Psicologia e Psicofármacos: um Estudo Sobre a Utilização de Psicofármacos e seus Efeitos Terapêuticos

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Resumo: A elaboração do presente artigo tem como cunho social apresentar dados obtidos através da aplicação das entrevistas com o público alvo do trabalho de conclusão de curso, elaborado e apresentado como condição para obtenção do grau de Bacharel em Psicologia. A solicitação inicial da entrevista era oportunizar uma visão mais detalhada a respeito do perfil dos usuários do serviço de Saúde Mental no município de Caçador. Tal trabalho teve como relevância social um estudo a respeito dos efeitos que um usuário de benzodiazepínicos pode apresentar com o uso crônico de medicações como diazepam, clonazepam, lorazepam e alprazolam.

Palavras-chave: Transtornos de ansiedade, Benzodiazepínicos, Saúde mental.

1. Introdução

O Psicólogo deve ter um papel ativo durante o acompanhamento psicoterápico de usuários de benzodiazepínicos, pacientes esses que fazem uso de tais medicações durante longos períodos. Assim, buscou-se através de pesquisas teóricas e práticas um maior entendimento a respeito das informações que o usuário recebe de seu médico, quanto ao uso prolongado, dependência, tolerância, automedicação e demais aspectos envolvidos durante o tratamento.

Com novas diretrizes no atendimento da atenção primária à saúde, percebeu-se alguns aspectos, com a inclusão da Psicologia no contexto dos postos com o objetivo de trabalhar com a prevenção dos casos leves e moderados da depressão e ansiedade, foram surgindo dúvidas e questionamentos quanto ao perfil desses usuários. Uma significativa parcela da população caçadorense faz uso de benzodiazepínicos, muitas vezes realizando automedicação e com poucas informações quanto ao uso correto, surgindo a necessidade de uma pesquisa mais aprofundada dessa realidade.

O perigo da automedicação são inúmeros, muitos desses indivíduos negam-se de realizar um tratamento psicoterápico para a busca de um melhor entendimento de si e dos sintomas que o acometem, preferindo o uso de fármacos que amenizem e mascarem seu sofrimento mental.

A Psicologia encontra algumas barreiras na atenção primária à saúde, tanto dos profissionais como dos usuários do serviço, a resistência apresentada por ambas às partes dificultam a efetividade do serviço, se o profissional dessa unidade de saúde não instrui seu usuário durante o acompanhamento e tratamento de sua enfermidade dificulta a perspectiva de melhora do paciente e quando o mesmo é encaminhado ao serviço de saúde mental nem sempre está aberto, disposto ou interessado na busca da resolução de seus conflitos, sendo o que interessa é a continuidade da medicação e assim continuar camuflando todos os outros aspectos envolvidos.

2. Material e Métodos

Os métodos pelos quais a pesquisa foi realizada obedeceram aos princípios éticos de acordo com a instituição acadêmica e especificamente de acordo com os parâmetros do curso de Psicologia, de forma que foram planejadas estratégias e meios para a realização da pesquisa. Foram listados os meios e critérios de pesquisa através dos itens: natureza e tipo de pesquisa, população amostra, procedimentos e análise dos dados; objetivando uma melhor demonstração das estratégias e critérios obedecidos para a realização da pesquisa e levantamento de dados provenientes da mesma, bem como a análise desses dados.

Primeiramente foi realizada uma pesquisa de natureza bibliográfica, com informações extraídas em materiais escritos, publicados em livros, revistas, além de materiais publicados em sites eletrônicos. “A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema estudado [...]” (MARCONI; LAKATOS, 2011, p. 57). Também, foi realizada uma pesquisa de campo descritiva de caráter qualiquantitativa, objetivando a análise do fenômeno estudado.

A pesquisa de campo foi efetivada no Programa de Saúde Mental da cidade de Caçador localizado no estado de Santa Catarina. Foram sujeitos dessa pesquisa um total de 20 (vinte) pessoas que fazem uso do serviço ofertado pela Secretaria Municipal de Saúde na Atenção Básica. É importante ressaltar que a amostra foi de participação voluntária dessas pessoas, os quais responderam uma entrevista contendo questões pré-elaboradas com perguntas fechadas e abertas.

Os usuários responderam uma entrevista composta por 12 perguntas estruturadas, contendo questões objetivas, de modo a constituir a descrição da experiência durante o uso dessas medicações. As entrevistas foram aplicadas individualmente e respondidas pelos participantes, em dias e horários designados previamente, no Programa de Saúde Mental como referido anteriormente.

Antes de ser iniciada a aplicação das entrevistas com os usuários, foi efetivado um rapport, no qual explicou-se os objetivos da pesquisa, bem como o motivo da escolha da população, foram informados sobre o sigilo e confidencialidade dos dados, inclusive sobre a ausência de necessidade de identificação, onde os únicos dados pessoais que seriam coletados nos instrumentos de pesquisa foram o tempo que faz uso da medicação, estado civil, a formação e a idade. Todos que foram entrevistados assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, seguindo os princípios da ética em pesquisa.

A etapa da pesquisa bibliográfica serviu como parâmetro para avaliar os resultados que foram alcançados na pesquisa de campo, de forma a proporcionar melhor entendimento sobre as colocações que foram apresentadas pelos usuários, bem como, entrelaçar teoria e prática no que diz respeito à abordagem psicológica dos usuários de benzodiazepínicos durante o acompanhamento psicoterápico e medicamentoso.

Estes dados foram analisados estatisticamente em gráficos e tabelas elaborados para melhor compreensão dos mesmos, bem como foram descritos e comentados em forma textual. Nesse sentido, de acordo com Santos (2000, p. 37), “é feita uma interpretação analítica dos dados obtidos, considerando o referencial teórico, que posicionou o problema pesquisado, e os resultados a que se chegou”.

3. Resultados e Discussão

Entre os meses de Outubro e Novembro/2014 foram iniciados a aplicação das entrevistas com o público alvo do trabalho de conclusão de curso. A solicitação inicial da entrevista era oportunizar uma visão mais detalhada a respeito do perfil dos usuários do serviço de Saúde Mental no munícipio de Caçador, as perguntas referiam-se aos seguintes aspectos: quanto ao bom atendimento na unidade básica de saúde, relação paciente x profissional, uso do serviço de saúde mental, atendimento recebido, uso de medicação controlada, nome dessa medicação, quantidade de medicação usada, parada da medicação, informações recebidas durante o atendimento médico, histórico da enfermidade, melhoras com o uso da medicação e outros tipos de acompanhamentos.

Foram entrevistados 20 pacientes do serviço de Saúde Mental ofertado através da Secretaria Municipal de Saúde. Os dados expostos abaixo descrevem os resultados obtidos através da aplicação da entrevista com os usuários de benzodiazepínicos no município de Caçador/SC.

No gráfico 1 será apresentado os resultados obtidos na questão número um: você considera bom o serviço de saúde oferecido na unidade básica?

Gráfico 1 Serviço oferecido na unidade básica.

Gráfico 1 Serviço oferecido na unidade básica.

Pode-se notar das vinte pessoas entrevistas 51% responderam considerar bom o serviço oferecido na unidade básica, 18% responderam não considerar bom o serviço e 31% das pessoas consideram o serviço bom ás vezes. Percebe-se nesse primeiro resultado que os utilizadores do serviço prestado pela unidade básica de saúde o consideram bom, no entanto, vale ressaltar que o atendimento em questão é com base no ambulatório de saúde mental.

Nesse contexto Neto (2008), descreve a importância do programa saúde da família no momento do apoio matricial:

O Programa de Saúde da Família (PSF) é a principal estratégia para reorientação do modelo assistencial de atenção à saúde (BRASIL, 2004A). É um movimento de reorientação do modelo assistencial, operacionalizado mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde, tendo vínculo formal com uma parcela da população adscrita (NETO, 2008, p. 24).

A parcela utilizada nessa pesquisa serve como base de dado importante para conhecer e identificar a importância do serviço ofertado, bem como os resultados refletidos em forma de gráfico, e demonstra que essa população de amostra faz uso do serviço a muitos anos, podendo assim levantar as seguintes hipóteses quanto a real eficácia da atenção básica no município e como tem sido administrado os novos atendimentos advindo do novo modelo preconizado pelo Ministério da Saúde.

No guia prático de matriciamento em Saúde Mental (2011), o programa de saúde da família vem como apoio interdisciplinar:

Na situação específica do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, as equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) funcionam como equipes de referência interdisciplinares, atuando com uma responsabilidade sanitária que inclui o cuidado longitudinal, além do atendimento especializado que realizam concomitantemente. E a equipe de apoio matricial, no caso específico desse guia prático, é a equipe de saúde mental (BRASIL, 2011, p. 14).

Mesmo que os dados expostos refiram-se ao atendimento no ambulatório de saúde mental, este tem trabalho concomitante com o realizado na atenção primária, pois em ambos os setores o paciente deverá ser acolhido em seu sofrimento, após irá participar dos grupos terapêuticos realizado em seu bairro e se necessário o acompanhamento médico e/ou medicamentoso. Sendo assim, o apoio matricial seria:

O apoio matricial é distinto do atendimento realizado por um especialista dentro de uma unidade de atenção primária tradicional. Ele pode ser entendido com base no que aponta Figueiredo e Campos (2009): “um suporte técnico especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações” (BRASIL, 2011, p. 14).

No gráfico 2 será apresentado os resultados da questão número dois: você tem uma boa relação com os profissionais do posto de saúde?

Gráfico 2 Relação paciente x profissional

Gráfico 2 Relação paciente x profissional

Na segunda questão, vinte pessoas responderam, sendo que 20% das pessoas consideram ótimo a sua relação com os profissionais dos postos de saúde, 60% das pessoas consideram bom a sua relação com os profissionais dos postos de saúde, 15% das pessoas consideram regular sua relação com os profissionais e 5% das pessoas considera ruim a sua relação com os profissionais.

O plano estadual de saúde mental (2005), apresenta as ações de saúde mental na atenção básica:

As ações de saúde mental na atenção básica devem obedecer ao modelo de redes de cuidado, de base territorial e atuação transversal com outras políticas específicas e que busquem o estabelecimento de vínculos e acolhimento. Essas ações devem estar fundamentadas nos princípios do SUS e articuladas entre Saúde Mental e Atenção Básica [...] (BRASIL, 2005, p. 23).

A partir desses resultados nota-se o nível de satisfação do serviço prestado, porém deve-se lembrar que muitos desses usuários não consultam com seu médico no posto de saúde, somente deixam sua receita para renovação e quando solicitado pela agente de saúde ou enfermagem participam do acolhimento pelas estagiárias do serviço de saúde mental ou dos grupos promovidos pelos funcionários da secretaria de saúde.

O caderno de atenção à saúde número 34 (Brasil, 2013) vem informando a importância do cuidado a essa pessoa:

Quando alguém procura um serviço de Saúde, acredita-se estar com um problema que algum profissional deste serviço possa resolver. Cabe ao profissional de Saúde estar atento ao problema, porém sem perder de vista o todo, de modo que possa com cada sujeito perceber e criar novas possibilidades de arranjo para lidar com o problema. O profissional de Saúde não deve olhar fixamente para o sofrimento ou a doença, ou apenas a queixa, mas deve se lembrar que seu trabalho é produzir vida de forma mais ampla, e para isso cuidar de maneira integral (BRASIL, 2013, p. 33).

Percebe-se que o treinamento inadequado ou nenhum tipo de treinamento realizado com os profissionais atuantes em todas as esferas da saúde dificultam a excelência do trabalho a ser realizado, assim como, os usuários aproveitam-se dessas “facilidades” no atendimento, permitindo o risco da automedicação.

Quanto a automedicação o Ministério da saúde (2012), apresenta seguinte dica em saúde:

A automedicação, muitas vezes vista como uma solução para o alívio imediato de alguns sintomas pode trazer consequências mais graves do que se imagina. A variedade de produtos fabricados pela indústria farmacêutica, a facilidade de comercialização de remédios e a própria cultura e comodidade assimilada pela sociedade que vê na farmácia um local onde se vende de tudo; a grande variedade de informações médicas disponíveis, sobretudo em sites, blogs e redes sociais, também está entre os fatores que contribuem para a automedicação (BRASIL, 2012).

No gráfico 3 apresento os resultados da questão número três: já fez uso do serviço de saúde mental oferecido no posto de saúde?

Gráfico 3. Uso do serviço de saúde mental na UBS

Gráfico 3. Uso do serviço de saúde mental na UBS

Nota-se que dos vinte entrevistados, 35% afirmam terem feito uso do serviço de saúde mental na unidade básica de saúde, 65% afirmam não terem usado o serviço de saúde mental na unidade de saúde e 0% pessoas não lembram de terem feito uso do serviço de saúde mental na unidade básica de saúde.

Quanto ao papel dos profissionais da saúde na atenção à saúde mental, o caderno de saúde número 34 (2013) apresenta:

Mesmo os profissionais especialistas em saúde mental elaboram suas intervenções a partir das vivências nos territórios. Ou seja, o cuidado em saúde mental não é algo de outro mundo ou para além do trabalho cotidiano na Atenção Básica. Pelo contrário, as intervenções são concebidas na realidade do dia a dia do território, com as singularidades dos pacientes e de suas comunidades. Portanto, para uma maior aproximação do tema e do entendimento sobre quais intervenções podem se configurar como de saúde mental, é necessário refletir sobre o que já se realiza cotidianamente e o que o território tem a oferecer como recurso aos profissionais de Saúde para contribuir no manejo dessas questões. Algumas ações de saúde mental são realizadas sem mesmo que os profissionais as percebam em sua prática (BRASIL, 2013, p. 22).

Pode-se perceber que boa parte da população amostra, relatou que muitas vezes fazem uso do tratamento farmacológico antes mesmo de utilizar outros meios na busca do seu bem-estar. Mesmo preconizado pelo Ministério da Saúde tal implantação do atendimento, ele caminha a passos de tartaruga, assim como a implantação do Núcleo de Atenção à Saúde da Família – NASF, tal ferramenta vem como apoio as demandas dos territórios bem como o acompanhamento de casos com difícil resolução por parte das unidades de saúde.

Bem como o caderno de atenção básica número 34 (Brasil, 2013), descreve a respeito das ações que podem ser realizadas por todos os profissionais:

  • Proporcionar ao usuário um momento para pensar/refletir.
  • Exercer boa comunicação.
  • Exercitar a habilidade da empatia.
  • Lembrar-se de escutar o que o usuário precisa dizer.
  • Acolher o usuário e suas queixas emocionais como legítimas.
  • Oferecer suporte na medida certa; uma medida que não torne o usuário dependente e nem gere no profissional uma sobrecarga (BRASIL, 2013, p. 22-23).

Ao se fazer uso das informações acima descritas questiona-se até que ponto essas ferramentas são realmente utilizadas dentro das unidades básicas de saúde e se todo profissional ali está devidamente preparado e capacitado para acolher o usuário e suas demandas.

No gráfico 4 é analisado o atendimento recebido pelos usuários do serviço de saúde mental, sendo a quarta pergunta: como considera o atendimento recebido?

Gráfico 4. Atendimento recebido

Gráfico 4. Atendimento recebido

Conforme a entrevista apontou, 55% dos indivíduos consideram o atendimento ótimo, 33% dos indivíduos consideram o atendimento bom, 5% dos indivíduos consideram o atendimento regular e 7% dos indivíduos consideram o atendimento ruim.

No caderno de atenção básica número 34 (2013), apresenta a visão de pessoa:

Toda pessoa tem uma vida passada e as memórias de uma pessoa com tudo o que ela viveu, aprendeu e experimentou fazem parte da sua vida presente e de como ela enxerga o mundo. “Roubar das pessoas seu passado, negar a verdade de suas memórias, ou zombar de seus medos e preocupações fere as pessoas. Uma pessoa sem passado é incompleta”, diz Cassell (BRASIL, 2013, p. 29).

Aqui considera-se o serviço de saúde mental ofertado tanto na unidade básica de saúde bem como na própria saúde mental, atualmente localizada nas dependências do Jonas Ramos. Como já abordado anteriormente, muitos dos utilizadores desse serviço deixam suas receitas somente para renovação, quando fazem uso nos postos de saúde do seu bairro, no entanto, ao fazerem uso desse atendimento na saúde mental muitos necessitam passar pelo acolhimento, grupo terapêutico e se necessário atendimento clínico em conjunto com psicoterapia individual, tornando dessa maneira o serviço mais efetivo e com resultados significativos na melhora de seu sofrimento psíquico.

O guia prático de matriciamento em saúde mental (2011), vem como ferramenta auxiliar em questões como quem cuida do que e qual o papel de cada profissional da saúde:

No entanto, desde o estabelecimento dos serviços de atenção primária, uma discussão é muito antiga: quem cuida do quê? Que tipo de usuário deve ser atendido exclusivamente pelos profissionais de APS? Quais são os pacientes que também devem ter cuidados das equipes especializadas de saúde mental? (BRASIL, 2011, p. 197).

Perguntas como essas podem dificultar muito o atendimento que deverá ser prestado por esses profissionais, deixando assim o usuário em dúvida a qual local recorrer primeiro para minimizar seu sofrimento. No entanto o guia prático de matriciamento em saúde mental (2011) vem como ferramenta auxiliar para esclarecer tais questionamentos dos profissionais de saúde:

Essas perguntas nos remetem a decisões clínicas – dentro de uma perspectiva ampliada de clínica, não a do modelo clássico, “de consultório” ou “de hospital” – sobre as árvores decisórias e protocolos. Esses protocolos podem ser baseados em padronizações da literatura que são, na maioria das vezes, internacionais. Porém, tais instrumentos não fazem sentido se não dialogarem com a realidade específica de cada campo, de cada território, de cada município, realidade que pode ser bastante diversa em um país tão grande como o nosso (BRASIL, 2011, p. 197).

Deve-se sempre lembrar que os técnicos de referência nesse novo contexto de atendimento têm papel importante e muito presente no dia a dia dos postos de saúde.

No gráfico 5 é analisado se o entrevistado faz ou não uso de medicação controlada, com a seguinte pergunta: você faz uso de medicação controlada?

Gráfico 5. Uso de medicação controlada

Gráfico 5. Uso de medicação controlada

Nesse gráfico fica evidente o número de usuários de medicação controlada, 95% das pessoas fazem uso de medicação, 5% das pessoas não fazem uso de medicação controlada e 0% das pessoas ás vezes fazem uso de medicação controlada.

Quanto a síndrome abstinência Nastasy (2008), aborda:

Os benzodiazepínicos têm potencial de abuso: 50% dos pacientes que usam benzodiazepínicos por mais de 12 meses evoluem com síndrome de abstinência (provavelmente ainda mais em clínicas especializadas). Os sintomas começam progressivamente dentro de 2 a 3 dias após a parada de benzodiazepínicos de meia-vida curta e de 5 a 10 dias após a parada de benzodiazepínicos de meia-vida longa, podendo também ocorrer após a diminuição da dose (NASTASY, 2008, p. 5)

Os resultados apresentados são de grande relevância, pois vão de encontro com a pesquisa proposta, bem como o uso desenfreado pode acarretar em problemas sociais, econômicos, familiares entre outros aspectos do indivíduo. Porém, um único entrevistado afirmou não fazer uso de tais medicações, pois estava participando dos grupos ofertados na saúde mental, atualmente localizado nas dependências do Jonas Ramos, no entanto, o entrevistado relata os mesmo sinais e/ou sintomas dos outros participantes, sendo assim, se o mesmo não apresentar resultados positivos até o término do grupo provavelmente irá iniciar o uso de medicação.

Vale lembrar que a família tem papel importante na busca e apoio de seu familiar durante todo o trabalho realizado pelos profissionais da atenção primária e saúde mental, como abordado por Moreno (2014):

Quanto aos serviços de saúde mental, estes têm utilizado o processo de desinstitucionalização como forma de organização que busca criar uma relação mais solidária entre pacientes, equipe, família e comunidade (MORENO, 2014, p. 46).

O autor Nastasy (2014), corrobora essa questão, da importância do suporte psicológico, bem como dos membros da família, fazendo uso de outros meios para o tratamento não farmacológico:

O melhor local para tratamento é o ambulatorial, pois leva o maior engajamento do paciente e possibilita que, tanto mudanças farmacológicas quanto psicológicas, possam ocorrer ao mesmo tempo. Suporte psicológico deve ser oferecido e mantido tanto durante quanto após a redução da dose, incluindo informações sobre os benzodiazepínicos, reasseguramento, promoção de medidas não-farmacológicas para lidar com a ansiedade (NASTASY, 2014, p. 7).

No gráfico 6 será apresentado o nome das medicações que foram utilizadas como base para pesquisa e elaboração desse trabalho de conclusão de curso, no entanto, deve-se ressaltar que alguns dos participantes fazem uso de mais do que uma medicação pesquisada, sendo assim essa questão terá um número total acima dos vinte entrevistados: quais dessas medicações faz uso?

Gráfico 6. Nome da medicação

Gráfico 6. Nome da medicação

Os dados acima refletem uma grande diferença quanto a requisição das medicações dos entrevistados, 45% afirmam tomar diazepam, 41% afirmam tomar clonazepam, 9% afirmam tomar alprazolam e 5% afirmam tomar lorazepam.

Ao iniciar a pesquisa sobre tais medicações ficou evidente o grande número de receitas de diazepam e clonazepam, sendo que muitos desses usuários fazem uso de mais de uma medicação ao mesmo tempo e em alguns casos em doses mais elevadas do que a receitada pelo médico.

Quanto às interações medicamentosas Sucar (2011), aponta da seguinte maneira:

As interações resultantes da associação de medicamentos estão, sem dúvida, entre as questões atuais mais complexas e de grande importância para a prática médica. Com o crescente número de drogas usadas em psiquiatria, torna-se cada vez mais difícil conhecer as diferentes repercussões clínicas dessas interações (SUCAR, 2011, p. 11).

Não se pode esquecer que os benefícios obtidos com o uso dos benzodiazepínicos são muito mais significativos do que seu risco de tolerância e dependência, porém toda medicação sem o correto acompanhamento médico pode acarretar em risco a saúde do usuário de tal medicação, além dos resultados obtidos ficou nítido que muitos dos entrevistados fazem uso a muitos anos e nos casos de menos de um ano de uso a quantidade ingerida é preocupante.

Assim como relatado através do caderno de atenção básica número 34 (2013), os benzodiazepínicos se popularizaram:

Os benzodiazepínicos conseguiram justamente se popularizar por terem efeitos ansiolíticos com baixo risco de morte, quando comparados aos barbitúricos. Talvez por isso, ocupam um lugar particularmente importante no imaginário popular e, em algumas práticas cronificadas dos serviços de saúde, podem funcionar como um escape para a impotência do profissional diante das queixas e sintomas subjetivos dos pacientes, sem um equivalente orgânico (BRASIL, 2013, p. 161-162).

No gráfico 7 é apresentado o número de comprimidos ingeridos por dia, conforme respondido pelos entrevistados na pesquisa, sendo a sétima pergunta: quanto comprimidos você faz uso por dia?

Gráfico 7. Quantidade de comprimidos

Gráfico 7. Quantidade de comprimidos

Vê-se que a partir das respostas dos entrevistados, 52% dizem tomar de 1 a 5 comprimidos por dia, 26% dizem tomar de 6 a 10 comprimidos, 16% dizem tomar de 11 a 15 comprimidos por dia e 6% pessoa diz tomar de 16 a 20 comprimidos por dia.

Quando abordado a prática de prescrição desenfreada por parte dos clínicos, o caderno de atenção à saúde número 34 (2013), afirma:

Lamentavelmente, esta prática produz a medicalização de problemas pessoais, sócio-familiares e profissionais, para os quais o paciente não encontra solução e acaba por acreditar na potência mágica dos medicamentos. O uso continuado provoca fenômenos de tolerância (necessidade de doses cada vez maiores para manutenção de efeitos terapêuticos) e dependência (recaída de sintomas de insônia e ansiedade quando da suspensão abrupta do uso). Outros efeitos bastante comuns são os déficits cognitivos (perda de atenção, e dificuldade de fixação), que tendem a se instalar no curso da utilização desses medicamentos (BRASIL, 2013, p. 162).

Desse total, é importante frisar que um único entrevistado afirma tomar de 16 a 20 comprimidos por dia, o que mais chama atenção nesse resultado é que o participante relatou fazer menos de 1 ano que inicio o uso do remédio, que atualmente tem tido muita dificuldade em dormir e por mais que tente diminuir o uso relata não “sentir” diferença, no entanto, os participantes que fazem uso de 1 a 5 comprimidos por dia, utilizam suas medicações a mais de 10 anos o que também não deixa de ser um dado um tanto relevante, muitos afirmam nem saber o motivo que os levaram a iniciar tal uso, uma das participantes expõe essa questão da seguinte maneira: “Uma vez eu passei mal e o médico disse que esse remédio fazia bem para os nervos e até hoje eu tomo pra dormi, quando não estou muito bem tomo 3 ao invés de 1”.

Na perspectiva de Nastasy (2014), o uso e a prescrição indiscriminada tem sido um dois maiores problemas da atualidade:

Os benzodiazepínicos foram amplamente prescritos no tratamento dos transtornos ansiosos durante toda a década de 70, como uma opção segura e de baixa toxicidade. A empolgação inicial deu lugar à preocupação com o consumo ao final da mesma década: pesquisadores começavam a detectar potencial de uso nocivo e risco de dependência entre os usuários de tais substâncias. Atualmente, os BDZs ainda possuem indicações precisas para controle da ansiedade e como tratamento adjuvante dos principais transtornos psiquiátricos, mas continuam sendo prescritos de modo indiscriminado, tanto por psiquiatras quanto por médicos de outras especialidades (NASTASY, 2014, p. 3).

Vale ressaltar que o indivíduo que faz uso prolongado de tais medicações pode vir apresentar dependência e tolerância ao fazer utilização indiscriminada. Na questão de número oito com a seguinte pergunta: alguma vez tentou para o uso dessa medicação? É transcrita em forma de porcentagem e no gráfico 8 Parada da medicação, apresentado abaixo.

Gráfico 8. Parada da medicação

Gráfico 8. Parada da medicação

Nota-se com base nas respostas obtidas com os usuários, 74% dos entrevistados responderam sim, que já tentaram parar o uso, 26% dos entrevistados responderam não, que não tentaram parar o uso e 0% dos entrevistados responderam não se lembrarem de tentar para o uso da medicação.

Os dados acima refletem que a utilização de psicofármacos necessitam ser devidamente acompanhados pelos profissionais da unidade básica de saúde, vindo de encontro com o caderno de atenção à saúde número 34 (2013):

Em si, quando bem indicados, os benzodiazepínicos podem se configurar como ferramentas úteis e confiáveis como indutor de sono em situações de adaptação a estresse, por exemplo. Mas é preciso ter o máximo cuidado na hora de iniciar o uso dessas medicações, colocando sempre um prazo limite de algumas semanas, negociando com o usuário a redução gradual. [...] Quando não for possível a suspensão total, é importante repensar a relação do usuário com o “remédio”, com o médico que o prescreve e com a equipe de Saúde (BRASIL, 2013, p. 162).

Nesse gráfico o total de respostas foi de 19 entrevistados, sendo que 1 dos participantes, como alegou-se anteriormente, não faz uso ainda de medicação. Apesar dos elevados números de comprimidos usados a tentativa de parada é equivalente, no entanto como abordado já, ao se fazer uma parada brusca na utilização dos benzodiazepínicos o paciente pode apresentar crises de abstinência.

É importante frisar quanto ao uso abusivo dos benzodiazepínicos, Bernick (1999) relata que:

Devido as suas propriedades, sobretudo segurança e rápido início de ação, os BZDs podem ser usados de forma indevida ou abusiva. Do mesmo modo que existem as prescrições equivocadas (para o paciente errado ou por um período de tempo inadequado), existe também um problema de abuso, de pequenas proporções, mas bem definido: o uso ilegal de BZDs por pessoas para as quais eles não foram prescritos (BERNIK, 1999, p. 21).

Não se pode esquecer que os benefícios advindos do uso de tais medicações superam tais problemas, porém o hábito do uso exagerado de tais medicações também é relatado por Bernik (1999):

O “hábito” ou dependência comportamental – no sentido de busca ativa de droga para induzir euforia, em contraste com o alivio do sintoma – é observado em apenas em uma pequena minoria das pessoas. Os BZDs são usados em excesso quase que somente por pessoas com histórico de uso excessivo também de outras drogas (Du Ponte, 1988; Woods et al., 1997). Esse é o caso, principalmente, dos indivíduos dependentes de opiáceos (Dark, et al., 1995; Perera, et al., 1987; Ball et al, 1986) (BERNIK, 1999, p. 22).

No gráfico 9 é analisado as informações que os entrevistados alegam receber ou não, sendo a seguinte questão: quando iniciou o uso dessa medicação, seu médico explicou os risco e benefícios desse fármaco?

Gráfico 9. Informações recebidas

Gráfico 9. Informações recebidas

Com os dados coletados através dos participantes, nota-se que 37% das pessoas relataram receber as informações, que 42% das pessoas relatam não receberem as informações e que 21% das pessoas relatam não lembrarem de receber as informações.

Com base nessas informações fica claro a proximidade dos resultados coletados, os usuários do serviço de saúde mental na unidade básica de saúde afirmam que só recebem a receita médica com tais medicação após 5 minutos de atendimento clínico pelo profissional médico do posto e que durante essa consulta não são informados corretamente e nem de forma adequada, iniciam a medicação sem ter conhecimento dos benefícios e risco do uso abusivo e indiscriminado do fármaco.

Já os que relataram receber as informações corretamente e que conseguem percebe seus sinais/sintomas durante seu tratamento medicamentoso fazem acompanhamento médico com o profissional na saúde mental localizado atualmente no Jonas Ramos, esses mesmos entrevistados relatam perceberem a forma totalmente diferenciada no atendimento, desde a recepção até o acompanhamento médico durante seu tratamento ocorrido no ambulatório. Porém os entrevistados que relataram não se lembrarem das informações recebidas de tais medicações, mesmo sendo de ingestão contínua. Deve-se lembrar também que os médicos são colocados em situações complicadas quanto as condições de trabalho e de estrutura do serviço, Bernik (1999) relata quanto a respeito da opinião pública:

Precisamos considerar também como as reações da opinião pública e as consequentes diretrizes e restrições das prescrições poderiam inibir o tratamento do que chamamos distúrbios “subsindrômicos”. Os médicos, particularmente os clínicos gerais, são frequentemente colocados em uma posição difícil quando tratam de pacientes com distúrbios particulares de ansiedade ou depressão que não atendem aos critérios rigorosos de classificação internacional das doenças. Esses são problemas diários reais para aqueles que sofrem deles, problemas que têm de ser tratados por seus clínicos (BERNIK, 1999, p. 24).

Situações como essas devem ser levadas em consideração durante os atendimentos prestados, em circunstâncias como essas não existe culpado ou inocente, e sim uma mão de via dupla onde o paciente não pergunta e o médico não responde. Bernik (1999), apresenta um ponto de vista muito interessante relacionado ao papel dos benzodiazepínicos:

Durante quarenta anos, os BZDs exerceram um importante papel na farmacoterapia da maioria dos distúrbios da ansiedade. As avaliações de seus benefícios e riscos pela medicina embasada em evidências permitirão o estabelecimento de diretrizes de um modo mais racional, para terapia ansiolítica efetiva para aquele que dela precisem (BERNIK, 1999, p. 25).

As questões 10, 11 e 12 da entrevista foram discursivas, sendo assim, serão relatadas as respostas recebidas por alguns dos participantes da pesquisa. Tais questionamentos são voltados para o histórico da enfermidade, melhoras com o uso da medicação e outros atendimentos realizados pelos pacientes.

A pergunta número 10, era composta com o seguinte enunciado: breve histórico da sua enfermidade e a quanto tempo faz uso da medicação. Dos 20 entrevistados será descrito 5.

Indivíduo 1: “Faz quinze anos. Começou a usar porque tinha crises, ficava ‘fora’, tinha raiva, não sentia vontade de sair de casa, diz que até hoje passa mal. Diz sempre ter sido rejeitada pela família que não recebia carinho e afeto de seus pais, foi agredida pela irmã por não cuidar direito de seu pai com câncer, ela nega e diz que faz tudo para ele”.

Na perspectiva do indivíduo 1 citado acima, fica evidente que durante anos seu sofrimento não é percebido como patologia, as questões familiares interferem significativamente na vida social, ocupacional e tantos outros aspectos de suma importância para uma saúde mental e bem-estar. É perceptível que qualquer pessoa que passa durante anos se sentido usado, diminuído e humilhado se não tiver uma grande capacidade de resiliência acaba por vir a adoecer, e como tem sido analisado no decorrer dessas páginas inicia-se a utilização de fármacos como método terapêutico esquecendo-se de buscar novas intervenções.

Quando fala-se em sofrimento o caderno de atenção à saúde número 34 (2013), ressalta:

Sofrimento não é o mesmo que dor, embora a dor possa levar a um sofrimento, mas não é qualquer dor que nos faz sofrer. Da mesma forma, o sofrimento não equivale a uma perda, embora as perdas possam, ocasionalmente, nos fazer sofrer. Sendo assim, partindo desta perspectiva multidimensional e sistêmica proposta por Cassell, podemos entender o sofrimento como essa vivência da ameaça de ruptura da unidade/identidade da pessoa. [...] Sendo assim, torna-se fundamental para o profissional da AB manter-se atento às diversas dimensões do sujeito que se apresenta a sua frente (BRASIL, 2013, p. 32).

Indivíduo 2: “Sempre se sentiu irritada e com vontade de ficar isolada, faz seis anos que iniciou o uso do remédio, porém quanto mais aumentava a dose menos efeito fazia. Durante essa época parou e retornou o uso várias vezes. Diz ter muitas brigas com seu marido e isso contribuiu para sua piora”.

As questões discutidas no indivíduo 1 vão de encontro com o indivíduo 2, pois o mesmo sofre por problemas familiares, a diferença entre ambos relatos é que no caso do primeiro entrevistado, indivíduo 1, em nenhum momento relata ter parado o uso da medicação, no entanto, o indivíduo 2 faz paradas, porém retoma o uso quando sente necessidade, deve-se levar em conta que é um dado importante descrito e as seguinte hipóteses podem ser levantadas: Será que o indivíduo 2 não sofre de crises de abstinência e por isso retoma o uso do benzodiazepínico? Será que durante as consultas médicas o indivíduo 2 relata esses dados?. A partir desse pequeno relato inúmeras suposições podem ser levantadas, e novamente pode-se fazer uso das informações disponíveis no guia prático de matriciamento em saúde mental (2011), quanto à importância do projeto terapêutico singular:

O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um recurso de clínica ampliada e da humanização em saúde. Segundo Carvalho e Cunha (2006), o uso do termo “singular” em substituição a “individual”, outrora mais utilizado, baseia-se na premissa de que nas práticas de saúde coletiva – e em especial na atenção primária – é fundamental levar em consideração não só o indivíduo, mas todo o seu contexto social (BRASIL, 2011, p. 21).

Indivíduo 3: “Diz que desde que se lembra faz uso de medicação, quando mais nova tinha epilepsia, depois de controlar diz que surgiu a depressão. Relata que faz quarenta e oito anos que faz uso de remédios, conta que sem não consegue dormir e vê fantasmas em seu quarto. Em 2000 tentou suicídio e desde então nunca mais foi a mesma e percebe que suas ideações suicidas retornaram igual a outra vez”.

Percebe-se através do discurso do indivíduo 3 que o mesmo não se lembra do início da medicação e pode ser considerado um dado importante, sendo assim, quando a medicação passou ser parte de sua vida a ponto de não recordar os motivos? Nesse ínterim gostaria de ressaltar os dados relatados quanto as ideações suicidas e a situação da tentativa de suicídio de medicamento, abordado por Sucar (2011):

Nesta situação, ocorre por parte voluntária do paciente a ingesta de grandes quantidades de medicamentos, que na sua maioria são psicofármacos. Essa classe de medicamentos comumente apresenta um índice terapêutico bastante alto. Geralmente, só são letais quando associados com álcool e outros medicamentos, em função de as interações medicamentosas terem papel decisivo nas alterações do perfil farmacológico dos medicamentos associados (SUCAR, 2011, p. 171).

Indivíduo 4: “Se sentia doente por causa de tudo. Faz uns quarenta nos que toma essa medicação. As ajudas recebidas a deixaram mais no fundo do poço. Desistiu de tudo, se sente doente. Muita raiva, não consegue se conter, acredita quebrar os objetos quando pensa”.

Com base nos relatos acima pode-se considerar a existência de mais alguma patologia, até onde as queixas são normais e patológicas? Em falas como essa, o serviço de saúde mental na atenção primária tem papel fundamental na resolução dos conflitos e queixas da população, e nem sempre as pessoas estão bem ou felizes, e isso não quer dizer que exista alguma doença, porém deve-se lembrar que a linha entre saúde e doença é tênue.

Bock (2011), em seu livro Psicologias vem corroborando com tal afirmação:

O indivíduo apresenta um sintoma ou vários: ele vê o diabo; tem um medo intenso de sair de casa ou de ir da sala para o banheiro sozinho; não consegue dormir à noite; não articula com lógica um raciocínio sobre determinado assunto; tem intermináveis monólogos com figuras ou objetos imaginários, utilizando frases desconexas; ouve vozes que o aconselham e o apavoram; ora está extremamente eufórico e, no momento seguinte, fica muito deprimido e se recusa ao contato com os outros (BOCK, 2011, p. 461).

Indivíduo 5: “Começou a fazer uso da medicação com trinta anos, hoje tem oitenta e três, fazem mais de cinquenta anos que faz uso do remédio, porém nunca pensou em parar. Diziam que era calmante, pois estava passando por sérios problemas financeiros e conjugais."

Fica evidente o crescente número de novos usuários de benzodiazepínicos e como as relações de passado, presente e futuro podem interferir positivamente ou negativamente no acompanhamento farmacológico do paciente. Cordioli (2011) apresenta a depressão como um dos efeitos colaterais, e o manejo durante o uso dos benzodiazepínicos.

A depressão pode ser o efeito colateral de um número de substâncias [...] Deve-se destacar, ainda, que os BZDs, os ADTs, outros antidepressivos com efeito sedativo e os antipsicóticos potentes produzem alguns efeitos colaterais semelhantes aos sintomas de depressão [...]. O uso crônico de BZDs, associado ou não ao uso de álcool, pode levar ao aparecimento de um quadro de depressão em indivíduo predispostos (CORDIOLI, 2011, p. 571).

Por mais variados que os motivos possam ser, o paciente necessita de uma correta avaliação médica, em muitos casos os entrevistados relatam que nunca tinham percebido os sintomas de seu quadro clínico até apresentarem a primeira crise. Nesse contexto ainda, Cordioli (2011) descreve ser de fundamental importância reconhecer os sintomas apresentados.

É fundamental reconhecer quando o sintoma referido pelo paciente é um efeito colateral de um medicamento ou uma manifestação de um transtorno do humor orgânico (depressão secundária a uma doença física). Reduzir a dose ou trocar de produto, se for um quadro depressivo secundário a um medicamento. Tratar a doença física, se for ela a causa. Cabe salientar que há doenças nas quais, mesmo com tratamento adequado, a síndrome depressiva se mantém (p. ex., Parkinson, AVC). Nesses casos, está indicado o uso de um antidepressivo (CORDIOLI, 2011, p. 571).

A partir desses resultados deve-se lembrar que em determinados casos faz-se necessário tal interação medicamentosa para alcançar o efeito terapêutico, assim como relata Sucar apud Sougey (2011):

Interação medicamentosa continua sendo um tema pouco tratado, de escassa literatura e submerso em mares pouco navegáveis. Tratando-se dos psicofármacos, o desconhecimento é ainda maior. As intrincadas reações orgânicas provocadas pelos medicamentos e resultantes de inúmeros processos biológicos fazem das interações um campo de conhecimento bastante complexo e muitas vezes inacessível ao médico ou ao profissional da saúde na sua prática clínica (SUCAR apud SOUGEY, 2011, p. 14-15).

Nesse contexto, pode-se levantar as seguintes hipóteses: será que todos os entrevistados passaram por uma correta avaliação médica? Será que somente diagnósticos de ansiedade ou depressão são o suficiente para terapia farmacológica ou estamos esquecendo do apoio de outros profissionais no atendimento aos usuários do serviço prestado pela unidade básica de saúde?

Assim como Benevides (2005) confirma em seu artigo Psicologia e SUS, quanto as interfaces da Psicologia com o Sistema Único de Saúde:

Especialmente quando queremos pensar as interfaces da Psicologia com o Sistema Único de Saúde (SUS) urge que problematizemos o que podemos, o que queremos e, principalmente, como fazemos para contribuir na construção de um outro mundo possível, de uma outra saúde possível e, digo logo, de uma saúde pública possível (BENEVIDES, 2005, p. 21).

A pergunta número 11 foi composta pelo seguinte enunciado: quais melhoras notou com início da medicação? Assim como analisado anteriormente, esse enunciado foi respondido de forma descritiva, nessa situação também será relatado 5 das 20 respostas e realizarei breve discussão das respostas obtidas.

Indivíduo 1: “A medicação demora dois dias para fazer efeito, consegue dormir e se sente mais calma. No entanto faz uso também de fluoxetina e citalopram.”

Indivíduo 2: “Não percebeu melhora, pois medicação não faz o efeito esperado.”

Os dados acima apresentam informações opostas, sendo que o indivíduo 1 apesar da demora confirma os benefícios, como a calma, e o indivíduo 2 diz não fazer efeito. Deve-se lembrar que cada organismo apresenta uma maneira de absorver as medicações, alguns necessitam de maior dosagem para obter os mesmos efeitos de outros que fazem uso em dosagem menor.

Quanto a absorção medicamentosa, Sucar (2011) descreve:

A absorção é antecedida pela fase de desintegração do medicamento, em seguida, pela dissolução e, por último, pela fase de solubilidade. Essa etapa do processo absortivo depende diretamente das características físico-químicas de composição dos medicamentos (SUCAR, 2011, p. 68)

Indivíduo 3: “Consegue dormir e não vê fantasmas ou vultos durante a noite, porém não sabe dizer quais as melhoras pois faz uso de medicação a muitos anos.”

Em situações como a descrita acima, deve-se rever as medicações e realizar o acompanhamento mais próximo do paciente e se necessário encaminhar a serviços especializados na área da saúde, como por exemplo CAPS 2, pois fica claro que a dosagem não está surtindo efeito nas queixas descritas como discutido anteriormente. Sabe-se que a atenção primária ainda não está devidamente capacitada e preparada para tratar e acompanhar pacientes com transtornos mais severos, ainda existe muito estigma relacionado a essas questões.

O guia prático de matriciamento em saúde mental (2011), apresenta três elementos que contribuem para a existência e permanência do estigma, sendo eles:

♦ ignorância – por exemplo, falta ou conhecimento inadequado sobre os transtornos mentais;

♦ preconceito – crenças e atitudes negativas direcionadas às pessoas estigmatizadas, incluindo pensamentos negativos e também emoções negativas como raiva, hostilidade e repugnância;

♦ discriminação – comportamentos evitativos e de rejeição direcionados às pessoas estigmatizadas (BRASIL, 2011, p. 161-162).

Indivíduo 4: “Não passou bem, queimação no estômago.”

Indivíduo 5: “Diz sentir-se mais tranquila e bem após o uso do remédio e consegue dormir bem.”

É importante frisar que nesse caso também ocorre respostas opostas, como no caso do indivíduo 4 que diz não passar bem, e do indivíduo 5, que diz sentir-se tranquilo. No primeiro indivíduo descrito acima fica óbvio que a medicação que tem usado está apresentando possíveis efeitos colaterais necessitando também nessa situação um retorno ao serviço e acompanhamento da equipe na unidade básica de saúde para averiguação dos sintomas apresentados, e no outro caso sugere-se somente manutenção e acompanhamento correto a cada retorno médico para renovação da receita.

É notório o fato da importância da entrevista com o paciente, como discutido no artigo Ângelo (2004):

O domínio da técnica de realizar entrevistas é o que qualifica o profissional habilidoso (SULLIVAN, 1983), sendo um atributo fundamental e insubstituível do profissional de saúde.  A habilidade do entrevistador, de início, revela-se pelas perguntas que formula, por aquelas que evita formular e pela decisão de quando e como falar ou apenas se calar e ouvir.  O profissional que conduz a entrevista deve também estabelecer uma relação empática e ao mesmo tempo útil do ponto de vista humano, além de saber acolher e ouvir o sofrimento do indivíduo, escutando o doente em suas dificuldades e idiossincrasias (maneira própria de ver, sentir e reagir de cada um). Além de paciência, respeito e empatia, o profissional necessita de uma certa têmpera (moderação, equilíbrio) e habilidade para estabelecer limites aos pacientes invasivos ou agressivos, e assim proteger-se e proteger o conteúdo da entrevista (ÂNGELO, 2004, p. 4).

A última parte a ser analisada e não menos importante é a continuidade da entrevista realizada, sendo o seguinte enunciado: além do uso da medicação, também faz outro tipo de acompanhamento, por exemplo, como o médio da unidade básica ou psicólogo(a)? E quais benefícios observou? Também nessa etapa será redigido 5 respostas das 20 colhidas e analisadas.

Indivíduo 1: “Sempre fez acompanhamento com o médico da UBS, porém irá iniciar no G.T de depressão na saúde mental.”

Indivíduo 2: “os únicos acompanhamentos feitos foram com os médicos da UBS e iniciou grupo dos pais na saúde mental e isso tem ajudado na sua relação com os filhos.”

Indivíduo 3: “Sempre fez acompanhamento com o médico da UBS, após com Dr. Nilson e aconselhamentos na saúde mental, diz que se sentiu melhor, mais calma.”

Indivíduo 4: “Não encontrou benefícios com a médica psiquiátrica não tratou bem. Iniciou na saúde mental e sentiu-se bem.”

Durante a transcrição dos relatos obtidos pelos participantes foram deixadas as quatro falas no mesmo grupo de análise, pois ambos relatam a mesma situação, que após iniciarem o acompanhamento no ambulatório de saúde mental localizado atualmente nas dependências do Jonas Ramos sentiram-se melhor, mais calmos e aliviados em seu sofrimento. Nesse sentido, percebe-se a força do grupo terapêutico, que problemas diferentes com diagnósticos iguais acabam por surgir questionamentos internos quanto a seu sofrimento, o poder do acolhimento no grupo, as forças que são trocadas, as experiências compartilhadas, ajudam e impulsionam na melhora significativa de seus sintomas, bem como a manutenção necessária para dar continuidade aos benefícios advindos com esse trabalho, é nesse sentido que o trabalho de conclusão de curso pretende buscar, o quão importante é o indivíduo reconhecer e conhecer seu sofrimento e buscar novas formar de resolvê-lo e que esse trabalho deve ser valorizado e não diminuído pelas equipes das unidades básicas de saúde, se cada profissional disponibilizar-se a participar e promover tais grupos, muito do que é vivido na saúde de nosso município hoje seria amenizado ou até extinto. Pois deve-se lembrar que nem todo frequentador assíduo dos serviços oferecidos nos postos de saúde realmente carrega consigo uma doença com fundo orgânico, em muitos casos são somatizações de sofrimento mental que carrega a muito tempo.

Sendo assim o guia prático de matriciamento em saúde mental (2011), vem corroborar as informações acima descritas:

O grupo, como um verdadeiro “ego grupal”, por ter uma identidade, é capaz de “emprestar” estruturas mentais com funções egoicas, auxiliando na reestruturação dos indivíduos que o compõem, para além da ação individual de cada um (BRASIL, 2011, p. 55).

Indivíduo 5: “Só realiza o acompanhamento com o médico do posto, nunca pensou em fazer terapia e não soube relatar os benefícios do tratamento.”

Em contrapartida tem-se o relato do indivíduo 5, que somente faz uso dos serviços médicos na unidade básica de saúde, o papel do médico não deve ser menosprezado ou diminuído, ele também tem papel importante e fundamental no acompanhamento de seus pacientes, porém nem sempre a medicação é o personagem principal na melhora dos sintomas e em diversas situações ele só mascara os sofrimentos mais profundos da alma humana, que em muitos momentos nem temos conhecimento de tais aspectos.

É nesse ponto que a comunicação profissional-paciente é de suma importância para troca de informações, como aponta o guia prático de matriciamento em saúde mental (2011):

Embora parcialmente negligenciada, a comunicação é fundamental para os profissionais da saúde, que empregam de 85 a 90% de seu tempo se comunicando. A efetividade da comunicação na saúde tem implicações na adesão ao tratamento, no prognóstico de afecções, na satisfação do paciente, nas denúncias de má-prática e na satisfação do profissional. Na saúde mental na atenção primária destacam-se estudos britânicos que mostram que a capacidade de um médico generalista compreender e cuidar de transtornos mentais depende mais do seu estilo de comunicação do que de seu conhecimento de psiquiatria (BRASIL, 2011, p. 177).

E com todos os dados expostos e analisados pode-se chegar à seguinte conclusão, que nem todo benzodiazepínico é vilão nessa história de abuso, tolerância, dependência e sim um aglomerado de fatores que levam a tais resultados como pouca instrução por parte dos utilizadores dos serviços de saúde, comunicação entre equipe de saúde e usuários, fraca divulgação dos serviços de saúde mental no município e insuficiente ou nenhum interesse em buscar outras intervenções na busca da melhora na qualidade de vida do cidadão.

4. Considerações Finais

No início das pesquisas para o trabalho de conclusão de curso, tinha-se em mente realizar pesquisa bibliográfica como a campo sobre os efeitos dos psicofármacos nos casos crônico, porém no decorrer dos estudos e leituras realizadas para elaboração de tal material pode-se perceber os benefícios advindos do uso de tais medicações, e seu risco de dependência equivale aos benefícios alcançados, deixando os riscos em segundo plano.

A história da loucura foi o divisor de águas e marco importante para a reforma psiquiátrica, os hospitais psiquiátricos dessa época eram verdadeiros depósitos de uma sociedade doente, pouco instruída e preconceituosa, sendo que os profissionais que deveriam cuidar desses enfermos não obtinham as instruções adequadas quanto as reais necessidades dessa parcela da população, hoje considerado morredouros, nada mais do que um local onde as pessoas eram levadas para morrer, os hospitais psiquiátricos eram locais frios, sujos e com métodos nada ortodoxos no cuidado ao doente mental, foi a partir de Pinel e sua percepção quanto a importância do cuidado e da busca pela humanização do atendimento ao paciente com transtorno que se iniciou a verdadeira revolução no cuidado, bem como a aprimoração dos estudos e na busca incessante de técnicas que pudessem melhorar a qualidade de vida desse indivíduo.

Atualmente todo termo que possa ser pejorativo ao indivíduo acometido por determinado transtorno mental deve ser evitado, no entanto, na antiguidade o comportamento desajustado foi usado como forma de identificar e diagnosticar os normais dos anormais, muito da ideia que toda doença mental vem de causa física fez surgir o cuidado organicista da patologia, já o modelo psicológico vem contra a essa forma de entender o sofrimento do ser humano acreditando que diversos fatores como ambiente, genético, fisiológico e de criação possuem relevância no quadro atual do indivíduo em sofrimento.

Com o surgimento da antipsiquiatria, corrente essa composta por assistentes sociais, psicólogos e médicos que eram contra ao método usado por psiquiatras no trato ao paciente, sendo que vários desses profissionais não sabiam distinguir os sãos dos doentes e tal indagação foi confirmada por David Rosenhan em 1932, ao solicitar que um grupo de pessoas fingisse sofrer de alguma doença mental e que repetissem o vocabulário dos pacientes internados, com isso ficou comprovado à ineficiência na avaliação diagnóstica que eram realizadas nos hospitais da época.

Na atualidade, a doença mental atendida na saúde pública não difere muito dos estudos realizados no passado, pode-se notar que os profissionais de saúde ainda têm medo e dificuldade em recepcionar o paciente com algum tipo de transtorno mais severo, sendo que em muitos casos o paciente é taxado por boa parcela desses funcionários. Através da experiência adquirida na saúde durante sete anos foi possível notar essa mudança no atendimento e nas dificuldades encontradas hoje para a implantação do novo modo de atendimento em saúde mental. Como citado anteriormente os pacientes diagnosticados com depressão, ansiedade ou algum outro tipo de transtorno eram encaminhados ao ambulatório de saúde mental para iniciarem o tratamento, ou darem continuidade após alta de internação e de CAPS, porém vale ressaltar que o atendimento ofertado pelo profissional médico era o mesmo que ocorria no posto de saúde do bairro, no entanto, uma boa parcela da população acreditava ser atendida por um psiquiatra, sendo que na verdade esse profissional era clínico geral.

Após a elaboração do guia de matriciamento no ano de 2011, foi preconizado pelo Ministério de Saúde a implantação do NASF (Núcleo de Atenção à Saúde da Família), o acompanhamento e tratamento de pacientes pela atenção primária a saúde. E foi a partir dessa nova maneira de ver o indivíduo em toda a sua integralidade que percebeu-se a necessidade de realizar tais estudos a respeito desse tema, abordando questões que envolviam usuários de benzodiazepínicos e essa nova forma de atendimento aos casos leves e moderados da saúde mental.

Com base no resultados colhidos durante o período de aplicação das entrevistas ficou evidente a necessidade de regredir o atendimento prestado ao usuário de benzodiazepínico, pois em muitas situações a quantidade de anos e de medicação usada, assim como das queixas apresentadas fez com que muitos clínicos se negassem a prestar o atendimento médico, corroborando assim, a falta de instrução, estigma, pouco ou nenhum interesse em dedicar alguns minutos de seu tempo para escutar e acolher seu paciente. Porém, vale ressaltar que a relação paciente-profissional tem papel quase que fundamental nos resultados obtidos, e é nesse momento que o Psicólogo deve vir como apoio a ambas as partes para acompanhamento, esclarecimento e acolhimento do profissional médico bem como do usuário do serviço ofertado.

Acredita-se que tais pesquisas realizadas a respeito desse tema não terminem por aqui, o Psicólogo necessita ter papel fundamental no acompanhamento e tratamento do paciente, como abordado nas análises de dados, o acolhimento que é realizado no posto de saúde tanto como no ambulatório de saúde mental são as portas de entrada do usuário ao serviço, é na criação desse rapport que o sucesso ou fracasso do atendimento prestado que os resultados irão se espelhar, os grupos terapêuticos surgem como ferramenta importante para o desabafo de todos os envolvidos e por último quando necessário a intervenção médica/medicamentosa.

Fica evidente que estudos mais aprofundados com a população caçadorense, que fazem uso de benzodiazepínicos, são necessários, pois esse grupo deixou claro que em muitas situações iniciam a medicação sem nenhum outro tipo de intervenção, bem como a administração por conta própria quando acham necessário, poucos entrevistados que fazem ou fizeram parte dos grupos terapêuticos contém um visão mais crítica quanto ao uso indiscriminado das medicações e conseguem notar os benefícios conseguidos através da psicoterapia realizada. No entanto, vale ressaltar que assim como o usuário consegue perceber a importância do profissional psicólogo no cuidado ao paciente com sofrimento, todos os outros profissionais, assim como a administração deve reconhecer a necessidade da implantação e reconhecimento, desse profissional.

Sobre o Autor:

Vanessa Cinelli Maceri - Psicóloga, Graduada pela Universidade Alto Vale do Rio do Peixe – Uniarp.

Referências:

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