Depressão Pós-Parto, Principais Causas e Sintomas

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Resumo: O presente estudo tem como objetivo mostrar principais causas e sintomas da depressão pós-parto e a importância de seu diagnóstico precoce. A doença acontece nos primeiros meses de vida, na fase do puerpério, envolve a interação de fatores orgânicos, hormonais, psicossociais e a predisposição feminina. É um dos transtornos que mais acomete as mulheres, ganha destaque por sua relevância social e clínica, e pelo aumento de sua incidência nas últimas décadas. Optou-se por desenvolver uma pesquisa de revisão sistemática sobre o tema, por meio da análise e estudo de artigos.

Palavras chaves: depressão pós-parto, puerpério, mãe.

1. Introdução

A Depressão Pós-Parto (DPP) é um problema de saúde pública que afeta a mulher. Os sintomas se iniciam geralmente entre a quarta e oitava semana após o parto. A DPP pode ser prejudicial ao vínculo mãe-bebê e é considerada como um fator de risco para o desenvolvimento infantil, pois compromete a mãe cognitivamente e emocionalmente, dificultando sua capacidade de estabelecer uma interação com a criança. A mãe com DPP pode apresentar sentimentos negativos diante do comportamento do bebê, menor afetividade, ansiedade nos cuidados maternos, rejeição do bebê, negligência e agressividade. A exposição da criança a este tipo de interação inadequada pode apresentar diferentes tipos de risco para o desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança: depressão, baixa estima, dificuldades escolares e de interação social, alterações linguísticas, entre outras (SERVILHA e BUSSAB, 2015).

Um dos meios de prevenção da DPP é pré-natal psicológico, um conceito em atendimento perinatal, voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto. O pré-natal psicológico é complementar ao pré-natal tradicional, tem caráter psicoterapêutico e oferece apoio emocional, trabalhando com as demandas que podem surgir durante a gestação: mitos da maternidade, idealização, possibilidade da perda do bebê, gestação de risco, malformação fetal, medo do parto e da dor, sinais de depressão, ansiedade, mudanças de papéis familiares e sociais, alterações na libido, ciúme dos outros filhos em relação ao bebê que está para chegar (ARRAIS, MOURÃO e FRAGALLE, 2014). Com este acompanhamento psicológico durante a gestação, as chances da mãe desenvolver o transtorno são muito menores.

2. Depressão Pós-Parto

A etiologia da DPP envolve a interação de fatores orgânicos, hormonais, psicossociais e a predisposição feminina. A doença acontece nos primeiros meses de vida, na fase do puerpério (SANTOS, CATARINO, ROSADO e BRANDI, 2011).

Ainda temos muitos tabus que envolvem a DPP, o que pode dificultar o diagnóstico e tratamento da doença. Quando a mulher passa pela DPP, se sente frágil e culpada pelo que está sentindo, pode ser difícil para família aceitar a condição da mulher, proferindo falas indevidas ex.: “Seu bebê nasceu saudável, não entendo por que você chora o tempo todo”. Este tipo de situação só expõe ainda mais a mãe, que já esta tendo dificuldades de compreender a doença e a lidar com todas as mudanças que está vivendo.

O puerpério é um período propenso a crises, por causa das mudanças físicas e psicológicas que acontecem. A mãe precisa mudar o centro de sua identidade de filha para mãe, e às vezes de profissional para mãe de família. Neste período a mulher entra num estado especial, denominado de “preocupação materna primária”, em que ocorre um estado de sensibilidade aumentada, cujo objetivo é capacitar a mulher a se preocupar com seu bebê. (FRIZZO e PICCININI, 2005).

3. Principais Causas

DPP é uma patologia que deriva de uma combinação de fatores biopsicossociais, dificilmente controláveis, que atuam no seu surgimento. (GUEDES-SILVA, SOUZA, MOREIRA, GENESTRA, 2003) listam alguns dos motivos que podem levar a patologia: depressão e ansiedade pré-natal, autoestima baixa, dificuldade de lidar com o bebê, alto nível de estresse, pouco suporte social, ter uma gestação não planejada ou não desejada, grande número de filhos, morte de pessoas próximas, separação do casal durante a gravidez, antecedentes psiquiátricos, complicações devidas à gestação ou parto, idade e nascimentos de pré-termos e de gêmeos.

Segundo (SANTOS, CATARINO, ROSADO e BRANDI, 2011), mulheres que possuem mais fatores estressantes durante a gestação, podem ter uma adaptação inadequada ao puerpério.

O conflito conjugal também pode predispor a mãe à depressão, pois a relação conjugal tende a ser o relacionamento mais importante para a mãe no puerpério, o apoio de um companheiro pode dar grande suporte emocional ou fornecer uma base segura para a mãe, necessária em momentos de estresse. No entanto, o fator que mais influencia o desenvolvimento da depressão materna é o histórico pessoal e familiar de transtornos do humor. (FRIZZO e PICCININI, 2005).

Em algumas famílias o nascimento de um bebê pode ser associado a situações de estresse e cansaço devido à mudança da rotina, que fica toda voltada para a criança (SARAIVA e COUTINHO, 2007). As emoções, as prioridades, o relacionamento, o sono, os horários, a carga de trabalho são todas mudadas devido á maternidade.

Todas estas mudanças que ocorrem na vida da mãe após o nascimento do filho, podem deixá-la em um estado propenso a DPP. A maternidade é sempre falada por todos como melhor parte da vida, como algo tão desejado e perfeito, impedindo que muitas mulheres tenham coragem de falar sobre medos e conflitos que vivem devido à maternidade, impedindo que procurem ajuda. Um único fator não causa o transtorno, mas a combinação de diversos fatores aumenta a vulnerabilidade da mãe para a DPP.

4. Sintomas

Os principais sintomas da DPP são: humor deprimido, sentimento de inadequação familiar e social, alterações do apetite e do sono, concentração prejudicada, falta de interesse ou de prazer em realizar suas atividades diárias, perda ou ganho de peso de forma descontrolada, perda de energia, agitação ou letargia, sentimento de desvalias ou de culpa sem causa aparentes, labilidade do humor, cansaço, sintomas hipocondríacos, pensamentos de morte ou suicídio, sintomas estes bem comuns à depressão não associada a maternidade. Segundo (SANTOS, CATARINO, ROSADO e BRANDI, 2011) estes sintomas geram na mãe sentimentos de fracasso e incompetência materna.

5. Importância do Diagnóstico e Tratamento Precoce

A DPP é um dos transtornos que mais acomete as mulheres, ganha destaque por sua relevância social e clínica e pelo aumento de sua incidência nas últimas décadas. O diagnóstico precoce dos sintomas e inicio imediato do tratamento são fundamentais para evitar que o transtorno se agrave, podendo se tornar crônico ou intensificar uma ideação suicida. Porém média de 25% de casos de DPP não têm acesso a diagnóstico e tratamento pelos principais motivos: 1) Despreparo das equipes de saúde para a atenção integral aos agravos de saúde mental e à atenção psicossocial; 2) Falta de acesso dessas mulheres à Atenção Primária à Saúde; 3) Modelo de atenção à saúde intervencionista e centrado nas manifestações da doença, e não na prevenção (MATOS, SILVA, ROSA e OLIVEIRA, 2013).

No contexto hospitalar os profissionais devem estar atentos a todos os sinais e sintomas que a mãe pode apresentar de depressão pós-parto descritos acima, para que possam orientar a família e encaminhar a paciente para um tratamento adequado.

Com a conscientização da importância de tratar doenças mentais, a psicologia vem alçando espaço e ganhando força, hoje podemos contar com um pré-natal psicológico. Um acompanhamento que ajuda a gestante a lidar com as mudanças psicológicas e corporais que estão acontecendo, auxiliando na melhor adequação da fase e evitando possíveis complicações, como por exemplo, a DPP. O nome deste campo de estudo é psicologia Perinatal, que se aprofunda em entender melhor sobre o psiquismo da gestante, da parturiente e da puérpera.

6. Conclusão

O puerpério é um período propenso a crises, por causa das mudanças físicas e psicológicas que acontecem. A melhor forma de combate a doença é a prevenção, quando a gestante faz o acompanhamento durante a gravidez com um psicólogo (Psicologia Perinatal) as chances de desencadeamento do transtorno se tornam muito menores, infelizmente muitas mulheres não tem acesso e nem conhecimento da importância do tratamento, ou até mesmo ainda há receios e tabus que a impede de procurar ajuda.

No entanto quando o transtorno acaba se desencadeando, é necessário que tenham profissionais da saúde capacitados para reconhecer os primeiros sinais e sintomas para um encaminhamento imediato da paciente, quanto mais cedo o diagnóstico, menores são as chances de complicações severas do transtorno.

Sobre a Autora:

Nirley Paula de Oliveira - Estudante de Psicologia do UNEC - Centro Universitário de Caratinga.

Referências:

ARRAIS, Alessandra; MOURÃO, Mariana; FRAGALLE, Barbára. O pré-natal psicológico como programa de prevenção à depressão pós-parto Saúde. Soc. São Paulo, v.23, n.1, p.251-264, 2014 251.

FRIZZO, Giana; PICCININI, Cesar. Interação mãe-bebê em contextos teóricos e empíricos. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 10, n. 1, p. 47-55, jan./abr. 2005.

GUEDES-SILVA, D., SOUZA, M., MOREIRA, V., GENESTRA, M. Depressão pós-parto: prevenção e consequências. Revista Mal-Estar e Subjetividade, v. 3, n. 2, Fortaleza, 2003.

MATOS, Janaina; SILVA, Vanessa; ROSA, Walisete; OLIVEIRA, Iácara. Análise da depressão pós-parto no período puerperal e sua relação com o aleitamento materno. Revista de Iniciação Cientifica da Libertas, São Sebastião do Paraíso, v. 3, n. 1, p. 50-56, jun 2013.

SANTOS, Aline; CATARINO, Mônica; ROSADO, Regina; BRANDI, Maria. A depressão pós-parto, a prevalência, a família, o tratamento, o acompanhamento e o papel dos agentes de saúde e da família. Anais III SIMPAC - Volume 3 - n.1 - Viçosa-MG - jan. - dez. - 2011 - p. 01-07.

SARAIVA, Evelyn; COUTINHO, Maria. A estrutura das representações sociais de mães puérperas acerca da depressão pós-parto. Universidade Federal da Paraíba. Psico-USF, v. 12, n. 2, p. 319-326, jul./dez. 2007.

SERVILHA, Beatriz; BUSSAB, Vera. Interação Mãe-Criança e Desenvolvimento da Linguagem: A Influência da Depressão Pós-Parto. Porto Alegre, v. 46, n. 1, pp. 101-109, jan.-mar. 2015.

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