O Redesign do Corpo Sexual na Mídia Iconofágica

Resumo: Busca-se hoje muitas transformações corporais através de implantes e cirurgias plásticas com objetivo de ter-se um corpo sexual ao espelho de padrões midiáticos, daí o redesign do corpo sexual na mídia iconofágica, aquela que devora corpos. Esta imagem perseguida, fruto do capitalismo, que a transforma em mercadoria fetichizada, torna-se sonho de consumo para aqueles que almejam um corpo sexual glamourizado e fonte de desejos.

Palavras-chave: Capitalismo, Corpo Sexual, Imagem, Mídia, Redesign, Sexualidade.

1. Introdução

“Se fosse possível enxergar a beleza em si, limpa, pura, sem mistura, sem estar contaminada de carnes humanas, de cores e de outras muitas miudezas mortais, mas se fosse possível avistar a beleza divina em si, especificamente única”
(Platão)

Atualmente está instalada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, a exposição Queermuseu: Cartografia da Diferença na Arte Brasileira, que tem como expressão máxima a proposta da discussão de um uso liberto, do corpo sexual. 

Em que pesem as polêmicas trazidas pela citada exposição, já há algum tempo tem-se observado na mídia muitas notícias sobre o fato de, principalmente, mulheres, travestis, drags queens, tattoos, que na tentativa de dar um novo design aos seus glúteos, seios, peles, indumentárias, ou outras partes do corpo, vêm a morrer ou apresentar sequelas em função da intervenção cirúrgica e outras formas de intervenção no corpo a que foram submetidos, à procura do tão sonhado corpo sexual midiático. Da mesma forma, há casos noticiados sobre lipoaspiração que muitas vezes recaem na mesma fatalidade. Vale ressaltar que muitas mulheres e travestis são atendidas por médicos não capacitados ou por pessoas sem formação médica, em locais não condizentes ou que utilizam matérias inapropriados, como silicone industrial, o que leva muitas vezes estas pessoas a óbito. Também não pode-se esquecer os implantes penianos, os piercings, e os “chifrinhos” adicionados nas testas dos adolescentes e as tatuagens. 

De onde vem tanta ânsia, que pode até a ocasionar morte, por um novo corpo sexual? É uma pergunta que não quer calar-se, frente a tanto apelo. 

Apesar de muitos destes casos chamarem a atenção pela mídia catastrófica, é certo que na contemporaneidade há um aumento considerável de pessoas, que buscam um corpo sexual, ideal, imagético livrando-se das determinações carnais-naturais, dando a seus corpos uma nova significação sexual, uma reinvenção da subjetividade sexual, proporcionada pelos avanços tecnológicos que a ciência oferece,  capitaneado pela imagem-mercadoria, midiática que domina nosso imaginário sexual-simbólico, a Sociedade do Espetáculo, de que tanto fala Gui Debord. 

Este artigo procura mostrar e colaborar para a compreensão dos aspectos envolvidos nesta sexualidade ciborgue conseguidas em sua maior parte através de intervenções cirúrgicas e de aplicativos comandados por uma mídia imagética, iconofágica.

A implicação na temática deste artigo, O Redesign do Corpo Sexual na Mídia Iconofágica, vem aliada a várias questões. Uma delas  advém primeiramente do meu ofício de psicólogo, uma vez que atendendo em consultório as demandas relativas à sexualidade, isto requer um conhecimento cada vez mais apurado no âmbito da questão: o desespero de ter um corpo sexual desejado. No interesse mais geral a escolha vem do fato da questão ser muito importante e central para as discussões sobre a sexualidade conforme se tem visto na academia e na mídia atualmente. Muito se tem falado das questões relativas às cirurgias plásticas, dentre outras intervenções, no corpo sexual, com objetivo de dar este corpo um redesign quanto a sua performance sexual- objeto de desejo, muitas vezes com resultados catastróficos. Meu interesse maior é saber das fontes que suportam toda esta demanda pelo redesign no corpo sexual. Por outro lado, as ideias sobre o que é o corpo sexual e o poder da mídia sobre ele, nos diversos autores estudados, chamam a atenção de como esta estética corporal nos dias de hoje se apresenta, voltada para esta sociedade do hiperconsumo, onde a sexualidade aparece como um chamado exponencial para o conforto psíquico, um dos produtos da farmácia da felicidade, uma vez que os grandes referenciais tradicionais e históricos de equilíbrio psíquico já não satisfazem. 

O objetivo, em síntese, deste artigo é mostrar que esta estética corporal, o redesign do corpo natural, voltada para a sexualidade denota uma nova subjetividade sexual, sob o comando de uma mídia iconofágica que devora corpos, se apropriando destes como telas de projeção de um filme inacabado. 

Com este objetivo o primeiro capítulo está voltado para uma síntese do que é o corpo, uma pequena história na filosofia com alguns pontos na psicologia e, algumas ideias sobre este redesign que presenciamos. No segundo capítulo mostraremos as forças desejantes que sustentam esta procura da fonte da juventude. Já no terceiro capítulo vamos evidenciar a força da mídia neste processo de produção do corpo sexual imagético. 

E por fim, as considerações finais alinhavando as ideias trazidas com objetivo de tentar trazer algum conhecimento sobre esta nova subjetividade sexual cyborg de amplo crescimento em nossa cultura. Linhas de fuga? 

2. O Corpo Sexual na Filosofia e na Psicologia

Eu poderia supor não possuir um corpo, meditava Descartes, mas não podia admitir a própria existência sem a possibilidade de pensar (cogito ergo sum), que por sua vez era fruto do espírito incorpóreo. Sou realmente distinto do meu corpo e posso existir sem ele. (René Descartes)
Morte e sexualidade representam ainda as duas fraquezas fundamentais do corpo, cargas de angústia primordial. Historicamente, para dar adequada resposta a ambas existe uma única estratégia da civilização: a transformação do corpo(transitório) em imagem(eterna). (Kamper)  

A filosofia e a psicologia, dentre outras fontes de conhecimento, que auscultam a cultura, no espírito do tempo (Zeitgeist) , vem apresentando diversas formulações, ao longo de sua história, sobre o corpo humano, fato importante para analisarmos a construção social do corpo sexual na contemporaneidade, em que pese essa expressa-adjetivação (sexual) ser  obra da contemporaneidade, como conhecimento, ela se perde, como fato, no tempo. 

Platão, Sec. III a.C, já apresenta o homem dividido em corpo e alma, colocando o corpo em uma posição inferior à alma, uma vez que o corpo pertence ao mundo sensível, corruptível, das aparências, da imperfeição, da falsidade, da mentira e do engano, enquanto que a alma, sede da razão, pertence ao mundo das Ideias, da Verdade, incorruptível, onde tudo é perfeito. No livro X da República, Platão cria o mito de Er, para explicar a origem da alma: esta, antes de reencarnar-se, vindo do mundo das Ideias, se banha no rio Léthe (esquecimento) e bebendo da água deste rio, esquece do mundo divino.  

No mundo das Ideias (eidos) tudo é imaterial, divino, e imutável, ao contrário do mundo concreto, dos corpos, que é material mutável e corrompido, pois nos vem pelos sentidos, que tudo corrompe. Tudo que vivemos no mundo dos sentidos é uma aparência do que existe no Eidos. Portanto, tudo no mundo sensível, principalmente o corpo, é efêmero, mutável, enganoso e sujo, e daí, para chegarmos às coisas nobres, à Verdade, devemos nos afastar dos impulsos, dos afetos, das paixões. Para resumir, basta lembrar a célebre passagem do diálogo Fedro de Platão, que compara o corpo humano a um túmulo que carregamos conosco, um peso inerte ao qual estamos amarrados como a ostra à sua concha. Para Platão o corpo é uma prisão para a alma. Entretanto, nosso filósofo não deixa de dar importância ao corpo sensual, do mundo das aparências, para a ascese, uma vez que na sociedade grega, à época, os cidadãos gregos, como todos os povos, admiravam a beleza do corpo sensual, haja vista que praticavam, nus, nos ginásios os exercícios corporais.

Diz Platão no O Banquete

Só assim deve alguém entrar ou ser levado pelo caminho do amor, partindo das belezas particulares para subir até àquela outra beleza, e servindo-se das primeiras como degraus: de um belo corpo passará para dois ; de dois para todos os corpos belos, e depois dos corpos belos para as belas ações, das belas ações para os belos conhecimentos, até que dos belos conhecimentos alcance, finalmente, aquele conhecimento que outra coisa não é senão o próprio conhecimento do Belo.

Portanto, Platão, apesar de colocar o corpo como um ente inferior para o conhecimento, não nega seu valor para a sexualidade e para o próprio conhecimento, uma vez que quem não sabe apreciar um belo corpo, não terá condições de alcançar o verdadeiro conhecimento. 

O Cristianismo se apropriando da filosofia platônica, degrada mais ainda o corpo, dizendo que ele é o templo do pecado e uma das práticas Cristã-medieval é a mortificação do corpo, através de açoites ao próprio corpo. A Igreja católica medieval condenava o banho por considerá-lo um luxo desnecessário e pecaminoso. 

No renascimento Descartes repete de certa maneira Platão, dicotomizando o homem em duas substâncias, a res cogens, coisa pensante, a razão, e a res extensa, o corpo,  entretanto não chancela, no mesmo grau, as mazelas impostas pelo platonismo e pelo Cristianismo, ao corpo, o que já é um diferencial.  Em síntese, nas suas Meditações Metafisicas,  afirma Descartes, de certa forma, que não poderia supor não possuir um corpo, entretanto não podia admitir a própria existência sem a possibilidade de pensar, cogito ergo sum, que por sua vez era fruto do espírito incorpóreo, ou seja, somos realmente distintos de nossos corpos e podemos existir sem ele. Em suma, diz o filósofo francês: corpo não faz parte da essência do sujeito, dispensável, pois o pensamento dele independe. Mais uma vez o corpo recebe o carimbo res nullius

Espinosa, contemporâneo de Descartes, rompe com esta dicotomia, afirmando que na realidade há uma substância única que é Deus, ou Natureza, da qual tanto o corpo quanto a mente são expressões . Espinosa tem o corpo como da mesma importância que a razão. Na verdade, ele faz uma pergunta dupla: qual é a estrutura de um corpo, e dada esta estrutura, o que está em seu poder? Se ele não é passivo, se ele não é instrumento da alma, nem mero objeto negligenciável, então cabe a nós refletir sobre qual o seu lugar e como nós podemos entendê-lo. Espinosa na Ética, afirma: 

O fato é que ninguém determinou, até agora, o que pode o corpo, isto é, a experiência a ninguém ensinou, até agora, o que o corpo – exclusivamente pelas leis da natureza enquanto considerada apenas corporalmente, sem que seja determinado pela mente – pode e o que não pode fazer.  

Nietzsche retoma Espinosa, agora mais pungente com o seu martelo, e em seu livro, A Genealogia da Moral, faz crítica à tradição, que ele chama de detratores do corpo, principalmente a filosofia socrático-platônica, que relegou ao corpo, aos sentidos, instintos, afetos e pulsões, um papel inferior, sem nenhum significado, além daquele que denigre a alma humana. Para Nietzsche o corpo se caracteriza   por uma multiplicidade de forças em fluxo contínuo e confronto com o mundo, forças estas que periodicamente se harmonizam em distintas configurações provisórias e mutáveis. Portanto, pensar, sentir, querer e decidir não são somente atividades da razão, mas igualmente atividades orgânicas dependentes do corpo, visto que o homem não é só espírito nem só matéria, mas totalidade corporal e conjunto de forças que responde à dinâmica da vida entendida como vontade de potência.  

Impregnado pela mesmo Zeitgeist, onde estava imerso Nietzsche, Freud apresenta, se distanciando dos discursos de degenerescência do corpo sexual, vigentes época, um corte epistemológico sobre a questão, afirmando que a pulsão, ou seja, a energia da libido, não possui objeto fixo e, na criança, ela se apresenta livre, alheia aos ditames castradores da cultura, dai o infante se apresentar como um perverso polimorfo, onde o corpo sexual tudo pode. 

William Reich, impregnado pelas ideias de seu Mestre Freud, nos chama a atenção para as couraças desenvolvidas pelo corpo sexual.

Diz Minasi (2009): 

Reich afirmou que desenvolvemos uma couraça muscular que bloqueia a nossa energia. Ele afirmou que “Blindagem é a condição que ocorre quando a energia é ligada pela contração muscular e não flui através do corpo” (Reich: 1936). Ele verificou que existia blindagem de carácter que ele definiu como “a soma total das atitudes típicas de caráter, que um indivíduo desenvolve como um bloqueio contra a sua excitação emocional, resultando em rigidez no corpo e falta de contato emocional”. Ele definiu a couraça muscular como “a soma total de musculares (espasmos musculares crônicos) que um indivíduo desenvolve como um bloco contra a irrupção de emoções e sensações de órgão, particularmente ansiedade, raiva e excitação sexual” (Reich: 1936).  

Estas couraças musculares são blindagens que atingem o somático, oriundas dos discursos castradores e detratores da sexualidade, da mesma forma que atingem a psique, uma vez que ambos, psique e corpo sexual vivem em uma relação dialética.  

Os movimentos da década de 60, como o de maio de 68 na França, as questões feministas e as lutas LGBT, ocasionam um debruçar mais forte sobre o corpo. Dois filósofos franceses demarcam esta retomada: Michel Foucault e Gilles Deleuze.  Foucault lança em 1975, Vigiar e Punir e em 1984, a História da Sexualidade. Deleuze em 1972, junto com Félix Guattari escrevem o Anti-Édipo, e Deleuze, em 1980, Mil Platôs. Estas obras irão ser a base de pensamento para uma nova geração de filósofos, sociólogos, psicólogos, psiquiatras, historiadores, que terão como temática o corpo, tanto em seus ofícios de produção acadêmica quanto em suas práticas profissionais. Foucault e Deleuze trazem novos ares à psicologia e à psiquiatria. 

Deleuze, leitor de Espinosa, Nietzsche e Artaud, atrelando o controle do corpo às exigências do capitalismo, afirma que no termo organismo está implícito  a noção de corpo organizado, no qual lê-se, sob à luz do capitalismo, o corpo, como uma máquina que trabalha para a produção. Portanto, quando nosso corpo se torna um organismo, ele está inserido para ser útil no sistema capitalista de produção, daí que nossos desejos são recalcados e outros, criados pelo capitalismo, externos a nós, tomam seu lugar. No sentido de produzir um corpo livre Deleuze cria o conceito de corpo sem órgãos, termo emprestado de Artaud, visto que no dizer deleuziano nossos órgãos, no sistema capitalista, já se encontram capturados para a produção. Desse modo, o corpo sem órgãos não está preso aos horários, dinheiro, mercadorias, rótulos, prazos. Ele fica livre para ser o que quiser, daí o questionamento de Deleuze: o que pode um corpo? Uma retomada de Espinosa. 

Importante dizer que no questionamento deleuziano, sob a influência de Espinosa: O que pode um corpo? Hoje já se pode dar uma multiplicidade de respostas possíveis, a esta questão, visto à flexibilidade, conquistada, de nosso corpo. São muitos os argumentos que colocavam limites orgânicos intransponíveis, barreiras impostas pela rigidez à nossa constituição biológica que, no entanto, acabaram sendo ultrapassadas. Graças às ferramentas culturais e à sua plasticidade natural, o corpo humano é capaz de se adaptar às mais diversas situações, estendendo as suas potencialidades e ampliando o campo do possível.  

Foucault, por sua vez, reverte a moral platônica afirmando que a alma é a prisão do corpo e em Vigiar e Punir, faz identificações em diversas sociedades de como o poder disciplinador, produziu corpos dóceis, adestrados, a servir às instituições dominantes. Diz ele em Vigiar e Punir:  

É dócil um corpo que pode ser submetido, que pode ser utilizado, que pode ser transformado e aperfeiçoado. [...] Nesses esquemas de docilidade, em que o século XVIII teve tanto interesse, o que há de tão novo? Não é a primeira vez, certamente, que o corpo é objeto de investimentos tão imperiosos e urgentes; em qualquer sociedade, o corpo está preso no interior de poderes muito apertados, que lhe impõem limitações, proibições ou obrigações.   

Desta forma o poder disciplinar tem por função adestrar os corpos e a partir daí fabricar indivíduos obedientes, que tenham seus corpos normatizados, produtivo e submisso, segundo as regras de poder. A disciplina é poder e torna os corpos dos indivíduos meros objetos úteis e, ao mesmo tempo, instrumentos do seu próprio exercício.

Entretanto, é bom salientar as ideias de Norbert Elias que na sua obra de 1939, O Processo Civilizador, nos faz entender que sem a contenção do corpo não sairíamos da caverna. Conforme apreendemos do autor, a partir do século XVI, um processo civilizador ocorrido no ocidente europeu teria imposto, inicialmente às classes governantes e mais tarde a toda sociedade, através de padrões educativos e manuais de boas maneiras, especialmente os numerosos tratados de civismo infantil, uma atitude de pudor e de autodisciplina no que diz respeito às funções fisiológicas e de desconfiança relativo aos contatos corporais. A ocultação e o distanciamento dos corpos traduziria, nos comportamentos individuais, a pressão organizadora e, portanto, modernizadora exercida sobre a sociedade, primeiramente pelos regimes monárquicos e, em seguida, pelos Estados modernos em formação. Há uma  progressiva normatização das condutas corporais, como etiqueta à mesa, regras de gentileza e cortesia, contenção das emoções, códigos de sociabilidade, decoro e mostra, sexualidade assim, as raízes do processo de desenvolvimento de nossos costumes atuais e do autocontrole de nossas ações. A domesticação do corpo, às custas da dor e do sofrimento, do controle social, escamoteando a sexualidade, foi essencial para o processo civilizador, uma vez que ele, o corpo, sempre foi o causador de problemas. 

Michel Foucault (2001), em sua História da Sexualidade, nos ensina que este processo civilizador através de discursos religiosos, jurídicos, médicos, políticos, pedagógicos, aprisionou o corpo em suas garras e daí a sexualidade, de forma a instituir-se uma moral sexual vigente, inerente a cada discurso, como por exemplo, a criminalização da homossexualidade na Inglaterra do Sec. XIX ou  a psiquiatria do mesmo período que taxava os invertidos de alienados. Para o filósofo francês há, em cada discurso, uma estratégia de controle dos indivíduos através do corpo sexual, quando nossos corpos são treinados, moldados e marcados pelo cunho das formas históricas predominantes de individualidade, desejo, penalidade, masculinidade e feminilidade, corpos dóceis. 

3. O Redesign do Corpo Sexual 

Todavia, o que nos interessa na realidade é o corpo humano como foco de desejo sexual, fruto não só das determinações culturais como da idiossincrasia, ou seja, não nos importa o caráter material-biológico do corpo, a não ser quando as instâncias materiais repercutem na sexualidade, uma vez que o esta materialidade pode e é capaz de criar significados, ou seja, ir além da sua função biológica. 

Segundo Freitas (1999), apud Simoni (2014), o corpo não pode ser pensado e tratado como estritamente biológico, ele transcende esse aspecto e está inserido na cultura ao ser capaz de fabricar, conferir e criar significados. É dinâmico, conecta suas relações com o mundo, assume inúmeras formas em diferentes sociedades e, consequentemente, significados distintos. O corpo é o mais natural, o mais concreto, o primeiro e o mais normal patrimônio que o homem possui. 

É importante ver, portanto, que corpo do homem não está sob as mesmas bases deterministas dos outros animais, ou seja, sob a égide do natural, daquilo que lhe está programado pela natureza. O corpo do animal-homem imerge e emerge na sede cultural onde está envolto, produzindo cores na sexualidade além daquelas estritamente voltadas para a procriação. 

Simoni (2014), afirma que o corpo é concebido como lugar de expressão de identidades, o ser humano modifica constantemente seu corpo, sem se dar conta da importância e da ligação entre essa necessidade e o resto de suas relações sociais. De outra forma dizendo, trazendo a questão para a sexualidade, o corpo carrega a subjetividade sexual do indivíduo, com todas as transformações que atravessa, sem que estas modificações sejam cognitivamente conscientes. As cores e formas da sexualidade impregnadas no corpo acontecem como uma forma da materialidade do desejo, nem sempre conscientes porque determinadas por uma força maior que comanda o psiquismo, que é a pulsão. 

É notório que o homem não se contenta com seu corpo nu. Ele veste e transforma seu corpo conforme os símbolos culturais que o atravessa, acrescentando-lhe uma estética não natural e repleta de significados, dentre estes os atinentes à sexualidade. Neste sentido Simoni (2014): 

O corpo sempre esteve em foco em diferentes sociedades e o hábito do indivíduo submeter-se a práticas de transformação corporal é milenar, seja pela utilização de adornos, ornamentação ou representados por pinturas.  

Segundo Malysse (1999): a própria história da humanidade se confunde com a história das práticas de modificações corporais. Selecionamos alguns exemplos de recriação da aparência corporal por meio de intervenções como o uso de adornos, acessórios, pinturas e tatuagens que modificam a natureza corporal e deformidades impostas por padrões socioculturais.  Mauss (2004) afirma haver uma série de atitudes e técnicas corporais próprias a cada sociedade, transmitidas com eficácia pela tradição. Queiroz e Otta (2000) apontam que “o corpo e os usos que dele fazemos, bem como as vestimentas, pinturas e ornamentos corporais, constituindo nas mais diversas culturas em um universo no qual se inserem valores, significados e comportamentos, cujo estudo favorece a compreensão da natureza da vida sociocultural” (QUEIROZ; OTTA, 2000, p. 19). Já Certeau (1982), enfatiza as conexões entre corpo, sociedade e cultura, ressaltando que as forças sociais podem induzir ou obrigar pessoas a modificar seus corpos, bem como a corrigir um excesso ou déficit corporal, remetendo o corpo a um ideal passível de ser planejado e construído.  

Importante é saber que no corpo sexual do homem, a delimitação entre natureza e cultura não se impõe, uma vez que  este corpo sexual é atravessado por símbolos, signos e significados que que dão vida própria, implementado a cada indivíduo uma subjetividade sexual idiossincrática. Simoni (2014), arremata: 

Aliado ao desejo de modificação e relacionado aos esforços da ciência, as técnicas de reconstrução vêm experimentando crescentes desenvolvimentos, principalmente em processos cirúrgicos que permitem até mesmo reinventar a noção de tempo, rompendo com padrões associados ao envelhecimento e recriando aparências que condizem com desejos individuais.

Desta maneira, o corpo humano pode ser considerado importante variável na construção da identidade, por meio de diferentes técnicas cirúrgicas. Hoje as técnicas de redesign corporal  estão bem avançadas aliadas a invenção de materiais como o PMMA – polimetilmetacrilato, muito utilizado para preenchimento estético dos glúteos. Aliás, tal produto tem causado diversos problemas devido sua aplicação indevida, como se pode ver na notícia trazida na folha de São Paulo na data de 18 de julho de 2018: 

Não é de hoje que o PMMA (polimetilmetacrilato) carrega má fama, mas a substância continua causando complicações graves. No domingo(15) a bancária Lilian Calixto, 46, morreu após complicações em cirurgia realizada pelo médico Denis César Barros Furtado, conhecido em redes sociais como Doutor Bumbum. Além de não ter formação em cirurgia plástica, o médico, que está foragido, realizou o procedimento em sua casa, o que é proibido. A suspeita é que ela tenha sofrido uma embolia pulmonar, devido a aplicação da substância PMMA (polimetilmetacrilato) para preenchimento estético no glúteo. De acordo com a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) o PMMA pode ser usado em procedimentos estéticos para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos de tecidos com o envelhecimento. Mas nem a SPCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins estéticos.   

Neste diapasão, podemos ver que impera sobre a estética sexual corporal, no redesign, fatores que comprometem o objeto da subjetividade pretendida, trazendo consequências graves, quando o corpo sexual desejado se torna um pesadelo, como, por exemplo, além do relatado acima, o que acontece com muitas travestis que injetam silicone industrial em seus glúteos. 

Na realidade, o sujeito parte de visões midiáticas do desejo fazendo o corpo  atender os anseios do mercado de corpos sexuais, refletindo uma visão de mundo, a vontade do sujeito, da sociedade e da cultura às quais o indivíduo está inserido. Há uma fuga do determinismo biológico. Quem determina o que o corpo é, não é o cis-bios e sim o trans-bios, ou seja, não é o que está na carne e sim o que transcende a carne. A carne deixa assim de ser um suporte da subjetividade para constituir a própria subjetividade, o cartão de visita desse sujeito que assim se apresenta. O corpo é antes de tudo uma linguagem, pois é através dele que os significados das sexualidade se concretizam e conferem às pessoas suas subjetividades sexuais. 

Neste processo o sujeito toma seu corpo como objeto de desejo sexual, pelas determinações socioculturais e midiáticas, projetando no corpo significações de empoderamento sexual, atribuindo-lhe a forma e aparência que condiz com os desejos alheios, em relação a este corpo projetado, alterando seu design. Este novo design do corpo sexual, está marcado pelo desejo do Outro, que quer usufruir em gozo este corpo estigmatizado  por contaminações socioculturais, o que denota um corpo sexual imerso em processos de ressignificação e desenhado nas intervenções técnico-cirúrgicas que emergem deste processo.

É uma forma, imageticamente, de poder sexual, de ser e estar presente no mundo, uma forma do sujeito ser sexualmente percebido e desejado, transformado em mercadoria sexual, dentro da lógica capitalista.  

Le Breton (2003) nos ensina que a relação do indivíduo com seu corpo ocorre sob a égide do domínio de si. O homem contemporâneo é convidado a construir o corpo, conservar sua forma, modelar sua aparência, ocultar o envelhecimento ou a fragilidade e manter sua saúde potencial. O corpo é um motivo de apresentação de si. 

Neste sentido, conforme Le Breton, o homem somente se acha capaz para transformar e potencializar seu corpo sexual quando se empodera de si e isto sabemos que vem ocorrendo principalmente a partir do anos sessenta com as lutas de gênero, principalmente das mulheres, dos movimentos LGBT e da ascensão do individualismo como modo de ser. O corpo do homem, antes templo sagrado, intocável, agora desmitificado pela ciência, é objeto, nesta cultura somática, de intervenções destinadas a potencializar seu grau de sexualidade, destruindo uma moral que prendia o corpo sexual a sua determinação sexual-biológica, que contorcia a subjetividade em um armário de aço. Agora o culto ao corpo, com um novo encantamento, livre das amarras da moralidade antiga, mas sob o assujeitamento do império da sexualidade, refletindo um intenso cuidado de si, corporal, estético, aponta em direção à vontade de  autonomia do indivíduo. 

No mercado da sexualidade há uma quimera de um corpo ideal com a absorção das estéticas midiáticas e empoderadas, onde o controle e a metamorfose corporal, se torna uma construção da subjetividade. Malysse (1999) afirma que este corpo que se apresenta de maneira exageradamente visível se mostra como uma obra de arte, mas uma obra de arte específica, pessoal, íntima, feita sob medida. 

A supervalorização da imagem sexualizada, faz com que sejam enaltecidos os valores da aparência, daí surgindo como consequência disto, as cirurgias plásticas, o crescimento da indústria de cosméticos, medicamentos emagrecedores, vitaminas, os implantes, uma moda que realce o corpo, a proliferação das academias, das dietas e da alimentação controlada.  

Simoni (2014), afirma que:

Le Breton (2011) e Villaça (1998) compartilham da ideia que o corpo ‘natural’ é muitas vezes considerado obsoleto pelo fato da aparência ser mais relevante que o próprio corpo. Se tratando desta questão, podemos notar que tanto a imprensa quanto a cultura de consumo acabam instigando e enaltecendo a criação de necessidades e desejos do indivíduo interferir sob a própria carne, seja, por exemplo, por meio da incorporação de próteses de silicone ou a retirada de excessos de gordura, de comprimento de nariz, o que acaba possibilitando um número maior de opções para a apresentação de aparências que condizem com imagens em destaque e vinculadas à mídia e desejos do indivíduo.

O que interessa, portanto, é a aparência, pois é esta que “vende” a sexualidade, o desejo, e há uma indústria voltada para isto comprometida com a mídia que veicula valores na fabricação de desejos. 

Simoni (2014) faz uma analogia destas intervenções no corpo com o modo como lidamos com um carro, uma vez que quando adquirimos um carro saído da fábrica, temos um objeto básico, que se apresenta com todas as ferramentas para exercer as suas funções. O proprietário pode querer incrementar este carro, acrescentando-lhe peças e acessórios, conforme seu desejo, dando-lhe uma performance para que funcione ao seu gosto. Ora, quando um travesti, por exemplo, coloca seios de silicone, um acessório, ele deseja dar ao seu corpo uma função adjetiva, torná-lo feminino, dar-lhe uma performance, sex appeal, customizá-lo conforme sua vontade, inscrevendo na carne o seu desejo sexual, já que o “modelo de fábrica” era insuficiente para sustentar seu eros, sua carta de desejos. E assim, como temos as oficinas que incrementam os carros, a indústria da intervenções sexo-corporal conta com as especialidades médicas, com as tecnologias e materiais próprios, que se aprimoram a cada dia.  

Entretanto, não podemos ficar somente em modelos considerados “normais”, como a lipoaspiração, aumento de glúteos, seios, aplicação de botox, entre outros procedimentos que potencializam a sexualidade corporal, visto que há outros, considerados “bizarros”, para pessoas que não pertencem a tribos dos considerados exóticos, fora dos padrões dominantes, uma vez que a sexualidade não tem parâmetros de normalidades, como por exemplo mudança de cores da epiderme (Michael Jackson), os anoréxicos, incisões, implantes de diferentes tipos, como os “chifrinhos”, queimaduras, perfurações, mutilações, piercing, tatuagens, tipos diversos de indumentária, como os colares que “esticam” os pescoços de mulheres na Tailândia (mulheres girava). 

Sibilia (2006) enfatiza o sonho do corpo magro: 

Assim, em meio a um mundo esfomeado que incita à voracidade constante, os cidadãos-consumidores que monopolizam o drama contemporâneo colocam em cena toda uma série de táticas e estratégias de estilização corporal, visando a esconjurar o fantasma da gordura. Essas práticas, que invadiram o dia-a-dia nos últimos anos e estão se tornando uma verdadeira obsessão para boa parte da humanidade, procuram concretizar um sonho que ainda continua parecendo impossível: o de dominar essa carnalidade inefável e incômoda, sempre imperfeita, flácida, gordurosa, fatalmente submetida à dinâmica abjeta das secreções e da decomposição orgânica — o corpo. Almeja-se, nessa luta desigual contra a teimosia da carne, atingir uma virtualização imagética tão descarnada como descarnante. Alguns ingredientes desses sonhos etéreos merecem ser investigados, levando em conta sua gênese histórica e suas raízes nitidamente políticas, pois tais tendências respondem às severas exigências de um determinado projeto de sociedade, atualmente vigente em vastos setores do nosso planeta globalizado.

Nesta teimosia da carne há, portanto, uma luta entre um corpo sexual próprio e um corpo sexualizado segundo o “mercado das carnes”. E Sibilia (2006) continua: 

As novas práticas bio-ascéticas dos regimes alimentares, das cirurgias plásticas e dos exercícios físicos se expandem velozmente na procura do fitness — isto é, da árdua adequação dos corpos humanos a um ideal exalado pelas imagens midiáticas cada vez mais onipresentes e tirânicas, impondo por toda parte um modelo corporal hegemônico e disseminando uma rejeição feroz diante de qualquer alternativa que se atreva a questioná-lo. Os indivíduos são interpelados por esses discursos midiáticos e por essa aluvião de imagens que ensinam as formas e as leis do “corpo bom”, e ao mesmo tempo são informados sobre todos os riscos inerentes aos “estilos de vida” que podem afastá-los perigosamente desse ideal. O mero fato de viver — isto é, o acaso de ser um corpo vivo, orgânico e material — já é uma enorme desvantagem nessa missão, pois quase tudo conduz à fatal deterioração física. Comer, por exemplo, mesmo que seja apenas “alimentos leves e saudáveis”; ou simplesmente estar no mundo enquanto o tempo transcorre e vai deixando suas abomináveis sequelas na carne — tudo conduz, inexoravelmente, à degeneração.  

Importa aqui sobressaltar o poder sobre as pessoas da ideologia do corpo sexual magro imposto pelos valores socioculturais e reforçados pela mídia, ocasionando uma tortura psíquica aqueles desprovidos de tal suporte ou aos que pretendem alcançar tal quimera. Na realidade trata-se de alcançar um corpo sexualizado virtual, digitalizado, Mais uma vez as palavras de Sibilia (2006): 

Dois termos graves, carregados de múltiplos e complexos sentidos, parecem chaves nestes processos: pureza e sacrifício. Toda impureza orgânica será repelida e, para isso, impõe-se um amplo catálogo de rituais de um novo tipo de sacrifício da carne, que envolve o intenso investimento de três recursos dos mais prezados na cosmologia contemporânea: tempo, dinheiro e dor. Assim, junto com um certo neo-gnosticismo de inspiração digital, que pretende “virtualizar” o corpo humano ultrapassando os limites da sua materialidade orgânica, novas formas de ascetismo se desenvolvem. Tudo isso na procura de um corpo construído como uma imagem tenra e pura, um modelo insuflado pelo imaginário digital que permeia a nossa cultura. Isto é, um corpo-ícone desenhado exclusivamente para o consumo visual.  

Há, portanto, segundo a autora uma busca de pureza, inspirada pelos modelos digitais, neo-gnosticistas, idealizados, que podem ser conquistados pelo sacrifício da carne, como por exemplo as dietas e as cirurgias plásticas. Surge um novo platonismo, onde a Ideia perfeita de corpo sexual almeja ser buscada, em detrimento às existentes na realidade, as encarnadas? O mundo das Ideias platônicas finalmente tem a sua concretude na era digital, in casu, a busca do corpo sexual perfeito, longe das imperfeições da carne. 

Numa tentativa de medicalizar e normatizar os fenômenos sexo-culturais o  Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais 5.ª edição ou DSM-5, apresenta como tipo nosológico, o Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) que é caracterizado por um comportamento perceptivo distorcido em relação à imagem corporal e uma preocupação com um defeito imaginário na aparência ou inquietação exagerada em relação a imperfeições corporais identificadas, que para ser diagnosticado, apresenta os seguintes critérios: 1. Preocupação com um ou mais defeitos ou falhas percebidas na aparência física que não são observáveis ou que parecem leves para os outros; 2. Em algum momento durante o curso do transtorno, o indivíduo executou comportamentos repetitivos, como por exemplo, verificar-se no espelho, arrumar-se excessivamente, beliscar a pele, buscar tranquilização; ou atos mentais, como, quando se compara a aparência com a de outros, em resposta às preocupações com a aparência; 3. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo; 4. A preocupação com a aparência não é mais bem explicada por preocupações com a gordura ou o peso corporal em um indivíduo cujos sintomas satisfazem os critérios diagnósticos para um transtorno alimentar. 

Este fato da classificação pelo DSM-5 tem trazido muitos questionamentos por parte daqueles que advogam por uma liberdade total do corpo, principalmente para os estudiosos e personagens da cultura de “gênero”, na sexualidade. Em síntese eles não aceitam estas classificações que dizem “pretendem enquadrar a vida e o corpo sexual”. 

Atualmente, com os avanços em áreas como a teleinformática e as biotecnologias, fala-se do advento de uma certa evolução pós-biológica, que estaria dando origem a uma humanidade pós-orgânica. Graças a sua hibridação com os dispositivos técnicos, tal criatura pós-humana teria condições de ultrapassar os limites de sua materialidade corporal tanto no sentido espacial,  através das tecnologias da virtualidade, como no sentido temporal, por meio das tecnologias da imortalidade, direcionada ao corpo físico e integrada ao esquema corporal, toda essa aparelhagem acabaria estendendo as possibilidades humanas e modificando o clássico perfil do homem. Nosso corpo sexual sob o comando da imagética iconofágica?     

4. O Corpo Sexual na Mídia Iconofágica 

Todos os homens, por natureza, tendem ao saber. Sinal disso é o amor pelas sensações. De fato, eles amam as sensações por si mesmas, independentemente da sua utilidade e amam, acima de todas, a sensação da visão. Com efeito, não só em vista da ação, mas mesmo sem ter nenhuma intenção de agir, nós preferimos o ver, em certo sentido, a todas as outras sensações. E o motivo está no fato de que a visão nos proporciona mais conhecimento do que todas as outras sensações e nos torna manifestas numerosas diferenças entre as coisas. (Aristóteles)

Aristóteles, muito antes do universo da mídia televisiva, do cinema e da internet, na Grécia clássica, no Sec. III a.C, já pronunciava, em sua grande obra Metafísica, que nosso mundo é visual, da imagem.  

Todos nós sabemos o valor da visão do corpo para a sexualidade, tanto do corpo alheio quanto de nós mesmos. A sensação da visão é o carro chefe do erotismo, mesmo para os que pouco ou nada veêm, pois sempre uma imagem é produzida pela sensação do tato. A imagem é quem constrói o erótico, basta ver que quando nos contam uma história sensual se não fabricarmos esta história com imagens em nossa mentes, nada é compreendido. A leitura do mundo, pelas sensações, é celeiro da imaginação, da fabricação de imagens, e estas do conhecimento erótico. O Estagirita, portanto, sabia do que estava falando. A imagem é a mônada da comunicação, da mídia. Existimos em uma ditadura da imagem, impossível fugir de seus ditames. Não se pode negar a importância da imagem para a construção da subjetividade sexual, na sociedade contemporânea. 

Le Breton (2003), em seu livro Adeus ao corpo: antropologia e sociedade, no sexto capítulo, intitulado Sexualidade Cibernética, coloca em questão o deslocamento da sexualidade do corporal para o virtual, onde ele mostra que a busca pelo prazer, atual, na sua maioria, se dá de maneira ascética, limpa, ou seja, livre do corpo e suas vicissitudes, pelo desprezo pelo corpo, por sua imperfeição e, como sintoma disso, há um certo pavor pela carne, do medo do outro, de se expor, de se desnudar, de criar vínculos, e, assim, de se fazer vulnerável, modos estes, que eram as formas tradicionais de se ter o prazer sexual, daí, hoje, a grande popularidade dos sites pornôs. E neste diapasão, da mesma forma que se procura cada vez mais em humanizar as máquinas, há um processo contrário em se informatizar, de mecanizar o homem, em um mundo em que a insignificância de ser acelera e a dignidade das máquinas não para de crescer, numa espiral de uma sexualidade robótica, na era do pós-orgânico, da pós-humanidade e do corpo-máquina. 

O corpo sexual é o instrumento essencial da comunicação do desejo, visto que é através dele que formamos vínculos eróticos. Hoje, o corpo sexual é o corpo sexual da mídia, daí a exacerbação de cirurgias estéticas, dia após dia, à procura do Eldorado, o corpo sonhado, uma nova significação imagética, que no dizer de NAJM (2013), são modelos, fabricados em softwares, como por exemplo, utilizando-se o photoshop, uma vez que  todo saber do corpo é mimético, absorvido pelos sentidos que o integram. 

Os valores socioculturais, in casu, relativos ao corpo sexual estão inseridos em um caldeirão maior que são os signos do capitalismo, onde tudo é transformado em mercadoria com o auxílio da ciência, da tecnologia e principalmente da mídia, que é o veículo central, o carro chefe, de divulgação e reprodução de uma ideologia dominante. Trata-se de uma verdadeira iconofagia, onde as imagens devoram os corpos reais, para serem transformados a sua semelhança. NAJM (2013) explica: 

A imagem tenta roubar o corpo para lhe servir de suporte. Isto acontece por causa da fuga do corpo. De acordo com Pross (1977), a todo o momento que tentamos nos relacionar com as imagens, elas nos causam déficits  emocionais que nos fazem querer fugir do próprio corpo, deste corpo imperfeito, por isto a estratégia da civilização é a transformação deste corpo, para que esta fuga não seja necessária. Mas, a fuga acontece a todo momento mesmo que não se perceba. A fuga do corpo para a imagem. Ao se transportar para o imaginário, para a segunda realidade, o que acontece é a busca neste eterno arquivo de imagens, pela imagem ideal que cabe ao corpo. E ela se transporta para o corpo. O ser se perde no reino das imagens e elas é que reinam absolutas nos corpos, na primeira realidade.
...
Baitello JR. (2005), descreve o que acontece com estas imagens em seu conceito de iconofagia. Primeiramente, as imagens através da reprodutibilidade consomem outras imagens para se tornarem novas e estar sempre presentes. Quando as imagens devoram outras imagens para continuar as suas existências, é chamado de primeiro grau de iconofagia. Então é que nós passamos a consumir estas imagens.

NAJM (2013), afirma que, neste processo, em um segundo grau de iconofagia, os corpos devoram imagens e por fim para fechar o ciclo, o terceiro grau de iconofagia, quando a imagem é que consome os corpos.  

Neste processo, em um primeiro nível as imagens vão devorando umas às outras para irem se aperfeiçoando com objetivo de serem vendidas. Já no segundo nível, elas já entram no mercado e passam a ser consumidas pelos corpos através da publicidade, quando os corpos ainda detém certa autonomia. Por fim as imagens ganham autonomia, em uma terceira fase adquirindo vida própria quando passam, famintas, a devorar os corpos e é neste momento em que  o corpo sexual estilizado, glamourizado pela média toma conta de nossos corpos, rejeitando-os como impróprios. É neste ato que a subjetividade já dominada por esta fantasia imagética, entrega seu corpo sexual ao domínio do imaginário midiático, uma indústria capitalista das imagens, como é óbvio, destinadas à venda, ao lucro, ao capital. A imagem se materializa tomando o lugar do corpo natural, que lhe serve somente como suporte, afastando-se de sua imagem primitiva, perdendo com isto o vínculo consigo mesmo, alienando-se a outrem, a imagem midiática. 

A mídia mostra bem de perto todos estes fenômenos e, de forma eficaz, é o veículo que torna necessário o seu desenvolvimento, visto que está sempre à procura de descobertas da tecnociência e aos últimos lançamentos do mercado. A saúde, a beleza e a obsessão corpo sexual desejado ganham cada vez mais destaque nos jornais, revistas e programas de rádio, televisão e principalmente pela internet. Dessa forma, os meios de comunicação assumem seu papel pedagógico na propagação do imperativo do corpo sexual desejado. Uma enxurrada de imagens de “corpos sarados”, invadem diariamente nossa imaginário, por todos os meios de comunicação. O imaginário do homem atual  é que constrói o corpo sexual midiático. O corpo tornou-se a tela de trabalho das imagens midiáticas.

Deste modo as intervenções estéticas realizam às necessidades das subjetividades do corpo sexual que sonha ser, sob o olhar coercitivo da mídia. NAJM (2013) escreve: 

Como se pode perceber, as modificações corporais fazem parte desta necessidade do corpo ser o que sonha ser. E seu sonho é construído a partir da coerção do olhar, que é uma das mais poderosas armas da mídia. A mídia constrói então seu modelos de corpos e passa a reproduzi-los, em massa, para a massa. As imagens dos corpos são vendidos na forma do sonho perfeito do ser eterno.  

Importante aqui ressaltar que este olhar coercitivo da mídia, é um instrumento poderoso de controle, de vigilância dos corpos, à semelhança do Panóptico de Bentham descrito por Foucault em Vigiar e Punir, sistema onde um único vigilante observaria todos os outros prisioneiros, sem que estes saibam que se estão, ou não, sendo observados. É este olhar invasivo, coercitivo, invisível que comanda nossa ações tornando-nos marionetes, títeres de suas vontades e desejos, porque ele domina o nosso sonho de felicidade, de desejos.   

O imperativo do corpo belo sexualizado que vigora entre nós ostenta uma voracidade inclusiva nunca vista. Um massificante totalitarismo de mercado, em uma eficaz aliança com a mídia e a tecnociência de nossos dias, espalha velozmente um credo cada vez mais consensual: os poderosos mitos da beleza, da saúde e da boa forma. O corpo sexual como mercadoria. 

De acordo com Marx, apud Konder (1999) mercadoria é o que se produz para o mercado, isto é, o que se produz para a venda e não para o uso imediato do produtor. Na mercadoria estão implícitos: o valor de uso, que é o valor como utilidade; o valor de troca, onde o produto se põe como mercadoria, isto como objeto de compra e venda; a alienação, que é o estranhamento com o objeto produzido, já no mercado consumidor e o fetichismo que é o tom de certa magia, de sagrado, produzido no psiquismo, que o objeto carrega quando se transforma em mercadoria, ganhando autonomia própria. Assim um corpo sexual não desejado, eliminado pelo mercado, só teria valor de uso, mas não de troca, não recairia sobre ele a alienação, pois seria próprio, entretanto não teria a áurea fetichista do mercado, o produtor de desejos. É em torno deste feitiço, produzido pelo mercado, no psiquismo, com o auxílio da mídia que atua a indústria das sexuais-intervenções sobre o corpo. 

Assim, glúteos, seios, pernas, barrigas, vulvas,  pênis, orgasmos, deixam de ter uso próprio, para se transformar em mercadoria da sexualidade (fetiches), ficando alienados ao mercado e passam a valer pelas regras mercadológica da sexualidade. 

Debord (1997) em seu livro A Sociedade do Espetáculo, apresenta a imagem como a forma final de reificação da mercadoria e como fundamento da sociedade do espetáculo, uma vez que quando o mundo real se transforma em imagens, estas se tornam reais e a realidade passa, de forma hipnótica, ser vista de forma transversa através destas imagens, realidade-espetáculo, fetichizada. Tudo se transformou em espetáculo e este não é um conjunto de imagens, mas uma relação entre pessoas, mediada por estas imagens, sendo o espetáculo a afirmação da aparência, se apresentando como uma enorme positividade, indiscutível e inacessível, não dizendo nada além, visto o que aparece é bom, o que é bom aparece. 

Suzianne (2010), chama de “interesses centrais” esta força do mercado em impor normas: 

A partir da análise apresentada e discutida sobre as transformações que o corpo sofreu em decorrência de nossas transformações políticas e econômicas, se torna mais claro a compreensão de que nosso corpo e nossas relações de comunicação e interação com o meio sempre estiveram à mercê dos interesses centrais, onde em nossa atualidade temos a Indústria Cultural que auxilia na formação de hábitos e ações decorrentes de um mercado que visa obter a maior lucratividade possível a partir da exploração e alienação de toda uma população que agora é vista como homogênea em sua capacidade de consumo e de implantação de ideais de vida em sociedade.    

No decorrer das décadas do século XX e agora mais no século XXI,  percebe-se uma ascensão empoderamento em torno do corpo sexual Cyborg, que alavancado por meio das mudanças de hábitos e costumes da cultura e da educação, glamourizado e produzido pela mídia como ideal de corpo sexual é cada vê mais fonte de desejos. 

Os meios de comunicação têm notório papel como responsáveis pela propagação das significações sexo-corporais, aclamando o corpo como o mais sublime objeto de adoração. Conforme Trinca (2008), a TV, o cinema, a medicina, a publicidade, a moda, os esportes asseguram seu sucesso, sua valorização, e colocam a aparência corporal como núcleo do glamour, da prosperidade, da saúde e da felicidade humana. Há um evidente supervalorização do corpo sexualizado, o qual após a derrocada das ideologias, tornou-se o último grande refúgio da subjetividade, e como tal é obstinadamente submetido a toda uma série de estratégias de design epidérmico que apontam para o cultivo das aparências midiáticas, numa era na qual a visibilidade e o reconhecimento do olhar alheio são fundamentais na definição da subjetividade. 

O fato é que o corpo humano se tornou mercadoria. fazendo inveja às prostitutas que comercializam sua sexualidade, visto que hoje está nas prateleiras para a venda, partes do corpo humano, tais como órgãos, óvulos, células, espermatozóides, cabelos, rins, pulmões e até há leilão de virgindade.

Conforme Simoni: 

Em entrevista realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo, Le Breton (2008) declara que o cenário contemporâneo revela um contexto de individualização e mercantilização do mundo, associando o corpo a um acessório: “o consumismo em que estão mergulhadas as sociedades, e particularmente as jovens gerações, fez do corpo um objeto de investimento pessoal. Agora, o que importa é ter um corpo seu, assinado. O design não é mais exclusividade dos objetos” (LE BRETON, 2008). O autor enfatiza que o importante é modificar as partes essenciais do corpo, para deixá-las conforme a ideia que a pessoa tem de si própria fazendo com que o corpo se torne uma projeção do ideal de si mesmo, pronta para modificações.  

Como se vê, com os avanços em diversos segmentos da tecnologia como a teleinformática e as biotecnologias, está em voga uma certa evolução pós-biológica, que estaria dando origem a uma humanidade pós-orgânica. Esta advém de uma hibridação com os dispositivos técnicos, formando uma criatura pós-humana que teria condições de ultrapassar os limites de sua materialidade corporal tanto no sentido espacial, isto é, através das chamadas tecnologias da virtualidade, como também no sentido temporal, esta, por meio das tecnologias da imortalidade, colada ao corpo físico e integrada ao esquema corporal. Toda essa instrumentalidade acabaria se estendendo às possibilidades humanas, modificando o clássico perfil do homem natural. 

Sibília (2006), nos fala que a atual voracidade pela estética dos corpos fazem parte da virtualização da vida e da tecnociência contemporâneas. Vê-se tal fato na prática do dia a dia quando se busca certa pureza associada às técnicas digitais de edição de imagens, usadas para retocar ou corrigir defeitos nas fotografias de corpos expostas na mídia, pelo photoshop. Tais efeitos realizados com os chamados bisturis de software dão às imagens corporais tudo aquilo que a natureza costuma recusar aos corpos reais, e  aquilo que as duras práticas neoascéticas, como as cirurgias, dietas, tratamentos estéticos, musculação, não conseguem produzir.  Na realidade, prossegue a autora, esses modelos digitalizados invadem o imaginário e as subjetividades, visto que as imagens assim editadas se convertem em objetos de desejo a serem reproduzidos na própria carne, e esse processo de virtualização da imagem do corpo além de promover uma redefinição radical da sensualidade, fomenta a emergência de um padrão de beleza asséptico e descarnado, já que esses corpos sexuais perfeitos são desenhados como objetos estáticos e meramente visuais, ou seja, para serem exibidos, observados e consumidos visualmente. A nosso corpo sexual está condenado a se tornar 100% imagético?           

5. Considerações Finais

Se fosse possível enxergar a beleza em si, limpa, pura, sem mistura, sem estar contaminada de carnes humanas, de cores e de outras muitas miudezas mortais, mas se fosse possível avistar a beleza divina em si, especificamente única... (Platão)

Da mesma forma como comecei este artigo, com uma citação de Platão, a término, diante de uma indagação: estamos, hoje, realmente sob a ditadura iconofágica da imagem, diante de um novo platonismo, escravos da perfeição?  

Debord, um neoplatônico, afirma que o espetáculo é o momento em que a mercadoria fetichizada toma conta da vida social, dominando-a, com objetos suprassensíveis, no qual o mundo real é substituído por uma seleção de imagens que existem acima dele.  

Estamos em uma sociedade narcísica às avessas, diz Contardo Calligaris (1994), visto que, agora, o espelho somos nós. Vivemos, diz o Psicanalista, em um mundo  onde a subjetividade só encontra consistência nas imagens que a mídia nos impõe, como desejadas, e que estão dispostas em cada canto, como espelhos invertidos que não nos refletem; ao contrário nós é que somos obrigados a refleti-las. 

Jameson (2000), por sua vez, se aproveita do conceito de esquizofrenia cunhado por Lacan, tendo em vista a fragmentação do real como um dos elementos constitutivos do pós-modernismo, já, o que ocorre, diz ele, é uma ruptura na cadeia dos significantes, ou seja, a relação entre o significante e o significado desmorona, uma vez que a realidade, agora, é espelho de uma outra, a imagética, supremacia do aparente.  

Platonismo, narcisismo às avessas, sociedade esquizofrênica, o certo é que o corpo sexual parece ter se tornado uma valiosíssima imagem para ser exibida na sociedade do espetáculo; sociedade em que a produção de imagens, onde nossos corpos reais são simulacros traduzem-se na a padronização, na virtualização e na comercialização do corpo sexual como mercadoria fetichizada, utópico e transcendente, produto da fantasia e do desejo, mas que é sempre o sintoma de nossa época. Linhas de fugas, deste novo platonismo, sempre há, pois sempre é possível, comparar, recusar, escolher, agir e pensar, em termos: sair da bolha. Cultivar como diz Deleuze, uma vida nômade.      

Sobre o Autor:

Manoel Vasconcellos Gomes - Psicólogo CRP 05/49191, Advogado OAB/RJ 202.212 Filósofo (UFRJ). 

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Como citar este artigo:

Seguindo normatização ABNT para citação de sites e artigos online:

GOMES​, Manoel Vasconcellos. O Redesign do Corpo Sexual na Mídia Iconofágica. Psicologado, [S.l.]. (2018). Disponível em https://psicologado.com.br/psicologia-geral/sexualidade/o-redesign-do-corpo-sexual-na-midia-iconofagica . Acesso em .

Seguindo normatização APA para citação de sites:

Gomes​, M. V., 2018. O Redesign do Corpo Sexual na Mídia Iconofágica. [online] Psicologado. Available at: https://psicologado.com.br/psicologia-geral/sexualidade/o-redesign-do-corpo-sexual-na-midia-iconofagica [Acessed 12 Aug 2020]

Seguindo normatização ISO 690/2010 para citação de sites:

GOMES​, Manoel Vasconcellos. O Redesign do Corpo Sexual na Mídia Iconofágica [online]. Psicologado, (2018) [viewed date: 12 Aug 2020]. Available from https://psicologado.com.br/psicologia-geral/sexualidade/o-redesign-do-corpo-sexual-na-midia-iconofagica