Desenvolvimento Humano: Influências do Socioconstrutivismo e do Construtivismo

Desenvolvimento Humano: Influências do Socioconstrutivismo e do Construtivismo
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Resumo: O presente trabalho tem por objetivo fazer um comparativo entre as teorias de Vygotsky e Piaget, demonstrando a partir de um estudo de caso como estas atividades mediam o conhecimento de um indivíduo. Piaget é um dos grandes nomes da psicologia do desenvolvimento, sua contribuição para compreensão do desenvolvimento intelectual da criança é muito valorizada, sua ideia central tem como alicerce os níveis de socialização por estágios partindo do nível zero (nascimento) até a formação da personalidade (12 anos adiante). Outro autor importante é Vygotsky, tendo como guia de sua teoria o processo de interação, mediação e sistemas simbólicos, ou seja, para ele o indivíduo desenvolve suas faculdades cognitivas a partir das interações sociais. Foram observados 5 aspectos nesta criança em relação ao referencial teórico, assim sendo, a associação entre teoria e prática foi sistematizada, permitindo com que o resultado transcorresse lúcido. Dentre os 5 aspectos, citamos 3. 1-Relações de coação e cooperação em X.A. 2 Para Vygotsky, o mais importante do que um indivíduo agir sobre o meio, é ele interagir no meio social, em suma, o sujeito adquire conhecimento através das interações. X. A interagiu no ambiente? 3-  Relação entre menino e meninas. Evidenciou-se que a vertente Piagetiana e Vygotskyana ainda exerce influência na unidade educacional, pois os dinamismos teóricos analisados se encaixaram com processos reais da vida da criança analisada. As propostas desenvolvidas por Piaget e Vigotski, apesar de possuir diferenças básicas, se complementam.

Palavras-chave: Desenvolvimento humano, cognitivo, indivíduo, Vygotsky, Piaget.

1. Considerações Iniciais

Desde a concepção, o ser humano tem um processo de transformação que continuará até o fim da vida. Uma única célula se desenvolve até se tornar um ser vivo, que respira, anda e fala. E embora essa célula única vá se tornar uma pessoa com características únicas, as transformações que as pessoas experimentam durante a vida apresentam certos padrões em comum. Os bebês crescem e se tornam crianças, que crescem e se tornam adultos (PAPALIA, FELDMAN, 2013).

Portanto, para a verificação deste processo de desenvolvimento, o presente trabalho tem por objetivo fazer um comparativo entre as teorias de Vigotski e Piaget, demonstrando a partir de um estudo de caso como estas atividades mediam o conhecimento de um indivíduo. Piaget, é um dos grandes nomes da psicologia do desenvolvimento e sua contribuição para compreensão do desenvolvimento intelectual da criança é muito valorizada, sua ideia central tem como alicerce os níveis de socialização por estágios partindo do nível zero (nascimento) até a formação da personalidade (12 anos adiante). Outro autor que norteia este trabalho é Vygotsky, tendo como guia de sua teoria o processo de interação, mediação e sistemas simbólicos, ou seja, o indivíduo desenvolve suas faculdades cognitivas a partir das interações sociais, a linguagem segundo Vygotsky é o sistema simbólico fundamental no processo de aquisição cognitiva.

Foi usado a observação, com método qualitativo, pois caracteriza-se pela interpretação dos dados coletados permitindo um estudo profundo da realidade. Para Mayring (2002), ele aborda alguns aspectos da pesquisa qualitativa que são, características gerais, coleta de dados, objeto de estudo, interpretação dos resultados e generalização. Ainda o autor citado acima menciona que, a ênfase é na totalidade do indivíduo como objeto de estudo é essencial para a pesquisa qualitativa, que é o princípio da Gestalt. Além do mais, a concepção do objeto de estudo qualitativo sempre é vista na sua historicidade, no que diz respeito ao processo de desenvolvimento do indivíduo e no contexto dentro do qual o indivíduo se formou (GÜNTHER, 2006).

Os estudos de importantes teóricos no desenvolvimento da criança visa o aperfeiçoamento crítico e construtivo essencial. Para tanto, esse estudo compreende o desenvolvimento natural de uma criança de nove anos de idade.

O Sócio-Construtivismo é uma teoria que vem se desenvolvendo, com base nos estudos de Vygotsky e seus seguidores, sobre o efeito da interação social, da linguagem e da cultura na origem e na evolução do psiquismo humano (BOIKO, ZAMBERLAN, 2001). Segundo CARRETERO (1997), construtivismo:

"é a idéia que sustenta que o indivíduo - tanto nos aspectos cognitivos quanto sociais do comportamento como nos afetivos - não é um mero produto do ambiente nem um simples resultado de suas disposições internas, mas, sim, uma construção própria que vai se produzindo, dia a dia, como resultado da interação entre esses dois fatores. Em consequência, segundo a posição construtivista, o conhecimento não é uma cópia da realidade, mas, sim, uma construção do ser humano".

2. Desenvolvimento

2.1 Referencial Teórico

O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento orgânico. O desenvolvimento mental é uma construção contínua, que se caracteriza pelo aparecimento gradativo de estruturas mentais (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2002).

Até meados do século XX, embora diferentes áreas do saber estabelecessem parâmetros e critérios para estudar o desenvolvimento humano, não havia uma ligação entre estes saberes, resultando em pesquisas opostas e contraditórias (VAN, 2003).

Se, por um lado, as abordagens do desenvolvimento, protagonizadas pela filosofia, afirmavam ser o desenvolvimento uma ilusão; por outro, os processos de mudança na linha do tempo eram objeto de estudo das ciências naturais, que os viam como algo real e natural, decorrentes dos processos evolutivos da espécie humana (SIFUENTES; DESSEN; OLIVEIRA, 2007).

Segundo Rabello e Passos (s,d.) “a noção de desenvolvimento está atrelada a um contínuo de evolução, em que nós caminharíamos ao longo de todo o ciclo vital”. Essa evolução, nem sempre linear, se dá em diversos campos da vida humana, tais como afetivo, cognitivo, social e motor. Este caminhar contínuo não é determinado apenas por processos de maturação biológicos ou genéticos. O meio se destaca como fator de máxima importância no desenvolvimento humano. Os seres humanos nascem mergulhados em cultura, e é claro que esta será uma das principais influências no desenvolvimento. Pela interação social, aprendemos e nos desenvolvemos, criamos novas formas de agir no mundo, ampliando nossas ferramentas de atuação neste contexto cultural complexo que nos recebeu, durante todo o ciclo vital.

O aspecto direcional da evolução significa que há um princípio predeterminado o desdobrar de uma sequência fixa de estruturas e que esse princípio é a perfeição. Portanto, incorpora-se na direcionalidade evolutiva a metáfora do crescimento para a perfeição, que é vista como maturidade (ABIB, 2001).

Os primeiros psicólogos, dentre eles Wundt e James, eram fascinados por perguntas sobre a mente humana. Watson rejeitou está matéria porque dependia da introspecção. Os psicólogos que seguiam Watson tratavam as pessoas como se elas fossem “caixas-pretas”. Eles tentavam entender os humanos meramente pela mediação de condições ambientais, ou estímulos, pelas respostas dadas por eles (Davidoff, 2001). De 1930 até inicio de 1960, os psicólogos mais respeitados conversavam pouco e cautelosamente sobre atividades mentais ou cognição. A vitória do behaviorista sobre a cognição não era, porém, absoluta (HILGARD,1980).

Alguns continuaram a pensar sobre a mente humana, mas não havia nenhum símbolo forte a seguir, e aos não conformistas careciam a visão. Levou anos para que grande número de psicólogos visse que podiam estudar tópicos como formação de imagem e resolução de problemas de forma ordenada e científica. Na década de 1970, grande número de psicólogos rejeitou o modelo estimulo-resposta dos behavioristas, insistindo que os psicólogos deviam entender o que ocorria dentro da caixa-preta, particularmente as operações da mente. Esses novos psicólogos da mente, conhecidos como “Psicologos Cognitivistas” não rejeitavam o behaviorista inteiramente. Eles incorporaram o princípio-chave behaviorista: fazer perguntas precisas e conduzir pesquisas objetivas. Ao passo em que eles sentiram-se livres para basear-se em suas próprias introspecções e nos comentários dos participantes de pesquisas sobre o que ocorria na mente deles (DAVIDOFF, 2001.).

O cognitivismo existe há cerca de vinte anos, e os principais fatores que contribuíram para sua formação foram:  o reconhecimento da esterilidade do behaviorismo, o aparecimento da Inteligência Artiftcial (que por sua vez deve sua existência à invenção dos modernos computadores eletrônicos) e a introdução das revolucionárias idéias de Chomsky em Lingüística. A história do nascimento do cognitivismo começa na década de 40, as necessidades bélicas promovem a construção dos primeiros computadores eletrônicos, na década seguinte eles são aperfeiçoados, datando de 1956 o primeiro computador a transistor, desenvolvido também para fins militares. Este processo de aperfeiçoamento continua naturalmente se repetindo até os dias de hoje. A 3ª geração de computadores, caracterizada pela utilização de circuitos integrados de silício como elementos básicos (em vez de válvulas, como os da 1ª geração, ou transistores, como os da 2ª), surge por volta de 1965, e a 4ª lá por volta de 1972. Atualmente, japoneses e americanos, principalmente, trabalham no desenvolvimento da 5ª geração de computadores (OLIVEIRA, 1990).

No desenvolvimento humano podemos mencionar alguns processos psicológicos como a atenção que é um feixe de luz. Segundo Myers (2012, p.68) “Por meio da atenção seletiva, sua atenção consciente focaliza, como um feixe de luz, apenas um aspecto muito limitado de tudo aquilo que você vivencia”. A focalização, a concentração da consciência, fazem parte da sua essência. Já a memória é como “a aprendizagem que persiste através do tempo, informações que foram armazenadas e que podem ser recuperadas” Myers (2012, p.249). A percepção é como o processo pelo qual selecionamos, organizamos e interpretamos estímulos, traduzindo-os em uma imagem significativa e coerente. “

Na essência, a percepção é a forma como olhamos o mundo que nos rodeia e como reconhecemos que precisamos de ajuda na tomada de uma decisão de compra” (ENDO; ROQUE, 2017).

A abordagem cognitiva é provavelmente o modelo predominante na psicologia contemporânea, e as tópicas cognitivas ocupam lugares de destaque em muitas áreas.  Uma das concepções do desenvolvimento humano é o estruturalismo, que diz que uma construção vai além dos conteúdos da interação, constrói-se a capacidade de pensar, organizar, conhecer. Ou seja, as próprias estruturas mentais, vão, durante o processo de construção de conhecimentos, tornando-se complexas, cada vez mais. Outra ideia difundida é o genético que está associado à ideia de gênese, evolução. Entre uma estrutura (ponto de partida) e outra mais complexa (ponto de chegada) temos um processo de construção. A construção de uma nova estrutura se dá, necessariamente, pela conservação e superação da estrutura anterior (Davidoff, 2001).  

Piaget, é um dos grandes nomes da psicologia do desenvolvimento atual, sua contribuição para compreensão do desenvolvimento intelectual da criança é muito valorizada na Europa e nas Américas (BIAGGIO, 1988).

O conceito central da teoria do desenvolvimento segundo Piaget, partiu de sua observação e afirmação em dizer que um indivíduo normal não é social da mesma maneira aos seis meses de idade em relação ao de vinte anos de idade, e por consequência sua individualidade não pode ser da mesma qualidade nesses dois diferentes níveis. Segundo LA TAILLE; OLIVEIRA; DANTAS (1992). Piaget definiu vários níveis de socialização, “partindo do grau zero” (recém-nascido) para um nível máximo representado pelo conceito de personalidade.

Conforme explica Rappaport (1981):

O primeiro nível socialização é o período sensório-motor (0 a 2 anos). Este é o período que vai do nascimento até a aquisição da linguagem. Apresenta o começo do curso da evolução psíquica. O recém-nascido traz tudo para si, ou mais precisamente para o seu corpo. Neste período a vida mental reduz-se ao exercício de aparelhos reflexos. Em seguida, esses reflexos conduzem a discriminação ou reconhecimentos práticos fáceis de serem notados. Até que a criança é capaz de desviar quando algo bloqueia o seu caminho. É capaz de ser rápida e se deslocar, por exemplo entre pontos (RAPPAPORT,1981).

O próximo nível segundo Piaget é o pré-operacional (2 a 7 anos), neste período acontece o aparecimento da linguagem (a troca e a comunicação entre os indivíduos). Primeiramente os movimentos visíveis do corpo, sobretudo as mãos, é o período da fantasia, do faz de conta, do jogo simbólico. Dos 7 aos 12 anos o nível operatório concreto, observa-se o aparecimento de formas de organizações novas. Quando é visitado um colégio, por exemplo, fica-se surpreso com a diferença entre os meios escolares superiores a sete anos e as classes inferiores. Nos pequenos, as crianças falam, porém não sabemos se elas se escutam. Acontece onde várias se dedicam ao mesmo trabalho, mas não sabemos se realmente existe ajuda mútua. Já nos maiores é nítida a concentração individual e a, colaboração afetiva quando há vida comum. Por fim, o período da adolescência que inicia dos 12 anos em diante, aqui o pensamento formal torna-se possível, ou seja, é capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses. Em geral o adolescente pretende inserir-se na sociedade dos adultos. E essa adaptação à sociedade se fará automaticamente (TERRA, s.d).

Jean Piaget pesquisou, segundo observações sistemáticas, a maneira como a criança elabora o processo do conhecimento para construir a sua inteligência. Para o pesquisador, como mecanismo de adaptação do indivíduo a uma situação não esperada, a inteligência implica o desenvolvimento contínuo de estruturas que viabilizem a adaptação do organismo ao meio. Daí a capacidade das pessoas em desenvolverem o seu intelecto pelos estímulos oferecidos pelo ambiente. São quatro fatores responsáveis pelo desenvolvimento cognitivo da criança na teoria piagetiana. O fator biológico, que está relacionado ao crescimento orgânico e maturação do sistema nervoso. O individuo só aprende se estiver maduro, pois conseguirá receber a informação. Os exercícios e as experiências adquiridos na ação da criança sobre os objetos, as interações sociais que ocorrem por meio da linguagem e da educação e o fator de equilibração das ações que estimula a criança a encontrar respostas para novos problemas (LAKOMY, 2008).

Quando a criança interage com mundo ao seu redor, ela começa a atuar e modificar a realidade que a envolve continuamente. Para a criança atuar ela precisa de um esquema, por meio de um esquema ela interpreta e organiza sua ação para que esta possa ser colocada em prática. A criança mobiliza seus esquemas de ações que já existem e com isso modifica para poder resolver a questão colocada. Ela desenvolve sua inteligência por meio de um intercâmbio com o meio repetidamente, que envolve um processo de equilibração que precisa da assimilação e acomodação (LAKOMY, 2008).

Portanto, o indivíduo coagido tem pouca participação na construção, divulgação e conservação de ideias. Uma vez aceito este argumento o coagido tornasse um simples repetidor de informação. A coação é um nível baixo de socialização, pois não há um verdadeiro diálogo, porque apenas uma fala e outro memoriza. É claro, a coação representa uma relação dominante em crianças, dada a importância da relação pai e filho, é, portanto, uma fase obrigatória na vida, todavia é apenas uma fase, e o indivíduo precisa ter uma relação de cooperação para poder se desenvolver (LA TAILLE, OLIVEIRA, DANTAS, 1992).

A relação de cooperação indica coordenação de duas ou mais operações, assim sendo, não existe mais imposição, repetição, crenças, etc. Há discussão, trocas de ponto de vista, controle recíproco entre ideias e provas. É, portanto, o mais alto nível de socialização, que permite o desenvolvimento do indivíduo. Segundo Piaget, as relações de cooperação têm início nas crianças, por isso defende o trabalho em grupo, pois nesta relação não existe uma hierarquia, como uma pessoa de prestígio e autoridade, são crianças que se veem igual, a criança vê no adulto confiança, entre elas vai ser mais exigente (LA TAILLE, OLIVEIRA, DANTAS, 1992).

Outro autor renomado no assunto é o psicólogo professor e judeu russo, Vygotsky que fundou a psicologia histórico-cultural, também conhecida como psicologia interativista sociocultural ou psicologia sócio interacionista.

O desenvolvimento humano na concepção de Vygotsky para a internalização das funções cognitivas, tem como ideia central o aspecto de mediação, ou seja, o homem não tem acesso direto ao objeto de conhecimento, mas acesso mediado (RIPPER, 1993). Vygotsky afirma que a cultura integra o homem a partir de atividades cerebrais estimulada pela interação de parceiros sociais, mediada por sistemas simbólicos. A linguagem humana é o sistema fundamental na mediação entre sujeito e objeto de conhecimento, sua teoria busca avaliar os processos mentais responsáveis pela compreensão do mundo. Para Vygotsky, o mais importante do que um indivíduo agir sobre o meio, é ele interagir no meio social, em suma, o sujeito adquire conhecimento através das interações. As características do individual de um sujeito estão ligadas pela troca de saberes do coletivo. É justamente no ambiente social onde há uma troca de sentidos de valores, de concepções onde o indivíduo constrói e internaliza o conhecimento, e tudo isso ocorre por meio da linguagem, da escrita, dos símbolos escolhidos, isto é, a interação do sujeito com a cultura resultando numa valiosa troca de saberes (LA TAILLE; OLIVEIRA; DANTAS, 1992).

Além disso, nas características de mediação, é importante entender três palavras que descrevem bem este processo: a zona real; a zona potencial e a zona proximal. A zona real é tudo aquilo que o sujeito sabe e consegue realizar de maneira independente, para Vygotsky é importante avaliar a criança não pelo o que ela aprendeu, mas sim, por aquilo que ela está aprendendo, assim, a zona potencial é o conhecimento que o indivíduo ainda não possui, porém quer adquirir, e é a zona proximal, ou seja “a ponte” entre o conhecimento real e potencial, região na qual os símbolos, principalmente a linguagem a partir das interações se faz presente realizando a mediação da troca de saberes entre o indivíduo e o coletivo ocorrendo o desenvolvimento cognitivo ( LA TAILLE; OLIVEIRA; DANTAS, 1992).

2.2 Metodologia

Para o presente trabalho, os acadêmicos do Curso de Psicologia da Faculdade IDEAU Campus Passo Fundo, realizaram uma pesquisa bibliográfica com a finalidade de compreender e debater os conceitos de desenvolvimento humano e as teorias de Vygotsky e Piaget.

A realização da observação aconteceu no ambiente familiar e na escola Senador Pasqualini onde atende alunos da rede municipal, na cidade de Passo Fundo, com uma criança natural de nove anos de idade. A observação aconteceu durante a aula onde a professora ensinava os alunos, e também foi observada a criança na hora do lanche.

Utilizou-se a abordagem qualitativa de pesquisa neste trabalho, pois caracteriza-se pela possibilidade de interpretação dos dados coletados permitindo um estudo profundo da realidade. Abordando, características gerais, coleta de dados, objeto de estudo, interpretação dos resultados e generalização (MAYRING, 2002).

2.3 Resultados e Discussão ou Análise dos Resultados

Conforme a pesquisa literária dos processos cognitivos vinculado as ideias dos autores Jean Piaget e Vygotsky podemos entender como eles contribuíram no entendimento do desenvolvimento humano, seus estudos revolucionaram, principalmente o que tange ao ambiente escolar. Com base nesses pensamentos, foi feita a pesquisa de campo, com objetivo de analisar os processos cognitivos numa criança natural de 9 anos no ambiente escola e família. Foram observados 5 aspectos nesta criança em correlação ao referencial teórico, assim sendo, a associação entre teoria e pratica foi sistematizada, permitindo com que o resultado transcorresse lúcido.

As observações seguem 5 pontos analisados:

1 - Relações de coação e cooperação em X.A.

No estágio operatório concreto, começa a troca de ideia e pontos de vistas. Piaget discutiu dois níveis de socialização o de coação e cooperação. A coação é um nível baixo de socialização, pois não há um verdadeiro dialogo, porque apenas uma fala e outro memoriza. A relação de cooperação indica coordenação de duas ou mais operação, assim sendo, não existe mais imposição, repetição, crenças, etc. Há discussão, trocas de ponto de vista, controle recíproco entre ideias e provas (LA TAILLE, OLIVEIRA, DANTAS, 1992).

X. A demonstrou indícios de cooperação no ambiente escolar pois foi participativo nas atividades proposta em aula, haja vista num determinado momento em que a professora disse que na semana seguinte haveria uma apresentação para escola e propôs um processo de realiza-lo, X.A opinou e acrescentou no que poderia ser feito. X.A no ambiente familiar segue o mesmo critério, é um indivíduo curioso, questiona situações e palavras desconhecidas. Portanto a conclusão neste quesito observado é que X.A está desenvolvendo este nível de cooperação, embora, veja o professor ou alguém mais velho como autoridade, não possui medo ou insegurança de questionar informações a ele confusas.

2 - X. A interagiu no ambiente? Para Vygotsky, o mais importante do que um indivíduo agir sobre o meio, é ele interagir no meio social, em suma, o sujeito adquire conhecimento através das interações (LA TAILLE, OLIVEIRA, DANTAS, 1992).

No ambiente escolar X.A em oportunidades que ele teve de interagir ele o fez, no entanto, nota-se a maior fala do professor, por consequência o aluno fica inibido para interagir, existe uma fala do mediador e um memorizar do aluno, pouco estímulo do professor que leve o aluno a questionar e a pensar sobre as questões, mesmo assim X.A em lacunas demonstrou processos de interação. No ambiente familiar X.A não possui um mediador específico como o professor, mesmo assim interage com mais liberdade com seus pais e amigos, troca ideias em específico a assuntos espirituais que demonstra bastante interesse e curiosidade.

3 -  Relação entre menino e meninas

No estágio operatório concreto ainda brincam e gostam muito de jogos, mas há uma acentuada separação entre meninos e meninas, foi observado esta separação entre menino e menina?

Na ambiente escola X.A interage mais com os meninos e de fato no contexto de sala de aula há meninos com meninos e meninas com meninas. No ambiente em foco, os amigos X.A brincam e conversam com maior frequência com meninos.

4 -  A competividade

No estágio operatório concreto, a criança começa a se interessar por jogos que possuem um processo de completividade.

De todas as observações, o processo de competir foi evidente, na ambiente escolar em atividades como exercícios de matemática, tanto X.A como os outros colegas competiam para terminar primeiro as atividades, exerciam a completividade em todas as oportunidades possíveis. No ambiente familiar X.A também possui interesse maior em brincadeiras que possui nível de competição.

5 - As três zonas descritas por Vygotsky a zona real, proximal e potencial como foram observadas em X, A?

Além disso, nas características de mediação, é importante entender três palavras que descrevem bem este processo: a zona real; a zona potencial e a zona proximal. A zona real é tudo aquilo que o sujeito sabe e consegue realizar de maneira independente, para Vygotsky é importante avaliar a criança não pelo o que ela aprendeu, mas sim, por aquilo que ela está aprendendo, assim, a zona potencial é o conhecimento que o indivíduo ainda não possui, porém quer adquirir, e é a zona proximal, ou seja “ a ponte” entre o conhecimento real e potencial, região na qual os símbolos, principalmente a linguagem a partir das interações se faz presente realizando a mediação da troca de saberes entre o indivíduo e o coletivo ocorrendo o desenvolvimento cognitivo (LA TAILLE, OLIVEIRA, DANTAS, 1992).

Nas atividades propostas pelo professor X, A possuía conhecimento real das atividades, quando possuía dúvidas ele se aproxima do professor e este o estimulava ao conhecimento potencial, assim, a descrição de Vygotsky quanto a zona real, proximal e potencial, aconteceram como descrito. No ambiente familiar X, A segue o mesmo processo como na escola, quando não conhece determinadas questões questiona as pessoas para que estes por meio da zona proximal realizem a mediação, o elo entre o conhecimento real de X, A e o potencial que ele busca saber.

3. Considerações Finais

Evidenciou-se que a vertente Piagetiana e Vygotskyana ainda exerce influência na unidade educacional, pois os dinamismos teóricos analisados se encaixaram com processos reais da vida da criança analisada. As propostas desenvolvidas por Piaget e Vygotsky, apesar de possuir diferenças básicas, se complementam. Piaget enfatiza os aspectos estruturais e biológicos sobre o desenvolvimento do individuo, enquanto Vygotsky destaca as contribuições da cultura, da interação social e da linguagem para o processo de desenvolvimento e aprendizagem. 

Neste trabalho observou que, a criança possui um desenvolvimento adequado, a sua idade, obtendo estímulos e pessoas que contribuem para que isso ocorra de forma saudável. Os processos de mediação muito descritos por Vygotski é comprovado nesta analise teórico pratico, além disso, os fatores de coação e cooperação proferidas por Piaget, no individuo notou se os princípios de cooperação. Assim sendo, com este estudo, é corroborado a importância dos processos cognitivos para elucidar os mecanismos cognitivos inerentes ao desenvolvimento humano, e por consequência a fundamentalidade de um olhar mais atento a criança.

Sobre os Autores:

Cristian da Silva Mateus - Discente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Fernanda Lunelli Sabedot - Discente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Roger Leite Souza - Discente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Bruna Léia Valdeski - Discente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Nelissandra C. Scorsato Antoniolli - Docente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Mirtha Girardi - Docente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS

Viviane Gregoleti - Docente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS

Elvis Mognhon - Docente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS

Cristina Ribas Teixeira - Docente do Curso (Psicologia), Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS 

Referências:

ABIB, José Antônio Damásio, 2001. Teoria Moral de Skinner e Desenvolvimento Humano. Disponivel em:< http://www.scielo.br/pdf/%0D/prc/v14n1/5211.pdf> Acesso em: 23 de agosto de 2017.

BIAGGIO, Angela M. Brasil. Psicologia do desenvolvimento. 9 ed. Petrópolis, Vozes, 1998.

BOIKO, Vanessa Alessandra Thomaz, ZAMBERLAN, Maria Aparecida Trevisan, A Perspectiva Sócio-construtivista na Psicologia e na educação: O brincar na Pré-Escola, 2001. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/pe/v6n1/v6n1a07.pdf> Acesso em 23 de outubro de 2017.

CARRETERO, Mario, Teoria Construtivista, 1997. Disponivel em: Acesso em 23 de outubro de 2017.

DAVIDOFF, Linda L, Introdução à psicologia; terceira edição; São Paulo, 2001/ 13,14p.

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GÜNTHER, Hartmut, Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: Esta É a Questão? 2006. Disponível em: Acesso em 24 de outubro de 2017.

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OLIVEIRA, Marcos Barbosa de, COGNITIVISMO E CIÊNCIA COGNITIVA, 1990. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/trans/v13/v13a06.pdf> Acesso em 23 de outubro.

PAPALIA, FELDMAN. Desenvolvimento Humano; 12º edição, 2013. Disponivel em: < http://sandrachiabi.com/wp-content/uploads/2017/03/desenvolvimento-humano.pdf> Acesso em 21 de agosto de 2017.

RABELLO, E.T. e PASSOS, J. S. Vygotsky e o desenvolvimento humano. Disponivel em: Acesso em: 21 de agosto de 2017.

RIPPER, Afina V. Significação e mediação por signo e instrumento. Temas em Psicologia, Ribeiro Preto, v.1 n.1, abril 1993.

SIFUENTES, DESSEN e OLIVEIRA. Desenvolvimento Humano: Desafios para a Compreensão das Trajetórias Probabilísticas. Disponivel em: Acesso em: 22 de agosto de 2017.

TERRA, Márcia Regina. O Desenvolvimento Humano na teoria de Piaget. Disponivel em: < http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm>

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