Desenvolvimento Humano Durante a Velhice

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1. Introdução

Segundo o Conselho Federal de Psicologia (2008) a velhice é um processo pessoal, natural e inevitável para qualquer ser humano na evolução da vida, este processo ocorre relacionado a diversos fatores da vida de uma pessoa, envelhecer é somar todas as experiências da vida, é o resultado de todas as decisões e escolhas que foram feitas durante todo o percurso da mesma, diante disso, percebemos que vivenciar o envelhecimento apresenta situações diferentes para cada ser humano, pois somos únicos.

Algumas mudanças também surgem como parte deste processo de envelhecer, apresentam-se a seguir algumas destas mudanças: Do ponto de vista biológico, o envelhecimento caracteriza-se pelas mudanças morfológicas e funcionais resultantes das transformações a que o organismo se submete ao longo da vida, nem toda mudança que ocorre em nosso organismo está fundamentalmente ligada à idade por si só. É necessário incluir outros fatores que contribuem para essas mudanças no organismo, como o ambiente, radicais livres, alterações imunológicas, alimentação e atividades (COLL et al. 2004, p. 372).

As mudanças físicas que acontecem no organismo quando do envelhecimento biológico não são simultâneas, mas ao contrário, os órgãos seguem padrões diferentes de envelhecimento e os classificamos de primários e secundários.

O envelhecimento primário consiste em processos de deterioração biológica, geneticamente programados, que acontecem inclusive nas pessoas que tem muita saúde e que não passaram por doenças graves na vida. Estes processos fazem parte da programação natural de nosso sistema biológico sendo assim inevitável sob quaisquer circunstâncias individuais e ambientais.

O envelhecimento secundário refere-se aos processos de deterioração que aumentam com a idade e se relacionam com fatores que podem ser controlados, como, por exemplo, a alimentação, a atividade física, os hábitos de vida e as influências ambientais. Esses fatores dependem de cada indivíduo, então podemos assim afirmar que pode ser prevenido, e é evitável e não universal (COLL et al. 2004, p. 376 e 377).

Relacionado ao desenvolvimento cognitivo nesta fase, nossa capacidade para lidar e para interagir adequadamente com o ambiente vai depender, em grande medida, de nossa habilidade para detectar, para interpretar e para responder de maneira apropriada à informação que chega até os nossos sentidos. O envelhecimento biológico do cérebro é, em geral, evidenciado pela perda de intelecto, memória, capacidade criativa e cognitiva. Mas, ao contrário do que se pensa, esse processo não acontece de repente, logo que a pessoa atinge uma determinada idade, trata-se de um processo lento que progride com o passar dos anos (COLL et al. 2004, p. 390).

Sobre a memória, não se pode afirmar contundentemente que e a memória da pessoa piore com a idade e nem que o esquecimento seja uma consequência inevitável do envelhecimento. Além disso, as pequenas perdas que acontecem na idade adulta são facilmente compensadas pelo uso de outras estratégias cognitivas, como, por exemplo, prestar mais atenção inicial ao material. De fato as três estruturas da memória são afetadas de maneiras diferentes a memória sensorial e a memória de curto prazo não sofrem mudanças significativas na idade adulta, a memória de longo prazo em pessoas idosas que não estejam doentes, sofre uma perda que parece não estar tanto na capacidade de armazenar informações, mas na habilidade para recuperá-las.

Quando ocorrem alterações na memória na velhice, as hipóteses explicativas para essas alterações estão centradas em fatores ambientais, déficits do processamento da informação e fatores biológicos (deterioração em algumas partes de cérebro, como os lóbulos frontais) (COLL et al.  2004, p. 396 e 397).

Nos estudos sobre a inteligência existe um consenso generalizado entre os pesquisadores na divisão entre a entre inteligência fluída e inteligência cristalizada. A inteligência fluída corresponde aos processos cognitivos básicos. Tem a ver com habilidade para lidar com situações novas, criar conceitos e resolver problemas e situações diversas.

A inteligência cristalizada é o produto do conhecimento adquirido ao longo do ciclo vital e que tem a ver com a aplicação da inteligência fluída aos conteúdos culturais e acadêmicos recebidos ao longo da vida. Corresponde ao conhecimento organizado que foi sendo acumulado ao longo da vida de uma pessoa (COLL et al.  2004, p. 398).

A criatividade costuma ser associada à inteligência fluída e corresponde à habilidade para oferecer diferentes soluções novas ou criativas para os problemas (COLL et al.  2004, p. 398).

A sabedoria vai além da inteligência e está norteada por valores sociais, éticos e morais. Não se pode deixar de considerar que a sabedoria reflete os conhecimentos, os valores e as normas de uma sociedade, além disso, a sabedoria é um âmbito que pode ser desenvolvido constantemente ao longo do ciclo vital (COLL et al.  2004, p. 402). Analisando um pouco sobre o desenvolvimento social do idoso conclui-se que; a duração cada vez maior da velhice obriga o indivíduo a continuar com o seu processo de socialização exigindo-lhe assim uma adaptação ao contexto em que está inserido, seja ele familiar, trabalho, comunidade etc.

As famílias têm como finalidade proporcionar às pessoas proteção, intimidade, afeto e identidade social. Observam-se mudanças na estrutura familiar, no ciclo e na evolução da mesma, nos papéis tradicionais, no surgimento de novos tipos de famílias e nas relações entre as gerações que podem de maneira significativa, afetar ou não as qualidades das relações matrimoniais ou familiares em geral (COLL et al. 2004, p. 422).

O trabalho define a etapa de maturidade de uma pessoa, e é um fator que, além de organizar nossa atividade, ajuda-nos a formar nosso autoconceito, pois dá significado ao que somos para nós mesmos e para os demais. Pesquisas mostram que trabalhadores mais velhos são mais estáveis e têm menos ausências e acidentes profissionais do que os jovens e são capazes de aprender novas habilidades.

As pessoas mais velhas com seus conhecimentos já adquiridos têm muito a oferecer às empresas modernas e tem muito a contribuírem, se incluídas nos processos de treinamento e reciclagem. As relações sociais fora do contexto familiar podem chegar a serem tão importantes para as pessoas mais velhas como as próprias relações familiares, as relações sociais afetam todos os âmbitos da vida das pessoas mais velhas, contribuindo assim para o desenvolvimento de hábitos sociais e para a configuração de sua personalidade (COLL et al. 2004, p. 430).

De acordo com Conselho Federal de Psicologia (2008), as necessidades afetivas dos idosos não são diferentes das outras pessoas em outras fases da vida, estas necessidades afetivas são amor, alegria, realização. O amor, em suas três formas de manifestação, Eros, Filia e Ágape. O prazer que se associa à exploração do ambiente, da alegria das relações com outras pessoas os tornam mais fortes para enfrentarem o estresse, ansiedade e os enfrentamentos diários permitindo-os assim conseguirem ter uma qualidade de vida melhor e equilíbrio psicológico.

Competências emocionais traduzem-se em resiliência psicológica, que significa a capacidade de adaptar-se mediante recursos pessoais em interação com os sociais. A realização (domínio, controle e autonomia) mesmo com incapacidade, desde que na ausência de depressão graves dores crônicas inatividade física, pode funcionar bem com competências físicas, sociais e psicológicas de que dispõem.

2. Objetivo

2.1 Objetivo geral:

Este trabalho tem como objetivo explanar e exercitar habilidades e competências previstas no Curso de Psicologia, tendo como público alvo o idoso que poderá falar sobre si mesmo, quanto aos aspectos físicos emocional, social e cognitivo.

3. Justificativa

A idade adulta e a velhice são etapas de mudanças psicológicas de enorme relevância. Conhecendo a teoria sobre a idade adulta e velhice, faz-se necessário sua aplicação à prática. Neste sentido, este estudo justifica-se e buscará, dentro das possibilidades apresentadas, a entrevista com o adulto e o idoso, ressaltando os aspectos físicos, sociais, afetivos e cognitivos.

4. Metodologia proposta:

O estudo tem como base em uma entrevista na qual a participante informará sobre os aspectos físicos, afetivos, sociais, cognitivos de sua vida. Utilizar-se-á de conceituações teóricas, para um diálogo com a prática apresentada na entrevista.

5. Desenvolvimento:

5.1 Identificação pessoal:

  • Idade: 83 anos
  • Sexo: Feminino
  • Escolaridade: 2º Grau Científico completo (Ensino Médio).

5.2 Identificação familiar:

  • Idade do pai: Faleceu aos 97 anos
  • Ocupação: Dentista
  • Idade da mãe: Faleceu aos 94 anos
  • Ocupação: Do lar
  • Número de irmãos: 04 irmãos
  • Ordem do nascimento: 3ª na ordem de nascimento

5.3 Saúde

5.3.1 Alimentação, atividade física, tabagismo etc..

De acordo com Coll et al. (2004) o envelhecimento secundário por sua vez, refere-se a processos de deterioração que aumentam com a idade e se relacionam com fatores que podem ser controlados, como exemplo, a alimentação, a atividade física, os hábitos de vida (incluído o tabagismo). É evidente que há pessoas que podem viver sem passar por todos ou alguns dos efeitos desse tipo de envelhecimento, Então, podemos afirmar que pode ser prevenido, é evitável e não universal.

A idosa diz que sua alimentação não é orientada por nenhum profissional, sua alimentação se baseia em verduras, legumes, arroz, feijão, quase não como fritura, carne vermelha geralmente é cozida, Considera ter uma boa alimentação, com base numa alimentação leve e saudável. As refeições são feitas pela sua empregada e supervisionadas por ela mesma. A mesma declara que suas refeições começam a partir das 10 horas da manhã com intervalo de 3 horas para o almoço, faz um lanche reforçado às 18 horas e quando necessário repete o lanche mais tarde, com estes cuidados referentes à alimentação, a idosa consegue ter uma boa qualidade de vida. Ela ainda diz ter alergia alguns frutos do mar, exceto lagosta e camarão, declara que descobriu esta alergia em uma viagem ao litoral. Apesar disso, não tem outra restrição alimentar. Além de manter uma boa alimentação ela também faz suas caminhadas diárias no jardim de sua casa pela manhã afirmando preferir assim, pois no jardim de sua casa não fica exposta ao sol, a mesma relata que há um ano não faz mais o uso de tabaco, mostrando energia e boa saúde no seu processo de envelhecer.

Coll et al. (2004) afirmam que ficar expostos aos raios solares sem nenhum tipo de proteção, provoca o envelhecimento das células da pele e é um fator de risco de câncer dermatológico. Alguns hábitos como o uso de tabaco e excesso de álcool são fatores que podem estar relacionados estreitamente com o envelhecimento secundário. A prática vem afirmar que bons hábitos alimentares e exercícios físicos regulares ajudam a evitar um envelhecimento secundário.

5.3.2 Doenças crônicas e outras

A mesma relata não ter doenças crônicas e vai ao médico regularmente.

Ela se considera uma pessoa saudável, pois no auge de seus 83 anos faz uso apenas de 4 remédios sendo 1 para ansiedade e 3 para arritmia que são:

  • -Xareuto
  • -Lexapro
  • -Selozoque
  • -Digesplus

5.4 Sexualidade

A idosa diz não ter uma vida sexual ativa e que começou a vida sexual aos 19 anos sendo essa seu primeiro contato com o sexo. Teve seu primeiro filho com 20 anos, somando daí em diante 3 gestações e 3 partos tendo todos os filhos vivos e nascidos de parto normal, alegando que a expulsão foi rápida e espontânea. Afirmando que desde sua viuvez não ter tido mais desejos sexuais.

COLL et al. (2004) destaca uma das áreas onde ocorrem mudanças significativas é no aparelho reprodutor. Em termos fisiológicos, o envelhecimento sexual começa a partir dos 30 a 35 anos e continua em um processo muito lento e gradativo no qual há importantes diferenças interindividuais. Talvez um dos aspectos que mais chamam atenção nesse processo estejam ligados às diferenças entre o homem e a mulher. Muito embora sejam muito complexas as causas do processo de deterioração que acompanha a idade (naqueles aspectos que realmente ocorre), não cabem dúvidas de que existem fatores hormonais envolvidos.

No trabalho de López e Olazábal (1998), encontramos uma detalhada análise da sexualidade na velhice, incluída nela as mudanças físicas que acontecem no aparelho reprodutor humano a partir dos 30 anos. A diminuição de estrogênios irá produzir mudanças na estrutura interna dos ovários, do útero, da vagina e da vulva, e esta última terá uma tendência a perder a sua elasticidade e durante o ato sexual terá uma lubrificação menor, por tudo isso, as mulheres terão uma maior suscetibilidade diante de problemas como ataques do coração. Se a mulher em geral tem um bom nível de saúde, a atividade sexual poderá se manter ate a idade avançada, isto é, além dos 80 anos.

Mas segundo López e Olazábal (1998), cerca de 50% das mulheres apresentam um declínio da sexualidade após a menopausa. Os autores mencionam que há 25% de mulheres com quem acontece o contrário, isto é, melhoram a atividade sexual. De todo modo, a sexualidade após a menopausa está muito vinculada com a qualidade de vida sexual anterior à menopausa. A viuvez também pode ser a causa de uma abstinência sexual na idade madura.

Com a perda do ente querido, que é o caso da idosa em questão, ela com muito humor demostrando estar satisfeita em sua situação alega está aposentada, de férias eternas. Com efeito, no presente estudo tivemos sempre em consideração que a atividade sexual do idoso  depende de diversos fatores: físicos, biológicos, psicológicos, sócio econômicos e do contexto sócio cultural em que  o idoso se insere levando em conta a inexistência de um  parceiro estável. A nossa entrevistada referiu não ter desejo sexual atualmente nos seus 83 anos. Concluímos que a velhice, a morte do parceiro são situações que influenciam na vida sexual da mulher idosa.

5.4.1 Climatério e menopausa

De acordo com Coll et al. (2004), os ovários perdem, aos poucos, a capacidade funcional, e os níveis de estrogênio no sangue começa a reduzir. Por isso, entre os 40 e 45 anos de idade aparecem os ciclos sem ovulação. É a etapa chamada de climatério que incluem mudanças que acontecem antes, durante e apos a menopausa. Em média, o fim da menstruação ou menopausa acontece entre os 48 e os 50 anos, muito embora o critério clínico geral seja esperar um ano completo sem menstruação para falar um fim definitivo dos ciclos menstruais.

Há sintomas característicos que acompanham os processos de menopausa como o sufoco, calor e transpiração abundante que afetam 80% das mulheres nesse período. Também nesse caso, há grandes variações entre mulheres, ou seja, enquanto umas apresentam queixas por frequente sensação de sufoco, outras manifestam sentir esse sintoma de maneira mais ocasional, em algumas duram segundos e em outros minutos; há os que sentem esse mal-estar durante meses, enquanto outras têm que suportar isso anos a fio. A entrevistada relatou ter tido calores normais sem muito sofrimento, sua menopausa começou aos 45 anos de idade terminando aos 60 anos de idade.

5.4.2 Vida conjugal e vida familiar

Seu estado civil e viúva e reside sozinha em seu imóvel, tendo a companhia de seus empregados durante o dia e a noite tem a companhia de uma acompanhante para dormir, relaciona-se muito bem com eles e com toda a sua família.

Segundo Coll  et al. ( 2004), a perda do conjugue consiste não somente na perda do papel de marido ou de esposa, mas também no desempenho do que poderíamos chamar de um novo papel social: o de viúvo ou viúva. Para a sociedade e para eles próprios, as pessoas viúvas começam a ser vistas como indivíduos em solidão; por sua parte; por sua parte, essas pessoas começam a se relacionar mais com pessoas que também estão viúvas ou solteiras, relacionando menos com outros casais. A idosa entrevistada relatou ter sofrido muito com a dor do luto más alega não ter ficado anos em sofrimento teve seu período considerado por ela normal, diz ter tido uma adaptação muito tranquila, lembra o apoio e muito carinho que teve dos filhos e familiares considerando uma idosa sortuda e feliz. Os filhos e os irmãos também são figuras centrais de apoio nessa situação, embora, devido às possíveis relações de dependência que podem ser estabelecidas e a falta de reciprocidade, não cubram todas as necessidades afetivas e sociais da pessoa viúva.

Os idosos se adaptam com maior facilidade à viuvez do que os jovens; as mulheres se adaptam melhor do que os homens, entre outras coisas. Porque a viuvez supõe para eles realizar uma maior quantidade de ajustes na vida cotidiana. A viuvez pode ser bem enfrentada se a pessoa começar a desenvolver em seguida um novo sentido de identidade e de autosuficiência  econômica e social predizem uma boa adaptação a essa nova situação. Também parecem se adaptar melhor as pessoas que se mantem ocupadas em atividades laborais ou sociais, entre outras coisas, porque essa ocupação e relações contribuem para o desenvolvimento das redes de apoio que facilitam à adaptação a viuvez.

No caso de nossa idosa o que pode também ter facilitado na sua adaptação foi seu grande prazer pela leitura, pois ela se dedica 5 horas ou mais de leituras diárias afirmando ser um hobby que começou aos seus 7 anos de idade. Afirmando ser um dos maiores prazeres da sua vida. A adaptação se faz necessária sempre diante de situações novas; e torna mais decisiva quanto mais novidade houver ao seu redor. Hoje em dia, existe não somente o desprezo e a solidão sentimental, mas também mais mudanças nos amores de uma pessoa e mais vidas solitárias quando perguntada a ela sobre o amor ela responde categoricamente não está vendo amor e sim muito tesão, principalmente hoje em dia que poucos casamentos dão certos durando apenas enquanto se tem tesão.

Existem adultos que se adaptam às novas circunstancias e que enfrentam as adversidades, os conflitos e os problemas de maneira positiva e construtiva são pessoas competentes, bem integradas, que gozam da vida e estabelecem relações acolhedoras e afetuosas, conscientes de suas conquistas, de seus fracassos e projetos, com uma atitude vital ativa, otimista, voltada para o presente futuro, com autonomia e auto estima alta, capazes de desfrutar não somente o sexo e do ócio, mas também do trabalho mesmo que não remunerado.

5.5 Habilidades

5.5.1 Habilidades cognitivas

A idosa diz ter habilidades para quase tudo, pois já fez tricô, bordados, já trabalhou com argila, mas não gosta de praticar priorizando suas leituras diárias.  Confirmando assim que as pessoas idosas conservam boas capacidades de aprendizagem, principalmente quando são dadas as condições de motivação e atitudes adequadas (COLL et al. 2004, p. 398).

Nossa análise tem um de seus principais suportes na perspectiva do processamento da informação, de acordo com o qual o ser humano capta a informação do ambiente de forma semelhante ao computador que recebe e trabalha com a informação.

Os processos básicos da cognição, como o reconhecimento, a exploração do ambiente, a integração de diversos sentidos. O conhecimento que é acumulado ao longo do tempo corresponde à base de dados do computador e às estratégias que utiliza para obter informações, elementos conhecidos como software do computador.

Coll et al. (2004) traz que a maioria dos pesquisadores está de acordo em que, no geral, o processo de envelhecimento é acompanhado por um declínio cognitivo, o declínio de habilidade para processar as informações  foi reiteradamente encontrado em atividades relacionadas com a atenção, a aprendizagem e a memória. O mais provável é que a maior parte dos processos de declínio com a idade possa ser atribuída a alguma combinação das suas explicações. Além disso, os dados sobre o declínio intelectual detectado em pessoas mais velhas dependem, muitas vezes, de questões puramente metodológicas e não necessariamente provoca, na maioria dos casos, uma limitação importante no estilo de vida das pessoas idosas.

Nossa capacidade para lidar e para interagir adequadamente com o ambiente vai depender, em grande medida, de nossa habilidade para detectar, para interpretar e para responder, de maneira apropriada, à informação que chega ate os nossos sentidos. A idosa declara ter uma boa percepção, de acordo com ela consegue captar bem as pessoas e seus temperamentos e se sente com as faculdades mentais muito boas, tem muita capacidade de memorização.

5.5.2 Vida social, sócio/econômica e cultural

A mesma relata ter uma vida social ativa e sempre que convidada participa de festas e eventos com familiares e amigos. E de acordo com Coll et al. (2004) a maioria dos estudos indica que as pessoas mais velhas preferem viver perto dos filhos, mas não com eles, desejando manter sua independência tanto tempo quanto for possível. Coll et al. (2004) relata que as razões que frequentemente são alegadas para justificar essa atitude são o desejo de manter sua independência e privacidade e para evitar a interferência e o potencial conflito com seus filhos. Por outro lado, o bem-estar econômico das pessoas mais velhas, pois as pensões e a melhora na qualidade de vida aumentam o número de pessoas mais velhas que vivem de forma independente, reduzindo, consequentemente, a quantidade de idosos que vivem com seus familiares.

A entrevistada demostra sua alegria ao falar sobre dinheiro, deixando claro que o dinheiro lhe trás muitas alegrias e por estar economicamente tranquila conclui que no geral sente mais alegrias. Ressaltando que gente chata lhe aborrece preferindo ficar mais sozinha. A idosa sente muita satisfação em morar sozinha e de seus filhos respeitar seu espaço. Ao perguntar se existe a possibilidade do desejo de participar mais da vida dos filhos, ela responde de forma rápida e segura que quer sossego, e pergunta: quem quer tudo despencando em cima de você? Ela mesma responde: ninguém quer isso não.

Diz não se sentir útil porque os filhos não compartilham seus problemas, mas deixa claro que é exatamente assim que ela gosta.

Declara ter uma situação sócia econômica tranquila, mas não se considera rica.

Apesar de gostar muito de cinema, prefere ver seus filmes preferidos em casa, mas sempre que viaja não perde a oportunidade de conhecer novos teatros, exposições, concertos e óperas. Ao ser perguntada sobre viagens, encontros, etc. Ela reponde: Já viajei muito,  hoje em dia pouco vou a Argentina, Brasília, São Paulo, mas não gosto muito de viajar não, fico muito cansada. Mas ainda sim não deixa de participar de atividades culturais e artísticas.

Coll et al. (2004) traz que as relações sociais  afetam todos os âmbitos da vida das pessoas mais velhas, contribuindo para o desenvolvimento de hábitos sociais e para configuração de sua personalidade, pois têm de desenvolver novos hábitos para enfrentar as circunstancias sociais nas quais se movem. Além disso, as relações sociais estimulam a mente e o pensamento, tendo múltiplos efeitos benéficos sobre a saúde e bem-estar. No entanto, as relações sociais são somente uma parte desse bem-estar, como ocorre, por exemplo, com fatores físicos e biológicos. A fala do autor vem de encontro com a saúde emocional da idosa que alega lidar muito bem com suas emoções. A mesma diz não ser sentimental e se sente mais racional e rainha do equilíbrio.

 5.5.3 Amigos e relações sociais

Alega ter vários amigos, mas apenas uma amiga íntima. Apesar de ter muitos amigos ela diz não gostar muito de se relacionar preservando sua intimidade. Segundo Coll et al. (2004)  as relações sociais fora do contexto familiar podem chegar a ser tão importante para a pessoa mais velha como as próprias relações familiares , a tal ponto, em que alguns casos e aspectos, podem substitui-las ( princípio de substituição). Em todo caso, tanto as relações familiares como as não familiares são básicas para a socialização e o desenvolvimento das pessoas mais velhas (VEGA, 1992, p. 435).

Um importante tipo de relação de relação interpessoal é constituído pela amizade. A maioria das pessoas com mais de 60 anos mantém as mesmas amizades desde muitos anos, mas essa etapa da vida também é propícia para a formação de novas amizades, como o demonstra que quase a metade das pessoas com mais de 85 anos fizeram novos amigos. A maioria dos amigos das pessoas mais velhas é muito parecida com eles em idade, status, valores e interesses. Além de proporcionar informações e entretenimento, os amigos proporcionam sentimentos de pertinência, de significado e de status social. A sensação de ter o controle sobre o que e quantos amigos ter seja agora mais importante do que em outras etapas da vida.

As amizades nutrem as redes sociais e aumentam a possibilidade de obter apoio emocional quando necessário. Diante de acontecimentos como a viuvez ou troca de residência, a amizade pode ser o melhor meio para a socialização das pessoas mais velhas.

5.5.4 Saúde psicológica

Alega estar muito satisfeita com sua vida e que já passou por várias dificuldades por ser uma pessoa reativa (agressiva). Diante do quadro de agressividade foi necessário uma intervenção terapêutica por 12 anos. Atualmente não sofre mais desse mal.

5.5.5 Aborrecimento

Hoje já não se aborrece com tanta frequência.

5.5.6 Vida e energia

Ela diz que seu corpo nem sempre consegue reagir a sua mente, mas diz ter boa aceitação dos fatos. Diz se sentir esperançosa com relação à vida, de acordo com a mesma envelhecer é uma das grandes coisas da vida humana. Diz não temer a morte e sim o desconhecido, o após a morte.

Para Coll et al. (2004) na tradição de Freud, que apresentou a saúde mental como capacidade de trabalho e gozo, de amor gozoso e satisfatório. Fromm (1947) concretiza essa saúde e maturidade humana na capacidade de amar, com um amor capaz de suscitar reciprocidade e de trabalhar uma forma de agir de uma forma bem produtiva, criativa. Tudo isso, supõe-se, vai acompanhado de um tom efetivo de “se sentir bem”, de desfrutar a vida e, também, quando chegar a hora, desfrutar a velhice.

À medida que os anos avançam, e se chega à idade adulta tardia, acrescenta-se e se desejável que se acrescentem outros elementos: a serenidade ou, ao menos, o desejo e a busca dela, a tranquilidade, o progressivo sentimento de liberdade ou libertação em relação a perturbações menores e a convenções e limitações sociais, o senso de humor e de ironia, o reconhecimento das contradições e limitações da vida, a aceitação. Na idade adulta tardia e contrapartida, quanto maior parte desse tempo fica para trás, já no passado, tal sentimento e tal consciência da própria identidade são acompanhados por um projeto de vida, de memória, que pega a vida inteira e tenta lhe dar sentido.

Conforme a idade avança, vai se tornando predominante a relação com o tempo pretérito, com um olhar anamnese aceitadora da vida. A idosa de 83 anos afirma que nessa idade não tem muitos planos, e quando os tem, são planos curtinhos porque a vida de acordo com ela está curta, feliz ela está em pensar que pode viver mais 7 anos de vida e com esse prazo não compensa fazer planos numéricos de como ela fazia quando era nova e finaliza; envelhecer é uma das melhores coisas que tem na vida. “O ruim é só morrer”.

5.5.7 Enfrentamento das dificuldades

Lida muito bem com as dificuldades de acordo com ela, não tendo problemas com o enfrentamento das mesmas e que nem sempre tem o apoio familiar.

5.5.8 Religião

Não se identifica com nenhuma religião, portanto não é praticante de nenhuma, mas se considera uma pessoa de muita fé em Deus.Se sente uma pessoa altamente espiritualizada.

5.5.9 O que significa felicidade para você

É estar feliz cosigo mesmo, a felicidade está dentro da gente.

6. Laudo da Aplicação do Mini Teste de Exame Mental

No dia 21 de novembro de 2013, foi realizado o Mini-Exame do Estado Mental com a senhora Neuri Blázzio Pires Rocha, do sexo feminino, 83 anos, 68 quilos, medindo 1.70 de altura, alfabetizada, viúva a 7 anos, apresentou-se com vestimentas adequadas para o clima, a mesma tinha boa aparência e higiene,  bom equilíbrio ao deambular, boa velocidade motora e deambula em linha reta. Mostrou-se cooperativa, interava-se durante a entrevista, mostrando-se bem receptiva. O exame é composto por um escore total de 30 pontos, sendo que a mesma obteve 30 pontos totais, comprovando assim que a idade cronológica por si só, não diz o que a pessoa é, pois a idade é uma variável vazia.

Os exames foram divididos em: orientação temporal 5 pontos, orientação espacial 5 pontos, memória imediata 3 pontos, atenção e cálculo 5 pontos, memória de evocação 3 pontos e linguagem 9 pontos.

  • Orientação temporal e orientação espacial: Orientada em tempo e espaço, a mesma soube informar o dia do mês, o mês, ano, dia da semana, hora, local específico, bairro, cidade e estado. Total de pontos obtidos: 10
  • Memória imediata: A mesma apresenta ter a memória preservada, foi lhe ofertado três palavras no qual foi repetido conforme a instrução dada à mesma, palavras estas vaso, carro e tijolo. Total de pontos obtidos: 3
  •  Atenção e Cálculo: Foi orientada a subtrair de 7 em 7 começando de 100 até completar 5 subtrações, as resposta foram 93, 86, 79, 72 e 65. Demonstrando estar com a atenção e cálculo preservados. Total de pontos obtidos: 5
  • Memória de evocação: Depois do teste de atenção e cálculo foi lhe perguntado se a senhora ainda se recordava das três palavras que lhe foi ofertada no teste de memória imediata, a resposta foi vaso, carro e tijolo. Mostrando estar com a memória de evocação preservada. Total de pontos obtidos: 3
  • Linguagem: Foram-lhe mostrados dois objetos, um relógio e uma caneta, afim de que a mesma os reconhecessem. Ao visualizar os objetos a senhora disse que se tratava de um relógio e uma caneta, identificando os mesmo. Pedimos para que ela repetisse a frase “Nem aqui, nem ali, nem lá”, a repetição das palavras foi imediata e correta. Logo após colocamos uma folha de ofício na sua frente e pedimos para que a mesma pegasse a folha com a mão direita, dobrasse ao meio e que colocasse a folha no chão. Após lhe dar as instruções, a mesma a realizou de maneira satisfatório, condizendo com o que lhe foi proposto. Em seguida mostramos uma folha com uma frase e pedimos para ler e executar, com os seguintes dizeres: Feche os olhos. Em alguns segundos observamos que seus olhos se fecharam, obtendo sucesso em mais um teste. E por ultimo lhe mostramos uma folha no qual continha o seguinte desenho de um pentágono e solicitamos que a mesma o desenhasse. Ao realizar o desenho a mesma não apresentou nenhuma dificuldade em reproduzi-lo. Total de pontos obtidos: 9                                                                                                                                                                                                                                                     

7. Conclusão

A realização deste trabalho trouxe benefícios para o nosso aperfeiçoamento pessoal e profissional, pois nos esclarece a importância das competências emocionais que se se traduzem em resiliência psicológica, o que significa a capacidade de adaptar-se mediante recursos e realizações pessoais em interação com os sociais.

Vários aspectos foram destacados, sendo eles, as mudanças biológicas e cognitivas que ocorrem com o envelhecimento do indivíduo. As mudanças biológicas que ocorrem com o aparecimento das doenças como, trompas colabadas (coladas) e arritmia. Já as mudanças cognitivas não foram notadas dificuldades relevantes.

A resiliência é algo presente, visto que a idosa tem como incentivo a leitura diária, a entrevista demostrou muita disposição, alegria em viver. Acredita ter uma idade psicológica de 30 anos o que facilita lidar com as mudanças ocorridas pelo tempo. Idosos mais resilientes tendem a serem mais felizes, a terem m ais gosto pela vida e mais esperanças.

O envelhecer acontece junto com a idade cronológica, mas não o coincide com ela, nem varia em conexão mecânica com ela. Uma pessoa de “idade” não é a mesma que uma pessoa “envelhecida”. O sujeito que envelhece tem, além de sua idade cronológica, várias idades funcionais que correspondem ao estado e ao funcionamento de seus diversos (sub) sistemas biológicos e psicológicos (COLL, 2004, p. 417).

Destaca-se nesta entrevista sua autonomia, saúde e sua alegria e prazer pela vida. Nos seus relatos deixa evidente a satisfação  de sua independência financeira, ela se sente muito orgulhosa por estar nessa idade com tanto vigor. A auto estima desta idosa está diretamente relacionado á sua realização pessoal que demonstra um envelhecer um envelhecer tranquilo e prazeroso para si.

Este trabalho veio mostrar, na entrevista do tipo anamnese e aplicação do Mini Teste do Estado Mental, uma interação entre a teoria apresenta em sala aula e a observação dos relatos da idosa entrevistada.

Com isso concluímos que para se ter  um bom envelhecimento é necessário manter o bom desempenho cognitivo a mente estimulada. Acreditamos que idosos mais resilientes tendem a serem mais felizes, a terem mais gosto pela vida e mais esperanças.

Sobre os Autores:

Simone Amorim - acadêmica do 3º período do curso de psicologia- Faculdade -Fasi Funorte - Montes Claros MG.

Éris Sena - acadêmica do 3º período do curso de psicologia- Faculdade -Fasi Funorte- Montes Claros MG.

Referências:

COLL, César, MARCHESI, Álvaro e PALACIOS, Jésus. Desenvolvimento Psicológico e Educação, vol.1. Porto Alegre: Artmed, 2009.

Fromm, E. (1947) Man for himself. Nueva York: Rinehart (Ed. cast.: Ética y psicoanálisis. México: Fondo de Cultura Económica, 1957).

López, fy Olazábal, J. C. (1998). Sexualidad em la vejez. Madrid: Pirámide.

Vega, J. L. (1992). El cuidador y las relaciones entre generaciones En Diputación Provincial de Jaen (Ed.), Gerontología social: perspectivas teóricas y de intervención (p. 81-100). Jaén: Diputación Provincial.

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