Gênero, Sexualidade e Corporeidade: Concepções e Crenças de Homens e Mulheres Sobre Sexualidade e Relacionamentos Amorosos

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Resumo: O presente artigo tem como objetivo geral analisar as concepções e crenças de jovens adultos, homens, mulheres, sobre a sexualidade, gênero e relacionamentos amorosos emergenciando os aspectos culturais e afetivos a eles intrínsecos. Antes buscou-se uma contextualização histórica sobre à sexualidade e gênero até os dias atuais. Por meio de entrevistas semiestruturadas analisou-se a fala de três participantes à luz dos conceitos abordados ao longo do artigo; além de perguntas foram utilizadas imagens atinentes ao tema. Verificou-se que os relacionamentos nos dias atuais, ainda são guiados pelo essencialismo flexível o que tende favorecer as relações desiguais entre homens e mulheres contribuindo para a manutenção das fronteiras simbólicas rígidas.

Palavras-chave: Gênero, sexualidade, relacionamentos, identidade, medição semiótica.

1. Introdução

Nosso problema de pesquisa situa-se nas práticas discriminatórias. Exporemos os mecanismos de exclusão no qual, homens e mulheres sem saber tem reproduzido e disseminando, mas antes disso exporemos as primeiras percepções da sexualidade que datam no paleolítico. Com o período Neolítico corre a formação de exércitos para defender as propriedades de terra, até recentemente delimitadas, após a sedentarização dos indivíduos, formando-se também o poder real (rei) e a religião. Na cultura grega a mulher é entendida como patrimônio do homem. Nesse sentido, o relacionamento monogâmico [01] começa a se estruturar socialmente por razões variáveis em cada contexto cultural. Durante a idade média o poder da igreja dita os preceitos da sexualidade (Spitzner, 2005 citado por Duarte & Christiano, 2012; Engels, 2009; Lessa sem data). Caminhando para aos séculos das luzes [02], instala-se a modernidade anunciada por Descartes e assim declinam-se os argumentos formulados pela igreja. (Araújo, M. 2002; Nunes 1987 citado por Duarte, & Christiano, 2012). Assim, o Homem Modulado segundo Geller, (citado por Bauman, 2000) traz a ideia que o homem não tem perfil nem função predeterminados. Resumindo; “o homem modulado é, antes e acima de tudo, um homem sem essência”.

Essas transformações arroladas ao processo civilizador, e a compreensão da sexualidade se modifica gradualmente. A categorização dos papéis sociais leva, a novas formas de controle, e subjugação à população às normas. A “repressão sexual” (Chauí 1984) ou libertação sexual ou ainda revolução sexual denominada por Reich, (1966) – são analisadas por Foucault (1996) como fenômenos amplos que estão permeados estruturalmente por relações de saber e poder, de modo que longe de ser reprimida a sexualidade é suscitada. Há assim, um investimento disciplinar sobre os corpos [03] mediante o controle de instituições, como as escolas, os hospitais etc.

O sexo é reduzido ao privado e com fim procriativo. À concepção de racionalidade e eficiência burguesa soma-se a produtividade. O sexo subjetivo, humano, prazeroso desaparece. O corpo é negado no trabalho e na repressão sexual. O “eu” corporal não existe; existem, sim, a civilidade e o verniz social. Sobre o sexo nasce a cultura da vergonha e do pecado em níveis tão profundos que nem mesmo a Idade Média tinha conseguido(Nunes, 1987, p.93 citado por Duarte, & Christiano, (2012). – grifo nosso).

A sexualidade assim está perpassada por aspectos sociais, culturais e emocionais etc. Ao compreender a sexualidade de maneira contextualizada vislumbremos a sua complexidade (Cardoso, & Lazzarotto 2009; Duarte, & Christiano, 2012). Desse modo, com a instalação do capitalismo reduz-se o desgaste de energia que não esteja de acordo com os modos de produção – e o sexo passa a ser o grande inimigo do trabalho. Destarte, Nunes (1987 citado por Duarte, e Christiano, 2012) afirma que, longe do corpo ser ver livre, o capitalismo apropria-se do controle colocado anteriormente pela igreja, onde se ascende um nível maior de repressão sexual a fim de disciplinar os corpos garantindo-os como mão de obra barata nas indústrias. Entretanto, a fim de tornar coerente com a análise foucaultiana, suscitam-se os corpos e simultaneamente reprimem-nos, fazendo nascer a produção de desejos, disposições que instalam-se no modo de sentir pensar e agir afinado com lógica econômica-política, onde novas tecnologias do sofrimento [04] se mostram ao mesmo tempo mais invisíveis e eficazes (Bourdieu, 2005).

Nesse sentido, a mulher que tanto foi subjugada; no século XX conquista o direito ao voto, a universidade, a vida profissional e outros setores que pertenciam exclusivamente aos homens [05]. A sexualidade se transforma em produto de consumo. Os avanços tecnológicos do século XIX, e XX. Se Marx estivesse vivo comprovaria que o homem literalmente se transformou em mercadoria, não somente pela alienação em seu trabalho, mas, sobretudo pelo modus operandi na produção de subjetividades industrializadas, que são forjadas em maestria com capitalismo monopolista-cognitivo-financeiro (Bourdieu, 2005; Chauí, 1980; Chomsky, 2002).

Ainda no século XX, mais precisamente em 1970 surge o conceito gênero [06] entre as feministas norte-americanas “para enfatizar o caráter eminentemente social das distinções baseadas no sexo” (Andrade, 2009)  

A formulação do conceito de gênero “serve assim como, uma ferramenta analítica que é ao mesmo tempo politica, dirige o foco para o caráter fundamentalmente social, não é pretensão de negar a biologia, mas destacar a construção social e histórica produzida sobre as características biológicas(Robert Connell 1995, p. 189 citado por Louro, 1997, p. 22).

Desse modo o termo gênero vem solapar aquilo que vem sendo concebido como natural. Na categoria de análise, isto é, no gênero não são alienados os aspecto intrínsecos relativo aos aspectos culturais, políticos e econômicos que as estruturas sociais desempenham na formação de categorias de pensamento atinente aos modos de subjetivação (Bourdieu, 2002; Bourdieu,  2005; Madureira, 2010).

Ao pensarmos sobre gênero, a construção da identidade, no seu bojo revela-se como inerente à cultura (Laraia, 2004). Construir uma identidade dá-se por meio da marcação da diferença. Nesse ínterim, o processo de construção de identidade (s) envolve a marcação simbólica de fronteiras [07] que delimitam, de forma semipermeável, as diferenças entre os indivíduos e grupos sociais. Se as diferenças são centrais para construção de significados, as fronteiras marcam as diferenças; mas quando as fronteiras se tornam rígidas funcionam como barreiras culturais entre pessoas e grupos sociais (Madureira, 2007; Madureira & Branco, 2012).

A globalização, estudada por Hall, (2006); se revela como um dos fenômenos que tem influenciado significativamente o processo de construção de identidades. Não podemos falar de “crise de identidade” sem conhecer os elementos presentes nos na sua constituição, isto é, a identidade é um processo plurideterminado de criação de sentidos pelos grupos e pelos indivíduos que se configuram dialeticamente e diretamente no contexto sociocultural que se está inserido (Galinkin, & Zauli. 2011; Woodward, 2000). Logo, a globalização caracterizada pela dinâmica entre os países, pessoas traz como uma de suas vertentes principais a fluidez entre as relações e processos relativos à construção de si (Woodward, 2000).

Contudo, em nossa realidade, práticas como a homofobia, o sexismo, o elitismo retroalimentam o arranjo das desigualdades sociais, tendo um papel “fundamental na manutenção das desigualdades econômicas e sociais, bem como na manutenção das ideologias que garante a naturalização de tais desigualdades” (Madureira & Branco, 2012), uma vez que na hierarquia das desigualdades sociais é fundamental que tais fronteiras sejam respeitadas, a despeito do sofrimento psíquico que costumam gerar.

Como preconceitos apresentam um enraizamento cognitivo-afetivo, evidenciando que os preconceitos por meio do processo de canalização cultural por parte das instituições sociais (escola, religião, família etc.) assumem em nível fisiológico sensações anteriores à emergência de reações verbais. Assim, no âmbito da Psicologia Sociocultural os sentimentos desconfortáveis produzidos (...) forjam as estruturas psíquicas do preconceito ao adquirirem aspectos viscerais no enraizamento afetivo-cognitivo (Madureira & Branco, 2012).

Assim, como retrata Abreu e Andrade (2010) o estudo de gênero na historiografia contemporânea, lança um novo paradigma que questiona a concepção de história etapista, periódica caraterizada como linear e sem articulação e análise crítica dos fatos, como tradicionalmente vem ocorrendo na produção historiográfica. Não obstante, revela também como a escola, esta educação/socialização sexista vem construída de forma seletiva e reprodutora as distinções e diferenças baseadas no essencialíssimo biológico (França & Calsa, 2011). “A sua ação não é neutra, mas intencional, tem uma finalidade política, pois estar vinculada as relações de poder” (Louro, 1997).

Desse modo, o preconceito tem seu tronco nas relações histórico-culturais, Madureira & branco (2001). Nesse sentido, o preconceito constitui como um dispositivo disciplinar com a função precípua garantir o distanciamento das classes dirigentes; e assim fazer passar despercebido nas classes oprimidas as relações de dominação. Assim, as classes dominantes estão isentas dos mesmos sofrimentos psíquicos que assolam as classes dominadas, ou melhor, são elas que, com precisão cirúrgica tem implantado e produzido corpos do qual os saberes psi se encarregaram para que não transgridam a ordem e a norma (Foucault, 1984; Foucault, 1996).

Dado o exposto, a construção de uma sociedade democrática e justa para todos envolve não somente um processo de tomada de consciência, mas a uma consciência que leve a ação. Desse modo, precisamos de leis [08] não para fazer funcionar as leis que já existem, mas que explicitem e incentivem a participação democrática, onde assim como os deveres, como também os direitos estejam escritos de modos claros à todas as consciências que a estrutura social faz nascer.

Contudo, ainda sim são precisos estudos e mais intelectuais orgânicos que estejam comprometidos para mostrar os rostos que se invisibilizam sobre engrenagens do sistema. Teremos alcançado boa parte do caminho se o texto proporcionado ao leitor algumas reflexões da realidade social macro-micro.

Nosso objetivo geral consiste em analisar as concepções e crenças de jovens adultos, homens e mulheres, sobre sexualidade, gênero e relacionamentos amorosos.

Os Objetivos específicos consistem em: 1) Analisar os possíveis fatores relacionados à atração afetivo-sexual, a partir do discurso dos/as participantes. 2) Analisar as concepções e crenças dos/as participantes sobre os aspectos que sustentam os relacionamentos amorosos. 3) Compreender os significados atribuídos pelos participantes às questões relativas à vivência da sexualidade.

2. Metodologia

Conforme Madureira e Branco (2001) nos mostram, a metodologia foi a preocupação inicial da pesquisa cientifica moderna. Existia no pensamento filosófico ocidental a noção dominante de uma realidade imutável externa ao sujeito. O Racionalismo e Empirismo durante os séculos XVII e XVIII foram essas as duas perspectivas epistemológicas majoritárias, embora ambas divergissem em particularidades, as duas compartilhavam duas premissas básicas: separação radical entre sujeito e objeto do conhecimento e era estabelecida uma relação linear e isomórfica com a realidade (Gonzalez, 1997 citado por Madureira & Branco, 2001).

 Por conseguinte, tais premissas foram retomadas pelo positivismo lógico no século XX, onde do mesmo modo, o mérito científico só dava legitimidade às ciências nascentes que possuem as suas referências epistemológicas que eram dominantes. Nesse sentido, Gonzalez, 1997 (citado por Madureira & Branco 2001) propõe a Epistemologia Qualitativa, onde destaca a importância das plurimetodologias na Psicologia. E com esses referencias de compreensão e interpretação conduziremos as concepções e crenças de homens e mulheres sobre sexualidade e relacionamentos amorosos.

Participantes

Participaram da pesquisa três sujeitos, sendo duas mulheres e um homem – todos heterossexuais. As duas mulheres tinham 23 e 28 anos. O homem 18 anos.

Materiais e Instrumentos

Utilizou-se para entrevista: primeiro o TCLE, as sete imagens selecionadas previamente, gravador e roteiro de entrevista com dezesseis perguntas abertas.

Procedimentos de Construção de Dados

Os dados foram construídos inicialmente com perguntas que focalizaram o tema “gênero, sexualidade e corporeidade”. As entrevistas foram programadas em horários flexíveis junto aos participantes – sendo todas realizadas em salas de aula reservadas para a pesquisa.

A pesquisa foi feita mediante entrevista semiestruturada. A entrevista se iniciou com dezesseis perguntas e sete imagens relacionadas às mesmas, no entanto o diálogo (Pesquisador-participante) foi mais abrangente, de modo que as perguntas apenas nos forneceram um norte, onde o participante pode relacionar/expor assuntos e experiências pessoais. Desse modo, tentamos fornecer o máximo de condições para que o participante falasse abertamente sobre o tema da sexualidade – para isso adotou-se uma metodologia qualitativa, onde nosso foco era a voz do participante, suas opiniões, crenças atinentes ao tema.

As entrevistas foram realizadas com estudantes de ensino superior na mesma instituição e de cursos diferentes. Foram reservados três dias diferentes para cada participante em uma mesma semana. As entrevistas duraram cerca de 30 minutos, com utilização de gravador para posterior transcrição. No início da entrevista, foi apresentado o TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), convidando o participante que qualquer dúvida, este deveria perguntar, ressaltou-se também o sigilo e confidencialidade da entrevista com o material adquirido.

Procedimento de Análise

Ao término das três entrevistas, as gravações foram passadas para o computador, onde foram transcritas para o Word 2010, e em seguida deletadas. Posteriormente, quando as entrevistas já foram transcritas – foram criadas categorias analíticas constituídas por assuntos/temas que mais estavam presentes nas falas dos participantes; sendo elas 1) concepções e crenças de jovens adultos sobre sexualidade; 2) Questões de gênero sobre o prisma dos/as participantes; 3) Relações afetivo-sexuais em discussão.

3. Resultados e Discussão

Estruturamos a seção de resultados e discussão a partir das três categorias anteriormente mencionadas.

1) Concepções e Crenças de jovens adultos sobre sexualidade

Desde a colonização do Brasil ainda se percebe o quanto ainda a mulher é inferiorizada pelos discursos que se repertuam no cotidiano. O homem, via de regra, competiu aos lugares públicos, enquanto à mulher era encarregada do lar, de zelar pela preservação da moral. Ao homem era comum ter várias mulheres, enquanto elas eram um patrimônio do homem. Historicamente ao homem foi permitido mais liberdade, enquanto à mulher, esta era confinada ao espaço da casa (Bourdieu, 2002; DaMatta, 1984).

Ao contrário da mulher, ao homem era uma obrigação perder a virgindade logo cedo [09], enquanto a mulher, esta deveria se manter pura até a chegada de seu marido. Nos dias atuais, a pressão sobre os modos de conduta disseminada pelas instituições sociais, tem a mulher como um dos objetos/alvo do qual serve de matéria prima à estruturação da lógica econômico-política de dominação e sujeição dos corpos. Os produtos de beleza, a qual a mulher se quiser ter seus direitos respeitados, deve gastar um bom tempo para fazer cuidar seu corpo a fim de garantir à satisfação dos olhares de alguns, e a conta bancária de outros (Bauman, 1998; Bourdieu, 2002; Parker, 1991).

Perguntado a participante: porque você se identifica com uma das imagens [10] – respondeu Raquel: “porque sei lá, ela parece ser mais livre, mais independente, não precisa de ninguém”. É compreensível a mulher enxergar primeiro a liberdade em uma imagem de significados polissêmicos, descobre-se o quanto foi mantida sobre as rédeas curtas do domínio masculino (Bourdieu, 2002; Cardoso & Savall et. al. 2009).

A sociedade é machista. O sexo pro homem, é tudo mais liberal, ele pode sair com quantas mulheres que ele quiser que ele é o garanhão, bonzão, tal. E a mulher não, se ela sair com dez caras ela é... Entendeu, considerada de outra forma, elas recebem outros atributos, não os mesmos que o homem; então eu acho que; lógico ele pode está ajudando (...) as mulheres vêm ocupando o seu espaço, tendo uma liberdade sexual maior, mas mesmo assim a sociedade é muito machista; eu acho que ela não é a mesma coisa para o homem e para a mulher por causa disso. (Raquel 23 anos – estudante – grifo nosso).

Embora, Raquel afirme que a mulher deveria ter a mesma liberdade sexual que o homem, a mulher ainda sente vergonha de falar que sai ou pode (tem permissão) para sair com vários homens, devido como disse a essa “sociedade machista”. Logo, deve haver algum tipo de limite: “acho que deveria haver algum tipo de limite, por que... ah, não sei. Acho que sim tá bom?!”. Essa ausência de saber ainda é a condição sine qua non que norteia a “moldura psíquica” [11] para a subjugação da mulher. É preciso desse modo, subverter os esquemas de percepção incorporados e perpetuados inconscientemente por homens e mulheres que naturalizam as relações de dominação e assim fazem exercer a violência simbólica (Bourdieu, 2002).

Ademais, a fala de Raquel ao dizer que o homem pode estar ajudando as mulheres ficando com varias ao mesmo tempo: “então eu acho que; logico ele pode está ajudando”, demonstra o quanto arraigado se encontram as relações dominantes [12], logo é compreensível que o homem possua um papel (intrínseco ou relacionado à dominação) e a mulher outro (Madureira, 2007).

Consoante com Raquel, apesar de ser mais velha, Larissa, revela que, embora os privilégios sociais sejam majoritariamente atribuídos aos homens, ela ainda reproduz um discurso que colabora a sua posição de subserviência – ao dizer “a mulher deve se conservar (...), pro homem o sexo é mais essencial”. Ou seja, se nota o quanto no decorrer das histórias das instituições sociais, estas mediante as relações de poder constituíram os corpos, os saberes, que as expensas do refugo puderam se legitimar como fundantes das normas [13], e assim eternizar o arbitrário (Bourdieu, 2005).

À mulher, desde sua infância lhe é negado, a informação sobre a sexualidade. Ao contrário, dos homens fala-se em “campeonato de punheta”, onde sua sexualidade é exercida desde pequeno quando não incentivada pelo próprio pai. Afinal, é necessário que confirme sua virilidade e sua posição de poder, como ativo, pois passividade é “monopólio” da mulher (Parker, 1991).
Garanhão, a mulher é galinha. Pra mim eu sou extremamente preconceituosa nesse sentido, que a sociedade vê o cara como um garanhão. Mais eu espero que as pessoas sejam mais preservadas nesse sentido. Eu não acho nada interessante o cara que tem o titulo de garanhão e acho muito feio a mulher que sai por aí ficando com o primeiro cara, eu não curto muito essas coisas eu sou das antigas mesmo (...). A mulher não tem os mesmos direitos que homens nesse sentido né. O cara pode pegar 1.500 mulheres enquanto ela tem que ser de um homem só. Em minha opinião eu acho feio para ambas as partes, as pessoas muito usadas (risos). A gente vive numa sociedade machista ainda, e o homem tem permissão social para ser o que ele quiser; e a mulher vem conquistando seu espaço né, ela ainda não tem voz ativa na sociedade como gostaria de ter. (Larissa, 28 anos – estudante – grifo nosso).

Larissa apresenta como ainda os argumentos das mulheres são ambíguos e contraditórios que ao invés de tornar conscientes as relações de dominação, é minado pelos contrassensos de sua fala, que também é disseminado e incutido pelas instituições, e reproduzido no plano intrasubjetivo (Madureira & Branco, 2012). Enquanto a mulher acha sua opinião “preconceituosa” em relação ao homem ser considerado como “garanhão”, o homem percebe como natural a mulher virgem que se preserva, ao contrário de sua própria posição que é reconhecida socialmente como “pegador”, ou seja, a mulher virgem e o homem pegador são socialmente considerados “naturais” na realidade brasileira (Parker, 1991).

Assim o que mina a tomada de consciência de seus direitos aparecem de inúmeros lados – tarefa essa que os meios midiáticos têm se prestado com excelência – ao generalizar uma informação, ou concentrar a atenção sobre outros assuntos muitos distantes daqueles que constroem a nossa realidade político-econômica – o nome não desse processo, mas programa chama-se alienação (Bauman, 1998; Chomsky, 2002; Ribeiro, 1979).

Antigamente existia muito isso, mas hoje não existe mais, eu acho que mulher pode fazer papéis de homem, como homem pode fazer papéis de mulher. O homem pode cozinhar e a mulher pode trabalhar. Eu acho essa imagem muito rude (imagem 9), meio ofensiva porque isso aí está dizendo o seguinte que a mulher só pode cozinhar e nada mais, é como se fosse um bicho de acasalamento como ela foi – quem manda é o homem (Mateus, 18 anos – estudante – grifo nosso).

Da mesma forma, a fala de Mateus ainda conserva a invenção dos papéis baseados no sexismo, ao dizer originariamente “isso” era do homem e “aquilo” da mulher, conserva-se uma ideia a-histórica inflexiva sobre os papeis sócio culturalmente construídos (Laraia, 2004; Louro, 2000; Madureira, & Branco, 2012).

2) Questões de Gênero sobre o prisma dos/as participantes

A mulher ainda no século XXI desconhece os seus direitos como iguais aos do homem, ambos os gêneros têm atribuído papeis que são vistos com essênciais segundo os marcadores anatômicos, o que por sua vez ignora o próprio conceito de gênero. A esse aspecto chamei de “Essêncialismo Flexível” [14].

A subversão da (des)ordem, nesse sentido, ocorreu quando eclodiu o movimento feminista, a fim de tornar visíveis os efeitos desse pensamento e descortinar também a arquitetura arqueológica da dominação. Não é somente o desconhecimento dos direitos que deveriam ser problematizados, mas o que os produz. Não é por falta da consciência da mulher que esta aceita a dominação, ou melhor seria dizer quais as contribuições que as instituições sociais desempenham na produção e formação da subjetividade?

A categoria gênero como uma ferramenta analítica serve para compreender o caráter social das distinções baseadas no sexo, visa, portanto, destacar a construção sócio-histórica e cultural em que foram armados os papeis sociais sobre as características biológicas, (Andrade, 2009; Costa, e Scalia, et al. 2009; Madureira, 2010) que tem servido muito bem para ajudar a enrijecer as fronteiras, muralhas, onde se conservam os privilégios dos agentes políticos [15]-econômicos [16].

O conceito de gênero ainda se mostra longe de ser assimilado pelos os esquemas de percepção de homens e mulheres. Entretanto, se nota que paulatinamente a mulher vem conquistando posições sociais que eram consideradas inerentes ao domínio dos homens, sobretudo nas profissões, onde o poder nesse lugar capital tende manter as fronteiras simbólicas rígidas (Madureira & Branco, 2012).

Olha o papel do homem... Pra mim... Ah é ser uuu – como fala... O provedor da família. Eu acho que ele tem que ser o... Trabalhar, não sustentar, porque hoje as mulheres trabalham. Ser o provedor da família, da mulher e dos filhos. Da mulher é cuidar da família, mas não ficar cuidando dentro de casa, lavando roupa, passando, só cozinhando, ela tem que cuidar do marido dela e da família dela; mas podendo trabalhar fora. Mas cuidar da família entendeu? (Raquel, 23 anos – estudante).

O homem de algum modo deve ser o provedor e, com efeito, podendo ter uma posição privilegiada nessa relação que tacitamente tende a legitimar as desigualdades entre homens e mulheres. Consoante com a fala de Mateus a mulher, sobretudo ainda tem mais dificuldade que o homem para assimilar que não existe papel essencial de homem, assim como não existe papel essencial de mulher. Nesse sentido, o conceito de gênero que visa destacar os aspectos culturais, políticos e econômicos que as estruturas sociais desempenham nas categorias de pensamento atinente aos modos de subjetivação (Abreu & Andrade 2010; Bourdieu, 2002). Nesse sentido, é necessário inquirir por meio da semiótica [17], quais signos a mulher tem constituído sua subjetividade e desse modo descortinar a própria configuração subjetiva (Gonzalez 2011) que a mulher tem se estruturado, que, aliás, não é tão subjetivo assim [18] (Epstein, 2001; Valsiner, 2012).

A fala de Larissa comprova ainda que cabe a mulher se preservar, se manter pura e livre de qualquer homem que faça a conjecturar sobre a possibilidade do rompimento de seu hímen. A mulher virgem, pura ainda é considerada um presente, no qual deve ser entregue somente após o casamento (Araújo, 2002; Parker, 1991).    

A gente entra nessas questões se preservando demais, e acaba por não viver o relacionamento em sua totalidade, eu acho que foi basicamente isso o que aconteceu comigo. Eu entrava sempre com o pé atrás, porque os outros que eu tive foram muito, muito bacanas para mim, e as vivencias que eu tive nesses outros relacionamentos trouxeram para os outros coisas não tão bacanas, então eu me preservava demais, e por isso às vezes não funcionava. Atualmente, pelo contrário, eu acabei que já estava madura e...  Para o relacionamento, e verifiquei que as outras pessoas já estavam nessa fase de frustrações de... Pessoas que às vezes não estão prontas pra se relacionar; e também porque já passaram por questões... Convivências não tão bacanas. Acho que é isso (Larissa, 28 anos – estudante – grifo nosso).

O relato de Larissa, talvez seja uma das partes mais dolorosas que podemos ouvir. Nas palavras de Parker, (1991):

A extensão em que estas distorções marcam a realidade feminina no Brasil é compreensível quando situada dentro da estrutura hierárquica que ela procura confirmar e reproduzir. Pelo fato de a feminilidade ser entendida como tão inferior e, ao mesmo tempo tão ameaçadora, ela precisa ser rigidamente controlada e regulada. A recusa da informação é pelo menos um meio de se obter esse controle. (Parker, 1991, p. 94; grifo nosso).
Hoje em dia a sociedade é muito hipócrita em não aceitar o homossexualismo, “da minha parte”, porque eu acho um fator muito importante da sexualidade [19] hoje em dia né. Por exemplo, o que a sociedade fala: duas mulheres se pegando, poxa é show de bola, isso; dois homens se pegando “caralho” que cara tapado, que ridículo isso. Que eu acho que a sociedade deveria ter mais respeito com isso, cada um tem um jeito que tem, nasceu do jeito que tem que ser. Cada um tem que escolher sua própria sexualidade, sua própria opção, você não pode mandar num homem e; você vai pegar só mulher e pronto safado – não, se ele quiser pegar homem, deixa ele; a boca é dele, o resto é dele, deixa ele, não é seu, cada um não deve se importar com a vida dos outros (Mateus, 18 anos – estudante – grifo nosso).

Interessante notar que duas mulheres se beijando é bem quisto por um grupo de homens, enquanto dois homens se beijando é reprovável pela maioria hetero(normativa) [20]. Ademais, diz ainda que “cada um tem um jeito que tem ser”, o que configura certo tipo de essencialísmo que nasce com o sujeito, a despeito da esfera social-cultural em que sujeito se constitui, privilegiando assim os tabus propagados, mormente pela mídia, mas não apenas.

De outro modo, a fala de Mateus, aniquila qualquer possibilidade em que o ser humano processa/constrói sua identidade. A construção da identidade dá-se por meio da marcação da diferença, isto é, as identidades são construídas a partir de seleções de características que fazemos, ainda sim, o modo como são elegidas essas características é permeada por uma estrutura social – pois dificilmente selecionaríamos atributos que não estivesse em harmonia com as normas vigentes [21] (Woodward, 2000).

Nesse ínterim, o processo de construção de identidade(s) envolve a marcação simbólica de fronteiras que delimitam, de forma semipermeável, as diferenças entre os indivíduos e grupos sociais. “Se as diferenças são centrais para construção de significados, as fronteiras marcam as diferenças; mas quando as fronteiras se tornam rígidas funcionam como barreiras culturais entre pessoas e grupos sociais” (Madureira, 2007; Madureira, & Branco, 2012). Assim, não podemos falar nem mesmo em uma identidade, mas várias na pós-modernidade (Hall, 2006; Moreira & Câmara 2008; Woodward, 2000).

3) Relações afetivo-sexuais em discussão

Como é perceptível ao/a leitor/a, não é somente em um aspecto em que se legitimam atribuições, privilégios para os homens, mas há uma cadeia de significantes que é incutida e perpetuada também pela mulher (Bourdieu, 2005; Moreira & Câmara, 2008). Assim, a essa cabe somente um papel passivo, que embora se admita que a mulher venha conquistando novos espaços, ainda é dela o papel/estigma inerente daquilo que se veio a atribuir/nomear socialmente como feminino (Parker, 1991).

Ao se referir a uma das imagens a mulher ainda se mostra retraída de expor os seus autênticos pensamentos: “mesmo se essa pessoa fosse muito atraente e me despertasse um interesse sexual enorme; se não tivesse um envolvimento maior, amoroso, eu não faria sexo com ele”. O amor ainda é condição sine qua non (sem qual não)o relacionamento não acontece. Nesse sentido, é importe refletir sobre a própria arqueologia em que foi forjado o “amor”. Não precisamos ir muito longe na história para saber que por traz do amor romântico está o homem provedor, o homem capaz de proteger os/as filhos/as e sustentar a mulher. Ou seja, exercendo uma posição de poder Foucault (1996), na qual cabe a mulher ser protetora da moral e zelar pelos bons costumes do lar (Andrade, 2009; Chauí, 1984; Parker, 1991).

Na era da fluidez, onde até os relacionamentos são permeados pelas características impermanentes da pós-modernidade, a mulher ainda é estigmatizada como “galinha”, enquanto o homem recebe o apelido de “garanhão” ao se relacionar com mais de uma parceira, aliás como diz Giddens (1993) “os homens têm sido tradicionalmente considerados – e não apenas por próprios – como tendo necessidades de variedade sexual para sua saúde física”.

(...) A mulher não tem os mesmos direitos que homens nesse sentido né. O cara pode pegar 1.500 mulheres enquanto ela tem que ser de um homem só. Na minha opinião eu acho feio para ambas as partes, as pessoas muito usadas (...) (Larissa, 28 anos – estudante).

Destarte, a apesar de haver essa permissão social para o homem, a mulher ainda de maneira implícita, como já discorremos anteriormente, contribui para o manejo dessas diferenças desiguais – por mais que admita a possibilidade de troca de papéis ainda é atribuído ao homem, as posições sociais estratégicas, amiúde aquelas inerentes de saber/poder (Foucault 1996).

Cara eu acho isso realmente errado, porque “foi como você disse”, o homem que come quatro mulheres é o “safadão, taradão, gostosão” – a mulher já é uma vadia ou puta; eu acho isso totalmente errado, porque elas batalharam muitos anos pelos direitos iguais. Que eu acho que elas deveriam ter isso também. Então eu acho ridículo numa sociedade brasileira, a mulher ficar com quatro homens e... É errado? É! Tudo bem, mas também eu não acho certo que o homem fique com seis na sociedade. (Mateus, 18 anos – estudante).

Na fala de Mateus percebem-se as contradições, entre as atribuições feitas aos homens e mulheres que saem com mais de uma parceira (o). O homem não só tem permissão social para ter mais de uma mulher, como sua sexualidade é incentivada desde infância, ao contrário da mulher é negado à própria informação de sua sexualidade, o que visa garantir o pudor e os bons costumes morais, e também o controle de seus corpos. A escola, aliás, com a função social de educar, muito pelo contrário tem perpetuado os tabus, alienando a consciência, por exemplo, ainda a educação sexual tem se concentrando em nível de ovários e espermas, nada além da química do organismo (educação biológica), não há espaço para desejos, duvidas, inquietações dos alunos sobre a sexualidade, muitos docentes quando não riem dessas agitações hormonais, se mostram omissos relevando a inaptidão para lidar com o tema (França & Calsa, 2011; Louro; 2000; Louro, 2007; Madureira, 2007).

4. Considerações Finais

Este trabalho tentou esclarecer como as concepções e crenças sobre relacionamentos amorosos ainda tem se conduzido pelo paradigma do essêncialismo flexível, no qual há somente uma mudança de concepção superficial sobre o que é ou não próprio do homem e da mulher. Portanto, admite-se o desempenho de papeis variados exercido por homens e mulheres, mas ainda existem crenças orientadas pelo essencialismo biológico, no qual diz-se que ainda há papeis próprios de homem como de mulher.  

 As mulheres nesta segunda década do terceiro milênio, ainda têm sido subjugadas, tratadas em segundo plano, em todo esfera (social, profissional, pessoal etc.). Nesse sentido, vários são os autores/as que discutem, retratam esse papel subalterno atribuído à mulher (Bourdieu, 2005; 1996; Madureira, 2010; Moreira & Câmara, 2008; Parker, 1991; Woodward, 2000), dentre inúmeros outros/as autores/as.

Desde o início de minha graduação em Psicologia, a questão era suscitada: porque as mulheres ainda continuam no relacionamento quando seus parceiros a agridem, física e psicologicamente. E as respostas por mais que variassem caminhavam em um mesmo sentido: “Por mais que o parceiro seja agressivo as mulheres despõem de reforçadores nesta relação que o mantem”. Desse modo, quantas vezes ouve-se falar de casos em que o homem humilha sua mulher e está o aceita toda vez, até mesmo sendo independente ao menos financeiramente (ainda a razão principal para aguentar as violências). Essas respostas obviamente desconsideravam uma série de fatores, a começar, econômico, político, histórico, social e cultural.

Nas entrevistas verificou-se o quanto a própria mulher se mostra extremamente insegura da posição que lhe é de direito. As mulheres delegam aos homens atributos de poder, no qual este é passado à mulher unicamente por meio da bondade do homem, uma vez que é difícil conquistar seus próprios direitos dentro de uma estrutura referencialmente sexista.

A produção deste trabalho permitiu indubitavelmente ampliar a compressão não somente sobre as concepções de gêneros e sexualidade, mais também fez com que o próprio pesquisador compreendesse esses fenômenos sobre eixos maiores dos aparelhos abstratos-concretos-econômicos-políticos-ideológicos sobre a qual estrutura-se toda a sociedade. Antes de realizar esta pesquisa desconhecia os dispositivos/signos subjacentes na qual as pessoas se constituíam.

Assim, a própria dedicação e motivação deste trabalho se mostrou de suma relevância para compreender não somente a visão de quem o produziu, mas para que quem ler o dissemine a fim de contribuir com a erradicação das práticas discriminatórias tão frequente em nossa realidade brasileira.

Apesar dessa pesquisa ter contribuído significativamente dando início à minha formação de pesquisador, ainda se mostra limitada necessitando de novas pesquisas que não somente revele a brutal e invisível fabricação da manutenção das desigualdades sociais, mas que produza a ações na realidade concreta.

À guisa de conclusão, não poderia terminar esse texto elaborado com tanta dedicação, sem deixar de expor as palavras de quem pessoalmente chamo de mestre com quem tanto pude desenvolver-me, e aprimorar-me integralmente.

A lógica tradicional da política estão ligadas às estruturas do inconsciente masculinos e femininos, que forjam as relações sociais de dominação entre os sexos. De outro modo, os esquemas de percepção construídos histórica e culturalmente tem se reproduzido nas relações propaladas pelas diversas instituições sociais, onde a dominação ou violência simbólica tem se exercido (...). É necessário assim uma revolta subversiva que conduza a inversão das categorias de percepção que já desde a constituições das mitologias tem estruturada as percepções dos corpos e dos usos, sobretudo sexuais, que deles se fazem, isto é, ao mesmo tempo a divisão sexual do trabalho e a divisão do trabalho sexual (Bourdieu, 2005).

 Assim, se faz necessário entre os próprios intelectuais reavaliarem quais tipos de implicações que sua contribuição tem nas desconstruções das práticas discriminatórias. Só construiremos uma sociedade justa e democrática quando nossas ações atingirem a realidade concreta na qual, aliás, muitos se esquecem, mas é a que nós vivemos e da qual a única existente no aqui-e-agora, e que nela há poucos anos deixaremos de existir.

Notas:

Conforme Bourdie (2005) a vagina continua sendo constituída como fetiche e tratada como sagrada (p. 26), melhor dizendo a mulher foi reduzida aos músculos de sua vagina, (na qual, aliás esta tem se constituído no campo da eternização do arbitrário), ou seja, o hímem é considerado o presente de casamento, portanto cabe à mulher zelar bem pela vagina que acomodará um pênis – por outro lado a mulher “folgada” perdeu sua identidade na cultura heteronormativa, que aliás, a própria noção de heteronormatividade é um subterfúgio, do qual é necessário para alicerçar o poder – apartando e delimitando os grupos.

Contudo, é preciso lembrar que as concepções e crenças de homens e mulheres sobre relacionamentos amorosos, sobretudo no século XXI tem sido forjada pelos veículos midiáticos, e outros aparelhos do qual tem o poder organizador de todo a nossa linguagem – os signos nesse sentido desempenham funções que estão literalmente além da nossa compreensão determinando “nossa própria” inteligibilidade do mundo e além dela. Nesse sentido, a sociedade evoluiu da cultura do Ser, para o Ter, e agora o Aparecer; este último tem referência direta com a sociedade do espetáculo de Debord. Trazendo esse tema para a sociedade da comunicação em rede hoje, é compreensível para aqueles que possuem os anticorpos da alienação/imbecilização em massa, que o ser humano é possuído/constituído por diferentes concepções de relacionamentos amorosos – o que talvez poderá parecer a princípio questionável um ser humano transar com um computador sem que este o impeça saber a distinção de alienação. Ou seja, adota-se hoje diferentes práticas e concepções de relacionamentos amorosos – o problema é saber quando este é permeado pelos signos promotores da desmiolinização/alienação.

É necessário assim compreender que a estética tem um poder orientador de nossas ações, melhor dizendo, mulheres de meia idade que ainda se abarrotam de maquiagem, que são assim convertidas em produtos dos próprios signos do qual são agenciadas, abduzidas pelo arbitrário – cuja vida tem sua ampliação pelo arrefecimento em uma página de rede social, em qual esta havia declarado sua felicidade de poder receber os olhares dos outros e construído assim “sua própria” admiração/alienação...

Sobre o Autor:

Júlio de Oliveira Lopes - Formando do curso de Psicologia do Uniceub DF-Brasília.

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