A Visão da Ansiedade Generalizada na Abordagem Gestáltica

A Visão da Ansiedade Generalizada na Abordagem Gestáltica
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Resumo: Este artigo consiste em discutir uma visão do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) na perspectiva da abordagem gestáltica, no qual é feito uma compreensão de como amenizar o sofrimento do ser humano com o transtorno quando busca o tratamento adequado. A ansiedade é um dos principais males que o ser humano carrega atualmente, apresentando sentimentos de desespero e pressa em querer realizar o que se deseja e alcançar o que se sonha, construindo uma falsa felicidade. A metodologia utilizada foi uma pesquisa de caráter bibliográfico.

Palavras-chave: Gestal-terapia, ansiedade, TAG.

Introdução

Atualmente, a sociedade moderna com seu ritmo acelerado tem provocado situações que gera um nível alto de ansiedade e por isso vem aumentando significativamente a procura por tratamento psicoterapêutico. Muitos são os transtornos que afetam o ser humano e a forma desenfreada e estressante de se viver acaba intensificando os sintomas de angustia e ansiedade experienciados, causando danos incomensuráveis à vida do homem.

O Termo ansiedade é algo novo e tem pouco mais de 100 anos de idade. O primeiro a falar sobre ansiedade da maneira que conhecemos foi Freud, no fim do século 19, e com a seguinte definição: "ansiedade é o medo de algo incerto, sem objeto, ou seja, é uma força indutora de tensão do comportamento humano motivando o indivíduo a agir para reduzir a tensão".

Hoje, o significado mais aceito vem do psiquiatra australiano Aubrey Lewis,em 1967, descrevendo como um estado emocional com a qualidade do medo, desagradável, dirigido para o futuro, desproporcional e com desconforto subjetivo (HUECK,2008).

De forma geral,a ansiedade é um sentimento incomodo e projetado para o futuro e a pessoa ansiosa vive em estado de alerta constante por causa de uma situação que pode acontecer e causar sofrimento (CORDIOLI, 1998).

O que irá influenciar a ansiedade é a nossa maneira de pensar e as experiências traumáticas anteriores que cada um passou. Além de outros pontos geradores de ansiedade como: ser mulher, as mulheres costumam sofrer mais transtornos de ansiedade do que os homens devido aos hormônios, pois a mulher não produz hormônios regularmente como o homem e no período pré-menstrual, o cérebro dela fica privado de duas substâncias calmantes e antidepressivas, que são o estrógeno e a progesterona e essa produção inconstante causa a TPM e a deixa mais vulnerável aos transtornos ansiosos. O segundo é social, pois as mulheres naturalmente expressam os sentimentos, e elas são treinadas desde pequenas a externar sensações normalmente, já que os homens aprendem que sentir ansiedade é sinal de fraqueza, e tem de aprender a lidar com ela para ser bem aceito socialmente (HUECK,2008).

A Visão do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

No CID-10(1993) (Classificação Internacional das Doenças) está o TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) que tem como queixas, sentimentos contínuos de nervosismo, tremores, tensão muscular, sudorese, palpitações e tonturas entre outros. Assim, para se ter um diagnostico mais preciso, o paciente deve ter sintomas primários de ansiedade na maioria dos dias por várias semanas e usualmente por vários meses e esses sintomas deve envolver os seguintes elementos:

- apreensão (preocupações sobre desgraças futuras, sentir-se "no limite", (dificuldade de concentração);

- tensão motora (movimentação inquieta, cefaleiastensionais, tremores, incapacidade de relaxar);

- hiperatividade autonômica (sensação de cabeça leve, sudorese, taquicardia, desconforto epigástrico, tonturas e boca seca).

Além deste, existem outros transtornos de ansiedade que podem variar em grau, intensidade e na forma como se apresentam. Podendo ser percebido em diversas situações, tais como nas lembranças que insistem em perseguir nas fobias; no temor exacerbado a objetos ou animais; no pânico que surge do nada; nas preocupações excessivas e nos pensamentos obsessivos e comportamentos repetitivos. No DSM-IV são especificados como: Transtorno do Pânico, Agorafobia, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Fobia Social, Fobia Especifica, TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e TEPT (Transtorno de Estresse Pós-traumático).

Assim, o DSM-IV(2002) coloca que o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) consiste em ansiedade e preocupação excessivas com diversos eventos ou atividades, ocorrendo na maioria dos dias por pelos menos seis meses, sendo que o individuo considera difícil controlar a preocupação.

A ansiedade e preocupação estão associados a três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fatigabilidade, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular, perturbação do sono (DSM-IV,2002).

Na psiquiatria, os remédios mais eficientes para diminuir a ansiedade são os benzodiazepínicos ou ansiolíticos e os antidepressivos. O uso da medicação e a psicoterapia, em particular a Gestalt-terapia fazem parte da terapia do TAG, mas para que ocorra é necessário que o ser humano tenha consciência do tratamento para que possa ser bem sucedido. É fundamental que o diagnostico seja realizado corretamente, pois o individuo vai direcionar o seu tratamento de forma eficaz para minimização do seu sofrimento (BARLOW, 1999).

A Psicoterapia na Abordagem Gestáltica

Primeiramente, é importante se dizer o que é ansiedade para a Gestalt-terapia, no qual Perls (2002),diz: "...é a excitação, o élan vital que carregamos conosco, e que se torna estagnado se estamos incertos quanto ao papel que devermos desempenhar; a ansiedade é o vácuo entre o agora e o depois e é o produto do impedimento de viver plenamente a excitação. Se a excitação não puder fluir para a atividade por intermédio do sistema motor, então procuramos dessensibilizar o sistema sensorial para reduzir a excitação, causando assim a ansiedade."

A abordagem gestáltica afirma que a pessoa com ansiedade generalizada ou outros comportamentos deve ser vista como um todo, ou seja, que o seu comportamento só é compreendido a partir de sua visão dentro de um determinado campo com o qual ela se encontra em relação. Assim, o desenvolvimento humano é visto como um processo permanente e continuo de ajustamento criativo mediado pela capacidade inata de auto regulação organísmica do individuo(RIBEIRO,1985).

De acordo com Ribeiro (1998) a visão de totalidade do ser humano orienta a busca pela compreensão do desenvolvimento na sua multidimensionalidade(bio-psico-ambiental) que são interdependentes. Seu postulado enuncia que a pessoa e o seu meio formam uma relação indissociável que mantém entre si uma influência mutua e uma constante interação dinâmica que propicia múltiplas possibilidades de experiências, comportamentos e configurações psicológicas na pessoa com ansiedade generalizada.

Segundo Yontef (1998,p215), awareness é o processo de estar em contato vigilante com o evento mais importante do campo individuo/ambiente, com total apoio sensório-motor, emocional, cognitivo e energético.

A Gestalt terapia é considerada a terapia do contato, no qual é enfatizado que é pelo contato com o outro que me percebo como existente. Assim, contato é a troca de experiências, de sentimentos e/ou de relação não apenas com o outro, mas consigo mesmo e com o mundo, pois é pelo contato com o outro que me percebo como existente (RIBEIRO, 2007).

A pessoa só passa por um processo de mudança, se esta fizer sentido para o seu momento. Se ela entra em contato com suas necessidades, se torna aware de si e do seu meio, desenvolve seu auto suporte, reconhece seus conflitos e integra suas polaridades, então ela pode decidir se quer mudar ou permanecer o mesmo, mas se todos estes processos acontecem com esta pessoa, ela já mudou; não sabemos se mudou para aquilo que queria mudar, mas com certeza está experienciando de forma mais plena, o que ela é verdadeiramente, e essa é a verdadeira mudança. A mudança vem implícita ao processo de autoconhecimento (FAGAN, 1975).

Na Gestalt terapia a criatividade é fundamental para o ajustamento criativo, portanto, está relacionada com a possibilidade de transformação e transcendência, de si e do vivido. A criatividade, nos mantém em contato com o nosso poder; poder ser, agir, transformar; poder se arriscar diante da possibilidade de fracasso e transpõe limites (ZINKER,2007).

Considerações Finais

Conclui-se que o presente artigo sobre a visão da ansiedade generalizada na abordagem gestáltica é algo que o ser humano aprende que a sua dificuldade pode começa algo novo em sua vida e assim, adquire uma nova experiência e um novo modo de ser. Com a terapia gestáltica, o individuo aprende que é possível viver uma coisa de cada vez,adentrando todo o experimento e esgotando as suas possibilidades de ser para que ocorra o fechamento na sua vida. Aprende que a vida não está contida no passado nem no futuro, mas sim no aqui e agora que poderá vive-la, estando inteiro a cada momento. Na Gestalt terapia, o cliente aprende saber fechar, deixar para traz e recomeçar para que possa viver plenamente em contato consigo e com o outro.

Dessa forma, o artigo demonstrou que a terapia gestaltica é muito eficaz e adequada para a ansiedade generalizada, tornando o cliente mais tranquilo e tendo uma visão do mundo de maneira diferente daquela que tinha anteriormente.

Sobre o Autor:

Flávia Cavalcante Frota - Aluna da Pós-graduação em Gestalt-Terapia no CFAPI

Referências:

BARLOW,DavidH.Manual clínico dos transtornos psicológicos.Tradução:MariaRegina Borges Osório, 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, 1999.

Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento do CID-10: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

CORDIOLLI,A.V. Psicoterapias: abordagensatuais. PortoAlegre: Artes Médicas, 1998.

FAGAN,J.;SHEPHERD,I. (orgs). Gestalt-terapia: Teoria,técnicas e aplicações. 2 edição. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

HUECK,Karin. Ansiedade: escolhas demais e informações demais,expectativas demais e tempo de menos. Revista Super Interessante. ed: 258, Nov. 2008.

Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais-DSM-IV.TraduçãoCláudia Dorneles. 4ed. São Paulo: Artmed,2002.

PERLS,F.A. Abordagem gestáltica e testemunha ocular.3 edição.Rio de Janeiro: Zahar, 2002.

RIBEIRO,J. O ciclo do contato:temas básicos na abordagem gestáltica,São Paulo: Summus, 2007.

____________. Gestal-terapia:refazendo um caminho.7edição.São Paulo: Summus, 1985.

____________. Existência e essência:desafios teóricos e práticos das terapias relacionaisSão Paulo, Summus, 1998.

YONTEF,G.M. Processo, diálogo e awareness:ensaios em gestal-terapia. São Paulo: Summus, 1998.

ZINKER,J. Processo Criativo em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 2007.

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