Síndrome de Burnout

(Tempo de leitura: 7 - 14 minutos)

Resumo: O propósito deste ensaio monográfico é apresentar a síndrome de Burnout, seus sintomas, causas, consequências e tratamentos, estabelecendo sua relação com o sofrimento físico e psíquico da pessoa que sofre com essa síndrome, que hoje constitui em um dos grandes problemas psicossociais de nossa sociedade, refere-se a um tipo de desgaste físico e emocional que muitos indivíduos são submetidos diariamente em seus ambientes de trabalho, fazendo com que seu rendimento caia a ponto de não conseguir responder a demanda de seu trabalho. Por se tratar de um transtorno tão severo, nosso objetivo é que cada vez mais as pessoas possam entender melhor sobre o assunto e com isso identificar possíveis desconfortos ou sintomas relacionados à síndrome, possibilitando criar estratégias afim de prevenir ou evitar que tal sofrimento se torne presente em sua vida, buscando levar uma vida profissional mais saudável. Contudo, foi realizado um levantamento bibliográfico sobre o tema, utilizando publicações de vários autores como base para tal produção, de modo que possa esclarecer melhor a respeito desse tema tão importante, porém pouco disseminado na sociedade.

Palavras-chaves: Exaustão emocional, sofrimento físico, ambiente organizacional.

Introdução

As empresas dentro de um contexto mundial estão passando por um momento de grande crescimento de informações e tecnologias. Nestes ambientes a síndrome de Burnout tem se feito presente devido os trabalhadores serem submetidos a grandes cargas de trabalho e grande responsabilidade, assim renunciando o tempo para o lazer que o corpo tanto necessita, tendo em vista os estilos de vida dos trabalhadores este ensaio monográfico busca identificar a síndrome e seus efeitos nas condutas dos trabalhadores.  De acordo com Benevides (2002) a síndrome do burnout, foi descrita pela primeira vez pelo psicólogo Freudenberger, no ano de 1974, para descrever um sentimento de fracasso e exaustão causado por um excessivo desgaste de energia, força e recursos. Maslasch foi um dos pioneiros nos estudos empíricos sobre a burnout profissional. A síndrome de burnout constitui um quadro bem definido, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal.

A Síndrome de burnout é uma reação ao estresse relacionado ao trabalho. Atinge trabalhadores independentes de sua área de atuação profissional, gênero ou condições sociais. É pertinente mencionar que há uma prevalência de ocorrência entre os profissionais da educação, entretanto nenhum trabalhador está imune a essa patologia.

1. Justificativa

Devido às empresas estarem em um contexto de evolução e globalização, o cenário do trabalho tem mudado constantemente, a exigência em relação aos funcionários tem aumentado muito, as empresas buscam trabalhadores qualificados para exercerem funções de acordo com as tecnologias, e para tanto os trabalhadores necessitam estar atentos ao mundo globalizado para conseguir acompanhar o contexto contemporâneo, podendo estar vulnerável ou desenvolver a síndrome.

E para melhor compreensão do assunto em pauta, buscou-se compreender as variáveis que englobam a síndrome, a partir de referenciais teóricos no qual nos trará conhecimento tanto no âmbito pessoal quanto acadêmico.

Mediante a falta de conhecimento muitos brasileiros que são portadores da Burnout não sabem identificá-la, e por vezes não reconhecem que se trata de uma síndrome, permanecendo assim em constante estresse e exaustão no trabalho, sem buscar ajuda ou auxílio. A partir da grande incidência de casos e pouco conhecimento, agrupou-se conceitos que poderão auxiliar a sociedade na informação e no conhecimento de como a síndrome se manifesta, possibilitando aos indivíduos o tratamento e prevenção, diminuindo assim as conseqüências no ambiente de trabalho. Essas ações podem promover melhorias no desempenho das atividades exercidas, bem como no bem-estar biopsicossocial dos indivíduos, visando contribuir com a ciência para que novas pesquisas sejam realizadas a respeito, sendo de grande relevância o conhecimento a cerca da síndrome de Burnout.

Objetivos

1.1 Objetivo Geral

Expor a síndrome de Burnout como um problema que está em evidência na sociedade como um todo.

1.2 Objetivos Específicos

  • Identificar as principais características da síndrome de Burnout.
  • Descrever os sintomas, as causas e as consequências que podem estar relacionadas  à síndrome.
  • Indicar propostas de intervenção com a finalidade de diminuir o nível de estressedos profissionais.

Revisão de Literatura

O conceito de burnout foi utilizado pela primeira vez em 1960 por Bradley, o qual, somente começou a ser mais observado e divulgado a partir das pesquisas de Freudenberger. Isto não significa que os indivíduos não estavam sofrendo seus efeitos há muitos anos, faltava apenas a identificação e investigação a fim de classificá-lo adequadamente. Desde então, surgiram novos pesquisadores como Maslach, sendo este, um dos pioneiros no que se refere à síndrome de burnout. Segundo esse autor o termo burnout origina do inglês: burn = queimar e out = fora. É uma terminação que designa algo, ou alguém que não possui mais energia, ou seja, que já esgotou todas as suas forças. Assim, a partir da década de 80, o conceito de burnout, foi mais propagado devido à intensificação e ampliação dos estudos realizados por Maslach e Jackson, definindo-a como uma síndrome multidimensional constituída por exaustão emocional, desumanização e diminuição da realização pessoal no trabalho (CARLOTTO; PALAZZO, 2006, BENEVIDES-PEREIRA, 2003; 2004).

Autores citados por Carlotto (2002) afirmam que o burnout é um tipo de estresse ocupacional, acomete os profissionais que mantém uma relação com qualquer tipo de cuidado de atenção direta, contínua e altamente emocional, sendo que, as profissões mais vulneráveis podem ser àquelas que envolvem serviços, tratamento ou educação.

Para Maslach, Schaufeli e Leiter (2001, apud CARLOTTO, 2002), há várias definições da síndrome de burnout, no entanto, cinco elementos são comuns a todas, são eles: a predominância de sintomas relacionados à exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; a ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas físicos; os sintomas do burnout são relacionados ao trabalho; os sintomas manifestam-se em pessoas “normais” que não sofriam de distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome e a diminuição da efetividade e desempenho no trabalho ocorre por causa de atitudes e comportamentos negativos.

Segundo Benvides-Pereira (2004) o burnout é uma reação de enfrentamento inadequada diante da cronificação do estresse ocupacional, e advém das falhas de outras estratégias para lidar com o estresse. Nesse sentido Abreu (2002) ressalta que a síndrome de burnout é o resultado de várias tentativas de lidar com situações estressantes.

Dando continuidade Benvides-Pereira (2004), a exaustão emocional é caracterizada pela falta de energia, sobrecarga emocional, sensação de esgotamento emocional e físico. Trata-se da constatação de que não se dispõe mais de nenhum resquício de energia para levar adiante as atividades laborais. O dia a dia no trabalho torna-se penoso e doloroso, podendo levar a despersonalização e um processo que envolve atitudes de distanciamento emocional em relação às pessoas com as quais presta serviços e com os colegas de trabalho. A ação do indivíduo torna-se impessoal, agindo sem afetividade. O cinismo, a ironia e a rispidez também são alguns dos comportamentos presentes, sendo considerado como o elemento defensivo da síndrome. A diminuição da realização pessoal consiste no descontentamento pessoal, decrescem os afazeres ocupacionais, gerando a perda da satisfação e da eficiência do trabalho. Há uma autoavaliação negativa por parte do indivíduo, sendo comum o sentimento de descontentamento pessoal, em que o labor perde o sentido passando a ser um fardo.         

2.1 Sintomas, Causas e Consequências

Considerando a evolução da síndrome de burnout, que afeta de maneira significativa a relação do indivíduo em suas atividades laborais a síndrome de burnout apresenta sintomas, físicos, psíquicos, comportamentais e defensivos. Existe na literatura uma extensa lista de sintomas associados a essa síndrome. A tabela utilizada a seguir, faz parte dos estudos de Benevides-Pereira (2004), que foi mencionada por trazer uma melhor e mais completa compreensão dos sintomas da síndrome de burnout.

Sintomatologia de Burnout

FÍSICOS

COMPORTAMENTAIS

Fadiga constante e progressiva

Negligência ou excesso de escrúpulos

Distúrbios do sono

Irritabilidade

Dores musculares ou osteo-musculares

Incremento de agressividade

Cefaleias, enxaquecas

Incapacidade de relaxar

Perturbações gastrointestinais

Dificuldade na aceitação de mudanças

Imunodeficiência

Perda de iniciativa

Transtornos cardiovasculares

Aumento do consumo de substâncias

Distúrbios do sistema respiratório

Comportamento de alto-risco

Disfunções sexuais

Suicídio

Alterações menstruais nas mulheres

 
 

PSIQUICOS

DEFENSIVOS

Falta de atenção, de concentração

Tendência ao isolamento

Alterações do pensamento

Sentimento de onipotência

Lentificação do pensamento

Perda de interesse pelo trabalho (até pelo lazer)

Sentimento de alienação

Absenteísmo

Sentimento de solidão

Ironia, cinismo

Impaciência

 

Sentimento de insuficiência

 

Baixa autoestima

 

Labilidade emocional

 

Dificuldades de autoaceitação

 

Astenia, desânimo, disforia, depressão

 

Desconfiança, paranoia

 

Fonte: Benevides-Pereira (2004, p. 38).

Segundo Carlotto (2002) há uma preocupação em identificar as causas do burnout. Faber (1991 apud CARLOTTO, 2002), considera que as causas podem ser uma combinação entre fatores individuais, organizacionais e sociais, pois esta interação produziria uma percepção de baixa valorização profissional. Benevides-Pereira (2004) ressalta que as causas são multifatoriais, tratando das características pessoais, tipo de função realizada e também da constelação de variáveis advindas da organização/instituição onde o trabalho é desenvolvido. Afirma ainda que esses fatores podem mediar ou facilitar o processo de estresse ocupacional, que futuramente irá dar lugar ao burnout. As variáveis de personalidade, assim como as sócio- demográficas, não são em si deflagradoras do burnout, mas diante de uma instituição comprometida, podem facilitar o desencadeamento da mesma.

Soares e Cunha (2007) destacam que as consequências da síndrome de burnout podem ser graves, como por exemplo, a desmotivação, frustração, depressão e até a dependência de drogas, refletindo nas relações interpessoais e familiares do indivíduo.

Faz-se necessário salientar que nem todos os sintomas devem estar necessariamente presente em todos os casos, esses dependerão dos fatores individuais, ambientais e o estágio que o indivíduo se encontra na síndrome de burnout. Nesse sentido, Lopes (2009), faz menção ao trabalho de Benevides-Pereira, em que a autora enfatiza que as manifestações dos sintomas de burnout referem-se às características individuais e às circunstâncias em que se encontram, ou seja, o grau de manifestação é diferente, no qual se deparam com a frequência e a intensidade em que ocorrem, podendo ser num processo gradual e cumulativo. Assinala ainda uma referência quanto à frequência, que quando esporádico, os sintomas podem ser classificados em menor grau, no entanto, se o sintoma é permanente pode ser considerado em grau maior. Com relação à intensidade, esta pode ser considerada em níveis baixo e alto, que pode ser desde as irritações à presença de doenças e somatizações  

2.2 Tratamento

De acordo com Jbeili (2008), o tratamento da síndrome de burnout, é essencialmente psicoterapêutico com psicólogo. Para os casos que o indivíduo apresenta problemas biofisiológicos, é necessário ser acompanhado da administração de medicamentos. Menciona ainda entre os métodos psicoterápicos não há uma abordagem melhor que a outra, deve-se considera a melhor adaptação individual para cada método disponível. Em relação à medicação, também deve ser levado em consideração que cada caso é específico e pode alternar entre analgésicos e complementos minerais até ansiolíticos e antidepressivos.

Quando o assunto é o tratamento em conjunto com a instituição que o indivíduo trabalha, Carlotto (2009) coloca que é importante o tratamento juntamente com a empresa em que o trabalhador atua, para que assim, possa haver a diminuição dos fatores de estresse que acarretam na doença.

Projeto de lei

A esse respeito, em meados de 2009 a Câmera dos Deputados de São Paulo, aprovou o Projeto de Lei nº 15.206, de autoria do então Vereador Penna, sendo tal medida responsável pela criação da semana de conscientização sobre a síndrome de burnout. Destaque-se que ainda no referido ano, foi apresentado em Brasília, outro projeto com o mesmo escopo, qual seja, o de criar uma semana referente a tal síndrome, contudo a nível nacional. Assim, tal iniciativa tem o intuito de conscientizar a população acerca dos males que acometem muitos trabalhadores das mais diversas áreas, precavendo assim a sociedade, sobre os danos causados pela síndrome laboral.

Diante de tal exposição hoje o principal desafio é que a síndrome de burnout seja reconhecida como uma doença, pois desta forma, será possível realizar os diagnósticos necessários, a fim de se identificar a síndrome em questão ainda em seu estágio inicial, fato este que, poderá impedir que tal mau se agrave.

Neste contexto, fora realizado um estudo epidemiológico com professores segundo (Carlotto & Palazzo, 2006) apud Levy (2009), com objetivo final identificar a existência de síndrome de burnout em relação a tais profissionais. O referido estudo consistiu-se na aplicação de questionário sócio demográfico (Maslach Burnout Inventory) em relação a 217 professores de uma escola particular da região metropolitana de Rio Grande do Sul/RS. Dessa forma, apurou-se que o mau comportamento dos alunos, as expectativas geradas por seus familiares e a precária participação dos professores nas decisões institucionais, foram os fatores que acarretaram em uma associação direta com a síndrome em questão.

Nessa acepção, alguns estados já adotaram as medidas necessárias em relação aos professores que por ventura venham apresentar sinais da síndrome, tendo como exemplo a Cidade de Cuiabá, que segundo a iniciativa do Vereador Washington Barbosa (2009), líder do PRB no Legislativo da Capital de Mato Grosso, dispõe que os profissionais que ingressam na educação, devem ser avaliados por uma equipe multidisciplinar de médicos, psicólogos e assistentes sociais, os quais anualmente deveriam submeter-se a realização de tais acompanhamentos, a fim de se avaliar a saúde mental e emocional dos docentes.

Com base nas pesquisas acima citadas nos deixa claro que temos subsídios o suficiente para sabermos que a síndrome de Burnout se não tratada pode trazer sérios danos a saúde física e mental do trabalhador, sendo imprescindível a constante avaliação dos mesmos.

4. Considerações Finais

Considerando os dados obtidos nesta pesquisa, ficou claro que a globalização no qual está anexada em seu conjunto estrutural várias regras e metodologias a serem seguidas, para um desenvolvimento adequado da sua característica capitalista, levou as empresas a se adequarem a este modelo exigente e competitivo, expondo o indivíduo enquanto trabalhador à condições cada vez mais estressantes no ambiente laboral, contribuindo para o emergir da síndrome de Burnout, a qual pode-se perceber, traz consigo consequências que tem gerado um desarranjo na capacidade de trabalho dos indivíduos acometidos por ela, podendo desencadear em prejuízos biopsicossociais, surgindo neste ponto o necessário encontro entre psicoterapeuta,  indivíduo e empresa, o contexto no qual  o profissional terá em suas mãos ferramentas para trabalhar na busca da diminuição dos fatores estressantes causadores da síndrome. Confirmando todos os levantamentos bibliográficos realizados em literaturas especializadas no assunto em questão.

Mediante tais argumentos apresentados ao longo do trabalho pode-se sugerir ao corpo acadêmico, juntamente com a prefeitura, escolas, faculdades, sindicato dos trabalhadores, famílias e profissionais envolvidos, lançarmos mão do que possuímos para intervir por meio de publicações, palestras, outdoors entre outros aparatos, desenvolvendo através dessas atividades um melhor entendimento de situações as quais todos enquanto seres humanos estão vulneráveis, tal como a Síndrome de Burnout e com o objetivo de atingirmos a esfera maior do poder público, para que os mesmos possam perceber as necessidades da sociedade, e assim disponibilizar maiores investimentos para pesquisas e analises no que tange a possibilidade de se obter um diagnóstico e tratamento mais preciso e rápido da síndrome.

Referências:

BENEVIDES-PEREIRA, A.M.T. A síndrome de burnout. In: Conferência proferida no I Congresso Internacional sobre Saúde Mental no Trabalho. Goiânia, 2004. Anais eletrônicos...GO. Disponível em: < http://www.prt18.mpt.gov.br/eventos/2004/saude_mental/anais/artigos/2.pdf>. Acesso em: 09 abr. 2012.

BENEVIDES-PEREIRA, A.M.T. A. O Estado da arte do burnout no Brasil. Revista Eletrônica InterAção Psy, n 1, 2003, p. 4-11. Disponível em: < http: // www.saudeetrabalho.com.br/download_2/burnout-benevides.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2012.

CARLOTTO, M. S. A síndrome de burnout e o trabalho docente. Disponível em: < http: // www.scielo.br/pdf/pe/v7n1/v7n1a03.pdf >. Acesso em: 12 abr. 2012.

CUNHA, C. E. C; SOARES, H. L. R. A síndrome do “burn-out”: sofrimento psiquico nos profissionais de saúde. Disponível em: < http: // www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-80232007000200021...sci...>. Acesso em: 16 abr. 2012.

JBEIL, C. Burnout em professores: identificação, tratamento e prevenção. Disponível em: < http: // www.saudedoprofessor.com.br/Burnout/Arquivos/cartilha.pdf >. Acesso em: 20 abr. 2012.

LOPES, L. F. Síndrome de burnout em profissionais da saúde. Disponível em: < http: // https://www.mar.mil.br/dsm/artigos/Monografia_LuisFernando.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2012.

LEVY, Gisele Cristine tenorio de Machado. A Síndrome de Burnout e seus Efeitos sobre a Saude do Professor. Revista psique. 2009. Disponível em: <http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=1471>Acesso dia 24 de março de 2012.

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