Estresse Profissional e Síndrome de Burnout: o Contexto dos Profissionais do Setor Financeiro

Estresse Profissional e Síndrome de Burnout: o Contexto dos Profissionais do Setor Financeiro
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Resumo: Diante das transformações ocorridas no cenário mundial, principalmente no setor bancário como o cumprimento de metas e a pressão exercida sobre os funcionários o sofrimento mental consequentemente aumentou. A partir disto o objetivo deste trabalho é avaliar quais as principais patologias encontradas em duas instituições bancárias de cidades distintas, uma instituição a qual foi denominada A1 é uma organização pública da cidade de Casca- RS e a segunda denominada A2 é uma instituição particular da cidade de Passo Fundo - RS. Para a coleta de dados foi usado como instrumento o teste projetivo HTP, inventário de Burnout, escala de depressão - BDI e escala de ansiedade - BAI. Pode-se perceber que as mudanças ocorridas no setor bancário influenciam para o surgimento das patologias, por isso o papel do Psicólogo, nesses casos é de identificar os principais agentes estressores e a partir disso criar estratégias para amenizá-los, a fim de que não ultrapassem da fase de resistência, pois poderá causar maior sofrimento e o aparecimento de doenças físicas e /ou psíquicas mais graves.

Palavras-chave: Setor bancário, Patologias, Avaliação Psicológica, Psicologia Organizacional, Burnout.

1. Considerações Iniciais

Diante dos modelos atuais de trabalho em que estamos inseridos, percebe-se quanto as evoluções tecnológicas e econômicas trouxeram vantagens e desvantagens em diversos setores. Um exemplo claro em que ocorreram essas mudanças foi no setor bancário, o qual é fortemente influenciado por tais evoluções. Entre elas a competitividade, o cumprimento de metas e a pressão exercida sobre os bancários, que levam ao aumento do sofrimento mental.

As transformações no cenário mundial, tais como desemprego e subemprego, processos organizacionais internos de reestruturação produtiva e de introdução de novas formas de gestão, enxugamento do quadro de funcionários, inovações tecnológicas frequentes, são reconhecidas como fatores que vem contribuindo para o crescimento do sofrimento mental e dos distúrbios psicológicos de modo geral.

De acordo com todas as mudanças supracitadas ocorridas no setor bancário, o objetivo do presente trabalho é investigar as patologias mais encontradas nas organizações bancárias. Para tanto realizamos uma pesquisa em dois bancos de cidades distintas. O banco denominado A1 é uma instituição pública na cidade de Casca – RS e o banco denominado A2 é particular e na cidade de Passo Fundo. Inicialmente apresentamos uma revisão da literatura sobre o tema, contextualizando o setor bancário, as patologias mais encontradas nas organizações, o importante papel da Psicologia Organizacional, os testes usados para recrutamento, seleção e avaliação da saúde mental e também os processos éticos envolvidos neste procedimento. Em seguida são descritas as metodologias utilizadas na pesquisa empírica: caracterização dos participantes, instrumentos utilizados, análise de dados, resultados e considerações finais.

2. Desenvolvimento

Para embasamento da pesquisa será apresentado no referencial teórico a contextualização do setor bancário, as patologias mais encontradas nas organizações, o importante papel da Psicologia Organizacional, os testes usados para recrutamento, seleção e avaliação da saúde mental e também os processos éticos envolvidos neste procedimento. Para a coleta de dados foi usado como instrumento o teste projetivo HTP, inventário de Burnout, escala de depressão – BDI e escala de ansiedade – BAI.

2.1 Referencial Teórico

2.1.1 Contextualização do Setor Bancário

As transformações no cenário mundial e suas expressões no mundo do trabalho, tais como desemprego e subemprego, processos organizacionais internos de reestruturação produtiva e de introdução de novas formas de gestão, enxugamento do quadro de funcionários, inovações tecnológicas frequentes, são reconhecidas como fatores que vêm contribuindo para o crescimento do sofrimento mental e dos distúrbios psicológicos de modo geral. O setor bancário é sinalizador desta tendência. Alguns estudos apontam, inclusive, para uma relação entre a implementação de processos de reestruturação produtiva e o número crescente de suicídios, alguns cometidos nas próprias agências bancárias (LIMA, 2000).

As exigências de qualificação para os bancários, hoje, incidem tanto sobre aspectos técnicos da ocupação (por exemplo, conhecimentos de informática, contabilidade financeira, aplicações, avaliação de riscos etc) como sobre aspectos comportamentais, associados à polivalência (JACQUES, 2006). Segundo Segnini (1999), esta última exigência merece destaque, uma vez que se refere a comportamentos esperados do bancário vendedor que modulam determinadas formas de ser e de trabalhar: disposição e habilidade para vender produtos e serviços, para competir, ser amável, comunicativo, equilibrado, responder às demandas dos clientes, saber fidelizar o cliente para o banco, ser capaz de adaptar-se ao intenso ritmo de trabalho, e tolerar a pressão e o estresse. Assim, as políticas de gestão de pessoal passaram a demandar dos funcionários, além da qualificação técnica, a constante mobilização de afetos (GRISCI; BESSI, 2004).

Com todas essas exigências citadas no parágrafo anterior, segundo Lipp e Malagris (2004) o estresse excessivo tem sido considerado um dos principais problemas do mundo moderno, sendo tema de interesse da Organização Mundial da Saúde. Pode interferir na qualidade de vida do ser humano, levando-o a uma série de prejuízos: problemas de interação social, familiar, falta de motivação para atividades em geral, doenças físicas e psicológicas, além de problemas no trabalho (LIPP, 2004).

2.1.2 Psicopatologias Mais Encontradas nas Organizações

Campbell (1986) define a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental – suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação.

Junior e Silva (2003), demonstram que de um modo geral, as patologias não tem sua origem concentrada em fatores isolados, mas sofrem influência de um conjunto de variáveis, que podem ser classificadas de acordo com o processo patológico, com os sintomas, com a causa que gerou o problema ou ainda a etapa do processo produtivo em que ocorrem.

A nova economia do mercado globalizado tem modificado as práticas organizacionais no mundo do trabalho. Competitividade, reestruturação produtiva e redução da força de trabalho contribuem para uma variedade de condições potencialmente estressoras, tais como perda de estabilidade no trabalho, aumento de demandas de cargas de trabalho, subcontratações, entre outras (Sauter et al., 2002). O setor financeiro foi um dos mais atingidos pelas mudanças imputadas pela globalização e, recentemente, também pela crise econômica sofrida por parte dos países desde 2007, resultando em aumento das pressões de tempo, demandas de trabalho excessivas, e aumento nos casos de violência e estresse (GIGA, HOEL, 2003; SNORRADOTTIR ET AL., 2013).

Estresse crônico no trabalho tem sido vinculado a resultados adversos à saúde física e mental (Siegrist, 1996), incluindo ansiedade, depressão (Murcia et al., 2013) e burnout (ANDERSON, PULICH, 2001).

Hans Seley definiu o estresse em seus primeiros estudos na área da saúde na década de 1930, como uma “síndrome geral de adaptação” na qual o organismo visa readquirir a homeostase perdida diante de certos estímulos (MALAGRIS; FIORITO, 2006).

Segundo Lipp e Malagris (1995), Selye (1974) redefiniu o termo estresse como “resposta não específica do corpo a qualquer exigência”.

O estresse tem consequências de ordem psicológica que vão desde o estado de mau humor permanente, sentimentos de ansiedade causados por medo de perigos desconhecidos, sensação de aborrecimento e sentimentos de raiva, ocorrência frequente de brigas, problemas do sono até sentimento de amargura e hostilidade. No ambiente de trabalho, isso se traduz no baixo nível de satisfação e comprometimento (ROBBINS, 1999).

Depressão segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 é uma doença crônica que deve apresentar pelo menos um dos sintomas como humor deprimido ou perda de interesse ou prazer. O Burnout define-se como uma resposta prolongada no tempo a estressores interpessoais crônicos no trabalho, composta por três dimensões chave: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal (Maslach, 1993). Por exaustão emocional entende-se como solicitação ou esgotamento dos recursos emocionais, morais e psicológicos da pessoa. A despersonalização traduz uma distanciação afetiva ou indiferença emocional em relação aos outros. A redução da realização pessoal exprime uma diminuição dos sentimentos de competência e de prazer associados ao desempenho de uma atividade profissional (MAROCO; TECEDEIRO, 2009).

2.1.3 Organizações e a Psicologia Organizacional

Uma organização é caracterizada por um grupo de pessoas que trabalham pela mesma causa, as quais precisam apresentar um perfil semelhante ao da empresa, além de estar em harmonia com seus objetivos, para que essa organização possa crescer significativamente e se desenvolver (DALBOSCO; CONSUL, 2011).

“A organização é uma entidade social conscientemente coordenada, com uma fronteira relativamente identificável, que funciona numa base relativamente contínua com intuito de atingir um objetivo comum” (ROBBINS, 2005, p. 2).

Para Spector (2002), o campo da Psicologia Organizacional encerra duas divisões:

  • Industrial: recursos humanos, eficiência, seleção e treinamento, avaliação de pessoal;

  • Organizacional: foco no funcionário como indivíduo, atitudes e estresse no trabalho.

A parte industrial, que denominou o campo, é o ramo mais antigo e busca gerenciar a eficiência organizacional por meio do uso apropriado dos recursos humanos. Preocupa-se com questões de eficiência no projeto de tarefas, seleção e treinamento de funcionários e avaliação de desempenho. A parte organizacional desenvolveu-se com base no movimento de relações humanas nas organizações. Seu foco no funcionário como indivíduo é maior do que o existente na parte industrial, cuja preocupação é compreender o comportamento individual e aumentar o bem estar dos funcionários no ambiente de trabalho, os tópicos organizacionais abrangem as atitudes e o comportamento do funcionário, o estresse no trabalho e a prática de supervisão (SPECTOR, 2002).

A teoria de Administração, de Frederick Taylor, buscava, entre outros objetivos, desenvolver as pessoas no ambiente de trabalho, de modo que a produção fosse potencializada. Para tanto, foram verificados critérios, como material disponível, remuneração e motivação. Não só o ambiente físico era focado, mas se estabeleciam condições para a obtenção de resultados positivos, o bom trato dos recursos humanos e a manutenção de estímulos relacionados com o próprio trabalho. Outra questão era alocar um profissional para uma função cuja personalidade fosse compatível com as demandas do trabalho a ser realizado (BERGAMINI, 2005).

Segundo Teles (1995), “para atender a essa urgente necessidade, os psicólogos foram induzidos a criar testes que avaliassem as mais variadas aptidões e os diversos graus de inteligência do pessoal a ser recrutado”. Com o término da guerra, o material criado pelos psicólogos mostrou-se indispensável para as empresas que, por sua vez, tiveram de se expandir em busca de novos mercados. Desse modo a Psicologia penetrou com êxito nas organizações, pelos processos de recrutamento e seleção, utilizando-se da aplicação de testes e treinamento de pessoal. Os psicólogos trabalhando na área de seleção de pessoal, foram tendo acesso aos problemas estruturais da empresa, e esse contato deu margem ao surgimento de novos dados, que acabaram atingindo um volume tal, que justificou o aparecimento de um novo ramo da Psicologia: a Psicologia Organizacional (TELES, 1995).

2.1.4 Avaliação Psicológicas nas Organizações

Dentro da área organizacional é utilizada também a testagem psicológica. Toda contratação passa, em média, por cinco etapas: a primeira consiste no recrutamento, quando a empresa divulga a vaga disponível, anunciando as características desta; a segunda corresponde à análise dos currículos, filtrando aqueles candidatos que estão mais próximos do perfil desejado; a terceira é a entrevista, individual e/ou coletiva, durante a(s) qual(is) se buscam informações que não é possível adquirir apenas com a análise do currículo; a quarta diz respeito à avaliação psicológica, em que se avaliam aspectos da personalidade fundamentais para a contratação ou não; na quinta e última etapa, realiza-se a contratação do candidato que demonstra possuir o perfil mais adequado à empresa (DALBOSCO; CONSUL, 2011).  

Os testes psicológicos têm sido entendidos como instrumentos auxiliares na coleta de dados, que juntamente com as demais informações organizadas pelo psicólogo, auxiliam a compreensão do problema estudado, de forma a facilitar a tomada de decisões (NORONHA; VENDRAMINI, 2003).

Entre os testes usados para seleção de pessoas encontra-se o teste HTP, que foi criado por John N. Buck, em 1948, e tem como objetivo compreender aspectos da personalidade do indivíduo bem como a forma deste indivíduo interagir com as pessoas e com o ambiente. O HTP estimula a projeção de elementos da personalidade e de áreas de conflito dentro da situação terapêutica e proporciona uma compreensão dinâmica das características e do funcionamento do indivíduo (Buck, 2003). O instrumento propõe a realização de três desenhos sequenciais - uma casa, uma árvore e uma pessoa, os quais devem ser desenhados em folhas separadas, utilizando lápis e borracha. A aplicação propõe, também, que se realize um inquérito acerca de características e descrições de cada desenho realizado (BUCK, 2003).

A escala de avaliação de Burnout foi criada por Christina Maslach (Maslach, Jackson & Leiter, 1996). Trata-se de uma escala de autoavaliação em que é pedido ao sujeito que avalie, em sete possibilidades, com que frequência sente um conjunto de sentimentos expressos em frases.

A escala de depressão (BDI) foi desenvolvida por Beck e colaboradores em 1961. Esta escala tem o objetivo de medir as manifestações comportamentais e avaliar a intensidade de depressão, uma vez que seus itens foram derivados de observações clínicas de pacientes deprimidos em psicoterapia. É um instrumento estruturado e de autorrelato, composto de 21 categorias de sintomas e atitudes, que descrevem manifestações comportamentais cognitivas, afetivas e somáticas de depressão.

A escala de ansiedade (BAI) foi criada por Beck e colaboradores em 1988. Esse instrumento consiste em uma escala de autorrelato desenvolvido para medir a intensidade de sintomas de ansiedade. Foram selecionados 21 itens que refletissem, somaticamente, afetivamente e cognitivamente, os sintomas característicos de ansiedade (BECK et al., 1988; CUNHA, 2001).

A utilização dos testes fornece subsídios ao psicólogo para a identificação de problemas decorrentes da subjetividade humana, facilitando a tomada de decisão para diagnóstico e intervenção. Nesse sentido, uma vez que cada profissional apresenta uma demanda específica, cabe-lhe reconhecer e adaptar sua necessidade aos instrumentos a que tem acesso, adotando a técnica mais adequada para o alcance do objetivo pretendido (DALBOSCO; CONSUL, 2011).  

2.1.5 Processos Éticos em Psicanálise

Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais, norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantem a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo (CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO, 2005).

De acordo com Imbert (2001), a ética a que se propõe a prática psicanalítica rompe com qualquer tentativa de restituir ao sujeito um comportamento moral ou a aquisição de bons hábitos, o que é prática constante dos discursos médico, pedagógico e psicológico.

A ética em Psicanálise tem como fundamento a pressuposição de liberdade e comporta, de forma enfática, uma reflexão profunda sobre o desejo do analista/pesquisador como uma condição para o processo de análise/investigação referente à disponibilidade do analista/pesquisador de produzir questionamentos sobre si mesmo e sobre o laço social, ou seja, sobre o contexto da pesquisa em geral (DALLAZEN, et al.; 2012)

Segundo Bleichmar (2006), a ética se desenvolve a partir da vivência da intersubjetividade, ou seja, da relação com o outro. Ser um sujeito ético significa ter algo internalizado, significa não fazer algo apenas por disciplina, mas sim segundo sua conduta ética.     

Para Josgrilberg (2008):

O sujeito ético, na trama dialógica da interpelação e da resposta, encontra um mundo de validades éticas e é impelido a agir em consonância com essas validades específicas. É a atitude e o comportamento face às validades que agregam valor ético à ação: a ação pode ser boa ou má. É na medida em que respondo por essas validades que me torno sujeito responsável eticamente. As validades éticas são reconhecidas no outro, na natureza, na sociedade, no trabalho, nas instituições, no cotidiano, em situações limites etc. O sujeito ético age, de modo geral, em relação às possibilidades que tem de sustentar e encarnar valores que são reconhecidos e hierarquizados.

2.2 Metodologia

Este trabalho foi realizado através de uma abordagem qualitativa, de natura aplicada e objetivo exploratório e descritivo. A pesquisa foi realizada em duas agências bancárias de cidades distintas, denominadas como A1 e A2. Para a realização do mesmo entramos em contato com ambas as agências e após o consentimento realizamos o trabalho com 3 participantes da agência A1 e 3 da agência A2. Sendo que na agência A1 os 3 participantes eram do sexo masculino, na agência A2, 2 participantes eram do sexo feminino e 1 do sexo masculino, a média de idade dos participantes é 37 anos. Para a coleta dos dados foi usado o teste projetivo HTP, inventário de Burnout, escala de depressão - BDI e escala de ansiedade – BAI.

2.3 Resultados e Discussão ou Análise dos Resultados

Após coletados os dados, os mesmos foram analisados e apresentados na tabela a seguir.

Participante

Achados sugestivos

F. P. – Banco A1

I) Pensamentos dolorosos e sentimento de culpa. 

II) Preocupação consigo mesmo, com o ambiente, estabilidade e controle. 

III) Tem necessidade de segurança e afeto. 

IV) Indica uma personalidade frágil apresentando ansiedade, tensão, rigidez, impulsividade, retraimento e fuga do ambiente.

J. M. – Banco A1

I) Tensão, ansiedade, rigidez, introversão e retraimento.

II) Possui necessidade de segurança e afeto.

A. S. – Banco A1

I) Possui necessidade de segurança e dependência de outras pessoas e preocupação consigo mesmo. 

II) Apresenta retraimento, descontentamento, hostilidade e um contato pobre com a realidade

R. L. – Banco A2

I) Apresentou ansiedade, retraimento, atitudes oposicionistas, desconfiança, dependência, impulsividade, rigidez, tensão e tendências agressivas. 

II) Demonstrou necessidade de segurança, apoio e fuga do ambiente.

J. P. - Banco A2

I) Demonstrou necessidade de gratificação imediata, apoio, afeto, segurança, realização e atitude defensiva. 

II) Apresentou fixação no passado, regressão e retraimento. 

III) Mostrou desequilíbrio de personalidade apresentando rigidez, ansiedade, obsessividade compulsiva, desconfiança e relutância para estabelecer contatos íntimos na convivência psicossocial.

J. O. – Banco A2

I) Mostrou insegurança, retraimento, ansiedade, impulsividade,  inadequação e atitudes agressivas. 

II) Apresentou necessidade de apoio, segurança, gratificação imediata e equilíbrio para satisfazer necessidades básicas.

Observa-se que os participantes apresentaram sinais característicos de Burnout, como: personalidade frágil, ansiedade, tensão, rigidez, impulsividade, descontentamento, retraimento, fuga do ambiente, necessidade de gratificação imediata, apresentando equilíbrio precário para satisfazer as necessidades básicas e relutância para estabelecer contatos íntimos na convivência psicossocial. Esses sintomas foram mencionados por Maroco e Tecedeiro, (2009) na exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal, que são os três estágio do Burnout.

Apresentaram também sintomas de estresse, como: desconfiança, ansiedade, atitudes defensivas e hostilidade, conforme citado por Robbins, (1999).

Segundo Lipp, (2004), os sintomas tanto de Burnout como os de estresse interferem na qualidade de vida do ser humano, levando-os a uma série de prejuízos. Para Sauter et al, (2002), a competitividade, reestruturação produtiva e redução da força de trabalho contribuem para uma variedade de condições potencialmente estressoras.

De acordo com Giga, Hoel e Snorradottir, (2013) o aumento do estresse se dá pelas mudanças imputadas pela globalização e também pela crise sofrida recentemente no ano de 2007.

Os dados coletados na aplicação do inventário de Burnout e nas escalas BDI e BAI serão apresentados a seguir:

No inventário de Burnout a pontuação se dá da seguinte forma: 0 a 20 pontos (nenhum indício de Burnout), 21 a 40 pontos (possibilidade de desenvolver Burnout), 41 a 60 pontos (fase inicial da Burnout), 61 a 80 pontos (a Burnout começa a se instalar), 81 a 100 pontos (fase considerável da Burnout).

Podemos perceber que 17% dos participantes apresentaram sintomas da fase inicial de Burnout (41 a 60 pontos). Segundo Maroco e Tecedeiro, (2009) os sintomas de Burnout são: esgotamento dos recursos emocionais, morais e psicológicos, distanciação afetiva ou indiferença emocional em relação aos outros, diminuição dos sentimentos de competência e de prazer associados ao desempenho de uma atividade profissional. Percebe-se que no teste HTP os achados coincidem com o inventário de Burnout, pois em ambos aparecem sinais característicos do transtorno.

Na escala realizada para identificação de depressão nenhum participante apresentou indícios de desenvolvimento do transtorno.

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Na escala realizada para identificação de ansiedade nenhum participante apresentou indícios de desenvolvimento do transtorno.

3. Considerações Finais

Concluiu-se que as mudanças ocorridas no setor bancário como o aumento das demandas de trabalho, o cumprimento de metas, a crise econômica entre outros, influenciam para o surgimento das patologias, entre elas a síndrome de Burnout e o estresse, as quais foram encontradas nesta pesquisa.

Percebe-se que o trabalho por mais prazeroso que seja em algum momento poderá proporcionar desprazeres, uma vez que, as mudanças ocorridas diariamente em vários setores e as adaptações exigidas com maior frequência faz com que tenhamos maiores índices de desenvolver patologias ocupacionais o que pode provocar o surgimento de doenças físicas e/ou psíquicas.

O papel do Psicólogo organizacional, nesses casos é de identificar os principais agentes estressores por meio de testes, escalas entre outros e a partir disso criar estratégias para amenizá-los, de forma que estes não se prolonguem na rotina dos trabalhadores, para que os sujeitos não ultrapassem da fase de resistência, pois as fases seguintes causam maior sofrimento e o aparecimento de doenças físicas e /ou psíquicas ainda mais graves.

Sobre os Autores:

Denise Bier - Discentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Gesiane Poter Frizão - Discentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Iara de Lima Freitas - Discentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Silvia Ribeiro - Discentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Elvis Bonini - Docentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Viviane Gregoleti - Docentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Cristina Ribas Teixeira - Docentes do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Élvis Mognhon - Coordenador do Curso de Psicologia, Nível V 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS. 

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