Integração dos CAPS com a Atenção Básica

Integração dos CAPS com a Atenção Básica
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Integraçaõ CAPS-PSFNa rotina dos agentes comunitários, atender casos de saúde mental é mais freqüente do que as pessoas imaginam. De acordo com uma pesquisa nacional 56% das equipes de Saúde da Família disseram realizar alguma ação de saúde mental durante seu trabalho, por isso a articulação entre saúde mental e atenção básica é fundamental.

Programa de Saúde da Família

Está na constituição: saúde é um direito do cidadão, todo brasileiro deve ter acesso à prevenção e tratamento de doenças por meio das ações básicas de saúde, cabe ao poder publico garantir um atendimento de qualidade. O Programa de Saúde da Família, o PSF, foi criado em 1994 para ser uma ferramenta do modelo de atenção integral, assim foi estabelecido pela constituição de 1988.

É um dispositivo para que os profissionais de saúde atuem o mais próximo o possível da população numa tentativa de substituir o velho modelo de consulta e tratamento do sintoma. As equipes tentam reconhecer os principais problemas de cada região, assim evita-se o deslocamento desnecessário  dos pacientes às unidades de saúde e juntos, equipe e cidadão, procuram as melhores solução para enfrentar os problemas de saúde antes que eles se agravem.

Estratégia:

O Ministério da Saúde aponta esse novo modelo com o eixo norteador da atenção básica, pois ele trabalha com uma população adscrita, uma população definida, e ele aglutina junto da sua equipe um novo elemento, que é o agente comunitário de saúde, que é responsável por uma parte desse território. Cada equipe de PSF trabalha com 4 a 6 Agentes Comunitários (AC), e esses agentes comunitários tem sobre sua responsabilidade um número que varia entre 150 e 200 famílias.

O AC trabalha inicialmente com o mapeamento do território, feito junto com a equipe, depois ele faz o cadastramento de cada família, em um cadastro chamado ficha-a, que trás informações epidemiológicas, sociais, econômicas e sanitárias daquela família. Ao finalizar todos os cadastros a equipe faz um diagnóstico de saúde, para assim planejar ações para as intervenções necessárias. Nas reuniões semanais da equipe é decidido o que os agentes vão fazer, como irão se dar os agendamentos, as visitas e como serão feitas as intervenções.

Em municípios com menos de 20 mil habitantes não precisa haver CAPS, mas em mais de 90% dos municípios brasileiros existe cobertura do Programa de Saúde da Família, nesses locais a idéia é estabelecer iniciativas conjuntas de ação entre a saúde mental e a atenção básica. Usando o cuidado como uma forma de inclusão social.

Parceria CAPS-PSF

Na medida em que se desenvolve essa nova política de atendimento mais evidente fica a demanda de casos de saúde mental. Estes atendimentos tiveram que passar a fazer parte do planejamento de trabalho do PSF, por isso a troca de experiências com os CAPS e demais serviços de saúde mental da região é fundamental.

Os CAPS devem realizar atividades de orientação sobre Saúde Mental como capacitação, supervisão e discussões de casos com as equipes da Atenção Básica, em contrapartida o PSF também deve municiar os CAPS com informações sobre o entorno dos pacientes, suas relações familiares e com os vizinhos, além de identificar pessoas que possam colaborar no tratamento. Por todos estes fatores as equipes devem atender em conjunto as situações mais complexas.

O desenvolvimento da estratégia de saúde da família nos últimos anos e dos novos serviços substitutivos em saúde mental, especialmente os CAPS marcam um progresso indiscutível da política do SUS. Assumir esse compromisso é uma forma de responsabilização em relação à produção de saúde, a busca da eficácia das práticas e a busca da equidade, da integralidade e da cidadania num sentido mais amplo.

Referencial

Baseado e adaptado de:

Ministério da Saúde. UM OUTRO OLHAR: Manual Audiovisual sobre Centros de Atenção Psicossocial e Saúde Mental na Atenção Básica. 2007.

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