Christian Wolff

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Christian Wolff (1679-1754) foi professor em Halle e autor de diversas obras em alemão, que foram adotadas no ensino de filosofia. Ele também fixa a linguagem filosófica em alemão e propõe uma classificação dos diversos ramos que compõem a filosofia.

A obra monumental de Wolff tratava de praticamente todas as áreas do conhecimento. Seu objetivo era unificar a razão e a experiência, e garantir à filosofia a certeza que era reservada à matemática, mas que era característica das ciencias como a disposição ou a capacidade de demonstrar suas afirmações a partir de princípios estabelecidos. Wolff definiu os objetos da filosofia como Deus, a alma humana e os corpos materiais, e dividiu seu reino em lógica, metafísica, filosofia prática, física, filosofia das artes e a filosofia da jurisprudência

A metafísica ou “ciência do ser, do mundo em geral e dos espíritos”, incluía, em ordem de dependência, a ontologia, a cosmologia geral, a psicologia empírica, a psicologia racional e a teologia natural. “Os manuais acadêmicos de Wolff seguiam essa estrutura, e foi através deles que a psicologia entrou no currículo de filosofia com seu próprio nome.” (Vidal, 2005, pág. 59)

No sistema de Wolff, a psicologia, como todas as outras ciências, podia ser abordada de duas maneiras: empiricamente e racionalmente. A primeira dava origem a um conhecimento a posteriori dos seres e das coisas materiais e imateriais; a segunda a um conhecimento a priori de sua essência, de sua razão e possibilidade. Cada psicologia tinha seu método próprio. A psicologia racional procedia por dedução, a partir de definições, experiências indubitáveis, axiomas e proposições já demonstradas. A psicologia empírica usava a observação¹ e podia usar a experimentação². 

A psicologia empírica de Wolff enfocava a vida interior da alma, excluindo as relações fisiológicas e corporais. A psicologia racional visava a explicação à priori dos fatos apresentados na psicologia empírica através da dedução de axiomas e proposições provadas. A alma é conceituada como um ser consciente de si e das coisas externas, capaz, portanto, não apenas de percepção, mas também de representação e apercepção.

A psicologia da alma explicava as faculdades e as operações da alma; avaliava as diferentes explicações para a correspondência entre elas e os movimentos do corpo; tratava da natureza dos espíritos³ e da espiritualidade da alma, sua origem, sua união com o corpo e a imortalidade; e terminava com uma seção sobre a alma dos animais. (Vidal, 2005).

Para Wolff o conhecimento empírico , apesar de indispensável, ocupa um lugar inferior no conhecimento teórico puro, uma vez que a verdade dos dados empíricos é apenas provável. (Abrão, 2004)

Nota de rodapé:

Observação¹ -  a observação é a experiência  que o indivíduo tem dos fatos da natureza sem nela interferir.

Experimentação² - a experiência é a cognição do que é evidente apenas mediante a percepção do sujeito.

Espíritos³ - substâncias dotadas de intelecto e livre arbítrio.

Referencias:

Abrão, Bernadette Siqueira. História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural Editora, 2004.

Vidal, F. “A mais útil de todas as ciências”. Configurações da psicologia desde o Renascimento tardio até o fim do Iluminismo. In: Jacó-Vilela, A. M.; Ferreira, A. A. L.; Portugal, F. T. História da Psicologia: rumos e percursos. Rio de Janeiro: NAU editora, 2005.

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