Os Benefícios do Viver Coletivo para o Idoso: Reflexão sobre a Importância da Integração Psicossocial

(Tempo de leitura: 11 - 22 minutos)

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar através de dados qualitativos, indicadores de bem estar, prazer e independência em amostra de idosos integrantes do Projeto do Idoso da Universidade Estácio de Sá – Campus R9. O trabalho também propõe uma discussão sobre os aspectos relacionados à promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida do idoso e a importância da participação do idoso na sociedade. O método utilizado foi o de aplicação de entrevistas abertas e observação no momento do desenvolvimento das atividades. Os resultados apontam que trabalhos que promovem melhoria da qualidade de vida do idoso auxiliam a integração psicossocial, autonomia e bem estar na vida do idoso.

Palavras-chave: Psicologia, Envelhecimento, Qualidade de vida, Autoestima.

1. Introdução

Envelhecimento tem sido mundialmente tema de grande atenção. Em 2003, dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que a população brasileira envelhece em ritmo acelerado e a previsão do número de idosos para 2025 é de 25 milhões. Esta situação retrata um país cada vez mais envelhecido e serve de alerta quanto à necessidade de mudanças radicais não só em relação às questões do tratamento das doenças do idoso, como também ao tipo e número de serviços de promoção e cuidados de saúde a serem disponibilizados para estes.

A Política Nacional do Idoso (Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994, regulamentada \pelo Decreto n.º 1.948, de 3 de julho de 1996), e a Política Nacional de Saúde do Idoso (Portaria n.º 1395, de 10 de dezembro de 1999), visam assegurar os direitos sociais da população idosa do Brasil e criar meios para promoção de autonomia, integração e participação na sociedade. No entanto, defendemos que para o sucesso destas políticas e orientações legais, a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida, estas devem ser colocadas em prática efetivamente. Será que é isto o que vem ocorrendo no cotidiano dos idosos brasileiros?

Existem estudos que objetivam conceituar, avaliar, refletir, qualificar e quantificar dados relacionados à melhoria da qualidade de vida dos que ingressam na fase do envelhecimento. Esta fase vem sendo denominada de várias formas e com diversas terminologias: boa idade, terceira idade, geração de cabelos brancos, etc.

Vários são os exemplos de iniciativas acadêmicas que pretendem refletir sobre o tema em questão neste artigo. Podemos destacar alguns que estão em desenvolvimento. O primeiro que podemos citar é o projeto de pesquisa e extensão intitulado "Qualidade de vida na terceira idade: uma proposta multidisciplinar", na Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília. Outro é o grupo de pesquisa da Universidade do Norte do Paraná sobre a área de saúde do idoso e envelhecimento. Encontramos também, ações de ensino, pesquisa e extensão da Universidade para Terceira Idade - UnATI/UERJ – Núcleo de atenção ao idoso da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Tantos outros poderiam ser citados que estão voltados para o bem estar, felicidade e promoção da saúde dos idosos. Estes são exemplos colocados em prática e dentre as políticas para um bem sucedido ficar velho.

Nas ações citadas acima são discutidas questões sobre relacionamentos, sexualidade, bons hábitos de alimentação, equilíbrio emocional, prática de exercícios, acessar conhecimento, conquista de bens, lazer, prazer, espiritualidade, entre vários outros aspectos.

No sentido de refletir e clarificar a percepção da sociedade quanto à necessidade de incrementar e ou implantar mais projetos e programas voltados para terceira idade, em prol do bem estar e melhoria da qualidade de vida do idoso, este estudo busca incentivar e apresentar a contribuição que o Projeto do Idoso da Universidade Estácio de Sá – Campus R9 oferece para um grupo de pessoas idosas.

O estudo do envelhecimento humano engloba diversas áreas do saber. O profissional que demonstra interesse por esta complexa fase da vida humana pode desempenhar nesta área várias atividades, dentre elas, o cuidado com a saúde dos idosos, prevenção de doenças, promoção da saúde, manutenção do vínculo social com a comunidade e a família, etc. O campo de atuação deste profissional pode ser em programas de saúde do idoso, hospitais, clínicas, casas de repouso e atendimentos domiciliares.

Para os interessados em se especializar em gerontologia, existem cursos de pós-graduação, como por exemplo, no Rio de Janeiro, na Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, há o curso de Envelhecimento e saúde do idoso; na UERJ o de Especialização em Geriatria e Gerontologia; na UFF o de Especialização em Gerontologia e Geriatria Interdisciplinar.

O Projeto do Idoso da Universidade Estácio de Sá – UNESA, Campus R9, teve seu início em 2004, implantado na universidade pelos cursos de fisioterapia e psicologia, tendo desde então, na área de atuação da psicologia a supervisora e colaboradora, a professora e psicóloga, Maria Cristina Araújo Pereira, que vem desenvolvendo estratégias de enfrentamento e apoio social em idosos. Concretizam-se os objetivos de socialização, melhora da autoestima e autoimagem, acesso ao conhecimento e ampliação dos contatos sociais, bem como de outras questões que serão levantadas neste relato.

Atualmente existem inscritos no Projeto cerca de 40 idosos na faixa etária de 60 a 83 anos, sendo a maioria do gênero feminino. Os estagiários de psicologia atuam sob a supervisão da professora aplicando dinâmicas de grupo, e direcionando subgrupos de escuta, momento em que são abordados diversos assuntos escolhidos pelos próprios participantes. A liberdade de expressão, verbalização e fluidez de sentimentos e emoções são observadas neste espaço. Em ocasiões especiais, realizam-se encontros festivos e eventos teatrais. No que abrange a área de fisioterapia, os idosos participam, sob a supervisão do professor Falcão.

2. O Envelhecimento

O envelhecer é explorado por várias teorias, uma das mais antigas é a do uso e desgaste (WEISMAN, 1882). Esta teoria considera o corpo como máquina que com o uso por longo tempo se desgasta. Outra teoria, a do relógio genético (Hayflick e Moorhead, 1965), se refere ao encurtamento dos telômeros (estruturas terminais do DNA), retratando a senescência das células, que ao passar do tempo cada vez mais vão se exaurindo até não existirem mais. Esta teoria tem como base que o tempo de vida é determinado pelo relógio molecular. Existe também a teoria dos radicais livres (Harman, 1956) que atribui o envelhecimento a lesões causadas em células corporais por acúmulo gradativo de radicais livres que são como subprodutos do metabolismo oxidativo. Enfim são várias as teorias que buscam compreender o envelhecer do ser humano, sob diversos pontos de vista.

Como o envelhecer também se relaciona com o surgimento de determinadas doenças, é implantada em 1909 pelo médico Ignaz Nasher, uma nova ciência denominada geriatria, para estudar os problemas de adoecimento do idoso. Salientando que esta não deu conta da complexidade que envolve a vida do idoso, surge no início do século XX a gerontologia que passa a estudar o processo do envelhecimento humano, sob o ponto de vista físico, psicológico, sociológico e de adaptação quanto às várias modificações que ocorrem com  avanço da idade (Zimerman,2000).

Na trajetória do envelhecimento novas forças, aptidões, mais liberdade e perspectivas são estabelecidas a partir da sabedoria conquistada com o tempo. No entanto, a história de vida de cada pessoa é um fator importante para compreender a capacidade de crescer e de se transformar na velhice (Novaes,1997).

Como todas as fases do desenvolvimento humano (a da criança, do adolescente, do adulto) a do envelhecimento também é muito complexa e não se pode determinar o início da velhice sem considerar os fatores biopsicossociais. No Brasil, pelo estatuto do idoso (2003), a pessoa com 60 anos ou mais é considerada velha, porém pela complexidade do envelhecimento é necessária uma reflexão sobre as idades biológica, social, psicológica e não somente ter como referência a idade cronológica.

Segundo Hoyer (2003) a idade cronológica da pessoa se baseia na mensuração dos dias, meses e anos a partir do seu nascimento. Para Costa (2005), a idade biológica é definida pelas transformações do corpo e da mente no decorrer do desenvolvimento, antes do nascimento até o período de toda a sua existência humana. Neri (2005), diz que a idade social se refere à avaliação do grau de adequação de uma pessoa segundo seu desempenho de papéis e comportamentos desejados para sua idade, em dada situação da história de cada sociedade. A idade psicológica, conceituada por Hoyer e Roodin (2003), como habilidades adaptativas das pessoas em decorrência das exigências do meio em que vivem, quando se utilizam de vários aspectos psicológicos como aprendizagem, controle emocional, inteligência, memória, percepção, etc.

Como forma de reflexão, Mancilha ((2001) apresenta o seguinte pensamento de Franz Alexander: “Apesar de ignorado pela Biologia e pela Medicina, o fato de a mente reger o corpo é a coisa mais fundamental que sabemos sobre o processo da vida”.

Segundo Spar e La Rue (2005), que descrevem os efeitos do envelhecimento no processo cognitivo, têm-se como resumo das tendências gerais da evolução do funcionamento cognitivo do idoso,os seguintes fatores:

Aptidão

Sentido da Mudança no Envelhecimento

Comentário

Inteligência

Vocabulário, fundo de  conhecimento

Estável ou crescente

Pode declinar ligeiramente em idade avançada; mais pronunciado em tarefas novas

Capacidades  perceptvomotoras

Em declínio

Começa pelos 50 – 60 anos

Atenção

Campo de   atenção

Atenção complexa

Estável a declínio      ligeiro

Declínio ligeiro

Problemas em dividir a atenção, filtrar ruído, deslocar atenção

Linguagem

Comunicação

Sintaxe, conhecimento de palavras

Fluência, nomeação

Compreensão

Discurso

Estável

Estável

Declínio ligeiro

Estável a declínio ligeiro

Variável

Na ausência de déficit sensorial

Varia com o grau de instrução

Lapsos ocasionais em encontrar palavras

Mensagens complexas dificultam mais

Pode ser mais impreciso e repetitivo

Memória

Curto prazo imediata)

De trabalho

Secundária (recente)

Implícita

Remota

Estável a declínio ligeiro

Declínio ligeiro

Declínio moderado

Estável a declínio ligeiro

Variável

Aptidão diminuída para manipular informação na memória de curto prazo

Défices de codificação e recuperação

Pode recordar mais facilmente características incidentais do que informação consciente

Intacta para aspectos mais importantes da história pessoal

Visuo-espacial

Copiar desenhos

Orientação topográfica

Variável

Em declínio

Intacta para figuras simples, mas não para as complexas

Mais notável em terreno familiar

Raciocínio

Resolução de problemas

Raciocínio prático

Em declínio

Variável

Alguma redundância e desorganização

Intacto para situações familiares

Funções executivas

Declínio ligeiro

Planejamento/ Monitoração menos eficiente de comportamentos complexos

Velocidade

Em declínio

Lentidão do pensamento e ação é a mudança mais constante no envelhecimento

Segundo Ramos (2000 apud Yassuda, et al, 2006), pesquisas sobre a plasticidade cognitiva, fornecem informações importantes em relação ao envelhecimento e à prática em gerontologia, uma vez que a otimização da memória se relaciona à saúde, autonomia e dependência do idoso. Para que o idoso viva de forma independente, é primordial que sua memória funcione bem.

Em estudo epidemiológico longitudinal realizado com idosos há mais de dez anos em São Paulo, aponta ou como únicos fatores mutáveis que poderiam diminuir o risco de morte: o estado cognitivo e o grau de dependência. Segundo a conclusão do estudo, as intervenções de memória tendem contribuir para promoção da saúde e autonomia dos idosos, o que também justificam e defendem os treinos de memória (Ramos, 2003, apud Yassuda, et al, 2006).

Segundo Ory (1992 apud Straub, 2007) mesmo que não existam muitas pesquisas referentes aos efeitos positivos das variáveis psicossociais sobre o envelhecer saudável, outros estudos indicam que a curiosidade, apoio social, otimismo e sensação de controle sobre a própria vida favorecem um bem sucedido envelhecimento.

Zimerman (2000) enfatiza que além das atividades que proporcionam estimulação psicológica, social e física, dois outros aspectos importantes não devem ser esquecidos na vida do idoso: o prazer e o lazer.

Mancilha (2001) cita que “Os aspectos mentais, psicológicos, emocionais e espirituais têm um grande peso na manutenção da saúde, pois a interação psicossomática está presente em quase todas as doenças”. A integração destes aspectos no olhar profissional para o idoso garante uma maior atenção e uma melhor qualificação do cuidador.

3. Refletindo sobre os Idosos do Projeto – UNESA/CAMPUS R9

O estágio foi realizado se utilizando da observação no decorrer das aplicações das dinâmicas, palestras e no momento do acolhimento dos subgrupos de escuta. As atividades foram aplicadas uma vez por semana, durante aproximadamente quatro meses, ao grupo de 30 a 40 idosos em média, de ambos os sexos, com idade média de 60 a 83 anos. Os participantes eram na sua maioria aposentados, moradores da cidade do Rio de Janeiro, frequentando o projeto de 2 a 6 anos.

Por tratarem-se de idosos, considerando os fatores cognição, memória, visão e tempo determinado para realização das atividades previstas pela supervisão do Projeto,  tornou-se difícil a aplicação de entrevistas estruturadas e questionário específico para este trabalho. A tentativa não atingiu o resultado esperado, as respostas se tornaram evasivas por falta de orientação adequada a cada quesito que deveria ser tratado de forma única e própria para cada indivíduo do grupo. Por isso, somente as ideias e discursos anotados ao longo da experiência de estágio foram analisados.

Há muito o que fazer junto aos idosos visando a promoção do bem estar e satisfação no cotidiano de suas vidas, servindo-lhes de suporte social. [1] Como todos, eles também se imbuem de ansiedade, estresse, raiva reprimida, ressentimentos e mágoas, que contribuem para os efeitos negativos no organismo.

De acordo com Filho (2007), constância, carinho, cuidado e comunicação constituem a base dos grupos de suporte. Eles passam a representar um ótimo recurso terapêutico coadjuvante para lidar com doentes, estressados e com aqueles que vivem situações de crise existencial. O objetivo destes é de promover apoio, reforçar o self dos indivíduos, elevando autoestima e autoconfiança.

Segundo David Zimerman (2000) o ser humano é produto de seus inter-relacionamentos. Desde seu nascimento ele interage com diferentes tipos de grupos, em busca não só da sua identidade individual como de uma identidade grupal e social.

Por meio do acolhimento, escuta, aplicação de atividades, carinho e respeito para com os velhos [2] estes passam a aprender a lidar com as situações desagradáveis que se apresentam de formas parecidas em seus discursos.

Durante os encontros em grupo, os idosos passam a aceitar o que não podem controlar, deixam de se queixar e atuam dentro de seus limites respeitando também o limite das pessoas  do âmbito de seu convívio, geralmente seus familiares, com autonomia e consequentemente de forma prazerosa. Procedimentos estes que levam a uma vida longínqua e saudável.

Pela observação da atuação dos idosos no decorrer das atividades, foi possível obter dados sobre os questionamentos dos participantes e  das transformações no cotidiano de suas  vidas  que  o  Projeto possibilitou.

Várias eram as tarefas dos estagiários: organização e elaboração de dinâmicas de grupo, participação como ouvintes de palestras dadas pela supervisora, após as atividades recreativas, para todos os participantes, dinamização e observação de subgrupos de escuta.

As atividades permitiam aos idosos, a sua interação interpessoal, a demonstração e o desenvolvimento de habilidades individuais, entre outros fatos. Além de expressões corporais e troca de informações e experiências de vida de cada um, incluindo suas opiniões e falas sobre espiritualidade, sexualidade, conflitos familiares e outras mais.

De um modo geral o resultado do estudo apontou que o envolvimento no Projeto, favorece otimismo, bem estar, satisfação com a vida, e principalmente serve de auxílio para enfrentar a velhice de maneira digna e harmoniosa, sinalizando os limites impostos pela idade e a capacidade de realização de projetos pessoais. A maioria dos idosos classificou como momento de lazer e motivação para vida, quando se referiram ao encontro do grupo no espaço próprio deles, onde adquirem novos conhecimentos, interagem, se mostram autônomos e com capacidade de trocar experiências e expor suas sabedorias e ideais.

No momento das dinâmicas demonstraram alegria, criatividade, sentimento e emoção. Nas palestras administradas pela supervisora, que seguia o viés dos objetivos das dinâmicas aplicadas anteriormente, o tema era com frequência voltado para o resgate da autoestima e enfrentamento da velhice como sendo mais uma etapa da vida que deveria ser vivenciada de forma positiva e gratificante a ser usufruída pela experiência dos anos vividos.

Este era o momento em que todo o grupo permanecia atento e satisfeito com as explanações, que geralmente serviam de embasamento para a etapa seguinte e final em que subgrupos eram submetidos à escuta e observação da discussão de temas escolhidos por eles. Esta atividade, coordenada por dois estagiários de psicologia, tinha uma dinâmica própria, onde um exercia o papel de dinamizador/mediador, favorecendo a todos a oportunidade de exporem seus pensamentos, aflições e outros sentimentos que por vezes se apresentavam. O outro estagiário, como observador de todos os participantes, inclusive a do “estagiário-mediador” que conduzia a dinâmica, era responsável pela anotação do discurso e conduta de cada um durante o desenvolvimento da atividade, permitindo assim a discussão posterior junto a supervisão do projeto. Cabe ainda esclarecer, que as funções alternavam-se semanalmente.

No encontro nos subgrupos, com troca de informações e reflexões, as questões sobre conflitos familiares, dificuldades financeiras, de saúde, e demais questões do cotidiano, apareciam. As vezes de forma quase imperceptível, outras de maneira gritante. Situações estas que eram posteriormente sempre discutidas com a supervisão, após a liberação dos idosos e dependendo de cada caso encaminhamentos para o SPA (Serviço de Psicologia Aplicada) eram sugeridos, assim como outras condutas.

A maneira como este programa de estágio se estrutura permite o olhar especial e observador em todo o percurso do participante idoso em cada encontro, motivando de forma ampla por meio das dinâmicas e palestras, a melhor condição para o enfrentamento dos conflitos, sentimentos de mágoas, estresses do dia a dia, surtindo efeitos positivos para mudança e melhoria de vida dos participantes do grupo. [3]

Segundo Salgado (1988) o isolamento torna-se o maior problema na vida do idoso, a necessidade do contato interpessoal e grupal é o meio de maior satisfação entre eles. Assim é possível afirmar que implantar medidas que envolvam atividades com idosos é muito importante, além de servir de reforço para o estabelecimento de afetividade entre todos os participantes (idosos e toda a equipe envolvida nas atividades), auxilia a melhoria da qualidade de vida, leva o idoso de forma consciente ou não a perceber-se, fazer-se ouvir e ser reconhecido em sua alteridade.

Zimerman (2000), diz que a estimulação entre outras coisas significa excitar, incitar, instigar, ativar, animar, encorajar e que para ela, além de tudo isso, significa criar meios para manter a mente, emoções, comunicações e relacionamentos em atividade, sendo o melhor meio para diminuir os efeitos negativos do envelhecimento e alcançar melhores condições de vida.

4. Considerações Finais

A atuação descrita acima permite concluir que o trabalho desenvolvido com dedicação, carinho, e o favorecimento de vínculos afetivos com grupos surtem efeitos positivos.

Segundo Feldman e Miranda (2004) que se utilizaram da contribuição do modelo desenvolvido pelo psicólogo Robert R. Carkhuff descrevem:

Desenvolvendo o Modelo de Ajuda, Robert R. Carkhuff buscou incessantemente uma operacionalização, cada vez maior, das habilidades interpessoais. Não se tratava então de sonegar informações e conhecimentos aos interessados em ajudar, mas, ao contrário, de compartilhar as habilidades de ajuda com o maior número possível de pessoas. Essas incluíam também os chamados leigos, uma vez que essas dimensões não eram privilégio ou exclusividade dos profissionais de ajuda. Não só eram encontradas em qualquer segmento da população, como havia também enorme necessidade de serem aprendidas pelas pessoas significativas: pais, educadores, patrões, profissionais da saúde, assistentes sociais, religiosos, empresários, etc. São pessoas que normalmente exercem influencia marcante na vida dos outros  além, naturalmente, dos próprios profissionais da área de saúde mental:  psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas, orientadores, conselheiros.

Pela perspectiva de um futuro não muito distante de uma ocupação em sua maioria de velhos em nosso país, observa-se a importância em manter e ou implantar projetos que busquem a promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida e o reconhecimento da alteridade do indivíduo no âmbito da gerontologia dos idosos do Brasil.

O estágio oferecido aos alunos de psicologia para atuarem no Projeto do Idoso  da  UNESA - Campus R9 tem sido uma forma de enriquecer o campo de aprendizagem sobre o ser humano  em um  estágio  de  vida   que  eu  defino  como “os últimos degraus da escada da vida”. Enquanto houver vida há de se continuar a escalada, vivendo da melhor forma possível cada momento do presente.

Cada um dos participantes, embora questionassem sobre a velhice, suas marcas de expressão e limitações, como por exemplo: “- Me olho no espelho, vejo as rugas, mas me sinto como um garoto”; “- Antes eu não queria sair de casa, pois tinha muitos problemas com meu filho mais velho, mas agora depois que passei a frequentar este grupo, estou melhor e já faço até outras atividades”; “- Tenho dificuldades em andar, mas não deixo de comparecer a este grupo e de ir à igreja, pois me faz bem”, entre outras falas, eram pessoas alegres e participativas. Alguns deles quando lá chegaram traziam uma bagagem de amargura e com o trabalho desenvolvido, mudaram suas vidas. O grupo deixou uma lição de vida na página do meu existir. Este processo de efeito grupal pude não só observar como também me envolver.

Pela complexidade dos fatores que envolvem o tema em questão torna-se necessário um estudo mais profundo sobre o ser e estar velho, não só para melhor entendermos o processo de envelhecimento mas também como devemos atuar em busca de melhoria da qualidade de vida se utilizando dos recursos sociais e individuais de cada ser humano. De início a apresentação deste artigo passa a servir de reflexão sobre como vivemos, somos aceitos e reconhecidos perante a sociedade e a nossa família, a importância de não esquecermos de que para vivermos melhor e longinquamente devemos ser apoio e suporte um dos outros e que os adultos de hoje serão os velhos de amanhã.

Referências:

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Cancela, Diana M. G. (2007). O Processo de Envelhecimento. Psicologia.com.pt.  Recuperado em 16 de maio de 2008, do Portal dos Psicólogos Online: http://www.psicologia.com.pt.

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