Práticas Pedagógicas em Tecnologia: formação tecnológica

No século atual, várias mudanças e perspectivas vêm acontecendo na educação. A tecnologia educacional é uma ferramenta que trouxe preocupação para muitos professores. E a surpresa maior é que essa ferramenta atingiu a toda sociedade.

De acordo com Monteiro e Rezende (1993), professores de várias áreas do conhecimento reagem de maneira mais radical, reconhecendo que a educação e as escolas devem abrir espaço para essas novas linguagens tecnológicas. Para os autores, não basta apenas os recursos tecnológicos, se estes não forem utilizados de maneira eficientes e adequados, compreendendo que não são os instrumentos da tecnologia os mais importantes na formação dos sujeitos e sim os processos educativos numa reflexão humana.

Nesse sentido, as novas tecnologias devem adequar-se ao projeto político-pedagógico, atendo aos objetivos educacionais e nunca ser um fator determinante na sala de aula. Segundo Rezende (1993), a tecnologia educacional não irá resolver os problemas da educação, que são de natureza política, ideológica, econômica e social. Nesse entendimento, a autora sinaliza que não devemos ficar sem ação em meio às inovações tecnológicas no contexto educacional.

Sendo assim, escolas e professores devem estar envolvidos nos paradigmas das novas tecnologias, para atender as exigências da sociedade e necessidades da comunidade escolar. O que se precisa é uma predeterminação desses docentes em se preparar para uma formação tecnológica, já que a própria sociedade está bem envolvida nas informações digitais.

Segundo Cadau (1991), se a tecnologia não recebe o tratamento educacional necessário, tudo se torna efêmero e não altera o cotidiano do professor e dos alunos, tampouco trazem contribuições para o processo de ensino-aprendizagem. Deste modo, considerando a relevância das tecnologias na educação, Dillon (1996) argumenta que acreditar que qualquer nova tecnologia nos oferece os meios de resolver nossos problemas educacionais é fazer parte da nova tecnocracia. Para o mesmo as novas tecnologias na educação devem favorecer as nossas práticas pedagógicas, e que possam contribuir para uma relação de ensino e aprendizagem.

Entretanto, para os autores apresentados, a tecnologia educacional veio para facilitar as ideias propostas no currículo de ensino para serem desenvolvidas com os educandos. Sendo assim, a tecnologia numa concepção pedagógica, é aquela que considera tudo que os professores fazem a cada dia. Inovando a metodologia, fazendo com que o processo de ensino-aprendizagem aconteça.

Para alguns pensadores da linha construtivistas, o uso das tecnologias é identificada como aprendizagem fundamental que deverá constituir os pilares do conhecimento, comenta Delous (1996). Nessa concepção, Rosiane Carvalho (1996) sinaliza que o sujeito aprende a conhecer, fazer, saber e aprender a ser. Potenciais são desenvolvidos a partir da interação dos usuários com as multimídias e os orientadores que facilitam essa aprendizagem. De acordo com esse pensamento, acredita-se que a ideia de construção do conhecimento aconteça no momento que todos participam, buscando os mesmos objetivos.

4.1 Desafios Tecnológicos

As tecnologias na educação têm grande valor social e cultural. Com essa ferramenta a aprendizagem se torna mais prática e eficiente. No entanto, a pergunta intrigante é a seguinte: esses recursos têm melhorado a educação? A sociedade inclusiva está de fato incluída nas tecnologias apresentadas nas escolas e salas de aulas? Há equipamentos suficientes para atender as necessidades dos alunos e professores?

Segundo Carlos Seabra (2010) o governo propõe a mudança do modelo de laboratórios “um computador para muitos alunos, ou apenas um número reduzido de escola foi contemplado com alguns aparelhos de tecnologias”. O grande desafio é este: os professores estão preparados para manusear esses equipamentos? A metodologia de ensino vai ser algo programado, pronto? O corpo docente vai ter formação tecnológica para desenvolverem juntos aos seus educandos?

SEABRA sinaliza que o Governo Federal é responsável pela formação desses docentes e gestores escolares. Mesmo que essa formação seja em serviço, presencial ou à distância, desde que eles sejam acompanhados de avaliação em todo o processo. Porém, essas formações estão acontecendo? Nas formações continuadas, há este momento de orientações para a utilização de recursos tecnológicos em sala de aula?

De acordo com o autor: “toda tecnologia tem tido uso tradicional na educação, tanto na cultura oral, em que os mais idosos transmitiam aos mais novos, como no surgimento da escrita e também na revolução da imprensa” (SEABRA, 2010). Com base nesta compreensão, as tecnologias não são um fato novo. Elas surgiram desde tempos mais remotos, apenas foram contempladas com uma nova roupagem mais eficaz. Ele ainda apresenta nas tecnologias mais avançadas como as analógicas que serviam como próteses, para expandirem os poderes mecânicos e sensoriais do ser humano.

Na concepção do autor, as tecnologias são usadas para expandir seus poderes cognitivos, percepções e memórias. Sendo assim, esses recursos, “podem libertar os pensamentos no uso e na construção da criatividade, do virtual na ampliação e no desenvolvimento do juízo lógico e da consciência” (SEABRA, 2010).

Nesse sentido, o autor declara que estudos e pesquisas têm revelado que a interação das crianças e jovens com as tecnologias permitem comprovar que uma nova inteligência tem surgido nas novas gerações que crescem na cultura digital (SEABRA, 2010). Assim, os professores envolvidos na inclusão digital que assumem essas novas funções em transformar as práticas pedagógicas em convivências escolares. Podemos entender que “explorar os conteúdos de forma lúdica, divertidos, gratificante e totalmente criativos”, comenta Lea Fagundes (2010). A autora faz uma incorporação das novas tecnologias da informação que resulta consequentemente na educação, e na prática do professor, quanto nos processos de ensino e aprendizagem.

Dessa forma, tanto os professores, quantos os educandos podem buscar soluções, representando os conhecimentos que estão sendo construídos por esses educandos, transformando-os em novos conhecimentos com o auxílio das novas tecnologias que serão utilizadas e desenvolvidas no ambiente escolar.

5.  Metodologia

A referente pesquisa investiga por meio de leituras bibliográficas os recursos tecnológicos no trabalho com crianças e adolescentes que apresentam deficiência intelectual. Procurando verificar, quais recursos são oferecidos dentro das novas tecnologias, concepções de ensinos e funções de cada equipamento apresentado. Durante as leituras dos textos foram obtidas as seguintes informações: tanto os textos, quantos as visualizações de alguns vídeos pertinentes ao assunto apontam os alunos com necessidade de atendimento especializado.

Esses usuários também possuem habilidades para se apropriarem de recursos tecnológicos para desenvolverem atividades lúdicas e virtuais, desde que esta faça parte do currículo escolar. Devendo ser respeitadas suas limitações, suas capacidades e mobilidade na execução desses instrumentos.

Pode-se também observar nos textos apresentados que as tecnologias não apenas desenvolvem as habilidades motoras, de raciocínio lógico, mas também viabilizam seus usuários para a vida em sociedade. Numa forma de diálogos, da participação e da interação do outro, tornando-se sujeitos nesse processo de construção do conhecimento.

Assim, os recursos tecnológicos para atender as deficiências intelectuais, foram apresentados nos Referenciais Curriculares Nacionais como os jogos e brincadeiras. Sendo que nos documentos criados a partir das resoluções que defendem os direitos dos que necessitam de educação especial. Sinalizam que estes alunos devem também ser atendidos por recursos das tecnologias assistivas, como os computadores e programas de arquivos direcionados a este tipo de atendimento.

De acordo com as orientações de alguns teóricos, os profissionais envolvidos na educação assistiva devem participar de formações para o aperfeiçoamento do uso das novas tecnologias. Comentam também que tais recursos devem abranger todos os alunos que necessitam desse conhecimento. Sendo assim, é fundamental afirmar que os recursos tecnológicos são meios que facilitam a compreensão dos conteúdos e a construção de outros conceitos. Podendo estar entrelaçados com todo o currículo, tornando o aprendizado mais lúdico, mais agradável e antes de tudo significativo.

Segundo Elizabeth Dias, todos os profissionais envolvidos com as tecnologias para deficientes intelectuais devem apresentar situações simples para resolver problemas funcionais no cotidiano escolar dos seus usuários. Na fala de Mara Lúcia e Rita de Cássia (2010), elas argumentam que não é um simples manuseio de um lápis ou outro recurso convencional que vai garantir a aprendizagem do aluno, e sim a construção desse conhecimento que ele pode adquirir com o apoio desses equipamentos.

Vale esclarecer também que um sujeito num ambiente escolar que tenha comprometimento com a leitura e a escrita, possa pensar na utilização de múltiplas linguagens tentando encontrar estratégias que façam com que esses indivíduos aprendam de múltiplas formas.

Assim, todos os conceitos discutidos devem ser aplicados levando em consideração os aspectos mais importantes: se estão relacionados aos contextos ambientais das pessoas envolvidas na mesma faixa etária e culturas desses indivíduos, culturais e linguísticas. Da mesma forma as diferenças de comunicação e fatores sociais e comportamentais.

Quando falamos em comprometimento nas habilidades comportamentais, práticas e sociais, estar se levando em consideração o contexto do sujeito, o seu comportamento é semelhante aos das mesmas pessoas daquela idade? Outro aspecto relevante são as limitações: precisamos estar atentos em verificar tais limitações, que devem coexistir com as possibilidades. Essas limitações não são apontadas para delimitar esse sujeito e sim para desencadear habilidades de desenvolvimentos com os apoios que estes precisam.

Acredita-se que com os apoios necessários durante o período, as habilidades possam melhorar com a análise e avaliações adequadas e a criação de um sistema de apoio adequado. Que sem dúvidas, podemos perceber alguns avanços desses sujeitos. No entanto, precisa-se realizar um plano de apoio individualizado, identificando qual experiência de vida que pretendemos trabalhar com os deficientes intelectuais. As metas desejadas e intensificar o plano de apoio individualizado. Analisar as avaliações e verificar quais metas desejadas foram alcançadas.          

Portanto, a escola e docentes que participam da inclusão de pessoas com necessidades educativas, estão conscientes de que estes educando, possuem mobilidades reduzidas, e não podem ser avaliados da mesma forma com as outras crianças.    

6. Considerações Finais

É relevante dizer que não são os meios tecnológicos que vão torná-los mais hábeis ou iguais aos demais. E sim as relações com o outro que farão a diferença; como serão vistos pelo outro e no contexto social.

Neste contexto, considerando que a deficiência intelectual encontra-se numa situação muito peculiar pela invisibilidade das pessoas que não apresentam características sindrômicas, ou seja: as representações sociais que caracterizam uma cognição infantil. Fazendo com que as pessoas tenham recenseados dos seus direitos, a usufruir de uma vida autônoma e adulta.

Assim, deve-se levar em conta o desejo e a autodeterminação da pessoa com deficiência, preparando-a para a vida adulta, proporcionando os mecanismos necessários que oportunizem maiores possibilidades no emprego, desenvolvimento profissional e condições de vida autônoma. Para isso, é preciso conhecer a pessoa, e o espaço ocupado por esses indivíduos. Compreender que utilidades que ela irá se apropriar com mais facilidades e o que podemos lhe oferecer para o desenvolvimento dessas habilidades.

Dessa forma, se faz necessário uma sensibilidade dos docentes para repensar a prática pedagógica e o que está sendo discutidos nas formações continuadas. A fim de que se possa articular estratégias de ensinos nas salas de aulas, que venham contribuir para o desenvolvimento dos alunos. Com essas estratégias, espera-se que grande parte dos preconceitos de que as crianças e adolescentes com deficiência intelectual não consegue aprender, possam ser quebrados à medida que novas discussões sejam priorizadas reconhecidas.

Portanto, se faz necessário mais investimentos em pesquisas e formação continuadas sobre os conhecimentos e usos dos recursos tecnológicos utilizados pelos professores. Afim de que se possa receber oportunidades para o aperfeiçoamento da prática e o melhoramento no processo de ensino aprendizado das crianças e adolescentes com deficiência intelectual.

Dessa forma, pode-se dizer que a educação executa de fato a política de inclusão e integração social. Porém é um processo bastante longo, que depende dos interesses voltados para as políticas públicas, que muitas vezes ignoram os direitos declarados nos documentos legais que garantem esses benefícios.

Referências:

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SEABRA, Carlos,: Tecnologia na Escola / Porto Alegre: Tilos empreendimentos culturais,2010.

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