Histeria Conversiva

(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)

O DSM-IV no eixo I - sintomas, psicopatologias – faz a divisão da Histeria entre conversivas a dissociativas. No eixo II – caracterologia, transtornos de personalidade – a Histeria incluía denominações de: transtorno de personalidade histérica; personalidade infantil-dependente, personalidade fálico-narcisista, traços histéricos em outras personalidades, transtorno de personalidade histriônica.

Histerias conversivas

Na conversão ocorrem sintomaticamente alterações de funções fisiológicas, alterações que de modo distorcido e inconsciente exprimem impulsos pulsionais anteriormente recalcados (Fenichel, 2005). Os sintomas de conversão não são meras expressões somáticas dos afetos e sim representações muito específicas de pensamentos (Freud, 1905).

Os conflitos sofrem uma “conversão” nos órgãos dos sentidos e no sistema nervoso voluntário. Um sintoma histérico pode ter vários significados. A conversão não é específica da histeria, ela ocorre em doenças orgânicas, hipocondria ou manifestações psicossomáticas.

Na conversão dos histéricos, suas fantasias depois que são recalcadas encontram expressão plástica em alterações de funções físicas.

Entre as alterações da percepção na Histeria estão as anestesias e analgesias. O termo anestesia é usado para designar a abolição de todas as formas de sensibilidade, sua topografia e as modalidades qualitativas de suas alterações não obedecem às leis de interação de condução e sistematização das vias de sensibilidade, (Paim, 1993)

Na Histeria, em geral a perda de sensibilidade não é completa, é seletiva e obedece à ação de fatores afetivos . Na analgesia, ocorre perda de sensibilidade à dor, com a conservação de outras formas de sensibilidade.

Epidemiologia da Histeria Conversiva

A proporção de pacientes femininos adultos para pacientes masculinos adultos é de pelo menos 2:1. Quando ocorre em crianças a proporção de meninas para meninos é ainda maior. O transtorno conversivo pode ter início em qualquer idade embora seja mais comum em adolescentes e adultos jovens. Está com considerável freqüência associado à diagnósticos co-mórbidos de Transtorno Depressivo Maior e Transtorno de Ansiedade e esquizofrenia.

Características Clínicas da Histeria Conversiva

Paralisia, cegueira e mutismos são os sintomas mais comuns do Transtorno Conversivo.

  1. Sintomas sensoriais: anestesia e parestesia;
  2. Sintomas motores: incluem movimentos anormais, distúrbios de marcha, fraqueza e paralisia;
  3. Sintomas convulsivos: as pseudoconvulsões são sintomas freqüentes. Morder a língua, incontinência urinária e ferimentos após quedas podem ocorrer nas pseudoconvulsões, embora esses sintomas geralmente não estejam presentes.

Diagnóstico diferencial da Histeria Conversiva

É comum encontrar-se uma doença orgânica associada aos pacientes hospitalizados com transtornos conversivos. É necessária investigação médica e neurológica completa em todos os casos. Doenças neurológicas, tumores cerebrais e doenças dos gânglios basais devem ser descartadas. Na hipocondria não existe perda ou disfunção real do funcionamento. O paciente cujas queixas estão limitadas ao funcionamento sexual são classificados como tendo disfunção sexual ao invés de Transtorno Conversivo. (Kaplan).

Diretrizes diagnósticas

  1. Um ou mais sintomas ou déficits afetando a função motora ou sensorial voluntária que possam sugerir uma condição neurológica ou outra condição médica geral;
  2. Fatores psicológicos são julgados como associados com o sintoma ou déficits uma vez que o início ou a exacerbação do sintoma ou déficits é precedido por conflitos estressores;
  3. O sintoma ou déficits não é intencionalmente produzido ou simulado;
  4. O sintoma ou déficits causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, ou indica avaliação médica.

Especificar tipo de sintoma ou déficits como motor, sensorial, ataques ou convulsões ou mista.

Curso e prognóstico

90 a 100% dos pacientes com Transtorno Conversivo, tem uma resolução de seus sintomas iniciais em alguns dias ou em menos de um mês.

75% podem não experienciar um novo episódio

25% podem ter episódios adicionais durante períodos de estresse

São considerados passíveis de bons prognósticos episódios de início súbito, estressores facilmente identificáveis, bom ajuste pré-mórbido, sem transtornos psiquiátricos ou médico co-mórbidos e ausência de litígio atual. Quanto maior o tempo de manifestação de sintomas pior o prognóstico.