Representações Sociais e Práticas da Equipe de Enfermagem em Relação ao Cuidado de Pacientes Psiquiátricos

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Resumo: Foi realizado um estudo qualitativo com a proposta de verificar e compreender as representações e práticas do profissional de enfermagem no cuidado com pacientes psiquiátricos, conforme os pressupostos da reforma psiquiátrica. Foram entrevistados seis profissionais da equipe de enfermagem que atuam em instituições privadas. Para a coleta de dados foram utilizadas entrevistas semi-estruturadas e registro em diário de campo. Os dados foram analisados e categorizados. As discussões dos resultados foram alicerçadas em autores que discorreram sobre a prática de enfermagem em instituições psiquiátricas em um estudo histórico-social. Os dados evidenciaram que a enfermagem enfrenta dificuldades no âmbito institucional, tais como falta de reconhecimento, remuneração incompatível, carga de trabalho excessiva, falta de investimento, que contribuem para uma indefinição do papel destes profissionais dentro da instituição psiquiátrica. Concluiu-se que, mesmo com dificuldade em definir seu papel na instituição e com desconhecimento teórico da chamada Reforma Psiquiátrica, a equipe de enfermagem atua de acordo com o movimento Antimanicomial e necessita de melhores condições de trabalho, a fim de potencializar a obtenção de sucesso no tratamento e reinserção do paciente psiquiátrico.

Palavras-chaves: Reforma psiquiátrica, enfermagem psiquiátrica, representações sociais.

1. Apresentação

O presente trabalho volta-se para o universo real em que os pacientes psiquiátricos se encontram, e busca compreender as representações sociais e práticas dos enfermeiros no cuidado desses pacientes, e a contribuição através do cuidado e acolhimento para sua reinserção social, já que poderá exercer grande influência em sua adaptação ao ambiente hospitalar, devido a sua proximidade.

Pensando nisso, é de suma importância levantar o contexto histórico da enfermagem e seu processo de desinstitucionalização com a reforma psiquiátrica.

2. Introdução

2.1. Enfermagem Psiquiátrica

Segundo Souza et al (2005), desde os primórdios da humanidade, a loucura tem sido abordada e tratada de acordo com o momento histórico. A enfermagem psiquiátrica surge dentro das instituições prestando assistência voltada à medicalização, contenção e vigilância dos pacientes de modo indiscriminado, configurando um modelo assistencial hospitalocêntrico excludente, cronificador, segregador e ineficaz, que considera o indivíduo exclusivamente em sua condição de doente, na condição de portador de uma doença mental.

A partir dos anos 70, o Brasil iniciou um processo de reestruturação da aprendizagem e da prática psiquiátrica conhecida como Reforma Psiquiátrica que busca implementar uma rede integrada de serviços centrada na convivência com as diferenças e no respeito e reconhecimento dos portadores de sofrimento psíquico como cidadãos (AMARANTE, 1998).

No processo de atenção psicossocial, é preciso compreender o que o enfermeiro que atua no campo da saúde mental entende por reabilitação psicossocial e que ações no seu processo de cuidar podem ser entendidas como favorecedoras dessa estratégia. Para que ocorra uma assistência de qualidade segundo as necessidades da reabilitação no contexto da reforma psiquiátrica, o enfermeiro deve estar preparado para cuidar do doente mental, dentro e fora da instituição psiquiátrica, levando sempre em consideração que se trata de um ambiente em constantes mudanças e conseqüentemente exige ainda mais do profissional (SOUZA et al 2005).

O cuidado de enfermagem em saúde mental vem passando por importantes transformações nas últimas décadas, e, com isso, novas práticas estão sendo assimiladas por esse novo profissional, na tentativa de aperfeiçoar a assistência integral ao doente mental, em face das novas diretrizes da política nacional de saúde mental (OLSHOWSKY  et al, 2005).

Conseqüentemente, os profissionais de enfermagem em saúde mental têm sentido necessidade de refletir sobre suas ações, sendo necessário implementar ações e qualificação dos trabalhadores nessa área tendo como diretrizes para as suas intervenções o acolhimento, o vínculo, a responsabilidade, a interdisciplinaridade, a integralidade e humanização da atenção, e resolutividade para as demandas dos serviços de saúde e o permanente repensar das práticas assistenciais e das relações estabelecidas na equipe com usuários e familiares (OLSHOWSKY et al, 2005).

Dentro do hospital psiquiátrico ou em outro tipo de serviço de atendimento em saúde mental, o enfermeiro tem um papel importante como terapeuta, atuando junto aos pacientes e coordenando toda a equipe. Porém, o enfermeiro encontra grandes dificuldades no desempenho de suas funções devido à falta de verba e funcionários, burocracia, falta de treinamento e a própria política da instituição que subordina o profissional, diminuindo suas capacidades criativas no contexto da instituição (OLIVEIRA et al, 2005).

Pode-se observar na prática a dinâmica da assistência no hospital psiquiátrico, que não permite ao paciente reencontrar sua trajetória pessoal e dar sentido para sua vida, prejudicando ainda a possibilidade de intervenção imediata da reabilitação psicossocial após a alta. E ainda cerceia a compreensão empática do profissional enfermeiro relacionada ao sofrer psíquico do paciente e dificulta as intervenções para solucionar os problemas considerando o contexto biopsicossocial do paciente (OLIVEIRA et al, 2005).

As práticas da enfermagem acompanham a evolução em sociedade do homem. De início, tais atividades estavam ligadas ao misticismo e à religiosidade. Na Grécia antiga, segundo Geovanini (2005), as práticas de saúde eram exercidas pelos sacerdotes que mediavam a cura entre os deuses e o doente.

Ainda nesta época, alguns registros apontam para a presença de mulheres da alta sociedade auxiliando no cuidado dos doentes junto aos sacerdotes nos templos e uma divisão social no tratamento da saúde de membros da elite e pobres, sendo estes últimos atendidos por uma gama de sacerdotes menos preparados para o exercício da função (GEOVANINI, 2005).

No período conhecido como hipocrático, destacou-se a figura do filósofo grego Hipócrates que propôs uma nova concepção em saúde, enfatizando a utilização do método indutivo, da inspeção e da observação, destacando a importância do diagnóstico e prognóstico e da terapêutica para o cuidado do doente (GEOVANINI, 2005).

Na era Medieval, as práticas de saúde voltam a ter um cunho místico- religioso, tendo como centro a figura de Cristo, em favor do qual, muitas pessoas voltam-se à caridade cuidando dos enfermos.  Foi com o surgimento das ordens religiosas que a prática da enfermagem começou a aparecer, sendo exercida principalmente por mulheres. O ensino, nesta época, era essencialmente prático e desenvolvido em orfanatos, residências e hospitais (GEOVANINI, 2005).

O autor destaca que:

“Por muitos séculos, a enfermagem foi praticada dessa maneira pelas mãos de religiosas e abnegadas mulheres que dedicavam suas vidas à assistência aos pobres e doentes. As atividades eram centradas no fazer manual e os conhecimentos transmitidos por informações acerca das práticas vivenciadas (...) foi um período que deixou como legado uma série de valores que, com o passar dos tempos, foram, aos poucos, legitimados e aceitos pela sociedade como características inerentes à Enfermagem.”
(GEOVANINI, 2005, p. 15)

O período da Renascença não exerceu influência científica sobre a enfermagem, esta continuou sob o domínio religioso permanecendo como uma prática empírica e desarticulada. Entretanto, com a reforma protestante, os hospitais religiosos entraram em decadência, a prática da enfermagem passou a ser realizada por mulheres de castas menos prestigiadas que dentro dos hospitais confundiam o trabalho de enfermagem com práticas domésticas, gerando um desprestígio da profissão (GEOVANINI, 2005).

Na Modernidade, a necessidade de manutenção da mão de obra, os hospitais passaram a exercer importante papel, incorporando as práticas de normatização Tayloristas. Com esta institucionalização, a enfermagem incorporou as ações burocráticas que favoreciam o controle da instituição, essas práticas administrativas passaram a fazer parte da prática do enfermeiro que, aos poucos, viram-se em meio a instrumentos normativos e regimentais que o afastaram da assistência direta ao doente (GEOVANINI, 2005).

Florence Nightingale (1810-1910) postula as concepções teórico-filosóficas baseadas nos conceitos fundamentais do ser humano, meio ambiente, saúde e enfermagem.

“Florence enfatizou em seus livros que a arte de enfermagem consistia em cuidar tanto dos seres humanos sadios como dos doentes, entendendo como ações interligadas da enfermagem, o triângulo cuidar-educar-pesquisar (...) considerou que o conhecimento e as ações de enfermagem são diferentes das ações e conhecimentos médicos, uma vez que o interesse da enfermagem está centrada no ser humano sadio ou doente e não na doença e na saúde propriamente ditas.”
(GEOVANINI, 2005 p. 26)

Nightingale fundou uma escola de enfermagem no Hospital Sant Thomas, que serviu de modelo às demais escolas. As aulas eram ministradas por médicos que decidiam quais de suas funções poderiam ser delegadas aos enfermeiros. A enfermagem firmou-se como uma prática feminina, assalariada e específica, subordinada ao saber médico (GEOVANINI, 2005).

No Brasil, as práticas de saúde eram realizadas, inicialmente, pelos curandeiros indígenas, pelos sacerdotes e jesuítas. A prática de enfermagem nesta época caracterizava-se por ser uma atividade doméstica e empírica, com pouca técnica e exercida em sua maioria por pessoas do sexo masculino.

A primeira escola de enfermagem brasileira foi fundada no Rio de Janeiro, através do Decreto Federal 791 de 27 de setembro de 1890, chamada de Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras, atualmente conhecida como Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, pertencente à UNIRIO. O curso nesta escola estava de acordo com os modelos de Salpetière na França e tinha duração de dois anos. Como em outras sociedades, em todos os cursos de enfermagem, o ensino era determinado pelo médico, bem como a direção do curso, sendo esta última delegada a enfermeiros apenas recentemente (GEOVANINI, 2005).

Em 1923 foi estabelecida no Brasil a primeira escola de enfermagem pautada no modelo americano denominada Anna Nery. Esta escola selecionava para seu quadro moças da alta sociedade, determinando a divisão do trabalho, sendo que às enfermeiras da Escola Anna Nery eram delegadas as atividades com maior complexidade intelectual, formando uma imagem elitista da profissão (GEOVANINI, 2005).

A partir da década de 60, com o aumento da privatização do setor de saúde, os profissionais de ensino superior passaram a atuar em maior número nos hospitais privados, enquanto que, a fim de diminuir gastos, o setor público de saúde passa a promover a formação de técnicos e auxiliares, o que na opinião da autora, fragmenta o trabalho de enfermagem, sendo delegados aos enfermeiros as atividades administrativas e burocráticas da instituição, enquanto que o cuidado direto ao cliente fica a cargo dos técnicos e auxiliares (GEOVANINI, 2005).

Atualmente, a enfermagem divide-se em duas posições diferenciadas, uma gama de trabalhadores especializa-se cada vez mais para atender as demandas médico-hospitalares, enquanto que uma outra parte age em busca do resgate da saúde pública brasileira (GEOVANINI, 2005).

A enfermagem psiquiátrica no Brasil acompanha a manicomização da loucura. Aos enfermeiros eram delegadas as funções de contenção e vigilância. Nos hospitais psiquiátricos as irmãs de caridade foram dispensadas de suas atividades junto aos pacientes, a fim de se evitar o tratamento enviesado por preconceitos religiosos, e foram substituídas por enfermeiras leigas, vindas da Europa. Às irmãs delegaram-se os trabalhos administrativos e econômicos (MOREIRA, 2005).

2.2. Reforma Psiquiátrica

Segundo Silva et al (2004), os processos saúde-doença e ensino-aprendizagem são partes que determinam a superação ou a manutenção do modelo hegemônico da saúde mental. Críticas sobre esta configuração resultaram em um projeto político e social que pode ser denominado Reforma Psiquiátrica.

Tratando-se de um movimento social, Melucci (1996) contribui oferecendo um método de compreensão. Para o autor, os movimentos sociais podem ser conceituados como ações coletivas, de caráter heterogêneo e complexo, que buscam expor um conflito existente e necessariamente forçam a ruptura dos limites do sistema ao qual a ação se refere. Também dirá que:

“Os movimentos sociais são como profetas do presente pois anunciam a mudança possível, não para um futuro distante, mas para o presente da nossa vida. Obrigam o poder a tornar-se visível e lhe dão, assim, forma e rosto. Falam uma língua que parece unicamente deles, mas dizem alguma coisa que os transcende e, deste modo, falam para todos.”
(MELUCCI, 1996, apud LÜCHMANN et al, 2007, p. 400)

A partir do Movimento da Reforma Psiquiátrica brasileira no final da década de 70, uma política de assistência Psiquiátrica foi criada, trazendo mudanças significativas. Essa nova proposta considera a intervenção no espaço social e busca outro significado para a loucura dentro da cultura tradicional, assim como o Movimento Antimanicomial, que também buscou a transformação do modelo asilar da assistência. Conforme Foucault (2007), o modelo assistencial psiquiátrico na constituição da ordem asilar e no isolamento do mundo exterior ofereceu uma modalidade de tratamento que exclui e priva o sujeito da liberdade e dos direitos de cidadania.

As transformações ocorridas e a ocorrer são amplas e buscam retornar ao sujeito a capacidade de ser. Lobosque (1997), diz que se trata de um movimento em prol da constituição da cidadania, cujos militantes, buscam fazer circular no tecido social as indagações e os impasses suscitados pelo convívio com a loucura.

Para Queiroz (2007), ao submeter a uma internação psiquiátrica asilar, ao tratamento manicomial, se exclui e encerra a própria condição humana do louco. Ele perde não apenas a sua capacidade de participação política, mas também é excluído, segregado e privado de exercer sua liberdade.

Lüchmann e Rodrigues (2007) afirmam que o que se discute é a reapropriação do sujeito, do sentido e da motivação humana, da capacidade de forjar sua própria identidade, e escapar do controle que diz respeito aos códigos e sentidos predominantes acerca do louco e da loucura exercidos pela instituição.

2.3. Representações Sociais

Com os significativos trabalhos de pensadores como Lundberd, Kantor e Mead, uma modalidade de conhecimento é reconhecida como dentro dos moldes científicos. Trata-se da Psicologia Social. Dentro desse processo surgiram modelos de compreensão e, ao longo do século XIX viu-se crescer um interesse em torno da manifestação psicossociológica, decorrente do forte interesse sobre as bases da comunicação e da linguagem. Ainda conforme o autor, na evolução da psicologia social se confere um modelo com raízes na idéia de Durkheim de que o homem se concebe por meio de suas representações (SANTOS, apud VALA, 2006).

Um importante colaborador no estudo das representações sociais é Serge Moscovici, que em suas obras comparou os estudos realizados pelas ciências sociais e pela psicologia, buscando aprofundar e precisar mais a noção de representação coletiva. Moscovici (1978) diz que as representações sociais, tal como as ideologias – ressaltando que são idéias diferentes –, não costumam estabelecer-se como objetos de concepções empíricas e não concorda com o entendimento clássico sobre os fenômenos de representação, mas toma a representação como um processo que torna possível a equivalência entre a percepção e o conceito, pois se afetam mutuamente. Segundo ele, as representações sociais são produzidas coletivamente e são geradoras da realidade. Uma representação é constituída na tensão entre o imaginário e o simbólico, e tem como função a elaboração de comportamentos e de comunicação. Também afirma que é através das significações presentes na atmosfera social que os indivíduos interpretam e constroem sentidos e conhecimento.

Sistematizando o campo das Representações Sociais e dando continuidade às idéias de Moscovici, Jodelet (1989) afirma que:

“O conceito de Representação Social designa uma forma específica de conhecimento, o saber do senso comum, cujos conteúdos manifestam a operação de processos generativos e funcionais socialmente marcados; mais amplamente, designa uma forma de pensamento social.”
(JODELET,1989, p.361,2)

Conforme More et al  (2001), existem dois processos importantes na formação das representações sociais, a ancoragem e a objetivação, e são ambos aspectos constitutivos de um movimento único e dinâmico. A ancoragem consiste na integração cognitiva do objeto representado a um sistema de pensamento social pré-existente e nas transformações implicadas neste processo (Jodelet, 1984). Já a objetivação, é uma operação imaginante e estruturante, pela qual se dá forma ao conhecimento, tornando concreto o conceito abstrato e materializando a palavra (Jodelet, 1984).

Moscovici (1984), dirá que objetivar e reproduzir um conceito em uma imagem seria também reabsorver um excesso de significado e afirma que as representações sociais correspondem tanto à substância simbólica que entra na sua elaboração quanto à prática que produz essa substância, ou seja, as representações sociais são compartilhadas socialmente.

Procurou-se neste capítulo, levantar referenciais e compor essa breve explanação do conceito das representações sociais, uma vez que vai ao encontro de nosso objetivo de pesquisa e oferece embasamento teórico para as reflexões que seguirão a partir dos dados coletados.

3. Objetivos

3.1. Geral

Verificar e compreender quais são as práticas dos profissionais da enfermagem quanto ao cuidado com pacientes psiquiátricos, conforme os pressupostos da reforma psiquiátrica, além das representações sociais envolvidas.

3.2. Específicos

Pontualmente, este trabalho teve como intenção investigar a representação que o profissional de enfermagem tem acerca de si, verificando se sua prática está de acordo com a proposta da reforma psiquiátrica, e também se o enfermeiro que trabalha com psiquiatria tem dificuldade em definir qual é o seu papel.

4. Hipótese

Partimos da hipótese de que, a despeito de todas as representações sociais envolvidas com a questão da loucura, os enfermeiros mantém sua prática ligada às contestadas pelo movimento antimanicomial.

5. Justificativa 

Consideramos que apesar de se existir uma constituição que defende a cidadania, na prática sua aplicação não é garantida. O desrespeito desses preceitos constitucionais pode ser visto em vários movimentos da história, e ainda hoje, com todas as mudanças, é importante ressaltar que o tratamento prestado ao doente mental não é o mais adequado, o que pode ser tomado como causa de indignação.

 Portanto, é de fundamental importância refletirmos sobre a problemática do assunto, que atinge diretamente tanto paciente quanto profissionais envolvidos. O modelo de equipes multiprofissionais exige a articulação eficiente entre seus componentes, o cuidado que oferecem visa reinserir sujeitos na sociedade e melhores resultados estão intimamente ligados ao esforço conjunto.

Na saúde mental, o profissional de enfermagem encontra-se próximo ao paciente, em um contato privilegiado, portanto é interessante pensar sua interação e fornecer referenciais úteis para o auxílio dos profissionais, além de colaborar para a reinserção social dos pacientes.

A Reforma Psiquiátrica identifica-se por uma série de ações políticas e legais que regulamentam a assistência aos usuários do sistema de saúde mental. Juntamente com a reforma, o movimento antimanicomial, promovido pelos profissionais que atuam com saúde mental, é marcado pela mudança de atitude e concepção frente ao sofrimento psíquico e se expressa pelo cuidado dispensado ao paciente psiquiátrico.

Na história da enfermagem pode-se perceber que, inicialmente, a assistência consistia basicamente no cuidado direto ao paciente. Com o passar do tempo os profissionais de enfermagem foram adquirindo responsabilidades administrativas que os afastaram da proposta fundamental do seu trabalho. Em relação à enfermagem psiquiátrica, além do papel de administrador do hospital, somou-se a função de contenção e vigia do paciente.

Diante desse quadro faz-se necessário a busca de informações para uma reflexão acerca da relação da equipe de enfermagem frente ao sujeito com sofrimento psíquico, buscando-se compreender o papel da enfermagem dentro das novas concepções de assistência ao sujeito com sofrimento mental.

Os pesquisadores vêem na ciência psicológica, em especial na Psicologia social, através do estudo das representações sociais, uma possibilidade de compreensão e reflexão a respeito da desconstrução das concepções existentes que interferem diretamente e, possivelmente, justificam a prática dos profissionais de enfermagem em saúde mental.

6. Epistemologia e Métodos

Segundo Grubits (2004), os discursos dos sujeitos durante a realização da pesquisa qualitativa abarcam a própria realidade e o comportamento humano não deve ser apenas descrito, mas também é necessário compreender o significado de suas ações, o que caracteriza o método qualitativo como subjetivo e interpretativo. Além disso, o mesmo autor considera que existem realidades múltiplas e que com isso o foco torna-se complexo e amplo, levando o pesquisador a empenhar-se no respeito da singularidade dos participantes da pesquisa. Para complementar esse diálogo existente entre a pesquisa qualitativa e as informações de substância menos concretas e tão logo subjetivas, Mead (1936) entende que o processo que o indivíduo estabelece com a sociedade tem a qualidade de interação simbólica, apoiando a idéia de que o indivíduo através de suas vivências correlaciona os fatos e os interpreta atribuindo significados a eles, levando em considerações aspectos culturais, socioeconômicos e sua história de vida.

Minayo (2006) corrobora dizendo que a pesquisa qualitativa “visa compreender a lógica interna de grupos, instituições e atores quanto à: valores culturais e representações sobre sua história e temas específicos; relações entre indivíduos, instituições e movimentos sociais; processos históricos, sociais e de implementação de políticas públicas e sociais.” (p. 23)

Segundo Rey (2005),

“A abordagem qualitativa no estudo da subjetividade volta-se para elucidação, o conhecimento dos complexos processos que constituem a subjetividade e não tem como objetivos a predição, a descrição e o controle.”
(REY, 2005, p.48)

Tal posicionamento configura a essa modalidade de investigação científica um lugar diferente do pressuposto comum e predominante de produção do conhecimento, onde este é entendido como útil para a previsão e controle de variáveis e atribuindo a incumbência de efetivamente tecer para compor saberes.

Ainda conforme Minayo (1994), a pesquisa qualitativa possibilita maior alcance e capacidade de incorporação de elementos da realidade. A autora apóia a idéia de que ao se ampliar as bases conceituais incluindo o social e o subjetivo como elementos constitutivos, as ciências da saúde não se tornam menos científicas, pelo contrário, elas se aproximam com maior luminosidade dos contornos reais dos fenômenos que abarcam (p. 31). A abordagem dialética procura envolver o sistema de averiguação da realidade, o conhecimento exterior ao sujeito e também as representações sociais, isso porque visa buscar a compreensão e a relação do fenômeno como um todo, já que o interior e o exterior são partes imanentes da construção da realidade social (MINAYO, 1994).

Quando se aceita o modelo qualitativo não necessariamente se busca desvalorizar ou refutar o modelo quantitativo, pois ambas as metodologias fornecem recursos para o trabalho em pesquisa social. A intenção do pesquisador estando voltada para apreender fenômenos estatisticamente, o que abordará a região visível, ecológica, morfológica e concreta, ou, o aprofundamento no mundo do significado, das ações e relações humanas é o que distingue uma abordagem da outra e o contexto onde cada qual se aplica mais adequadamente (MINAYO & SANCHES, 1993). Logo, as duas modalidades de pesquisa são pertinentes e necessárias por suas particularidades, e permitem cada qual sob a compreensão de suas técnicas e fundamentações a aproximação da realidade, mas não são suficientes para uma assimilação completa desta, possuem natureza diferenciada, mas se complementam na compreensão da realidade social (MINAYO & SANCHES, 1993).

Conforme os mesmos autores, um bom método será sempre aquele, que permitindo uma construção correta dos dados, ajude a refletir sobre a dinâmica da teoria. Portanto, além de apropriado ao objeto da investigação e de oferecer elementos teóricos para a análise, o método tem que ser operacionalmente exequível (p. 239).

6.1. Sujeitos

Pretendendo uma investigação que ofereça dados confiáveis pertinentes ao tema da pesquisa, se constituíram como sujeitos uma amostra de seis indivíduos profissionais da equipe de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares), atuantes na área de saúde mental, de ambos os sexos, com faixa etária entre 25 e 55 anos.

6.2. Local

Os locais selecionados para a realização da pesquisa foram clínicas particulares, que atendem pacientes psiquiátricos e dependentes químicos, situados na região metropolitana de São Paulo, Taboão da Serra e Embú-Guaçu.

6.3. Instrumentos

O instrumento utilizado para a realização da pesquisa foi um roteiro de entrevista semi-estruturado (ver Anexo 1). Esse instrumento favorece tanto a abertura para que o sujeito possa expor suas compreensões acerca de suas representações e práticas no cuidado dos pacientes, quanto a possibilidade dos pesquisadores aprofundarem o tema abordado, de acordo com os discursos dos sujeitos. Segundo Minayo (1994), essa alternativa instrumental possibilita uma relação entre os modelos livres, ou não-estruturados, e os estruturados, oferecendo ao entrevistado maior liberdade e consideração do mesmo enquanto sujeito-objeto da pesquisa que vivencia determinada realidade que está sendo focalizada.

6.4. Aparatos de Pesquisa

Foram utilizados os seguintes aparatos: dois gravadores, caneta e bloco de anotações, computador.

6.5. Procedimentos de Condução da Pesquisa

Após a escolha do local, a instituição foi contatada mediante apresentação do projeto e diante da autorização, os sujeitos foram convidados a participar da pesquisa e as entrevistas foram agendadas.

Os pesquisadores se revezaram em duplas para realização das entrevistas, sendo um entrevistador – responsável pelas entrevistas; e um observador – responsável em anotar as reações e comportamentos. O objetivo foi não deixar os sujeitos expostos a uma situação ansiógena.

A entrevista semi-estruturada tem como proposta dar liberdade tanto ao sujeito quanto ao entrevistador, de modo que possa dar condições ao primeiro de expressar-se livremente e ao segundo de interagir no discurso, buscando uma melhor compreensão da questão.

Foi utilizado o gravador, mediante autorização do sujeito através do TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), no intuito de registrar a entrevista, para posterior transcrição e melhor análise dos dados.

Durante a entrevista, o observador utilizou bloco de notas e caneta para anotar as reações comportamentais relevantes do sujeito.

Posteriormente, as entrevistas foram transcritas com o auxílio do computador.

Por fim, todo material foi analisado buscando assim responder os objetivos da pesquisa.

6.6. Procedimentos Éticos

Tendo em vista a resolução do CFP 16/2000 que rege a realização de pesquisas com seres humanos, este projeto teve de prover aos sujeitos participantes esclarecimento acerca dos objetivos da pesquisa, do sigilo e uso acadêmico das informações colhidas e do caráter voluntário de sua participação, sendo informado da possibilidade de desistência a qualquer momento da pesquisa.

Ainda conforme versado no Artigo 3º da mesma resolução:

“é obrigação do responsável pela pesquisa avaliar os riscos envolvidos, tanto pelos procedimentos, como pela divulgação dos resultados, com o objetivo de proteger os participantes e os grupos ou comunidades às quais eles pertençam.”

Portanto, a elaboração do instrumento de pesquisa e a postura a adotada pelos pesquisadores buscaram preservar os sujeitos de qualquer situação que pudessem representar exposição e risco aos mesmos.

Os nomes dos sujeitos foram ocultados, dessa forma sempre serão apresentados ao longo deste trabalho por signos alfabéticos.

Assim, sob as convenções éticas firmadas neste capítulo, não foi necessário oferecer suporte psicológico para prevenir angústias ocasionalmente despertadas pela pesquisa.

6.7. Procedimentos Analíticos

Para a análise dos dados, optou-se pela Análise de Conteúdo (AC). A AC é um tipo de análise usada para compreender os significados indo além da leitura simples de um material. Pode ser utilizada para analisar textos diversos, escritos e falados. Segundo Ferreira (2003), tudo o que é visto ou falado, pode ser submetido à análise de conteúdo.

Segundo Minayo (2006):

“Todo esforço teórico, seja na lógica quantitativista ou qualitativista, visa ultrapassar o nível do senso comum e do subjetivismo na interpretação e alcançar uma vigilância crítica ante a comunicação de documentos, textos literários, biografias, entrevistas ou resultados de observação.”
(MINAYO, 2006 p. 308)

 Este sistema de análise de dados surgiu nos Estados Unidos, na I Guerra Mundial, com o intuito de analisar e controlar o material da imprensa. É uma interpretação cifrada do material coletado, buscando regularidades da fala, formando assim as categorias.

A AC é dividida em três fases, sendo a primeira Pré-Análise, que tem como princípio uma leitura flutuante, repetitiva, buscando trechos significativos do material coletado; a segunda fase denomina-se Corpus, onde é realizada a construção das categorias; e por fim, a Exploração do Material, que são os núcleos de compreensão dos textos, a relação quantitativa e qualitativa. Nessa fase podemos comparar o material com os autores bibliográficos escolhidos na construção teórica.

 Segundo Rocha e Deusdará (2005), o objetivo da Análise de Conteúdo é procurar compreender os objetivos dos estudos desenvolvidos a luz do que se convencionou chamar Análise de Conteúdo, quer dizer, acima de tudo, explicitar os rumos assumidos pelas práticas de leitura de textos no campo das ciências. Optar por caminhos que garantam sua legitimação nos conduz a reflexão sobre um pressuposto: uma dada concepção de ciência, herdeira da tradição iluminista, da sustentação as opções feitas pela Análise de Conteúdo.

Para Bardin (1977), a Análise de Conteúdo se define como um conjunto de técnicas de analise das comunicações que aposta no rigor do método como forma de não se perder na heterogeneidade de seu objeto.

Minayo (1994) propõe uma interpretação qualitativa de dados adequada a este estudo, a qual ela chama de método hermenêutico-dialético. A autora também entende que os resultados de uma pesquisa em ciências sociais constituem-se sempre numa aproximação da realidade social, que não pode ser reduzida a nenhum dado de pesquisa.

Gomes (1994) destaca dois pressupostos desse método de análise:

“[...] O primeiro diz respeito à idéia de que não há consenso e nem ponto de chegada no processo de produção do conhecimento. Já o segundo se refere ao fato de que a ciência se constrói numa relação dinâmica entre a razão daqueles que a praticam e a experiência que surge na realidade concreta. [...].”
(GOMES, 1994, apud MINAYO et al, 1994, p. 77)

Conforme Guerra (2006):

“É um pressuposto que a análise de conteúdo é uma técnica e não um método, utilizando o procedimento normal da investigação – a saber, o confronto entre um quadro de referência do investigador e o material empírico recolhido. Nesse sentido a análise de conteúdo tem uma dimensão descritiva que visa dar conta do que nos foi narrado e uma dimensão interpretativa que decorre das interrogações do analista face a um objecto de estudo, com recurso a um sistema de conceitos teóricos-analíticos cuja articulação permite formular as regras de inferência.”
(GUERRA, 2006, p. 62)

Uma das características da AC é a inferência realizada a partir dos dados obtidos, em Campos (2004), encontramos:

“A análise de conteúdo como conjunto de técnicas se vale da comunicação como ponto de partida. Diferente de outras técnicas como a estocagem ou indexação de informações, crítica literária, é sempre feita a partir da mensagem e tem por finalidade a produção de inferências.”
(CAMPOS, 2004 p. 611).

Entendendo o ato de inferir como a realização de uma operação lógica, pela qual se admite uma proposição em virtude de sua ligação com outras proposições já aceitas como verdadeiras (BARDIN apud CAMPOS, 2004 p. 611).

Campos (2004), continua:

“Produzir inferência, em análise de conteúdo significa, não somente produzir suposições subliminares acerca de determinada mensagem, mas em embasá-las com pressupostos teóricos de diversas concepções de mundo e com as situações concretas de seus produtores ou receptores. Situação concreta que é visualizada segundo o contexto histórico e social de sua produção e recepção.”
(CAMPOS, 2004 p. 611)

Em suma, a técnica de Análise de Conteúdo oferece a possibilidade de obter indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos à produção e recepção de mensagens, possibilitando mapear aspectos particulares para se chegar ao que é geral e compartilhado em um dado contexto social e histórico.

7. Resultados

As seis entrevistas foram realizadas em duas instituições privadas de saúde mental, aqui denominadas como Instituição I e Instituição II. Foram coletadas quatro entrevistas na Instituição I e duas entrevistas na Instituição II.

Conforme prescrito nos procedimentos, antes de iniciar as entrevistas, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi apresentado a cada participante, com o objetivo de esclarecer o propósito do trabalho e oferecer tranquilidade aos entrevistados quanto às informações prestadas.

No dia 23 de maio, foram realizadas quatro entrevistas com profissionais de enfermagem na Instituição I. Fomos recebidos pelo segurança da clínica, e encaminhados até a recepção, onde aguardamos a chegada dos profissionais que participaram das entrevistas.

A primeira entrevista foi realizada com uma das auxiliares, a mesma chegou e informou que estava disponível naquele momento e que outros profissionais viriam na sequência. A entrevista foi conduzida por dois dos pesquisadores, na recepção da clínica.  O local era amplo, porém não oferecia privacidade, nem para os pesquisadores, nem para a entrevistada, pois a qualquer momento poderiam chegar familiares dos pacientes e outros profissionais também poderiam passar pelo local. Com relação à entrevistada, foi possível perceber que sentia pressa e não estava à vontade, ficou em pé durante toda a entrevista. No decorrer da conversa, a participante se emocionou ao falar do seu trabalho e da relação com os pacientes.

A segunda entrevistada chegou em seguida, levou-nos até o auditório ao lado da recepção. Neste local são realizadas palestras e apresentações aos pacientes, era uma sala ampla que ofereceu boa condição para as entrevistas. A participante é técnica em enfermagem e foi entrevistada por outros dois pesquisadores. Quanto ao estado emocional, apresentou-se bastante segura ao responder e discorreu sobre seu trabalho com objetividade.

Também no auditório entrevistamos a terceira participante que era a Chefe de Enfermagem da clínica. Assim como já tínhamos conversado por telefone, informamos novamente o objetivo do trabalho e falamos sobre o termo de consentimento. A mesma se mostrou disponível, falou detalhadamente sobre seu trabalho e parecia sentir-se a vontade com a nossa presença.

O último entrevistado era auxiliar de enfermagem, único participante do sexo masculino. Ele chegou à sala aparentando nervosismo. Perguntamos se poderia nos responder algumas questões. O mesmo perguntou se ia demorar. Informamos que não, pois eram poucas perguntas. O participante parecia incomodado, falava baixo, com as mãos e voz trêmulas, segurava um molho de chaves e não parava de mexê-lo. Respondeu com objetividade e parecia querer que a entrevista acabasse logo.

Em 30 de maio, foram realizadas duas entrevistas na Instituição II. Essa segunda instituição possui três unidades de atendimentos, direcionadas à pacientes psiquiátricos e dependentes químicos.

A primeira entrevista foi realizada na unidade 3. O espaço utilizado foi a enfermaria. Fomos bem recebidos pela participante, que mostrou disponibilidade para os pesquisadores através de sua postura comunicativa. A mesma estava em horário de plantão e sozinha, mas demonstrou disponibilidade. Ouviu atentamente a leitura do TCLE, e com a mesma atenção ouvia as perguntas. Em algumas questões, gesticulava com mãos e braços. Durante a entrevista, houve três interrupções, sendo duas de pacientes e uma por funcionário. Após desligarmos o gravador, a participante passou a nos contar casos que já havia atendido; histórias com sucesso de tratamento em que houve reintegração social dos pacientes, contradizendo sua concepção de que a loucura não tem cura. Contou uma situação em que ao dar banho no paciente, este acariciava seu corpo, o que soou como um desabafo e uma queixa a cerca da situação que o profissional está sujeito em sua rotina diária.

A segunda entrevista foi realizada na unidade 1. Também utilizamos a enfermaria para realização da entrevista, porém mesmo com a porta fechada, tivemos algumas interrupções. A participante estava de plantão e também sozinha. Sentou-se atrás da mesa, e ouviu atentamente a leitura do TCLE. Demonstrou ansiedade durante a entrevista, esquecendo algumas palavras e atropelando outras. Ao final, ela nos questionou acerca da possibilidade de reinserção dos pacientes, explicando que tem um irmão com problemas psiquiátricos.

7.1. Análise e Resultados

Utilizando como base os dados obtidos, cinco categorias foram construídas através da interpretação do material e leitura exaustiva das falas. Estas categorias foram organizadas em aspectos relacionados à:

  1. Concepção do Papel da Enfermagem
  2. Concepção da Prática
  3. Compreensão sobre a Reforma Psiquiátrica
  4. Concepção sobre a Loucura
  5. Expectativa na Reinserção dos Pacientes

Todos os resultados auferidos através das entrevistas semi-estruturadas foram analisados e organizados em tabelas (ver Anexos 3 e 4) para facilitar a compreensão das respostas dadas pelo sujeito. Para compreender e comparar, as respostas foram quantificadas e apresentadas em gráficos.

Gráfico 1

Na primeira pergunta, foi questionado o papel da enfermagem na instituição psiquiátrica e, os resultados indicaram que 43% dos profissionais consideram como importante a função que exercem, outros 43% referem os cuidados básicos como papel da enfermagem e, 14% acreditam que o acolhimento é essencial em seu trabalho, como se pode observar (Gráfico 1).

Gráfico 2

Gráfico 3

A segunda questão, sobre a contribuição para a reinserção dos pacientes, indicou que 57% dos entrevistados acreditam que oferecer acolhimento é fundamental para a reinserção, 29% apontam que manter o vínculo afetivo com os pacientes auxilia no processo de reinserção. Apenas 14% dos entrevistados disseram que o trabalho de reinserção não compete à equipe de enfermagem.

A questão que verificava o conhecimento dos profissionais acerca do movimento conhecido como Reforma Psiquiátrica apontou que 83% não possuem conhecimento sobre a proposta, enquanto que apenas 17% referiram ter compreensão sobre o assunto.

Gráfico 4

Os procedimentos técnicos foram indicados por 60% dos entrevistados como parte de sua rotina. Enquanto que 40% referiam os cuidados básicos do paciente (higiene) como importantes. Como indica o gráfico (Gráfico 4).

Gráfico 5

Quando questionados sobre o que é a loucura, os resultados apontaram que 38% entendem a loucura como um transtorno ou patologia, 25% consideram que é um fator hereditário, 25% relacionaram ao acúmulo de estresse e, 13% definiram loucura como fuga da realidade (Gráfico 5).

Gráfico 6

Posteriormente, quando questionados acerca das dificuldades enfrentadas em seu trabalho, 38% dos entrevistados responderam que encontram dificuldades no contato com o paciente psiquiátrico, outros 38% se queixaram sobre condições de trabalho e, 25% reclamaram a falta de reconhecimento dos profissionais da área.

Gráfico 7

Sobre a expectativa em relação à reinserção dos pacientes na sociedade, 50% dos participantes consideram que a continuidade do tratamento é importante e essencial para que se viabilize o processo de readaptação ao convívio e exercício de atividades sociais cotidianas e trabalho, 33% dos entrevistados depositam expectativa na eficácia do tratamento, evitando a reinternação. O percentual de 17% dos entrevistados apontam não ser possível a reinserção, como se pode observar (Gráfico 7).

Gráfico 8

Por fim, 67% dos entrevistados não quiseram acrescentar informações, ou, complementar algo sobre o tema. Os outros 33% colocaram a importância do amor na escolha da profissão, ressaltando que a motivação financeira não deve ser primordial. Ainda dentro deste percentual, dúvidas sobre o conhecimento técnico-psicológico foram apresentadas.

8. Discussão

No processo de discussão e análise, os dados coletados nas entrevistas foram confrontados com a pesquisa bibliográfica, realizada no início do projeto, que inspirou a proposta de pesquisa sobre as representações sociais e práticas da equipe de enfermagem em relação ao cuidado de pacientes psiquiátricos.

Para verificar se os resultados correspondem aos objetivos propostos, geral e específico, as respostas foram categorizadas e organizadas a fim de confirmar ou refutar a hipótese de que a equipe de enfermagem mantém sua prática ligada às contestadas pelo movimento antimanicomial.

Na categoria Concepção do Papel da Enfermagem, pode-se identificar alguns aspectos nas falas dos sujeitos que descrevem as representações que a equipe de enfermagem tem referente ao seu papel na instituição psiquiátrica. É observado que o profissional de enfermagem se percebe como sendo aquele que é responsável pelo cuidado direto e, algumas vezes, citado como o que exerce a função de multiterapeuta, incluindo as atribuições de psicoterapeuta, de amigo, ou ainda, de familiar. De certa forma, concordando com Olshowsky et al (2005) ao falar que os profissionais têm em sua prática o acolhimento, o estabelecimento de vínculos e a humanização da atenção. Entretanto, isso surge não como uma prática desenvolvida criticamente, ou através da aplicação teórico-técnica refletida e assimilada no processo de formação profissional, pois o autor afirma que os profissionais de enfermagem carregam a necessidade de refletir sua prática e os pressupostos referenciados como humanizados em sua diretriz, mas, o que se verifica, é um aprendizado deliberado e constituído em outro lugar de formação: a formação pessoal. Como se pode observar nas verbalizações abaixo:

...além dos cuidados... incentivar o paciente a voltar... a enfermagem é muito importante mesmo... (C) F 34 anos

...o enfermeiro na psiquiatria ele é tudo na verdade... é psicólogo, é nutricionista e  acaba sendo médico, porque todas as queixas vêm pra você enfermeiro... Tudo gira em torno da gente... (C) F 40 anos

 ...é dar os cuidados do paciente, a atenção e, principalmente, o carinho... (C) F 50 anos

...realizar o procedimento médico... colocar o paciente confortável... passar segurança pra ele a mais e cuidar dele... cuidar no todo... (A) F 33 anos

Contrapondo-se a afirmação de Souza et al (2005), sobre o papel da enfermagem, outro ponto a ser destacado é que a função de conter e vigiar, historicamente atribuída a este profissional, não se mantém, embora a realização de procedimentos de medicalização permaneça no rol de suas funções, assim como a integração de práticas humanizadas. O que é verificável no discurso do entrevistado:

 ...conscientizar o paciente que ele tem que tomar as medicações, orientar o próprio paciente, auxiliar nos grupo, orientar a participação nas psicoterapias individuais e coletiva e orientar quanto o tempo do tratamento, o quê que ele tem que fazer, quanto tomar as medicações direitinho pra própria melhora dele, do paciente... (B) M 54 anos

Na categoria seguinte, Concepção da Prática, os participantes compreendem os procedimentos técnicos, cuidados básicos e acolhimento como funções próprias da enfermagem psiquiátrica e, que auxiliam os pacientes no processo de reinserção.

O acolhimento e o estabelecimento de vínculos afetivos aparecem ligados à enfermagem como tarefas comuns à sua prática, não obstante aos procedimentos técnicos que caracterizam a profissão. No início, a enfermagem era marcada pela dedicação de mulheres e religiosos em prestar cuidado e assistência aos pobres e doentes, utilizando-se de práticas manuais, como afirma Geovanini (2005). E, esse modo de cuidar, carregado pela amparagem, constituiu valores que permanecem inerentes à profissão.

oferecer carinho... quanto ao contato com os paciente, vocês pegam ele, senta com ele, conversa com ele e procura sempre falar da família dele, da vida que eles tiveram... na hora de dar banho... (C) F 50 anos

 ....você é amigo... você é mãe... tem hora que mais que você é um profissional você se envolve... faz a medicação... dá banho, escovar os dente, pentear cabelo... (P) F, 44 anos

Pode-se destacar também, a partir da análise das falas dos sujeitos, a expressão de queixas sobre dificuldades que envolvem sua prática, que vão desde questões institucionais até a sobrecarga de trabalho, atravessadas pela subordinação vertical aos médicos, a dificuldade em estabelecer contato e comunicação com os pacientes, impactando no trato com os mesmos.

 ...o reconhecimento nunca existiu... maus remunerados...  o pessoal não dá valor... enfermagem... encara uma carga muito grande... (C) F 40 anos

...aceitação... segurança...  dificuldade do contato com pacientes... o médico quer mandar no enfermeiro e no auxiliar... (A) F 33 anos

...A dificuldade é as instituições, muitas não oferecem um meio da gente trabalhar... fica só você trabalhando... com medicação e o cuidado... você não tem... multiprofissionais... (C) F 34 anos

...tem um pouco de dificuldade... pra fazer com que eles aceita a tomar medicação... (B) M 54 anos

Os discursos refletem o que Oliveira et al (2005) aponta sobre os entraves enfrentados por estes profissionais, como falta de verba e funcionários, processos burocráticos, ausência de investimentos em treinamento e desenvolvimento, limitando assim sua capacidade de atuação.

Ao verificar a Compreensão sobre Reforma Psiquiátrica, a terceira categoria definida, identifica-se que a maioria não possui conhecimento sobre este movimento, mesmo que de alguma forma tenham sua práxis em acordo com a proposta, que questiona o modelo assistencial e asilar, que isolava e segregava os sujeitos, e caminhava no sentido contrário à retomada da autonomia e do exercício da cidadania, da capacidade de ser (Lobosque, 1997).

Apenas uma participante apresentou conhecimento acerca da Reforma Psiquiátrica:

Conheço as mudanças... antes era bem precária... mal-tratados... Mesmo que não fosse por força física, mas o tratamento não era o de agora, agora são livres, eles tem opiniões mesmo que a gente saiba que não tão conscientes, acabou aquele negócio de choque, essas coisas. (C) F 34 anos

Brito e Catrib (2004) referem que o conceito de loucura assumiu sentidos diferentes ao longo da história, sendo relacionada com fenômenos sobrenaturais e transpassada pela religiosidade e, no Pós-Renascimento, atrelada à improdutividade, sob a influência dos movimentos que transformaram o sistema produtivo. Posteriormente, o louco passou a ser compreendido como aquele que escapa à normalização e, a loucura recebe o status de doença.

A categoria Concepção sobre a Loucura indica uma variedade de representações acerca desse tema. Percebe-se que as representações estão tanto ligadas ao saber médico, quanto ao senso comum, entendendo senso comum como um recurso explicativo à falta do saber técnico-científico.

...é difícil de explicar... é um transtorno...  por várias causas... sempre está ligado com algo... do passado, envolve alguma coisa que a pessoa sofreu, um trauma... (P) F, 44 anos

...é o excesso de muita coisa... de rotina, depressão, de angústia, quando não é hereditário... (C) F 34 anos

 ...a loucura é uma patologia, uma doença que acho que é hereditária... (B) M 54 anos

...Loucura é fugir da realidade... (C) F 50 anos

...a loucura pra mim é um fator que é... triste... mudança de comportamento... É de coisa psíquica... Loucura pra mim é o momento que a pessoa pode fazer tudo... é capaz de agredir, de matar, de fazer tantas coisas que a gente vê por aí... (A) F 33 anos

A última categoria, Expectativa na Reinserção dos Pacientes revela que os profissionais esperam observar e constatar a eficácia do tratamento na possibilidade de interação e integração dos pacientes na sociedade. O que relaciona-se com a concepção foucaultiana de que o modelo assistencial em psiquiatria, estruturava, de certo modo, um ostracismo do mundo exterior, privando o sujeito do exercício da liberdade, dos direitos e da cidadania (Foucault, 2007).

Os profissionais entrevistados comentaram a necessidade de acompanhamento terapêutico como forma de viabilizar a reinserção e a manutenção do paciente na pós-internação.

 ...a gente sempre espera que eles vá e não volte... (P) F, 44 anos

...sair e ficar só com tratamento... a maioria não tem cura, mas eles podem conviver lá fora muito bem... muitos que saem daqui que eu falo: espero que você nunca mais voltem aqui, eu quero encontrar com você por aí, hospital dia, em algum lugar, trabalhando... (C) F 34 anos

...a gente espera sempre que eles saiam tratados... recuperados... que eles sigam o tratamento lá fora... (C) F 40 anos

...ter um acompanhamento terapêutico, um acompanhamento da família... com medicação e tem que dar continuidade ao tratamento pra que ele fique estabilizado... (B) M 54 anos

 ...que eles não volte... (A) F 33 anos

Apenas uma entrevistada alegou que a reinserção é um processo inviável.

... é difícil pra eles se interagir de novo com a sociedade... Problema psiquiátrico não tem cura... (C) F 50 anos

9. Conclusões

A análise e discussão das informações obtidas através das entrevistas possibilitaram uma ampliação do olhar e reflexão acerca do tema abordado.

Constatou-se que a enfermagem enfrenta dificuldades no âmbito institucional, tais como falta de reconhecimento, remuneração incompatível, carga de trabalho excessiva, falta de investimento em uma formação mais aprofundada e consistente para um melhor desenvolvimento e viabilização de seu desempenho, consequentemente, interferindo em sua atuação.

Ainda no âmbito institucional, processos burocráticos constituíam-se como barreiras para a realização da pesquisa. Tais processos atravessavam a comunicação, mantendo as instituições, principalmente as públicas, como que encerradas em si mesmas, pois apesar das políticas de “portas abertas” em saúde mental, a burocracia torna-se um mecanismo de obstrução de acesso em duas vias na relação entre sociedade e instituição.

A identidade profissional é construída através da assimilação dos saberes próprios de um campo de conhecimento e do exercício de práticas pertinentes, logo, a carência de recursos implica na imagem que o profissional de enfermagem tem de si, verificada ao longo do trabalho como descaracterizada na medida em que ele exerce muitos papéis. Assim, se confirma a dificuldade em definir qual é o seu papel, tendo em vista que a representação profissional da categoria também não é clara.

Outro prejuízo ao exercício e desenvolvimento da atuação profissional da enfermagem, ainda relacionado a questões institucionais, é a falta de uma equipe multidisciplinar capacitada e presente, com papéis definidos e disponíveis para as necessidades dos pacientes, evitando o acúmulo de trabalho e a sobrecarga emocional, amparando-os devido ao alto envolvimento afetivo que permeia sua atuação.

Sobre a atuação do profissional e a Reforma Psiquiátrica, verificou-se que apesar da falta de conhecimento teórico sobre o movimento, a enfermagem ao estabelecer uma relação mais humanizada e defender a intervenção no espaço social, depositando confiança no sucesso da reintegração, pode-se relacionar a conformidade da conduta dos profissionais com os pressupostos da Reforma Psiquiátrica. Refutando assim, a hipótese inicial de que os profissionais mantinham sua prática ligada às contestadas pelo Movimento Antimanicomial, o que sugere a necessidade da produção e difusão de novos conhecimentos que sustentem a atuação dos profissionais.

A falta de conhecimento, de forma geral, reflete a desvalorização da categoria e implica na condição de trabalho reclamada como precária. Abordamos a enfermagem como tema, devido à relação proximal que estes profissionais mantêm com os pacientes psiquiátricos, no intuito de pensar meios de colaborar para a obtenção de qualidade no cuidado dispensado aos pacientes, visando a reinserção e a integração social dos mesmos.

Tomando como prerrogativa a proposta da Reforma Psiquiátrica, verificou-se a necessidade de investimento no trabalho com equipes multidisciplinares em saúde mental e, a possibilidade da psicologia oferecer referenciais que colaborem para atuação da equipe de enfermagem.

Sobre os Autores:

ALVES, A.; CARNEIRO, A.A.; CARVALHO, M. A.; CONCEIÇÃO, F.; NETO, A.B.S.; LONGO, C.S. (orientador). Representações Sociais e Práticas da Equipe de Enfermagem em Relação ao Cuidado de Pacientes Psiquiátricos, Psicologia Integrada, Curso de Psicologia, Instituto de Ciências Humanas, UNIP – Universidade Paulista, São Paulo – Chácara Santo Antonio II, 2010.

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