Sexualidade e Psicologia: Visão Psicológica Sobre as Disfunções Sexuais Femininas

Sexualidade e Psicologia: Visão Psicológica Sobre as Disfunções Sexuais Femininas
(Tempo de leitura: 39 - 78 minutos)

Resumo: O presente trabalho tem como objetivo central, debater de maneira conceitual sobre a importância da intervenção e a ótica da psicologia acerca das disfunções sexuais femininas. De modo que foi possível concluir que temáticas que envolvem a sexualidade humana são, por si só complexas, quando soma-se ainda os estudos sobre a sexualidade feminina, certamente que este cenário se permeia de ainda mais tabus. A questão da disfunção sexual feminina é um assunto amplamente conhecido, bem como seus impactos sobre a saúde, bem-estar e qualidade de vida da mulher. Neste sentido, também é notada uma ampla carência de métodos de tratamento e diagnóstico que sejam mais efetivos, de modo que, quando notar algum problema relacionado a sua função sexual, a mulher se desprenda da vergonha para tratar sobre isto. Para tanto, é preciso que profissionais da área da saúde sejam preparados para lidar com estes assuntos, formando então uma ação multidisciplinar capaz de lidar com as disfunções sexuais femininas, com abordagem biológica, fisiológica, psicológica e social. A justificativa para a escolha do tema paira sobre sua contemporaneidade, bem como na expectativa de contribuir para o âmbito acadêmico. O método de pesquisa empreendido segue natureza qualitativa, com pesquisa do tipo bibliográfica.

Palavras-chave: Disfunção sexual feminina, saúde, mulher,  psicologia, Sexualidade.

Introdução

A sexualidade passou a se configurar como um tema de estudos dentro da área de história somente na contemporaneidade, bem como ainda pode ser considerado um elemento relativamente recente, datado especialmente dos últimos 30 ou 40 anos. Isto porque o mundo antigo era uma época onde tinha métodos e temáticas de pesquisa um tanto conservadores, sendo assim, a questão sexual ficava de lado. (SKINNER, 2006).

A sexualidade tal como uma temática mais reduzida, repleta e permeada de preconceitos e tabus, não era considerada um objeto de decoro para as pesquisas acadêmicas. Por isto, a sexualidade antiga tornou-se um tema marginal, escuso deste universo erudito, passou a ser então explorada de maneira ampla. (JOHNS, 1990).

No capítulo I, abordou-se o contexto histórico da sexualidade em Roma e sobre como os atos e as práticas sexuais que eram interpretados e julgados como algo universal, ignorando completamente os demais significados e simbologias que os permeavam, bem como as relações sociais que eram empreendidas em tais práticas. (CAVICCHIOLI, 2008). Levou-se em consideração o sexo visto sob a ótica dos padrões da modernidade. Sendo assim, esta obra paira sobre a temática da sexualidade feminina sob a ótica da psicologia, especialmente no que tange as principais disfunções sexuais do gênero feminino.

No capítulo II, analisou-se a sexualidade feminina contemporânea, e os impactos dessas alterações na saúde e procedeu-se a análise das disfunções sexuais feminina, que consistem em alterações no interesse da mulher pela atividade sexual, até a dificuldade em vivenciar excitação subjetiva ou genital, bem como no desencadeamento do desejo durante o envolvimento sexual.

Existe ainda a disfunção do orgasmo e da dor quanto à relação sexual, assim como a impossibilidade de relaxamento vaginal, dificultando a penetração e comprometendo a sensação de satisfação com a relação.

Ainda que seja causa de extremo sofrimento, as disfunções sexuais femininas dificilmente são abordadas de maneira direta, o que pode ser justificado por conta da complexidade que envolve o tema. Em diversos casos estes problemas surgem agregados a queixas de depressão, ansiedade, baixa autoestima, insatisfação ou problemas de envolvimento em relacionamento íntimos e por este motivo, abordou-se no capitulo III algumas das intervenções psicológicas no tratamento das disfunções sexuais femininas. Em vista do cenário supra exposto, desenhou-se como objetivo do trabalho compreender de maneira conceitual as disfunções sexuais femininas e as possíveis intervenções psicológicas que podem ser aplicadas em sua solução. A fim de traçar um caminho coerente para o desenvolvimento do tema, elencou-se como objetivos específicos: Traçar um breve histórico sobre a sexualidade, sobretudo com ênfase na sexualidade feminina; Conceitualizando as disfunções sexuais femininas; Compreendendo as possíveis causas de tais disfunções; e relacionado as contribuições da psicologia sobre estes transtornos.

O estudo justificou-se por contribuir para o âmbito acadêmico oferecendo através da pesquisa em tela uma visão diferenciada acerca do tema, ampliando o material teórico, que poderá ser utilizado a fim de desenvolver estudos e pesquisas posteriores, estimular o aprofundamento sobre o tema, assuntos relacionados e demais vertentes científicas que possam originar-se a partir do interesse por este.

Além da relevância acadêmica, a pesquisa em questão também intenciona servir como fonte de informações para o âmbito social, podendo oferecer dados relevantes para que os públicos de interesse envolvidos na área colham dados para notar a importância da abordagem e aplicabilidade do tema em estudo.

Metodologia

A pesquisa eleita para elaboração desta obra, foi a metodologia exploratória, com a utilização de bibliografia como procedimento de pesquisa de obras já existentes sobre o tema. Segundo Gil (2008) a pesquisa exploratória consiste na familiarização do problema proposto, podendo assim encontrar maneiras de explicitá-lo de modo que pode ser feito o levantamento bibliográfico ou por meio de entrevistas, neste trabalho, elegeu-se o levantamento bibliográfico, que ainda de acordo com autor, consiste no desenvolvimento de uma pesquisa embasada em material já existente, especialmente livros e artigos científicos.

O presente estudo também teve a finalidade de fomentar conhecimento no pesquisador, além de seu leitor, que durante o desenvolvimento da pesquisa terá condições de desenvolver um pensamento reflexivo-crítico a fim de formar uma trajetória analítica do tema, culminou em sua conclusão resultando em aprofundamentos, demais vertentes e debates acerca do assunto. Lakatos e Marconi (1996, p. 15) definem que “Pesquisar não é apenas procurar a verdade; é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos”, através desta ótica é possível notar que a pesquisa é mais ampla do que se imagina em um primeiro momento. A pesquisa não se identifica apenas como um processo de investigação, ou um modelo simplório de inquirição, sua finalidade é possuir uma compreensão mais profunda sobre o tema levantado e sobre a questão que direciona a pesquisa.

Ainda de acordo com as autoras a pesquisa necessita de um planejamento organizado e detalhado, o que percebeu-se nas etapas, como seleção do tema, definição do problema, justificativa e, o que resultou em análise profunda e tratamentos de dados, que culminaram no presente trabalho.

1. Sexualidade

1.1 Os primórdios do Debate na Roma Antiga 

Sabe-se que no âmbito da Grécia e, especialmente da Roma Antiga, o tema sexualidade passou a demandar uma série de estudos e debates, sobretudo acerca da representação da sexualidade feminina neste espaço da história antiga. Cabendo, portanto, expor um breve relato acerca de como a sexualidade feminina e como um todo passou a ser encarada neste momento da história que ficou conhecido como um dos mais sexuais.

A sexualidade passou a se configurar como um tema de estudos dentro da área de história somente na contemporaneidade, bem como ainda pode ser considerado um elemento relativamente recente, datado especialmente dos últimos 30 ou 40 anos. Isto porque o mundo antigo era uma época onde tinha métodos e temáticas de pesquisa um tanto conservadores, sendo assim, a questão sexual ficava de lado. (SKINNER, 2006).

A sexualidade tal como uma temática mais reduzida, repleta e permeada de preconceitos e tabus, não era considerada um objeto de decoro para as pesquisas acadêmicas. Por disto, a sexualidade antiga tornou-se um tema marginal, escuso deste universo erudito, passou a ser então explorada de maneira ampla. (JOHNS, 1990).

Levando em consideração o sexo visto sob a ótica dos padrões da modernidade, assim como os atos e as práticas sexuais que eram interpretados e julgados como algo universal, ignorando completamente os demais significados e simbologias que os permeavam, bem como as relações sociais que eram empreendidas em tais práticas. (CAVICCHIOLI, 2008).

Cabe iniciar este desenvolvimento com a explicativa que, tratando-se desta época da história, certamente se valerá da homossexualidade. Sendo assim, cabe ressaltar que o termo, como defende FOUCAULT (2003, p. 167) “[...] é bem pouco adequada para recobrir uma experiência, formas de valorização e um sistema de recortes tão diferentes do nosso”. De modo que o autor explica  que gregos e romanos, por exemplo, não opunham de maneira excludente ou marginalizada o amor sentido pelo sexo oposto ou mesmo de um representante do próprio sexo.

Para estes povos, a diferença residia acerca da temperança e incontinência sexual existente nas relações. Halperin (1989) também explica que seria praticamente impossível tratar de sexualidade no período de Roma e Grécia antiga sem esbarrar na homossexualidade, isto porque esta pressupõe sexualidade, que consiste então em sua reconfiguração moderna, uma vez que, opondo-se ao sexo, que é um ato natural, a sexualidade tende a ser uma produção cultural.

Assim, Feitosa (2008) explica a expressão sexualidade sendo empregada somente a partir do século XIX, assim, sem consistir em real valor epistemológico para as sociedades antecessoras, porém, a autora explica que sua aplicação torna-se adequada no sentido de levar em consideração os valores culturais que passam a interferir no modo como os indivíduos se relacionam com seu próprio corpo, seus desejos e seus sentimentos.

“A análise da sexualidade integra a historicidade do corpo, do que pode ser definido por erógeno, das prescrições estabelecidas à prática sexual e de suas emoções, evidenciando variados sentidos de acordo com os valores socialmente constituídos em grupos, tempos e espaços históricos estabelecidos. Nas sociedades ocidentais, a influência do pensamento judaico-cristão designou ao sexo uma conotação nociva, sentido estendido aos objetos, imagens e escritos com referências sexuais, considerados incitações à pornografia, à libidinagem. Esse repensar sobre os significados atribuídos a essa documentação ainda é algo muito recente e só há pouco tempo mostrou ser viável e produzir resultados consistentes, como ficou patente no caso da documentação material romana que, por séculos, foi destinada a um enorme ostracismo acadêmico que vem sendo superado apenas em décadas recentes” (FEITOSA, 2008, p. 128-129).

Porém, prossegue a autora, é possível encontrar na mídia diversos elementos que reforçam a ideia de pornográfico que fora imputado sobre os documentos de cunho sexual das épocas de Roma antiga. Feitosa (2008) recorre a uma matéria de um jornal brasileiro de alta circulação, o Folha de São Paulo, cuja qual apresentava como título “Leituras cruzadas, pornografia ao pé da letra”, que discorria sobre descobertas arqueológicas que trouxeram à tona um volume relevante de artefatos com representações sexuais, que foram encontrados em diversas religiões do Império Romano.

Na mesma reportagem, o jornalista que a escreveu concluiu que existia um gosto romano por imagens e textos pornográficos, o que a autora explica que consiste em um transporte claro de conceitos vindos do imaginário contemporâneo para a antiguidade, o que passa então a enfatizar certos pensamentos acríticos e um tanto estereotipados acerca da sexualidade antiga.

“Com a crítica da constituição de identidades a partir do biológico, percebeu-se a inadequação de inúmeros termos e interpretações modernas, quando projetados no passado. É o caso, por exemplo, das representações “eróticas” encontradas no universo greco-romano, mencionadas acima. O que simbolizaria uma “cavalgada feminina” reproduzida em pintura, escultura, cerâmica, louça de luxo e moedas romanas? Um ato de felação representado na arte grega? A cena de cunilíngua presente nos epigramas e grafites romanos? A representação fálica presente em objetos como lamparinas, sinetas, fontes, ou presente nos beirais das casas, paredes e jardins? Como olhar para essas representações espalhadas em quartos, salas, varandas, lupanares, muros e em uma vasta gama de objetos de uso comum? ”. (FEITOSA, 2008, p. 129).

Sendo assim, a autora complementa que refletir acerca do temasexualidade, possibilita lançar sobre tais menções de natureza sexual, um olhar crítico acerca de como os aspectos de estímulo ao desejo eram retratados, ou mesmo se consistiam realmente em um vestígio da ‘devassidão’ deste povo antigo, como era banalmente interpretado antes.

Atualmente existe uma defesa de que tais referências não estavam somente limitadas às circunstâncias de cunho exclusivamente sexual ou erótico, mas que por outro lado, assumiam conotações que poderiam ser religiosas, apotropaicas, satíricas, humorísticas ou simplesmente demonstravam-se como um elemento de agradabilidade e que consiste em algo cotidiano da vida.

Tal como trecho separado pela autora:

“[Floronius binet ac miles leg vii hic fuit. Neque mulieres scierunt nisi paucae et ses erunt] (CIL, IV, 8767). Florônio, fodedor e soldado da sétima legião esteve aqui e as mulheres nem souberam, senão, até seis seriam poucas! ” (FEITOSA, 2008, p. 130).

De maneira bastante comum, como explica a autora, é ressaltada a virilidade masculina, ao passo que neste mesmo trecho é possível notar um contexto apotropaico, isto é, um modo que Florônio encontrou para afastar maus presságios, uma vez que fora ignorado pelas mulheres que tentou conquistar, daí a autora explica o comentário de ‘despeito’, informando a todos que seis seriam poucas para um homem como ele, tamanho o seu vigor.

Um debate similar a autora aponta como a utilização com frequência do verbo “futuere” que, no sentido mais literal e coloquial da palavra, referência o ato de “foder”, ou mesmo no padrão culto da língua “ter relação sexual”.

“Menções sobre essa ação foram encontradas em lugares diversos de Pompéia, muitos dos quais não se pode fazer uma associação direta com um ambiente onde se praticava sexo, como os lupanares. Exemplos podem ser vistos em frases como a registrada em uma das colunas da Rua da Fortuna: Ephesus fututor (CIL, IV, 1503) [Éfeso, fodedor],na parede de uma taberna: Hic futui cum sodalibus (CIL, IV, 3935) [Aqui, com meus colegas, fodi],e ainda outra escrita na entrada de uma casa: Fortunate animula dulcis perfututor Scribt qui nouit (CIL, IV, 4239) [Fortunato, doce coraçãozinho, grande fodedor! Escreve-o quem sabe], ”. (FEITOSA, 2008, p. 131).

Feitosa (2008) explica que existe uma discussão tamanha e mesmo uma grande controvérsia acerca dos reais significados destas referências, especialmente o formato que as mesmas poderiam assumir dentro da sociedade romana, dentre as quais, a autora ressalta algumas destas explicações:

“Para Varone, essas frequentes citações são próprias da pulsão erótica, que suscita uma necessidade incontrolável de escrever sobre o encontro sexual e de dividir com os outros o prazer que sentiram na relação. Portanto, citá-las seria a própria continuação do prazer. Adams, por sua vez, considera que tais inscrições podem sugerir propagandas feitas por prostitutas sobre a capacidade sexual de seus clientes, e, o que seria mais comum, uma indicação da virilidade do sujeito que a escreveu, ou, ao menos, a intenção de realçá-la. Entretanto, o autor destaca que o uso desse verbo é frequente na voz ativa – “eu fodo”, “eu possuo”, tanto para o masculino como para o feminino23. Isso pode ser visto em alguns grafites em que a mulher é representada como “possuidora”: Miduse fututrix (CIL, IV, 4196) [Miduse possuidora]”. (FEITOSA, 2008, p. 131).

Assim, a autora complementa dizendo que a utilização popular de tal verbo, quando empregado de maneira, comumente, relacionada à ação sexual provinda de um pênis, que é simbolicamente uma representação do que é “ativo”, Funari, por sua vez, interpreta que é um modo de defesa contra mau olhado e, paralelamente, é ainda um modo de trazer-se sorte e proteção.

Justamente por isto a autora explica que, mais do que uma atribuição de poder do fálico tão somente restrita ao homem, cabe ser razoável presumir que a relação sexual que se encontra implícita no símbolo era a possuidora de uma verdadeira potência de proteção, e por conta de todos estes elementos utilizados com voz ativa por todos os sujeitos que clamassem e evocassem essa capacidade de proteção.

“Essa conotação possibilita pôr em questão a interpretação simples e de senso comum com que, frequentemente, olhamos para esses signos do passado. Outra conhecida inadequação é a transposição simplista dos conceitos de homossexual e heterossexual para a análise da experiência sexual no mundo antigo. Nesse universo, o fato de um “homem” fazer sexo com outro “homem” ou “mulher” não era suficiente para identificar a sua categoria sexual, como ainda é pressuposto em dias atuais. Longe de fundar uma espécie – o “homossexual” – a relação sexual entre dois homens era considerada uma prática erótica compatível com o casamento com o sexo oposto, não excludente, pois, da relação com as mulheres”. (FEITOSA, 2008, p. 132).

Assim, a autora ainda explica que a passividade sexual masculina encarada por Sêneca como uma “indecência e crime para os livres, fatalidade para o servo e obrigação para o liberto” (apud FEITOSA, id.). Através de tal enunciado é possível notar que fora estipulado então tudo o parecia ser a ‘ordem natural’, que seria a função ativa do homem aristocrático e cidadão, compatibilizando com seu autodomínio, integridade física, controle e domínio sobre os outros membros da sociedade e povos, que fatalmente seriam as mulheres, os libertos e os escravos.

A autora apresenta ainda a associação com tal tese, informando que vale ainda ponderar acerca da rigorosidade determinada sobre o comportamento sexual da aristocracia da época, que consistia na função socialmente ativa desta sociedade, bem como a subserviência dos que por eles eram comandados.

A primeira questão a autora apresenta uma célebre passagem de Suetônio, sobre Júlio César, que consiste em um dos exemplos mais representativos acerca do desrespeito à ideia de uma prática sexual masculina ativa e restrita, abrindo uma lacuna entre o que poderia ser idealizado e efetivado, trecho este que a autora traz à integra: “Júlio César era mulher de todo homem e homem de toda mulher” [mnium mulierum uirum et omnium uirorum mulierem]”. Cabe também notar que, ainda que o Suetônio traga tal afirmativa em um tom jocoso, não foi o bastante para que a posição de Júlio César como cônsul fosse colocada em cheque, distintamente do que ocorreu a um representante de alto escalão do governo norte-americano na contemporaneidade, no ano de 2006, quando o mesmo pediu sua demissão – ou foi forçado a tal – após assumir suas preferências por parceiros do mesmo sexo.

“Além da prática de Júlio César, os grafites também oferecem elementos para questionarmos a ideia de austeridade sexo-afetiva como um elemento significativo da virilidade masculina. Declarações amorosas, súplicas, mensagens de saudades, entre tantas outras, foram estampadas nas paredes sem o constrangimento de manifestar publicamente a afetividade que envolvia os seus escritores [...]”. (FEITOSA, 2008, p. 133).

A autora expõe então algumas mensagens deixadas neste sentido:

“Uma efusiva declaração foi deixada a Taine, na parede de uma casa: Dulcis amor, perias eta (pro ita) Taine bene amo dulcissima / Mea / Dulc (CIL, IV, 8137) [Oxalá pereça, doce amor. Amo tanto a Taine, minha dulcíssima amada]. Já na inscrição CIL, IV, 4858, é possível saber o valor que Valentina tinha para a vida de Ametusto, registrado por ele em um dos muros: Amethusthus nec sine sua Valentina [Ametusto não vive sem sua Valentina], e Restituto, possivelmente um comerciante que se encontrava de passagem pela cidade, expressou na parede de um quarto a falta que sentiu de sua querida Urbana: Vibius Restitutus hic solus dormiuit et Urbanam suam desiderabat (CIL, IV, 2146) [Víbio Restituto aqui dormiu sozinho e lembrou-se ardentemente de sua amada Urbana]”. (FEITOSA, 2008, p. 133)

Feitosa (2008) ainda elucida que tais paredes também são espaços para o registro de diversas súplicas de amor, que eram feitas por homens que, em linguagens simplórias e diretas, clamavam pelo amor de suas mulheres desejadas, assim, Secundo expressou seus sentimentos no átrio de uma casa:

“Secundus Prim(a) e suae ubi/que isse salute(m). Rogo, domina, ut me ames (CIL, IV, 8364) [Secundo a sua querida Prima, uma saudação cordial. Peço, senhora, me ame! ], O mesmo fez Élio, em uma cozinha: Aelius Magnus Plotillae suae salutem. Rogo, domina (CIL, IV, 1991) [Élio Magno saúda a sua amada Plotila]. Peço-te senhora! ]. À Grata foi direcionada uma súplica registrada no interior de uma casa: (Grat) ae nostrae feliciter (perp) etuo rogo domna per (Venere) m Física te rogo ni me (...)us habeto mei memoriam. (CIL, IV, 6865) [A minha querida Grata, com felicidade eterna. Te peço, senhora minha, por Vênus Física, que você não esqueça de mim. Me tenha sempre em teus pensamentos! ]. E um anônimo, apressado, possivelmente um artista prestes a exibir o seu número, deixou esta mensagem a Sava no corredor do Teatro: Propero. Vale, mea Sava, fac me ames (CIL, IV, 2414) [Tenho pressa. Tchau, minha Sava! Me queira sempre! ]”. (FEITOSA, 2008, p. 134).

Tais mensagens passam a se atribuir de ainda mais complexidade quando são relacionadas às menções de “cunilíngua”, o que demonstraria uma prática de satisfação de desejos femininos, além de uma identificação sexo-afetiva entre o sexo feminino e o masculino, com base em demais parâmetros que não sejam aqueles de dominação e controle.

“Para finalizar, as discussões de gênero e sexualidade propiciam uma reflexão sobre nossas próprias relações, conceitos e valores e de como os olhamos na Antiguidade. Essa relação presente/passado significa, também, indagarmos a respeito de como os temas investigados e os seus resultados são frutos de formulações e interpretações históricas, que indicam escolhas políticas e buscam questionar ou ratificar determinadas situações e ideias”. (FEITOSA, 2008, p. 139).

Assim, a autora conclui que novos olhares e novas abordagens acerca de fontes e sua confrontação com debates historiográficos contemporâneos, passam a denotar uma noção sobre demais possibilidades de relações existentes entre feminino e masculino, bem como suas maneiras de conceber a sexualidade, para além das que são experimentadas pela sociedade contemporânea. Os resultados consistem, por sua vez em um vislumbre de antiguidade romana mais complexa, mais dinâmica, tanto no que tange suas realidades múltiplas, quanto heterogêneas.

Segundo Edwards (1993) a sexualidade que emana das épocas da Roma Antiga é permeada nas artes e na literatura, bem como em uma série de inscrições, especialmente em achados da arqueologia que consistem em artefatos com conteúdo erótico, pinturas parietais e também em objetos da arquitetura antiga. Assim, a autora explica que a tradição posterior, algumas vezes, acabava por imputar sobre a Antiga Roma uma característica da prática sexual livre, contudo, explica que tais práticas nunca foram vistas com bons olhos pelo ocidente, especialmente após a ascensão do cristianismo, tornando a imagem desta sexualidade na Roma antiga, no imaginário popular e cultural, um cenário de libertinagem e abusos sexuais diversos.

Grimal (2005) explica que a sexualidade, porém, não fora necessariamente uma preocupação para a maior parte dos romanos, o fora sim as normas sociais tradicionais impostas, que passaram a afetar a vida no âmbito público, privado e militar. Eram noções de pudor e de vergonha que tornaram- se, posteriormente aspectos reguladores de comportamentos, assim como as restrições legais acerca de algumas das consideradas “transgressões sexuais” que foram reguladas neste período.

O autor explica que os censores ocupavam cargos públicos, determinando sua posição social inclusive, o que por sua vez, tal posição na sociedade, também era um fator avaliativo sobre a conduta sexual e o modo como deveriam se comportar estes cidadãos. Foucault (1988) em meados do século XX, inclusive determinou a vida sexual no cenário Greco-romano por meio da contenção e da administração do prazer sexual.

Na obra de Puccini-Delbey (2010) o autor explica que a sociedade da Roma Antiga vivia sob um regime altamente patriarcal, onde a masculinidade tomava como base a capacidade que o indivíduo teria de governar a si e aos outros que, por conta de seus status, encontravam-se subordinados a ele, não somente na guerra, mas especialmente na política e no sexo.

Assim, o autor ainda explica que o termo “virtude” era completamente direcionados ao homem, de gênero masculino, bem como tornava-se um ideal a ser perseguido por este indivíduo, que deveria ser ativo e manter sua autodisciplina. O ideal, por sua vez, diz respeito a uma mulher pudica, relacionando-se com frequência à castidade ou modéstia, porém, precisando também de uma qualidade diferencial e positiva, tal como um aspecto de competitividade com as demais.

Grimal (2005) explica que as denominadas “matronas”, eram mulheres da Roma Antiga, pertencentes às classes mais abastadas da sociedade, mulheres criadas com educação ampla, etiqueta, geralmente representantes de caráter forte, assim como eram as representantes e responsáveis por manter sua família na sociedade.

O autor prossegue dizendo que alguns comportamentos ou atitudes de cunho sexual dentro da cultura da Roma Antiga são distintos de maneiras enfáticas das sociedades ocidentais do mesmo período. A religião romana tinha como matriz de suporte a própria sexualidade, bem como esta constava como um fator de prosperidade para o Estado, assim como os indivíduos tinham possibilidade de direcionar sua prática religiosa de maneira privada ou mesmo ‘mágica’, no sentido de otimizar sua vida sexual ou saúde reprodutiva.

Ainda para Grimal (2005) é preciso tomar certo cuidado ao empreender uma análise muito rigorosa sobre esta temática, uma vez é possível imputar sobre o assunto um olhar permeado por alguns valores da contemporaneidade, aspecto que pode tornar obscuras as expressões reais da sexualidade antiga dos romanos.

Ao passo que, em oposto ao que é divulgado e arraigado na cultura contemporânea, a sexualidade no Mundo Antigo era encarada como um elemento altamente positivo, tendo a representação de seus próprios deuses.

Ainda que a relevância do termo “sexualidade” na cultura romana tenha sido por diversas vezes motivo de contestação, na inexistência de qualquer tipo de rótulo na interpretação cultural de uma experiência erótica, o termo perpetuou-se em utilização.

A obra de Suetônio (2002), denominada “A vida dos doze césares” traz uma série de resumo bibliográficos sobre os doze imperadores de Roma, relatando as práticas de governo e de vida desde de Caio Júlio César até Tito

Flávio Domiciano. Durante a obra do autor é possível tomar conhecimento sobre diversos fatores da vida pública e privada destas figuras históricas, assim como seus costumes políticos, religiosos, sociais e também sexuais.

Cabe lembrar que a autoria das bibliografias é de Caio Suetônio Tranquilo, que viveu entre 69 e 122 d.C. o que o torna contemporâneo de, pelo menos três dos últimos imperadores relatados na obra. Isto torna tais fatos mais verossímeis, uma vez que oferece ao leitor dados como nomes e datas de acontecimentos. Muitos resenhistas da obra de Suetônio dizem que algumas das cenas por ele relatadas não são aconselháveis a sujeitos impressionáveis, já que muitas delas são dignas de filmes de terror. Contudo, como o próprio Suetônio explica, não se deve acreditar em tudo o que é relatado, já era comum à época, que um imperador que tomava o poder, caluniasse seu antecessor, a fim de torna-se mais bem quisto perante a sociedade. No capítulo segundo da obra, é possível notar a predominância da violência e depravação existente à época, especialmente ao que concerne aos doze imperadores.

Tal como os ditadores contemporâneos, os imperadores da Roma Antiga tinham seu poder embasado pela utilização da violência. Ao passo que a luxúria e a depravação ficam mais a cargo dos costumes da época do que relacionados a desvios de caráter propriamente ditos, dentre eles o homossexualismo era a ‘transgressão sexual’ mais comum, assim como a prostituição e até mesmo a pedofilia. Nota-se que, contrário à cultura arraigada historicamente, onde um homem, especialmente um governante de poder, deve tomar como esposa uma mulher virgem, casta e modesta, os césares, ao contrário, tomavam como esposas, isto falando de todos os que foram relatados na obra, mulheres já maduras, ao invés de jovens na flor da idade, sendo que algumas delas, inclusive já eram casadas com outros homens de seu próprio convívio social.

Na análise de alguns outros críticos literários, contudo, a obra de Suetônio não pode ser considerada como um grande valor histórico, uma vez que seus relatos são considerados por alguns como “fofocas” da época antiga, porém, no sentido de curiosidade da vida destes imperadores, o material da obra do autor tende a ser perspicaz, especialmente no que tange à demonstração sobre as práticas sexuais destes sujeitos de poder, assim como suas depravações e demais ações que demonstram que a libertinagem sexual contemporaneidade, pode ser remetida a Roma Antiga.

Quando se trata da obra de Puccini-Delbey (2010) denominada “A vida sexual na Roma Antiga”, o autor tem como foco um debate acerca do conceito de sexualidade nas sociedades contemporâneas, demonstrando que as mesmas têm como base a distinção do gênero, categorizando as pessoas como heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Ao passo que explica que na Roma Antiga, é possível considerar, sobremaneira, o estatuto social e a faixa etária, ao passo que a orientação principal, que fora imputada pela legislação e demais costumes, estipula que os cidadãos do sexo masculino teriam a finalidade de penetrar, mas nunca, sob qualquer hipótese poderiam ser penetrados.

Ainda neste bojo, é possível notar que todos os outros sujeitos poderiam o ser, seja em quais condições fossem, variando de consoantes como as matronas que eram mulheres respeitáveis, até as coquetes libertas, cortesãs, prostitutas ou mesmo escravos, sendo estes de ambos os sexos.

A autora ainda se doutrina em sua obra de um conhecimento extenso sobre a literatura latina, conseguindo fazer com que seus textos se apresentem por si, desvelando muitas vezes as relações que permeavam a prática sexual, o prazer feminino e ainda o sentimento de afeto, para além de enfocar em casos específicos de alguns dos imperadores que eram conhecidos por conta de suas práticas sexuais não convencionais, se assim pode-se chamar, tais como Tibério, Calígula e Nero.

Edwars (1993) explica que, ainda como em outros aspectos da vida da Roma Antiga, a sexualidade passou a ser subsidiada e regulada por diversas tradições advindas da religião. Tanto no que diz respeito ao culto público do Estado, quanto nos privados, que se convergiam em práticas religiosas e mágicas, assim a sexualidade se fazia presente como uma categoria importante no que tange o pensamento religioso romano. A autora explica que entre os elementos religiosos o falo sagrado sempre se apresentou como um elemento sagrado de maior importância e utilizado amplamente pelo povo romano. Este falo era tido como um símbolo apotropaico, isto é, tinha o potencial de afastamento dos maus agouros e de influências obscuras, ao passo que também simbolizava a proteção quanto à fertilidade e continuidade da vida.

Na obra de Veyne (2008) denominada “Sexo e poder em Roma”, o autor relata que a civilização da Roma Antiga foi, senão uma civilização helenística, contudo, acrescida de elementos romanos, tais como a medicina, matemática, a filosofia de toda a naturalidade de funções políticas e religiosas. Assim, as mudanças ocorreram ao passo que o mundo Greco-romano de pagão, passou a se converter cristão, substituindo diversos aspectos, tal como a livre imprensa, pela igreja.

Em um contrapelo para com a cristianização, passaram a se desenrolar, ainda segundo o autor, algumas práticas relacionadas à sexualidade e poder, elementos estes que tanto foram responsáveis pela profanação da civilização romana. O autor destaca que algumas destas práticas se relacionam a homofilia, aborto e infanticídio, além da promiscuidade latente e dos duelos.

Tal como uma sociedade com bases paternalistas e costumes altamente machistas, Veyne (2008) explica que o sexo era utilizado como moeda de troca e elemento que demonstrava poder. Neste cenário, as prostitutas detinham maior poder ante as mulheres recatadas, já que ofereciam seus serviços sem qualquer pudor que as mulheres castas apresentavam. Assim, os membros do poder de Estado, que muitas vezes defendiam a não transgressão sexual, eram os primeiros a fazer uso destes serviços, a fim de suprir necessidades que o matrimônio não era capaz. A grande preocupação neste cenário consistia no respeito por mulheres casadas, pelas virgens e por adolescentes nascidos livres.

Veyne (2008) explica ainda que, se Roma foi uma sociedade escravagista foi por conta disto que a homofilia espalhou-se, tanto que permeia todos os textos romanos da época. Neste bojo, o autor, com subsídio na obra de Suetônio (2002), que Virgílio, por exemplo, possuía gostos sexuais por rapazes, ao passo que imperador Cláudio preferia as mulheres, fossem matronas ou prostitutas, Horácio, por sua vez era partidário de ambos os sexos.

O autor acredita que é importante lembrar que, nesta realidade a classificação dos sujeitos não ocorria por conta de suas condutas sexuais, mas sim por conta de sua posição de ativo ou passivo durante o ato sexual, a mulher é um passivo por definição, a menos que fosse alguma aberração, já que para os antigos romanos, mulheres que assumiam o papel do homem no sexo eram consideradas monstros, a inversão do mundo.

1.2 A Representação Feminina na Sexualidade Antiga

Veyne (2008) ainda traça um paralelo entre as mulheres gregas e as romanas antigas, ao passo que as primeiras mal saiam de casa, tampouco poderiam andar desacompanhadas, as romanas jamais se viam em uma situação de confinação. Por este motivo o autor atribui à presença constante de prostitutas nas ruas. O autor explica ainda que o símbolo fundamental que dá a existência de Roma é uma loba, responsável por amamentar Rômulo e Remo.

As prostitutas então passavam a ser reconhecidas como ‘lobas’, mulheres que andavam à espreita de sua próxima preza, a qual sempre conseguiam enveredar com seus ‘poderes’ femininos, certamente relacionados à sexualidade.

Grimal (2005) o cenário de Roma Antiga ainda era permeado pela sexualidade relacionada à religiosidade, tal como muitas festas religiosas tinham a sexualidade como elemento central, o autor explica que os Lupercália, que eram comemorados ao mês de fevereiro, até o século V da era cristã, possuíam um rito arcaico de fertilidade. Ao passo que na Florália as mulheres dançavam nuas e, em alguns festivais que ocorriam em todo o mês de abril, as prostitutas também eram bem vindas, sendo oficialmente reconhecidas nos festejos.

Segundo Silva (2012) as mulheres, no cenário da Roma Antiga, tinham suas funções restritas à produção dos membros para a defesa e o desenvolvimento do Estado. Ainda que, mesmo na teoria, estas mulheres tenham sido encaradas sempre iguais aos homens, na prática as modalidades jurídicas dos primeiros tempos passam a submetê-las a séculos de pura exclusão social.

Contudo, as conquistas de território que foram feitas pelo romano, além deste tomar contato com demais povos, têm a capacidade de trazer ao império não somente riquezas, como também novos modos de cultura e discernimento de valores morais que passam a levar a sério as concepções antigas de sociedade, especialmente no que concerne à influência da mulher perante o público. Ainda na ótica de Silva (2012) os romanos, nos tempos primórdios, tinham duas classificações distintas para suas mulheres, as primeiras, que deveriam ser protegidas e cuidadas, e as segundas, as quais a pureza já não importava. As primeiras eram as mulheres pertencentes às famílias da aristocracia romana, estas que deviam ser protegidas. Estas mulheres eram consideradas figuras quase que sagradas, uma vez que somente o casamento entre romanos era capaz de culminar em cidadão para Roma.

A autora explica então que:

“[...] para se entender a emancipação da mulher é necessário que se compreenda que o amor e o casamento não são consequências um do outro, e que apesar de necessário o casamento não é um prazer, mas um dever de procriação, pois o Estado precisa de novos cidadãos para servi-lo na paz e na guerra”. (SILVA, 2012, p. 35).

Deste modo, na velha moral a esposa tornava-se uma função de cidadão e de chefes de família, para além de volumosas decisões de dinastias. Assim, a mulher, contudo, enxergava o casamento não mais do que uma prisão honrosa. Assim, a instituição do casamento tornou-se uma das mais concretas e respeitadas, uma vez que assegurava a grandiosidade de Roma.

Cabe dizer ainda que, diferente do que parece, a mulher não era tratada como escrava, para além, a vida civil autônoma não era negada somente a elas, mas também aos seus filhos, uma vez que a autoridade era exclusivamente direcionada aos chefes de família, isto é, aos homens.

As segundas mulheres tratadas no início seriam as prostitutas, as quais a pureza não importava. Estas figuras são retratadas na Roma Antiga por Chinchilla (2012) que explica que anteriormente à compreensão da figura da prostituta é preciso entender a sociedade onde está se colocava. A matrona, o autor explica como uma figura social com autonomia de ir e vir, circulando de maneira livre, inclusive sobre as esferas políticas e na estrutura própria das relações sociais em Roma.

Assim, o autor explica que com o segundo aspecto é possível resumir em uma palavra tal sociedade: desigualdade. As relações sociais na Roma Antiga são o que o autor denomina “paritárias”. Não sendo iguais, certamente entre os libertos e os escravos, nem entre os cidadãos e os peregrinos, nem entre homens e mulheres, nem entre ricos e pobres.

Assim, Chinchilla (2012) explica que o centro social passa a ser o cidadão romano livre, homem e com capacidades políticas. Assim, toda a estrutura social passa a ser então concebida pela função do direito de ir e vir, uma estrutura que será sancionada pela lei e terá o vir como sua frente central, assim como o apoio na qualidade do legislador, que terá a função de assegurar uma moral que atinja todos os indivíduos em um determinado espaço social.

Esta moral assegurada em lei, segundo o autor, demonstra de maneira clara os comportamentos que seriam encarados como reprováveis, um exemplo seria o coito anal ou a prática de sexo oral, tanto para homens quanto para mulheres, uma vez que tais práticas eram consideradas uma oferta de prazer gratuito. Assim, o autor complementa dizendo que:

“Estos tabúes sexuales alejarán a aquellos viri que no los respeten de su posición social privilegiada -la transgresión puede conllevar pérdida de reputación cayendo en la infamia e incluso inhabilitaciones de tipo civil pues el sujeto pasa a ser objeto en materia sexual, se convierte en un impudicus lo que implica su feminización”. (CHINCHILLA, 2012, p. 30).

Deste modo, demonstrando o que seria uma mulher para um romano, a resposta torna-se clara, seria um sujeito feminino deste próprio homem, refletindo na matrona. Esta também pode ser considerada uma construção fictícia a fim de configurar as mães, filhas e esposas dos romanos.

Seus comportamentos eram centrados na pureza e eram contrários aos dos homens. Deste modo, estas mulheres seriam livres e então cidadãs, contudo, seriam passivas no âmbito político, social e sexual. Tanto que esta inferioridade passou a ser sancionada pela lei, com base na primeira instância, onde são apontadas suas debilidades físicas e morais.

Chinchilla (2012) explica então que a principal função da mulher nesta sociedade consiste em fornecer ao Estado novos cidadãos, não por acaso que a matrona deriva do termo mater, de mãe, sendo delas a responsabilidade de educar os filhos nos valores morais vigentes da sociedade.

Deste modo, o autor explica que existem alguns limites exigíveis, sobre a ótica sexual, que são demandados de uma matrona. Sendo que estas jamais poderiam exigir a prática de atos infames para ela própria, uma vez que tais práticas degradantes eram reservadas aos escravos e prostitutas.

Sendo assim:

“De hecho existe incluso un código de vestimenta destinado a evitar la confusión entre mujeres decentes y el resto. Pese a todo, la imagen que ofrecemos es simplemente un ideal masculino que en diversos momentos estuvo lejos de ser cumplido por sus esposas”. (CHINCHILLA, 2012p. 31).

Deste modo, dentro deste panorama social existem uma série de micro categorias, entre elas se encontram as prostitutas, que segundo Chinchilla (2012), para aquela sociedade não representavam qualquer tipo de problema. Sua infâmia se encontrava no trabalho que realiza, ao passo que a maior parte delas eram escravas de baixo domínio. Contudo, o autor levanta a questão de que as prostitutas livres, cidadãs e autônomas no que consiste sua condição, implicaria sua inserção dentro do grupo das matronas.

Ao passo que o próprio autor traça uma resposta à questão:

“De primeras la respuesta es fácil, han subvertido la moral sexual que deben observar lo que las hace pasar a un lugar liminal con respecto a su teórico lugar de pertenencia. Pero la problemática va más allá, y está en estrecha relación con sus comportamientos sexuales. La otra cuestión a responder será cuál será el lugar social que se les reserva por ejercer la prostitución y qué moral se les puede exigir que cumplan”. (CHINCHILLA, 2012p. 31).

A lei citada pelo autor estabelecia, como já dito, um código de vestimentas para que fosse possível distinguir matronas e prostitutas. A lei, contudo, também determinava que as prostitutas, para que pudessem exercer seus trabalhos, necessitariam de fama e reputação, o que permitia que fossem forçadas sexualmente, de modo que as mesmas ficavam incapacitadas, juridicamente falando de defender-se de qualquer tipo de violência ou heresias.

“En cualquier caso, su condición de personas jurídicamente incompletas radica en la propia incapacidad de transmitir legitimidad a su descendencia, privilegio reservado a las matronae, de ahí que la pudicitia de éstas sea cuestión clave, pues de la salvaguarda de dicha pudicitia depende la legitimidad transmisible a sus vástagos”. (CHINCHILLA, 2012, p. 32).

Sobre o comportamento sexual das prostitutas, o autor entende que consiste na prática o conceito do mesmo, assim, por conta de serem sexualmente ativas, um aspecto vetado às matronas, eram potenciais de buscar seus clientes, comandando o ato sexual e também o recebimento por seus serviços. Deste modo, por serem consideradas infames, isto é, sem ter uma virtude a proteger, podendo exercer assim um rol ativo de atividades sexuais, a imagem que fica da prostituta livre, seria instantaneamente contrária a da matrona.

Deste modo, por conta de seus comportamentos sexuais, o autor acredita que passa a se produzir uma noção virilizada da prostituta, ao passo que, por virilização o autor não se refere à masculinização, uma vez que a mesma não assume ou exerce comportamentos dos homens, de maneira biológica, mas sim, fala acerca da moral que é atribuída a eles.

Chinchilla (2012) explica então que é possível verificar que Roma não limita sobremaneira sua concepção de gênero a todos os sujeitos. Na Roma Antiga o gênero tratava de limitar a dualidade da matrona. Tal construção, contudo, não diz respeito à realidade biológica.

Deste modo, a prostituta livre fica de fora de tal concepção, contudo, não são elas o único grupo social que em um plano irreal ficam exclusas.

“Roma no renuncia a controlar aquéllos elementos no integrados en el centro del cuerpo social. Para ello se construye una categorización en negativo, una especie de “cajón de sastre” donde ubicar socialmente al resto. Según esta política, y ahora hablando del grupo que nos ocupa, establece una categorización por oposición definiendo ese elemento extraño que asume comportamientos viriles, que no basa sus relaciones en la pudicitia y que maneja dinero para mantener su autonomía, precisamente por esos rasgos que le alejan de lo que -a ojos del vir- debería ser una mujer”. (CHINCHILLA, 2012, p. 32).

Deste modo, ao mesmo tempo que esta prostituta se encontra livre, encontra-se também em um espaço social marginal. Sobre este aspecto, Chinchilla (2012) discorre que a aparente falta de compreensão desde o coletivo para com a prostituição, neste caso com todas elas, sejam livres ou escravas, junto com uma vocação natural para determiná-las a um local social, é observado claramente em um série de obras literárias, figurando a prostituta entre diversas profissões, como aquelas que possuem relação com o mundo das artes, especialmente do teatro, música e espetáculos, ou mesmo relacionando a profissão com camareiras e taberneiras.

A última identificação que o autor traça da prostituta neste cenário é de que a meretriz não era limitada a um lugar marginal acerca do centro social, mas também excluída de maneira completa da rede cidadã, uma vez que era encarada como um elemento anti cívico da sociedade.

É possível notar o debate congruente entre os autores citados até o momento, assim como Ebert (2006) também corrobora com esta visão feita das mulheres na Roma Antiga, especialmente ao comparar que as mulheres romanas, perante as gregas, eram mais livres, uma vez que tinham permissão de andar pelas ruas e participar de banquetes, banquetes e ruas que, aliás eram predominância das prostitutas, que a autora explica serem um elemento estrutural nestas sociedades a fim de manter uma ordem social.

Isto se dava como uma questão de higiene pública e um local para onde mandar os livres, de modo que, ao nascimento de uma menina, era encarado apenas como mais uma a alimentar, sendo comum que estas fossem abandonadas nas ruas e partissem para a prostituição precoce.

Ainda segundo Ebert (2006) meninas, sendo ricas ou pobres, ficavam expostas na sociedade romana, quando ricas para arranjar um bom casamento, quando pobres, para tornarem-se prostitutas. Neste bojo, a autora ainda explica que:

“Em Roma, também havia hierarquia entre as prostitutas: as mais famosas detinham privilégios, e não apenas financeiros, pois há relatos de influenciarem politicamente seus amantes. Mas também elas, a exemplo das gregas, sofriam com a ameaça constante de que a beleza sumiria e com ela a advinda da miséria”. (EBERT, 2006, p.46).

Deste modo, mais do que determinar prostitutas ou matronas, pobres ou ricas, bonitas ou feias, as mulheres em tais sociedades antigas tinham seu destino traçado puramente por conta de seu sexo, pois todas coexistiam à ameaça contínua de que poderiam cair em miséria absoluta.

Neste bojo, a Roma Antiga ainda tinha nas figuras femininas a representação das messalinas, tal como foi Valéria, filha de Marcus Valerius Messalla Barbatus, uma imperatriz romana que teve sua história relacionada a luxúria, crueldade e avareza. Valéria veio de família tradicional romana, pertencente à aristocracia, frequentando a corte desde jovem e, ainda no auge da juventude foi tomada em casamento pelo Imperador Claudius I, foi sua terceira esposa.

A reputação da messalina não fora das mais positivas entre historiadores que relatavam a época. As descrições sobre Valéria quase sempre pairavam sob os adjetivos de cruel e ambiciosa, demonstrando-se uma influência poderosa sobre o marido e utilizando-se de tal influência para prejudicar outras figuras influentes. Sua promiscuidade também era notada, um aspecto que pouco incômodo causou ao imperador seu marido, uma figura conhecida por sua fraqueza e pouco espírito de liderança.

Valéria Messalina firmou sua postura de adúltera e promíscua quando, além de outros escandalosos casos extraconjugais, deixou o imperador para casar-se com o recém-nomeado cônsul Caius Silius, sujeito com quem elaborou um plano de matar Claudius a fim de tomar o império para seu novo marido. A trama foi descoberta e Valéria foi condenada à morte pelo imperador.

Por conta das posteriores difamações que seguiram sua memória póstuma, Valéria messalina, tal como ficou conhecida, tornou-se um símbolo do pecaminoso para os cristãos. Pelas mãos dos escritores romanos Juvenal, nas “Sátiras” (110-130 d.C.) e Tácito, nos “Anais” (150 d.C.), explicitavam-na como uma mulher devassa, cuja vida sexual poderia ser considerada tão escandalosa que o marido tivera de matá-la.

Kerrigan (2009) complementa a história de Valéria informando que além de esposa, a messalina também foi prima de Claudius, denotando sua participação na história de Roma Antiga por conta de seu voraz apetite sexual. O imperador era ridicularizado na corte romana por conta de sua falta de controle, ao passo que o autor exemplifica o quadro de Claudius: “As suas mãos tremiam, gaguejava, tinha tendência a babar, cambaleava, coxeava de uma maneira muito estranha, sempre que tentava andar. Ele também desatava a rir alto, abrupta e incontavelmente. Quando ficava bravo, ele cuspia e babava enquanto gritava” (KERRIGAN, 2009, p. 76).

O autor ainda opõe a esta situação a figura de Lívia, esposa do então imperador Augusto, era uma messalina contrária a todas as tradições do que se esperava de uma esposa romana ‘decente’. O único padrão que seguia de uma boa esposa foi a concepção de um filho homem que dera ao imperador.

Em outros aspectos a imperatriz era identificada pelas sacerdotisas de Baco, conhecido como Deus do vinho e da luxúria, uma vez que todas as noites tinha o costume de frequentar o lupanário, como era denominado prostíbulo na Roma Antiga, conhecida como insaciável e que, pela manhã era convidada a se retirar do local, já que mesmo as prostitutas já haviam partido.

Segundo relato do historiador romano Plínio, “Messalina, a esposa de Cláudio César, encarando isto como um prêmio digno de uma Imperatriz, decidiu resolver a questão competindo com a mais notória prostituta de Roma. Depois de um coito contínuo de dia e de noite, ela triunfou, atingindo os 25 coitos”.

Não era, contudo, somente na promiscuidade que Valéria e Lívia competiam, também na questão de crueldade eram semelhantes. Do mesmo modo que Valéria conspirou para colocar seu amante no trono no lugar do ex- marido imperador, Lívia também era conhecida por conspirar abertamente contra sua família, favorecendo a tomada de poder por seus filhos, derrubando e retirando do caminho todos os outros filhos e possíveis sucessores do marido, sendo suspeita de participação nas mortes e mesmo no exílio de um de seus sucessores. O historiador romano Tácito ainda levanta a hipótese de que Lívia teria envolvimento com a morte do marido Augusto, em 14 d.C. quando o mesmo foi envenenado ao ingerir alguns figos. Dião Cássio, antigo historiador, informa que, ao mesmo passo que circulavam boatos repulsivos sobre a vida sexual de Lívia, a mulher também era elevada ao status de imperatriz de qualidades nobres, fiel ao marido e atraída pelo poder.

Hurley (2004) corrobora tal história quando explica que Lívia acabou por desempenhar ao lado do imperador seu marido a postura de uma esposa amorosa, obediente e doutrinada pelos preceitos antigos de boa esposa. Teve incentivos de Augusto para comportar-se tal como uma dama da classe alta, de maneira austera, bem como acompanhava vez por outra o marido em visitas a Roma, servindo-lhe como confidente e conselheira.

Porém, a própria autora contrapõe esta figura de Lívia, explicando que a mesma pode ter sido apenas para apresentações públicas, tal como a informação de que ela não interferia nos assuntos do marido seria falsa. Isto porque Lívia passou a deter uma série de poderes privados no império romano, tanto que em 35 a.C. recebeu suas primeiras marcas oficiais de status, tal como o direito de gerenciar seus assuntos internos, tal como o controle de seus próprios recursos financeiros, sem que fosse mediada por um tutor. A autora ainda confirma que, além de receber o status de promíscua, Lívia também ficou conhecida como uma mãe e madrasta terrível, apresentando diversos conflitos com seu filho Tibério, que tomou o poder após a morte de Augusto, este que, em seu leito de morte, como citado por Suetônio, teria questionado ironicamente aos presentes na ocasião se desempenhara bem seu papel “na comédia que é a vida”, bem como teria vestido uma máscara de autor muito jovem, cuja nunca poderia retirar. Lívia, por sua vez morreu aos 86 anos, foi velada em cerimônia pública, porém, singela, sepultada no mausoléu de Augusto e teve seus legados finalmente pagos por Caius, seu potencial bisneto, que ofertou a ela tudo o que Tibério teria lhe negado em vida. Tanto para matronas quanto para prostitutas era proibido atribuir-lhes o direito de cidadãs, porém, o papel que fora exercido de uma para outra, determinaria quais delas teriam acesso mais ou menos privilegiado à liberdade, sendo que em alguns casos até mesmo a participação na vida pública, certamente que sem deter o direito de voz.

Gonçalves (2002) explica que na história da Roma Antiga as bases doutrinadoras do direito estiveram sob comando da igreja, demonstrando-se por meio da figura de sacerdotes a determinação de como deveriam ser os comportamentos sociais desta sociedade, o que ocorria com a definição da postura dos chefes de família que formavam os principais e importantes núcleos da Roma Antiga.

Por meio do conhecido “colégio dos pontífices”, tais sacerdotes detinham então a interpretação de conhecimentos coletivos, com o pleno controle social do tempo, orações e invocações aos deuses, bem como da escrita e costumes ancestrais. Deste modo, como detinham os conhecimentos dos ancestrais e suas decisões eram com base neles, tornando-se assim válidas, foram estes mesmos sacerdotes que tornaram-se responsáveis por impor sobre a sociedade as leis, assim como julgar os litígios, seguindo os preceitos e tradições ancestrais.

“As leis e as sentenças ditadas por estes sacerdotes regulavam as relações sociais travadas entre os homens e as relações rituais desenvolvidas entre os homens e os deuses, visando a conquista de uma estabilidade duradoura e de uma segurança infinita. Pela criação de regras de conduta e de preceitos fixos, baseados em normas morais e éticas, buscava-se uma organização social garantida pela lei e pela ordem” (GONÇALVES, 2002, p. 126).

Neste sentido, o julgamento da lei nesta época se dava primeiramente com bases religiosas, sendo assim, solucionar os litígios não era apenas uma solução mundana, mas também devia refletir na vida religiosa da sociedade. Para estes cidadãos romanos então, qualquer tipo de crime ou transgressão cometidos tinha um impacto direto sobre a relação entre homem e cosmos. Por conta da doutrina deste pensamento, o direito na Roma Antiga tinha origens puramente religiosas, de modo que castigos e punições para um crime tinham a finalidade não somente de estabelecer a paz entre os homens, mas também garantir a paz divina. Tornava-se essencial então que houvesse uma garantia de direitos a todos da comunidade, bem como cada um destes indivíduos deveria garantir o que era seu e, em caso de desavenças, as reparações deveriam vir rapidamente pela lei imposta pelos sacerdotes. Ainda segundo Gonçalves (2002) a verdadeira lei romana era imposta para a humanidade pela natureza, sendo assim:

“A lei para os romanos não era simplesmente algo impositivo e decretado, mas existia por direito próprio, a fim de satisfazer as necessidades humanas. A verdadeira lei era a imposta à humanidade pela Natureza, ou melhor, pela natureza humana comum, isto é, pela razão em reação às necessidades e instintos humanos. A moral e o ideal da equidade foram os elementos estabilizadores da legalidade e da jurisprudência. As soluções dadas sejam pelos sacerdotes- legisladores, seja pelos nobres-legisladores, seja pelos técnicos juristas sempre foram concretas, mas sem nunca esquecer o respeito pelos antecedentes, pela interpretação estabelecida, pela prática e pelo costume” (GONÇALVES, 2002, p. 128).

Sendo assim, é possível compreender que as leis na Roma Antiga, sejam aplicadas a qualquer tipo de crime, tinham doutrinamento religioso em seus fundamentos, levando em consideração as posturas de sacerdotes para a punição de crimes e transgressões, estes que por sua vez, seguiam os preceitos ancestrais para a aplicação das punições.

2. A Sexualidade Feminina Contemporânea

2.1 Impactos na Saúde da Mulher

Segundo Vitiello e Conceição (1993) a sexualidade é um elemento com potencial de influenciar a saúde física e mental do ser humano, podendo ser ela então impactada por aspectos orgânicos, emocionais e sociais. A questão da sexualidade, em oposto ao conceito formado pelo senso comum, possui seu fator fisiológico ou na genitália propriamente dita, apenas em um dos seus diversos pontos de estímulo.

Os autores prosseguem dizendo que o determinismo biológico que determina o sexo do indivíduo de maneira anatômica, demanda uma abordagem sobre sexualidade a partir do papel sexual que remete ao modo pelo qual um sujeito expressa sua identidade sexual e que, tal expressão se encontra presente em todas as manifestações humanas desde o nascimento até a morte.

O enfoque deve ser amplo e abrangente, uma vez que se manifesta em diversas fases da vida do indivíduo e inclui todas as dimensões de um sujeito, tal como biológica, psicológica, emocional, social, cultural e também espiritual.

Segundo Heilborn (2006) de maneira biológica a sexualidade se determina de acordo com as demandas do desenvolvimento humano, ainda na diferenciação dos genes, quando existe uma divisão celular do zigoto. Para o autor, uma especialização passa a se operar no organismo para que o indivíduo se torne apto à função reprodutiva de sua espécie.

Neste momento há também a configuração da genitália, tal diferença passa então a acompanhar o sujeito por meio de mudanças fisiológicas orientadas por produção hormonal. Contudo, prossegue Heilborn (2006) o gênero não nasce determinado, não consiste no sexo fisiológico o responsável pela maneira com que as pessoas agem, sentem e pensam, como era crença em épocas de outrora.

O autor acredita ainda que o conceito de gênero que fora elaborado pelas ciências sociais refere-se à concepção social do sexo, de maneira que ser homem e ser mulher é algo realizado pela cultural. Deste modo, o gênero quer dizer que homens e mulheres são produtos da realidade social e não somente do natural.

Ainda segundo Heilborn (2006) a psicologia e a psicanálise levam ao fato da existência de uma organização psíquica dos desejos humanos, de suas preferências sexuais e também do modo de expressar tais preferências, que dependerão de um conjunto de situações sociais.

Trindade e Ferreira (2008) por sua vez, explicam que, tratando-se especialmente da sexualidade feminina, até o século XIX a mesma estava intrinsecamente relacionada a uma série de tabus, reminiscências de uma intensa influência da sociedade ocidental europeia. Com base na ética e moral do cristianismo, o corpo e o sexo eram tratados como lugares vedados, ao passo que a mulher era sempre posta em posição submissa, primeiro ao pai, depois ao marido, de modo que a sexualidade feminina neste tempo seria apenas um cumprimento da função reprodutora da mulher.

Os autores prosseguem explicando que o prazer era então reprimido, um elemento pecaminoso e moralmente condenável. Ao passo que, no século XX, com o advento da Segunda Guerra Mundial, muitos dos maridos foram perdidos em batalha, ao passo que as mulheres tiveram de assumir novas responsabilidades que antes eram restritas aos homens, tais como o trabalho e sustento familiar.

Heilborn (2006) explica que esta época fora uma verdadeira ‘revolução sexual’, localizada no tempo na década de 1960, especialmente. Que por sua vez representou uma simbologia intrínseca de liberdade. O sexo e a reprodução deixaram de lado este vínculo tão exclusivo, especialmente com a popularização de contraceptivos hormonais – que à época ainda não eram acessíveis a todas as mulheres – e o movimento feminista adotou como seu lema universal “nosso corpo nos pertence”, reivindicando para si o direito de usufruir da sexualidade sem qualquer constrangimento.

Diehl et al. (2002) explicam então o início de uma mudança de paradigmas, ao passo que gradativamente a mulher se liberta das amarras do domínio da sociedade e da dependência em relação ao homem e conquistando espaços na área social. Inicia-se assim o direito à informação e a ruptura com antigos tabus, tal como a virgindade até o casamento e a prática sexual limitada após os 50 anos, entre outros aspectos neste sentido, que passaram a ser questionados. Assim, as mulheres passaram então a exigir mais de seus parceiros acerca de sua própria satisfação sexual, sensualidade, afeto, companheirismo e orgasmo.

Ferreira et al. (2007) explicam a existência de quatro fases da sexualidade, tanto voltada às mulheres quanto aos homens, são estas: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Masters e Johnson (1984) explicam que a fase da excitação ou platô, pode ser determinada como um conjunto de estímulos sexuais internos, tais como pensamentos e fantasias, além de estímulos externos, tais como os cinco sentidos, que se identifica pela ereção no homem e pela vasoconstrição da vagina e da vulva na mulher.

Ainda segundo Ferreira et al. (2007) a continuação deste estímulo causaria o desejo, que por sua vez elevaria a tensão sexual que, se contínua, culminaria no orgasmo. Em sequência aconteceria à resolução, que consiste na fase quando o organismo retornar às condições físicas e emocionais normais.

Na década de 1970, contudo, Kaplan (1977) elaborou uma tese de que, antes da fase de excitação existiria o desejo, que não justificaria o platô, uma vez que a excitação crescente seria a responsável por conduzir ao orgasmo. Este novo esquema das fases sexuais, fora então concebido em três fases: desejo, excitação e orgasmo.

Quanto às questões que podem gerar disfunções sexuais, Ferreira et al. (2007, p. 144) explicam que “O transtorno de qualquer uma das fases da resposta sexual pode acarretar o surgimento de disfunções sexuais”. Neste sentido, quando existe um quadro de disfunção sexual, é possível que isto culmine em estados de depressão e distúrbios psíquicos, que tendem a surgir com frequência.

Lara et al. (2008) explicam que situações de tensão no trabalho ou em casa podem apresentar um impacto negativo na função sexual, especialmente nas mulheres. De modo que, uma experiência sexual negativa e traumas que podem ser gerados por violência sexual, possuem um elevado impacto negativo na função sexual. Os autores consideram ainda que, no Brasil, contabilizando os altos índices de abuso sexual, especialmente contra crianças e jovens, tal possibilidade deve ser sempre levada em conta perante uma paciente que sofre de disfunção sexual.

2.2 As Disfunções Sexuais Femininas

Segundo Lara et al. (2008) a saúde sexual apresenta-se como um aspecto cada vez mais importante para a longevidade de relações afetivas, bem como uma parte importante da saúde geral e bem-estar do ser humano. Na contemporaneidade, independendo do gênero, o aspecto do prazer relacionado ao sexo demonstra uma importância crescente, para além de sua finalidade reprodutiva.

Os autores afirmam, contudo, que na última década, especialmente a mulher recorre com maior frequência aos cuidados médicos no sentido de buscar soluções para problemas que afetam sua qualidade de vida, particularmente os que se relacionam à sua função sexual.

“No entanto, menos de 10% dos médicos têm a iniciativa de inquirir sobre as queixas sexuais de suas pacientes. Em um estudo conduzido no Brasil, 4.753 ginecologistas responderam que a queixa de diminuição do desejo sexual estava entre os principais motivos de procura por consultas em seus consultórios. Grande parte das mulheres admite que o ginecologista representa um papel fundamental no diagnóstico e manuseio das suas dificuldades sexuais, e gostariam que eles fossem mais qualificados nesta área” (LARA et al., 2008, p. 313).

Os autores apresentam ainda que, como fator limitador da prática da medicinasexual, é preciso expor também uma grande parcela de mulheres que não busca ajuda quanto suas disfunções sexuais, seja por vergonha, frustração ou mesmo por falhas em tentativas de tratamento subprofissional.

Ferreira et al. (2007) expõem as principais disfunções sexuais como:

Disfunção do desejo sexual – “Dentre as mais importantes causas de diminuição do desejo sexual feminino, estão os conflitos conjugais, em especial: falta de confiança ou intimidade, lutas pelo poder, pelo controle e perda da atração física” (p. 693);

Disfunção sexual por aversão ou fobia sexual – “Essa disfunção pode ser adquirida ou surgir ao longo da vida, ser generalizada ou situacional, assim como pode ser devida a fatores psicológicos ou fatores combinados” (p. 693);

Disfunção da excitação – “Mulheres com problemas de excitação sexual em geral referem dor na penetração devido à lubrificação inadequada e, consequentemente, irritação vaginal” (p. 693);

Disfunção do orgasmo – “Fatores psicológicos podem estar intimamente relacionados aos transtornos do orgasmo. Mulheres que experienciam problemas conjugais, conflitos interpessoais e alterações psiquiátricas são comumente anorgásmicas [...]” (p. 694);

Dispareunia – “O diagnóstico diferencial [...] é feito com o vaginismo, lubrificação vaginal inadequada, atrofia vaginal e vulvodínia. [...] endometriose, congestão pélvica, infecções e aderências pélvicas. Cistites e cistites intersticiais também podem levar à dor durante a relação sexual” (p. 694); e,

Vaginismo – “[...] correlação entre vaginismo e fatores etiológicos psicológicos quando se observa maior prevalência de vaginismo nas mulheres com distúrbios psiquiátricos, alterações do humor e usuárias de antidepressivos” (p. 694).

Lara et al. (2008) acreditam que uma parcela minoritária de mulheres possui iniciativa de conversar e expor sobre suas dificuldades sexuais, ao passo que somente um percentual reduzido de ginecologistas questiona sobre as funções sexuais de suas pacientes. Os autores alegam que possivelmente as dificuldades pessoais do médico em relação à sua própria sexualidade sejam um fator restritivo para o acesso à sexualidade de suas pacientes.

“Em um estudo envolvendo 132 estudantes médicos com média de idade de 25 anos, a disfunção erétil e ejaculação rápida ocorriam em 28% dos homens. Entre mulheres, 32% referiam desejo sexual hipoativo (DSH), 37% referiam disfunção de orgasmo e 28% queixavam-se de insatisfação sexual. Embora a amostra seja limitada, serve de alerta para que este aspecto seja levado em conta na apreciação dos resultados da intervenção do médico na saúde sexual das pacientes” (LARA et al., 2008, p. 313).

Os autores acreditam ainda que dentre fatores limitantes, existe ainda a ausência de pesquisas clínicas que tornem evidente as taxas de resultados com intervenção em disfunções sexuais de origem orgânica, bem como a ausência de medicamentos aprovados para o tratamento de disfunções sexuais femininas, além de evidência insuficiente de dados acerca da eficácia de drogas neste sentido ou mesmo de intervenções psicológicas. Lara et al. (2008) expõem ainda que é preciso pensar em algumas características específicas que sejam capazes de distinguir a resposta sexual feminina da masculina, no sentido de buscar as disfunções. Ao passo que a expressão sexual masculina é centrada na conquista e posse e o ato sexual tem como objetivo o orgasmo, a sexualidade feminina, por sua vez, caracteriza-se pela sedução e entrega, sendo que o objetivo final não é o orgasmo, mas o desejo sexual.

Os autores explicam que as mulheres que conseguem ter orgasmo durante a relação sexual, queixam-se de disfunção sexual quando não existe o desejo, observando-se que mesmo mulheres que alcançam o orgasmo, não apresentam satisfação completa na relação sexual.

Assim, a mulher deseja uma continuidade da relação afetiva posteriormente um relacionamento sexual satisfatório, ao passo que o homem finaliza a resposta sexual com o orgasmo. A função reprodutora do ato sexual é clara, contudo, na relação sexual humana existe, desde um comportamento instintivo ao mais afetivo na procura pelo prazer. De acordo com as informações da CID-10 (1993) a classificação que fora proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) conceitua a disfunção sexual como a que não é causada por um transtorno ou doença orgânica e se subdivide em dez tipos:

• Ausência ou perda do desejo sexual, que pode levar à frigidez e/ou transtorno hipoativo do desejo sexual;

• Aversão sexual e ausência de prazer sexual, que caracteriza-se pela anedonia sexual;

• Falha da resposta genital representada por meio da disfunção de ereção no homem;

• Disfunção orgástica que pode gerar anorgasmia psicogênica e/ou inibição do orgasmo na mulher e no homem;

• Ejaculação precoce;

• Vaginismo não orgânico caracterizado pelo vaginismo psicogênico;

• Dispareunia não orgânica, que gera a dispareunia psicogênica;

• Apetite sexual excessivo, que se divide em ninfomania e satiríase;

• Outras disfunções sexuais não devidas a transtorno ou à doença orgânica que consiste em dismenorréia psicogênica; e,

• Disfunção sexual não devida a transtorno ou à doença orgânica não especificada.

As pesquisas realizadas por Ferreira et al. (2007) apresentam dados de uma ampla revisão bibliográfica de 2004 acerca das disfunções sexuais femininas, de modo que os autores constataram a existência de uma prevalência de 64% das mulheres com disfunção de desejo, 35% com disfunção de orgasmo, 31% com disfunção de excitação e 26% com dispareunia.

Abdo et al. (2004) avaliaram no Brasil, 1.219 mulheres, que apresentaram como resultado, 49% portadores de alguma disfunção sexual, 26% com disfunção de desejo, 23% dispareunia e 21% disfunção do orgasmo. Os autores constataram ainda que o desconhecimento do próprio corpo e sexualidade, problemas pessoais e conjugais podem desencadear distúrbios emocionais graves, levando a alterações da resposta sexual.

Mulheres que fazem uso de agentes anti-hipertensivo, inibidores seletivos da recaptação da serotonina e drogas quimioterápicas, com certa frequência relatam uma redução do desejo sexual, excitação e dificuldades em atingir o orgasmo. Em condições como incontinência urinária, cistites, vulvovaginites, infecções urinárias e cirurgias ginecológicas também apresentam potencial de comprometer física e psicologicamente a saúde sexual da mulher.

Abdo e Fleury (2006) explicam que aspectos diagnósticos das disfunções sexuais femininas apresentam uma importância da observação clínica atenciosa, com ênfase de que o diagnóstico deve considerar e equilibrar o tempo de evolução do quadro, condições do parceiro e características de estímulo sexual, quanto ao foco, duração e intensidade.

Os autores prosseguem dizendo que a diferenciação entre disfunção primária ou secundária, generalizada ou situacional, idade e experiência sexual da mulher, consistem em parâmetros fundamentais do diagnóstico. Ao passo que os autores apontam ainda a importância de uma equipe multidisciplinar a fim de ofertar à mulher um acompanhamento psicoterápico e medicamentoso – que deve lançar mão de antidepressivos, ansiolíticos, hormônios, etc. – para além de um apoio psicoeducacional. Ainda é essencial avaliar o perfil de cada caso, para que seja ofertado um tratamento individualizado e adequado.

Tozo et al. (2007) corroboram com o exposto neste tópico, demonstrando a existência de uma alta prevalência de disfunções sexuais femininas – 20% a 40% - entre mulheres com idade entre 18 a 59 anos, contudo, tais problemas são escassamente detectados a fim de serem tratados. Para os autores também existe uma escassez tamanha de trabalhos científicos relacionados à abordagem diagnóstica e tratamento inicial destas disfunções. Sobre a postura tomada pelo ginecologista no processo de diagnóstico, os autores explicam:

“Quando o manejo desta problemática na consulta não é adequado pode acarretar série de reveses vivenciados pelas mulheres como raiva, desamparo, angústias, medos, diminuição da autoestima, comprometendo o exercício da sua sexualidade e consequentemente o relacionamento do casal. De forma geral os profissionais da área da saúde não se encontram adequadamente preparados na abordagem de queixas sexuais. A razão pode estar relacionada ao pouco conhecimento e a atitudes preconceituosas frente ao assunto. Observa-se também a falta de disciplinas na grade curricular dos cursos de graduação que abordem a sexualidade humana de forma desvinculada da função da reprodução, não ocorrendo assim suporte necessário para a formação profissional. Compreender e abordar este tema deve fazer parte da rotina de atendimento à saúde da mulher, contribuindo para uma melhor qualidade de vida” (TOZO et al., 2007, p. 98).

Ferreira et al. (2007) explicam que os transtornos da sexualidade feminina podem se atribuir de diversos aspectos contribuintes para sua relevância, tais como mudanças nas expectativas sexuais, liberação sexual feminina validada na contemporaneidade e informações veiculadas exaustivamente pela mídia acerca do tema. Além destes, os autores apontam avanços progressivos na indústria farmacêutica e uma sensibilidade crescente entre profissionais da saúde acerca da sexualidade da mulher, além de, sobretudo, uma elevada prevalência de disfunções sexuais femininas que são apontadas.

Os autores acreditam que, ainda que existam estudos demonstrando a alta prevalência de disfunções, a compreensão da temática ainda não se estabeleceu completamente. De modo que novos estudos precisam ser realizados a fim de refinar a compreensão sobre as taxas de incidência das disfunções sexuais femininas, com a utilização de amostras estratificadas da população e representativas quanto aos critérios de diagnósticos claros, acurados e de consenso.

3. Intervenções Psicológicas no Tratamento das Disfunções Sexuais Femininas

Segundo Fleury e Abdo (2012) as questões psicológicas possuem uma influência tamanha sobre a saúde sexual e o desencadeamento das disfunções sexuais, tornando necessária uma abordagem dos fatores biopsicossociais da mulher, de seu parceiro e também do casal.

“Estudos populacionais apontam que dificuldades sexuais do parceiro causam impacto no casal. Por essa razão, a saúde do parceiro, seu humor e saúde mental, sua reação aos problemas sexuais da mulher e seu ciclo de resposta sexual devem também ser investigados. Nessa perspectiva, a terapêutica deve ser orientada para o prazer dos parceiros e do casal. Implica na aceitação da função e da satisfação sexual com características variáveis e flexíveis. Para prevenir recidivas, é essencial definir expectativas sexuais positivas e realistas durante todo o processo. A mudança do foco para o erotismo e a satisfação sexual tem sido preconizada nas tendências atuais em terapia sexual” (FLEURY e ABDO, 2012, p. 134).

Para os autores, é possível recomendar uma abordagem multidisciplinar, uma vez que os elementos psicológicos e relacionam são insuficientes um tratamento somente medicamentoso. Levando em consideração que qualquer tipo de consulta clínica demanda uma interação verbal, Fleury e Abdo (2012) apontam a importância dos profissionais de saúde atuarem com potencial terapêutico, oferecendo informações e aconselhamentos primários.

É preciso também que estes profissionais tenham conhecimento sobre alguns princípios elementares das abordagens psicoterapêuticas a fim de que possam realizar os devidos encaminhamentos neste sentido. A terapêutica, explicam os autores, inicia-se por fatores gerais associados à melhoria do bem- estar emocional e físico, detectando sintomas de depressão e ansiedade, consumo abusivo de álcool ou de substâncias químicas, adequação do sono, exercícios, alimentação e utilização de medicações. Os autores lembram ainda que, em casos de existência de doenças ou sintomas psicológicos importantes, é preciso fazer o encaminhamento direto ao profissional especializado.

Lara et al. (2008) corroboram que o tratamento de queixas sexuais demanda medidas gerais de controle dos sintomas somáticos, psíquicos, locais e as dificuldades com o parceiro, além de medidas específicas que demandem as queixas individuais. Os autores então sugerem o modelo PILSET de abordagem, justificando que o mesmo possibilita uma visão ampla, englobando queixas biológicas, psíquicas e as que se relacionam ao desconhecimento da anatomia e resposta sexual, de acordo com a descrição dos quatro elementos o compõem:

“Permissão (P): o profissional “permite” que a paciente tenha relação sexual considerando os aspectos fisiológicos da resposta sexual. Envolve, principalmente, a desmistificação e quebra de preconceitos. Por exemplo, o profissional “permite” que a paciente utilize fantasias sexuais ou filmes eróticos como estímulo sexual; informação limitada (IL): informar sobre a fisiologia da resposta sexual e sobre a anatomia da genitália, orientando os locais de maior sensibilidade prazerosa da vulva e vagina, que correspondem ao clitóris, pequenos lábios e intróito vaginal, sendo estas as áreas de maior conteúdo vásculo-nervoso; sugestão específica (SE): aconselhar e sugerir mudanças na conduta sexual de acordo com critérios fundamentados na fisiologia da resposta sexual, e orientar mudança de atitude (atitude assertiva), se por exemplo: a paciente tem uma relação conflituosa com o parceiro, mas se mantém a relação, é porque tem razões pessoais para isto. O aspecto negativo da relação passa a ter mais peso do que o positivo, resultando em balanço desfavorável da relação afetivo-relacional. Quando a paciente atenta para os aspectos positivos do relacionamento pode ocorrer melhora da relação conjugal com repercussão positiva na vida sexual64; terapia sexual (T): encaminhar para a terapia sexual todos os casos de conflitos mais severos, como anedonia, conflitos relacionais seguidos de agressão verbal ou física, abuso sexual e distúrbios de comportamento ou desvio sexual (pedofilia, voyeurismo etc.) e outros, além daqueles que não respondem às orientações básicas” (LARA et al. 2008, p. 316).

Lara et al. (2008) explicam que as medidas gerais que são consideradas estratégias de primeira linha na intervenção e destacam: a orientação sobre a anatomia da genitália e o esclarecimento acerca da resposta sexual humana, bem como prescrição de lubrificantes vaginais, inclusão de homens em programas de informação acerca da função sexual e da função sexual feminina, orientação sexual para paciente e parceiro, modificação de causas reversíveis por meio de aconselhamento, mudança de estilo de vida, entre outras. Para os autores, estas medidas se encontram previstas no interior de uma abordagem proposta no modelo PLISSIT (PILSET). Ao passo que cabe ao médico, como elemento adicional, fazer uma intervenção na saúde como um todo, bem como detectar a presença de doenças infecciosas do trato genital que possam cursar com dispareunia, assim como intervenções cirúrgicas, frouxidão vaginal, entre outras que estejam relacionadas à queixa sexual da paciente.

Fleury e Abdo (2012) acreditam que as intervenções psicoterápicas devem ser caracterizadas por alguns princípios fundamentais:

  • não se contrapõem às intervenções médicas, podendo ser combinadas;
  • o planejamento é individualizado para cada caso, envolvendo técnicas decorrentes de diferente abordagens teóricas;
  • resultam em efeitos específicos, como mudanças nos padrões cognitivos e de comportamento, conscientização de emoções e capacidade de atribuir novos significados a eventos vitais
  • focam em características pessoais da mulher, como percepção de seu próprio corpo, sua imagem corporal, seus pensamentos, sentimentos e comportamentos sexuais, seu relacionamento sexual (parceria, casal, família) e seu contexto social e sexual, tais como, cultura e normas sexuais;
  • abordam a experiência e a reação da mulher como um todo;
  • definem uma estratégia personalizada, incluindo desde aconselhamento básico até intervenções mais especializadas (FLEURY e ABDO, 2012, p. 135).

Fleury e Abdo (2012) explicam que esta modalidade – que pode ser aplicada tanto no atendimento individual quanto em grupo – tem como objetivos estipulados inicialmente, o favorecimento para a concepção de um contexto adequado para o tratamento. Em grupos, os participantes podem detectar rapidamente semelhanças entre si, situação que pode se intensificar por conta de alguns modelos de seleção de participantes, como demográficos, homogeneização por crise ou por diagnóstico.

“No Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), o modelo de intervenção é a Psicoterapia de Grupo Tematizada e de Tempo Limitado para disfunções sexuais. Esse modelo consta de 16 sessões, com 90 minutos de duração cada e frequência semanal” (FLEURY e ABDO, 2012, p. 136).

Os autores explicam que, por conta da interação entre as participantes do grupo e uma potência de apreensão de temas específicos, tal como a resposta sexual feminina e demais orientações básicas acerca da função sexual, ampliam-se os atendimentos grupais, o que pode ser justificado por conta de uma possibilidade para a troca de vivências e experiências sexuais. Este cenário faz com que a experiência em grupo seja atribuída de função psicoeducativa.

Para Fleury e Abdo (2012) as disfunções sexuais femininas desafiam estudiosos de diversas áreas que buscam terapêuticas medicamentosas ou técnicas da psicologia que tenham possibilidade de atender de maneira adequada estas condições.

Muitas mulheres podem ser favorecidas com a criação de um contexto apropriado para a aquisição de informações básicas sobre seu funcionamento e resposta sexual. Outras necessitam de tratamentos medicamentosos para situações específicas e/ou exigem processos psicoterapêuticos mais complexos” (FLEURY e ABDO, 2012, p. 136).

Assim, faz-se um conhecimento crescente sobre as disfunções sexuais das mulheres, o que impõe sobre todos os campos profissionais relacionados à saúde física e mental, a necessidade de introduzir o tema sexualidade em seus atendimentos, bem como na elaboração de um diagnóstico completo que possibilite intervenções adequadas e multidisciplinares para o perfil de cada caso.

A sexualidade da mulher desde a Grécia Antiga foi marcada por diferenças em relação aos homens: submissas, sem direito a voz ou prazer, elas também eram a imagem da loucura e da histeria. Desde esta época, a histeria estudada por Freud, esta foi associada à feminilidade, pois a maioria dos casos ocorriam em mulheres. Acreditava-se que o útero podia navegar pelo corpo da mulher causando ataques convulsivos, febres e outras alterações e poderiam se deflagrar a histeria (BIRMAN, 2001).

A psicanálise, segundo Foucault (1996), se aproxima do cristianismo através do dispositivo da confissão, pelo falo de considerar e a tratar o desejo como realidade obscura e portadora das verdades encobertas do ser humano. Foucault baliza a sexualidade como um jogo de oscilação entre: desejo, ato e prazer, por haver mantido o modelo familiar burguês nuclear como o centro de sua teoria como é manifestado na teoria do Complexo de Édipo, Foucault, (1996), acusa a psicanálise de normatizadora, e as feministas se dividiam, criticaram o movimento, por falar da inveja do pênis e da castração feminina, mas viam nas psicanalistas uma possibilidade de ideal de carreira para uma mulher.

Para a psicanálise de Freud a mulher teria como parte constitucional e elementar a maternidade, só encontraria o desenvolvimento normal após ser mãe, com risco de perder sua saúde mental se isso não acontecesse. Birman (2001). Autores como Melanie Klein e Winnicott colocaram a figura materna como essencial e a priorizaram na saúde familiar e do desenvolvimento dos bebês. O complexo de Electra é baseado em um mito grego, segundo o qual Electra, para vingar o pai, Agamêmnon, incita seu irmão Orestes a matar a mãe, e seu amante Egisto, que haviam assassinado Agamêmnon, no complexo de Édipo, o menino, sente amor intenso e sensual pela mãe e na menina pelo pai.

A menina, nesta fase, sente uma espécie de ressentimento pela mãe, culpando-a por não possuir um pênis, esta é uma fase crítica do desenvolvimento feminino, Segundo Freud:

"A descoberta de que é castrada representa um marco decisivo no crescimento da menina. Daí partem três linhas de desenvolvimento possíveis: uma conduz à inibição sexual ou à neurose, outra à modificação do caráter no sentido de um complexo de masculinidade e a terceira, finalmente, à feminilidade normal" (FREUD, 1933, p.31).

As novas versões de mulheres trabalhando fora de casa, tendo poder sobre a reprodução e a sustentação das famílias mostram como o panorama se ampliou e como torna-se complicado buscar uma explicação teórica seja psicanalítica ou não, para solucionar tal demanda, e Foucault (1999) nos alerta o quanto à ciência psicológica pode ser inocente e quase ingênua em suas teorizações ao proporcionar ferramentas críticas na elaboração de estudos de gênero tais como os da sexualidade feminina, pois para o autor o sujeito feminino é um ser múltiplo e se desloca de um grupo definido, do indivíduo singular ao social, pois produz-se em um movimento complexo e dinâmico, íntimo e social, na análise das engrenagens de constituição do corpo, sujeito, sexo.

Para o Jung, toda a personalidade já se encontra presente em potencial a partir do nascimento, o meio ambiente não fornece a personalidade, simplesmente traz à luz o que já se encontra no indivíduo, Isto é, os arquétipos, que impulsionam o ego para atingir a individuação, e a integração das polaridades inconscientes na consciência (Stevens, 1993). Assim, o animus é a personificação da polaridade masculina na mulher, e a anima é a personificação da polaridade feminina no homem.

Na concepção do Jung, cada pessoa apresenta, em sua dinâmica psíquica, um aspecto contra-sexual, ou seja, uma personificação arquetípica da polaridade oposta à da consciência, mas em ambos, existem os dois pólos psíquicos, (Koss, 2000). Mas, o que torna diferentes mulheres é o fato de os identificarem seu ego com sua feminilidade e o seu lado masculino é inconsciente nele, se houver incongruência nesta identificação um desvio ou disfunção sexual poderá se apresentar na vida da mulher. Tratando deste tema,

Sanford, nos diz:

“É o animus, que lança luz sobre as coisas, que torna a mulher capaz de focalizar a sua concentração, que lhe dá a possibilidade de ser objetiva e lhe abre o mundo do conhecimento para seu próprio benefício(...) No mundo de sombras e de verdades cósmicas de um a mulher, ele produz uma concentração de luz que funciona como um foco para seus olhos, e, quando ela olha, pode dizer: Ah, sim, é isto o que eu queria dizer, ou: Oh, não, isto não é absolutamente a minha verdade. É com o auxílio dessa tocha também que ela aprende a dar forma ás suas idéias. Ele faz jorrar luz sobre a confusão de palavras que a entrecruzam sob a superfície de sua mente (...), tornando-a capaz de ver o todo, de discernir entre isto ou aquilo (SANFORD, 2002, p. 102-103) ”.

O animus é moldado pelo pai da mulher, e em seu aspecto positivo, este será um guia que conduzirá a mulher através de seu mundo interior até sua alma, abrindo portas para o desenvolvimento, dando a mulher o poder da discriminação e da compreensão para iluminar o interior dela, age ainda como um elo entre o mundo impessoal do intelecto e do espírito (Jung, 1977).

Nesta era, onde busca-se o bem estar e o desenvolvimento intelectual, moral e sexual, em consonância com a dignidade e a convivência dos princípios no interior de cada um, para que possam tornar-se congruentes, é importante que as novas correntes psicoterápicas, busquem balizar-se nas necessidades das mulheres contemporâneas, construindo teorias e técnicas que auxiliem de forma eficiente nos distúrbios sexuais femininos, e para tanto é necessário um “mergulho” na vida interior, o que significa direcionar a visão, que sempre foi focalizada para fora, para o mundo cotidiano; para dentro do ser humano, levando-se em consideração, as aspirações e desejos das mulheres contemporâneas.

Conclusão

Através das pesquisas empreendidas a fim de compor o presente trabalho, foi possível compreender que quando se trata de problemas relacionados a aspectos sexuais dos seres humanos – por conta própria assuntos complexos – é preciso que se lance uma ótica interdisciplinar em seu tratamento, de modo que tais situações passem a ser encaradas de maneira biopsicossocial.

Tal como um profissional apto a lidar com a dimensão psicológica do indivíduo e os fenômenos inerentes a este, o psicológico tem uma participação crucial no tratamento de distúrbios relacionados à atividade sexual. As contribuições deste profissional podem abarcar, desde a pesquisa científica, que amplia o âmbito do conhecimento, renova e inova nas temáticas trabalhadas, oferecendo maior eficiência e alternativas interventivas, perpassando pela promoção da saúde sexual, uma vez que tem possibilidade de aplicar seus conhecimentos na concepção de campanhas de educação, culminando então na resolução de problemas sexuais associados, especialmente a patologias de cunho psicológico.

Ainda que haja conhecimento sobre seu problema, isto é, mesmo que a mulher tenha consciência de que algo acontece sobre sua vida sexual, em muitos casos não procura ajuda de profissionais da saúde por conta de inibições em tratar do tema com outrem. Contudo, o diagnóstico, muitas vezes é essencial para assegurar a esta paciente a qualidade de vida tanto física quando psicológica.

Sendo assim, foi possível compreender ainda que fomentar na mulher a importância de tomar conhecimento pleno sobre seu próprio corpo e o do seu parceiro, é essencial para assegurar que os momentos de intimidade sejam mais saudáveis, bem como problemas sejam facilmente detectáveis.

Quando se trata da função sexual, para que cumpra uma finalidade que implica na realização pessoal e relaxamento da mulher, é fundamental que não existam disfunções. Caso contrário, estas disfunções podem comprometer de maneira importante o bem-estar e qualidade de vida da mulher, além de ter potencial de afetar outros âmbitos de sua existência.

Mesmo que os quadros de disfunções sexuais femininas sejam amplamente reconhecidos e discutidos, é possível notar ainda uma escassez e limitação tamanha nos recursos de tratamento dos mesmos que se encontram disponíveis contemporaneamente. Por este motivo, entendeu-se que pesquisas neste sentido são de extrema importância para agregar valor e conhecimento a fim de alterar este cenário.

Conclui-se o presente trabalho com a crença de que tanto, objetivos gerais quanto específicos foram alcançados, bem como a problemática de pesquisa foi respondida. Contudo, como não era de intento, o assunto não foi esgotado, deu-se um primeiro passo importante para o fomento de conhecimento e estímulo pelo aprofundamento do tema, que pode ocorrer em estudos posteriores, com a possibilidade de aplicação de pesquisa empírica que corrobore ou refute as constatações obtidas até o momento, e oferte uma gama de contribuição acadêmica ainda mais efetiva.

Sobre a Autora:

Vera Lúcia Ruela de Oliveira - Graduada em Ciências Contábeis pelo Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná (2003). Pós-graduada em Gestão Contábil e Financeira CEULJI (2005), Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior CEULJI (2011). Pós-graduada em Sexualidade AVM (2015). Pós-graduanda em Psicologia Clinica pela FAVENI e graduanda do 10 semestre do curso de Psicologia pela Faculdade Panamericana de Ji-Paraná-UNIJIPA. 

Professor Orientador: Fabiane Muniz 

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