Psicopatologia nas Interrelações Sociais: Imaginativas, Emotivas e Cognitivas

Psicopatologia nas Interrelações Sociais: Imaginativas, Emotivas e Cognitivas
(Tempo de leitura: 6 - 11 minutos)

Resumo: Objetivo:Reproduzir, através de pesquisa bibliográfica, as Patologias nas interrelações pessoais e sociais do individuo, bem como a busca de entendimento de acordo com afirmações científicas. Metodologia: Pesquisa em livros de autores pertinentes ao tema, descobrindo a história da psicopatologia nos contextos inter-sociais, buscando melhor compreensão sobre o assunto. Esperado Resultado: Segundo a pesquisa bibliográfica, espera-se compreender as psicopatologias sociais e associações delirantes, com adequações às diversas patologias já codificadas.

Revisão Bibliográfica

De acordo com Paim (1993), vários alienistas do século passado descreveram, sob a denominação de “alterações formais do pensamento”, determinadas perturbações que se encontravam em pessoas normais e outras que se manifestavam em portadores de alterações psíquicas. Para Erich Schule e Oswald Binswanger, que estudaram o erro, estabelecendo diferenças entre erros e ideias delirantes, a distinção a princípio não é nada fácil, pois, nos dois casos, trata-se de perturbação do juízo, tanto no erro quanto no delírio. Assim, a ideia delirante só se distingue do erro em virtude de causas e consequências.

Para Storring, a pessoa que incide em erro chega a uma falsa conclusão baseada em supostos não verdadeiros, devido ao curso incorreto de suas ideias. Storring escreveu a esse respeito: “(...) o erro provém em primeiro lugar, da ignorância, e se desenvolve no plano dos fenômenos compreensíveis”, Isso demonstra ao indivíduo que quando ele faz ideias errôneas a respeito do caráter falso de suas afirmações, se sua capacidade intelectual o permite compreender, o mesmo retifica os seus equívocos.

Desse modo, somente a Psicopatologia compreensiva nos oferece os elementos para que possamos fazer a distinção entre erro e delírio. Os erros são geneticamente compreensíveis, admitindo-se o surgimento e persistência em virtude de ignorância, fanatismo religioso ou político. O delírio tem como característica principal a incompreensão.

Um estudo sobre o preconceito, o qual ocupa um lugar de extrema importância em Psicologia e em Psicopatologia, diz que este pode levar o indivíduo ou grupo de indivíduos a praticar atos anômalos, que, por sua natureza, ultrapassam os limites da normalidade. Segundo a psicologia social, os preconceitos representam verdadeiros mecanismos de defesa, com os quais os homens e os grupos se protegem para conseguir autoconfiança e para se tranquilizar em relação àquilo que pode lhes causar inquietação. Os preconceitos podem determinar uma série de comportamentos e atitudes: discriminação, etnocentrismo, racismo, segregação e afastamento. De acordo com Paim (1993), os “indivíduos com preconceitos estão convencidos de que sua ideia é correta, apesar da opinião em contrário de outras pessoas”.

De acordo com Paim (1993) e Pierre Dupré (1862-1921), com a descrição de uma série de quadros clínicos denominados de mitomania, puerilismo e constituição emotiva, reunidos por seus discípulos em um livro, Prof. Dupré foi considerado o iniciador dos estudos sobre “patologia da imaginação”. Dentre as patologias descritas por Dupré como pertencentes ao grupo da “patologia da imaginação” se encontram a “mitomania”, a “simulação” e a “fabulação”. Por mitomania considera-se a “tendência patológica voluntária e consciente à mentira e à criação de fábulas imaginária”. A mitomania pode dar origem a situações médico-legais de maior interesse para o perito em geral e para o alienista em particular, porque certas formas de alienação mental conduzem os doentes a alterar a verdade, criando todos os tipos de situações imaginárias. Para Paim, de acordo com seus estudos sobre os escritos de Dupré, os mitômanos malignos caracterizam-se pelo fato de apresentar “uma série de fabulações orais, escritas ou maquinadas, que seus autores organizam contra outro”, provendo-se, nesta categoria, os mistificadores habituais ou profissionais. “Aqueles com temperamento ou tendência inatos são levados a organizar fábulas destinadas a prejudicar outros e a provocar em suas vitimas uma série de reações, frequentemente prolongadas e complicadas, sempre penosas e dolorosas”. O mistificador conserva o anonimato e goza em segredo, seja só, ou com cúmplices. A mitomania maligna, para Dupré, corresponde ao tipo de psicopatia, descrito por Schneider, como necessitado de valorização, considerando os indivíduos desse tipo como excessivamente vaidosos e que procuram aparentar mais do que são na realidade. Schneider (1891) referiu-se aos estudos sobre a “mentira patológica” afirmando que o sintoma poderia ser observado tanto em pessoas sãs quanto em personalidades anormais. Paim chama atenção para o fato de que, em psicopatologia, a desorientação no tempo está de tal ordem unida à desorientação no espaço como se os dois transtornos fossem de fato a expressão de uma única perturbação.

Tipos Básicos de Desorientação

Desorientação amnéstica – É o enfraquecimento acentuado da memória, acompanhado de desorientação no tempo e no lugar, incapacidade de fixar acontecimentos e orientar-se de maneira adequada, impedindo elaboração das ocorrências na vida cotidiana.

Desorientação Delirante – O enfermo conserva plena lucidez da consciência e compreende os acontecimentos, porém, elaborando de forma distorcida as percepções e lembranças e falseando as situações de espaço e tempo.

Desorientação amencial – Em graves alterações da consciência existe dificuldade de compreensão da situação momentânea. Formas típicas desta desorientação são as alucinações e a imprecisão das percepções que dificultam a orientação correta na situação.

Patologia da Consciência

De acordo com Paim (1993), é difícil precisar onde surgiram os primeiros estudos sobre a consciência. Para a filosofia moderna, a noção de consciência é a de uma “relação da alma consigo mesma”. Paim (1993) relembra que, de acordo com Hurssel, o psicólogo moderno pode definir a consciência como a ciência dos atos psíquicos enquanto unidades concretas de consciência. Pode defini-la também como a ciência da vida de certos indivíduos, sendo a soma total dos momentos da vida a unidade da consciência do indivíduo. Assim, a consciência é composta de atividades psicológicas que constituem as partes da consciência.

Alterações da Consciência

Confusão mental – É uma afecção ordinariamente aguda, ou seja, é o enfraquecimento e dissociação intelectual, que integra a confusão mental. Mais tarde foi definida como uma “síndrome psicopatológica de origem infecciosa ou tóxica”, sendo curável. Entre os fenômenos psíquicos estão: estado de torpor, embotamento, diminuição ou inibição de funções psíquicas.

Obnubilação – De acordo com psiquiatras alemães, seria uma síndrome de transtorno da consciência equivalente ao delírio, à própria amência e ao estado crepuscular. Diminui a clareza do sensório, com lentidão da compreensão, dificuldade de percepção e elaboração das impressões sensoriais. Uma das características da obnubilação é a tendência de adormecer sem sonhar. Não acontece nada de novo para o obnubilado, reinando, em seu interior, o silêncio. Quando não, está ocupado por fragmentos de pensamentos ou por sentimentos imprecisos, que não determinam a tomada de uma atitude ou a ação.

Delírio oniróide - É constituído por visões e cenas em movimento, como no sonho. O enfermo contempla as alucinações visuais como participa delas como um sonâmbulo. As visões podem ser, ora elementares, ora organizadas em cenas animadas, tomando elementos da vida profissional, das ocupações habituais ou de acontecimentos recentes, nos quais o enfermo teve algum tipo de participação. Este tipo de delírio é observado nas enfermidades infecciosas e nas intoxicações, podendo apresentar os mais variados graus, desde simples desvarios noturnos até a manifestação de fuga e a prática do suicídio por defenestração. Na intoxicação alcoólica, observa-se o delírio oniróide de forma aguda e intensa.

Alterações da Consciência do Eu:

Êxtase – É um termo empregado na filosofia antiga, especialmente pelos neoplatônicos, que designa a fase em que a procura intelectual de Deus cede lugar ao sentimento de estreita comunhão com ele, ou mesmo, de identificação. Representa o último grau de ascensão, isto é, a alienação da mente de si mesma. De acordo com Paim (1993), o êxtase é considerado como a condição em que desaparecem os limites entre o interno e o externo.

Transitivismo – Pode ser encontrado na criança, de 4 a 8 anos, caracterizando-se pela “despersonalização transitivista da criança, referindo-se a uma perturbação da organização do tempo e espaço, centralizada mais no setor privilegiado do próprio corpo (imagem de si) do que no espaço interior”. No que se refere ao transitivismo em adultos, pode ocorrer devido a choques emocionais violentos. Os sintomas são acompanhados por angústia.

Despersonalização – Descreve-se como uma síndrome em que há alteração do sentimento de um indivíduo, compreendendo tanto o próprio eu, como o mundo exterior. A despersonalização consiste numa sensação de estranheza, incluindo a personalidade ou o eu, o corpo e o ambiente, acompanhada de um reconhecimento mais ou menos consciente da relação que existe entre o sentimento de estranheza e uma mudança de apreciação.

Paim (1993) faz citação sobre Freud ao abordar o problema da angústia, o qual expôs sua teoria das emoções. Em primeiro lugar, na angústia, há a preparação para enfrentar o perigo que se manifesta pela exaltação da atenção sensorial e da tensão motora. Esse estado de espera ou de preparação é biologicamente útil, visto que, sem ele, o indivíduo ficaria exposto a consequências graves. Caso o desenvolvimento da angústia esteja contido em limites restritos, a angústia não é senão um apêndice, um simples sinal de perigo, tornando o processo de transformação do estado preparo angustioso em ação rápido e racional. Quando, ao contrário, o desenvolvimento do estado de angústia vai além de certos limites, passa a contrariar o objetivo biológico e dá lugar às formas patológicas.

Deve-se reconhecer que, entre os séculos XVII e o final do século XIX, nenhum progresso foi realizado no estudo do sentimento. Para os filósofos do século passado, que dedicaram alguma meditação sobre os sentimentos e a afetividade de um modo geral, algumas classificações em relação aos sentimentos foram codificadas. Apatia em falta de sentimento e de atividade mental; falta de sentimento em incapacidade de sentir emoções - o individuo se sente intimamente morto ou em um estado de vazio afetivo; pobreza congênita dos sentimentos em incapazes de sentir amor, brutais, indiferentes ao próximo e a outros seres vivos. Ao mesmo tempo, revelam pobreza de sentimento em relação a si próprio. Não têm amor, sentimento de culpa, remorso, consciência moral. Casos típicos de “pobreza congênita dos sentimentos” se encontram entre determinados tipos de psicopatia. São chamados de frios de ânimo e se caracterizam, precisamente, por serem ‘indivíduos carentes de compaixão, de vergonha, de pudor, de arrependimento, de consciência moral. Em seu modo de ser, revelam-se toscos, frios, rabugentos. Em seus atos, mostram-se brutais e anti-sociais. Ainda de acordo com estudos históricos de Paim (1993), há as chamadas alterações de vontade, sendo um conjunto de fenômenos psíquicos ou uma “faculdade”, cujo caráter principal se encontra na tendência. Na realidade a vontade se revela sempre e em qualquer circunstância como um tipo de conduta que, de um lado, compreende planos operatórios e definidos e, de outro lado, se adapta aos meios comuns, disponíveis e eficazes.

Principais Alterações da Vontade

Abulia – Caracterização de incapacidade para inação ou impotência do ato volitivo;

Estupor – Suspensão completa de toda manifestação exterior de atividade. O indivíduo se conserva inerte, imóvel, não fala, não se alimenta, não anda nem realiza um simples gesto ou simples movimento.

Excitação – Aumento exagerado das funções psíquicas, às quais se acrescentam, quase sempre, reações de exteriorização verbal e motora;

Impulsos mórbidos – Sob a denominação de “loucura impulsiva”, sendo uma forma de transtorno mental, o individuo age sem que exista uma razão clara. Nessas condições é capaz de praticar uma série de atos inconsiderados, súbitos, involuntários e desprovidos de finalidade.

Atos compulsivos – Tendência mórbida e frequentemente irresistível a executar um ato estereotipado e reiterativo. Ex.: Lavar as mãos a todo instante.

Estereotipia- Acinética: Capacidade de conservar, por um longo período, a mesma posição e a mesma atitude. Ex: permanecer de cócoras ou sobre a ponta dos pés, com os punhos crispados ou com uma das faces fortemente contraída. Paracinéticas: executar um movimento constante e uniforme, durante meses e até anos. Ex: simples movimentos dos dedos e até marchas estereotipadas.

Negativismo – Consiste em praticar de modo contrário tudo aquilo que lhe é solicitado do mundo externo. Ex: Ao levantar o braço do enfermo, uma contração muscular antagonista se opõe energicamente. Ao tentar vencer esta resistência, o braço ou a mão retorna à posição anterior;

Sugestibilidade Patológica – O enfermo atende não só às sugestões verbais, mas adota as solicitações procedentes do exterior, sendo que a solicitação do meio externo consiste em uma ordem motora. Por exemplo, quando se levanta o braço do doente, o membro ou o segmento do membro permanece fixo no ar, na posição em que foi abandonado.

Conclusão

Com a pesquisa bibliográfica foi possível identificar os diversos tipos de patologia nas inter-relações sociais, abrangendo suas formas imaginativas (alucinatórias ou delírio, emotivas e cognitivas), permitindo assim, o estudo de teorias que envolvem certas patologias em nosso cotidiano.

Dessa forma, o profissional, psiquiatra ou psicólogo, pode identificar com mais clareza tais patologias, abrangendo seu leque de conhecimento. No contexto de graduação acadêmica, permite ao acadêmico a inserção intelectual para futuros estudos e pesquisas, para que indivíduos com tais transtornos possam ser beneficiados com tais descobertas.

Referências:

BINSWANGER, O. Tratado di Psichiatria. Milano, Casa Editrice Dottor Francesco Vallardi, 1927.

BLEULER, E. Tratado de Psiquiatria. Madrid. Espasa-Calpe, 1924.

DUPRE, E. – Pathologie de I’imagination ET de I’emotivité. Paris, Payot, 1925.

PAIM, I. História da psicopatologia. Isaías Paim, São Paulo: EPU, 1993.

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