O Que Sabemos sobre a Depressão Pós-Parto Paterna?

(Tempo de leitura: 8 - 15 minutos)

1. Introdução

O tema “O que sabemos sobre a depressão pós-parto paterna?”, surgiu no momento em que foi constatada a carência de estudos sobre o assunto e o desconhecimento das pessoas em geral sobre o adoecimento no homem no puerpério, sendo um tema extremamente importante quando pensado na saúde do homem e na qualidade da relação parental (FALCETO; FERNANDES, KELBER, 2012).

Segundo Burke (2003), quando as mães estão deprimidas ou quando apresentam a depressão pós-parto (DPP), toda a família se encontra em uma posição de risco para o desenvolvimento de doenças psiquiátricas, inclusive o pai, ou seja, a presença de depressão pós-parto nas mães aumenta a chance dos pais também desenvolverem, portanto se percebe que os pais não estão alheios aos problemas de saúde paternos no pós-parto, os pais acabam por ficar envoltos a esse problema, já que participam desse momento.

Durante a gravidez, o pai enfrenta uma série de mudanças que irão influenciar na relação conjugal e também na relação com filho (PICCININI et al.,2004).

Moraes, et al. (2006),  investigaram as causas da ocorrência de DPP nas mães e verificaram que quando a renda decresce, a chance do desenvolvimento da DPP é maior, portanto se observa que o ambiente social pode ter influência no desenvolvimento da DPP, é importante lembrarmos que as mulheres não estão sozinhas neste ambiente social, os pais também estão inseridos, portanto se deve levar em consideração os riscos de adoecimento também para pais.

Gomes, Nascimento e Araújo (2007) concluíram em seu estudo que a sociedade vê o homem como ser invulnerável e que essa visão acaba contribuindo para que o homem não tome cuidados relacionados à própria saúde. Nota-se que a forma como os homens são vistos culturalmente, inibem a busca por tratamentos nos casos de adoecimento, pois desde muito cedo os homens aprendem que devem ser fortes, seja qual for à aprovação que irão passar. É nessa concepção que o homem adoece e fica calado diante de seu sofrimento.

A depressão pós-parto é vista como um problema exclusivo da mulher, devido as mudanças que ocorrem na vida desta nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Entretanto, estudos recentes indicam que as mudanças não ocorrem somente para o sexo feminino. Piccinini et al. (2004), revelaram que as mudanças quanto à paternidade ocorrem já no período gestacional. Esse período é considerado como um período de mudanças também para o pai, pois com a chegada do bebê ocorrerá mudanças no âmbito familiar a qual o pai não saberá exatamente como resolver e também não terá controle sobre ela, por ser algo desconhecido para o mesmo (MARTINS; PIRES, 2008).

Kerber, Falceto e Fernandes (2011) realizaram pesquisa no Brasil a qual indicou a frequência de problemas de saúde mental paterno no pós-parto, chamaram de pós-parto os transtornos encontrados aos quatro meses após o nascimento da criança, tendo como referência a definição dos “experts da Sociedade Marcé[1]” que sugerem que os transtornos de pós-parto são aqueles iniciados no primeiro ano após o nascimento da criança. Utilizaram para pesquisa a medida da escala Self Report Questionnaire (SRQ-20) e avaliação clínica, dos 118 pais que participaram da pesquisa foi constatado através da escala Self Report Questionnaire (SRQ-20) que 25,4% apresentaram suspeita de transtorno psiquiátrico e através da avaliação clínica 42,4% apresentaram transtorno psiquiátrico.

Falceto, Giugliane e Fernandes (2004) observaram uma alta frequência de transtornos mentais “52 % nas mães e 43 % nos pais”, sendo que dessa amonstra ambos os pais tinham um histórico de transtornos psiquiátricos. A prevalência de depressão encontrada neste estudo ficou em 17% para as mães e 9,3% para os pais. Os autores acreditam que a diferença de prevalência entre homens e mulheres, pode ter ocorrido devido à tendência do homem “desvalorizar as queixas emocionais”. Os autores também concluiram que sáude mental da mãe tem correlação com a saúde mental do pai.   Goodman (2004) também concluiu, com sua pesquisa, que existe correlação entre depressão pós-parto paterna e a materna, e se ocorrer juntas podem trazerimplicações para a saúde da família.

Outras pesquisas realizadas sobre o tema indicam que o desencadeamento da depressão pós-parto paterna, poderia ser também por fatores biológicos. Segundo Kim e Swain (2007) no fim da gravidez e no período do pós-parto podem ocorrer nos homens uma diminuição do seu nível de testosterona, sendo que esses níveis podem se manter baixos por vários meses depois do parto na maioria dos pais.

Areiaset al. (1996), realizaram estudo longitudinal com 54 mães que dariam a luz ao primeiro filho e 42 parceiros, em Portugal. Utilizaram-se de entrevista clínica semi estruturada e da Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS). Nas mães foi analisado o histórico de depressão e os acontecimentos negativos da vida. Nos pais a depressão pós-parto foi analisada através do histórico de depressão nos próprios pais e também o fato da companheira ter tido depressão durante a gravidez e no pós-parto. Esse estudo possibilitou a verificação da importância da “Prevenção e tratamento precoce da depressão em pais podem beneficiar não só a si mesmos, mas também os seus cônjuges e seus filhos”.

Storeyet al. (2000), realizaram estudo no Canadá onde foram medidas as concentrações hormonais e respostas a estímulos infantis em futuros pais na tentativa de buscar sobre as mudanças nos homens em comparação às mudanças que ocorrem nas mulheres no período de pós-parto. A pesquisa se baseou na coleta de amostras de sangue, exposição a estímulos auditivo, visual, olfativo e pistas de recém-nascidos, utilizando teste de reatividade situacional. O resultado do estudo indicou que os homens que foram mais afetados tinham níveis mais elevados de prolactina e uma maior redução de pós-teste de testosterona.

Deckardet al., (1998) realizaram estudo onde foram analisados os sintomas de depressão nos homens antes e depois do parto. O estudo constatou que os pais de famílias adotivas apresentaram taxas de depressão maior do que os pais de famílias tradicionais, isso ocorreu antes e depois do nascimento do bebê. Também foi possível observar que após o parto os pais que apresentaram o maior índice de depressão foram os pais mais velhos, com menor educação, e que estavam em ambientes sociais e familiares conflituosos.

Martins e Pires (2008) estudaram os comportamentos dos pais cujas companheiras tinham passado por uma depressão pós-parto. Foi possível observar no estudo que a depressão pós-parto se torna um tempo de dor e confusão, para ambos. O pai se depara com uma situação nova sob a qual não tem controle, situação que contribui para que ele passe a se sentir rejeitado pela mulher.As mulheres muitas vezes apresentam comportamentos agressivos e irritantes. Com esses comportamentos acabam ocorrendo à exclusão dos pais, desta forma e com esse leque de mudanças a relação sexual também é afetada, causando assim uma transformação na relação conjugal.

Oliveira (2008) através de uma pesquisa realizada em Natal/RN, no ano de 2007, com 15 homens que coabitavam com suas companheiras no puerpério. Destacou para as questões relacionadas à experiência do cuidado e da questão do pai provedor, sendo que apesar de ainda existir a presença do pai provedor, entende-se que o homem esta caminhando para a mudança do papel masculino, pois existe uma preocupação voltada para o período do pós-parto.  

Silva e Piccinini (2009) realizaram uma revisão de literatura, onde constataram que os parceiros de mães com depressão se tornam uma população de risco em termos de saúde emocional. Os registros remetem que aspectos da paternidade parecem associar-se à depressão materna, existindo influência entre os papéis de pai e mãe no período de pós-parto. Os autores salientam a importância de se trabalhar nas clinicas as relações familiares, não tendo o foco somente na mãe, sendo que a inclusão do bebê e do marido no tratamento da depressão pós-parto pode beneficiar o tratamento da mãe com depressão.

As condições socioeconômicas e a rejeição da gravidez também são fatores que influenciam no aparecimento da depressão pós-parto, portanto é colocada como importante à prevenção, a possibilidade de se criar ações que levem em conta as variáveis relacionadas a esse tipo de transtorno que ocorre no âmbito familiar (MORAES et al., 2006).

Paulson, Dauber e Leiferman (2006) examinaram os efeitos individuais e combinados de depressão pós-parto nas mães e pais. Identificaram que quando os pais apresentam os sintomas da depressão, os comportamentos parentais refletem de forma negativa nos primeiros cuidados com as crianças (“ler, cantar músicas e contar histórias”), sendo que o efeito negativo é ainda maior quando depressão materna e paterna ocorrem ao mesmo tempo.

2. Objetivo

O objetivo desse trabalho é apresentar o número de produção bibliográfica sobre depressão pós-parto paterna indexada na base de dados da BVS.

3. Método

Foi realizado levantamento na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) Psicologia (www.bvs-psi.org.br), foram considerados neste estudo, trabalhos indexados até a data de 30 Junho de 2013. Para a realização da pesquisa foram consultadas as palavras chaves "Depressão Paterna", “Depressão pós-parto paterna”, “Saúde mental paterna” e “Paternidade”. Consultou-se o portal de Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC), Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Foram excluídos as teses, os trabalhos de conclusão de curso e as monografias. Para a coleta de dados foi utilizado o seguinte procedimento: As palavras-chaves foram inseridas no campo de busca da BVS Psicologia, depois de obtido o material, procedeu-se à  leitura e seleção dos resumos de pesquisas para identificar aqueles que se enquadravam nos requisitos deste trabalho e os que se repetiam em mais de uma base de dados.

4. Resultado

Tabela 1. Relação do número de artigos indexadas nas bases de dados PePSIC, SCIELO E LILACS sob as palavras chaves: Depressão Paterna, Depressão pós-parto paterna, Saúde mental paterna e Paternidade.

 

PePSIC

SCIELO

LILACS

Número de publicações que tratam do tema DPPP

Depressão Paterna

0

2 artigos e 1 editorial

08 artigos e 01 editorial

*1 artigo e *1 editorial

Depressão pós-parto paterna

0

0

2 artigos e 1 editorial

*1 artigo e *1 editorial

Saúde mental paterna

0

02 artigos

17 artigos

 0

Paternidade

0

139 artigos

1471 artigos

 0

* Publicações repetidas

Observa-se na Tabela 1 que existem apenas 02 publicaçõesindexadas tratando sobre o assunto Depressão pós-parto paterna na BVS-Psi, 01 artigo e 01 editorial.O artigo se refere a um estudo de acompanhamento longitudinal, publicado no ano de 2011, depressivos durante a gestação de suas companheiras e no período pós-natal. O outro trabalho encontrado é um editorial da revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, publicado no ano de 2012, com o título: “Alerta sobre a depressão pós parto paterna / Alerton paternal postpartumdepression”, sua apresentação é feita na biblioteca através de texto completo, apresenta sobre os poucos trabalhos que tratam do tema e destaca a importância de se pesquisar tal fenômeno.

5. Discussão

O objetivo desse trabalho consistiu em realizar revisão bibliográfica sistemática sobre a existência de artigos relacionados à depressão pós-parto paterna.  Diante da consulta realizada foi possível verificar a escassez de produção científica a respeito do assunto depressão pós-parto paterna, e é importante que ocorram avanços nesse sentido. Os artigos encontrados nessa pesquisa, que tratam do assunto DPPP, apenas levantam a questão da importância de oferecer também um olhar sobre a saúde do homem no período perinatal.

É possível observar, na analise da literatura revisada, que o adoecimento paterno pode ocorrer também no período de pós-parto, sendo que a depressão pós-parto não se limita à mãe, sendo essa constatação baseada nos estudos já realizados tanto na literatura nacional quanto internacional (KIM; SWAIN, 2007).

Ressalta-se a existência dos fatores de risco para o adoecimento do pai no período de puerpério, entre eles se destacam, a situação financeira da família, sendo que as famílias de baixa renda apresentam um índice maior de adoecimento (MORAES et al., 2006).

A qualidade do relacionamento entre o casal também é um fator de risco. Levando em consideração que se o pai esta tendo sentimentos de exclusão na relação mãe-bebê, assim com na relação familiar, a possibilidade de adoecimento se torna maior, portanto a qualidade do relacionamento é importante para prevenção do adoecimento do pai neste período (BURKE, 2003).

As alterações hormonais nos homens neste período também são citadas como podendo ser um contribuinte para o adoecimento do pai, porém é considerado como maior fator de risco para os pais se as mães já apresentam a depressão pós-parto (KIM; SWAIN, 2007).

Existe atualmente uma cobrança social para que o pai se torne mais participativo em relação aos cuidados com os bebês, porém não existe um sistema educativo que auxilie os pais no sentido de compreender os seus sentimentos e as formas possíveis de cuidados tanto com a mãe quanto com o bebê. Diante das mudanças incompreendidas pelos pais e pela família, o pai acaba por ficar vulnerável, assim contribuindo para o seu adoecimento (FALCETO; FERNANDES; KERBER, 2012).

Quando o pai já apresenta a depressão pós-parto paterna à família pode passar por momentos considerados difíceis, sendo que as relações familiares podem ser afetadas de forma negativa (PAULSON; DAUBER; LEIFERMAN, 2006).

Com base nos achados, considera-se a necessidade de mudanças no sistema de saúde público e privado, pois é de grande importância que os profissionais da saúde tenham um olhar voltado também para o pai no período do pré-natal, assim como também no período de pós-parto, sendo que a mesma assistência que é prestada à mãe durante os nove meses de gravidez,deveria se complementar com o acompanhamento também do pai.

6. Conclusão

O levantamento de dados realizado neste trabalho indica o quanto é importante que a comunidade científica se dedique a investigar a saúde mental paterna, pois por meio de novos estudos poderemos ter informações e possíveis consequências para a relação pai-filho, conjugal e familiar, evitando-se, assim, futuros problemas de saúde ou problemas comportamentais.

O que sabemos sobre a Depressão pós-parto paterna ainda é pouco e insuficiente. Os fatores de risco para a DPP paterna parece não se diferenciar muito dos da DPP materna, entretanto como há poucas pesquisas sobre o assunto os dados ainda são muito inconclusivos. Portanto, o fato de a DPP paterna ser pouco conhecida faz com que o diagnóstico seja difícil de ser realizado. Infelizmente ainda não existe uma proposta de cuidados específica para pais. Aponta-se ser necessário que haja programas socioeducativos não só voltado às gestantes e puérperas, mas também ao homem nessa fase. Sugere-se que sejam realizadas campanhas nacionais no sentido de informar a população sobre a possibilidade de adoecimento do pai no período de puerpério.

Sobre os Autores:

Maria das Graças F. Faria Lovizutto - graduada em psicologia pelo Instituto Municipal de Ensino Superior de São Manuel “Prof. Dr. Aldo Castaldi” (IMESSM).

Rafaela de Almeida Schiavo - mestre em psicologia do desenvolvimento e aprendizagem e também professora no IMESSM.

Referências:

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