Dificuldades de Relacionamento Enfrentadas por Indivíduos que Possuem Transtorno de Personalidade Borderline

(Tempo de leitura: 3 - 6 minutos)

Resumo: O presente artigo apresenta características e definições do transtorno de personalidade borderline, assim como um apanhado sobre as dificuldades que indivíduos portadores desse transtorno possuem em seus relacionamentos, posto ser um transtorno caracterizado principalmente por uma tendência marcante a agir impulsivamente e sem consideração das conseqüências, juntamente com acentuada instabilidade afetiva.

Palavras-chave: Transtorno, personalidade, borderline, relacionamento.

1. Introdução

Em indivíduos com o transtorno borderline é possível destacar uma exagerada reatividade no humor, impulsividade, relacionamentos intensos e instáveis. Apresentam diversas sensações, por vezes conflitantes, manifestam raiva, tristeza, vergonha, pânico, terror e sentimentos crônicos de vazio e solidão.

Por existir nesses indivíduos características tão conflitantes, estes acabam por terem seus relacionamentos afetados e costumam ter freqüentes problemas relacionados à convivência social. As pessoas que convivem com tais indivíduos geralmente sentem dificuldades em entender seus comportamentos e a lidar com eles. É válido, portanto, evocar tais características para que esse transtorno torne-se mais compreensivo no que concerne a sua manifestação.

2. Características do Transtorno de Personalidade Borderline

Para uma melhor compreensão do transtorno de personalidade borderline é necessário ter conhecimento a cerca das principais características e comportamentos que permeiam a vida de um indivíduo com tal transtorno.

O DSM-IV coloca o transtorno da Personalidade Borderline como caracterizado por um padrão evasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos e acentuada impulsividade, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos. A pessoa para estar dentro deste diagnóstico deve apresentar no mínimo cinco dos critérios expostos pelo DSM-IV.

O Transtorno de Personalidade Borderline também está presente na classificação da Organização Mundial de Saúde (CID-10). Neste caso, ele está incluído no capítulo dos Transtornos de Personalidade Emocionalmente Instável sendo subdivido em dois tipos, o “Impulsivo” e o “Borderline”. Ambos apresentam, de acordo com esta classificação, uma tendência marcante a agir impulsivamente e sem consideração das conseqüências, juntamente com acentuada instabilidade afetiva. Nessas pessoas a capacidade de planejar pode ser mínima e os acessos de raiva intensa podem, com freqüência, levar a explosões comportamentais e de violência. Essas explosões costumam ser facilmente precipitadas, principalmente quando esses atos impulsivos são criticados ou impedidos por outros.

No Tipo Borderline ou Limítrofe além das características comuns ao “Impulsivo” várias características de instabilidade emocional estão presentes. Somado à impulsividade, há perturbação variável da auto-imagem, dos objetivos e das preferências internas, incluindo a sexual. O paciente Borderline freqüentemente se queixa de sentimentos crônicos de vazio. Existe uma propensão a se envolver em relacionamentos intensos e instáveis e pode estar relacionado com esforços excessivos para evitar abandono e uma série de ameaças de suicídio ou até atos de autolesão.

Tanto o DSM-IV quanto a CID-10 trazem como características marcantes e centrais a presença da instabilidade em vários âmbitos o que aponta para reais dificuldades que indivíduos borderline podem apresentar em seus relacionamentos.

3. Relacionamento de Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline

As dicotomias são uma constante em todos os âmbitos da vida de uma pessoa com transtorno de personalidade borderline. Comportamentos de explosão afetiva, instabilidade de humor, impulsividade, ciúmes intensos, apresentam-se na vida do borderline de maneira muito intensa e persistente. Eles vivem no limite das emoções.

O paciente borderline é um ser frágil, às vezes cordial, amigável, competente, até envolver-se em situações difíceis, estressantes, em que aflora um padrão característico de desorganização, instabilidade da auto-imagem, humor e relações interpessoais, sendo propenso a episódios psicóticos breves em momentos de intensa ansiedade ou em situações não estruturadas, suscetível de passar por episódios de despersonalização ou desrealização (ROMARO, 2002).

Com tais características, o transtorno acaba por afetar as relações interpessoais e muitos preconceitos e incompreensão permeiam seus relacionamentos.  As pessoas com transtorno de personalidade borderline são, muitas vezes, rotuladas de “irresponsáveis”, “egoístas”, “desequilibradas“, "problemáticas”, o que só agrava sua instabilidade e faz com elas se aproximem mais e mais da loucura, já que dificilmente sozinhas conseguirão contornar a dificuldade (CARNEIRO, 2004). 

Os indivíduos borderline experimentam muitas vezes, uma desregulação interpessoal. Seus relacionamentos podem ser caóticos, intensos e marcados por dificuldades. Por terem esta estruturação, tende a apresentar dificuldades profundas nos relacionamentos interpessoais, com marcadas dificuldades no âmbito social e familiar, que também se expressam nas manifestações transferenciais e contratransferenciais (ROMARO, 2012).

Tais pacientes tendem, de fato, a experimentar afetos intensos, intempestivos e instáveis, entretanto raramente suas vivências afetivas incluem a experiência do prazer.

4. Conclusão           

Diante das informações levantadas é notório que o indivíduo que possui transtorno de personalidade borderline tende a apresentar grandes dificuldades nas suas relações interpessoais, principalmente devido a sua instabilidade emocional e sua impulsividade, pois eles experimentam as emoções de modo muito extremo e intenso e são capazes de passar de um estado a outro por motivos que para a maioria das pessoas seriam supérfluos.

Dessa forma, são propensos a conflitos freqüentes em seus relacionamentos e em sua vida social. Sua maneira de se comportar diante de determinadas situações chegam a assustar as pessoas que convivem ao seu redor. Tanto com o parceiro, seja na escola, no trabalho, no emprego, suas crises emocionais freqüentemente vem acompanhada de grande repercussão. Por conta desse padrão de instabilidade vivido pelo borderline, parece de essencial importância a participação da família e de todos que rodeiam esses indivíduos, pois uma maneira de tentar se relacionar bem com eles é entender o contexto do adoecimento que eles vivem.

Sobre o Artigo:

Artigo desenvolvido na disciplina de Psicopatologia II ministrada pela professora Lucienia Libânea, para obtenção de nota

Sobre o Autor:

Kelly Mayana Pacheco de Sousa  - Aluna do curso de psicologia, 6° período, da Universidade Estadual do Piauí- UESPI; do campos Faculdade De Ciências Médicas-FACIME/CCS

Referências:

BARLOW, D.H. Manual clínico dos transtornos psicológicos. Porto Alegre: Artmed, 1999.

CABALLO, V.E. Manual de transtornos da personalidade. São Paulo: Santos, 2007.

CARNEIRO, L.L.F. Borderline – no limite entre a loucura e a razão. Revista Ciência e Cognição, Rio de Janeiro, v.03, p. 66-68, Nov. 2004. Disponível em: < http://www.cienciasecognicao.org/pdf/m14420.pdf>. Acesso em 12 de julho de 2011.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais DSM-IV. Porto Alegre: Artes Médicas, 4a. edição, 1995.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação dos transtornos mentais e de comportamento da CID 10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

ROMARO, Rita Aparecida. O sentimento de exclusão social em personalidade borderline e o manejo da contratrasferência. Revista Mudanças, São Paulo, vol10 (1), p. 62-71, 2002. Disponível em:   http://www.ritaromaro.com.br/admin/banners/43/artigo__o_sentimento_de_exclusao_social_em_personalidade_borderline.pdf. Acesso em: 15 de julho de 2011.

SOUSA, Ana Carolina Aquino. Transtorno de personalidade borderline sob uma perspectiva analítico-funcional. São Paulo: Brasil, 2003. Disponível em: < http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S151755452003000200004&script=sci_arttext >. Acesso em 15 de julho de 2011.

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