A Saúde Mental do Professor de Ensino Fundamental da Rede Pública

A Saúde Mental do Professor de Ensino Fundamental da Rede Pública
(Tempo de leitura: 15 - 30 minutos)

Resumo: A saúde mental do professor de ensino fundamental da rede pública representa um grave problema nos tempos atuais. Sem saúde o professor não realiza seu trabalho com louvor e prejudica o ensino e aprendizagem dos alunos perdendo assim o sentido da profissão. Esse estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica em que procuramos apresentar os aspectos referentes à constituição e formação dos professores. Identificar fatores produzidos pela escola que leva o fracasso do professor. Explicitar o conceito de saúde mental e o adoecimento do professor. Investigar o papel do psicólogo junto ao professor, ressaltando a importância do papel do psicólogo frente às demandas do professor como da escola uma vez que o profissional possui ferramentas e age como facilitador entre docentes e escola atuando na saúde mental. Ressalta-se que há poucas referências teóricas a cerca da atuação do psicólogo escolar trabalhando a saúde mental do professor. Portanto foi possível observar que a escola que investe em saúde mental e em qualidade de vida de seus docentes produz profissionais motivados e sadios.

Palavras-chave: Escola; Papel do Psicólogo; Professor; Saúde Mental.

1. Introdução

O tema deste trabalho nasceu através de contatos com professores que sinalizaram sérios problemas sobre saúde mental em virtude de sua carreira docente, também em leituras como Souza quando cita que “os psicólogos vêm ampliando e aperfeiçoando intervenções junto às escolas, com o intuito de problematizar e reverter funcionamentos institucionais produtores de fracasso escolar (...)” (SOUZA, 2007, p.97).

Pode-se questionar; porque o professor adoece? Quais os fatores produzidos pela escola que levam o adoecimento do professor? Qual a contribuição da psicologia neste contexto?

Assim este trabalho irá abranger a saúde mental do professor de ensino fundamental da rede pública e de sua trajetória profissional. Pode-se observar que “a saúde e a doença estão tão presentes no cotidiano dos seres humanos, que muitas vezes não nos damos conta de como se processa essa relação dinâmica entre uma e outra” (MARIANO; MUNIZ; 2006, p.5).

O compromisso social do professor esta pautado principalmente nas relações humanas e na ética. O professor é um ser que pertence à sociedade, portanto influencia e é influenciado, construindo e sendo construído, incentiva e encoraja os alunos, contribui com novos pontos de vista o que o aluno não enxergou, estimulando novos saberes.         

Este papel social do professor pode ser determinado pela sua saúde, portanto esse estudo alerta a sociedade da importância em conhecer a realidade profissional dos professores, saber que o desgaste mental representa um grave problema nos tempos atuais que compromete o papel social do professor.

Apresentaremos os aspectos referentes à constituição e formação de um professor, pensando sobre uma construção de subjetividade desse profissional, pois cada pessoa executa seu trabalho tendo sua subjetividade implicada. Precisa além de gostar do que faz buscar cada vez mais conhecimento e aperfeiçoar suas habilidades educacionais, tendo sempre em mente seu papel social. “Ensinar e aprender são processos direcionados para o mesmo objeto: o conhecimento; ambos envolvem a cognição e a relação entre sujeitos” (ROMANOWSKI, 2010, p. 53).

Identificaremos vários fatores existentes produzidos pelo sistema educacional brasileiro que leva o fracasso do professor. A escola da rede pública contemporânea perpassa por momentos de mudanças devido às constantes transformações políticas, tecnológicas e econômicas decorrente da globalização (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI; 2007).

A partir daí apresentaremos a presença de políticas públicas que interferem radicalmente na vida diária dos docentes, pois sem estruturar, discutir, avaliar e valorizar o saber do professor, as medidas educacionais são implantadas de forma autoritária (SOUZA, 2007).

A presente pesquisa abrangerá as possibilidades de atuação do psicólogo na instituição escolar que hoje é um tema de reflexão e de debate entre esses próprios profissionais, e também entre interessados em contribuir para o melhoramento da qualidade do processo educativo, dando maior ênfase na atuação do psicólogo junto ao professor.

O trabalho tem como caráter discursivo, tipo de pesquisa de revisão bibliográfica exploratória, onde a pesquisa significa procurar respostas para os questionamentos propostos. Resgatar a produção científica disponível em livros, nas bases de dados de livre acesso, optou-se neste caso por buscar os textos publicados em tese, dissertação e também revistas científicas, “um bom pesquisador precisa, além do conhecimento do assunto, ter curiosidade, criatividade, integridade intelectual e sensibilidade social” (GIL apud SILVA; MENEZES; 2005, p.16), por considerar-se que se constituem de importantes fontes de pesquisa no cenário nacional, e também em fontes privilegiadas de informações validadas.

2. Como “Nasce” O Professor - Sua Formação

A formação do professor se dá antes mesmo de que este frequente os cursos de formação docente. Inicia-se em sua vida escolar e acontece ao longo de sua vida profissional. Do nascimento de um professor podemos pensar sobre uma construção de subjetividade, desde a tenra infância um gosto por aprender e principalmente em ensinar, ou provém de famílias em que a maioria tem uma carreira docente, ou por ter ótimas experiências na escolarização, ainda ser influenciado por uma visão da importância do papel social do professor.

Desse modo, a formação inicial é um processo intermediário, pois o futuro docente já traz consigo experiências, valores, crenças, adquiridos anteriormente, como filtros que moldam sua prática. Pimenta (1999), vem dizer que ao discutir da formação dos professores, faz ligação à questão da concepção da identidade profissional, certificando que essa identidade não é um dado invariável, mas é um processo de construção do sujeito historicamente situado e que ela se constrói a partir da relevância social da profissão, da revisão constante dos conceitos sociais da profissão, da revisão das tradições e da confirmação de práticas elegidas culturalmente e que permanecem relevantes.

Podemos ver geralmente o professor sendo representado em brincadeiras de criança, escrevendo em paredes como se fossem lousas utilizando colegas para serem alunos. Não será isso uma forma de internalizar pelas relações interpessoais dessa criança em se tornar um professor?

Mesmo, sem perceber conscientemente, cada professor vai, na sua trajetória, internalizando conceitos e atitudes, que mais tarde, revelar-se-ão em sua práxis docente. Todas as aprendizagens que irá edificar seu oficio de professor serão o resultado das relações sociais, que desde a infância, na família, nas instituições educativas, ou, ainda, nos ambientes culturais, o constituirão (SANTOS; ANTUNES; BERNARDI; 2008).

Desde o momento que adentramos numa sala de aula e mesmo antes de adentrar nela, podem ser elaboradas algumas interpretações sobre a docência e sobre o professor. Temos uma interpretação do que seja um professor, uma escola, por fim, esses modelos se formam em saberes edificados ao longo de nossas histórias de vida, trazendo experiências que retratam valores, comportamentos, posturas profissionais e pessoais, que são os nossos primeiros saberes concebidos sobre a docência.

Esses saberes fazem parte de nossa trajetória, quando os alunos comparecem ao curso de formação inicial, já compreendem o que é ser professor, pois enquanto alunos conheceram diferentes educadores. Conhecimento que lhes permite dizer quais foram os agradáveis professores, quais eram bons em conteúdos, mas não tinham capacidade de ensinar. Quais professores tiveram relevância em suas vidas, colaborando para sua constituição humana (PIMENTA, 1999).

Ainda segundo Pimenta (1999), os alunos também sabem sobre o ser professor por meio do conhecimento socialmente acumulado, as transformações históricas da profissão, o desempenho profissional em diferentes escolas, a falta de valorização financeira e social dos professores, as complexidades de estar diante de turmas de crianças e jovens agitados, em escolas instáveis.

Um professor que tem suas experiências intrínsecas enraizada nas relações pessoais constrói sua identidade profissional, essa construção pressupõe o conhecer-se a si próprio e reconhecer-se como produtor de conhecimentos. Têm dentro de si motivações que o torna único e subjetivo na forma pedagógica, sua forma pode ser modificada extrinsecamente, por uma abertura ao conhecimento, pois é um eterno aprendiz.Rubem Alves vem nos mostrar que há uma distinção entre professor e educador, ao afirmar que, “professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda uma vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança” (RUBEM ALVES, apud FERACINE 1990, p. 50).

3. A Produção de Professores Fracassados e a Escola da Rede Pública

A escola da rede pública contemporânea perpassa por momentos de mudanças devido às constantes transformações políticas, tecnológicas e econômicas decorrente da globalização. O efeito dessa transformação reflete no desafio da escola em rever seus paradigmas, na medida em que ainda ocupa um lugar central e de preferência na vida das pessoas, é nela que são depositadas inúmeras expectativas em relação ao futuro, laços sociais para alem da família e aprendizado, e também tornar democrática, ou seja, um ensino publico para todos sem exclusão, de modo que os alunos adquirem condições para enfrentar as exigências do mundo contemporâneo (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI; 2007).

O professor diante dessa realidade é quem tem manifestado maior sofrimento, uma vez que tais transformações exigem dele um reposicionamento na sua função, que ministram aulas para discípulos que não querem aprender, que cumpram funções da família e de outras instâncias sociais; que resolvam problemas de violência, da droga e da indisciplina, que participe da gestão e do planejamento escolar, o que significa uma dedicação mais ampla, a qual se estende a uma articulação das famílias, comunidade e a escola.

O professor, atualmente, encontra um ambiente escolar repleto de desafios e assume responsabilidades advindas de todo contexto social. Por um lado, a demanda de conhecimentos necessários ao exercício da profissão e a exigência pedagógica que impõe um conjunto de saberes a serem construídos pelos alunos. Por outro lado, os alunos que, na maioria das vezes, estão poucos interessados no que o educador tem a lhes oferecer e exigem propostas pedagógicas contextualizadas com as suas diferentes realidades (SANTOS; ANTUNES; BERNARDI; 2008).

Para assumir as novas funções exigidas pelo contexto social o professor necessita dominar habilidades que não são redutíveis ao mero âmbito da transmissão do conhecimento, das técnicas e didáticas, mas envolvem também a capacidade de formar valores.

“A maioria das escolas não oferece condições suficientes para as práticas educacionais, tanto em termos de materiais didáticos, quanto de recursos audiovisuais, e ainda de ambiente físico” (OITICICA; GOMES; apud CARAN et al. 2011). O professor que precisa dessa condição de trabalho utiliza seu tempo livre para buscar recursos próprios e pensar na elaboração de material necessário para realizar sua prática e compensar a falta desses recursos.  

O fracasso escolar nos remete a pensar também em outros fatores produzidos pelo sistema educacional brasileiro que leva a frustração do professor, um dos principais fatores de adoecimento profissional segundo Souza (2007) é a solidão, que esta pautada na falta de apoio mútuo entre os profissionais, não obtendo troca de experiência, mas um individualismo na prática docente, tendo uma relação de trabalho que não é focada na sinceridade, que não promove uma expressão de pontos de vista divergentes para o crescimento mútuo. A solidão pode ser provida também de um abandono por parte do corpo diretivo da escola não oferecendo apoio técnico por motivos diversos, concorrência com outros meios de transmissão de informação e cultura, falta de reconhecimento e apoio dos pais de alunos sobre seu trabalho.

...Uma solidão que, combinada à desqualificação social de sua profissão e à contínua vivência de frustrações e insucessos, fazem dele, muitas vezes, uma pessoa que se mostra hostil a psicólogos, pais, conselheiros tutelares e outros que possam estar identificando e o acusando de falhas que ele próprio percebe em algum nível. Falhas das quais se culpa, individualmente (SOUZA, 2007, p. 255).

A presença de políticas públicas no sistema educacional brasileiro interfere radicalmente na vida diária dos docentes, pois sem estruturar, discutir, avaliar e valorizar o saber do professor, as medidas educacionais são implantadas de forma autoritária. De acordo com Souza (2007), a Secretaria de Educação divulga aos professores definidas implementações como: só poderá haver repetências nos 5º e 9 º anos, não podendo assim conter os alunos dos outros anos, a escola sem estar preparada, sem apoio deverá receber todos os alunos que apresentam algum tipo de deficiência tanto física, auditiva, visual, mental, intelectual, ou múltipla, além de receberem alunos mais novos do que o normal em sala de aula.

O desempenho dos professores poderá ser melhor quando for reconhecido com um bom ganho salarial evitando que o docente busque outra fonte de renda para completar o orçamento.

Um bom salário não garante sozinho, qualidade no trabalho. Se outras condições de trabalho, permanecerem inalteradas, nosso ensino certamente continua com graves deficiências. Baixos salários, como de nossos docentes, geram um descontentamento que se reflete no trabalho, se prolongado. Podem produzir sentimento de desvalia, pois é fácil aquele que recebe a paga sentir-se identificado com o valor da mesma, uma vez que o salário é supostamente a representação em dinheiro, do valor daquilo que, da pessoa paga, ela colocou no seu trabalho (SOUZA, 2007, p. 252).

A escola pública oferece espaço que permite ao professor utilizar para seu apoio como reuniões coletivas entre professores e o corpo pedagógico da escola, mas não ocorre com qualidade, pois acontece de ser utilizados para momentos de convivência, de acontecer esporadicamente ou ate ao acaso, não tendo sequência de assuntos discutidos entre reuniões, o que mostra que necessitam ser melhor aproveitadas.

Há necessidade de espaço de reflexão coletivos, possibilitando que se tenha realmente uma equipe docente, com projetos e soluções grupais que dêem coerência, organização e sentido a escola. Podem ser importantes, também, para que cada professor possa encontrar apoio e saídas para muitos impasses e sofrimento que perpassam seu cotidiano na sala de aula (SOUZA, 2007, p. 255).

Essa exigência de trabalho da sociedade atual, que se torna cada vez mais competitiva e excludente, ao se esforçarem de forma individualista e até mesmo competitiva torna os professores mais vulneráveis vítimas de problemas em sua saúde mental.

4. Conceito de Saúde Mental e o Adoecimento do Professor

A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2001) define que a saúde é um estado de complexo bem-estar físico, mental e social: não se trata, portanto da simples ausência de doença.

Os conceitos de Saúde Mental envolvem o bem estar subjetivo, a auto eficácia, a autonomia, a competência, a dependência operacional e a auto-realização do potencial e emocional do indivíduo na vida particular e no trabalho (OMS, 2001).   

A saúde mental depende de atitudes positivas em relação a si mesmo e ao outro especialmente no ambiente escolar, pois possibilita qualidade de vida e não torna o professor susceptível a transtornos mentais.

Para Ferreira (2011, p. 29) “A sociedade a qual vivemos possui condições reais de ambiente que afetam a qualidade de vida dos trabalhadores podendo vir a contribuir e fazer com que o trabalho seja gerador de sofrimento e não de prazer”.

A categoria docente enfrenta transformações da sociedade que interfere no seu trabalho, mudanças na sua relação com alunos, um ambiente escolar desafiador com baixos salários, desprestigio e desvalorização da profissão, exigência no compromisso com a transmissão de conhecimento na sua profissão em preparar novos cidadãos, diante a essa realidade escolar o professor esta propenso a gerar estresse devido às exigências profissionais no ambiente escolar e fora dele, levando uma sobrecarga de trabalho para casa. “O estresse pode apresentar tanto aspectos positivos quanto negativos [...]” (BENEVIDES-PEREIRA apud REIS et al. 2008, p. 20). O estresse é o responsável pelo exagerado número de professores que se afastam da sala de aula, por falta de tempo para planejamento e excesso em sala de aula, momentos de lazer, pela falta de valorização profissional, pela ausência de apoio da família, e até mesmo dos alunos.

A dinâmica escolar, conforme vem se apresentando, tem afetado diretamente a execução da atividade docente, proporcionando um movimento de tensões em sua prática cotidiana. Este quadro torna-se ainda mais agravado quando acoplado a outras dificuldades e empecilhos para a efetivação da prática docente, e o que é mais grave, o somatório de tudo isso contribui para o processo de sofrimento dos professores (MARIANO; MUNIZ; 2006, p. 6).

Para assumir as novas funções exigentes pelo contexto social o professor necessita dominar habilidades que não são redutíveis ao mero âmbito da transmissão do conhecimento, das técnicas e didáticas, mas envolvem também a capacidade de formar valores.

Essa exigência de trabalho da sociedade atual, que se torna cada vez mais competitiva e excludente, ao se esforçarem de forma individualista e até mesmo competitiva torna os professores mais vulneráveis vítimas de problemas em sua saúde mental. “Quando o trabalho deixa de ser considerado uma fonte de contribuição e prazer passando a caracterizar sofrimento no exercício da profissão, doenças associadas surgem gerando significativas sequelas para o trabalhador” (FERREIRA, 2011, p.36).

O professor tem uma função complexa a cumprir porque cada um de seus alunos possui características e necessidades diferentes. Este é eleito como um dos principais formadores de cidadãos para o “mundo globalizado” e para o “mercado de trabalho”.

O trabalho é um dos meios pelos quais construímos nossa subjetividade, nos tornamos sujeitos. Isto porque o homem se objetiva através do trabalho; porque o trabalho é a oportunidade que ele tem de "ver-se" nos seus iguais, de perceber que partilham todos do mesmo destino social. Isto ocorre porque o trabalho é (ou deve ser) o resultado de uma escolha sua. O fato de o trabalho constituir uma escolha torna-se muito importante quando se trata de ser professor, porque se trata de uma profissão que, diferentemente de outras, não se encerra na jornada de 6 ou 8 horas, mas está associada a uma série de valores, atitudes, crenças e comportamentos dos quais às vezes nem temos consciência, mas que estão presentes em nossa vida 24 horas por dia (GOULART, apud FERREIRA, 2011, p.34).

Em relação ao trabalho escolar ele pode ser gerador de doença ou um local onde se possa descarregar tensões do dia-a-dia que e uma das estratégias de enfrentamento seja de forma coletiva ou individual que ameniza o sofrimento transformando-o em força que propicia mudança. Essa tensão que se consegue descarregar ou transformar em força positiva depende da estrutura psíquica do professor, essa estrutura é formada pela historia individual e como ele se relaciona com os colegas de trabalho. O sofrimento que o trabalho proporciona e torna doença, parte do principio do quanto o professor tenta adaptar a realidade sofrida do trabalho com os sonhos e desejos que tem sobre ele e as defesas coletivas fracassam.

Os surtos psicóticos e a formação das neuroses dependem da estrutura da personalidade que a pessoa desenvolve desde o inicio da sua vida, chegando a certa configuração relativamente estável, após o período de ebulição da adolescência (DEJOURS, apud HELOANI; CAPITÃO; 2003, p. 01).       

Os processos de saúde-doença dos trabalhadores são compreendidos de distintas formas e tal variabilidade relaciona-se aos diferentes enfoques e perspectivas teóricas adotadas na área de Saúde e Trabalho. De modo geral, podemos afirmar que tais processos são compreendidos ora a partir da ênfase nos aspectos biológicos, ora nos aspectos psicológicos, ora nos aspectos psicossociais, ora nos aspectos sócio-institucionais.

Dejours (1992) vem dizer que o processo de adoecimento dos trabalhadores está intimamente ligado ao sofrimento no trabalho, que por sua vez, está relacionado com a organização do trabalho e conteúdo da tarefa: [...] “quanto mais a organização do trabalho é rígida, mais a divisão do trabalho  é  acentuada, menor  é  o  conteúdo  significativo  do  trabalho  e menores são  as  possibilidades  de  mudá-lo.  Correlativamente,  o  sofrimento  aumenta”(DEJOURS, 1992, p. 52).

O ato de ensinar possui características particulares que gera o estresse e alterações do comportamento dos que nele trabalham. Os professores estão sempre sujeitos a uma deterioração progressiva da sua saúde mental.

No início do século XX começaram a aparecer os estudos sobre os fenômenos psicossociais e que ao longo desse período iriam trazer grandes outros estudos sobre satisfação no trabalho, estresse, qualidade de vida, bem-estar, Burnout e saúde do trabalhador (ZANELLI; BORGES-ANDRADE; BASTOS, apud REIS et.al. 2008, p.18).

No levantamento bibliográfico sobre sofrimento psíquico que acomete o professor foram encontradas pesquisas sobre burnout e Estresse nas quais serão apresentados a seguir.

De forma individual, as causas e os efeitos do estresse e da síndrome de burnout em docentes aparece através de baixo auto-conceito, mudança de hábitos, pouco entusiasmo, falta de criatividade no trabalho, dificuldades de concentração, irritabilidade, falta de controle na sala de aula, insatisfação profissional e consequências emocionais excessivas a acontecimentos do dia-a-dia. Estudos como de Chan, mostra que:

Cerca de um terço dos docentes avaliados, apresentavam sinais de stress e de burnout entre os principais problemas de saúde. O mesmo estudo indica que a frustração, a ansiedade, a irritabilidade, a exaustão emocional e os sintomas depressivos graves eram alguns dos problemas encontrados ao nível da saúde dos professores (Chan, apud Gouveia, 2010, p.19).

Para Gouveia (2010, p. 17) “As consequências do burnout nos professores não se manifestam apenas no campo pessoal e profissional. Estas também se manifestam ao nível da organização escolar e na relação com os alunos”.

 “O burnout é a resposta a um estado prolongado de estresse, ocorre pela cronificação deste, quando os métodos de enfrentamento falharam ou foram insuficientes” (BENEVIDES-PEREIRA apud Reis et.al. 2008 p. 20). Sendo assim podemos dizer que a Síndrome de burnout é caracterizada por um tipo de estresse ocupacional, ou seja, a pessoa consome-se fisicamente e emocionalmente, resultando em exaustão e em um comportamento agressivo e irritadiço.

O burnout afeta principalmente os indivíduos cuja profissão possui um caráter de ajuda e que tem como característica comum contatos interpessoais bastante intensos, como é o caso da profissão docente. O burnout, na maior parte das vezes, instala-se em virtude de expectativas elevadas e não realizadas. Isto porque os que exercem profissões sociais, em geral, possuem um alto grau de idealismo, têm como meta à ajuda aos outros e esperam exercer sua profissão com grau de autonomia e liberdade pessoal no trabalho. Traduzindo para a prática do professor, isto significaria ter liberdade pedagógica, aliada ao reconhecimento do seu engajamento (REINHOLD, apud MENDES, 2006, p. 04).

O sofrimento psíquico dos professores pode se tornar um caso de saúde pública, devido ao grande abandono da profissão que ocorre no âmbito escolar, espera-se que esse trabalho promova um pensamento critico ao leitor de forma que se mobilize em prol dos docentes, para que cada vez mais possamos dobrar a atenção à saúde do professor que tem uma importante missão de ensinar.

5. O Papel do Psicólogo Junto ao Professor

A Psicologia escolar/Educacional é a especialidade da psicologia que trabalha com pessoas sobre questões que ocorrem nas escolas. Segundo Cassins et al. (2007, p. 21) “Hoje, o objetivo da psicologia Escolar/Educacional é ser um esteio para o desenvolvimento global do estudante. Através de ações com diretores, professores, orientadores, pais e os próprios alunos, o trabalho se dirige à prevenção”.

No ambiente escolar hoje, a participação do psicólogo junto ao corpo docente é desenvolver pensamentos de novas alternativas e soluções, para os conflitos que o professor poderá ter em seu trabalho educacional. A melhoria da educação brasileira depende da melhoria da qualidade do trabalho do professor, tendo o psicólogo escolar/educacional como um ator que valoriza e incentivar a busca constante de um conhecimento através de uma formação continuada.

O psicólogo pode contribuir para desvendar ao professor além de gostar do que faz ele deve buscar cada vez mais conhecimento e aperfeiçoar suas habilidades educacionais, tendo sempre em mente seu papel social, e qual sua contribuição no dia a dia do educando.

Dentro do contexto educacional contemporâneo, a formação continuada é saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, por isso o profissional consciente deve saber que sua formação não termina na Universidade (HYPOLITTO, 2004, p.01).

Segundo Romanowski, (2010, p.131) “o objeto da formação continuada é a melhoria do ensino, não apenas a do profissional”. É incontestável a transformação da educação com professores qualificados, pois a qualificação abre possibilidade de ver as situações, as pessoas, até as dificuldades de forma ampla e clara, promove uma atuação crítica e consciente. O conhecimento para o docente é inacabado e o mobiliza a buscar e criar espaços educacionais que supre a necessidade de renovar e ampliar conhecimento.

A formação acadêmica gera pensamento critico, e um conhecimento didático e cientifico sobre a profissão, cursos propostos pela secretaria de educação direcionada a mudar a práxis docente, a escola contrata palestrantes para formar conhecimentos dos professores em serviço, podendo também obter formação contínua à distância como por internet, vídeos, televisão e outros.

Portanto, os programas de formação continuada precisam incluir saberes científicos, críticos, didáticos, relacionais, saber-fazer pedagógico e de gestão, podem ser realizados na modalidade presencial e a distância (ROMANOWSKI, 2010, p.131).

Uma prática reflexiva pode ser orientada por psicólogo escolar, desenvolvendo no docente uma reflexão na ação “refletir sobre a ação é tomar a própria ação como objeto de reflexão, seja para compará-la com um modelo prescritivo, o que poderíamos ou deveríamos ter feito, o que o outro teria feito, seja para explicá-la ou criticá-la” (PERRENOUD, 2002, p.31).  

É parte inevitável do trabalho do professor, produzir um conhecimento prático que se mostra nas ações cotidianas do professor e uma reflexão durante a ação, pois constantemente tem que tomar atitudes imediatas. Identificando qual postura ou atitude tomar o professor passa aplicar e transforma em uma nova ação a reflexão (BRASIL, 2002).

O fato de refletir sobre a ação pode levar o professor a ter que retificar um erro, que pode ser interpretado de forma não compreensiva por parte dos colegas de profissão, seus alunos podendo gerar sentimento de frustração, culpa, angústia, falta de confiança. O psicólogo como um agente de mudanças dentro da escola promove espaço de escuta, para reflexão e de construção de conhecimento. “A reflexão sobre essas questões pode ser realizada por meio de um diálogo com um supervisor, o qual ajuda a permanecer lúcido sem se desvalorizar” (PERRENOUD, 2002, p. 60).

Para Machado e Souza (1997, pág. 81) “é preciso destacar que entendemos a instituição como rede de relações, mutuamente determinantes dos movimentos que ocorrem no interior da mesma.” A Instituição escolar como um espaço aberto ao professor para que junto ao corpo acadêmico desenvolva novos saberes, o psicólogo colabora com um escuta diferencial provocando novos pensamentos críticos na pratica docente, no sistema educacional, a escola se torna um lugar da escuta. Ainda conforme Machado e Souza (1997, pág. 82) “o que se busca é o estabelecimento de relações, de encontros e trocas onde os sujeitos envolvidos escutem-se, onde, naquilo que é dito, algo de novo possa ser encontrado ou algum fato re-significado”.

O psicólogo escolar tem o dever de Orientar, intervir e acompanhar as dificuldades individuais e/ou de grupo que ocorre na escola e na pratica docente. Segundo Libâneo et al. (2007, p. 37) “o professor já não é considerado apenas como o profissional que atua em uma sala de aula, mas também membro de uma equipe docente, realizando tarefas com responsabilidade ampliada no conjunto das atividades escolares”. O trabalho em equipe com docentes participantes ativos, cooperativo e reflexivo na equipe, discutindo no grupo suas concepções, práticas, experiências e participantes do projeto pedagógico da escola tendo como objetivo de buscar soluções para situações-problema comuns do ambiente escolar pode representar uma alternativa de valorização profissional.

“A atuação do psicólogo na escola tem um caráter essencialmente social, articulando a outros fazeres da instituição (dos especialistas, dos professores, da administração, da família etc.) e do contexto extra-escolar (pesquisadores, políticos, profissionais de diferentes áreas)”(WECHSLER, 2008 p.150), assim o psicólogo previne o fracasso escolar olhando a escola como um espaço que forma cidadãos, no entanto deve ser aberta a comunidade com atividades de oficinas, lazer e cultura e também auxilia os professores a montarem estratégias de defesas para lutarem pela permanência no trabalho buscando formas de motivação para vivenciar o prazer no trabalho, sentindo-se valorizados na profissão, com sentimento de utilidade, pode promover mudanças no comportamento dos alunos.

Portanto o Psicólogo escolar segundo Cassins et al. (2007) tem conhecimento necessário para trabalhar a pessoa do professor e sua relação com o outro. Segundo Perrenoud (2002), o principal instrumento de trabalho é a sua pessoa, a relação que construída com os alunos, seja individual ou no coletivo, nunca deve esquecer a pessoa do professor, mesmo que a formação esteja centrada nos saberes e na didática, promoverá um reconhecimento da importância do papel de professor.

“O professor, portanto, deve ser capacitado a cuidar de si e agir em grupo na defesa da promoção de qualidade de vida, devendo perceber a escola como espaço de humanização e promoção de saúde” (ROCHA; FERNANDES; 2008, p.24).

Sendo assim apresentamos algumas formas de atuação do profissional psicólogo de modo que cada vez mais às escolas sejam locais onde se garanta oportunidade de crescimento a todos. E colabora para que menos professores se sintam fracassados com o sistema educacional.

6. Considerações Finais

Os textos estudados trazem diversas discussões acerca da saúde mental do professor, nos permite compreender fatores que levam o professor ao adoecimento. É possível perceber que a sociedade contemporânea devido a alterações políticas, sociais, culturais e tecnológicas, tem imposto transformações a função do professor. E diante dessas atualidades, ele começa a perder a sua posição que antes era garantida e a partir daí o adoecimento começa a aparecer.

Percebe-se que a presença de políticas públicas no sistema educacional brasileiro tem uma relevância negativa no cotidiano dos docentes sobre a saúde, não exatamente em adoecer, mas a existência do sofrimento no dia a dia de trabalho. A falta de preparo dos professores para o processo de inclusão que tem elevado o número de alunos por turmas; a falta de trabalhos pedagógicos em equipe; o desinteresse da família em acompanhar a trajetória escolar de seus filhos; a indisciplina cada vez maior; os baixos salários, situações que fogem do controle e preparo do professor, a falta de reconhecimento entre professores, sociedade e alunos têm provocado muitos embates que leva ao adoecimento do docente. Um bom salário não garante sozinho, qualidade no trabalho. Se outras condições de trabalho, permanecerem inalteradas, nosso ensino certamente continua com graves deficiências (SOUZA, 2007, p. 252).

Ainda foi possível perceber que o ambiente escolar produz agentes estressores com o qual o professor tem que lidar no seu trabalho cotidiano.  O estresse, e a síndrome de burnout se destacaram como as principais doenças que afetam o professor. Dentro da escola quando não há o aparecimento de projeto de educação continuada que capacite os professores para nova realidade educacional, infra-estrutura física e pedagógica adequada, disciplina, resulta em uma tensão que precisa ser descarregada no dia-a-dia, e a escola não promove um espaço para que o professor encontre um equilíbrio para aliviar as tensões ao contrário tem que se submeter à escola para sobreviver.

Mesmo diante de poucas referências teóricas encontradas a cerca da atuação do psicólogo escolar trabalhando com a saúde mental do professor é importante ressaltar que no ambiente escolar hoje, a participação do psicólogo junto ao corpo docente tem sua relevância. Sendo que o trabalho do psicólogo é desenvolver pensamentos de novas alternativas e soluções, para os conflitos que o professor poderá ter em seu trabalho educacional, pois a melhoria da educação brasileira depende da melhoria da qualidade do trabalho do professor.

“O psicólogo escolar desenvolve, apoia e promove a utilização de instrumental adequado para o melhor aproveitamento acadêmico do aluno a fim de que este se torne um cidadão que contribua produtivamente para a sociedade” (CASSINS et al. 2007, p.17).

Sobre os Autores:

Ellen Távilla Vieira Ferreira - Graduanda do curso de psicologia da Faculdade Pitágoras – Vale do Aço.

Selma Marçal da Silva - Graduanda do curso de psicologia da Faculdade Pitágoras – Vale do Aço.

Referências:

BRASIL, Ministério da Educação. Referenciais para formação de professores. Brasília, 2002. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000511.pdf. Acesso: em 18 de set. 2012.

CARAN, Vânia Claudia Spoti; FREITAS, Fabiana Cristina Taubert de; ALVES, Liliana Amorim; PEDRÃO, Luiz Jorge; ROBAZZI, Maria Lúcia do Carmo Cruz. Riscos ocupacionais psicossociais e sua repercussão na saúde de docentes universitários. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2011 abr/jun; 19(2): 255-61. Disponível em: http://www.facenf.uerj.br/v19n2/v19n2a14.pdf. Acesso em: 22 de março 2012.

CASSINS, Ana Maria; JÚNIOR, Eugenio Pereira de Paula; VOLOSCHEN, Fabíola Deconto; CONTI, Josie; HARO, Maria Elizabeth Nickel; ESCOBAR, Miriã; BARBIERI, Vanessa; SCHMIDT, Vanessa. Manual de psicologia escolar/educacional. Curitiba: Unificado, 2007. 45p.

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