Prejuízos da Ausência Materna no Desenvolvimento Infantil

Prejuízos da Ausência Materna no Desenvolvimento Infantil
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1. Introdução

Neste trabalho de conclusão discorreremos sobre o tema desenvolvimento da saúde mental na primeira infância; sendo este um assunto comum a todos, pois todo ser humano passa de alguma forma pelo processo de desenvolvimento mental. Observa-se uma necessidade de compreensão cada vez maior em relação ao processo de desenvolvimento saúde mental dos indivíduos, e dos problemas comportamentais da sociedade. O estudo é relevante para o entendimento de como o processo de desenvolvimento da saúde mental acontece, e quais são os pontos importantes para a colaboração do desenvolvimento mais adequado do mesmo; atendendo a necessidade de profissionais que buscam orientação sobre assunto e de pais, que buscam entender o processo de desenvolvimento, para ajuda-los no posicionamento de seus papeis (BOWLBY, 2002, pag. 89).

Durante muito tempo a criança foi vista como um pequeno adulto incompleto, que tinha a capacidade de compreender e entender o mundo e suas relações. Os anos se passaram, estudos foram realizados, e hoje se sabe que as crianças, principalmente as da primeira infância, não compreendem o mundo como o adulto, por não terem desenvolvido suas capacidades, e por não ter sua elaboração igual a de um adulto. A criança perceberá o mundo de acordo com suas ferramentas primárias, o som, os toques, seus sentidos, e suas primeiras interações, estarão vinculados a si (MONTEIRO, 2003, pag. 58).

Trabalharemos com as perspectivas de John Bowlby e Donald W. Winnicott, autores que pesquisaram a relação do desenvolvimento infantil, desenvolvendo teorias de grande importância para o estudo do desenvolvimento humano no aspecto psíquico do ser; levando em consideração a interação com o outro, no caso, mãe-bebê; e os benefícios do apego, cuidado e ambiente para o bebê; outra característica de interesse, era a relação que se dava entre o bebê e o adulto, acreditava-se que essa inteiração estava ligada a necessidade de alimentação; através de pesquisas realizadas com animais recém-nascidos, se comprovou que essa interação, se dava independente da alimentação, pois existia uma necessidade além da de sobrevivência, era a necessidade de vínculo afetivo; não só como uma ferramenta opcional, mas como uma capacidade que exerceria influência na saúde mental, do animal (Idem, 2003, pag. 58).

John Bowlby (1907-1990) psiquiatra e psicanalista, interessado no desenvolvimento infantil, passou a estudá-lo, e desenvolveu a “teoria do apego”, onde esse vínculo mãe-bebê anteriormente mencionado, seria tão importante para o desenvolvimento humano, quanto qualquer outra necessidade puramente fisiológica (CARVALHO, POLITANO e FRANCO, 2008, pag. 235).

Discorreremos sobre a teoria de apego de John Bowlby, onde o mesmo considera que a relação precoce entre cuidador e bebê será a base para as relações futuras, sendo o apego não inerente nem a ao cuidador, e nem ao bebê, mas uma construção de interação de ambos, logo para se formar é necessário que esse cuidador no caso mãe, disponha da vontade de cuidar, e atender as solicitações do bebê; sendo este predisposto a reconhecer seu cuidador (mãe) como um protetor, um porto seguro; refletiremos sobre a segurança do apego na primeira infância, sendo esta a base para os aspectos de desenvolvimento emocional e social no futuro; veremos o apego inseguro e seguro, ambos terão força para conduzir os resultados positivos e negativos no desenvolvimento. 

“Foi ele um dos primeiros a reconhecer que o ser humano chega ao mundo predisposto a participar na interação social. [...] A visão evolucionária do apego propõe que os bebês da maioria das espécies animais nascem pré-programados para o estabelecimento de uma ligação próxima e forte ao agente principal de cuidados com o qual tal relação se estabelece.” (MONTEIRO, 2003, pag.59).

Essas experiências vivenciadas entre mãe-bebê serão o alicerce das características emocionais do adulto, todas as memórias vivenciadas e gravadas, tornam-se registros para a forma como o sujeito agirá, e se relacionará no futuro. Toda a interação mãe, bebê, e família, têm seus aspectos importantes, porém, no trabalho de conclusão focaremos no papel materno como o principal responsável pela consolidação emocional do bebê.

“Sendo que o apego seguro prediz resultados melhores de desenvolvimento, e o apego inseguro prediz dificuldades de comportamento e de relacionamento. Descobrimos também que um apego seguro é um fator importante de proteção para crianças que funcionam de maneira competente mesmo diante de adversidades.” (EGELAND, 2011, pag.2).

Na nossa cultura patriarcal durante século aprendemos que a maternidade é uma característica inerente à mulher, e que todas nascem pré-dispostas a exercerem seu papel de forma excelente; todas as mulheres conseguem e querem exercer a maternidade? Dentro dessa realidade vemos uma mudança tanto nas formas de família, quanto nas características das crianças e jovens; quando há um rompimento da mulher em relação ao seu papel, antes estabelecido historicamente. Abordaremos como esse processo de desenvolvimento da saúde emocional se dá a partir do papel da mãe, quais as consequências geradas no ser humano quando esse papel materno não é cumprido, podendo variar negativamente o emocional do ser humano, e consequentemente seu comportamento.

Para o desenvolvimento da saúde mental e emocional da criança, é necessário que haja uma construção a priori de características de uma boa relação afetiva desde o nascimento e seu primeiro contato com a mãe, Winnicott relata essa construção como algo importante para a criança, essa construção não se dá apenas pelo contato mãe-bebê e sim entre “mãe” cuidador, a pessoa que terá a responsabilidade do cuidado do bebê, pois em meio às mudanças culturais e situacionais que as famílias sofrem, pode ocorrer alterações nesse processo; no livro A família e o desenvolvimento individual, Donald W. Winnicott (1896-1971) pediatra e psicanalista considerou a mãe como a pessoa mais qualificada para cuidar, atender as necessidades do bebê, e se dedicar inteiramente a esse cuidado; por melhor que outro cuidador seja, pai ou um substituto; nada garantiria tal completude quanto à dedicação da própria mãe ao bebê, pois esta desenvolve durante a gravidez, parto e puerpério, sentimentos distintos e um estado psicológico denominado por ele como “preocupação materna primária” quando há uma fusão emocional entre mãe e bebê; essa boa construção dos vínculos afetivos estará inteiramente ligada à dedicação do cuidador, logo, Winnicott, atribui a mãe o papel de melhor cuidador; denominou também o termo maternagem para se referir a atitude e aos cuidados da mãe dispensados ao bebê.

Além da importância da mãe, Winnicott identifica o ambiente em que a criança cresce como sendo fator importante para esse desenvolvimento, atribuindo aos pais, a responsabilidade por esse ambiente, mantendo-o harmonioso e seguro para a criança. (WINNICOTT,1983, pag. 4-19).

Cada experiência vivenciada ao longo do desenvolvimento humano é muito significativa para a consolidação da maturidade emocional. Todas as interações vivenciadas são registradas no desenvolvimento como, pontos positivos e negativos; sendo essas vivências, emocionais e até mesmo físicas; porém todo o processo de desenvolvimento se arranja nos primórdios da vida; do ventre, aos primeiros contatos do bebê com o outro; a mãe ou cuidador. Para Winicott:

“Mesmo no ventre, o seu bebê já é um ser humano, distinto de qualquer outro ser humano, e no momento em que nasce já teve uma grande soma de experiências, tanto agradáveis, como desagradáveis.” (Idem, 1982, pag.19).

A construção do afeto mãe-bebê, torna-se uma consequência do desejo dessa mãe e do ambiente proporcionado a ela, para a realização de forma sadia e satisfatória do seu papel materno. Quando não existe o desejo de maternagem, logo as circunstâncias e a vontade são fatores predominantes para privação desse afeto materno, gerando consequências significativas. “Nos assuntos humanos, os mais complexos só podem evoluir a partir dos mais simples.” (Idem, 2008: pág.36)

Refletiremos sobre o afeto, e as relações entre bebê, mãe, família; e a formação dos vínculos; sendo como pilar a figura materna; em contraste, nossa busca é identificar o que acontece com essa criança quando a mãe por diversos motivos não pode, ou não quer desenvolver essa relação, e como a privação afetiva pode comprometer o desenvolvimento e a maturação do bebê. Como esperar que essa criança reaja a essa falta específica? 

“A despeito de muitas crianças vivenciarem situações de estresse e risco em seu cotidiano, podendo apresentar distúrbios emocionais e problemas de conduta, nem todas apresentam esse comportamento. Pelo contrário, algumas delas conseguem adaptar-se e superar essas situações, demonstrando, entre outras habilidades, competência social, manifestando o que se denominou resiliência, isto é, uma capacidade de se sair bem em frente a fatores potencialmente estressores.” (MONTEIRO, 2003, pag. 85,86).

Uma parte das crianças que cresceram sem a presença física da mãe, ou mesmo as que a tiveram fisicamente; tiveram prejuízos no desenvolvimento de sua saúde mental ou em contrapartida outras conseguiram desenvolver através de características pessoais, ou subsídios, a capacidade de lidar com as situações recorrentes da vida; mesmo que criadas em lares comprometidos.

“Considerar o potencial criativo e a incrível capacidade regenerativa das crianças em vínculos alternativos que lhes forneçam experiências de acolhimentos, intimidade e relacionamento contínuo.” (ZORNING e LEVY, 2006, pág.30).

Para finalizar este trabalho destacamos como a família e a sociedade, podem incentivar e apoiar essa mãe que não se sente segura para a maternagem ou que não sente o desejo de cumprir esse papel. Como sem o desejo de ter esse bebê, essa mãe pode ser motivada a amá-lo? “A protagonista desta nova tarefa será a mãe, mas como convencê-la a investir nesse pequeno ser tão sem atrativos?” (BAPTISTA, 2003, pag.59).

2. Os Laços Afetivos: Desenvolvimento Emocional

Focaremos no papel da mãe progenitora como principal para a abordagem do trabalho e estudo do desenvolvimento do bebê; desde o ventre onde esse feto em desenvolvimento passará a crescer em volto aos sons dessa mãe, sentindo as reações desse processo durante os nove meses de gestação e reagindo as emoções da mãe.

“Quando a grávida está tranquila e satisfeita, o bebê sente que seu mundo está em perfeita harmonia. São inúmeras conexões neurais, enzimas e hormônios liberados na corrente sanguínea que realizam maravilhas na formação do feto.” (GOOS, 2010, pag.4).

O desenvolvimento emocional do bebê iniciará no ventre, no processo de desejo dessa mãe pela gestação, em como ela ansiou esse momento, esse filho; e o percurso da gravidez será um fator predominante para o parto e, as necessidades primárias do bebê; uma gestação caso não desejada pode ser marcada por momentos de desacordo, emoções conflitantes e fortes por parte da mãe; isso poderá causar grande estresse nesse bebê; um parto complicado trás consigo uma carga que afetará provavelmente a saúde emocional dele. Logo no nascimento essa mãe passará pela privação das suas vontades e necessidades para se dedicar quase que exclusivamente a esse ser dependente, onde ela deverá estar pronta e disposta a atender as suas necessidades; independente da capacidade intelectual ou monetária, essa mãe, entregará ao bebê toda a sua força para a manutenção da vida e do desenvolvimento, não dependendo da experiência, ou habilidades; o desenvolvimento desse bebê só será um processo positivo se permeado pelo vinculo afetivo, pelo amor. “Mesmo no ventre, o seu hebê já é um ser humano, distinto de qualquer outro ser humano, e no momento em que nasce já teve uma grande soma de experiências, tanto agradáveis como desagradáveis.” (WINNICOTT, 1982, pag.19).

Winnicott discute a relação mãe e bebê, no processo de amamentação, como sendo fator de grande importância para o desenvolvimento do afeto através desse primeiro cuidado; sendo um elemento de segurança, aconchego e tranquilidade para o bebê; podemos salientar que quando esse processo não é natural e envolto de sentimento, essa criança sentirá a mecanização e a frieza, logo, o processo não se dará adequadamente. “Todo o processo físico funciona precisamente porque a relação emocional se está desenvolvendo naturalmente” (Idem, 2008, pag.33).

As relações de afeto se permeiam dentre tantos outros sentimentos através da interação, para Winnicott todo desenvolvimento de sentimentos, se dá através do cuidado, dado pela mãe, caso haja a falta desse cuidado, toda a extensão sentimental fica comprometida, tornando essa criança uma pessoa com dificuldades ou até mesmo com ausência de sentimentos como a culpa.

“E a de que aqueles aos quais falta senso moral não tiveram nos estágios iniciais do se desenvolvimento a situação emocional e física que lhes teria possibilitado desenvolver uma capacidade para o sentimento de culpa.” (Idem, 1983: pág.28).

Portanto, a forma mais eficaz que a criança tem de criar vínculos de afeto, manter relações com outras pessoas é quando primeiro essa relação, mãe-bebê é bem estabelecida, para Winnicott o bebê deve ser alimentado pelo seio materno, em referencia literal e metaforicamente quando se refere ao afeto dado por essa mãe; enfatizando que os assuntos humanos complexos só podem evoluir a partir dos mais simples (Idem, 2008: pag, 36).

Podemos observar que grande parte do desenvolvimento da saúde mental da criança está inteiramente ligada à figura materna, conforme a criança for crescendo suas necessidades de interação se ampliam, tendo como base para seu processo o contato com outras pessoas, principalmente com o pai. O ambiente familiar deve ser um ambiente tranquilo, harmonioso e agradável, onde os pais vão proporcionar a criança condições para que desenvolvam suas potencialidades inatas de forma sadia e natural. Bowlby salientou que para que a criança tenha saúde mental é preciso essencialmente que ela vivencie uma relação calorosa, íntima com sua mãe, relação essa que deverá trazer satisfação e prazer para ambos (BOWLBY, 2002, pag. 3-4).

3. Apego: Sua Construção no Desenvolvimento Infantil

No processo de desenvolvimento da criança, o apego se fortalece nos contatos entre a criança e a mãe, através do cuidado ofertado pela mesma. Quando a mãe se dispõe aos cuidados físicos e emocionais de forma sadia e satisfatória, a criança percebe a importância que tem, e a dedicação dessa mãe gera o sentimento de segurança e bem estar; caso essa mãe, não disponha a criança as necessidades físicas e emocionais de forma equilibrada e sadia, da mesma forma, essa criança percebe-se com rejeição, quebra-se o vinculo de afeto, ou não se cria, tornando essa criança desprotegida e insegura para o mundo e para outras relações (DALBEM e DELL’AGLIO, 2000, pag.3).

Essas questões se tornam cada vez mais pertinentes, já que o apego tem sido considerado como um importante fator constituinte da personalidade, sendo incluída no DSM- IV uma classificação diagnóstica para estas disfunções sob o titulo de “Transtorno de Apego Reativo na Infância”, descrito como:

“[...] ligação acentuadamente perturbada e inadequada ao nível de desenvolvimento na maioria dos contextos, com o início dos 5 anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos [...]” (DSM – IV, pág. 113).

Bowlby em sua teoria diferencia apego do comportamento de apego, e enfatiza as sete características do comportamento de apego; dentre elas especificidade, duração, envolvimento emocional, ontogenia, aprendizagem, organização e função biológica; que consistem basicamente na ideia de que comportamento de apego se inicia provavelmente na vida uterina , e vai se desenvolvendo durante o processo de desenvolvimento da criança, dirigindo-se a uma pessoa específica, na díade; o apego pode variar de intensidade a modo, durante toda a vida; a proximidade com o outro faz com que a criança aprenda a desenvolver sua capacidade de adaptação com o meio, o apego possui como a principal função, a biológica, onde instintivamente o bebê buscará segurança e proteção, em alguém que supra suas necessidades (CARVALHO, POLITANO e FRANCO, 2008, pag. 235).

“Essa necessidade e os mecanismos pelos quais ela se realiza na ontogênese teriam sido criados no decorrer da evolução humana, em função da importância da proximidade com o adulto para a proteção e o desenvolvimento da criança - que, reconhecidamente, e sem controvérsias entre as diferentes teorias da psicologia, nasce em condições de absoluta dependência de cuidados do outro.” (Idem)

Bowlby ressalta que e comportamento de apego; é a resposta do bebê ao seu medo, fome ou estresse, emitindo assim, sinais para que o cuidador motive-se a se aproximar, logo, o comportamento de apego traz segurança e o conforto e possibilitando o desenvolvimento - a partir da principal figura de apego - do comportamento de exploração. Quando uma pessoa está apegada ela tem um sentimento especial de segurança e conforto na presença do outro e pode usar o outro como uma “base segura” a partir da qual explora o resto do mundo. Logo, comportamento de apego e apego, são distinguidos por Bowlby como:

“Ao falar de uma criança que esteja apegada ou que tenha um apego a alguém, quero dizer que esta pessoa está fortemente disposta a procurar a proximidade e contato com esse alguém e a fazê-lo, principalmente, em certas condições específicas. A disposição de comportar-se dessa maneira é um atributo da pessoa apegada. O comportamento de apego, em contraste, se refere a qualquer das formas de comportamento, nas quais a pessoa se engaja, de tempos em tempos, para obter ou mante ruma proximidade desejada.” (BOWLBY,1989, pág.40).

Quando existe um ambiente seguro e bom, essa mãe saberá lidar de forma assertiva no cuidado físico e emocional do bebê; Winnicott reconhece o papel paterno como importante, porém exalta a capacidade materna de agir da forma mais capaz e natural para atender a necessidade do filho; por isso essa mãe precisa estar segura emocionalmente do seu papel e do seu desejo de maternidade, necessita de apoio e compreensão por parte da família e dos que a rodeiam, para que o processo de maternagem por mais difícil que seja, possa acontecer de forma mais tranquila, para mãe e para o bebê.

“A jovem mãe precisa de proteção e informação; precisa do melhor que a ciência médica pode oferecer em termos de cuidados corporais e prevenção de acidentes evitáveis. Ela precisa de um médico e de uma enfermeira que conheça e em que deposite confiança. Precisa da devoção de um marido, e de experiências sexuais satisfatórias. [...] Ou seja, dar suporte moral à boa mãe comum, educada ou não, inteligente ou limitada, pobre ou rica, e protegê-la contra tudo e todos que se interpuserem entre ela e seu bebê” (WINICCOTT, 1996, pag, 99).

Winnicott trás a importância da amamentação como fonte de contato e conhecimento entre mãe-bebê, e se ambos apresentam boa saúde e condições de proceguirem com o processo, sendo essa mãe permeada da segurança de um lar sadio mantido por ela e pelo marido ou parentes, então, nessa circunstância a amamentação é uma das etapas mais importantes do processo; ambos se conhecerão e compartilharam de um processo de vínculo e amor mútuo, passando a confiar um no outro, aprendendo um com o outro. (Idem, 2008: pág. 31,32) O fato de a mãe estar presente, e atenta a cada sinal do seu bebê, sem pressa, dando os devidos cuidados as suas necessidades, significa para o bebê que a mãe é viva, é um humano, fato esse que é naturalmente apreciado pelo bebê. “Mas o que finalmente leva o bebê a sentir uma pessoa na mãe é, talvez, a capacidade especial da mãe para colocar-se no lugar da criança e, assim, entender o que ela sente.” (Idem, pág.48).

É importante que a mãe perceba seu papel, e sua importância para o desenvolvimento emocional de seu filho, através dela dar-se-á início o desenvolvimento da saúde mental do bebê, e dos processos de relação entre o outro e o mundo, tendo a consciência da importância do seu cuidado para com seu bebê, ela poderá se doar cada vez mais a esse processo, fortalecendo seu vínculo afetivo, e preparando seu bebê para o manejo do apego.

 “Para que os bebês se convertam, finalmente, em adultos saudáveis, em indivíduos independentes, mas socialmente preocupados, dependem totalmente de que lhes seja dado um bom principio, o qual está segurado, na natureza, pela existência de um vínculo entre a mãe e o seu bebê: amor é o nome desse vínculo. Portanto, se você ama o seu filhinho, ele estará recebendo um bom princípio” (Idem, 2008: pág. 17).

A construção de um bom vínculo afetivo que origina o processo de afeto exerce muitos benefícios para a saúde mental de um indivíduo e a construção do seu ego, mas se essa construção não é criada, perceberemos diferentes desajustes, que variam de indivíduo para indivíduo, de situação a situação, porém, independente do que é gerado, de que consequência ocorrerá na vida do indivíduo, é entendido que aparecerá alguma.

“Só na presença dessa mãe suficientemente boa, pode a criança iniciar um processo de desenvolvimento pessoal e real. Se a maternagem não for boa o sufi ciente, a criança torna-se um acumulado de reações à violação; o self verdadeiro da criança não consegue formar-se, ou permanece oculto por trás de um falso self que a um só tempo quer evitar e compactuar com as bofetadas do mundo.” (Idem, 1958: pág.17).

Os bebês que são cuidados por suas mães da forma mais ajustada, rapidamente estabelecem-se como pessoas, com suas diferenças em relaçãos aos outros, porém com suas capacidades afloradas, como a capacidade de se preocupar e de sentir culpa; em contraponto os que recebem apoio egoico inadequado ou patológico, conseuqnetemente apresentam padrões de comportamento como; inquietude, estranhamento, apatia, inibição, complacência; a princípio os bebês demonstram características distintas de um bebê com o desenvolvimento emocional sadio, e a tendência é que esses desajustes aumentem conforme o crescimento e a necessidade de interação com o outro (Idem, pág.17,18).

“A presença contínua da mãe (ou sua substituta) é pré- condição necessária a essa realização altamente sofisticada, e a atitude da mãe deve comportar um elemento de estar atenta a ver e aceitar os esforços imaturos feitos pela criança no sentido de contribuir, isto é, cabe à mãe reparar, amar construtivamente.” (Idem, pág.13).

4. A Privação

Para Winnicott a ausência materna e a falta de apego gera na criança uma necessidade da busca de um objeto transitório; essa criança pode apresentar comportamentos desajustados, como; roubo, insônia; apresentam comportamentos de regressão, tendência antissocial, carência e até uma propensão a delinquência. Com o vínculo afetivo mal estabelecido o processo de holding fica prejudicado, processo esse que representa a capacidade da mãe de identificar-se com seu bebê, manipulá-lo, protegê-lo e segurá-lo; demonstrando sua forma de amor (WINNICOTT, 1958, pag. 44-48).

“Gradativamente, em circunstâncias favoráveis, a capacidade do sentimento de culpa se constrói no individuo com respeito à mãe, e isso está intimamente relacionado com a oportunidade de reparação. [...] Não podemos esperar curar muitos daqueles que se tornaram delinquentes, mas podemos esperar compreender como prevenir o desenvolvimento da tendência antissocial. Podemos pelo menos evitar interromper o relacionamento em desenvolvimento entre mãe-nenê.” (Idem, 1983, pag. 28-30).

Para Bowlby os cuidados que a criança recebe nos primeiros anos de vida, tem grande importância para a saúde mental futura, e é essencial que essa criança tenha a vivência de uma relação amorosa, íntima e contínua com a mãe; quando a criança não encontra esse tipo de relação ela vivencia a “privação parcial”; quando a mãe convive na mesma casa que a criança e não proporciona os cuidados que a criança precisa, da mesma forma ela vivenciará a privação; quando por qualquer outro motivo essa criança tenha sido afastada dos cuidados de sua mãe (BOWLBY, 2002, pag.4).

“A privação parcial traz consigo a angústia, uma exagerada necessidade de amor, fortes sentimentos de vingança e, em consequência, culpa e depressão. Uma criança pequena, ainda imatura de mente e de corpo, não pode lidar bem com todas essas emoções e impulsos. A forma pela qual ela reage a estas perturbações em sua vida poderá resultar em distúrbios nervosos e numa personalidade instável.” (Idem: pág.4)

Diante desses questionamentos muitas mães se perguntam se não podem em nenhum momento deixar os seus filhos por qualquer motivo que as exija distanciamento, Bowlby salienta que o afastamento de uma criança menor de três anos de sua mãe é um processo sério, que precisa ser avaliado e planejado cuidadosamente; surge então, a figura de uma mãe substituta, alguém que suprirá a ausência dessa mãe, ofertando a essa criança os cuidados necessários que ela precisa; essa pessoa deve ser alguém que a criança já conheça e o tempo longe da mãe deve ser curto, não mais que uma semana; pois a privação do amor materno pode causar consequências duradouras na saúde mental da criança para o resto da vida; Bowlby relata que ainda não se reconhece a razão pela qual algumas crianças são prejudicadas e outras não, porém deve se levar em consideração a idade da criança, o grau de privação e sua duração, fatos que influenciam bastante quando a criança é mais nova, porém, não se pode negar que através de estudos realizados, as crianças que vivenciaram a privação tem quase sempre seu desenvolvimento físico, intelectual e social prejudicados, até mesmo sintomas de doenças físicas e mentais (Idem 2002: pág.12).

Bowlby evidencia que através de pesquisas realizadas com crianças institucionalizadas, elas apresentaram diversas características que demonstram as consequências da privação materna, dentre elas:

“Entre outros sintomas observados, constatou-se que o bebê que sofre privação pode deixar de sorrir para um rosto humano ou de reagir quando alguém brinca com ele, pode ficar inapetente ou, apesar de bem nutrido, pode não engordar, dormir mal e não demonstrar iniciativa.” (Idem, pág.13).

Bowlby destacou que no fim dos anos trinta diversos pesquisadores distintos haviam estudado crianças que cometeram diversos crimes, e se surpreenderam com a constância dos fatos, e a relação de que essas crianças não demonstravam sentimento pelos outro, e apresentavam resistência para se relacionarem; a característica que chamou a atenção foi o fato de que essas crianças tiveram no inicio de sua infância um relacionamento conturbado com suas mães; e apresentavam comportamentos desajustados; como, roubo, violência, má conduta sexual e egoísmos, que são apenas algumas das características apresentadas no comportamento dos mesmos. Foi identificado que rupturas prolongadas na relação entre mãe e filho durante os três primeiros anos da criança causam danos na estrutura emocional da criança, e a característica de sua personalidade é prejudicada; percebeu-se que as consequências dessa privação, causou uma prevalência em relação a como essa criança lidaria com o mundo, e com o relacionamento com o outro; essas crianças estudadas tenderam a dificuldade de estabelecimento de laços afetivos, sociabilidade superficial, ausência de sentimentos, e a grande possibilidade a delinquência (Idem, 2002: pág.27-31).

“Existem, de fato, fortes razões para acreditar-se que a separação prolongada de uma criança de sua mãe (ou mãe substituta) nos  primeiros cinco anos de vida ocupa o primeiro lugar entre as causas de desenvolvimento de uma personalidade delinquente.[...] A privação afetiva é a causa dos problemas psicológicos.”(Idem, 2002: pág.32,33)

No caso de privação parcial é importante salientar que a mãe vive com a criança e por algum motivo não atende as necessidades do bebê, seja por negligência física ou emocional, uso dos métodos indicados em literatura sobre educação infantil que aconselham a não atender aos choros do bebê e rejeição; muitos dos casos se permeiam da ignorância à hostilidade da mãe. (Idem, pág.74-83) É importante que a criança menor de um ano não seja exposta a uma privação da mãe, cujas consequências trariam sequelas difíceis de serem revertidas, e se essa criança voltasse aos cuidados da mãe após seu segundo ano os efeitos de redução dos danos seriam inúteis em comparação a uma criança de seis meses que voltasse para a mãe.

As provas sugerem que existem três tipos de experiências ligeiramente diferentes em relação à privação que podem produzir uma personalidade “incapaz de afeições” e delinquente em algumas crianças, são elas:

“a) Falta de qualquer oportunidade para estabelecer ligação com a figura materna nos primeiros três anos de vida. b) Privação por um período limitado mínimo de 3 e provavelmente 6 meses- nos primeiros 3 ou 4 anos. c) Mudanças de uma figura materna para outra durante o mesmo período.” (Bowlby, 2002: pág.46)

5. Maternidade: Aspectos Negativos

Segundo o estudo de Frizzo e Piccinini, vários fatores podem afetar a elaboração da maternidade e a realização das atitudes necessárias na maternagem, como: depressão pós-parto, depressão materna; dentre outros problemas, a própria gestação é um momento complexo para mulher, onde ela vivenciará diversas mudanças, tanto físicas como psíquicas; é uma experiência repleta de sentimentos intensos que podem desencadear os conteúdos inconscientes dessa mãe, onde ela pode acabar vivenciando uma crise; essa futura mãe precisará passar por mudanças em sua identidade, de filha para mãe, de profissional para mãe.

Muitas encontram grande resistência em passar pelo processo da maternidade, onde abrirão mão do tempo, seus interesses, particularidades, rituais e antigos afazeres; simplesmente para cuidar desse ser totalmente dependente; acabam com dificuldades de compreender a singularidade do bebê e não conseguem abandonar suas projeções; outras não conseguem simplesmente investir sentimentos e esperanças em seu pequeno bebê com medo de suas expectativas não serem atendidas; outras ficam presas as suas próprias vivências negativas e acaba atribuindo a expectativa de morte e insucesso, que aparecem através da forma com que cuida do seu bebê e de seus pensamentos intensos; a relação mãe-bebê nesses casos fica extremamente comprometida (FRIZZO e PICCININI, 2004, pag. 48).

Para Winnicott a maternidade gera na mãe a “preocupação materna primária”, desde o inicio da gravidez ocorre um estado de sensibilidade aumentada que se acentua no fim da gravidez, durando até as primeiras semanas ou meses após o parto. Esse estado tem como objetivo capacitar a mulher a se preocupar com seu bebê. Logo, essa mãe necessita de um parceiro ou alguém que produza um ambiente adequado, a deixando livre de preocupações externas, para que possa entrar no chamado retraimento materno, onde por um tempo a mãe foca sua atenção e energia no seu bebê e em si; porém, um dos fatores que trariam problemas nesse processo seria justamente a falta de alguém que proporcione a mãe essa segurança, para que ela tranquilamente possa se canalizar no bebê (MONTEIRO, 2003, pág. 26-28).

“Entretanto muitas mulheres não conseguem contrair essa “doença normal”; percebe-se nelas uma “fuga da saúde”. Há mães que não conseguem adaptar-se às necessidades do bebê, talvez por terem uma forte identificação masculina ou por terem preocupações alternativas muito grandes que não abandonam prontamente.” (Idem, pág. 28)

Este estudo tem como objetivo compreender como os cuidados maternos, o apego entre mãe-bebê, está diretamente ligado ao desenvolvimento da saúde mental da criança, podemos salientar diversos motivos que privam essa mãe do cuidado com o seu bebê, dentre os já mencionamos, encontramos problemas sociais como: gravidez indesejada e ilegítima, fatores relacionados à saúde como: doenças psicológicas e físicas incapacitantes, e até mesmo a morte da mãe. Fatores esses que trazem consequências tanto para a maternagem como para a criação e desenvolvimento físico da criança. Através de estudos realizados com mães solteiras, observou-se que por mais desejado que fosse esse bebê, a grande maioria das mães não poderiam estar diretamente disponível para os cuidados e necessidades do filho, uma vez que elas necessitavam do trabalho e da estabilidade financeira para poder sustentá-los, sem ajuda e apoio de um companheiro, essas mães se contentavam com alguém que pago ou não pudesse dar os cuidados físicos necessários para seus filhos; cuidados esses vindos de algum parente, vizinho ou até mesmo de algum tipo de instituição como, creches e escolas; visto que mesmo com dificuldades essa mãe desejava esse filho, nesses casos, o lado financeiro acaba influenciando a instabilidade dessa criança, que possivelmente em determinadas circunstâncias sendo levada de um lado para outro, de mão em mão; nos casos opostos, onde essa mãe não deseja de nenhuma maneira estabelecer um vinculo de responsabilidade e zelo por seu filho, essa criança é levada a adoção, sendo abandonada em alguma instituição, ou aos cuidados definitivos de alguém que se dispunha a cuidar dessa criança. Bowlby entra em um questionamento sobre instituições e a manutenção da guarda dessa criança por sua família (mãe), mesmo em péssimas condições; “Estudo feito com crianças de quatro anos que viveram a vida toda em instituições e foram comparadas com outras da mesma idade que viviam em lares insatisfatórios, mas passavam o dia em creches; a diferença no desenvolvimento das crianças deu-se em favor das que viviam em suas casas e frequentavam creches.” (BOWLBY, 2002, pag.71).

E a conclusão do seu polêmico estudo foi; que mesmo em péssimas condições era melhor que essa criança permanecesse com sua família, do que em uma instituição, onde não haveria nenhum tipo de cuidado direto ou identificação, porém apesar das provas serem evidentes, não é algo conclusivo de determinado, pois tudo depende segundo Bowlby da qualidade relativa do lar e da instituição. (Idem; pág.72,105-111)

“A partir daí, pode-se compreender por que as crianças se desenvolvem melhor em maus lares do que em boas instituições e estabelecem, de forma aparentemente inexplicável, uma forte ligação com maus pais. Os responsáveis por instituições às vezes não querem reconhecer que as crianças estariam muito melhor mesmo em lares desfavoráveis, quando está é a conclusão de assistentes sociais mais experientes, com treinamento em saúde mental, e fato já comprovado pelas evidências. [...] Tudo vai depender da qualidade relativa do lar e da instituição. De qualquer forma, isto serve para lembrar que pode existir algo pior que um lar insatisfatório: a inexistência de um lar.” (Idem, pág. 70-72)

A retirada da criança do seu lar, e afastamento da mãe, deve ser levada em consideração quando este lar não possibilitar nenhuma condição de mudança, quando há impossibilidade de tornar esse lar adequado a criança, nos demais, a retirada deve ser em último caso a solução a se pensar; dentro dos itens avaliados como situações em que a criança sofre privação da mãe Bowlby destaca:

“1-Privação parcial; a criança vive com a mãe ou com uma mãe substituta permanente (inclusive parente) cuja atitude para com ela não é satisfatória; 2-Privação total; a criança perdeu a mãe (ou mãe substituta) por morte, doença ou abandono e não existem parentes para cuidar dela; 3-Privação total; a criança é retirada da mãe (ou mãe substituta permanente) e entregue a estranhos, pela justiça ou por outras organizações de assistência social ou de saúde publica” (Idem, pág.74,75)

A mãe tem um papel primordial para o desenvolvimento da saúde mental do bebê, uma vez que ela funciona como a personalidade e consciência do mesmo; nos primeiros anos de vida, uma criança que foi privada da relação com a mãe, e viveu sua primeira infância em uma instituição, não pode completar a primeira fase do desenvolvimento, pois não teve como estabelecer uma relação clara com a figura materna; vivendo esta com diversos profissionais que entram e saem da sua vida, não fortalecendo uma relação fixa e direta, como faria uma mãe; logo a necessidade de uma mãe substituta é maior para que essa relação se estabeleça de forma que essa criança não seja prejudicada emocionalmente (Idem, pág.55).

“É bem possível que essas crianças, gravemente privadas por nunca terem sido objeto de um cuidador por parte de um mesmo ser humano, nunca tenham tido oportunidade de aprender os processos de abstração e de organização do comportamento no tempo e no espaço. Certamente, suas graves deformações psíquicas são exemplos claros do princípio de que os danos infligidos muito cedo produzem perturbações generalizadas no crescimento.” (Idem, pág.56)

Como a retirada do lar deve ser a última alternativa uma vez que essa criança não sofra riscos de vida e tipos de abuso, essa família deve ser assistida e orientada por profissionais que garantam que ela possa atender as necessidades dessa criança tanto físicas, como emocionais, para que a interação possa ser adequada e a relação mãe e bebê se estabeleçam da melhor forma possível, para que essa criança não vivencie a privação. Bowlby refere-se aos profissionais de saúde, e assistentes sociais para garantirem que essa família, principalmente essa mãe consiga desempenhar seu papel da melhor forma possível. (Idem; pág. 92,93) devemos levar em consideração que as instituições governamentais nem sempre disponibilizam recursos a abertura para que isso aconteça, mas dentro de uma visão de mudança para a saúde mental, essa intervenção seria um passo a diante para que mães pudessem superar suas dificuldades e assistir seus filhos na primeira infância, dificuldades que variam de problemas econômicos a médico-social.

“Na grande maioria dos casos, a utilização cuidadosa de tais métodos e recursos assegura uma qualidade da assistência à criança suficiente para atender aos requisitos mínimos da comunidade, e não há a necessidade de se retirar a criança do seu próprio lar.” (Idem, pág.92)

Não deve ser desculpa para o cuidado com o filho, o fato dessa mãe, ter que trabalhar ou exercer qualquer tipo de função; caso isso aconteça, ela pode continuar sua maternagem, cumprindo com o seu papel da mesma forma, é necessário que esta mulher avalie, se o seu tempo com o bebê tem sido de qualidade, e se ela tem disposto de energia e atenção para o cuidado do mesmo; muitas mulheres assumem outras responsabilidades além da maternidade e usam como fuga para o exercício do seu papel; quebram o vínculo com o seu bebê, e dificultando o seu processo de desenvolvimento.

“A mãe boa é aquela perceptiva a atender a todas as necessidades do seu bebê. Em consequência aos seus afazeres diários, muitas vezes deixa seus filhos aos cuidados de outras pessoas, seja no meio familiar ou em Escolas de Educação Infantil. Ao final do dia, apanha seu bebê e o leva para seu lar. A mãe suficientemente boa deve dar ao seu filho toda a atenção necessária, mesmo que tenha tido um dia exausto. Levando em consideração que o filho precisa de carinho, contato e proteção da mãe.” (Grando, 2012:pág. 7)

6. Mãe Substituta

Estar diante da possibilidade de não ter uma mãe, remete à reflexão da necessidade de estratégia para que essa falta seja suprida, na busca de mudança, muitas vezes radical. Com a ausência, nasce a necessidade de se reconstruir a vida, de maneira menos prejudicial para o bebê, entra em cena o papel da mãe substituta, alguém que fará o papel daquela que gerou o bebê, cuidando e respondendo as necessidades do mesmo, sendo mãe. Em muitos casos a própria mãe abandona seu filho, em instituições, ou com algum parente ou conhecido, para que esse cumpra o papel de maternagem; muitas conseguem tomar essa decisão de forma rápida e firma, porém não são todas, muitas precisam de apoio e orientação para que esse processo seja realizado da forma menos prejudicial para a saúde mental do bebê; o que se observou é que o processo de adoção deve ser feito o mais cedo possível e de forma rápida, existem registros na literatura que esse bebê deve ser adotado logo após o nascimento, para o benefício de sua saúde mental e até mesmo para evitar que ele vivencie a rejeição por parte de sua mãe; quanto maior for o tempo que esse bebê vivenciar a separação de sua mãe a integração da mãe substituta, maior será o estado de privação afetiva. É importante que essa substituta esteja preparada para aceitar essa criança, mesmo que ela não atenda suas expectativas (BOWLBY, 2002; pág.118).

Em caso de assistência de emergência, onde temporariamente a mãe não poderá suprir seu papel, por motivos de saúde, ou outros; é importante que essa criança seja assistida, por parentes próximos ou vizinhos, para que ela continue a conviver com as pessoas de costume, em seu ambiente familiar; como o próprio substituto temporário terá conhecimento prévio sobre a criança e seus pais, as chances são grandes de que ele a receba calorosamente com segurança, em comparação com um estranho (Idem: pág. 128-130).

Para Winnicott o estado de preocupação materna primária não é atingido pela mãe substituta da mesma forma que para mãe biológica, contudo ela pode passar por algo semelhante em condições favoráveis como; mesmo sem gerar essa criança a futura mãe deveria passar pelo estado temporário de preocupação e identificação com o bebê; a outra condição é que o bebê venha o mais rápido possível para o convívio com a mãe adotiva, pois, se a espera pelo bebê for grande, o estado de sensibilidade no qual os pais se encontram quando resolvem adotar, pode passar, e é esse estado que facilitará a identificação deles, principalmente da mãe com o bebê. Portanto, qualquer mulher consegue ser “uma mãe suficientemente boa”, mesmo sem ter gerado o bebê; através da adaptação e identificação com o mesmo. “[…] As pessoas vão se preparando para a ideia da adoção, e a criança que querem é aquela que chega no momento em que atingiram a fase certa. é o equivalente a estar grávida.”(Winnicott, 1997:pág.137). Tanto Bowlby como Winnicott discutem uma mesma preocupação em relação a adoção (substituição da maternidade); o manejo inadequado do bebê antes da adoção; logo o prejudicial é a demora.

“A mãe suficientemente boa não precisa ser necessariamente a mulher que gerou o filho como também aquela que possui aptidão de satisfazer às necessidades da criança. As mães que possuem outras atividades, diferente da profissão do lar, devem procurar ter um conhecimento e equilíbrio emocional elevado a fim de criar seus filhos, com dignidade, respeito e devoção.” (GRANDO, 2012:pág.7).

É necessário que a mãe substituta interaja e responda as necessidades do bebê de forma plena, o que significa que a amamentação, mesmo que não no peito, continua sendo um momento de intenso contato e vínculo entre mãe-bebê, e nesses casos a mamadeira será um instrumento a favor da mãe, que aproveitará o momento da amamentação para acolher o bebê e acarinhá-lo. Caso o holding tenha sido prejudicado no processo anterior a adoção, isso trará problemas para a futura mãe, o que dificultará o processo; isso reafirma a necessidade de uma adoção precoce, para que o bebê não seja mais afetado, e o afeto com a nova mãe se desenvolva. (Idem, pág. 139)

“Uma pessoa madura pode participar de seu próprio manejo, uma criança só pode tomar parte até certo ponto, e um bebê, no início, depende absolutamente de um ambiente que pode escolher adaptar-se às suas necessidades ou então não se adaptar e ignorá-las” (Idem, 1987: pág. 42).

7. Considerações Finais   

A compreensão do tema privação do afeto materno é desafiadora, quando tudo que se sabe é que a figura da mãe, é a de cuidado, amor e zelo pela sua prole. Vivenciamos o quanto a sociedade se choca ao ver a rejeição de uma mãe ao seu filho, e o fato de uma mãe doar seu filho é um tabu. Mesmo que real, o fato da mãe não cumprir com o seu papel, traz uma dificuldade de entendimento cultural, principalmente quando tudo o que se depara é o oposto do que se espera. O desafio é abordar um tema que é de grande importância para a saúde do ser; sendo ele pouco discutido no que se refere a desenvolvimento e criação de filhos; na nossa sociedade onde o capitalismo é o que nos rege, como falar a uma mãe que o importante para seu pequeno filho é a sua presença, e não grandes coisas materiais? Como incentivar a gravidez dentro do seio familiar? Foi necessária uma pesquisa detalhada sobre o tema, e suas consequências; não só para a reflexão dos profissionais que lidam diretamente com crianças e família, mais também para o entendimento geral dos que tiverem interesse pelo assunto; principalmente profissionais da área de saúde mental, que estarão diretamente em contato com as consequências da privação do afeto materno.

“Nossa posição é que as provas, hoje são de tal ordem que não deixam margem de dúvida quanto à proposição geral- de que a privação prolongada dos cuidados maternos pode ter efeitos graves e de longo alcance sobre a personalidade de uma criança pequena e, consequentemente, sobre toda sua vida futura.” (BOWLBY, 2002: pág.45).

O desafio vem de se entender a princípio o que significa o papel materno para o desenvolvimento infantil, como a base da saúde mental de um indivíduo se dá, inteiramente pelo contato inicial com sua mãe; o quanto esse primeiro vínculo é essencial e necessário; e, em contraponto tentamos evidenciar alguns motivos que levam essas mães a uma dificuldade de desempenhar seus papeis, ou, até mesmo abandoná-lo; que grau de dificuldades essa ausência gera, e as consequências na saúde mental, que varia desde a dificuldade de manter vínculo com outras pessoas, violência, inadequação social, entre outros. (Idem; pág.3-25) Nosso trabalho procura manter o assunto na superfície, em um contraste com a dinâmica natural e cultural de escondê-lo; não nos deparamos com tais prejuízos sem que antes tenhamos contato com alguém que vivenciou essa ausência e encara as dificuldades resultantes do processo, ou que nós mesmos tenhamos vivido essa realidade. O objetivo é olhar o assunto de frente, sob a perspectiva dos estudos e pesquisas realizados; mostrando que esse é um assunto potencialmente desencadeador de doenças mentais pelo não desenvolvimento mental sadio; possibilitando a reflexão dessa realidade moldada pela cultura moderna, que não representa benefícios para o desenvolvimento do ser.

A maternagem tema de grande importância, quando se trata de interação mãe-bebê, abrange diversos aspectos dessa interação, e como esse vínculo se dá a partir do desejo dessa mãe pelo filho, e tudo o que virá no processo é consequência desse desejo, que levará essa mãe a uma atenção direta as necessidades do seu bebê desde o ventre, gerando nela a chamada “preocupação materna primária”, que nada mais é do que a capacidade que a mãe tem de fazer a coisa certa, identificando as necessidades do seu bebê. Em seus textos Winnicott aborda o tema como um adoecimento que a mulher passa, adoecimento esse necessário para que ela possa cumprir com o seu papel de protetora (WINNICOTT, 1958; pag. 15,16).

“Para esse autor, um bebê não pode existir sozinho, mas é parte de uma relação. Sempre que encontramos um bebê, encontramos a maternagem, pois “um bebê não pode ser pensado sem a presença de alguém que lhe exerça a função de mãe e um ambiente, por esta última criado, onde possa evoluir e desenvolver seu potencial de crescimento e amadurecimento.” (COUTINHO, 1997:98 apud Monteiro, 2003:pág. 24,25).

Durante a construção deste trabalho, buscamos entendimentos semelhantes sobre o aspecto do apego materno, dos cuidados da mãe para seu bebê; e encontramos autores que nos embasaram com um grande e vasto material. Com a maternidade o apego começa a surgir, e vai se fortalecendo no vínculo e contato entre mãe bebê, pois para o desenvolvimento do bebê ninguém está mais capacitado para desenvolver o papel da maternagem do que a própria mãe, porém isso não é regra, uma vez, que muitas mães, não têm essa capacidade, ou não querem potencializá-la; o que se compreende é que o fato da mãe não desenvolver o papel materno, nem sempre está ligado diretamente a questões sociais, como problemas financeiros, pelo contrário, muitas mulheres desprovidas financeiramente cumprem muito bem seu papel em comparação a mulheres bem sucedidas, o que é predominante é a interação entre a mãe e seu bebê. Concluímos que o apego é desenvolvido como um meio de proteção para o bebê através de sua interação com a mãe (VALERA, 2012, pág.11).

Diversos motivos levam a mulher ao não desejo do seu bebê, muitas até o desejam mais não podem cria-lo, independente dos motivos, o trabalho aborda que alternativa existe para que essa criança não seja prejudicada no seu desenvolvimento; surge então a figura do substituto, alguém capacitado que cumprirá com o papel de cuidado da mãe, estando disponível as necessidades do bebê, interagindo e respondendo adequadamente as suas necessidades.

Sobre privação Winnicott diz que a criança que sofre com a ausência materna e falta de apego, pode apresentar comportamentos desajustados, como roubo, insônia e propensão à delinquência. E o processo de Holding fica prejudicado devido ao processo de vínculos afetivos mal estabelecidos, este é um processo que representa a capacidade da mãe se identificar com seu bebê, protegê-lo e segurá-lo tornando evidente a sua forma de amor. Estudiosos sugerem que a criança até o fim do seu primeiro ano não vivencie a privação, por causar prejuízos significativos para seu desenvolvimento; e um alternativa significativa para a redução de danos seria a adoção nos primeiros meses de vida (BOWLBY, 2002, pag.48,49).

A criança vai buscar instintivamente segurança e proteção em alguém que supra suas necessidades, quando o cuidador não está motivado a se aproximar, logo o bebê dá sinais, portanto não nos parece errado que a relação de apego entre mãe e bebê, é o fator predominante para o desenvolvimento da saúde mental, sendo indispensável na primeira infância, principalmente no primeiro ano de vida, que esse bebê seja cuidado e amado por alguém capaz de satisfazer suas necessidades não só físicas, como emocional; e os resultados obtidos no desajuste do indivíduo na vida adulta, sugerem que essa primeira infância prejudicada pela privação materna, responderá de forma negativa durante todo o processo da vida.

Sobre os Autores:

Maíra Dos Santos Câmara – Graduanda em Psicologia pela instituição Estácio de Sá.

Valéria Bizerra Fernandes – Graduanda em Psicologia pela instituição Estácio de Sá.

Orientadas pelo orientador Doutor Mauro Fraga Paiva, pela instituição Estácio de Sá, trabalho de conclusão de curso para obtenção de grau do curso de Psicologia, 1 semestre de 2014.

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