A Importância do Conhecimento dos Cuidadores das ILPIs Sobre a Doença de Alzheimer

A Importância do Conhecimento dos Cuidadores das ILPIs Sobre a Doença de Alzheimer
(Tempo de leitura: 11 - 22 minutos)

Resumo: O aumento do número de idosos nos últimos tempos tem sido motivo de discussão em todo mundo. Com o progresso da medicina os idosos passaram a ter uma qualidade de vida melhor e vivido mais. Entretanto, observa-se um aumento considerável das demências na idade avançada. Considera-se a Doença de Alzheimer a mais comum das demências, causando mudanças de comportamento importantes nos idosos. A família, diante da impossibilidade de cuidado para com este, geralmente opta pela institucionalização da pessoa idosa, quando não tem condições de cuidar. Nesse contexto, se faz necessário que os cuidadores profissionais se atualizem sobre a Doença de Alzheimer, para que ofereçam a estes uma assistência de qualidade. Este estudo tem como objetivo identificar a importância do conhecimento da Doença de Alzheimer pelos cuidadores das ILPIs. Para tanto, se escolheu a Revisão de Literatura como caminho metodológico. Torna-se importante que as Instituições incorporem ações voltadas para a atualização dos cuidadores, as quais contemplem informações quanto ao cuidado sobre as demências, a fim de evitar dano físico e isolamento social, aos quais, muitas vezes, é submetido o idoso institucionalizado. As publicações nacionais a respeito do conhecimento dos cuidadores nas ILPIS sobre a Doença de Alzheimer são incipientes. Considera-se que esta publicação contribua para o entendimento do cuidador profissional nas ILPIS.

Palavras-chaves: Doença de Alzheimer. Institucionalização do Idoso. Cuidadores de Idoso.

Introdução

Ao que tudo indica, chegar a uma idade avançada já não é privilégio de poucos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2002), em 2025, a expectativa de vida dos brasileiros será de 74 anos. Atualmente, mais de 15 milhões de brasileiros tem mais de 60 anos de idade; sendo que o total de pessoas nessa faixa etária dobrou nos últimos 50 anos, passando o Brasil a ser o país com a sexta maior população de idosos em todo o mundo. Além disso, a população mais idosa, acima de 80 anos, tem apresentado um acentuado aumento (MATOS; ARAÚJO, 2008).

O aumento do número de idosos, nos últimos tempos, tem sido motivo de discussão em todo o mundo. Com o progresso da medicina, os idosos passaram a ter uma qualidade de vida melhor e vivido mais. Com o controle das doenças comuns ao envelhecimento, essa população passou a desfrutar de mais saúde e, assim, a expectativa de vida tem aumentado continuamente ao longo dos anos vividos (BERTOLUCCI, 2006).

O processo de envelhecimento tem causado impacto na Política Pública de Saúde para o século XXI. Se por um lado a longevidade tem sido uma conquista, para a pessoa idosa, também significa que mais pessoas estão sujeita às consequências das doenças associadas ao envelhecimento, as quais passam a predominar, gerando incapacidade e maiores gastos com a saúde, nos países desenvolvidos; acarretando um maior impacto (VERAS, 2009).

Entretanto, quando o envelhecimento vem acompanhado com as doenças comuns a esse momento da vida, como as demências, as consequências para os familiares se multiplicam. Muitas vezes, a família não tem condições de cuidar do idoso, necessitando que este venha a ser institucionalizado, e tenha que enfrentar outra realidade completamente diferente do seu contexto familiar. Esse processo de internação e de moradia nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) exige mudanças e traz consequências para a vida dos mesmos. Diante disso, estes se percebem abandonados e, na maioria das vezes, podem apresentar depressão e problemas de saúde em geral (MARIAN et al., 2012).

Diante dessa realidade, surge o Cuidador, que se torna uma pessoa de grande importância, na medida em que aparecem as dificuldades cotidianas de uma nova realidade, exigindo tomadas de decisões. Este assume atividades que passam a ser de sua responsabilidade, seja nas ILPIs ou na própria família. Nesse caso, tem-se o Cuidador informal que, geralmente, é uma pessoa da família; e o Cuidador formal, que é aquele que a família contrata (GARBIN et al., 2010).

Desenvolver esse tema chamou atenção por vários fatores, dentre eles o número crescente de idosos acometidos pela Doença de Alzheimer (DA); a falta de informações sobre a doença entre os cuidadores nas casas para idosos, além do número, ainda pequeno, de estudos na área de enfermagem sobre o assunto, mesmo considerando toda abrangência e multidimensionalidade da Doença de Alzheimer. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo identificar, na literatura, a importância do conhecimento da Doença de Alzheimer pelos cuidadores das ILPIs.

2  Metodologia

O presente trabalho foi delineado em forma de pesquisa bibliográfica, sendo esta realizada de maio a outubro de 2012, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Banco de Dados em Enfermagem (BDENF), além da consulta ao acervo da Biblioteca Senador Jessé Pinto de Freire, da Faculdade de Ciências, Cultura e Extensão do Rio Grande do Norte (FACEX).

Ressalta-se que também foram consultados os manuais do cuidador e outras publicações. Utilizaram-se como palavras-chave: Doença de Alzheimer, Institucionalização do idoso, e Cuidadores. Para a seleção dos estudos foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos disponíveis em língua portuguesa, em texto completo, publicados no período de 2007 a 2012. Foram excluídas publicações que não abordassem a temática pesquisada.

Na realização deste estudo, seguiram-se os seguintes passos: escolha do tema, levantamento bibliográfico, formulação do problema, elaboração do plano provisório de assunto, busca de fontes, leitura de material, fichamento, organização lógica do assunto e, por fim, a redação do trabalho (DYNIEWICZ, 2007).

3 Resultados e Discussões

3.1 Estabelecendo um Diálogo Sobre a Doença de Alzheimer e suas Complicações

Quando se fala em demência percebe-se que a mais comum é a doença de Alzheimer, uma degeneração do Sistema Nervoso Central, causada por atrofia progressiva do cérebro. A doença de Alzheimer (DA) é crônica, de evolução lenta e, entre os primeiros sintomas até as fases finais, a duração é de 10 a 12 anos. Esta doença é mais frequente após os 65 anos, embora possa ocorrer em pessoas mais jovens (BERTOLUCCI, 2007).

Nem todo idoso apresentará a doença. Entretanto, a família deverá ficar atenta aos seguintes sintomas que indicam possibilidades de ser doença de Alzheimer, tais como: perda da memória recente, diminuição no desempenho para tarefas simples, mudança na personalidade, dificuldade na área de comunicação e no aprendizado. Na fase final, o paciente torna-se totalmente dependente (BERKENBROK; SCHIAVINATO, 2011).

Mooney (2010) considera esta doença um distúrbio ou demência cerebral progressiva e irreversível, para a qual, até o momento, não existe nenhum tratamento definitivo; como também, nenhuma possibilidade de cura previsível, embora as pesquisas médicas e científicas continuem a oferecer esperança para o futuro.

Já Sayeg (2011) refere que esta doença não é infecciosa nem contagiosa. Entretanto, a maioria dos idosos com esta doença acaba contraindo no estágio avançado, algum processo infeccioso mais grave, que pode conduzi-los à morte, como a pneumonia, infecções do trato urinário, entre outros. Porém, destaca-se que, se os cuidados no domicilio forem realizados de forma adequada, esse estágio pode se prolongar por mais tempo.

A doença de Alzheimer, por muito tempo, foi considerada como um evento comum para a idade mais avançada; apesar desta não ser uma afirmação verdadeira. Pois, muitas pessoas envelhecem com uma boa memória, exercendo suas Atividades de Vida Diária (AVDs), praticando atividades físicas, entre outras coisas.

Todavia, é válido ressaltar que quem está com a doença de Alzheimer pode apresentar os seguintes sintomas: perda da memória, principalmente para fatos recentes; dificuldade de linguagem, tanto para expressar-se, como para compreender o que está sendo dito; dificuldade para encontrar palavras que formem frases compreensíveis; dificuldade para realizar tarefas habituais, de planejamento de ações do cotidiano; desorientação no tempo e espaço; dificuldade de raciocínio, juízo e crítica (BORGES, 2008).

Em fases mais avançadas a pessoa com a doença de Alzheimer pode apresentar dificuldade de se lembrar de familiares e amigos; como também, depressão; apatia; ansiedade; agitação e, muitas vezes, agressividade; insônia; delírios; alucinações e, nas fases finais, perda do controle das necessidades fisiológicas e dificuldade para deglutição total. Com o tempo, o doente de Alzheimer fica completamente dependente dos outros (BERTOLUCCI, 2006).

 Salienta-se que entre 50 a 70 por cento das pessoas com demência têm a doença de Alzheimer (DA). Sendo assim, diz-se que, de todas as demências, a DA é a forma mais comum entre os idosos. Entretanto, até hoje não se sabe a causa dessa doença, o que contribui para que ainda não tenha um tratamento que cure a pessoa acometida. O que se sabe é que o diagnóstico na fase inicial ainda é difícil, devido à crença, por boa parte das pessoas, de que todo idoso perde a memória com o avanço da idade (BALTHAZAR; CENDES, 2011).

Pesquisas feitas recentemente mostraram que seus critérios diagnósticos foram reformulados, reconhecendo que a DA tem seu início anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas detectados pela família, os quais comprometem as funções cognitivas, especialmente a memória recente. Portanto, o diagnóstico é tanto mais difícil quanto mais precoce for o aparecimento de alterações de ordem cognitiva (SAYEG, 2011; SAYEG, 2012).

De modo geral, a doença de Alzheimer, antes do estágio terminal, é comumente dividida em três fases: leve, moderada e avançada. Cada uma dessas fases tem uma duração de tempo que varia de pessoa para pessoa, e que pode depender do uso de medicamento ou não. A descrição dessas fases pode ajudar os cuidadores a saberem o que devem esperar, preparando-os antecipadamente, tanto física quanto psicologicamente para cada uma delas (NOVARTIS, 2006).

Assim, na fase leve da Doença de Alzheimer, a pessoa consegue viver de forma relativamente independente, a perda de memória é leve e o raciocínio ainda está preservado. Geralmente apresenta dificuldade para lembrar-se de nomes, datas e objetos, a qual pode interferir no seu cotidiano. Com o avanço da doença, atividades mais simples, como preparar uma refeição leve, passam a ser mais difíceis. As atividades básicas de vida são mantidas, entretanto, nesta fase, algumas alterações como a depressão e a apatia surgem frequentemente (BRASIL, 2006).

Na fase moderada da Doença de Alzheimer, também chamada de fase intermediária, percebe-se que o cuidado deve ser dobrado, pois se observa a interferência na vida independente. A perda de memória é moderada e há prejuízo no raciocínio, com dificuldade de orientação espacial e para se comunicar (BRASIL, 2006).

Nesse momento, o cuidador torna-se fundamental, para ajudar nos cuidados diretos ao idoso, e no tratamento, conforme a orientação do médico. As modificações do comportamento são visíveis, sendo consideradas as mais comuns: irritabilidade, oscilações de humor com crises de choro, agitação e delírios, manias de roubo ou perseguição. Além disso, é comum estes gritarem, apresentarem-se inquietos, agitados, dentre outros comportamentos (BERTOLUCCI, 2007).

A fase avançada ou grave da Doença de Alzheimer consiste no momento de dependência total, onde há impossibilidade de realizar tarefas cotidianas, e até mesmo de se cuidar (banho e alimentação), além de se comunicar adequadamente. Um acompanhamento constante é claramente necessário já que, nessa fase, o idoso com DA é incapaz de sobreviver sem ajuda integral. Fica claro para os familiares que se torna imprescindível a supervisão contínua por parte destes, já que os idosos com DA, nesta fase, caminham para um estado de confinamento ao leito, marcando, assim, a transição para o estágio terminal (BRASIL, 2006).

Para Forlin (2010), o idoso, nesta fase, fica completamente dependente do cuidador. Nesse momento, este não tem condições de realizar os cuidados. Ainda de acordo com este autor, as pessoas com DA nessa fase podem adotar a posição fetal. As contraturas dos membros, tanto superiores quanto inferiores, tornam-se inextensíveis e irrecuperáveis.

Em estágio terminal, o portador da Doença de Alzheimer alimenta-se por sucção, sendo muitas vezes necessária a colocação de sonda enteral.  Muitos dos doentes não chegam a essa fase, pois morrem antes, devido a outras comorbidades, como pneumonia, diabetes, hipertensão, câncer, entre outras (FORLIN, 2010).

Apesar de ainda não existir um tratamento que promova a cura da pessoa com a Doença de Alzheimer, os que existem, minimizam os sintomas, sendo fundamentais para estes doentes, pois protegem o Sistema Nervoso e retardam o máximo possível a progressão da doença. Portanto, o cuidador ou a pessoa responsável deve cuidar para que, desde o início da doença, os medicamentos sejam administrados de forma correta, já que o contrário é um dos motivos do fracasso terapêutico. Atualmente, a estratégia terapêutica utilizada está baseada em três pilares: retardar a evolução, tratar os sintomas e controlar as alterações de comportamento (OLIVEIRA, 2008).

Quando os idosos seguem corretamente o tratamento, têm uma qualidade de vida melhor e, consequentemente, a redução tanto dos gastos públicos, como da família, no que concerne aos cuidados oferecidos a estes. O cuidado para com as pessoas com demência pode ser exercido tanto pela família, como por um profissional qualificado no domicílio, ou nas instituições de saúde (INOUYE; PEDRAZZANI; PAVARINI, 2010).

A palavra cuidar deriva do latim cura. Cura, na sua forma mais antiga, era usada num contexto de relação de amor e de amizade. Expressão de preocupação, de desvelo, de inquietação pela pessoa querida. O cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço de amor que adotou ao realizar o cuidado. Seus préstimos têm sempre um cunho de ajuda e apoio humano com relações afetivas e compromissos positivos (FERNANDES; SILVA, 2006).

Ainda em relação ao cuidado, Boff (1999) diz que “o que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado”. Cuidar é mais que um ato, é uma atitude; portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro.

Em relação ao cuidador, algumas nomenclaturas são utilizadas para defini-los. Denomina-se como cuidador informal aquele que presta cuidados à pessoa idosa, com ou sem vínculo familiar, e que não é renumerado. Já o formal é a pessoa capacitada para auxiliar o idoso que apresenta limitações para realizar as atividades da vida cotidiana, fazendo elo entre o idoso, a família e os serviços de saúde ou da comunidade, podendo ser também um profissional da saúde. Nesse contexto, considera-se o cuidador como a pessoa que cuida, que toma conta e que apoia a família na realização das tarefas com o idoso (COELHO, 2010).

Considera-se o cuidador, o profissional responsável por cuidar da pessoa doente ou dependente, facilitando o exercício de suas Atividades de Vida Diária (AVDs), tais como alimentação, higiene pessoal; além de aplicar a medicação de rotina e acompanhá-la junto aos serviços de saúde, ou outros requeridos no seu cotidiano;excluindo, para tal, técnicas ou procedimentos que sejam identificados como exclusivos dos profissionais de saúde, tais como: medicamentos injetáveis, curativos complexos, instalação de soro, colocação de sondas, entre outros (BRASIL, 2008).

Diante disso, nota-se a necessidade das  instituições de saúde  proporcionar orientações que proporcione segurança e melhores condições de trabalho aos cuidadores,  na realização de ações educativas em saúde, por parte da equipe multiprofissional, principalmente a enfermagem, que incentivem o cuidado na participação de cursos ou treinamentos direcionado a esse público. Certamente esse profissional poderá melhor atuar em suas atividades melhorando assim a qualidade dos serviços prestados (COLOMÉ et al.,).

Para cuidar de uma pessoa idosa, espera-se que seja alguém capaz de desenvolver ações de ajuda naquilo que estes não pode mais fazer por si só. É essencial que tenha noções de ética, que goze de boa saúde física e mental, de preferência tenha cursado o 2º grau, seja maior de idade, e tenha feito um treinamento específico ministrado por profissionais especializados. É de suma importância ter conhecimento sobre o processo de envelhecimento (RIBEIRO et al., 2008).

Na medida em que a pessoa envelhece, suas capacidades vão diminuindo, até o ponto de não mais conseguir executar as tarefas mais fáceis do cotidiano. Assim, coisas consideradas banais, como tomar banho, muitas vezes se tornam difíceis de serem realizadas. Geralmente, a partir desse momento, a família percebe que o idoso depende de outra pessoa para cuidar-se e, com o reconhecimento de que não é mais possível este dar conta de sua vida, a família pode encarar a hipótese de internamento do mesmo numa instituição para pessoas idosas, a ILPI (DEPOLITO; LEOCADIO; CORDEIRO, 2009).

As primeiras ILPIs, no Brasil, de que se tem conhecimento, foram fundadas no ano de 1782, na cidade do Rio de Janeiro, pela Ordem Terceira da Imaculada Conceição, com capacidade para 30 leitos. Essas casas surgiram com outro objetivo na época, como casas de assistência social, onde eram recolhidas pessoas pobres e abandonadas, entre elas, mendigos, crianças abandonadas, órfãos e velhos. Esse trabalho era feito por religiosos, com a intenção de prestar uma obra de caridade, já que as políticas públicas eram ausentes nessa época (TOSTA, 2008).

Atualmente, as ILPIs são estabelecidas para atendimento integral, institucionalizado em cuidados prestados às pessoas de 60 anos, com ou sem suporte familiar, dependentes ou independentes, que não dispõem de condições para permanecer com familiares ou em seu domicílio. Essas instituições são conhecidas por diversas denominações, tais como: abrigo, asilo, lar, casa de repouso, clínica geriátrica e ancianato; proporcionando serviços na área social, médica, psicológica, de enfermagem, terapia ocupacional, odontologia, entre outras, conforme as necessidades de cada idoso (CAMARANO; KANSO, 2010).

Nesse contexto, considera-se como instituição específica para idoso todos os estabelecimentos que correspondam às seguintes denominações: locais físicos equipados, pessoas com 60 anos ou mais de idade, regime de internato ou não, período indeterminado, quadro de funcionários para atender às necessidades de cuidados com a saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades características da vida institucional (PORTARIA nº 810/89).

Geralmente, a família decide institucionalizar o idoso quando ocorrem sequelas de doenças crônicas ou agravos como acidentes, limitações físicas e cognitivas, exigindo cuidados especiais. Percebe-se que a Doença de Alzheimer tem acarretado um problema para as famílias que não têm condições de cuidar do seu idoso; fato que pontua para que estes optem pela institucionalização.

Sabe-se que o idoso, ao ser colocado numa instituição, pode enfrentar uma realidade completamente diferente da que vivia junto à família. Alguns, aos poucos, vão entrando num processo de isolamento, no qual, muitas vezes, aumenta a sua dependência, levando-o a perder totalmente o prazer de viver. Frequentemente, uma institucionalização é associada ao abandono e exclusão social da pessoa, gerando reflexos negativos na sociedade, em relação a quem opta por colocar um parente numa instituição, seja pública ou privada (NASCIMENTO et al., 2008).

Segundo Moragas (1997), a morte social de um idoso pode acontecer por motivo de um internamento em instituição onde todos os seus contatos sociais são restringidos com o exterior. Alguns idosos têm dificuldade de se adaptar ao ambiente novo, ou a outras culturas, razão pela qual alguns gerontólogos aconselham que o idoso seja mantido no seu ambiente.

Entretanto, diante da indisponibilidade de cuidado familiar, do alto custo do cuidado domiciliar, e do ambiente inadequado para o idoso que se encontra fragilizado, a família opta por institucionalizar. Nesse âmbito, percebe-se que o idoso pode apresentar dificuldades para aceitar esse novo lócus de cuidado e essa nova família. Em alguns momentos, a institucionalização pode contribuir para que o idoso se torne hostil e avesso aos cuidados recebidos pelos cuidadores profissionais (GUERRA; CALDAS, 2010)

4 Considerações Finais          

Este estudo demonstrou que as publicações nacionais a respeito do conhecimento dos cuidadores nas ILPIS sobre a Doença de Alzheimer são incipientes.

Considerando a importância do tema, o trabalho destaca a necessidade de instrumentalizar os cuidadores que atuam diretamente no cuidado destes idosos, para que possam conhecer melhor os sintomas e agravos apresentados no decorrer da Doença de Alzheimer, e melhorem a qualidade de vida dos idosos institucionalizados portadores da referida doença.

Sobre os Autores:

Marlene Dantas Silva - Aluna do 8º período do curso de Enfermagem do Centro Universitário de Ciência, Cultura e Extensão do Rio Grande do Norte (UNIFACEX). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Maria Betânia Maciel da Silva - Mestra em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Especialista em Saúde do Idoso, Professora da UNIFACEX. Orientadora do Estudo. E- mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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