A Importância do Afeto Materno Inserido na Linguagem do Maternalês para o Desenvolvimento Infantil

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Resumo: Este artigo sugere uma reflexão teórica acerca da importância do afeto materno inserido na linguagem do maternalês, para o desenvolvimento infantil; conforme os teóricos Elliot (1982), Bee (1996) e Ribeiro e Garcez (1988), a linguagem é o núcleo do sentido da ação recíproca que dá o significado da comunicação. Conforme Sim-Sim (1998), Hoff (2006) e Hudson (2006), através da manutenção da atenção do espaço de interação com a criança, agindo diretamente relacionado com o fenômeno observado no corpo da criança pequena, há uma progressiva interação da comunicação infantil que envolve pela situação materna de motivar a criança, cuja modificação do padrão da fala interage, numa construção do espaço de valorização dessa troca afetiva. Conforme Perroni (1992), Peterson (1994) e  Mccabe (2004) e Bates (1976) se estabelece na relação entre fala e afeto, que vai crescendo e formando uma teia externa de relacionamentos, iniciando-se por gestos e sinais. Conforme Ornstein, Haden & Hedrick (2001/2003) e Rigolet (2000), a comunicação baseada na linguagem mãe-criança (maternalês) provê mecanismos para que crianças pequenas adquiram habilidades de memória generalizadas.

Palavras-chave: voz, desenvolvimento, infantil

1. Introdução

Não nascemos com um repertório de palavras, mas sendo capacidade de tê-las.

A função básica da linguagem é comunicar e dar suporte a estruturas de pensamento. No aspecto relacional ou emocional, o núcleo do sentido do maternalês se estabelece quando há enunciados e formas verbais, como conteúdos funcionais. Elliot (1982) chama de traços sintáticos os traços paralinguísticos de entonação exagerada que estão interligados com os traços do discurso, com frases interrogativas e imperativas, mais fluentes, repetitivas e inteligíveis. A aquisição da linguagem ocorre em uma ação recíproca, aonde existe uma parceria de conversação voltada em direção à criança.

2. A Interação

Conforme destaca Bee (1996) um bebê acabado de nascer já está a comunicar. A comunicação verbal é-lhe dado pelo adulto, é ele que dá à criança o significado da comunicação. Por isso os pais têm uma função muito importante, mas também os irmãos, porque conseguem adaptar o seu discurso de modo a fazerem-se entender pelos mais novos. O envolvimento da criança envolve uma modificação da fala materna, numa troca interverbal para conduzir e estruturar a fala da criança.

Essa quantidade da linguagem dos pais, que é importante para as crianças, é chamada de motherese ou maternalês. Motherese ou maternalês (..) é falada numa voz mais aguda, num ritmo mais lento, do que (...)  entre adultos. As frases são curtas, com um vocabulário simples e concreto, e gramaticalmente simples. Os pais quando falam com os filhos, repetem muito, com pequenas variações, ou pode repetir a frase (...) numa forma um pouco mais longa e gramaticalmente correta – um padrão conhecido como uma expansão ou remodelação.

Nesse processo de linguagem a condução e estruturação da fala materna, que possui geralmente uma intensidade de voz mais alta é conhecido como mamanhês, paternalês, e até mesmo tatibitati, conforme destacam Ribeiro e Garcez (1988) e afirmam que o termo original é motherese ou  maternalês (...) trata-se  de  uma  fala  em  tom  de  brincadeira,  caracterizada  por  mudanças  exageradas  na altura da voz, (...) com pausas  longas e sons  vocálicos alongados, acompanhados  de  sorrisos. Abordando sobre a interação, afirma Inês Sim-Sim (1998) que essas frases pequenas e simplificadas da mãe atuam no desenvolvimento da criança porque a musicalidade significativa provoca e se entende como uma troca afetiva através da manutenção da atenção do espaço de interação entre a mãe e criança, através da semântica. No maternalês, a articulação, entoação expressiva e vocabulário simplificado caracterizado por um grande número de enunciados curtos e pela prevalência de palavras carregadas de conteúdo semântico e por um reduzido número de palavras cuja função é meramente gramatical, pela presença preferencial de formas verbais simples, referentes ao presente, passado e futuro imediato.

3. O Desenvolvimento

No aspecto cognitivo da questão, o núcleo do fundamento psíquico do maternalês ocorre na questão da vocalização da criança à atividade verbal interpretativa da mãe, aonde o feedback materno que favorece o desenvolvimento linguístico  está diretamente relacionado com o fenômeno observado no  corpo da criança pequena. Hoff e Hudson (2006) frisam que o desenvolvimento cognitivo da criança depende de interações comunicativas que ocorrem durante a infância. A interação social é, então, fundamental no desenvolvimento do discurso narrativo.

Conforme Perroni (1992), Peterson (1994) e  Mccabe (2004), o processo de construção linguística, a criança estrutura a construção lexical aonde a situação da língua é estruturante e determinante quando a comunicação no nível da compreensão se transforma em algo mais complexo, (...) através das interações linguísticas se transmite o conhecimento, os comportamentos sociais e os aspectos culturais. Para Bates (1976), o adulto é mediador na relação aonde a influência recíproca se interage na didática entre a mãe e a criança, cuja fala espontânea da criança com os pais possui uma ampla variedade de interação comunicativa nessas funções de trocas linguísticas, e que as primeiras vocalizações e gestos da criança surgem desprovidas de intencionalidade, um período de pré-locução que os adultos atribuem significado comunicativo e referencial. Gritar, chorar, sorrir, são sinais a serem interpretados e respondidos distintamente, atribuindo-se-lhes intencionalidade.

Berger & Thompson (1997) dizem que a interação da comunicação infantil envolve a situação materna de motivar a criança, cuja modificação do padrão da fala interage, caracterizando figuras e/ou localizando e nomeando objetos, envolvendo a preferência e caracterizações específicas dessa interação entre a mãe e o bebê, pois bebês recém-nascidos demonstram preferência por sons falados, pela linguagem adulto-para-criança (baby-talk ou motherese) e manifestam clara preferência pela voz da sua mãe.

4. O Aprendizado

Conforme trata Inês Sim-Sim (1998), acerca das interações verbais e do discurso dirigido às crianças pela mãe, existe um ajuste de fala que varia de acordo com a fala infantil, aonde a diretiva materna surge nas primeiras interações verbais, para que a construção do vínculo afetivo se processe aonde a diretiva materna carrega uma intenção de explicitar um diálogo, formador da língua falada;  determinadas características específicas (frases curtas, articulação clara, entoação marcadamente expressiva e vocabulário simplificado) parecem promover a apreensão da língua por parte da criança.

Ornstein, Haden & Hedrick (2001/2003) tratam dessa associação, no aspecto mais intriseco da pesquisa que trata da construção do espaço de interação, a valorização dessa troca afetiva se estabelece numa fala interacionista entre fala e afeto, que é importante para o desenvolvimento da criança, que vai crescendo e formando uma teia externa de relacionamentos, aonde a comunicação baseada na linguagem mãe-criança (maternalês), em conversação sobre eventos contínuos e passados, provê mecanismos para que crianças pequenas adquiram habilidades de memória generalizadas.

Para Campos e Guimarães (2011) a criança nova, centrada nela, facilitada pela relação de afeto com a mãe, pode ter uma continuidade de diálogo por causa de mudanças nas teias de conversação. Por volta dos seis meses de vida da criança, as experiências linguísticas alteram a percepção da criança na aquisição da linguagem.

A forma peculiar que adultos se dirigem à criança lhe dirigirem a fala não apenas demonstra o carinho que se tem por essa criança, mas facilita o aprendizado da mesma. O maternalês é usado não só pelos pais, mas também por outros adultos responsáveis por ela, e exerce um papel importante, ajudam na clareza da fala; a fala fica mais reconhecível, dando inteligibilidade.

Para Rigolet (2000), a afeição, ternura e intimidade provocam construção de característica linguística na criança, aonde a alteração da fala à criança, além de espontânea, pode ser instintivo. O sorriso é determinante no desenvolvimento de competências de comunicação do bebê, pois representa três elementos essenciais: a) o sorriso, bem como toda a expressão facial associada, estão impregnadas de significações socioafetivas positivas de bem-estar físico, psíquico; b) o sorriso é um fator responsável pelo aumento interativo; c) o sorriso serve para estabelecer e manter um contacto à distância e uma relação de reciprocidade. O uso do tom infantil reduzido que assume tom de conversação de adulto, envolve anteriormente um crescimento de características paralinguísticas, inicialmente com estados emocionais exagerados, aonde o discurso da mãe foi modificado à medida em que a criança crescia, fazendo-a estar envolvida com a fala da mãe, durante as atividades de rotina diária. A mãe fala com o bebê das ações, dos objetos, comentando igualmente as atitudes ativas observadas, seus sentimentos e fazendo a sua interpretação. O bebê vai fornecer pistas, através dos seus sorrisos, vocalizações e entoações, gestos e expressões faciais - conjunto de mímicas chamadas paraverbais, que facilitam a descodificação das suas mensagens ainda rudimentares. Assim se promove o desenvolvimento das bases da aquisição do vocabulário de compreensão (receptivo) e de produção.

5. Considerações Finais

O afeto materno inserido na linguagem do maternalês, age no desenvolvimento infantil, pela musicalidade materna significativa que se entende como uma troca afetiva, na manutenção da atenção do espaço de interação com a criança. Agindo diretamente relacionado com o fenômeno observado no corpo infantil, cuja relação entre fala e afeto, forma uma teia externa de relacionamentos, iniciando-se por gestos e sinais, cujos  mecanismos para crianças pequenas geram habilidades de memória generalizadas, aonde as experiências linguísticas alteradas gradualmente, favorecem  pela percepção da criança, a aquisição da linguagem.

Referências:

BATES, E. (1976). Language and Context: the acquisition of pragmatics. New York. Academic Press.

BEE, H. (1996). A Criança em Desenvolvimento. Trd. Maria Adriana Veríssimo Veronese. - 7.ed.-Porto Alegre: Artes Médicas

BERGER, K. & THOMPSON, R. (1997). Psicologia Del Desarrollo: Infância y adolescência.Panamerica.

CAMPOS, Talita da Silva & GUIMARÃES, Silvia A. H. em: http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/118.pdf. Acesso em 28.08.2013

HOFF, E- How social contexts support and shape language development. Departament of Psycology, Floria Atlantic University- USA. Developmental Review: 26,55-88, 2006.

HUDSON, J.A.- The developmental of future time concepts through mother-child conversation. Detroit: Wayne State University Press. Merril-Palmer Quarterly, 52,70- 5,2006

LIMA, R. (2000). A Linguagem Infantil – Da Normalidade à Patologia.Braga: Edições APPACDM, Distrital de Braga.

ORNSTEIN, P.A.; HADEN, C.A. & HEDRICK, A.M. Learning to remember: Socialcommunicative exchanges and the development of children’s memory skills. Developmental  Review 24 – 374/395, 2001/2002.

PERRONI, M. C. Desenvolvimento do discurso narrativo,São Paulo:Martins Fontes, 1992.

PETERSON, C- Narrative Skills and social class. Canadian journal education.19, 251-269,1994.

PETERSON , C. & McCabe, A. -Echoing our parents: Parental Influences on Children`s Narration. In: M. W. Pratt, &B.E. Fiese (Eds), Familiy stories and the lifecourse:Across time and generations(pp.27-54), 2004.

RIBEIRO, B. & GARCEZ, P. (orgs.) Sociolinguística Interacional. Porto Alegre: AGE Ed., 1998.

SIM-SIM, I. (1998). Do uso da linguagem à consciência linguística. In I. Sim-Sim, Desenvolvimento da Linguagem (pp. 64). Lisboa: Universidade Aberta.

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