Atuação do Psicólogo em um Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) de Santarém: Relato de Experiência

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Este relato de experiência refere-se ao Estágio Supervisionado Profissional I, que foi realizado no Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas -CAPSad, localizado na travessa 7 de setembro, onde o mesmo deu início no dia 09 de abril de 2012 no período da manhã.

Histórico Institucional

O CAPSad entrou em funcionamento no dia 25 de Junho de 2010. Segundo a pesquisa documental coletada no centro entende-se, que, para a implantação de um CAPSad, é necessário que o município possua uma população entre 70.000 a 200.000 habitantes, o município de Santarém possui atualmente 294.774 habitantes. De acordo com as informações fornecidas pelo próprio CAPSad, o município de Santarém, já possui capacidade populacional para a implantação de um CAPS III e um CAPSi (infanto juvenil), no entanto, essa não é uma realidade do município.

A situação da saúde no município de Santarém não difere da realidade vivenciada nos centros urbanos do país. Apesar das conquistas com a reforma sanitária, Constituição Federal de 88, Leis Orgânicas da Saúde - L.O.S. – 8.080 e 8.142, que oportunizam a participação da população na gestão do SUS, e NOB/SUS-96, que propõe mudança do modelo assistencial hospitalocêntrico e prevê a promoção e a prevenção em saúde, Santarém se ressente pela falta de políticas públicas preventivas e educativas. O cadastro do CAPSad no CENS (Cadastro de Estabelecimento Nacional de Saúde), pode ser facilmente acessado via internet, na página de acesso onde observa-se informações como nome, razão social, logradouro, complemento, bairro entre outras informações. (Anexo 01)

Aqui estão algumas informações fornecidas, pelo CAPSad do município de Santarém - PA, quanto ao projeto de funcionalidade e implementação do mesmo:

O CAPSad apresentou como objetivo geral estruturar a unidade com equipamentos e materiais permanentes, para melhoria das ações desenvolvidas com os usuários do centro, familiares e comunidade da área de abrangência, visando o tratamento, prevenção e redução de danos relacionados ao uso de drogas lícitas e ilícitas.

Como objetivos específicos o Centro apresenta as seguintes colocações, orientar e apoiar usuários e familiares quanto à dependência química como doença e problema de Saúde Pública; implementar as ações terapêuticas, buscando resolutividade no processo de tratamento; esclarecer usuários e familiares sobre os fatores de risco e proteção durante o processo de recuperação; realizar ações preventivas para redução do uso  de álcool e outras drogas no intuito de estimular os usuários do CAPS ad para adesão ao tratamento e a abstinência de substâncias, tendo como ponte a realização de oficinas terapêuticas que contribuem na perspectiva de geração de renda.

Seu público alvo são os usuários de álcool e outras drogas e seus respectivos familiares. Ao que foi observado esse público é trabalhado de forma dinâmica, isto é, trabalha-se não somente o usuário, mas também a família da pessoa que esta querendo se livrar das drogas, devido a problemática de que em muitos casos os pais não sabem como lidar com o filho usuário e ao invés de ajudar acabam por piorar a condição do filho retardando a sua melhora, dessa forma é disponibilizado o atendimento individual ou em grupos terapêuticos desses familiares.

O grupo terapêutico voltado ao atendimento dos usuários acontece todas as quartas feiras das 09h00min as 10h00min e o Grupo de Família ocorre de quinze em quinze dias todas as terças feiras também das 09h00min as 10h00min.O trabalho com os grupos terapêuticos voltado aos usuários tem como ideal metodológico ser direcionado por um profissional da área de psicologia, no entanto o Centro em estudo abre o manejo dos grupos no direcionamento de outros profissionais como: psiquiatra, enfermeiro, assistente social, terapeuta ocupacional e psicólogo, fator esse, que aparentemente não tem afetado a dinâmica de tratamento que envolve a prevenção e redução de danos.

Os grupos terapêuticos são mistos, não há divisão de tempo de tratamento, isto é, os usuários recém chegados são encaixados juntamente com os usuários que já se encontravam em processo grupal de tratamento. 

Uma observação quanto à metodologia utilizada e sugerida pelo CAPS ad de Santarém mostra que no segundo trimestre do ano de 2012 algumas atividades ainda não voltaram a acontecer devido alguns profissionais estarem de férias, como é o caso do trabalho de enfermagem, terapia ocupacional, e assistência social.

Descrição do Ambiente Funcional

Descrição Física

A equipe se divide em dois tipos, ou seja, a equipe técnica que é composta por uma enfermeira, uma psiquiatra, uma assistente social, um terapeuta ocupacional e uma psicóloga. E a equipe operacional é composta por um técnico de enfermagem, um auxiliar de enfermagem, uma auxiliar administrativa e uma auxiliar de serviços gerais.

Descrição Funcional

Quanto ao ambiente funcional, observou-se que o centro funciona onde antes era uma residência, mas foi adaptada para o atendimento de qualquer tipo de usuário como o caso de cadeirantes, onde foi adaptado com rampas para facilitar o acesso, em alguns lugares foi necessário colocar divisórias adaptadas para separar algumas salas, por exemplo, separar o setor administrativo da cozinha e da recepção. O centro dispõe de uma cozinha, uma recepção, dois banheiros (um é exclusivamente para os usuários e os outros dois são para a utilização da equipe), uma área de serviço, um setor administrativo que também é onde fica o arquivo (não há uma sala apropriada, mas contempla o mesmo espaço).

Dentre as salas disponíveis duas são voltadas para atendimento individual, revezadas pelos profissionais nas quais também são utilizadas para acolhimento e escuta, uma sala é disponibilizada para o grupo de autoajuda e ajudamutua de famílias e para o grupo terapêutico de usuários do centro, outra observação pertinente é que todas as salas de atendimento são climatizadas o que contribui para o bem estar dos grupos.

Pelas observações feitas em estágio quanto à entrada de um novo usuário ao centro, se viu a seguinte questão, o paciente ou usuário, pode ter vindo encaminhado p. ex. pelo CAPS II ou pode ter vindo por vontade própria (o que é recomendável), o ideal é que a pessoa não venha forçada para o tratamento, no entanto, por encaminhamento jurídico ou por pressão familiar alguns usuários vem forçados ao tratamento o que dificulta o atendimento.

Acredita-se que o usuário precisa querer ser tratado caso seja percebido o desinteresse da pessoa, a equipe não insiste na permanência do mesmo, porém, as informações e orientações pertinentes ao tratamento são repassadas da mesma maneira.

Descrição dos Serviços Ofertados

O usuário ao adentrar aos serviços do CAPS ad, fará os seguintes procedimentos que são necessários para seu cadastro e permanência no centro: ao solicitar a sua entrada o mesmo deve ter em mãos a copia do RG, CPF, cartão do SUS e comprovante de residência, a documentação original é apresentada a pessoa que está na recepção do centro e as copias ficam arquivadas nos prontuários para posteriormente se ter acesso. É primordial relatar que é necessário a pessoa apresentar o cartão do SUS, ou que busque providenciar o mesmo, caso contrário, seu cadastro não será efetuado, e poderá futuramente não ter atendimento.  

Após apresentação da documentação é feito o acolhimento do novo usuário do Centro, nesse momento juntamente com um dos profissionais a pessoa relata seus dados pessoais para preenchimento da ficha de cadastro onde são solicitadas as seguintes informações: identificação; encaminhamento (dependendo do caso); motivo da consulta ao serviço; história pessoal (nascimento, posição na constelação familiar, relacionamento, adolescência, doença, inicio de uso, envolvimento com justiça, etc.); história socioeconômica (moradia, trabalho, ocupação, lazer, amizades, vida social, vizinhança, etc.) e considerações do acolhedor, que facilitam a coleta de informações da historia quanto ao uso da droga e seus prejuízos.

É valido ressaltar que esse primeiro momento baseado no acolhimento, envolve a construção do primeiro vínculo do novo usuário com o Centro, onde não só a coleta de informações são necessárias para ajudar os futuros atendimentos a serem agendados, mas que é o momento de orientação frente a permanêcia do tratamento contra o uso de álcool e outras drogas que vem a ser uma tarefa importante,principalmente pela existência de muitos usuários de álcool/drogas não estarem devidamente conscientes pela busca de atendimento.

Por fim quando colhidas as informações necessárias através da ficha de cadastro, é criado um prontuário para cada usuário, pois assim torna-se mais fácil o acesso as informações de cada um. O prontuário como arquivo permanente contém a ficha de acolhimento, as cópias dos documentos, possíveis encaminhamentos, e o registro dos atendimentos dos profissionais do centro; ou seja, cada profissional descreve seu atendimento voltado a sua abordagem profissional, dados como, se tem comprometimentos emocionais, saúde comprometida, problema na coordenação motora, se faz uso de medicação são exemplos de informações descritas e trabalhadas em cada atendimento profissional.Para explicitar um pouco mais quanto à hierarquia de funcionalidade do centro, coloca-se um pequeno organograma para que se possa observar a questão. (ANEXO 03)

Métodos e Técnicas Utilizadas pelo Profissional de Psicologia.

A prática do psicólogo dentro do CAPSad está amparada pelo código de ética profissional, onde podemos citar, por exemplo, dos princípios fundamentais,o II princípio, que diz respeito, “o psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.Observa-se a pertinência deste principio ao fato, que, a prática do psicólogo dentro de uma unidade de saúde tem esse caráter colaborativo quanto à busca pela eliminação da opressão e da marginalização do ser humano, e dentro de um Centro de Atenção psicossocial isso é observável, os indivíduos procuram o serviço como uma forma de serem inseridos, digamos que arbitrariamente, a sociedade, isto é, de certa forma, não querem ter ou sentirem-se oprimidos e muito menos marginalizados, o profissional de psicologia, pode criar condições para tais questões, isto é, juntamente com a equipe multiprofissional do centro.

Ainda tratando das práticas do profissional de psicologia, pode-se facilmente observar que as mesmas são resguardadas pelo código de ética profissional, observa-se quanto as responsabilidades do psicólogo Art. 1º b)“São deveres fundamentais do psicólogo: assumir responsabilidades somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoalmente e tecnicamente”.

Entende-se no presente artigo que mesmo o psicólogo pertencendo há uma equipe multiprofissional, o mesmo deve ter o cuidado para exercer funções que sejam de sua competência, pois se espera que para tais ações o mesmo esteja mais capacitado para realizar, isto é, a nível de conhecimentos técnicos.

Pode-se ver também ainda no Art. 1º c)“Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional". A prática do psicólogo dentro de uma unidade de saúde vai ter um diferencial justamente nessa questão da utilização de princípios e técnicas reconhecidos pela ciência, e pela ética profissional, a técnica é que vai trazer uma visão, ou melhor, a percepção diferenciada das dos outros profissionais que compõe a equipe, ou seja, seria perceber aquilo que os outros não estão percebendo, baseando-se sempre nos conhecimentos científicos acompanhados das técnicas que a própria ciência psicológica oferece ao profissional.

Como já foi colocado o psicólogo que trabalha em uma unidade de saúde, como no caso de um CAPSad, o mesmo passa a ser um membro pertencente de uma equipe multiprofissional, e nela haverá outros profissionais, nesse caso o profissional de psicologia precisará levar em consideração o que é colocado no seguinte artigo do código: Art. 1º j) “Ter, para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais, respeito, consideração e solidariedade, e, quando solicitado, colaborar com estes, salvo impedimento por motivo relevante”.

Quanto à prática do psicólogo no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas do município de Santarém, observou-se que o profissional trabalha com todos os tipos de documentos psicológicos, no entanto, os mais solicitados são declarações, e encaminhamentos a outros locais como Centro de Referencia Especializada de Assistência Social CREAS; Centro de Referencia  a Assistência Social CRAS;  PROPAZ; dentre outros. O profissional de psicologia tem uma visão diferenciada dos outros profissionais, isto é, tem uma visão holística quanto à problemática, visando à tomada de consciência frente à prevenção e redução de danos, e tendo como ponte a avaliação e apoio psicológico dos usuários e seus familiares. Outro ponto relevante é que o profissional de psicologia não somente trabalha com a demanda atendida pelo Centro, mas também trabalha com as problemáticas internas da equipe no papel de facilitador.

Quanto ao trabalho junto ao usuário o psicólogo de maneira tanto interdisciplinar quanto multidisciplinar, contribui para que o indivíduo possa ter tomadas de consciência, que possa alcançar o objetivo desejado, no que se refere a mudança de comportamento e resiliência frente as problemáticas relacionadas ao uso de drogas, contribuindo no intuito de trabalhar para que o usuário busque outras opções na vida social a ponto de não precisar da presença da substância lícita ou ilícita.

Espera-se, do usuário, que obtenha tomadas de consciência durante o processo de tratamento como questões, por exemplo, “o momento de parar é agora”, isto é, muitos usuários chegam até o centro com características de procrastinação, ou seja, esse pensamento de que “eu vou parar amanhã”, é um sinal de que essa pessoa certamente não tem nenhuma intenção de interromper o uso da droga. Alguns têm dificuldades na tomada de consciência, por não uso da medicação, alegam que a medicação causa outra dependência, outros tem dificuldades por acreditarem que a solução ou a culpa sempre está no outro, e ainda se encontram no processo de negação de seu quadro, questões essas que são trabalhadas principalmente no atendimento psicológico.

Outra questão trabalhada é quanto a onipotência de muitos usuários, ou seja, à idealização de que, podem parar de usar aos poucos, isto é, reduzindo a quantidade de uso, no entanto sabe-se que o uso continuo da cocainha só aumenta a fissura, e o processo de recuperação é adiado. O usuário acredita que esta no controle da droga, que, pode parar o momento que quiser, no entanto, o organismo fica condicionado ao uso da droga.

Também é sugerido ao usuário de drogas que ele evite antigos companheiros e lugares de risco que visitava, pois isso pode ser um fator incentivador para o retorno do uso. Esses lugares e esses antigos “companheiros” podem intensificar ainda mais o desejo de usar a substância, essa é uma questão de sempre evitar pessoas, situações e ambientes que causem fissuras, isto é, muitos usuários acreditam que podem provar a substância para saber como está indo o tratamento, ou seja, acreditam que se conseguirem “passar no teste” estarão provando que já possuem o controle sobre a droga e que “jamais irão consumir novamente”. No entanto sabe-se que mesmo passando no teste a pessoas estará mais próxima de uma recaída.

Durante o uso da droga a pessoa geralmente se afasta de quem não usa, param de se exercitar, com a evolução do uso até o interesse a atividade sexual se reduz, e a vida torna-se escassa de prazeres não quimicamente induzidos. O isolamento é produto do uso e das comorbidades associadas (ex: depressão), onde a droga è colocada como foco central na vida do indivíduo.

Em relação aos cuidados pessoais, como, aparência, alimentação, exercícios, pode-se citar, como exemplo, a cocaína, essa droga geralmente é um inibidor do apetite de forma que o usurário tende a apresentar deficiências de diversos nutrientes e vitaminas. Em alguns casos é necessário colocar, junto ao tratamento, a atividade física pelo fato de alguns usuários negligenciarem o condicionamento físico.

Ao usuário, é comum o mesmo passar por fases durante seu processo no tratamento, a primeira é a fase da desintoxicação, onde o individuo passa por supervisão médica, com a utilização de medicamento que possam minimizar a abstinência.

A fase da reabilitação é fase onde o individuo aprende a modificar seus comportamentos para manter a abstinência, nesse momento que entra a questão de modalidades terapêuticas como aconselhamento individual e familiar e medicações contra a vontade de consumo e grupos de ajudamutua devem sempre ser incluídos no processo de reabilitação.

Em relação à fase dos cuidados continuados o CAPSad dispõe dos grupos terapêuticos que são um dos mais conhecidos meios de manutenção dos benefícios conseguidos em tratamento, e também a realização de aconselhamentos individuais.

Outra fase peculiar aos serviços no centro é quanto à prevenção de recaídas, isto é, são estratégias que podem ser aplicadas conjuntamente ou logo após o tratamento primário. Estas estratégias têm o objetivo de antecipar as situações em que os pacientes terão possibilidades de recair, ajudando-os a adquirir instrumentos eficazes para evitar uma recaída, também modificando seu estilo de vida. Vale ressaltar que essas estratégias de prevenção são pontos primordiais utilizados no atendimento psicológico.

Ainda referindo-se à atuação do profissional de psicologia dentro do CAPS ad observaram-se as seguintes competências, apesar do profissional de psicologia estar inserido em uma equipe multiprofissional o mesmo possui responsabilidades que são exclusivamente de suas atribuições, entre elas estão: preenchimentos de documentos como laudos; relatórios; declarações (em alguns casos demandadas pela justiça); acolhimentos e escutas.

O profissional de psicologia também trabalha com grupos terapêuticos, nesses grupos o mesmo utiliza-se de vários mecanismos que possam facilitar a tomada de consciência do usuário, onde se pode citar técnicas de conversação, utilização de vídeos (anexo 5), utilização de músicas para projeção, textos de reflexão, parábolas para trabalhar a analogia a droga, e outros, para que o usuário possa refletir sobre sua problemática e consequentemente ter a tomada de consciência e a possível mudança de comportamento. É importante ressaltar que a abordagem utilizada para os atendimentos são baseados na teoria cognitivo comportamental que tem como ponto chave a mudança de comportamento. Fazendo uma pequena analogia a Gestalt-terapia, isto é, o usuário percebe, aprende e soluciona o problema, mais essa questão vai depender muito da força de vontade de cada um.

O Que é o CAPS?

Para fins de compreensão quanto à unidade em questão, isto é, Centro de Atenção Psicossocial, o ministério da Saúde, através de um manual explicita que:

É um serviço de saúde aberto e comunitário do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é um lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, psicoses, neuroses graves e demais quadros, cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida. O objetivo dos CAPS é oferecer atendimento à população de sua área de abrangência, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários. É um serviço de atendimento de saúde mental criado para ser substitutivo às internações em hospitais psiquiátricos (MINISTÉRIO DA SÁUDE, 2010, p. 13).

Dessa maneira entende-se que o CAPS foi à forma encontrada de poder tratar a pessoa adoecida sem a necessidade de internação em uma instituição fechada, lugar onde antes era chamado de depósitos de loucos, o CAPS tem a característica de tratar a pessoa e disponibilizar a reinserção na sociedade novamente.

Dessa maneira observou a necessidade de tratamento de pessoas com dificuldade de enfrentamento à dependência química, a partir dessa questão foi necessária a implantação de unidades que pudessem tratar esse tipo de demanda, visto que, a incidência estatística de pessoas dependentes de drogas licitas e ilícitas aumenta cada vez mais, a esse respeito, o Ministério da Saúde (2004, p. 24) coloca que:

Para pacientes cujo principal problema é o uso prejudicial de álcool e outras drogas passam a existir, a partir de 2002, os CAPSad. Os CAPSad devem oferecer atendimento diário a pacientes que fazem um uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua.

Ainda seguindo o modelo do ministério da saúde (2004, p. 24), o CAPSad possibilita ainda intervenções precoces, desenvolve varias atividades como atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre outros) até atendimentos em grupo ou oficinas terapêuticas e visitas domiciliares.  E para usuários que necessite de repouso, como também no caso de desintoxicação ambulatorial e de pacientes que necessitem de cuidados e que não demandem por atenção clínica hospitalar.

A Prática do Psicólogo na Saúde Pública.

Fazendo um pequeno comentário sobre a prática do psicólogo na saúde pública, isto é, especificamente no SUS observar as seguintes questões.

Quase 15 mil psicólogos atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) nos mais diferentes serviços: nas Unidades Básica de Saúde (UBS); nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); em Centros de Convivência, Cooperativa e Cultura; Ambulatórios de Saúde Mental; em Hospitais-dia; em Centros de reabilitação; em Centros de Referencia da Saúde do Trabalhador; Centro de Apoio e Orientação sobre DST/AIDS; Equipes de Apoio a Presidiários; Hospitais Gerais e Hospitais Psiquiátricos. Isto sem contar com os serviços internos ao SUS: Centros de Formação e Educação do Trabalhador de Saúde; apoio técnico aos programas da mulher; serviços de epidemiologia, de hemoterapia, de praticas alternativas em saúde e outros de acordo com a organização da gestão local.(SPINK, 2010, p. 81)

Ainda com o autor, ver-se a seguinte colocação quanto aos desafios enfrentados pelo profissional de psicologia ao ser inserido no trabalho à saúde pública, a esse respeito, SPINK (2010, p. 43) coloca que o primeiro desafio que se impõem, não só para os psicólogos, mas para todos os trabalhadores de saúde e a sociedade brasileira, é a consolidação do Sistema Único de Saúde. Após mais de quinze anos da sua implantação o SUS ainda sofre com problemas como acesso, financiamento, descentralização, participação popular, iniquidade do sistema em relação às demandas regionais, ofertas de serviços e insumos, alem da gestão e formação para o trabalho em saúde.

A psicologia de forma geral tem eminentemente contribuído nas atividades referentes à saúde pública. Segundo o centro de referencia técnica em psicologia e políticas publicas – CREPOP (2011, p. 10, 12.).

Atualmente a psicologia dispõe de conhecimentos para a atuação em equipes multidisciplinares; desenvolvendo atividades tanto individuais quanto em grupos de usuários. A principal contribuição do trabalho do psicólogo é com a não alienação do paciente no processo saúde doença, não exclusão do seu ambiente social, uma vez que a vida social é fator importante no processo de recuperação.

A psicologia também é importante como Atenção, promoção, prevenção de saúde, não apenas nos casos de doenças, mas nas ações que visam à melhoria da qualidade de vida. A atuação da psicologia se dá por meio da aplicação dos conhecimentos e das técnicas psicológicas aos cuidados individuais e coletivos com a saúde e ao enfrentamento das doenças. Seu objeto é o sujeito psicológico e suas relações com os fatores multideterminantes da saúde, nos diferentes níveis de atenção. Inclui ainda os diferentes grupos sociais e seus problemas associados à promoção de saúde e a prevenção de doenças (CREPOP 2011, p. 10, 12).

O Que é o SUS?

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras DrogasCAPSad é um serviço público municipal do SUS (Sistema Único de Saúde),

O SUS são princípios e diretrizes. O SUS fundamenta-se em três princípios: universalidade, igualdade e equidade. A equidade como principio complementar ao da igualdade significa tratar as diferenças em busca da igualdade. As diretrizes do SUS são três: descentralização, participação da comunidade através de conselhos de Saúde e o atendimento integral, ou seja, prevê as ações preventivas e curativas necessárias. (ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA, 2010, p. 14.).

Transtornos Mentais Mais Comuns no CAPS AD.

Dentre os transtornos mentais detectados se percebeu a predominância de transtornos relacionados segundo Código Internacional de Doenças – CID 10 entre F10 e F19 que corresponde aos transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de substâncias psicoativas, o que é bastante peculiar ao tipo de atendimento realizado pelo CAPS AD. Partindo desse ponto segundo CID 10 (2011, p.12.) a esse respeito explicita:

Este agrupamento compreende numerosos transtornos que diferem entre si pela gravidade variável e por sintomatologia diversa, mas que tem em comum o fato de serem todos atribuídos ao uso de uma ou de varias substâncias psicoativas, prescritas ou não por um médico.

A identificação da substância deve ser feita a partir de todas as fontes de informações possíveis. Estas compreendem: informações fornecidas pelo próprio sujeito, as analises de sangue e de outros líquidos corporais, os sintomas físicos e psicológicos característicos, os sinais e comportamentos clínicos, e outras evidências tais como as drogas achadas com pacientes e os relatos de terceiros bem informados. O diagnóstico de transtornos ligados à utilização de múltiplas substâncias (F19) deve ser reservado somente aos casos onde a escolha das drogas é feito de modo caótico e indiscriminado (CID 10, 2011, p. 13.)

Dessa maneira entende-se a complexidade de trabalhar com pessoas que apresentam problemáticas relacionadas ao uso abusivo de álcool e drogas. Pessoas com esses tipos de transtorno podem, segundo o CID-10, desenvolver síndromes e transtornos correlacionados a dependências, entre eles ver-se as seguintes subdivisões: intoxicação aguda; uso nocivo para a saúde; síndrome de dependência; síndrome de abstinência; síndrome de abstinência com delírio; transtorno psicótico; síndrome amnésica; transtorno psicótico residual ou de instalação tardia.

Atividades Desenvolvidas no CAPS AD.

Como já foi colocado anteriormente o CAPSad assim como os outros CAPS dispõem de varias atividades para os seus usuários, e entre elas pode-se citar as oficinas terapêuticas, segundo o manual do Ministério da Saúde (2004, p. 20) “Essas oficinas são atividades realizadas em grupo com a presença e orientação de um ou mais profissionais, monitores e/ou estagiários. Elas realizam vários tipos de atividades que podem ser definidas através do interesse dos usuários”.

Fazendo uma pequena descrição quanto à peculiaridade das oficinas terapêuticas, a esse respeito o Ministério da Saúde (2004, p. 20) coloca que essas oficinas podem ter variadas características:

Podem ser oficinas expressivas: espaços de expressão plástica (pintura, argila, desenho etc.), expressão corporal (dança, ginástica e técnicas teatrais), expressão verbal (poesia, contos, leitura e redação de textos, de peças teatrais e de letras de música), expressão musical (atividades musicais), fotografia, teatro. Oficinas geradoras de renda: servem como instrumento de geração de renda através do aprendizado de uma atividade específica, que pode ser igual ou diferente da profissão do usuário. As oficinas geradoras de renda podem ser de: culinária, marcenaria, costura, fotocópias, venda de livros, fabricação de velas, artesanato em geral, cerâmica, bijuterias, brechó, etc.

O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas do município de Santarém, também desenvolve atividades em oficinas terapêuticas, isso pode ser facilmente observado no (Apêndice 01), isto é, os tipos de oficinas e seus respectivos dias e horários. Também pode ser visto no (Apêndice 04) a realização de uma das oficinas terapêuticas correspondente a um dos quadros que mostra o dia e hora de acontecimento das mesmas. 

Outra atividade que é realizada no CAPS ad de Santarém, e que já foi mencionada anteriormente, é quanto aos grupos terapêuticos. Segundo Zanelatto e Rezende (2012, p. 8) “Tem como objetivo principal a melhoria de alguma situação de patologia dos indivíduos, seja no aspecto da saúde orgânica ou psíquica, ou em ambas”.

Ainda com Zanelatto e Rezende (2012) citam como exemplo dos grupos terapêuticos os grupos de autoajuda “que tem como característica o fato de ser normalmente um grupo de formação espontânea, entre pessoas que se sentem identificadas por algumas características semelhantes entre si, e se unificam quando se dão conta que tem condições de ajudarem reciprocamente”.

Outra atividade de grande importância que é realizada no CAPS ad de Santarém – PA é a escuta ativa. Segundo Galinha (2011) escuta ativa é uma técnica de comunicação onde o receptor interpreta e compreende a mensagem que o emissor lhe transmite e é preciso prestar atenção aos gestos e emoções demonstrados durante o processo de comunicação.

Co-Dependência.

Como se percebe a pessoa em tratamento com o intuito de livrar-se da droga, não vive em uma “ilha” isolado do mundo, ou seja, a família de certa forma geralmente está no processo de recuperação do usuário, isto é, mães preocupadas, irmãos, tios, primos, esposa, namorada, pessoas essas que geralmente buscam ajuda pelo usuário, e dependentemente do tempo que se leve a total recuperação do individuo, essas pessoas, ou melhor, dizendo, a família acaba desenvolvendo um problema conhecido como “co-dependencia”. No Centro trabalham-se as questões relacionadas tanto ao usuário quanto a questões relacionadas aos familiares, o que CUNHA (2006, p. 13) chama de “co-dependente”.

A co-dependência, pode-se dizer, é uma “patologia desenvolvida de forma sutil, em razão do convívio com um dependente, da interação com sua conduta inadequada - e que se dá exatamente por que não se sabe como ajudá-lo.

O co-dependente não compreende que usa mecanismos de defesa psicológicos orientados em função de tal patologia; dessa forma, as atitudes que adota para lidar com o dependente, são improdutivas ineficazes e quase sempre passam despercebidas por ele. O co-dependente é, portanto, o individuo que, pelo convívio direto ou indireto com o dependente, adquiriu e manifesta uma serie de condutas patológicas quanto ao pensamento, comportamento, sentimento e/ou afeto. O que acontece é que o co-dependente se encontra potencialmente sujeito aos vícios de comportamento e fraquezas tão comuns nos dependentes e se deixa manipular facilmente em razão da sua patologia CUNHA (2006, p.14).

Dessa forma comprende-se a necessidade de haver um trabalho conjuntamente com os familiares dos usuários, pois, muitos podem está desenvolvendo a co-dependência, e comprometendo o progresso do usuário, isso acontece através dos grupos de famílias que no caso do CAPS ad do município de Santarém acontece as terças feiras, nesses grupos é possível fazer a escuta da demanda trazida pelos familiares e posteriormente serem trabalhadas em grupo, também são feitas orientações quanto a melhor maneira de lidar com o usuário.

Características do Co-Dependente.

Ainda com CUNHA (2006, p. 14) cita algumas características do co-dependente, entre elas podemos identificar a impotência diante do poder que as drogas exercem sobre o dependente químico; assumir responsabilidades que são do dependente; sentir-se culpado pela situação que se encontra o dependente; mascarar ou procurar amenizar as consequências do comportamento do dependente; muitas vezes não reconhece que também precisa de ajuda como co-dependente; passa a ter cada vez menos contato sociais, assumindo compromissos mais em função do dependente; deixa-se manipular facilmente e com frequência pelo dependente, na esperança de que a situação se modifique em um futuro próximo; chega ao ponto de facilitar meios para que o dependente consiga abastecer-se de álcool e/ou drogas, para que ele cultive seu vicio dentro de sua própria casa e não arranje mais confusão na rua; desenvolver alguns sintomas somáticos como diarréias, dor de cabeça, excesso de sono ou insônia.

Considera-se também relevante comentar a respeito das características dos dependentes químicos, o que pode ser frequentemente visto nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas. CUNHA (2006, p. 35) coloca uma questão bem interessante quanto ao fato da maioria dos usuários terem uma idade muito juvenil, isto é, é característico do jovem ter em uma percepção de vida muitas vezes deturpada, isto é, a ilusão do “poder” e do “ser”, pode causar a desorientação do jovem que busca a droga como fuga da sua realidade e com possibilidade de alimentar sua fantasia.

Características do Dependente Químico.

De acordo com CUNHA (2006, p. 35) comenta a respeito dos usuários de drogas onde os mesmos possuem características próprias e que podem ser identificadas, pois são padrões de comportamentos comuns para o dependente químico, entre elas estão:

Onipotência que se caracteriza pelo fato do adicto ter a impressão de que tem o controle sobre a as situações em que se envolve.

Megalomania onde o adicto apresenta uma tendência exagerada de crer na possibilidade de realização de um trabalho, visualizando sempre o resultado, nunca o caminho para concretizá-lo;

Manipulação trata-se da mentalidade de que tudo o que for necessário para a realização dos seus desejos imediatistas, principalmente no que se refere ao uso da substância entorpecente.

Obsessão: quando o adicto se encontra obcecado pelo desejo de consumir drogas, e essa obsessão se reflete nas atitudes insanas que tem.

Compulsão: produz no adicto uma necessidade de continuar a consumir a substância, o que faz com que ele apresente atitudes incoerentes, desconexas com a realidade, social em que está inserido.

Ansiedade: refere-se às atitudes do adicto e a necessidade de satisfação dos seus desejos, quando ele esta prestes a realizar seu objetivo ultimo a ansiedade pode ser gerada de diversas formas.

Apatia: inaptidão para uma tarefa ou a falta de empenho na realização de objetivos e metas é uma característica muito comum em quase todos os casos de dependência.

Auto-suficiência que é um mecanismo de defesa que visa manter afastado da consciência os sentimentos de inadequação social, o que gera uma sensação falsa de domínio das situações e conforto psicológico.

Autopiedade pode ser resultado direto das frustrações que o dependente vive ou parte estratégica do seu repertório comportamental que visa a conseguir realizar algum propósito através de um tipo especifico de manipulação.

Comportamentos antisociais: são gerados como resultantes da instabilidade emocional que o adicto desenvolve em reflexo aos complexos esquemas de vínculo com a atividade delituosa e de como a sua imagem é percebida pelo meio social, isto é a sociedade ver o adicto como marginalizado.

Paranóia: padrão de comportamento com base na desconfiança e suspeita sobre pessoas e objetos, de modo que qualquer manifestação comportamental de outras pessoas, verbal ou não verbal, linguística ou para linguística, é interpretada como intencional ou malévola.

Dessa forma entende-se que diante de tantas características detectadas durante anos de estudos seja possível que haja, de alguma forma, o fácil contato com o usuário de maneira que através da relação Eu-tu como explica a gestalt, pode-se ver a pessoa não apenas por uma parte, mas vê-la numa relação mais completa, isto é, uma relação onde se possa ter um olhar holístico do individuo.

O psicólogo de certa forma desenvolve esse tipo de relação, pois é necessário que o usuário se sinta acolhido, ou seja, ser houver uma relação voltada apenas para o sintoma, apenas para uma parte do sujeito, isto é, uma relação “Eu-isso” é provável que o próprio nunca mais volte para o tratamento. Caracterizar, rotular ou padronizar comportamentos de uma classe de pessoas adoecidas como o usuário de drogas é relevante para o diagnostico mais preciso, porém, muitas vezes essa padronização pode negligenciar o desenvolvimento de uma relação mais humanizada, fazendo com que o tratamento do individuo seja algo robotizado e mecanizado.

No Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras drogas do município de Santarém, trabalha-se não somente com os usuário, como já foi comentado anteriormente, mas também com a família. Dessa maneira percebe-se que desde muito cedo a família tem um papel muito importante na vida das pessoas a ponto de fornecer subsídios necessários para que um membro desta mesma família não venha a procurar recursos através das drogas.

Os pais devem estar mais perto dos filhos, o que não significa esta próximo fisicamente, mas emocionalmente presente. A presença dos pais é fundamental para o desenvolvimento adequado da criança e para que sua educação seja alicerçada em objetivos nobres e valores elevados, sobretudo de união e confiança.

[...] desse modo desde que os pais estejam presentes e conscientes de sua participação na educação, os filhos apresentam uma tendência natural a compactuar com eles as suas dúvidas, as suas aspirações e os seus sonhos, tornando-os aliados, para juntos enfrentarem qualquer situação de forma equilibrada e saudável. Assim os filhos jamais se sentem abandonados, sabem que podem contar com os pais (CUNHA, 2006, p. 108).

A presença da família no desenvolvimento da pessoa tem um grau de importância eminentemente elevado, não querendo fazer generalizações, mas a maioria dos casos que vem para tratamento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas vem de uma família desestruturada, onde, os pais do individuo já são separados há muito tempo, ou ainda, os pais já eram usuários, isto é, a relação com esses progenitores não foi muito benéfica durante a infância e adolescência, o que pode ter ocasionado a fuga para as drogas.                

Resultados Obtidos

Durante o período de estágio, isto é, de 09 de Abril a 22 de Junho no CAPS ad (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas) do município de Santarém, pude observar que o mesmo dispões de várias atividades totalmente voltadas para o atendimento de pessoas em situação de dependência ao uso abusivo de álcool e outras drogas.

Entre essas atividades percebi a predominância mais do acolhimento que, de forma sucinta, é quando um novo usuário é introduzido ao tratamento oferecido pelo centro, no acolhimento são coletadas todas as informações necessárias do mesmo, quanto a este pude realizar um total de 08 acolhimentos.

 Outra prática de grande relevância para a minha formação foi quanto à escuta ativa, esta atividade pertinente do CAPS ad, de forma geral, é quando o paciente está passando pelos sintomas de abstinência, ou teve alguma recaída, ou ainda, está com ideações suicidas, entre muitos outros motivos, o paciente pode vir em busca de uma escuta para que possa expressar suas emoções, sentimentos que estejam sentindo ou ainda enfrentando naquele momento, desta prática, pude participar de um total de 05 escutas.

Ainda pude participar de atividades grupais, o que foi relevante para a compreensão da dinâmica desses tipos de grupos, ou seja, o grupo terapêutico, o qual tem como característica o fato de trazer a sua própria demanda a ser trabalhada. Dessa forma o CAPS ad dispõe no momento de três tipos de grupos, que são: o grupo terapêutico de usuários que acontece todas as quartas feiras, o grupo de famílias, que acontece as terças feiras no período de 15 em 15 dias e o grupo das oficinas terapêuticas que ocorre todas as segundas feiras.

No grupo de usuários que acontece todas as quartas feiras com inicio as 09h e termino às 10h, percebeu-se a predominância de homens, durante o período de estagio percebi presença de no máximo duas mulheres. Percebeu-se também que nesse grupo os usuários, em geral, tinham grande satisfação em estar participando e compartilhando as suas experiências semanais longe das drogas, isto é, seu período de abstinência. Muitos pontos podiam ser trabalhados com eles como, por exemplo, autoreconhecimento, tomadas de consciência, autopercepção, reflexões, entre outras questões. No grupo de usuários pude participar de um total de 06 grupos.

Já no grupo de famílias se procurava trabalhar muito a questão de como se agir ou se comportar, como poder ajudar o membro da família que estar dependente; eram também trabalhadas questões relativas à co-dependência, isto é, muitos familiares entendiam que, eles precisariam está saudáveis para poder ter a capacidade de ajudar o membro da família que estava preso nas drogas. O público que participava desse grupo em geral era: mães, esposas, tias, tios, namoradas, irmãs, irmãos, ou seja, a família em si. Percebi também que muitas dessas pessoas tinham uma necessidade, de certa forma, excessiva de verbalização, ou seja, poder expor a dor que enfrentavam para alguém era algo que impressionava. Do grupo de famílias pude participar de um total de 02 grupos.

As oficinas terapêuticas tinham um caráter mais ocupacional, mas foi de grande importância a participação nas mesmas, pois pude perceber que muitos usuários possuem habilidades em que podem facilmente ter uma forma de arrecadar uma renda autônoma. Entre as variadas temáticas trabalhadas nas oficinas pode-se citar como exemplo: a confecção de doces, preparação de macarronadas, preparação de tortas, palestras, preparação de pizzas, entre outros tipos e oficinas. Das oficinas terapêuticas pude participar de um total de 04 oficinas.

Um ponto que vale comentar quanto a minha participação nos grupos, é quanto ao preenchimento de suas respectivas atas, a ata é um documento onde é relatado tudo o que ocorreu no transcurso do grupo. Tive a oportunidade de preencher a ata dos grupos de usuário e a ata do grupo de famílias, a ata das oficinas terapêuticas geralmente quem a preenchia era o terapeuta ocupacional do centro.

Quanto a outros pontos pertinentes ao período que permaneci no centro, posso comentar que sempre busquei relacionar-me com toda a equipe, buscando a minha autonomia nos trabalhos realizados, sempre orientado pelo profissional que supervisionava tais atividades. Pude perceber que a equipe tinha uma confiança quanto a minha capacidade de realizar as atividades do centro pertinentes a prática psicológica.

Em relação aos usuários sempre busquei acolher a todos, tanto nas escutas quanto nos grupos, dar o espaço para o mesmo se expressar, expor a sua dor ou a sua alegria, fazer com que a pessoa pudesse se sentir bem em estar naquele lugar, isto é, no centro. Poder perceber a importância de realizar um trabalho ou ainda um atendimento humanizado em um serviço publico foi de grande relevância para a minha formação.

Acredito que o meu trabalho no CAPS ad de Santarém do Pará tenha sido bastante proveitoso, acredito que vim a somar juntamente com a equipe. Nem sempre acertava, mas buscava através dos erros sempre aprender para que não os cometessem de novo. A prática proporcionou-me outra visão quanto à atuação do profissional de psicologia dentro de uma unidade de saúde do serviço público o que foi de grande importância se futuramente decidir-me trabalhar de fato na área social. 

Cronograma das Atividades

ATIVIDADE

ABRIL

MAIO

JUNHO

Acolhimentos

x

x

x

Atendimentos

x

x

x

Escuta Ativa

 

x

x

Participação no grupo de usuários

x

x

x

Participação no grupo de famílias

 

x

x

Participação na atividade do dia das Mães

 

x

 

Participação no evento de aniversário do CAPSad

 

 

x

Preenchimento de prontuários

x

x

x

Preenchimento da Ata do Grupo de Usuário

x

x

x

Preenchimento da Ata da oficina terapêutica

 

 

x

Participação em oficinas terapêuticas

 

x

x

Orientação do profissional de Psicologia

x

x

x

Participação do II encontro da luta antimanicomial

 

x

 

Participação da II Reunião Ampliada de Atenção Integral à Saúde de Crianças e Adolescentes em Situação de Trabalho.

 

 

x

Referências:

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CID-10, Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamentos. Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnóstico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

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