Esquizofrenia

Esquizofrenia
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Resumo: Este trabalho tem por objetivo identificar as causas, sintomas e tipos da esquizofrenia, em abordagem a diversas literaturas e estatísticas adotadas diante da esquizofrenia. Os transtornos esquizofrênicos se caracterizam em geral por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção e por afetos inapropriados ou embotados. Usualmente mantém-se clara a consciência e a capacidade intelectual, embora certos déficits cognitivos possam evoluir no curso do tempo. Os fenômenos psicopatológicos mais importantes incluem o eco do pensamento, a percepção delirante, idéias delirantes de controle, de influência ou de passividade, vozes alucinatórias que comentam ou discutem com o paciente na terceira pessoa, transtornos do pensamento e sintomas negativos.

Palavras-chave: Personalidade, Sociedade, Alucinações, Etiopatologia.

1. Introdução

O presente artigo é um trabalho científico, solicitado pelo professor José Jacinto dos Santos Filhos, na disciplina de língua portuguesa do curso de psicologia da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda. Tem a finalidade de expor conceitos sobre a doença psíquica esquizofrenia, de modo a esclarecer dúvidas a partir da opinião de alguns autores que dissertaram sobre a doença, apresentando em seu desenvolvimento as causas, sintomas e pontos principais.

2. Psicose Esquizofrênica

A esquizofrenia é uma doença da personalidade total que afeta a zona central do eu e altera toda estrutura vivencial. Culturalmente o esquizofrênico representa o estereótipo do "louco", um indivíduo que produz grande estranheza social devido ao seu desprezo para com a realidade reconhecida. Agindo como alguém que rompeu as amarras da concordância cultural, o esquizofrênico menospreza a razão e perde a liberdade de escapar às suas fantasias.

Aproximadamente 1% da população é acometido pela doença, geralmente iniciada antes dos 25 anos e sem predileção por qualquer camada sócio-cultural. O diagnóstico baseia-se exclusivamente na história psiquiátrica e no exame do estado mental. É extremamente raro o aparecimento de esquizofrenia antes do 10 ou depois do 50 anos de idade e parece não haver nenhuma diferença na prevalência entre homens e mulheres.

Esquirol (1772-1840), considerava a loucura como sendo a somatória de dois elementos: uma causa predisponente, atrelada à personalidade, e uma excitante, fornecida pelo ambiente. Hoje em dia, depois de muitos anos de reflexão e pesquisas, a psiquiatria moderna reafirma a mesma coisa com palavras atualizadas. O principal modelo para a integração dos fatores etiológicos da esquizofrenia é o modelo estresse-diátese, o qual supõe o indivíduo possuidor de uma vulnerabilidade específica colocada sob a influência de fatores ambientais estressantes. Em determinadas circunstâncias o binômio diátese-estresse proporcionaria condições para o desenvolvimento da esquizofrenia. Até que um fator etiológico para a doença seja identificado, este modelo parece satisfazer as teorias mais aceitas sobre o assunto.

Através da CID-10 (1993), foi incluída na classificação das esquizofrenias, o transtorno esquizotípico. Na realidade não se acredita tratar de mais um tipo de doença, mas de um estágio da mesma doença. Sabendo-se que os sintomas gerais, básicos e de primeira ordem das esquizofrenias, pode-se entender o transtorno esquizotípico como sendo uma fase pré-mórbida da psicose, mais sério que o transtorno esquizóide de personalidade e menos mórbido que a esquizofrenia franca. Tanto está certa esta visão que o próprio CID-10 (1993),  considera este transtorno como sinônimo de esquizofrenia prodrômica, borderline, ou pré-psicótica.

Os sintomas característicos da esquizofrenia podem ser agrupados, genericamente, em dois tipos: positivos e negativos. Os sintomas positivos são os mais floridos e exuberantes, tais como as alucinações, mais frequentemente as auditivas e visuais e, menos frequentes as táteis e olfativas; os delírios, persecutórios, de grandeza, de ciúmes, somáticos, místicos, fantásticos; perturbações da forma e do curso do pensamento, como incoerência, prolixidade e desagregação; comportamento desorganizado, bizarro, agitação psicomotora e mesmo negligência nos cuidados pessoais.

Os sintomas negativos são, geralmente, de déficits, ou seja, a pobreza do conteúdo do pensamento e da fala, embotamento ou rigidez afetiva, prejuízo do pragmatismo, incapacidade de sentir emoções, incapacidade de sentir prazer, isolamento social, diminuição de iniciativa e diminuição da vontade.

Alguns sintomas, embora não sejam específicos da esquizofrenia, são de grande valor para o diagnóstico, seriam:

a) audição dos próprios pensamentos, sob forma de vozes;

b) alucinações auditivas que comentam o comportamento do paciente;

c) alucinações somáticas;

d) sensação de ter os próprios pensamentos controlados;

e) irradiação destes pensamentos;

f) sensação de ter as ações controladas e influenciadas por alguma coisa do exterior.

Tentando agrupar a sintomatologia da esquizofrenia para sintetizar os principais tratadistas, teremos destacados três atributos da atividade psíquica: comportamento, afetividade e pensamento. Os delírios surgem como alterações do conteúdo do pensamento esquizofrênico e as alucinações como pertencentes a sensopercepção. Ambos acabam sendo causa e/ou consequência das alterações nas três áreas acometidas pela doença.

 

2.1 Etiopatogenia da esquizofrenia

            Segundo MADALENA (1973) o estudo das causas que levam ao desenvolvimento da doença é considerado em função dos seguintes fatores:

  • Herança: A herança na esquizofrenia parece filiar-se ao caráter recessivo (Estudo de Rudin)
  • Constituição: A constituição apontada por Kretschmer é esquizoide , com os subtipos:
    • a) associal, quieto, reticente, sério, excêntrico;
    • b) tímido, envergonhado, delicado, hipersensitivo, nervoso, excitável, enamorado dos livros e natureza;
    • c) bom comportamento, consequente, obtuso, estúpido, dócil, bom coração.
  • Fatores biológicos: Compreendem:
    • a) endócrino, - reação  deficitária de adaptação; seria a diminuição da reação do córtex supra renal a todo tipo de “Stress”;
    • b) metabólicos -  valorizam alguns autores a intoxicação  nitrogenada, auto tóxicos intestinais por insuficiência hepática;
    • c) S.N.C. – haveria uma anatomia patológica ou uma disposição deficitária.
  • Fatores psicológicos: É a integração das experiências  vivenciadas na curva da vida. Dada a ênfase com que a psicanálise valorizou os fatores psicogenéticos , muito se tem discutido se a causa psicogênica, ou melhor, a motivação reveste-se do estrito sentido científico.

Segundo MADALENA (1973) Considera que estes seriam os fatores de disposição e de condicionamento para a esquizofrenia. Os fatores de precipitação ou eclosão da esquizofrenia seriam de duas naturezas: físicos ( qualquer evento patológico orgânico) e psíquicos ( qualquer evento psicológico-traumático).

2.2. Principal forma de psicose

Segundo DALGALARRONDO (2008), a principal forma de psicose, por sua frequência a sua importância clinica, e certamente a esquizofrenia (TSUNAG; STONE; FARAONE, 2000). Considera-se que alguns sitomas são siqinificativos para o diagnostico da esquizofrenia (TANDON ; GREDEN, 1987), particularmente aqueles que Kurt Schneider(1887-1967) denominou “sintomas de primeira ordem”.

Transtornos delírios (paranoia) a esquizofrenia tardia (parafrenia)

Uma forma de psicose bem conhecida dos clínicos e aqueles que se caracterizam pelo surgimento e pelo desenvolvimento de um delírio ou sistema deliramento com relativa preservação da personalidade e do resto do psiquismo indivíduo a cometido. A paranoia características, portanto, por um delírio geralmente organizado e sistematizado, às vezes com temática complexa, que permanece com que “encistado”, “cristalizado “em um domínio da personalidade do doente, sem comprometer todo o resto”“. “(Ocorre em sujeito com mais idade” geralmente após os 40 anos), e geralmente tem curso crônico e estável. O termo transtorno delirante corresponde ao que Kraepelin de nominava (que curiosamente no linguajar popular, é usado com sinônimo de idade de perseguição).

As parafernais são formas de psicose esquizofreniforme, de aparecimento tardio, em que surge delírio, em geral acompanhado por alucinações, mas na quais, semelhantes à paranoia, há relativa preservação da personalidade do doente. Alguns atores consideram as parafernais uma forma tardia de esquizofrenia, surgido comumente após os 45 ou 50 anos de idade (HOWARD; ALMEIDA; LEVY, 1994).

A definição precisar de esquizofrenia, e seus sintomas mais fundamentam e característicos aquilo que lhe e mais peculiar e central é tema de intensa discussão em psicopatologia. Apenas do surgimento dos antipsicóticos de primeira e segunda geração, a clinica das psicoses em geral da esquizofrenia em particular permanece, com algumas mudanças superficiais, com a mesma estrutura  básica (LEME LOPES,1979). 

3. Considerações Finais

MADALENA (1973) Afirma que , a esquizofrenia continua como a pior doença que pode atingir o Homem, pois ela atinge o cérebro do Homem. E se ousamos dizer que a Doença Esquizofrenia  é genética e o doente Esquizofrênica é psicogênico, não estamos fazendo jogo de palavras – tão ao sabor dos psiquiatras  - mas procurando a inevitável síntese de uma dialética biológico-psicológica.

Sobre o Autor:

Moisés Vicente Silva - aluno de Psicologia da FACHO - Faculdade de Ciências Humanas de Olinda/PE.

Referências:

MADALENA, j. Caruso,  A cerca da Esquizofrenia. Rio de Janeiro, 1973

DALGALARRONDO, Paulo, Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2º edição, 2008

CID-10, Classificação de Transtornos Mentais e de comportamento da CID-10. Descrições clícinas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993

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