Efeitos das Drogas Psicotrópicas e suas Consequências Psicofisiológicas sobre a Memória

(Tempo de leitura: 8 - 16 minutos)

Resumo: Estudo descritivo com dados de pesquisas relacionadas ao uso abusivo de drogas e suas alterações na capacidade cognitiva da memória quanto à retenção, armazenamento e codificação de estímulos. O método adotado nessa pesquisa tem o objetivo de mostrar como o uso prolongado de determinadas drogas psicotrópicas afetam diretamente o cérebro, promove distúrbios neurológicos e reduz a capacidade de memorização e aprendizagem foi através de publicações de alguns autores e pesquisadores. Esse estudo é direcionado a classe de drogas psicotrópicas e na fisiologia humana torna-se bastante visível esses efeitos, pelo aparecimento de determinadas doenças degenerativas do corpo humano. Busca-se explicar de maneira geral o que são e como elas atuam no Sistema Nervoso Central. Desse modo, essas drogas são classificadas de acordo com seus efeitos, consequências, manifestações orgânicas, de comportamentos decorrentes do uso imediato e em longo prazo, diante daquelas mais consumidas.

Palavras-chave: Drogas, Memória, Cérebro.

1. Introdução

Desde os primórdios têm-se relatos do uso de drogas no cotidiano do homem. Seu consumo ligado a rituais religiosos e culturais se faziam presentes nas culturas indígenas e civilizações antigas. Na atualidade, observa-se que esta utilização se amplia em grandes proporções nas  variadas faixas etárias e de formas cada vez mais diversificadas. O mercado das drogas  cresce e se consolida, arrebanha milhões de consumidores e tão avassalador quanto inventivo lançam a cada temporada novas drogas, nomes novos de substâncias similares, porém com o mesmo teor maléfico.

Abordaremos neste artigo o efeito das drogas psicotrópicas e suas consequências psicofisiológicas  sobre a memória, destacando a maconha e o álcool, como as mais consumidas. Diante disso, o objetivo principal deste artigo é apresentar a relação entre o uso intermitente dessas substâncias e seu efeito negativo e devastador sobre o processo de memória. 

O ser humano é um todo complexo de sentimentos, emoções e sensações físicas. O Homem esse enigmático ser que ocupa e domina a terra e há alguns milhares de anos se destaca de outras criaturas por sua inteligência e cultura, tem na mente seu ponto forte e ao mesmo tempo fraco. De todas as partes que forma o corpo humano é a mente o ponto vital da condução de nossos atos. Foi por sua capacidade de inteligência e memória que o ser humano evoluiu.

2. Métodos

O estudo consistiu em um teste inicial de como as drogas agem e interferem no processo de memória, visando à obtenção de novos resultados convergentes que possibilitem a confirmação dessa hipótese. Na análise realizada, corroboram a idéia das causas e consequências da atuação dessas substâncias nocivas no sistema nervoso central.

A pesquisa foi realizada através de artigos, livros, revistas científicas e endereços eletrônicos relacionados ao tema, os quais proporcionarão um conhecimento prévio sobre o assunto, viabilizando questionamentos e aprendizado. Para tanto, o ano base dessa pesquisa ocorrerão a partir de publicações desde 1999 até os dias atuais, comparando informações entre os autores para efetuar a elaboração do presente artigo.

Após vários debates, surgiram diversas opiniões para que se chegasse a um consenso, e consequentemente a veracidade dos fatos.

3. Resultado e Discussão

A compreensão da influência das drogas no processo de memória dar-se pelo estudo sobre o efeito das mesmas no cérebro e, consequentemente, relacionando-as com a memória. É verdade que existe uma relação entre o uso de drogas e a memória, pois o cérebro aparece como um dos órgãos mais afetados diante do uso abusivo dessas substâncias. No entanto, para comprovação dos fatos devem-se realizar estudos mais abrangentes nessa área para verificar as alterações que, por ventura possam ocorrer.

No tema em questão, é conveniente relembrar alguns conceitos essenciais para podermos exprimir nesse artigo a idéia centrada no tema. Um primeiro conceito seria sobre memória. Compreender os mecanismos de funcionamento da mesma constitui um dos grandes desafios da ciência moderna e mais complexo ainda, tentar definí-la. Isso porque o conceito de memória varia de acordo com a especialidade no qual será aplicado. No entanto, a memória pode ser definida como a capacidade de reter, armazenar e codificar informações adquiridas anteriormente. Quase tudo o que fazemos depende da memória. Se não tivéssemos memória, teríamos problemas de percepção e consequentemente dificuldades de resolver até mesmo aquelas atividades consideradas automáticas, como conversar por exemplo. Memórias são formas físicas de sinapse, pois depende da interação de várias estruturas nervosas.

Estudos mostram que a memória está subdividida em vários segmentos: inicialmente destacamos a memória sensorial, a qual capta todas as informações que chegam rapidamente aos nossos sentidos, em geral desaparecem em menos de um segundo. Na memória de curto prazo, que é tida como o centro da consciência, o sistema de memória de curto prazo e memória de longo prazo transfere continuamente informações entre si, abriga uma quantidade de dados temporariamente e podem demonstrar esses conhecimentos através de repetições. Quanto à memória de longo prazo, capacita-nos a recordar de grande quantidade de informações por períodos substanciais de tempo, Sua retenção é influenciada por conhecimentos anteriores, experiência posterior, repetição, exposição, atenção, organização, integração e estados corporais (relacionados com emoções e drogas). Sobre a memória declarativa explícita, a mesma se dá pela evocação consciente, onde as amígdalas e o hipocampo são as estruturas cerebrais mais envolvidas com esse tipo de memória. Envolve todos os fragmentos de conhecimentos que vamos adquirindo durante a vida de experiência e aprendizado. Esta se subdivide em: episódica (situada no tempo e espaço) e semântica (sem tempo e espaço). Também se deve observa a memória não declarativa implícita, que é uma evocação inconsciente, ou seja, o sujeito não tem consciência que está evocando-a. Em relação a esses tipos de memórias, existe a memória de trabalho, que organiza lembranças coerentes, o espaço e cria informação (DAVIDOFF, 2009; BRANDÃO, 2005 e BARROS, 2011).

Para compreender como as drogas psicotrópicas interferem nas funções do sistema nervoso central, é importante ter noção do funcionamento do mesmo.

O indivíduo, ao receber um estímulo, através dos seus órgãos dos sentidos, o mesmo é enviado ao sistema nervoso central, onde haverá o processamento das informações, interpretações, elaboração, memorização entre outros. Este processo ocorre e se repete em milésimos de segundos, várias vezes ao longo do dia. O sistema nervoso central é composto por bilhões de células, estas são interligadas e formam uma grande rede de comunicação, denominada de neurônios. O neurônio pré-sináptico, ao transmitir uma informação, libera algumas substâncias químicas, chamados neurotransmissores, que como o próprio nome diz, transmite a mensagem para o neurônio posterior ou pós- sináptico, que recebe as informações através de sítios, que são específicos e denominados receptores.

Diante da questão das drogas psicotrópicas atuarem sobre o cérebro, alterando de alguma maneira o psiquismo, relata-se que elas interferem na comunicação entre os neurônios e produzem inúmeros efeitos variando de acordo com o tipo de neurotransmissor envolvido e a forma como esta irá atuar, podendo até estimular a produção dos mesmos.

A atividade sináptica é aumentada pelas drogas quando o Metifenidato (Ritalina e Concerta,) bloqueia a reabsorção de dopamina. Uma quantidade maior de dopamina fica disponível para se ligar a um neurônio pós-sináptico, o que amplifica a força do sinal transmitido pelo neurônio pré-sináptico. O Adderall e outras anfetaminas entram no neurônio pré-sináptico através do mecanismo de bombeamento e fazem com que a dopamina seja despejada na fenda sináptica, aumentando a quantidade de neurotransmissores disponíveis para agir na célula pós-sináptica. (GALERT, 2011).

Sobre essa abordagem conclui-se que uma atividade sináptica normal acontece quando um neurônio produtor de dopamina está ativo, e algumas vesículas (sacos) no neurônio que transmite o sinal (pré-sináptico) liberam o neurotransmissor. Algumas das moléculas do neurotransmissor atravessam o pequeno intervalo, ou fenda, entre os neurônios e se ligam aos receptores no neurônio que recebe o sinal (pós-sináptico), ativando-os, e, portanto, controlando o disparo da célula a que se ligaram. Segundo GALLERT, 2011 atuam como bombas nas células transmissoras, e então retiram a dopamina da fenda e a levam de volta para o seu interior.

Por conta disso, pode-se até comparar o uso de algumas dessas substâncias como quase idênticas em estrutura aos neurotransmissores do cérebro, pois esses neurotransmissores são mensageiros químicos do cérebro e ajudam a passar informações entre as células cerebrais. Um neurotransmissor comum é a dopamina, que entre outras coisas, ativa a sensação de prazer. De tal modo, alguns tipos de drogas, causam efeitos parecidos, estimulando a produção de dopamina elevando um imenso prazer ao individuo usuário. O uso prolongado de algumas drogas pode provocar o crescimento de certas estruturas cerebrais, resultando em uma mudança permanente.

Outro conceito a ser considerado para uma melhor reflexão do tema proposto é sobre drogas, podendo ser conceituada como qualquer substância que não seja alimento e que altere o funcionamento do corpo e da mente. As drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, classificam-se basicamente em três tipos: depressoras, as quais diminuem a atividade mental, fazendo o cérebro funcionar de maneira mais lenta; estimulantes, quando aumentam a atividade mental, alterando o funcionamento do cérebro para que trabalhe de forma acelerada e as Substâncias alucinógenas que costumam alterar a percepção, provocando distúrbios no funcionamento do cérebro, deixando-o desordenado.

Essas drogas, se introduzidas em nosso organismo, sejam elas, fumada, injetada, inalada ou ingerida, provocam distúrbios graves, podendo levar a dependência. Seu uso contínuo pode afetar principalmente a mente e consequentemente levar a morte. Em relação à absorção das mesmas, primeiro podem chegar ao cérebro às drogas fumadas porque é absorvida pelos pulmões. Em seguida estão as injetadas, pois vai para a corrente sanguínea. Depois as cheiradas, pois entram no organismo pela mucosa nasal e por último aparecem às drogas ingeridas que são absorvidas pelo tubo digestivo. O uso abusivo de substâncias psicoativas pode ocasionar mudanças no cérebro, as quais terão consequências graves para o usuário.

As drogas depressoras atuam na memória exercendo sobre a área pré-frontal, e suas funções causam efeitos drásticos. O uso freqüente dessas drogas por longo período de tempo pode causar lesão no lobo frontal, que posteriormente poderá ser observada

em algumas doenças degenerativas do sistema nervoso central. Assim, a ingestão de determinadas substâncias pode causar sérios problemas de memória. Alguma delas o efeito é tão impactante que resulta em bloqueio da memória, pois essas interferem na capacidade de formar novas memórias, levando-as á dependência e consequentemente impossibilitando de processar desde os fatos mais simples ao de maior grau. As características mais comuns dos que fazem uso dessas são: Amnésias, dependência, síndromes, sem falar na impossibilidade de inter-relacionar a área frontal ás demais (OLIVEIRA, 1999).

Entre as drogas psicotrópicas mais consumidas, destacam-se a maconha e as bebidas alcoólicas. A maconha é uma planta assim denominada no Brasil e cientificamente chamada cannabis sativa. Estima-se que no Brasil menos de 10% dos jovens usam maconha e quanto ao índice por região, a que mais se destaca é a região sul, que lidera com quase 10% desse total como usuários de maconha (SENAD, 2001).

Em consequência desse abuso, e de certo exagero sobre os seus efeitos maléficos, a planta é proibida, sendo ilegal seu uso no Brasil. A mesma possui o THC que é uma substância química fabricada pela própria maconha, substância responsável pelos principais efeitos. A maconha pode ter potencial diferente, pode produzir mais ou menos efeitos. Essa variação nos efeitos depende também da própria pessoa que fuma a planta. Assim, a dose pode ser insuficiente para um, ou surtir efeito nítido em outro, e até forte intoxicação em um terceiro. Dependendo das variações orgânicas e da quantidade as alterações psíquicas poderão surgir com mais frequência.

Quanto aos efeitos na memória, se manifestam principalmente na de curto prazo, pois é através dela que registramos fatos momentâneos. Pessoas que estão sobre esses efeitos não deveriam executar tarefas que dependessem tanto da atenção, bom senso e discernimento, pois corre o risco de prejudicar o outro e consequentemente a si mesmo.

Sobre o álcool, atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência. A bebida alcoólica é uma das poucas drogas psicotrópicas que tem seu consumo admitido e até incentivado pela sociedade.  Mesmo com o número altíssimo de casos de usuários de bebidas alcoólicas, diariamente divulgado pela mídia, o índice de usuários não ultrapassa os 20% no Brasil, no entanto, a região de maior incidência de dependentes é a região nordeste. Essa substância pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrijecimento da face, dor de cabeça e mal-estar geral. Entre os primeiros centros a serem afetados estão os da fala, coordenação motora, visão e depressão. A deteriorização cerebral de diversos tipos provavelmente é responsável por inúmeros problemas cognitivos (SENAD, 2001).

Portanto, o uso contínuo dessas substâncias causa sérios danos ao cérebro. Esses danos vêm na forma de aprendizagem, pois diminui a capacidade de aprender, por conta de uma diminuição no raciocínio. A memória é afetada porque sua codificação fica comprometida, ocasionando assim os chamados lapsos de memória. Fisiologicamente o sistema cardiovascular fica alterado. O sistema neurológico também altera nas questões funcionais cerebrais.

4. Considerações Finais

Ao concluir esse estudo, identificou-se que as drogas são, em grande parte, as responsáveis pela degeneração do campo psicofisiológico do usuário. As consequências e mutações na nossa fisiologia são desastrosas, pois alteram além do sistema nervoso, todos os outros: digestivo, respiratório, hepático, como também provoca lesões psicológicas que modificam toda a nossa atividade cerebral em raciocínio e aprendizagem. No campo social, também é desastrosa, pois o individuo ao tornar-se dependente perde a sua identidade e comete atos que compromete a sua conduta. Este uso abusivo apesar de pesquisas que comprovam que a minoria de nossa população é usuária dessas substâncias entorpecentes continuam sendo um fato polêmico, por provocar esses efeitos degenerativos.

As abordagens terapêuticas devem ser planejadas de acordo com o histórico de cada paciente. Existem várias terapias que ajudam o paciente a enfrentar, reconhecer, elaborar e trabalhar esses sentimentos,  evitando situações nas quais eles usariam drogas. Quando a intervenção é feita na fase inicial, há mais chances de recuperação. Para isso, faz-se necessário a implantação de serviços preventivos e educacionais para impedir a experimentação dessas substâncias, evocando a valorização da vida. 

Portanto, o melhor que se tem a fazer é evitar o primeiro contato, para que se possa ter um percentual e qualidade de vida com mais saúde física e mental. Em casos de contato e, por conseguinte dependência, o individuo pode optar para mudar esse quadro indo buscar ajuda em órgãos que oferecem um atendimento de resgate de vidas. O processo de tratamento em qualquer cenário envolve intervenção, otimização do funcionamento físico e psicológico, aumento da motivação, amparo da família e uso das primeiras semanas de tratamento como período de ajuda intensiva. Além disso, existem outros meios de recuperação, destacando-se entre eles, os grupos de alto ajuda, pois estes levam as pessoas a reconstruírem suas vidas e evitarem possíveis recaídas.

Sobre os Autores:

Alexsandra Rodrigues da Silva - Discente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Leão Sampaio.

Lucilene Maria dos Santos - Graduada em Matemática pela Universidade Regional do Cariri – URCA. Pós-graduada em gestão escolar-FJN. Discente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Leão Sampaio.

José Demontier Guedes - Graduado em Pedagogia pela Universidade Vale do Acaraú – UVA. Especialista em Língua Portuguesa e Arte-educação pela Universidade Regional do Cariri – URCA. Discente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Leão Sampaio;

Maria Natália Pereira Landin - Discente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Leão Sampaio.

Willia Eduana de Carvalho Lopes - Discente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Leão Sampaio.

Sheila Xenofonte – Bióloga. Mestra em Química Orgânica. Docente da disciplina de Psicologia da Faculdade Leão Sampaio. Orientadora do artigo.

Referências:

BRANDÃO, Marcos L. Psicofisiologia. As bases fisiológicas do comportamento. 2ª edição. Atheneu, 2005. P. 111-113.

OLIVIERA, Maria Aparecida Domingues. Neurofisiologia do comportamento. 3ª edição, Ulbra, 1999. P. 117-143.

DAVIDOFF, Linda L. Introdução à psicologia. 3ª edição. Pearson, 2009. P. 204-215.

KOLB, Bryan; WHISHAW, Ian Q. Neurociência do comportamento: como as drogas e os hormônios influenciam no comportamento.. 1ª edição. Manole, 2002. P. 192-225.

BARROS, Rafael Fernandes et. al. Relevância versus repetição de estímulo lingüístico na memória declarativa. Revista Neurociências Psicologia. Vol. 07, nº. 01. Atlântica. Janeiro/março 2011.

GALERT, Thorsten et. al. Cérebro Turbinado. Revista Mente Cérebro. Ano XVIII, nº 221. Duetto.  Junho, 2011. P. 30.

SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas. Informações para adolescentes. 2ª edição. Série diálogo, nº 05, 2001. P. 20.

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