Autismo Infantil

Autismo Infantil
(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)

1. Introdução

Bebês que, ao mamar, são inaptos de fitar o olhar nos olhos da mãe podem padecer de um dos distúrbios atualmente conhecido como autismo. Em sua manifestação mais abrangente essa está presente em uma a cada 150 crianças. Detalhado pela primeira vez em 1943 por Kanner, o autismo, ou TEA (Transtorno do Espectro Autista) é marcado pela dificuldade de comunicação, de estabelecer interações sociais e por comportamentos monótonos e repetitivos. Esse transtorno não apresenta recuperação e suas origens ainda são incertas, porém ele pode ser estudado, trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para que o paciente possa se adaptar à convivência social o melhor possível.

Quanto mais cedo no desenvolvimento do indivíduo o autismo for identificado, melhor, pois o transtorno não afeta apenas a saúde da criança, mas também de seus pais, que, em muitos casos, acabam se sentindo desqualificados de enfrentar a situação.

A manifestação antecipada no autismo tem se tornado viável graças ao seu reconhecimento na criança cada vez com maior antecedência, a contar dos 18 meses de idade. O reconhecimento tem sido feito principalmente com sustentação em dificuldades caracterizantes na orientação para motivos sociais, contato ótico social, atenção compartilhada, imitação motora e jogo simbólico (Baron-Cohen, Allen & Gillberg, 1992).

As suas causas ainda são desconhecidas, porém alguns estudos sugerem uma hereditariedade muito alta, ainda que tenham membros na família que apresentam traços do Espectro Autista, assim apoiando cada vez mais a tese de que o autismo tem uma base genética.

2. Inclusão Social da Criança Autista

No ano de 2014, as pessoas com autismo obtiveram uma assistência muito significativa no que diz respeito ao acesso a vários serviços aos quais elas têm direito. A Lei 12.764/2012 foi regulamentada pelo Decreto Presidencial 8.368/2014 e ela garantiu por lei a qualificação e a acessibilidade aos serviços públicos do Sistema Único de Saúde (SUS), da educação e de proteção social para pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo. Porém, ainda é comum que jornais e ONGs denunciem acontecimentos de escolas particulares que negam a inclusão de uma criança autista ou até cobram valores extras por essa situação. Existem também escolas públicas que não possuem profissionais capacitados, preparados e muito menos uma preparação pedagógica que possa acompanhá-lo conforme suas necessidades e possa ajudá-lo com suas dificuldades.

Encontram-se diversas formas de inclusão da criança autista nas atividades realizadas por outras pessoas, isso vai depender de muita compreensão e do respeito ao tempo da criança.

O meio familiar é o mais apropriado para auxiliar o autista antes de seu contato com a sociedade, o carinho e a paciência são os princípios mais importantes deste processo. Os pais e os envolvidos neste processo de auxílio de inclusão reconhecem os pontos em que a criança apresenta mais fragilidade, então é preciso que saibam como atuar em relação a isso, como não proibir a criança de se relacionar com as demais e esclarecer todas as diversidades do autista para o grupo ao qual ele será inserido. 

3. Inclusão Escolar da Criança Autista

A interação social de uma criança autista é muito importante para seu desenvolvimento como um todo, a partir disso quando se é falado em interação social na infância podemos relacionar diretamente à escola, onde o convívio é imediato com outras crianças. Para uma criança portadora de autismo o maior incentivo e motivo para inclusão escolar é reduzir obstáculos que os impedem de desempenhar atividades e participações na sociedade, mas a maior dificuldade, sem dúvidas, é o acompanhamento e a educação especial que a criança autista tem que ter dentro do ambiente escolar. Entretanto quando ocorre de os profissionais e equipe pedagógica que recebem um aluno que precisa da educação especial e não estão preparados para o mesmo, isso acaba levando a má prática do tratamento e evolução da criança (Dayse Serra, 2004). Dentro da aprendizagem tradicional o autista pode absorver informações de forma lenta e gradativa e por isso a importância da educação especial e de profissionais qualificados que tenham uma postura diferenciada e um plano pedagógico individual adequado às necessidades apresentadas, além de ambientes escolares onde o indivíduo com o autismo se sinta acolhido e seguro.

Entretanto, nos dias atuais, enfrentamos outro obstáculo, que é incluir, inserir o aluno em um contexto diferente do que está, por que esse aluno apresenta comportamentos estereotipados (movimentos repetitivos) tornando-se bizarros e diferentes diante da sociedade que despertam em si o temor e a desconfiança dos mesmos (Anne Aire, Marta Araújo, Gabriela Nascimento).

A legislação brasileira garante a toda criança autista o ingresso em escola regular como forma de integração do estudante à vida em sociedade. Isso consta no capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), na Constituição Federal, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Plano Viver sem Limites (Decreto 7.612/11). 

4. Lidando Com o Autismo: Relação dos Genitores com a Criança

O diagnóstico de autismo na criança nem sempre é bem aceito pelos genitores; antes mesmo da gravidez a criança já é idealizada pelos pais.

Sonia Pires, integrante do Bem-Me-Care – SOS Family, declara que os pais criam fantasias como: "terá os olhos da mãe", "as mãozinhas e os pezinhos serão como os do pai" ou até mesmo "será tranquilo como a mãe", e que vão servindo como material para a construção de um lugar psíquico para essa criança. Quando ela chega e os pais começam a perceber que ela não consegue utilizar esse ‘enxoval psíquico’, pois a criança tem um olhar vago, não responde aos estímulos e não se interessa pelo contato físico, entre outras coisas, a primeira reação é de negação (BARROSO, Cláudia).

É indispensável saber que os pais e os familiares têm um papel bastante importante na identificação do diagnóstico, isso porque o autismo afeta diretamente a relação entre a criança e o mundo.

Uma entrevista feita com S.M.T, explica um pouco mais sobre a relação da mãe com o filho autista:

  1. Quais foram os primeiros sinais de autismo que você observou no Luigi?
    Ele não falava, não interagia, apresentava muita irritabilidade, era excessivamente agressivo e se isolava de todos. Não gostava do toque. 
  2. O que você fez quando percebeu estes sinais?
    Os pais percebem que a criança é autista muito antes dos médicos. A consulta com um especialista só é feita para receber um laudo, uma certeza; os médicos nos confundem muito, eles só “acertam” se for autismo severo, e no caso do Luigi é um autismo mais leve e moderado. Temos um período de luto até aceitarmos que a criança sempre irá precisar de acompanhamento. O grau do autismo revela apenas o grau da dependência do autista.

  3. No passado, em quais profissionais ele consultava?
    Pediatra e neuropediatra.

  4. Atualmente, em quais profissionais ele consulta?
    T.O (terapeuta ocupacional), psicóloga, psicopedagoga, pediatra e psiquiatra.

  5. Como é a relação dele com os colegas e professores?
    Os colegas ajudam, respeitam e entendem as diferenças existentes entre eles. Os professores exigem atenção do Luigi dentro das capacidades dele.

  6. Você notou algum avanço depois que ele começou a frequentar a escola?
    Sim. Está mais sociável, interage mais, menos agressivo e o relacionamento físico (toque) melhorou muito.

  7. Ele possui alguma dificuldade para socializar? 
    O autista é muito sincero e direto. Ele entende ordens curtas e diretas.
    A maior dificuldade é a questão de não gostar do toque, de ser abraçado ou beijado; o autista sente dor ao receber o beijo. 

5. O Cérebro de Um Autista

O cérebro do autista apresenta falha de comunicação entre os neurônios, dificultando assim o segmento de informações. Se manifestam alterações principalmente no corpo caloso, que é encarregado por simplificar a comunicação entre os dois hemisférios do cérebro, a amígdala, encarregada pelo comportamento social e emocional e o cerebelo, que está incluído com as atividades motoras, como o equilíbrio e a coordenação. O cérebro do autista desenvolve também prejuízo na serotonina e o glutamato, que são dois principais neurotransmissores.

Sobre o Autor:

Adonai Fragoso Lorandi - Estudante do curso de Psicologia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) 

Caroline Tonassi da Silva - Estudante do curso de Psicologia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)  

Daniel de Oliveira Cruz - Estudante do curso de Psicologia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG) 

Gustavo Diemer Fedrizzi - Estudante do curso de Psicologia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Rúbia Masiero Rodriguez - Estudante do curso de Psicologia no Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG)

Orientadora: Dra. Joice Cadore Soneg - FSG Centro Universitário da Serra Gaúcha.

Referências:

HIGASHIDA, N. 2014O que me faz pular. Rio de Janeiro: Intrínseca.

BAPTISTA, C.R & Bosa, C. 2002. Autismo e educação: Reflexões e propostas de intervenção. Porto Alegre: Artmed.

FERRARI, P. 2012. Autismo Infantil: O que é e como tratar. São Paulo: Editora Paulinas.

SERRA, D.C.G (2004). A inclusão de uma criança com autismo na escola regular: Desafios e processos. (Dissertação de mestrado). Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ.

SIQUEIRA, C.C., Ferreira, E.O., Cavalheiro, F.R., Silveira, J.A.A., Bittencourt, R.G. & Santos, M.F.R. (2016). O Cérebro Autista: A Biologia da Mente e Sua Implicação No Comprometimento Social. 8ª edição, 1-17.

WALESKY, G. (1997). A Mente Autista. 1ª edição, 1-6.