Incidência de Queixas Depressivas em Mulheres Atendidas em um Centro de Atenção Psicossocial – CAPS II

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Resumo: Objetivo: Os transtornos depressivos vêm tornando-se uma questão de saúde pública devido a sua alta incidência e impacto psicossocial. No que se referem ao segmento feminino, os estudos mostram que a proporção dos casos de depressão em mulheres, em relação aos homens é de 2:1, devido em parte às queixas e procura dos serviços especializados. O objetivo do estudo é verificar incidência de queixas depressivas em mulheres que procuraram os serviços do Centro de atenção psicossocial (CAPS II), do município de Timon-MA, no ano de 2004. Método: Foram avaliadas as fichas cadastrais e de acompanhamento dos usuários ativos em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), com base na seleção de aspectos específicos para observação tais como: idade, renda, escolaridade, estado civil, religião, principais queixas e hipóteses diagnósticas. Destes foi realizado a quantificação com gráficos elaborados através do cálculo de porcentagem simples dos dados avaliados. Tal pesquisa realizou-se entre os meses de abril e maio de 2006. Resultados: Das 1572 fichas cadastrais pesquisadas, 204 eram de mulheres com queixas depressivas, destas 50,98% são casadas e 83,8% estão na faixa etária entre 21 e 60 anos. Há um elevado índice de insônia como queixa principal ficando com 56,37%, seguida de choro fácil e cefaleia com 49,01% e 30,39%, respectivamente. Conclusões: Os resultados encontrados reforçam a afirmativa da literatura científica de que há uma elevada incidência de casos de queixas depressivas em mulheres em detrimento dos homens. O que indica que as mulheres estão mais suscetíveis a sofrerem episódios depressivos ao longo da vida.

Palavras-chave: mulheres, depressão, epidemiologia.

Descritores: depressão, transtorno depressivo, saúde da mulher, serviços de saúde para mulheres, epidemiologia, serviços de atendimento.

1. Introdução

Há muito, a depressão vem tornando-se uma questão de saúde pública, dada a grande incidência registrada nas pesquisas médicas e psicológicas, que apesar de alarmantes, não surpreende, uma vez que a modernização da sociedade, com a gradual mudança no estilo de vida das populações mundiais vem contribuindo para o aumento dos índices de casos de depressão, atingindo distintas faixas etárias e classes sociais.

Foi o médico francês Philippe Pinel que no século XVIII inaugurou a psiquiatria, propondo um olhar médico no atendimento aos doentes mentais. Sua prática foi vista quando se tornou chefe do Hospício de Salpêtrière, em Paris, então um asilo feminino onde doentes se misturavam a mendigos, epiléticos, aleijados e até prostitutas presas nas ruas da cidade. Pinel livrou os doentes das correntes, instituindo um contato próximo e amigável com o paciente, permitindo uma terapia pelo diálogo. Com suas observações escreveu o “Tratado médico-filosófico sobre a Alienação mental”, publicado em 1801, onde propunha uma intervenção moral da loucura.[1]

Na atualidade, quando se fala em depressão, é senso comum referir-se a qualquer tristeza ocasional sentida no enfrentamento das atribulações cotidianas, em substituição ao termo “doença dos nervos”, utilizado pelas classes populares no passado. No entanto, é preciso distinguir um humor deprimido, referente a um estado emocional transitório do indivíduo, de depressão, que é um distúrbio grave e incapacitante. Caracterizamos um quadro depressivo, utilizando como características os critérios sintomatológicos definidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtorno Mental (DSM-IV)[2] e/ou a Classificação Internacional de Doenças (CID-10)[3], a saber, sintomas como: distúrbio do sono e de apetite, irritabilidade, cansaço, perda da memória, retardo ou agitação psicomotora, sentimento de desesperança e desvalia, diminuição do desempenho sexual, dores de cabeça e no corpo, problemas digestivos e até pensamentos suicidas.

Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) [4], a depressão é a doença psiquiátrica mais diagnosticada atualmente, ocupando o quarto lugar entre os maiores problemas de saúde do ocidente e é a segunda causa de invalidez, precedida apenas de doenças cardiovasculares. Uma em dez pessoas tem um episódio de depressão pelo menos uma vez na vida, em geral desencadeado por uma situação que provoque infelicidade, pelo estresse constante ou, em alguns casos, por doença grave. Outras vezes, quando a causa não está em um agente externo, falamos em depressão endógena, onde o distúrbio seria consequência da falta de certos neurotransmissores (monoaminas) no cérebro: dopamina, noradrenalina e serotonina, que são hormônios reguladores de nossos sentimentos.[5]

Essa gama invariável de sintomas pode levar o indivíduo a procurar, de início, outro tipo de atendimento médico, que não o psiquiátrico para se tratar, retardando assim o diagnóstico clínico da “doença” e consequentemente seu tratamento. Uma grande dificuldade em diagnosticar o distúrbio é devido a seus sintomas serem frequentemente relacionados à sintomatologia de outras doenças, ao uso de algum medicamento ou ao próprio estigma da doença psiquiátrica que provoca receio das pessoas em procurar ajuda, retardando o diagnóstico e o tratamento, ao mesmo tempo em que alardeando uma automedicação negligente e nociva.

Por isso, pesquisas [6] mostram que o diagnóstico de depressão em nível primário costuma ser prejudicado pela presença frequente de comorbidades, pela dificuldade do corpo médico em reconhecê-la, assim como pela sistemática de atendimento. Constata-se que de 50% a 60% dos casos de depressão não são detectados. Muitas vezes, os pacientes depressivos também não recebem tratamentos suficientemente adequados e específicos. Com o tratamento correto, a morbimortalidade associada à depressão pode ser prevenida em até 70%.

As estatísticas de incidência são alarmantes. A síndrome se manifesta em 15% a 20% da população mundial pelo menos uma vez durante a vida. Quem sofre a primeira crise tem 50% de chance de reincidência, após o segundo episódio, a probabilidade sobre para 70% e a partir do terceiro pula para 90%, aumentado em muito sua prevalência a cada episódio. Na análise de gênero, verifica-se que a prevalência é de 2,3% a 3,2% para o sexo masculino e de 4,5% a 9,3% para o sexo feminino.

Além do citado acima, o risco de sofrer de um distúrbio depressivo maior no decurso da vida é de 7% a 12% para os homens e 20% a 25% no caso de mulheres. Os fatores de risco aumentam para o sexo feminino (tornando-se ainda mais elevados no período pós-parto), quando parentes de primeiro grau já sofreram da doença ou ocorreram episódios anteriores de depressão maior. Mulheres são duas vezes mais vulneráveis à distimia do que os homens, ao passo que a depressão maior as atinge três vezes mais a elas. [7]

No entanto, esses dados são gerais. Não foi encontrado nenhum dado específico referente à região que pesquisamos no tocante a casos de depressão em mulheres. O presente artigo apresenta a análise da incidência de queixas depressivas em mulheres que procuram os serviços do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), do município de Timon-MA. Os objetivos principais são identificar os motivos da procura por atendimento no referido Centro, verificar a incidência de queixas depressivas e o diagnóstico principal de depressão.

Nosso interesse em realizar este estudo, deve-se à nossa prática profissional nesta comunidade, que nos proporciona um contato frequente com mulheres que relatam fazer tratamento farmacológico com antidepressivos receitados por médicos ou “indicados” por vizinhos e amigos, que fizeram ou fazem uso ocasionalmente, por sua conta e risco. E uma vez detectada a demanda, chamar a atenção das autoridades sanitárias para uma intervenção mais efetiva junto a essas mulheres, no controle do uso de psicofármacos e na assistência ao atendimento terapêutico.

2. Método

Para a realização da pesquisa foi utilizado o método quantitativo que consiste no levantamento estatístico do universo a ser estudado e definir qual será a amostra a ser considerada para a pesquisa, que deve ser fechada e numérica.[8]

A coleta de informações ocorreu durante os meses de abril e maio do ano de 2006 através da avaliação das fichas cadastrais de 1572 prontuários de usuários ativos em um Centro de atenção psicossocial – CAPS II, destes, 551 são do ano de 2004, dentre os quais encontramos são 372 mulheres. Desse contingente detectamos 204 que possuíam queixas depressivas, sendo este, o grupo que constituiu o nosso objeto de estudo.

As variáveis estudadas foram: idade, renda, escolaridade, estado civil, religião, principais queixas e hipótese diagnóstica. Em seguida, foi feita a quantificação dos dados através de gráficos elaborados com cálculos de porcentagem simples das informações encontradas.

3. Resultados

Gráfico 1: Dados Gerais Obtidos

Gráfico 1: Dados Gerais Obtidos

 

Nos dados gerais obtidos com o presente estudo, identificamos 1572 fichas cadastrais que representam os pacientes ativos no Centro de atenção psicossocial - CAPS II desde sua fundação até a data da pesquisa. Do total pesquisado percebemos que 551 usuários deram entrada no serviço no ano de 2004, representando um percentual de 35,05% do total. Na análise das fichas cadastrais do referido ano temos também um total de 372 mulheres, representando 67,51% em comparação a 179 homens, ou seja, 32,49%. Do universo de 372 mulheres atendidas em 2004, 204 apresentaram queixas depressivas, compondo um percentual de 54,83%.

Gráfico 2: Estado Civil das Mulheres

Gráfico 2: Estado Civil das Mulheres

Os dados referentes ao estado civil dos usuários estudados estão no gráfico 2. Das 204 mulheres que deram entrada no serviço do Centro com queixas depressivas, 50,98% são casadas, 21,57% são solteiras, 9,31% são separadas ou divorciadas e 5,39% são viúvas. Porém, 12,75% das fichas cadastrais pesquisadas não apresentaram registro algum no tocante a essa informação.

Gráfico 3: Faixa de Idade das Mulheres

No que concerne à idade das mulheres pesquisadas, vimos que 4,9% encontram-se na faixa etária de 17 a 20 anos, 49,5% tem de 21 a 40 anos, 34,3% de 41 a 60 anos, 9,8% acima de 61 anos, e 1,5% não foi especificado nenhum dado. Os resultados sobre as queixas depressivas/depressão apontam uma maior incidência no intervalo etário de 21 a 60 anos, totalizando um percentual de 83,8%.

Gráfico 4: Escolaridade das Mulheres

Gráfico 4: Escolaridade das Mulheres

A avaliação da escolaridade dos usuários pesquisados nos mostrou que existe um grande número de fichas cadastrais sem esta informação, representando um total de 78,43%. Sendo que nas demais fichas cadastrais analisadas, 4,9% destes não são alfabetizados, temos 12,35% com ensino fundamental completo ou incompleto, encontramos 3,43% com ensino médio completo e aproximadamente 1% com ensino superior completo ou incompleto.

Gráfico 5: Religião

Gráfico 5: Religião

Os resultados obtidos acerca da religião dos usuários atendidos pelo Centro constataram uma incidência elevada no número de ficha cadastrais sem informações nesse campo, representando 64,2%. Temos 27,45% de religião católica, temos 7,35% de evangélicos, 0,5% de espíritas e 0,5% que afirmaram não ter religião.  

Gráfico 6: Renda Familiar

Gráfico 6: Renda Familiar

Neste gráfico temos uma análise da renda familiar, aonde identificamos que 0,98% não possuem nenhuma renda, 6,86% com renda inferior a 1 salário mínimo, 54,41% possuindo renda entre 1 e 2 salários mínimos, 10,29% de 3 salários mínimos ou mais e 25,49% não constava nenhuma informação deste campo nas fichas cadastrais. O que nos permitiu verificar que a maioria dos usuários possui alguma renda, mesmo que mínima.

Gráfico 7: Principais Queixas

Gráfico 7: Principais Queixas

         

Na avaliação quanto às principais queixas constatou-se que dentre as pacientes atendidas aparecem em maior frequência a insônia com 56,37%, seguida de choro fácil com 49,01% e cefaleia com 30,39%. A inapetência alimentar e o medo ficaram em torno de 19,6% e 17,15% respectivamente, já o isolamento 15,68% e a queixa de depressão 14,21%. Entre os menos citados temos a tristeza com 13,72%, o desânimo com 13,23% e tentativa de suicídio com 6,37%.

Gráfico 8: Hipóteses diagnósticas registradas

Gráfico 8: Hipóteses diagnósticas registradas

 

Quando analisamos o item diagnóstico percebemos que existe uma porcentagem de 70,6% de prontuários sem registro diagnóstico. Enquanto que 14,7% apresentam diagnóstico de depressão contra também 14,7% de outros diagnósticos oriundos de queixas depressivas.

4. Discussão

Os resultados mostraram que encontramos 1572 prontuários de usuários ativos no CAPS II no ano de 2004, período de corte em que foi realizada a pesquisa, desse universo foram identificadas 372 mulheres atendidas, sendo que destas, 204 apresentaram queixas depressivas, com um percentual de 54,83% da amostra. A análise mostrou que 50,98% dessas mulheres são casadas, contra 21,57% das solteiras. Vimos uma distribuição da faixa etária entre 21 a 40 anos (49,5%), 41 a 60 anos (34,3%), sendo o grupo etário com maior incidência de queixas depressivas, co-validando pesquisas anteriores [6] [23].

Quanto à avaliação escolar, os usuários pesquisados apresentaram um baixo índice de escolaridade em sua maioria, totalizando 12,35% com ensino fundamental (completo ou incompleto), 3,43% no ensino médio e apenas 1% com ensino superior (completo ou incompleto). A pesquisa mostrou também um superior índice de usuários católicos (27,45%) em detrimento dos evangélicos (7,35%) e espíritas (0,5%) havendo ainda 0,5% sem religião definida. Os dados revelam o pouco acesso ao estudo e certa influência da religião.

No gráfico referente à renda familiar, vimos um baixo nível sócio-econômico dos usuários, com apenas 10,29% destas recebendo acima de 3 salários mínimos, e 54,41% entre 1 e 2 salários mínimos. Na análise das principais queixas, constatamos a presença de maior frequência de insônia (56,37%), choro fácil (49,01%) e cefaleia (30,39%). As hipóteses diagnósticas registradas sofreram um déficit de informações, com 70,6% das fichas cadastrais sem nenhum dado diagnóstico específico, 14,7% de registros com o diagnóstico de depressão e 14,7% com outros diagnósticos.

Na avaliação dos resultados da pesquisa observamos que os dados encontrados vêm reforçar a afirmativa da literatura científica de que há uma maior incidência de queixas depressivas em mulheres, conforme vimos (gráfico 1), bem como o uso indiscriminado do termo depressão para qualquer tristeza ocasional sentida pelos indivíduos diante das dificuldades cotidianas, mostrando que muitas vezes a queixa depressiva não necessariamente evolui para o diagnóstico de depressão (gráfico 8).

Na análise encontramos também um alto índice de mulheres casadas (50,98%) com queixas depressivas, o que contraria as teorias que apregoam que uma vida a dois tornaria o indivíduo menos suscetível a desencadear um episódio depressivo, em detrimento de indivíduos solteiros que estariam supostamente mais solitários e, portanto, propensos a tal incidência.

Por outro lado, esse dado pode nos remeter aos casos de violência contra as mulheres, cujo índice de agressão é significativamente maior nas casadas, fator que poderia colaborar para a procura dos serviços de saúde mental com queixas depressivas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) [9], quase metade das mulheres assassinadas são mortas pelo marido ou namorado, atual ou ex, a violência responde por aproximadamente 7% de todas as mortes de mulheres entre 15 a 44 anos no mundo todo.

Nessa linha, pesquisa [10] mostra que a violência tem resultados devastadores para a saúde reprodutiva da mulher, afetando seu bem-estar físico e mental. Além das lesões físicas, a violência aumenta o risco, em longo prazo, de que a mulher tenha outros problemas de saúde, incluindo dores crônicas, incapacidade física, abuso de drogas e álcool e depressão. 

Quanto à alta incidência de indivíduos entre 21 a 40 anos com queixas depressivas percebemos que isso se dê devido a ser essa faixa etária a fase de vida com mais responsabilidades, com o início da vida adulta e as exigências sociais e afetivas. Coser aponta o “mal estar na cultura” em que vivemos, a exigência sofrida pelos indivíduos, do qual são cobradas performances, estando estes sempre aquém delas darem conta, como fatores que devem ser considerados quanto às queixas depressivas dirigidas aos profissionais de saúde [12].

Outro ponto importante é a renda familiar dos usuários estudados, que nas pesquisas apontaram para um nível econômico de “baixa renda”, onde 54,41% encontram-se na faixa de 1 a 2 salários mínimos, isso nos remeteu ao fato do Centro, onde foi realizada a pesquisa, situar-se numa região de população com baixo poder aquisitivo. Vale ressaltar que essa renda é da família como um todo, não constando nenhum dado cadastral referente à renda própria do usuário.

Um fato significativo que nos chamou a atenção na pesquisa, refere-se a um alto índice de prontuários com ausência de determinadas informações como renda (25,49%), religião (64,27%), escolaridade (78,43%) e diagnóstico (70,6%). Essa ausência de dados, além de dificultar nosso trabalho quanto à coleta das informações e montagens dos gráficos, mostrou a deficiência da instituição pesquisada quanto ao preenchimento das fichas cadastrais até o dado momento da pesquisa.

5. Conclusão

Os resultados nos fizeram ter um parâmetro do público-alvo atendido pelo serviço de saúde mental estudado, que reforça a tese do nosso trabalho em nomear “queixas depressivas” e não a depressão como critério utilizado pelas equipes de saúde. Temos então, em sua maioria, mulheres com queixas depressivas, adultas jovens, baixa escolaridade, baixa renda, católicas, sem um diagnóstico psiquiátrico delimitado, ressalvado a ausência de dados relevantes para alguns dos itens pesquisados.

Essa problemática pode comprometer um planejamento de ações e intervenções macro em saúde pública, porque sem os dados não há um fundamento estatístico para direcionar com maior precisão as ações do Sistema Único de Saúde (SUS), com a respectiva distribuição dos recursos condizentes à política pública de Saúde do Governo Federal.

Diante do anteriormente exposto vimos a grande necessidade de um investimento em Tecnologia de Informação em Saúde (TIS), que consiste em um conjunto de conhecimentos, sobre dados ou fatos processados, acerca de alguém ou de algo, podendo ter um papel muito importante no processo de gestão, facilitando o armazenamento, o processamento e a disseminação de dados coletados, criando-se um banco de dados de informações em saúde via Município e Estado. Outra importante questão seria o treinamento do pessoal técnico responsável pelas entrevistas de triagem/recepção do serviço, normatizando as informações a serem coletadas nas fichas cadastrais.

O presente estudo não é o primeiro que detecta uma alta incidência de queixas depressivas/depressão em mulheres numa dada região, seu ineditismo deve-se à cidade da análise de dados, onde não se tem conhecimento de nenhum estudo dessa natureza até então. Considerando este fato e as dificuldades técnicas encontradas, referentes aos cadastros da instituição pesquisada, é que ora chamamos a atenção da comunidade local bem como as autoridades sanitárias para o fomento de mais pesquisas realizadas acerca da realidade apresentada.

A depressão é uma doença silenciosa e lenta, cuja importância de um diagnóstico precoce e do tratamento adequado da sua sintomatologia, pode trazer uma esperança de melhor qualidade de vida à população atingida. Fédida faz uma apreensão fenomenológica do fenômeno depressivo, utilizando os referenciais da psicopatologia, da fenomenologia e da psicanálise em seu empreendimento. Conhecido por recrutar os meios do método fenomenológico para uma leitura metapsicológica assim descreve o fenômeno depressivo:

Depressão é uma figura do corpo. Figura cuja expressividade é desenhada ao vivo na impressão de um rosto, sensível como um espelho, no peso estirado ou tenso dos membros, na visibilidade aguda e dolorosa da pele [14].

Sobre os Autores:

Alderon Marques Cantanhede Silva - Psicólogo e Psicanalista. Bacharel, licenciado e Formação em Psicologia pela UESPI.

Cláudia Pereira Martins - Psicóloga e Psicanalista. Licenciada e Formação em Psicologia pela UFPB.

Welide Rodrigues de Oliveira - Assistente Social. Bacharel em Serviço Social pela UFPI.

Referências:

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  2. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV). 4ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
  3. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamentos da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
  4. ______________________________. Relatório sobre a saúde no mundo. Saúde mental: nova concepção, nova esperança. WHO: Genebra, Suíça, 2001.
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  11. KRAMLINGER, Keith. Depressão: Pesquisada e comentada pela Clínica Mayo. Editora Anima, 2003.
  12. COSER, Orlando. Depressão: Clínica, crítica e ética. Rio de Janeiro: Editora fiocruz, 2001.
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