A Implicação do Usuário de Crack com o Tratamento no CAPS AD Norte em Natal-RN

A Implicação do Usuário de Crack com o Tratamento no CAPS AD Norte em Natal-RN
(Tempo de leitura: 18 - 35 minutos)

Resumo: O alvo para a pesquisa foi o Centro de Atenção Psicossocial para tratamento de usuários de álcool e outras drogas (CAPS ad) na Zona norte de Natal/RN, pois trabalha com a produção do cuidado em liberdade, objetivou-se a analisar a implicação do usuário no seu tratamento. Com base em experiências vividas em estágio extracurricular no CAPS Ad Norte e no CAPSi, surgiu à ideia de ser feita uma pesquisa com os usuários de crack no CAPS Ad Norte no município de Natal. O crack foi escolhido para ser o foco desse estudo, por causa da disseminação e destruição causada no seu usuário, assim como a sua evidência na sociedade. Como metodologia utilizou-se a abordagem qualitativa através de entrevista semiestruturada, onde foram entrevistados quatro usuários, assim como participação/observação e registros do grupo terapêutico durante os meses de junho a agosto de 2012. De acordo com os resultados buscou-se analisar a implicação do usuário em suas reflexões feitas em grupo e individuais durante as entrevistas realizadas. Os dados resultaram em categorias temáticas: comunidade terapêutica – CAPS – grupo terapêutico - estratégias de cuidado de si – relação e representação dos usuários com a droga – liberdade. Percebeu-se a implicação do usuário em seu tratamento através de estratégias de cuidado consigo, utilizadas pelos mesmos, nesse sentido nota-se o trabalho realizado em função da redução de danos.  A realização do grupo terapêutico como novo dispositivo da reforma psiquiátrica vem facilitar a reinserção e promover estratégias para melhora do estado biopsicossocial dos usuários.

Palavras chaves: Centro de Atenção Psicossocial, Implicação, Cuidado de si, Reforma Psiquiátrica.

1. Introdução

Aconteceu na história brasileira e em outros países o processo de reforma psiquiátrica, movimento esse que questionava a forma como o Hospital Psiquiátrico cuidava de seus pacientes, essas instituições eram muitas vezes comparadas a campos de concentração com práticas de tortura.

No Brasil o processo de Reforma Psiquiátrica iniciou no final da década de 70 (1978) e a lei 10.216/2001 foi reflexo desse processo, sendo aprovada apenas em 2001, 30 anos depois, nela são estabelecidas novas diretrizes para o tratamento da saúde mental de forma humanizada no país. Foi criada tendo como influência a mudança do tratamento psiquiátrico no cenário mundial, bem como o Movimento de Luta Anti-manicomial [01], criado por profissionais envolvidos no trato da saúde mental, bem como usuários do serviço e seus familiares.

Nesse cenário surgem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) serviço substitutivo às internações em Hospitais Psiquiátricos. Os CAPS utilizam das bases da reforma psiquiátrica para cuidar dos usuários tratados nas suas dependências.

O primeiro CAPS foi inaugurado no Brasil especificamente em São Paulo em 1987, para fortalecimento das práticas adotadas no decorrer de 30 anos. Em maio de 2010, o governo federal lançou o Plano Integrado de Enfrentamento ao crack por meio do decreto nº 7.179/2010, com vistas à prevenção do uso, ao tratamento e à reinserção social de usuários e ao enfrentamento do tráfico de crack e outras drogas. Perante isso, surgem algumas considerações sobre a comunidade terapêutica.

Diante disto, e com base em nossas experiências vividas em estágio extracurricular pela Secretaria Municipal de Saúde do Município do Natal/RN, no CAPS Ad Norte (Centro de Atenção Psicossocial para usuários de Álcool e outras Drogas) e no CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infanto-juvenil), surgiu a ideia de ser feita uma pesquisa com os usuários de crack no CAPS Ad Norte no município de Natal. O crack foi escolhido para ser o foco desse estudo, por causa da disseminação e destruição causada no seu usuário, assim como a sua evidência na sociedade.

Segundo Azevedo e Miranda (2010) o CAPS Ad Norte proporciona atendimento ao usuário com transtornos mentais em decorrência do uso abusivo de substâncias psicoativas, drogas lícitas ou ilícitas, e quadros de dependência, com ênfase na prevenção de recaída e a redução de danos.

O trabalho pretende analisar a implicação do usuário no seu tratamento e discorrer sobre a política nacional de enfrentamento ao crack, as estratégias de cuidado de si dos usuários, o seu olhar sobre si, bem como sua relação com a droga.

O trabalho apresentado parte do conceito de implicação de Lourau (2004), que diz que a origem do termo implicação possui influências cristãs, existencialistas, fenomenológicas e psicologistas. Constituindo juízos de valor sobre nós mesmos e os demais, com o objetivo de medir o grau de ativismo, identificação com uma tarefa ou instituição com a carga afetiva incluída nessa ocupação.

Será feita uma pesquisa bibliográfica e na perspectiva da política de saúde embasada na reforma psiquiátrica, com Michel Foucault no cuidado de si e a implicação citada por Lourau. Também utilizaremos o método qualitativo com entrevistas individuais dialogadas e registradas manualmente, observação participante e doze registros de um grupo terapêutico desenvolvido no CAPS Ad Norte, onde uma das autoras foi a relatora do grupo.

A importância desse trabalho se dá na possibilidade de ser mais um instrumento de pesquisa acadêmica para que, os profissionais de saúde e demais áreas (a família, a sociedade e os intelectuais), possam ter o olhar voltado para essa demanda e a partir dos resultados e discussões, contribuir para as práticas de cuidado aos usuários de drogas, a instituição de políticas públicas e possivelmente uma inclusão do sujeito à sociedade no que se refere aos usuários de drogas.

2. Luzes Teóricas

2.1 Dependências Químicas

A definição de dependência química é imprescindível para a compreensão da relação do usuário com a droga. Os seguintes autores definem dependência química ou de substancias da seguinte forma. Para Leshner (1997); McLellan et al. (2000) apud OMS (2001, pág. 32) “[...] dependência de substâncias deve ser encarada ao mesmo tempo como doença médica crônica e como problema social”.

2.1.1 O Crack

Dentre as diversas drogas em evidência no Brasil, o crack é visto como um câncer, que inicialmente era de uso quase exclusivo da classe vista como paupérrima isso ocorria devido ao seu baixo custo de venda, além da promessa de uma fuga maior da realidade, vista como uma forma de amenizar os problemas sociais vividos por essa parte da população.

O crack é uma droga ilícita que vicia mais rápido e causa uma dependência química maior que as outras, a forma tradicional de consumo acontece fumando a pedra que é originada de uma mistura de pasta de cocaína com o bicarbonato de sódio.

Inicialmente, produz um efeito excitante do sistema nervoso, deixando seus usuários agitados, às altas doses da droga causam alucinações, convulsões, entre outros efeitos, contudo, esse efeito dura aproximadamente de 5 (cinco) a 10 (dez) minutos, fato que leva o usuário sempre a procurar uma nova dose. O uso contínuo pode causar ataque cardíaco, derrame cerebral, além de prejudicar os pulmões e diminuir o desejo sexual.

A implicação do usuário em seu tratamento nos chama a atenção pelo fato de que a substância química e em especial o crack ter um efeito de dependência muito rápida, procuramos entender como o usuário se implica em seu tratamento diante desse fato. E como se implica na instituição que é o CAPSad.

De acordo com Monceau (2008) “... implicação é necessariamente um trabalho coletivo. Eu não posso analisar minhas implicações sozinho em meu canto”. O autor lembra que a implicação é uma relação que o indivíduo desenvolve com a instituição. Ou seja, como Lourau comentou em 2004 que a implicação é certamente uma identificação com uma tarefa ou instituição.

Nos dias atuais a discriminação de classes sociais não é mais vista, e o crack chega às mais diversas esferas da sociedade. De acordo com o Relatório Mundial sobre Drogas de 2012 expõe que o consumo e a produção de drogas tem se mantido estável.

Diante desse problema nacional e social o governo busca pela criação de políticas que possam amenizar esse “câncer” que assola a sociedade brasileira, de forma avassaladora.

Compreendemos que o crack além de ser um problema social e também de saúde, as políticas ajudam a sociedade a refletir sobre as drogas. Portanto, por ser algo considerado “novo”, ajudam a sociedade e ao poder judiciário a refletir sobre a diferença do usuário de substância e o traficante. Fazendo assim emergir atividades preventivas, tratamentos e reinserções sociais.

2.2 A Reforma Psiquiátrica e as Políticas de Tratamento no Brasil

As modificações na área de saúde no Brasil é algo que vem ocorrendo desde o final dos anos 70 com o movimento de democratização do país. O avanço mais significativo na área de saúde para o Brasil foi à criação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988, originado inicialmente das propostas de mudanças debatidas na VIII conferência Nacional de saúde em 1986. Nessa Conferência a saúde foi definida em um sentido mais abrangente como sendo o resultado de fatores como: alimentação, educação, lazer, liberdade entre outros. A Constituição Federal de 1988 define no art. 196 que

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 1988).

O SUS foi implementado através da Lei nº 8080 de 1990, como modelo público de ações e serviços de saúde no Brasil. Suas diretrizes são as bases para orientar os serviços de saúde no país, nesses serviços estão incluídos aqueles referentes à saúde mental.

A Lei nº 8080 traz o seguinte texto “Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as ações que, [...], se destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social.”

A saúde mental tratada na citação acima vive até os dias atuais um grande processo de ruptura quanto às práticas de cuidado anteriormente tidas com os usuários dos serviços psiquiátricos, com o surgimento de inovações que são descritas ao longo da reforma psiquiátrica.

Reformas esta que surge com a concepção do tratamento anti-manicomial, inspirada na experiência italiana de desinstitucionalização, junto com as ideias do psiquiatra Franco Basaglia [02], onde o mesmo trabalha uma nova abordagem democrática e participativa que tem como princípios a inclusão, a solidariedade e a cidadania.

Para Rotelli (2001) a desinstitucionalização é considerada um processo social, com um trabalho de transformação que começa pela instituição chamada manicômio, acontecendo transformações na forma de tratamento, é um processo crítico-prático com ênfase não mais na cura, mais na “invenção da saúde” e no projeto “de reprodução social do paciente”.

Possuindo três características, 1ª construção de novas práticas, 2ª o reconhecimento do paciente como sujeito ativo e 3ª a construção de rede substitutiva. Para Amarante (1994, p.172), o principal objetivo do termo desinstitucionalização foi “designar os processos de alta e de reinserção dos pacientes psiquiátricos na comunidade”.

Diante desse contexto foram criadas no país estratégias que visavam ações extra-hospitalares, concretizadas pela criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), “Os CAPS foram eleitos os serviços substitutivos em saúde mental para suprir a demanda produzida pelo fechamento dos hospitais psiquiátricos e como o lugar de produção de novos modelos de assistência” (ABUHAB et all, 2005, p. 370).

Uma característica fundamental do serviço deve ser o respeito aos usuários, pois o projeto terapêutico é singular, sendo esse discutido com os usuários, visando obter uma melhoria na sua qualidade de vida. “O serviço privilegia a reunião técnica diária cujo objetivo é nortear condutas e discutir casos clínicos em equipe multidisciplinar” (ABUHAB et. al, 2005, p. 370)

A equipe multidisciplinar do CAPS é formada obrigatoriamente por psiquiatra, enfermeiro, psicólogo e assistente social, aos quais se somam outros profissionais do campo da saúde.

Angerami apud Mota, Martins e Véras (2006), comenta que:

Como profissional de saúde o psicólogo tem, portanto, que observar e ouvir pacientemente as palavras e silêncios, já que ele é quem mais pode oferecer, no campo da terapêutica humana, a possibilidade de confronto do usuário com a sua angústia e sofrimento na fase de sua dependência química buscando superar os momentos de crise  (MOTA; MARTINS; VÉRAS, 2006, p.329).

O papel do psicólogo no CAPS ad é trabalhar com um diferencial, sendo ele um especialista que tem um olhar global e singular sobre a subjetividade de cada sujeito, nesse sentido tem papel fundamental de intermediador entre usuário e família, facilitando a inclusão desse sujeito no contexto biopsicossocial, além de acolher as dificuldades individuais da própria equipe e ser um incentivador de reflexões técnicas sobre o cuidado.

De acordo com a Portaria 336 existem 05 (cinco) tipos de CAPS que são diferenciados pelo tipo de porte, complexidade e clientela (adultos crianças/adolescentes e usuários de álcool e drogas). O trabalho enfatiza o CAPS ad que lida com usuários de álcool e outras drogas. Atualmente existem políticas públicas que auxiliam no tratamento destes usuários.

As políticas públicas que visam o tratamento aos usuários de álcool e outras drogas estão diretamente ligadas ao movimento de democratização da saúde no Brasil, tanto no âmbito social como político.

Em 2001, na III Conferência Nacional de Saúde Mental, o tema abuso ou dependência de substâncias psicoativas foi aprofundado incluindo a problemática álcool e outras drogas no campo da saúde mental. No mesmo ano por ocasião do II Fórum Nacional Antidrogas, a Política Nacional Antidrogas (PNAD) foi formalmente elaborada, e em 26 de agosto de 2002, através do Decreto nº. 4.345, essa política foi instituída.

Na construção da política de saúde mental é fundamental garantir que o Ministério da Saúde defina políticas públicas de atenção aos usuários de álcool e outras drogas que deverão ser baseadas no respeito aos direitos humanos, nos princípios e diretrizes do SUS e da Reforma Psiquiátrica (BRASIL, 2001. p.61).

Velho (2010) lembra que o Fórum Nacional sobre Drogas que aconteceu em 2004, contribuiu na substituição das leis nº. 6.368/78 e nº. 10.409/02 pela Lei nº. 11.343/06 que institui no Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SISNAD).  Que tem dentre suas funções a articulação, integração e coordenação das atividades de prevenção, tratamento e reinserção social do usuário e dependentes de drogas, assim como as de repressão ao tráfico.

Para fins desta Lei, “consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União”.

Carvalho (2010) aponta que o crack está se alargando e, disseminando principalmente entre os moradores de rua, revelando um problema social que assola os grandes centros urbanos. Tal fato levou o Governo Federal em maio de 2010 a lançar o Plano Integrado de Enfrentamento ao crack.

Guimarães e Júnia (2012) relatam que há uma possibilidade de neste plano as comunidades terapêuticas receberem recursos do governo federal e questionam quais as bases para o cuidado aos usuários de drogas.

Kalina e Kovadloff (1988) apud Sabino e Cazenave (2005) revelam queo termo "comunidade terapêutica" (CT) foi usado primeiramente pelo psiquiatra Maxwell Jones, diretor do hospital Dingleton, na Escócia.  Angustiado com o fato de que a psiquiatria tradicional parecia não estar ajudando os pacientes, teve a ideia de convidar vários profissionais distintos com o intuito de descobrir uma melhor maneira de lidar com seus pacientes, com o objetivo de desmistificar a imagem autoritária do hospital, num processo de auto-ajuda e ajuda mútua.

Diante disso Paulo Amarante (2011) retoma que as características que Maxwell Jones acreditou, acabou se perdendo, pois em seus princípios a verdadeira comunidade terapêutica possuía os mesmos princípios da reforma psiquiátrica.

Quanto à internação compulsória ressalta-se a mídia que tem um discurso terrorista contra o uso das drogas, Moretzsohn (2012) comenta sobre o depoimento da repórter Laura Capriglione feito num debate sobre a repressão aos usuários de crack, demonstra como os jornalistas são vítimas do discurso médico, pois precisam de fontes para poder respaldar seus discursos, e às pessoas que buscam são os médicos que estão sempre dispostos a atender. Os jornalistas descobrem que alguns deles são donos de clínicas conveniadas com a Secretaria de Saúde.

O discurso destes é que estas pessoas que usam drogas perdem toda sua dignidade e precisam de uma internação compulsória. Governos também pensam assim como também grande parte da sociedade que assiste aos programas de televisão ou leem jornais/revistas isentos de uma visão crítica.

Moretzsohn (2012) faz uma retrospectiva histórica e revela que grande parte do uso insalubre e do alto risco de drogas se dá por problemas causados por desigualdade e exclusão por isso acontece à sugestão de “trancafie os traficantes” e nos livraremos dos problemas.

Diante disso Mourão (2010, p. 94) já trazia que “a complexidade do fenômeno de uso de drogas aponta para a necessidade de desenvolver propostas de ações também complexas, interdisciplinares e intersetoriais”.

Acreditamos que essas ações causem autonomia e liberdade que acontece através do cuidado que o usuário tem sobre si mesmo.

Quanto ao cuidado de si Foucault, comenta que:

Não é possível cuidar de si sem se conhecer. O cuidado de si é certamente o conhecimento de si, mas é também o conhecimento de certo número de regras de conduta ou de princípios que são simultaneamente verdades e prescrições (FOUCAULT, 1984, p.269).

Foucault vem indicar de que o cuidado de si se dá no conhecimento sobre si, porém se faz necessário lembrar sobre as regras de condutas que se tornam verdades para o sujeito, nesse caso, é importante ressaltar que é de responsabilidade do sujeito o resultado de suas escolhas.

Essas escolhas são refletidas na liberdade que o autor referencia com a ética refletida na maneira como a pessoa se comporta. É esse comportamento que se procura evidenciar nos usuários do CAPS, observando como estes se colocam diante de sua dependência química.

O livro a História da Sexualidade 3 o autor trabalha o tema do cuidado de si. No capítulo a Cultura de Si, Foucault faz uma análise de que o cuidado de si não se constitui como um exercício individual, mas como uma prática social. A necessidade do Outro na relação social, nas trocas entre os sujeitos também é constitutiva ao cuidado de si.

3. Caminhos da Pesquisa

Trata-se de uma pesquisa qualitativa que aconteceu no CAPS ad Norte uma unidade de saúde mental especializada no tratamento de álcool e outras drogas, situado no Bairro Potengi no município de Natal/RN, com usuários em dependência da substância psicoativa (crack), constituído por uma equipe multidisciplinar formada por: psicólogo, psiquiatra, enfermeiro, técnicos de enfermagem, assistente social, farmacêutico, arte educador, preparador físico, clínico geral, nutricionista e uma estagiária de psicologia (uma das autoras da pesquisa).

Um dos objetivos do serviço é a inclusão social dos usuários. O CAPSad tem papel central na rede de tratamento de álcool e outras drogas, articulado com outros pontos do sistema de saúde (atenção básica, ambulatórios, hospitais gerais, acrescentando-se a assistência social e jurídica).

As atividades desenvolvidas no CAPSad Norte são: espaço aberto, grupo terapêutico, grupo de família, grupo semanal, grupo de acesso, oficinas, jogos, acolhimentos individuais, consultas individuais com psicólogo e clínicos quando necessário.

Entre as atividades realizadas no serviço a pesquisa acadêmica teve como foco o grupo terapêutico. Para Benevides (2010, p.128), “o grupo terapêutico potencializa as trocas dialógicas, o compartilhamento de experiências e a melhoria na adaptação ao modo de vida individual e coletiva.”.

“No grupo terapêutico acontecem debates sobre necessidades de ajuda de todos e reflexões de suporte emocional” (CARDOSO E SEMINOTTI, 2006 apud BENEVIDES, 2010).

A pesquisa ocorreu através da análise de doze registros do grupo terapêutico, onde era coordenado pelo psicólogo do serviço, e uma das autoras era a relatora das discussões e reflexões feitas em grupo, relatos esses que foram utilizados para a análise de dados. Esse grupo era formado por aproximadamente 15 (quinze) usuários das substâncias lícitas e ilícitas, onde utilizamos a técnica de observação participante. Os encontros acontecem semanalmente, nas quartas-feiras, no turno matutino, com duração mínima de uma hora.

Segundo Neto apud Minayo (1994, p. 59): “A técnica da observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores em seus próprios contextos.”.

No grupo observado enquanto uma das autoras era a relatora do grupo a outra utilizava esta técnica de investigação social em que o observador partilha, na medida em que as circunstâncias o permitam: as atividades, as ocasiões, os interesses e os afetos de um grupo de pessoas ou de uma comunidade.

Desse grupo se fez um recorte de quatro usuários de crack, onde três eram do sexo masculino e uma do sexo feminino, usamos como critério de escolha aqueles que se expressavam melhor e tinham maior disponibilidade de fala sobre sua dependência, utilizando a entrevista semiestruturada que se encontra no Apêndice A. Nas entrevistas, uma das autoras coordenava e a outra registrava manualmente os relatos feitos pelos usuários.

Lembrando que os usuários que participaram das entrevistas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Ressalta-se que o grupo observado enriqueceu os questionamentos da pesquisa, com as falas de diversos usuários das outras substâncias químicas como: álcool, maconha, cocaína, merla e ecstasy.

“Através da entrevista o pesquisador busca obter informes na fala dos atores sociais, não significa uma conversa despretensiosa e neutra”. Neto apud Minayo (1994, p. 57).

A fala do usuário foi muito importante principalmente para realização da pesquisa, por isso além das análises dos registros e a participação no grupo, foi utilizada a entrevista individual, nesse caso, de forma singular, pois os usuários ouvidos individualmente foram àqueles que fazem uso da substância química (crack), pois este é o foco do nosso trabalho no grupo terapêutico.

É apresentado nos resultados e discussões o grupo terapêutico, atividade observada no CAPS ad revelando o potencial deste dispositivo e os discursos dos sujeitos. Os dados resultaram em categorias, nesse caso, procurou-se através das discussões das categorias evidenciar o que o estudo de campo proporcionou.

4. Resultados e Discussões

Os resultados e discussões foram trabalhados a partir da instituição CAPS ad que oferecia atividades como o grupo terapêutico, onde podemos participar e registrar manualmente assim como realizar quatro entrevistas individuais com usuários da substância crack.

Dentro deste grupo terapêutico fez emergir categorias analíticas. Essa categoria irá mostrar na seguinte ordem: CAPS, grupo terapêutico, implicação, comunidade terapêutica, estratégias de cuidado de si, relação e representação dos usuários com a droga hoje e liberdade. Lembrando que a comunidade terapêutica surge apenas como uma das categorias do grupo terapêutico.

Os discursos em destaque não são apenas dos usuários de crack, mas de usuários participantes, que como citado no caminho da pesquisa este grupo é composto por usuários de várias substâncias químicas.

4.1 CAPS

O CAPS hoje é visto muitas vezes pelos usuários como uma via de segurança máxima, como um abrigo e até mesmo como sua própria casa, onde eles fazem uma ligação familiar.

É adotado como apoio emocional, como um suporte de aprendizado enquanto troca de vivências e lugar de reflexão, lugar onde sabem que existe toda uma ética quanto aos seus problemas trazidos, sem falar nas possibilidades que o serviço oferece de circulação nos espaços sociais.

 “No caps é aberto você vem de casa, adquire muito conhecimento com os colegas porque evita fazer o que fizeram, conversa com o psiquiatra, técnicos, psicólogo. O meu tratamento vejo como responsabilidade para ter a família, a mulher e o filho” (FALA DO ENTREVISTADO V).

Ao tomarmos como suporte o tratamento observamos a importância da família e o Caps como tutela autonomizadora citadas por Merhy (2001) onde a dependência nesse caso do Caps e da família procura gerar liberação, com o estabelecimento de responsabilizações, referindo-se a implicações em possíveis processos cooperativos e contratualizados.

“Quando iniciei o tratamento em casa achei que não resolveria e no trabalho vivia levando atestados, porém, quando consegui tratamento no CAPS, ai sim consegui” (FALA DO ENTREVISTADO M).

O CAPS também oferece um dispositivo extremamente importante e autonomizador que é o grupo terapêutico.

4.2 Grupo Terapêutico

Segundo Cardoso e Seminotti (2006 apud Benevides et al, 2010), o grupo é entendido pelos usuários como um lugar onde ocorre o debate sobre a necessidade de ajuda de todos. No desenvolvimento das atividades, os participantes fazem questionamentos sobre as alternativas de apoio e suporte emocional.

“Agradeço pela oportunidade de estar participando do grupo (...) tenho medo de ficar só em casa. Cuido agora do meu lado “promíscuo” tento a cada dia me “compreender” o que me ajuda bastante”. (FALA DO ENTREVISTADO J)

De acordo com essa fala podemos fazer uma relação com Foucault (2002, p. 271), quando relata que “(...) o cuidado de si implica também a relação com o outro, uma vez que para cuidar bem de si, é preciso ouvir as lições de um mestre. Precisa-se de um guia, de um conselheiro, de um amigo (...)”.

 “Pede orientação. Diz que faz 30 dias que se encontra em abstinência e amanhã receberá o dinheiro, fica muito apreensivo com esta situação. Mesmo com a mãe lhe fazendo companhia, não existirá ninguém que o sustente. Gostaria de uma opinião”. (FALA DO ENTREVISTADO W)
“Sugere passar a procuração para a mãe” (FALA DO ENTREVISTADO S).

O grupo terapêutico é um espaço onde o usuário partilha experiências com os demais. “Acordei com muita vontade de “ir à boca”, porém consegui superar”. Refleti e consegui, sentindo que o problema estava em mim (FALA DO ENTREVISTADO G).

De acordo com Foucault (2005), a prática de si implica que o sujeito se constitua face a si próprio, não como um simples indivíduo imperfeito, ignorante e que tem necessidade de ser corrigido, formado e instruído, mas sim como indivíduo que sofre de certos males e que deve fazê-los cuidar, seja por si mesmo, ou por alguém que para isso tem competência (...).

Foucault nos faz refletir que os usuários em sua sobriedade criam estratégias em relação ao cuidado consigo próprio, que essa procura pelo serviço também faz parte de uma estratégia, já que muitas vezes eles não têm uma postura de firmeza com eles próprios, passando assim a procurar técnicos que estão prontos para acolhê-los.

O grupo terapêutico trabalha com reflexões diante dos discursos dos usuários, funcionando como ajuda mútua. Sempre é coordenado por profissionais da psicologia ou psiquiatria.

Dentro do grupo foi observado, no decorrer de seu discurso, a implicação do usuário no tratamento quanto ao cuidado de si e sua autonomia. Cuidado esse que Michel Foucault define, e que foram buscados, em seus relatos e vivências que puderam definir esse conceito.

O intuito quanto à responsabilidade não é de coerção, mais da reflexão sobre o cuidado de si. O que se caracteriza como uma prática de prevenção, pois de acordo com o decreto nº 7.179, de 20 de maio de 2010 no:

Art. 19 As atividades de prevenção do uso indevido de drogas devem observar os seguintes princípios e diretrizes:
III - o fortalecimento da autonomia e da responsabilidade individual em relação ao uso indevido de drogas; (BRASIL, 2010, p.31).

Esse princípio se encaixa no objetivo da pesquisa, pois é no cuidado de si que se percebe o fortalecimento da autonomia e sua responsabilidade no decorrer de seu tratamento.

4.3 Implicação

Com a pesquisa realizada pode-se perceber a implicação citada por Lourau (2004) através das falas de alguns usuários quando este demonstra a carga afetiva diante da ocupação:

“Só depende de nossos esforços e força de vontade com os outros colegas e os técnicos, agente aprende a se regenerar, e ter mais força para recuperação, não desanimar.” (FALA DO ENTREVISTADO J).

Alguns usuários falam das dificuldades que enfrentam quando decidem pelo tratamento, dentre elas, por exemplo, está aquele que em qualquer acontecimento pode gerar um pensamento reflexivo sobre o seu tratamento associando os fatos ao mesmo.

“(Estou querendo muito o tratamento, mas sempre tem algumas dificuldades, tive uma discussão com o meu marido, passei quatro dias separada...)” (FALA DA ENTREVISTADA C).

Por causa deste fato poderia ter recaído mais não o fez, conversou com o marido e tudo acabou bem. Alega também a ajuda de sua família que, conversou com ela, ajudando-a a pensar sobre o fato. Esta mesma usuária também disse: “Tentei parar seis vezes”. Revelando assim como é difícil o tratamento para estas pessoas, exige muita força de vontade.

 4.4 Comunidade Terapêutica

A comunidade terapêutica é um dos temas que na contemporaneidade se propõe a ser um instrumento de tratamento para os usuários de drogas, porém, não é isto que os usuários do Caps revelam, por exemplo, ao percebermos a fala deste usuário:“Essas casas não visam à cura mais sim o dinheiro, estou decepcionado com o tratamento” ( FALA DO ENTREVISTADO M).

Esta fala demonstra um dado que precisa ser avaliado e consta o que realmente acontece. Esta é uma das visões dos “donos” das comunidades terapêuticas objetivando o lucro. Infelizmente retoma aos antigos manicômios. Onde:

“Prega a humildade mais não tem humildade dos líderes. A rotina é: acordar cedo é obrigado a ir para o culto, depois um café fraco, depois vai para o campo, a tarde também vai para o campo, em algumas comunidades, à tarde é espiritualidade de novo” (FALA DO ENTREVISTADO V.)

Na maioria dessas atividades das comunidades terapêuticas, se planta para consumir o que é plantado, esse trabalho é apresentado para os usuários como terapia prática, porém se perdeu um pouco o sentido. Maxwell Jones um dos teóricos que escreveu sobre a comunidade terapêutica, buscava as relações democráticas como principal proposta das CT, pois procurava envolver os pacientes nas discussões do Hospital. O que não observamos nos discursos dos usuários.

Esta fala do usuário demonstra como a CT na contemporaneidade perdeu o verdadeiro significado, pois alguns usuários se sentem como trabalhadores e não realizando um tratamento voluntário, na verdade esses usuários se sentem ameaçados ao não realizar suas tarefas.

Dá para se notar uma relação coisificada, como se olhassem esses usuários como pura reprodução social capitalista, que diante da situação desconsidera o sujeito e privilegia os interesses pessoais.

Enquanto que, fazendo uma relação com o tratamento oferecido no CAPS as falas são opostas.

4.5 Estratégias de Cuidado de Si

Quando o usuário tem melhor compreensão da própria subjetividade, sua autoimagem pode ser remodelada. Desse modo, ele pode obter uma melhor relação consigo mesmo e, consequentemente, com a sociedade (Bechelli, Santos, 2006 apud Benevides et al, 2010).

Ao serem questionados sobre que estratégias utilizam que demonstram cuidado consigo mesmo no uso da droga respondem:

“Procuro me afastar das pessoas que usam, cortar caminhos, trabalhar com pessoas sóbrias, saber que o defeito está em mim. Quando penso em usar lembro da minha neta, não uso o carro, uso o trem para não passar por lugares “perigosos”. Quando dá vontade de usar venho para o Caps” (FALA DO ENTREVISTADO G)

Diante dos relatos acima procuramos saber também como está à relação com a droga e o que ela representa para os usuários hoje.

4.6 Relação e Representação dos Usuários com a Droga hoje

Os usuários ao serem indagados sobre a relação com a droga, revelam o medo e a capacidade de dominação que a droga causa, além do mais percebem o quanto é forte.

“(...) O crack dominou a minha vida, pois não tinha mais razão de viver”. (FALA DO ENTREVISTADO J)
“Muito perigosa. Não se deve querer enfrentar, é querer controlar e esquecer. Dizer “vou fumar uma e não quero mais” isso não funciona” (FALA DA ENTREVISTADA C)
 “Uma relação de medo. Tenho medo do crack (...)” (FALA DO ENTREVISTADO V)

Percebe-se nas falas e atitudes dos usuários a consciência do que a droga causa para eles. O CAPS como lugar de tratamento proporciona a autonomia e liberdade para os usuários, é assim que eles se sentem promissor da sua própria vida.

4.7 Liberdade

O entrevistado G relata queHoje me sinto outra pessoa, me sinto como empresário me afastei, me sinto livre, antes era mais nervoso”.Quando G fala assim: sinto-me livre no CAPS, ele está se referindo a esse poder de autonomia que o CAPS oferece ao usuário, fazendo com que o usuário tenha suas próprias decisões quanto as suas atitudes e responsabilidades.

Foucault (1984), diz que para a prática da liberdade se faz necessário superar a si mesmo, e dominar em si os apetites que podem arrebatá-lo.

5. Considerações Finais

O nosso questionamento inicial foi compreender como os usuários conseguiam se implicar no seu tratamento no CAPSad diante de sua dependência com a substância crack. No entanto, a partir da pesquisa pôde-se perceber que os técnicos e usuários não trabalhavam só com a abstinência mais também com estratégias voltadas para a melhora da saúde.

Diante da pesquisa pôde-se entender a implicação dos usuários através das estratégias de cuidado consigo, o que os ajudam a enfrentar os problemas advindos da dependência da substância. Observamos um trabalho realizado pelos técnicos e usuários para diminuição do uso da substância e dos riscos causados a saúde pela dependência.

O CAPS por ser um serviço substitutivo da reforma psiquiátrica trabalha com a liberdade do sujeito dando-lhe autonomia aos usuários e fazendo com que o mesmo venha a se implicar em seu tratamento.

Diante da prática discursiva dos usuários também revelou que a CT não está contribuindo para o tratamento dos usuários de drogas, fazendo emergir um analisador, que é o dinheiro, onde pelas falas pode-se perceber que estas comunidades visam o lucro, e não considera o sujeito e sua relação com a droga.

Este trabalho também demonstrou a importância que o tratamento no CAPS traz para estas pessoas e a necessidade do mesmo. Auxiliando-as nas estratégias de cuidado de si.

Estratégias estas que trazem benefícios na relação do usuário com a droga, existindo uma consciência do que esta causa em suas vidas, às trocas de experiências vivenciadas pelos colegas de grupo terapêutico tornam-se um suporte fazendo acontecer à ajuda mútua.

O poema de Cássio (usuário do CAPS) representa a fala dos usuários do CAPS ad Norte e finaliza nosso trabalho. Mostrando de maneira clara o sentimento dos usuários que obtivemos contato durante este período de pesquisa.

DIFERENTES ATITUDES
(Cássio / CAPS AD NORTE) - 06/08/2012

Ah! Liberdade.
Como é bom á liberdade
Se já ouviu dizer?
Se nessas comunidades
De terapia forçada
Que por você é sonhada
Pois eu lhe digo que não
Por que não há nem respeito
Por pagar pelo trabalho
Que tens que fazer direito
Sendo que estando preso
E sem outra saída
Tu aguentas calado
Tudo que ali lhe é falado
E quando é dispensado
Pensa logo em recaída
Enquanto isso no CAPS
Você é tratado bem
Sempre sendo respeitado
E todo tempo está livre
Dando direito á você
Fazer, o que melhor. lhe convém.

Sobre os Autores:

Ana Claudia da Silva - Bacharelanda em psicologia. Universidade Potiguar. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Andrezza Richyelly Freire Macêdo - Bacharelanda em psicologia. Universidade Potiguar. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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