Analise Crítica do Filme “Anjos Do Sol”

(Tempo de leitura: 3 - 5 minutos)

Anjos do sol é um filme brasileiro, lançado no Brasil em 18 de agosto de 2006 e nos Estados Unidos em 11 de agosto de 2006. Primeiro longa-metragem do cineasta brasileiro Rudi Lagemman, que transmite a realidade sobre a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes. Segundo os dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 100 mil meninas são vítimas de exploração sexual no país, e pela Organização das Nações Unidas, calcula-se que o tráfico de seres humanos para exploração sexual movimenta cerca de 9 bilhões de dólares no mundo, e só perde em rentabilidade para o mercado ilegal de drogas e armas.

A história do filme se passa no interior do nordeste Brasileiro, onde Maria a personagem principal de apenas 12 anos de idade é vendida pelos seus pais no Sertão da Bahia, pois os mesmos não teriam condições financeiras de bancar uma família extensa. Sendo levada para trabalhar como prostituta em um garimpo na Amazônia. O filma mostra que essa prática é bastante real no interior do Brasil, pois juntamente com outras meninas são levadas para um bordel em um caminhão furgão, onde uma cafetina Nazaré realiza um leilão para satisfazer os desejos mais sujos de senhores de alto poder aquisitivo. Maria é então leiloada, por um deputado, na qual exige que a mesma deite-se com o seu filho de apenas 15 anos, como ambos não possuem experiências, o próprio deputado abusa sexualmente de Maria. Após a utilização sexual do Lourenço, ela e Inês, sua amiga são levadas para um prostíbulo em Vila do Socorro próximo a Floresta Amazônica, na qual a cidade é composta apenas por homens garimpeiros, onde era apadrinhada pelo dono da “Casa Vermelha”. Seu Saraiva dono do prostíbulo, continha muitas outras jovens, escravizadas. Na primeira noite ela ganhou roupa nova, perfume, e um quartinho, mas sem saberem que seriam cobradas como uma espesse de divida que elas possuíam. Nesta mesma noite, Saraiva, convidou toda a cidade composta apenas por homens a conhecer “as novas visitantes”, elas foram submetidas a uma jornada de sexo extensa, e o pagamento feito por elas eram com gramas de ouro. O filme aborda temas polêmicos como analfabetismo, tráfico de pessoas, pedofilia e exploração sexual. Contendo cenas fortes, e das quais vem aumentando em nosso país, onde crianças, adolescentes e adultos estão a mercê do mercado sexual. Alguns entram por falta de opção por que precisam se manter, outros são enganados com promessas de melhores condições. Após conseguirem fugir, foram recapturadas e levadas novamente ‘a casa vermelha’, e ao chegar lá Seu Saraiva, exigiu que informasse quem as ajudou, mas ficaram em silencio, então ele pegou Inês, para dá um passeio, e arrastou-a no carro até a mesma morrer. Ao longo do filme mostra a visita de um agente de saúde que faz o acompanhamento de saúde das meninas, como coleta de sangue entre outras, e ele informa a seu Saraiva que uma das meninas poderia está com Aids, ao longo da noite ele some com a menina sem explicar o seu paradeiro.

O analfabetismo é bem característico ao longo das cenas, por seus pais não as colocaram em escolas, por morarem em locais distantes a cidades, não conseguem ao menos conhecer as letras e números, com isso ela fica vulnerável a uma divida financeira com Saraiva, pois ele gastou com roupas, e ele visa apenas lucro em cima da escravidão sexual de Maria. Com um ambiente estressor na qual esta menina foi colocada, ela buscou a fuga, na busca de algo mais digno. Sua colega lhe indica uma senhora chamada Vera na cidade do Rio de Janeiro, sua fuga foi bem difícil, seu Saraiva e seus capangas procuraram-na em todas as partes da floresta, ela encontrou um carona a qual levo-a até a cidade.

Chegando ao destino por falta de conhecimento ela não sabia nem ligar para a senhora, observou outras pessoas ligando e assim conseguiu falar com outra cafetina chamada Vera, ela explorava jovens a estrangeiros, que falsificou uma identidade, nome falso, perucas, maquiagem, tudo para aparentar ser mais velha, e assim Maria é colocada novamente para vender seu corpo. Quando Vera negocia Maria ela consegue fugir mais uma vez, e percorrer a cidade, por não conhecer ninguém ela pedi carona, sem nenhum destino e encontra alguém na qual, busca uma companheira sexual para acompanha-lo.

 A exploração sexual e tráfico de pessoas, é um tema do qual muitos brasileiros não tem acesso, por não ser exposto na mídia, torna-se invisível aos olhos de todos, e este filme mostra cenas claras de como é realizada a venda de meninas inocentes pela sua própria família. Atrelada à exploração sexual encontra-se a pedofilia, onde no filme mostra que homens bem mais velhos procuram as meninas de idades bem inferiores. Segundo a OMS, Organização Mundial de Saúde a Pedofilia está na classe das parafilias caracterizada por um padrão de comportamento onde a fonte predominante de prazer encontra-se em crianças pré-púberes, (em crianças de até 13 anos de idade). O filme ainda expõe algumas práticas que envolvem a exploração sexual infanto-juvenil, como o leilão de meninas virgens, onde os personagens que lucram com esse mercado são aliciadores que compram as meninas de suas famílias, cafetões, donos de boates, políticos e coronéis. De acordo com o diretor de "Anjos do Sol", organizações não-governamentais (ONGS) brasileiras já estão utilizando o filme para ampliar a discussão sobre o tema. "O que é interessante é que o filme foi baseado na realidade, trazido para a ficção e agora volta a intervir na realidade".

Sobre os Autores:

Jordelma Veloso Costa - Graduanda em Psicologia pela Faculdade Santo Agostinho. Teresina-PI.

Juma Frota Rodrigues - Graduada pela Faculdade Santo Agostinho, Teresina-PI.

Referências:

LAGEMANN, RUD. BRASIL, Anjos do Sol.  2006.

MONDAINI, MARCO. Direitos Humanos. São Paulo: Contexto, 2008.

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