O Que é a Esquizofrenia Paranoide

(Tempo de leitura: 3 - 6 minutos)

Resumo: A esquizofrenia paranoide se caracteriza como um subtipo de esquizofrenia que tem como característica essencial a presença de delírios e alucinações de caráter persecutório ou grandioso, em sua grande maioria. Esse artigo visa fazer menção ao tipo paranoide, bem como entender os critérios utilizados pelo DSM-IV para o diagnóstico do transtorno, explicitar a sintomatologia e discutir sobre as perspectivas de tratamento e cuidado do sujeito que apresenta essas características. Nesse ponto, entende-se que o estudo e revisão literária nesse é válido para a psicologia no auxílio e manejo de sua prática, bem como para a sociedade que pode desmistificar sua crença sobre muitos mitos pertinentes a esse conhecimento.

Palavras-Chave: Esquizofrenia paranoide, DSM-IV, sintomatologia, tratamento, transtornos psíquicos

Considerações Iniciais

A literatura indica que a esquizofrenia é um severo transtorno psíquico que pode acometer pessoas das mais variadas idades, culturas e extratos sociais. Os subtipos da esquizofrenia são definidos com base na sintomatologia predominante e se caracterizam como: paranoide, hebefrênica e catatônica, além das formas atípicas da doença.

O processo de desenvolvimento da esquizofrenia pode ser gradual, lento, que nem mesmo o paciente e a família deste, toma conhecimento da evolução do caso. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses. Em contrapartida, existem pacientes que desenvolvem rapidamente a esquizofrenia, e em questão de dias ou semanas já apresentam alguma sintomatologia.

O seguinte trabalho visa explicitar a esquizofrenia paranoide que se caracteriza a partir de uma presença de delírios ou alucinações auditivas no contexto que visa preservar o funcionamento cognitivo e o afeto.

Nessa perspectiva, os delírios são entendidos como persecutórios ou grandiosos, podem se referir a temas religiosos, ciúme ou somatização. As alucinações também podem estar relacionadas ao conteúdo do tema delirante. O indivíduo pode apresentar extrema intensidade nos relacionamentos interpessoais, podem apresentar atitude superior e condescendente e uma qualidade afetada e formal.

As causas da esquizofrenia são complexas e multifatoriais, tendo em vista que envolve fatores genéticos, culturais, sociais, ambientais e psicológicas que podem predispor o surgimento de qualquer sintomatologia esquizofrênica.

Critérios do DSM-IV para o Diagnóstico da Esquizofrenia Paranoide

O CID-10 (1993) refere-se à esquizofrenia como um transtorno caracterizado, geralmente, por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção, por afeto inadequado ou embotado.

 Como vimos, a teoria criou uma subdivisão para a esquizofrenia que deve ser classificada em: paranoide (delírios de grandeza ou perseguição) hebefrênica ou desorganizada (emocionalmente ingênua e imatura) e catatônica (alternância entre mobilidade grande agitação). As pesquisas favorecem essa divisão tende em visa que facilita o reconhecimento, porque as diferença entre elas são bastante identificáveis.

Para BARLOW (2011) as pessoas com esquizofrenia do tipo paranoide se destacam por causa dos delírios ou alucinações que experimentaram; ao mesmo tempo; as aptidões cognitivas e a emotividade permanecem relativamente intactas. No geral, não apresentam discurso desorganizado ou emotividade e possuem um prognóstico melhor que as pessoas com outras formas de esquizofrenia.

Os Critérios do DSM-IV para o diagnóstico do tipo paranoide são dois:

  • Preocupação com um ou mais delírios ou alucinações auditivas frequentes;
  • Nenhum dos sintomas a seguir é preponderante: discurso desorganizado, comportamento desordenado ou catatônico ou embotamento afetivo ou emotividade inapropriada.

Sintomatologia

Paim (1990), denomina esquizofrenia paranoide o tipo clínico da enfermidade que se caracteriza pela predominância de delírios a alucinações. À medida que a enfermidade progride, o doente se integra em seu mundo delirante e alucinatório, afastando-se cada vez mais da realidade, da qual retira apenas aqueles elementos que contribuem para fortalecer a sua convicção delirante. Em toda a sua evolução, não se observam alterações profundas da personalidade, como ocorre habitualmente nos outros subtipos de esquizofrenia.

A sintomatologia da esquizofrenia paranoide perpassa pelo campo dos delírios, vivencias de influências corporais que se instalam como sensações corporais desagradáveis. Os delírios, em sua maioria são sempre de cunho persecutórios ou grandiosos.

Conforme Dalgalarrondo (2008), além do empobrecimento global da vida psíquica e social do indivíduo, o paciente esquizofrênico vivencia a perda do controle sobre si mesmo, ao sentir que algo é imposto de fora.

Perspectivas de Tratamento

Considera-se que um tratamento efetivo de transtornos desse nível deve ser adequado a cada sujeito de modo particular, a fim de atender sua demanda e propor uma redução em seu sofrimento psíquico. Desse modo, pode ser indicada a utilização de fármacos, bem como de tratamento psicoterapêutico.

Zanini (2000), coloca que a psicoterapia tem se mostrado um importante recurso terapêutico, associado ao tratamento farmacológico, na recuperação e reabilitação de pacientes esquizofrênicos. A psicoterapia nestes casos deve ter como objetivos: oferecer informações sobre a doença e modos de lidar com ela, oferecer continência e suporte, restabelecer o contato com a realidade, identificar fatores estressores e instrumentalizar o paciente a lidar com os eventos da vida, conquista de maior autonomia e independência, diminuição do isolamento, etc.

Assim, é fundamental uma avaliação e diagnóstico eficiente a fim de caracterizar se o paciente é adequado para psicoterapia e qual tipo de intervenção deve ser utilizada com maior precisão.

De acordo com Shirakawa (2000), o tratamento medicamentoso é indispensável e dependendo do caso e da sintomatologia manifesta a internação deve ser cogitada. Segundo o autor esta decisão é tomada quando não houver suporte familiar e a crise for muito intensa e representar risco para o paciente e seus familiares. A internação deve ser a mais curta possível e manejada para buscar a dose ideal do antipsicótico e para aprofundar o vínculo com o paciente.

As intervenções psicossociais, a psicoterapia de grupo e a proposta de reabilitação e reinserção desses indivíduos na sociedade são estratégias de manejo e tratamento do sujeito com esquizofrenia propostas pelas instituições, bem como pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que elabora um plano terapêutico individual para cada caso com a proposta de reduzir a sintomatologia apresentada.

Considerações Finais

Em suma, foi possível fazer um levantamento bibliográfico a fim de fomentar a pesquisa em psicologia, no que tange a esquizofrenia paranoide. Assim, compreendeu-se que a esquizofrenia pode acometer várias pessoas em diversos contextos sócio-culturais. O diagnóstico da esquizofrenia envolve uma série de sintomas que geram prejuízos diversos na vida do sujeito, porém, de acordo com a literatura, a esquizofrenia paranoide possui certa preservação do funcionamento afetivo e cognitivo, o que ajuda em seu prognóstico em relação aos outros subtipos.

Sobre o Autor:

Alex Barbosa Sobreira de Miranda - Departamento de Psicologia. Faculdade de Ciências Médicas. Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Teresina, PI, Brasil. e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Referências:

CID-10, Classificação de Transtornos Mentais e de comportamento da CID-10. Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993.

BARLOW, D.H. Psicopatologia:uma abordagem integrada / David.H.Barlow, Mark R.Durand; tradução Roberto Galma – São Paulo: Cengage Learning, 2011.

DSM-IV-TR – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Trad. Cláudia Dornelles. 4 ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2002.

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2008.

PAIM, Isaías. Esquizofrenia. São Paulo: EPU, 1990.

SHIRAKAWA, Itiro. Aspectos gerais do manejo do tratamento de pacientes com esquizofrenia. Rev. Bras. Psiquiatr. 22 (Supl I): 56-8. São Paulo: 2000. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151644462000000500019>

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