Identidade de Gênero: uma Perspectiva da Amostra da População Adulta Jovem do Norte Gaúcho

Identidade de Gênero: uma Perspectiva da Amostra da População Adulta Jovem do Norte Gaúcho
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Resumo: A pesquisa realizada tem por objetivo principal aliar a teoria à prática, através de pesquisas didáticas e de campo, com a aplicação e análise de questionários, os quais abordam assuntos referentes à diversidade de gênero, dentro dos contextos patológico, psicanalítico, organizacional e de avaliação clínica psicológica. O estudo traz enfatizado, o conhecimento e a opinião de indivíduos pertencentes a faixa etária adulto jovem, oriundos da região norte do Rio Grande do Sul, referente às camadas TRANS (transexual/ transgênero) e CIS (cisgênero). À partir da grande maioria das respostas obtidas, é possível perceber que o preconceito paira diante de indivíduos transexuais, ainda, na sociedade atual, quando cerca de oitenta por cento dos respondentes trazem a público essa afirmativa, mesmo que em geral percebam a existência desse fator, entretanto encontram dificuldade em acolhê-los em sociedade, destaca-se a importância do pensar socialmente, com mais respeito, informação, políticas de direitos e de igualdade a esses, para que sejam aceitos e inclusos no meio social como um todo.

Palavras-chave: Gênero, Transgênero, Sociedade, Despatologização, Identidade de Gênero, Sexualidade.

1. Considerações Iniciais

O presente artigo foi elaborado através de uma revisão bibliográfica, que serviu como embasamento teórico para a pesquisa, além da parte teórica. A prática foi executada através de um questionário com perguntas fechadas, após foi realizada a análise dos resultados obtidos, sendo esta uma pesquisa de cunho quantitativo.

O questionário foi aplicado em uma amostra de adultos jovens na faixa etária de 23 a 35 anos, que totalizou 101 questionários aplicados e os mesmos foram realizados em 23 cidades situadas no Norte do Rio Grande do Sul. O objetivo de aplicar o questionário em várias cidades foi para ter um maior entendimento da visão mais ampla e diversificada em relações as respostas obtidas.

Após o recolhimento de dados, foi possível perceber o entendimento limitado dos respondentes acerca do assunto identidade de gênero, muitos não conheciam os termos e não tinham nenhum entendimento sobre o assunto, muitos tiveram o primeiro contato com esses termos a partir do questionário, o que sugere a falta de contato com esta realidade. Os dados obtidos foram descritos e discutidos no decorrer deste artigo.

O objetivo principal deste artigo foi de buscar dados sobre a despatologização de gênero através de uma revisão bibliográfica e buscar saber o que a os adultos jovens entendem sobre este assunto. Os resultados obtidos foram diferenciados, o que resultou em uma ánalise satisfatória e um entendimento maior sobre o que a população acha sobre. Este trabalho foi elaborado por acadêmicos do quinto nível do curso de Psicologia da Faculdade IDEAU Getúlio Vargas/ RS.

2. Desenvolvimento

O conceito de gênero surgiu primeiramente para a diferenciação entre sexo biológico de identidade (no sentido psíquico), portanto, está relacionado às relações interpessoais entre os sexos, mas não significa a correlação com o sexo biológico. O gênero se manifesta e se constrói socialmente, então, criam-se grupos hierárquicos que segregam-se. Além do sofrimento psíquico gerado pela identificação com o gênero que não condiz ao seu sexo biológico, estes indivíduos sofrem com o preconceito social por serem diferentes da maioria (PEREIRA, 2018). 

2.1 Conceituação e Terminologias

Existe uma grande diferença entre a identidade de gênero e a orientação sexual de um indivíduo, bem como entre os termos empregados para caracterizá-los. A orientação sexual é definida pela orientação do desejo de uma pessoa pela outra, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto, enquanto a identidade de gênero é a forma como aquela pessoa se identifica, como por exemplo, se ela nasceu com o sexo feminino e se identifica com o mesmo, ou nasceu com o sexo feminino, mas sente-se pertencente ao sexo oposto (FREITAS, 2016).

Para iniciar a leitura, é necessário que haja um conhecimento/diferenciação entre os termos, portanto serão explicitados de forma objetiva:

  • Heterossexual: indivíduo que sente atração por outros indivíduos do sexo oposto. Homossexual: indivíduo que sente atração por outros indivíduos do mesmo sexo. Bissexual: indivíduos que sentem atração por outros indivíduos tanto do sexo oposto quanto do mesmo sexo. Pansexual: pessoa que sente atração por homem, mulher, travesti, drag queen, transgênero, transexual, ou seja, por todos os gêneros (PELLEGRINI, 2013).
  • Intersexo: A intersexualidade, é uma variação nos cromossomos, nos órgãos genitais e nas características sexuais de alguns seres humanos, provocando ambivalência tanto em homens quanto mulheres, com alterações na voz e formato diferenciado das partes íntimas, o que é conhecido também como hermafroditismo (CAMPINHO, 2009).
  • Assexuada: pessoa que afirma não sentir atração sexual por nenhum gênero (GASPARETO, 2015).
  • Transexual: pessoa que não se identifica com o sexo biológico, demonstra inconformidade pela genitália que não se adéqua ao seu sentimento de pertença. Este indivíduo sente que nasceu em um corpo que não é o seu, ou seja, um homem preso ao corpo de uma mulher ou vice-versa, portanto, muitas vezes, estes indivíduos optam pela cirurgia de resignação sexual e, geralmente, fazem hormônio terapia para adaptar seu corpo a forma como se identificam (AZEVEDO, 2016).
  • Travesti: é um termo mais marginalizado socioeconomicamente e de identidade feminina. O travesti veste-se com roupas e acessórios de acordo com o sexo oposto e vivem parte do dia ou o dia todo nesta caracterização. Podem fazer hormônio terapia, fazer cirurgias plásticas para ficar o mais próximo possível do sexo oposto, mas, geralmente, não sentem desconforto com a genitália de nascimento e, portanto, não costumam realizar a cirurgia de resignação sexual (AZEVEDO, 2016).
  • A Drag Queen/O Drag King: este indivíduo não vive “travestido” no dia a dia, monta- se (roupa, maquiagem, penteado e acessórios) para um desempenho artístico, podendo ter qualquer orientação sexual e ser de qualquer gênero. Cisgênero: ou “do mesmo lado”, é a pessoa que se identifica com o mesmo gênero que foi registrada no nascimento e com o sexo biológico, mas isso não significa dizer que este indivíduo é heterossexual, visto que, como já foi dito, orientação sexual e identidade de gênero são duas coisas bem diferentes (AZEVEDO, 2016).

2.1.1 Disforia de Gênero, Características Diagnósticas, Desenvolvimento, Dificuldade nos Relacionamentos Interpessoais e Tratamento

O termo “gênero” condiz a características culturais, sociais e psicológicas de seres de uma mesma origem, porém, os papéis dentro de uma sociedade binária, diferem esse termo apenas pela concepção biológica, sendo essa a diferença visível entre os homens e as mulheres, os heterossexuais. Em contrapartida, os comportamentos que não se encaixam nos padrões normativos, são notados como minoria dentro das sociedades, atribuindo para si às diferenças entre o lícito e ilícito, bem como, do que se é permitido e proibido (CÂNDIDO, 2016).

A disforia de gênero caracteriza-se de uma forma geral, em sentimentos de angústia, desconforto, insatisfação, ansiedade e uma inquietação relacionadas ao sentimento de não pertença ao seu sexo biológico, ou seja, indivíduos que nasceram, por exemplo, com o sexo biológico masculino, mas tem sentimentos de pertença ao outro gênero. Estes sujeitos tendem a desenvolver estresse, ansiedade, transtorno de humor, esquizofrenia, distúrbios alimentares, possíveis tentativas de suicídio, depressão e, portanto, podem ter dificuldades de relacionamentos sociais, bem como na escola, no trabalho, entre outras atividades do cotidiano (OLIVEIRA, 2015).

Para ser diagnosticado a disforia de gênero em adolescentes e adultos, segundo o (DSM-V, 2015, p. 452) “incongruência acentuada entre o gênero experimentado/expresso e o gênero designado de uma pessoa, com duração de pelo menos seis meses, manifestada por no mínimo dois dos seguintes”:

  1. Inconformidade com o gênero expresso/experimentado e suas características sexuais; 
  2. Desejo de livrar-se das características sexuais apresentadas/expressas de seu gênero de nascimento; 
  3. Desejo pelas características sexuais do outro gênero; 
  4. Sentimento de pertença ao outro gênero; 
  5. Desejo de ser tratado como o outro gênero; 
  6. Acredita ter as reações e sentimentos relacionados ao outro gênero (NASCIMENTO, 2014).

A dificuldade nos relacionamentos sociais de indivíduos transgêneros se estende, todavia, ao trabalho tanto quanto ao seu cotidiano. Existem pessoas que proferem seus discursos de ódio e intolerância em relação às diversidades sexuais, portanto, a inclusão de pessoas trans na sociedade está por vezes relacionada à desconstrução da ideia de gênero ligado ao sexo biológico do indivíduo (OLIVEIRA, 2015).

O combate à transfobia é um jeito de olhar e garantir uma mudança na qualidade de vida destes indivíduos, e por isso a importância dessa desconstrução. Já no que diz respeito ao trabalho, é necessário que as organizações preparem-se para o acolhimento desta parcela de trabalhadores, a fim de evitar tratamentos discriminatórios, bem como violação dos direitos humanos (LIMA, 2017).

Quando falamos em tratamento à disforia de gênero, não estamos falando em fazer com que o indivíduo deixe de ser trans, muito pelo contrário, o tratamento é necessário para que este indivíduo se entenda, se aceite e, principalmente, consiga lidar com os desafios que vem em seguida, como a mudança do corpo biológico e, também, a possível discriminação em meio à sociedade (AZEVEDO, 2016).

O que deve ser tratado, prioritariamente, são os transtornos que este indivíduo pode desenvolver de acordo com essa fase transitória. O objetivo principal não é mudar a forma como a pessoa sente-se em relação ao seu gênero, ou fazer com que ela entenda que como seu sexo biológico é feminino, por exemplo, seu gênero tem que ser feminino, ao invés disso, é importante tratar a forma como estes sujeitos vão aprender a lidar com o sofrimento que pode vir com esses sentimentos de pertença a outro gênero (OLIVEIRA, 2015).

Além da psicoterapia e o uso de medicação para inibição da ansiedade, por exemplo, algumas pessoas optam pela mudança da forma física, de vestir-se e o nome social, de acordo com a forma como elas se sentem, utilizando métodos como o uso de hormônios (testosterona ou estrogênio), para desenvolver os traços do sexo que se identifica e, algumas vezes, optam pela cirurgia de mudança de sexo. A psicoterapia após essa transição de mudança de sexo é de extrema importância tanto para o indivíduo que passou por ela, quanto para os familiares e pessoas próximas que apresentam dificuldades em entender/aceitar quanto a esta mudança de gênero (FOSTER, 2015). 

2.1.2 Do Conceito à Definição de Constituição Psíquica de Gênero

A psicanálise é permeada pela sexualidade desde seus primórdios por Freud, que por sua vez sofreu e ainda sofre duras críticas por suas colocações ousadas para a época, como a Teoria da Sexualidade Infantil, Teoria do Trauma e Bissexualidade Psíquica. Desta forma, concebe-se uma retomada a partir destes trabalhos precursores até os conceitos atuais e distintos de gênero e sexualidade (CARVALHO, et al. 2017).

Inicialmente, entre as muitas correspondências entre Fliess e Freud a discussão sobre a bissexualidade psíquica para além de um referencial anatômico passa a ser aprofundado. Freud considera tais apresentações da sexualidade como estruturantes deste aparelho psíquico, mesmo Fliess acreditando o sexo biológico seria o suficiente para recalcar o sexo oposto (CARVALHO, et al. 2017).

No decorrer dessas inquietações surge o conceito de sexualidade ampliada, na qual esta não se reduz apenas a genitalidade, e se dá espaço para pensar sobre uma disposição perverso-polimorfa, ou seja, a obtenção de prazer ou satisfação através da parcialidade (qualquer parte do corpo para além da genital), atividades estas não muito bem aceitas na cultura falocêntrica da época (CARVALHO, et al. 2017).

Neste mesmo contexto social e histórico de supremacia do homem e subjugação da mulher Freud organiza inicialmente suas elaborações sobre gênero da seguinte forma: Em momentos pré-genitais a organização da sexualidade está voltada para conceitos de atividade e passividade (oralidade e analidade), posteriormente num estado de genital infantil há o masculino, porém não há feminino, visto que neste período marca-se a primazia do falo, sendo assim, haviam os que possuíam o falo e os castrados (CARVALHO, et al. 2017).

Decorrente disso já na puberdade assumem-se papeis de masculino e feminino, caracterizados novamente entre ativo, portador do pênis para o masculino e em posição de objeto e passividade o feminino. Tendo que neste momento a vagina é concebida apenas como abrigo para o pênis (CARVALHO, et al. 2017).

Dentro desta dualidade, Freud considera tanto meninos quanto meninas seres possuidores de atividade e passividade sendo que estes são termos agora psíquicos e não meramente anatômicos. Porém esta primazia dual cessa com a entrada em Édipo, momento em que a menina passa a perceber seu clitóris como excitável e o diferencia do pênis possuído pelo menino. Esta distinção faria com que a feminilidade se distinguisse da masculinidade

pela aceitação da menina de sua condição de não possuir o falo e ao designar à mãe a culpa por não possuir um pênis e direcionar ao pai o amor por possuí-lo ou pela inveja do mesmo (LAPLANCHE, 2016).

A partir disso alguns questionamentos podem surgir quanto à funcionalidade desta teoria no contexto atual. Para dar seguimento a tais teorizações, autores pós-freudianos como Lacan e Jean Laplanche, lançam indagações sobre como seria possível à entrada em Édipo se haver uma definição de gênero? De forma muito generosa e particular de Freud que deixa subliminarmente muitas lacunas de pensamento em seus escritos para posteriores continuidades (LAPLANCHE, 2016).

Para tanto, com a Teoria da Sedução Generalizada Laplanche amplia os conceitos da formação do psiquismo. Desta forma concebe o bebê como um ser de aparelho psíquico em constituição (aberto), ao qual através dos cuidados corporais e afetivos dos pais, são transmitidas mensagens até então enigmáticas do sexual e instaurado o pulsional novamente como em Freud através da sedução, porém não em contexto de trauma e real, mas sim de simbólico e inconsciente (LAPLANCHE, 1988).

Neste processo de transmissão dessas mensagens acorre uma designação do gênero na criança, estas por sua vez, vem tanto como ruídos inconscientes como pré-consciente e se prolonga para além da linguagem. Esses conteúdos impregnados nessas mensagens aparecem por vezes do sexual dos próprios pais que ativam tais conteúdos na presença da criança (LAPLANCHE, 2016).

O mesmo autor reavalia as proposições de Freud que trata da identificação (primária ou secundária) como uma via ativa da criança em direção ao adulto, e passa a tratar de uma identificação POR, ou seja, através das inscrições e designações feitas pelos cuidadores em direção à criança.

Tendo que ambos são portadores de um sistema inconsciente que recebe e transmite informações e mensagens das quais servem como instauradoras do gênero na criança, e que estas partem também dos socius (pais, avós, irmão, meio social) que por seus anseios e fantasias direcionam estas mensagens aquele psiquismo em constituição (LAPLANCHE, 2016).

Assim na Teoria da Sedução Generalizada se concebe a precedência do gênero antes do sexo, e que este é organizado pelo gênero. Sendo ela uma tentativa de fornecer um código de tradução dessas mensagens e ruídos inconscientes. Portanto para Laplanche o gênero é

adquirido, designado pela alteridade até os quinze meses de vida aproximadamente e posterior fixado pelo sexo na tentativa de tradução do gênero no decorrer do segundo ano de idade (LAPLANCHE, 1988).

Outro autor contemporâneo nas questões de gênero é Facundo Blestcher (2017), que como Laplanche pressupõe o gênero anterior à diferença anatômica dos sexos. Mantendo que toda a identidade de gênero se estrutura pela inscrição simbólica das zonas erógenas primárias, ou seja, anteriores a Édipo.

Facundo propõe sobre identificações miméticas ou adesivas, que são uma forma imitatória assumida por um sistema egóico muito frágil, e que necessita deste revestimento das características de outra figura para abarcar suas insuficiências. Podendo exemplificar com o travestismo infantil, em que a criança que faz uso das roupas da mãe para poder suprir suas falhas egóicas através do plágio às características e comportamentos de outro (BLESTCHER, 2017).

2.1.3 A Concepção de Gênero no Contexto Organizacional

A diversidade de gênero nem sempre é aceita nas organizações, frequentemente indivíduos e funcionários de algumas empresas sofrem perseguições e preconceitos que estão ligados diretamente ao seu gênero e escolha sexual, para que este constrangimento não ocorra no ambiente de trabalho, deve-se discutir sobre esses assuntos constantemente dentro das empresas, nos procedimentos de gestão de pessoas, com o intuído de estabelecer harmonia e diversidade no ambiente de trabalho (MEDEIROS, 2014).

Sabe-se que desde o princípio da civilização, a mulher fora discriminada e vista como inferior ao homem, com as exclusivas funções de maternidade e cuidados domésticos, sem liberdade de decisão ou independência qualquer. Após muitos anos de luta, conquistaram seus direitos e hoje são consideradas empreendedoras no mercado de trabalho e profissionais fundamentais no desenvolvimento das organizações, agora, o seu grande desafio está em conciliar as relações trabalho-família, onde a casa, muitas vezes, continua sendo sua responsabilidade já que ainda há uma certa dominação masculina por conta da cultura (FERREIRA, 2015).

Assim como com o gênero feminino, indivíduos com uma opção sexual diferente da dita normal perante a sociedade, encontram inúmeras dificuldades diante do mercado trabalhista, além do grande processo de transição sexual vir carregado emocionalmente, o modo como os

transgêneros são percebidos e tratados dentro de diferentes organizações, pode afetar em demasia suas decisões de carreira, por conta do grande preconceito e da discriminação, além desses há também o medo da perda de um cargo já atribuído e da dificuldade de se encontrar uma nova função num mercado de trabalho permeado de preconceito (CÂNDIDO, 2016).

Apesar da constante evolução dos países, o preconceito paira diante da opção sexual dos indivíduos. No mundo organizacional, no contexto mercado de trabalho, a grande maioria dos transgêneros precisam andar de maneira discreta, quase que invisível, para que possam garantir uma vaga no setor trabalhista, já para os que recusam-se esconder sua identidade de gênero, não restam muitas opções no mercado, o que os leva a uma vida de desemprego e/ou, muitas vezes, de prostituição. Para os gestores organizacionais, o ser humano é o seu principal componente, por isso buscam cada vez mais desenvolverem políticas públicas de valorização das diversidades, garantindo um mundo igualmente acolhedor e habitável a todos (FERREIRA, 2015).

A homoafetividade também é alvo de críticas e argumentações dentro dos setores trabalhistas. Ao final dos anos 90, devido a situação econômica, a “gestão de diversidade” passa a ser implementada no mercado de trabalho americano, o termo baseou-se na tática do governo de liberalização econômica, onde as diversidades passaram a ser vistas como estratégias de vendas e sucesso das organizações, através do melhor desempenho conjunto com a formação de equipes com distintas experiências de vida, as quais trazem criatividade e inovação, além de os consumidores desse determinado grupo optarem pelo ambiente. Cabe aos gestores das organizações então, trabalhar na criação de um modelo que possibilite a identificação de todo e qualquer indivíduo, sem discriminação qualquer (NUNES, 2017). 

2.1.4 Contribuições dos Testes Psicológicos na Avaliação de Indivíduos com Transtorno Sexual

A avaliação psicológica quando realizada juntamente com os testes psicológicos, é uma instrumentação técnica muito eficaz, pois muitas características dos indivíduos só podem ser melhor percebidas através de aplicação de testes sendo que os testes projetivos resultam em dados mais completos (MICELI, 2014).

Os testes são métodos sistemáticos para observar o comportamento dos indivíduos, eles são descritos com a ajuda de escalas numéricas que são os testes psicométricos ou através de categorias fixas que são os projetivos. A avaliação psicológica tem a função também, de reconhecer os recursos e as possibilidades do paciente (SILVA, 2008).

Sabe-se a dificuldade encontrada pelos pais na aceitação do transtorno de identidade de gênero infantil, que ocorre quando a criança não se identifica com seu sexo biológico, que assume uma personalidade que condiz com seu sexo oposto, essa incompreensão acaba por gerar uma frustração, preocupação com a aparência da criança, ocorrendo o isolamento, dificuldade de frequentar a escola em relação ao bullying, estes fatores podem acarretar problemas na vida adulta, como algumas patologias sendo elas depressão, transtorno de personalidade, transtorno de conduta e outras patologias e ainda tendo um alto índice de suicídio (SILVA, 2008).

Identidade de gênero é um assunto complexo, o que nos remete a ainda podem ser realizadas muitas pesquisas para melhor descrever o assunto, diga-se que a utilização de testes psicológicos ainda não é muito usada, para diagnosticar esses pacientes. Para o diagnóstico do transtorno de identidade de gênero, é de suma importância observar a dinâmica do paciente, o seu desenvolvimento que se inicia no primeiro ano (SILVA, 2008).

Ninguém se torna hetero, homo ou bissexual por opção, há um grande conjunto de influências de ordem bio-psico-sociocultural que consistem para aonde o paciente irá se orientar. Muitos os fatores podem influenciar como, fatores genéticos, exposição a hormônios durante a gestação, dinâmica familiar, estrutura cerebral, os desejos conscientes e inconscientes parentais, influências sócioculturais dentre outras (VERDUGUEZ, 2009).

2.2 Metodologia

A elaboração do Projeto de Aperfeiçoamento Teórico e Prático do quinto semestre de Psicologia da Faculdade IDEAU, tem como proposta principal trazer ao público assuntos referentes à transexualidade e a cisgeneridade, através da elaboração e aplicação de um questionário, composto por quinze perguntas fechadas, onde cada uma obtém cinco opções de respostas numeradas, sendo elas:

1- Discordo totalmente,

2- Discordo parcialmente,

3- Indiferente,

4- Concordo parcialmente e

5- Concordo totalmente.

A coleta e análise de dados dos questionários consistiu em uma pesquisa quantitativa, que apontou numericamente os resultados obtidos, realizou-se a compreensão e interpretação de opiniões e percepções de uma determinada população, garantindo uma melhor e mais precisa fidedignidade do assunto em pauta.

A cada grupo de estudantes da referida turma foram divididas em faixas etárias, através de um sorteio realizado pelos professores orientadores do projeto, para a aplicação dos questionários, sendo que o objetivo principal desta divisão é o de buscar, em diferentes idades, a compreensão de cada indivíduo sobre o tema sugerido.

O presente grupo, por sua vez, realizou o estudo com indivíduos pertencentes a faixa etária adulto jovem, com idades entre vinte e três e trinta e cinco anos, os indivíduos pesquisados foram escolhidos por conveniência. Cada um dos acadêmicos realizou a pesquisa em suas cidades e cidades vizinhas, entre o período dos dias treze a vinte e três do mês de abril de dois mil e dezoito, abrangendo-se um total de vinte e três municípios da região Norte do Rio Grande do Sul e sendo aplicados cento e um questionários, onde cada um deles fora anteriormente explicado aos respondentes para a garantia de veracidade nas respostas.

O intuito da aplicação é o de perceber a diversidade de conhecimento e de opinião dos entrevistados desta faixa etária, onde cada resposta tem fundamental importância na elaboração do presente projeto, bem como, a busca por uma maior abrangência do referido assunto.

2.3 Análise dos Resultados

No decorrer da análise serão apresentados alguns gráficos, de afirmações contidas nos questionários aplicados. Esta análise tem como intuito apresentar seus resultados de uma forma descritiva e, portanto, a necessidade de não se deter tanto a demonstração gráfica.

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GRAFÍCO 1- As pessoas trans (homens e mulheres) são pessoas portadoras de algum tipo de enfermidade psíquica já que sua identidade não concorda com sua biologia.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

A partir dos resultados colhidos, foi perceptível que a grande maioria dos respondentes, discorda totalmente de que as pessoas trans possuem enfermidade psíquica pelo fato de sua identidade não concordar com o seu sexo biológico, que a identidade trans é a expressão de uma pessoa com algum grau de insanidade e que, identidades trans podem ser consideradas patologias de maneira justa e imparcial.

Essas respostas remetem e demonstram que mesmo a passos lentos, a sociedade está cada vez mais, se apropriando destes termos, ou seja, procurando entender o que realmente significa ser um transgênero e o que significa doenças mentais ou transtornos psíquicos. A partir daí vem à compreensão de que, ser transexual não significa ser doente, e que a identificação com o gênero oposta a sua anatomia sexual não é doença.

Transtornos psiquiátricos em transexuais são consequência da violência e discriminação que estes indivíduos sofrem na sociedade e não, como se classifica atualmente, produto da sua transexualidade (SOUZA, 2017).

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GRAFÍCO 2- As pessoas trans escolheram conscientemente seu gênero.

Fonte: autores da pesquisa (2018).

Existe uma divisão entre a amostra em relação aos que acreditam que as pessoas trans escolhem conscientemente seu gênero e os que acreditam que não escolhem conscientemente, e isso é também indicado em relação as pessoas cis, fazendo um comparativo a essas duas afirmações, segundo os resultados obtidos. Esta análise sugere a falta de informação, de grande parte da população, acerca da realidade da formação de gênero, visto que, o gênero refere-se à identidade com a que este indivíduo se autodetermina, independente do sexo biológico ou do papel que exerce na sociedade (CUNHA, 2014).

É importante ressaltar que existe, também, uma hipótese de influência genética que, indica receptores hormonais diferentes no cérebro de transexuais, ou seja, os cisgêneros e transgêneros processam a testosterona de modos distintos. Além da influência genética, existem os fatores sociais que também são importantes para a formação e construção da identidade (CRESPI, 2017).

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GRAFÍCO 3- As pessoas trans são mais propensas a enfermidades psíquicas.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

Em relação às afirmações que sugerem que pessoas trans e cis são mais propensas a enfermidades psíquicas, a maioria dos respondentes discorda totalmente que tanto pessoas cis quanto trans, sejam realmente propensas a enfermidades psíquicas, enquanto uma grande quantidade concorda parcial ou totalmente, que as pessoas trans realmente sejam mais propensas a enfermidades psíquicas.

A realidade é que, indivíduos transexuais apresentam, geralmente, maiores chances de adquirir enfermidades/transtornos psíquicos ao longo de sua vida, bem como, depressão, ansiedade, síndrome do pânico, podem tentar o suicídio, fazer uso abusivo de substâncias psicoativas ilícitas, entre outros. Esses sintomas são, na verdade, causa de um grande sofrimento psíquico causado pelo preconceito, discriminação e frustração que estes sujeitos recebem de uma grande parte da população (SVITRAS, 2017).

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GRAFÍCO 4- As pessoas trans tem facilidade para encontrar educação e trabalho.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

Já em relação à afirmação em que as pessoas cis tem facilidade para encontrar educação e trabalho, a maioria dos respondentes concordam parcial ou totalmente que sim, enquanto na mesma afirmação para as pessoas trans, a maioria respondeu que discorda parcial ou totalmente a essa afirmação. Este resultado demonstra que os respondentes têm uma visão real desta problemática, no que diz respeito à desigualdade e dificuldade de pessoas trans na inclusão social, tanto no trabalho quanto na educação.

Desrespeito ao nome social escolhido por pessoas trans, preconceito, humilhações e desconhecimento, são apenas algumas das situações a que estes indivíduos são submetidos no ambiente de trabalho, a inclusão dos mesmos ao mercado de trabalho é ainda um grande desfio às empresas brasileiras (KOMETANI, 2017).

Violência psicológica simbólica, bem como agressões verbais e físicas, discriminações e ameaças tiram de pessoas trans o direito ao estudo. Estes indivíduos são especialmente mais suscetíveis ao descaso e à evasão educacional (HANNA & CUNHA, 2014).

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GRAFÍCO 5- Confiaria no serviço de um profissional transgênero.

Fonte: Autores da pesquisa (2018). 

Nesta afirmação uma pequena quantidade de pessoas respondeu que discorda parcial ou totalmente que confiaria no serviço de um profissional transgênero, enquanto a grande maioria respondeu que sim, confiaria nesses sujeitos como profissionais. A esta resposta é possível destacar que por menor que seja, ainda existe preconceito ou talvez desconhecimento em relação ao assunto, mas o ponto positivo e promissor é o fato da grande maioria compreender que ser transgênero não significa que não possam ser bons e até excelentes profissionais atuando no mercado de trabalho.

Cabe aqui um exemplo para dar suporte a essa afirmação: “Todos os dias ela vestia camisa, terno e gravata para trabalhar. Quando chegou a vice-presidente, executiva de marketing global e membro do conselho de administração da CA Technologies, na década de 1990, Meghan Stabler era uma mulher que lutava para se esconder por trás de um executivo bem-sucedido. Não reconhecia o homem que via no espelho, até o dia em que decidiu assumir sua identidade feminina” (LAPORTA, 2016).

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GRAFÍCO 6-A identidade de gênero de uma pessoa trans é resultado de uma conduta perversa.

Fonte: Autores da pesquisa (2018). 

Os dados são positivos a esta afirmação quando 76% dos respondentes discordam parcial ou totalmente de que a identidade de gênero de uma pessoa trans, seja o resultado de uma conduta perversa, visto que, segundo a psicanálise, a perversão caracteriza-se como o conjunto de comportamentos que buscam o prazer de forma contínua e parcial, e sem considerar o outro (MIRANDA, 2013).

Quase que por unanimidade, 83% da amostra concorda totalmente que pessoas trans enfrentam preconceito pela sociedade, isto significa que o preconceito e a discriminação a esses sujeitos está totalmente visível, mas que ao mesmo tempo, e infelizmente, continuam acontecendo, talvez porque as pessoas não sabem como se portar a partir disso e/ou como lidar com as situações de convencionalismo. Nossa sociedade trata de forma diferenciada meninos e meninas, o que de certa forma contribui para que se expanda a cultura machista. Outro ponto importante é a perseguição do fundamentalismo religioso que interpreta de forma equivocada a bíblia e a falta de informação de muitos pais, educadores e alguns setores da sociedade, sobre gênero e diferenciação de identidade de gênero e orientação sexual, o que contribui para o aumento da violência e violação dos diretos humanos (BRASIL, 2017).

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GRAFÍCO 7-A identidade trans é uma invenção patológica da modernidade.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

Houve a maior porcentagem para a discordância parcial ou total de que a identidade trans é uma invenção patológica da modernidade e que, não existiam pessoas trans no passado. A realidade é

que todos sabem que o transexualismo, o não se identificar com o sexo biológico não é uma sensação da atualidade, mas que sim, sempre existiu, ou pelo menos, desde que o homem existe.

Estudos etnográficos apresentam dados importantes sobre o transexualismo, que nas sociedades antigas homens pré-históricos já eram trangêneros, não só existiam, mas também eram plenamente aceitos. Enquanto muitos ainda acreditam que essa é uma invenção da contemporaneidade, esse estudo estabelece ligações entre as sociedades antigas com a aceitação, tolerância, altruísmo e a igualdade entre os gêneros para todos os indivíduos que compunham essas populações (COUTO, 2012).

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GRAFÍCO 8: A patologização das identidades trans é resultado de preconceitos sociais a essa população.

Fonte: Autores da pesquisa (2018).

Nesta afirmativa 66% dos respondentes concordam parcial ou totalmente que a patologização das identidades trans é resultado de preconceitos a essa população, ou seja, o fato de muitas vezes a transexualidade ser tratada como transtorno psíquico é consequência de uma conduta discriminativa em massa contra esses indivíduos. Apesar da população compreender isso, ao mesmo tempo, não é feito nada para mudar essa realidade que causa uma certa confusão para os mesmos, visto que, como não tratar o transexualismo como uma doença se ele ainda está na classificação de transtornos da identidade sexual, no livro de psiquiatria CID 10.

A transexualidade é enquadrada na Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, o CID, sendo vista por instituições médico-psiquátricas como um transtorno psíquico. É por isso que, desde 2009, o mês de outubro marca a incessante luta pela despatologização da identidade trans. Esta campanha é marcada por um dia de manifestações e outras ações por distintas cidades do mundo todo (CASTRO, 2017).

Os dados, no geral, são de certa forma positiva, pois a amostra da população a qual foram aplicados os questionários, percebe, por exemplo, que a transexualidade sempre existiu, percebe a realidade acerca da discriminação que estes indivíduos sofrem e, também, que a identidade trans não é, mas continua sendo tratada, como um transtorno psíquico. Entretanto, outro resultado que é de suma importância ser comentado, é que, mesmo a grande maioria percebendo esses fatores, existem os que sentem-se indiferentes a esta situação ou até mesmo, não compreendem ou não concordam com o transexualismo e, por isso, a importância de destacar esses resultados para que seja possível pensar em mudanças, mesmo que seja a longo prazo, caminhar para a melhora na qualidade de vida desses sujeitos, eles que têm direito de serem respeitados, aceitos e inclusos pela sociedade no todo.

3. Considerações Finais

Em suma, de acordo com os resultados obtidos, é possível afirmar que a maior problemática encontrada a partir desta pesquisa é que, grande maioria dos respondentes, o que podemos chamar de uma amostra da população geral de indivíduos adultos jovens, com idades entre 23 a 35 anos, compreendem a situação a qual se encontram pessoas transgêneros, em relação à sociedade, compreendem, porém, não sabem como lidar com esta realidade. Portanto a maior necessidade para que se comece a pensar em mudanças culturais e comportamentais na inclusão desses sujeitos é que, a informação chegue a todos, seja pela mídia e/ou via redes sociais.

Outra mudança essencial e não menos importante é que a educação comece desde cedo nas escolas, para que as crianças tenham acesso à informação, que aprendam sobre o preconceito, o quanto ele causa sofrimento, que compreendam o que é igualdade social, e que crianças que não se identificam com seu sexo biológico entendam que isso não é um defeito, que é uma forma de ser.

Que os pais recebam informação para que saibam como lidar com essas situações, como explicar aos filhos o que é identidade de gênero, que todos sejam tratados como iguais, que possamos ajudar esses indivíduos a viver suas vidas sem discriminação e sofrimento tanto físico quanto psíquico e, por fim, mesmo que lentamente, pode-se gerar uma melhora na qualidade de vida de pessoas transgêneros.

Com o término da pesquisa e o levantamento de dados, obteve-se a satisfação ao observar que a maioria dos indivíduos que responderam aos questionários, não vêem o transgênero como doente, porém pode-se perceber também a falta de conhecimento perante o assunto que é tão recente na sociedade. Entende-se que haveria a necessidade de expandir o assunto tratado e, principalmente, pesquisas sobre o tema em questão, visando um resultado ainda mais abrangente, para que se possam tomar as medidas necessárias e cabíveis num todo. Portanto, esta pesquisa deixa também, espaço para futuras outras.

Sobre os Autores:

Thalia Rita Sztyburski Basso - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Janatan João Battisti - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Daniele Fátima Czismoski - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Marina D’Agostini - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Cidiane Dal Moro - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Joana Cristine Oliveira  - Discente do curso de Psicologia, nível V 2018/1-Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.

Jordana Calcing - Docente do curso de Psicologia, nível V 2018/1- Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.  

Élvis Herrmann Bonini - Docente do curso de Psicologia, nível V 2018/1- Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.  

Nadine T. Pilotto Fabiani - Docente do curso de Psicologia, nível V 2018/1- Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.  

Antoniéle Carla Stephanus Flores - Docente do curso de Psicologia, nível V 2018/1- Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.  

Patrícia Di Francesco Longo - Docente do curso de Psicologia, nível V 2018/1- Faculdade IDEAU- Getulio Vargas- RS.  

Referências:

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