A Importância de Atividades Recreativas e Culturais no Processo de Socialização de Crianças de 05 a 10 Anos

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Resumo: O presente artigo buscou verificar a importância de brincadeiras recreativas e culturais no processo de socialização de crianças de 05 a 10 anos, que vivem provisoriamente na Instituição Recanto Samaritano no Projeto Complexo Aconchego. Através de visitas semanais levamos materiais lúdicos e culturais, para que através desse processo pudéssemos observar a socialização. Pois segundo Papalia, Olds e Feldman, (2010, p. 291) “brincar é o trabalho das crianças e isso contribui para todos os domínios do desenvolvimento”, brincando ela estimulará sentidos, aprendendo a usar os músculos, coordenando melhor a visão, adquirindo assim novas habilidades para melhor interpretar o mundo no qual está inserida.  Para Papalia, Olds e Feldman, (2010) quanto mais nova a criança, mais individual e egocêntrica é sua brincadeira, à medida que a criança cresce, seus jogos tendem a tornar mais interativos e cooperativos. Dessa forma foram utilizados alguns recursos que promoveram a integração e aprendizagem das crianças, tais como: pinturas de desenhos infantis e folclóricos, jogos lúdicos, dinâmicas em grupos. Dentre os diversos mecanismos de coleta de dados, esse projeto fez uso da entrevista, da observação, e também do questionário. Através da realização deste trabalho na Instituição o grupo concluiu que as atividades recreativas e culturais contribuem sim no processo de socialização das crianças. Podemos fazer tal afirmação a partir dos dados colhidos e analisados na pesquisa feita em campo.

Palavras-chave: brincadeiras recreativas; observação; crianças; socialização.

Introdução

Este artigo teve o objetivo de conhecer melhor o impacto das atividades recreativas e culturais no processo de socialização das crianças de cinco a dez anos, ditas institucionalizadas. Papalia, Olds e Feldman (2010)  ressaltam que o processo de socialização é compreendido como fundamental para o desenvolvimento humano, brincando a criança experimenta, descobre, inventa, aprende e também confere habilidades, além disso, é estimulada pela curiosidade, autoconfiança e autonomia, desta forma, descobre a linguagem, o pensamento, a concentração e a atenção. Segundo Papalia, Olds e Feldman, (2010, p. 291) “quanto mais nova a criança, mais individual e egocêntrica é sua brincadeira, a medida que a criança cresce, seus jogos tendem a tornar-se mais interativos e cooperativos”.

O ser humano é por natureza um ser que tem necessidade de se relacionar, para tanto o processo de socialização se dá através do convívio e da construção de vínculos, que são fundamentais ao desenvolvimento.

Foram abordadas questões de socialização e integração entre crianças de cinco a dez anos através de atividades lúdicas tais como: pular corda e elástico, brincadeiras dinâmicas, brincadeira na quadra de recreação da instituição e também atividades culturais como pinturas de desenhos folclóricos e infantis, além de cantigas de roda, onde través de jogos e brincadeiras introduzimos a cultura brasileira como um fator contribuinte para a evolução das crianças não somente como individuo, mas, como um grupo, para que possam aprender a viver em sociedade.  Segundo Brunelle e Leif (1978, p. 45) “O jogo mobilizará motivações muito mais poderosas para vantagens decididamente opostas às vantagens reais.”. Desta forma o jogo não se torna banal, mas um fator crucial de aprendizagem.

Referencial Teórico

A noção do desenvolvimento humano está intimamente ligada a um processo contínuo de evolução, sejam nos aspectos, psicológicos, cognitivos, físicos e sociais. Processo esse que não é determinado apenas pelas bases biológicas ou genéticas, mas que também é desenvolvido no contexto social no qual a criança está submetida, onde a criança estruturará sua personalidade, bem como seu caráter e temperamento. Quando estimulada de forma coerente e eficaz trará bons frutos ao desenvolvimento psíquico e biológico, porém, quando esses estímulos não forem bem aplicados, trarão prejuízos imensuráveis que acompanharão o indivíduo por toda sua vida.

Em relação à importância da escola no processo de socialização, Morais (1992, p. 173) salienta que:

À escola foi cometida a função de complementar a socialização primária da criança, iniciada principalmente na família, procedendo de forma a promover o desenvolvimento físico, cognitivo e afetivo, e ao mesmo tempo procurando que o aluno adquira uma “identidade cultural específica”, isto é, que o ser biológico seja transformado em ser social com características próprias [...] esse processo evolutivo tem como ponto de partida a família, ou seja a classe social, que corresponde a posição dos pais na divisão social de trabalho. Essa posição na hierarquia social vai influenciar como se processa a socialização da criança na família.

Para tanto, na instituição foram utilizados alguns recursos que promoveram a integração e a aprendizagem das crianças, tais como: pinturas de desenhos infantis e folclóricos, jogos lúdicos, dinâmicas em grupo, leituras de contos folclóricos e cantigas de roda embasadas no folclore brasileiro e nas diversas formas que contribuem para o processo de socialização.

Segundo Piaget o afeto é o principal impulso motivador dos processos de desenvolvimento mental da criança.

“Toda conduta supõe a existência de instrumentos, ou seja, de uma técnica os aspectos motores intelectuais; mas também toda conduta implica em certas ativações e metas valiosas; trata-se dos sentimentos, e assim afetividade e inteligência são indissolúveis e constituem os dois aspectos complementares de toda conduta humana”. (PIAGET, 1978, p. 38)

Concluindo assim que a utilização de brincadeiras e dinâmicas contribuem bastante para a socialização das crianças, além de estimular a autonomia, a autoestima e principalmente para o estreitamento dos laços de amizade entre eles.

Metodologia

Dentre os métodos disponíveis para a realização de pesquisas utilizamos o método dedutivo, onde Andrade (2001, p. 131) destaca que “a dedução é caminho das consequências, pois uma cadeia de raciocínio em conexão descendente, isto é, do geral para o particular, leva a conclusão”, ou seja, partindo das teorias e leis, chega-se a previsão de acontecimentos particulares.

Para coletar os dados, esse projeto fez uso da entrevista, da observação, e também do questionário. Para Cervo e Bervian, (1976, p. 145) “a entrevista é a conversa orientada para um objetivo definido: recolher através do interrogatório do informante, dados para a pesquisa”. A entrevista é uma ferramenta de suma importância, pois, é uma forma de encontrar dados e registros, fornecidos por pessoas que não são encontrados em livros e em pesquisas bibliográficas. A observação, conforme comenta Cervo e Bervian, (2002, p. 27) “observar é aplicar atentamente os sentidos físicos a um objeto, para dele adquirir um conhecimento claro e preciso”, foi feito junto a Instituição, um trabalho primordial  de observação, uma vez que uma observação bem feita é a base de qualquer trabalho científico. Foi utilizada a observação participante, que para Cervo e Bervian (2002, p. 28) “é quando o observador se envolve e deixa se envolver com o objeto da pesquisa, passando a fazer parte dele” e também como eles reiteram, usamos também a observação em equipe, onde o objeto da pesquisa é observado por várias pessoas com o mesmo propósito, ainda que em tempos e lugares distintos.

Cervo e Bervian (1976, p. 147) salientam que “o questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois, possibilita medir com melhor exatidão o que se deseja”. Todo questionário deve ser de natureza impessoal, a fim de assegurar a uniformidade na avaliação de uma situação para outra estabelecendo com critério quais as questões mais importantes a serem propostas e que interessam a ser conhecidas.

Resultados

No decorrer da pesquisa, nosso grupo interagiu com as crianças da instituição levando atividades recreativas, jogos, desenhos para colorir, a fim de proporcionar um ambiente que favorecesse a socialização. E ao final aplicamos os questionários e fizemos as entrevistas a fim de coletar os dados para verificar se houve ou não uma intensificação no processo de socialização entre eles.

Após a tabulação dos dados nosso grupo pôde identificar quais as atividades preferidas das crianças, e também analisar a visão que as monitoras responsáveis pelas crianças tiveram do resultado do nosso trabalho.

Com os dados em mãos observamos que 90% das crianças gostavam de participar das nossas atividades e se sentiam bem interagindo conosco. As monitoras por sua vez foram unânimes em afirmar que nosso projeto atendeu as expectativas da instituição, e também contribuiu com a socialização entre elas.

Durante todo o período que frequentamos a instituição a fim de realizarmos nossa pesquisa percebemos também que o nosso grupo cresceu bastante, principalmente em experiência, pois, ao lidar com a realidade tão diferente do nosso cotidiano, aprendemos que podemos fazer muito mais pelo outro, e que se importar de verdade com as pessoas faz toda a diferença.

Conclusão

Concluímos ao final da pesquisa que a aplicação de atividades recreativas e culturais contribui em vários aspectos do desenvolvimento infantil, tais como: aprendizagem, coordenação motora, cognição e também a socialização. Também esse trabalho nos mostrou que é possível, irmos a campo e  interagir com as instituições e dessa forma contribuir para o aprimoramento e crescimento de indivíduos carentes, além de ampliarmos nossa visão de homem e mundo.

Sobre os Autores:

Bruna Cristina de Oliveira - Aluna do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Ellen Cristina da Silva Borges - Aluna do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Laisiani Aparecida de Lima - Aluna do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Millene Tavares de Britto Elias - Aluna do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Simone Maria da Silva - Aluna do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Wesley Tomaz de Oliveira - Aluno do curso de Psicologia da Universidade de Franca, cursando o quarto semestre da disciplina de Laboratório de Pesquisa II.

Ana Paula Barbosa - Professora Orientadora do Projeto, Docente do curso de Psicologia da Universidade de Franca, Especialista em Didática, Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos, Doutora em Serviço Social pela UNESP de Franca.

Referências:

ANDRADE, M. M, Introdução a Metodologia do Trabalho Científico. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2001.

BRUNELLE, L.; LEIF, J.; O jogo pelo jogo: atividades lúdicas na educação de crianças e adolescentes. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1978.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; Metodologia Científica: para uso dos estudantes universitários. Recife:  McGraw-Hill, 1976.

CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A.; Metodologia Científica. 5. Ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

MORAIS, A. M., Socialização primária e Prática pedagógica. Fundação Calouste Gulbenkian: 1992.

PAPALIA, D.E.; OLDS, S.W.; FELDMAN, R.D.; Desenvolvimento Humano, 10. ed. Porto Alegre: Editora McGrawHill, 2010.

PIAGET, J., INHELDER, B. A psicologia da criança. Rio de Janeiro: Difel, 1978. 

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