Filme Uma Mente Brilhante: Análise de um Paciente Esquizofrênico

Resumo: Esta resenha objetiva fazer uma análise da psicopatologia de John Nash, ganhador do prêmio Nobel na década de 90, que foi diagnosticado como esquizofrênico. Ele era uma mente brilhante na matemática e sua cobrança excessiva em relação à resultados na universidade, provavelmente culminou em seu surto esquizofrênico. O trabalho apresenta a sinopse do filme, uma análise da esquizofrenia e o tratamento de John Nash e como essa psicopatologia é tratada atualmente. 

Palavras-chave: Nó Borromeano, Estrutura Tripartite, Esquizofrenia.

1. O filme

O filme retrata a vida de John Nash, desde sua juventude até sua idade avançada, quando recebe o prêmio Nobel. Uma mente brilhante na matemática, inicia seus estudos na universidade de Princeton. Tímido, introspectivo e solitário, quer descobrir uma teoria original, o que o torna arrogante aos olhos dos colegas de faculdade. Logo no início de seus estudos divide o quarto com um amigo, Charles Herman, com quem vai manter amizade até depois de casar-se. Durante a faculdade, realiza uma descoberta que o destaca no universo acadêmico, posteriormente batizado de o teorema de Equilíbrio de Nash.

Após a faculdade, trabalha como professor e conhece sua futura esposa, Alicia Nash. Ele acredita ter sido convidado a participar de uma missão secreta, pela inteligência dos Estados Unidos, para desvendar códigos secretos enviados pelos russos à espiões nos EUA. Assim, conhece William Parcher, um espião que o acoberta e o socorre quando John corre perigo. Sua esposa começa a desconfiar de suas atitudes e pede ajuda médica. John é então internado, diagnosticado como esquizofrênico e tratado por um psiquiatra. Após vários anos de altos e baixos no tratamento, ele consegue retornar à universidade e lecionar. É mundialmente reconhecido pelas suas descobertas na matemática com o prêmio Nobel.

2. A Psicopatologia

Atualmente, a esquizofrenia (DSM-5 295.90 e CID F20.9) está dentro do espectro esquizofrênico. Na psicanálise, o indivíduo dentro deste espectro é denominado de psicótico. Segundo  , sua estrutura psíquica não está amarrada dentro do nó borromeano, enlaçados entre o real, o simbólico e o imaginário. O imaginário baila à deriva. Já para Freud (2009), o psicótico perde o contato coerente com a realidade, pois o id, parte da estrutura tripartite do aparelho psíquico, governa o superego e o ego do indivíduo. O id é considerado a parte mais instintual do ser humano, onde surgem os desejos e fantasias, sem lastros. Lugar onde o inconsciente reina livremente.

John provavelmente começou com os sinais e sintomas após grande carga de stress ocasionada pela mudança para a universidade e a sua cobrança para descobrir uma teoria original. No psicótico que desenvolve a esquizofrenia, há alucinações e delírios, como no caso de John Nash. Seu melhor amigo, e depois uma sobrinha dele, e o espião americano William, eram alucinações. Sobre os delírios, John criou uma realidade para seu psíquico em que ele era a chave para salvar os EUA de uma grande guerra e de um ataque com bomba russa. Ele tinha a função de desvendar códigos secretos enviados pelos russos através de revistas e jornais. E fazia entregas de seus achados com muito cuidado, pois sentia que estava sendo vigiado o tempo todo, um delírio persecutório. Nesta função ele também recebeu um sensor embaixo da pele com números que mudavam de tempos em tempos. Essa também era uma alucinação sensorial. Muitos esquizofrênicos possuem delírios de grandeza, como no caso dele, que era salvar o país. Uma característica típica da esquizofrenia, em que o narcisismo secundário introjeta-se para o próprio indivíduo, que desenvolve megalomania. John também apresentava comportamento grosseiramente desorganizado e alguns sintomas negativos, como expressão emocional diminuída e avolia. Ele esquecia-se de comer e tinha pouco contato social com os colegas.

Como John era introspectivo, levou-se muito tempo para descobrir a doença, e ele já estava em estado crepuscular quando sua esposa suspeitou que havia algo estranho em seu comportamento. Neste caso, o tratamento com psicotrópicos e acompanhamento do psiquiatra é fundamental. Infelizmente, como o caso ocorreu na década de sessenta, ele recebeu choques como parte do tratamento e ficou em hospital psiquiátrico por várias semanas.

3. O Tratamento da Esquizofrenia Atualmente

Atualmente, somente a medicação e um período no hospital para tirar o paciente da crise seria o suficiente para fazer o rebaixamento das funções psíquicas, deixando o paciente em letargia por algum tempo. Mas cada situação deve ser analisada individualmente pelo psiquiatra. A terapia psicanalítica é essencial após o controle do surto. O psicanalista vai organizar os pensamentos do paciente, auxiliando-o a ficar em uma posição mais estável psiquicamente. É fundamental falar sobre a importância da medicação como controle dos surtos para o resto da vida. No caso de John, ele deixou de tomar a medicação, e entrou em surto novamente. Por isso, o paciente carrega a esquizofrenia residual, pois nunca fica livre de todas as alucinações e delírios. John aprendeu a lidar com suas alucinações e a ignorá-las com o passar dos anos, levando uma vida funcional normal.

Sobre a Autora:

Flávia Cristina Martins de Oliveira  - Pós-graduada em Psicanálise Clínica (CEAPP), doutoranda em Língua e Cultura (UFBA), mestre em Língua e Cultura (UFBA), pós-graduada em Língua Inglesa, Gestão Escolar, graduada em Língua Inglesa/Portuguesa. Atua como pesquisadora em Linguística Aplicada e em Psicanálise.

Referências:

APA, DSM 5. Manual de Diagnóstico e Estatístico das Perturbações Mentais, 5ª Edição. Lisboa: Climepsi Editores, 2014.

FREUD, S. (1911) Notas Psicanalíticas sobre um Relato Autobiográfico de um Caso de Paranoia (Dementia Paranoides). p. 3-51. In: FREUD, S. (1911-1913) O Caso Schreber, Artigos sobre Técnica e Outros Trabalhos. Vol XII. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2009.

LACAN, J. Seminário 3. Tradução de V. Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012a. 

LACAN, J. Seminário 5. Tradução de V. Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2012b.

HOWARD, RON. Uma Mente Brilhante. Atores: CROWE, R.; HARRIS, ED;  CONNELY, J.; PLUMMER, C.; BETTANY, P. Drama. Estados Unidos. Duração: 2:16h. 2001.

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OLIVEIRA, Flávia Cristina Martins de. Filme Uma Mente Brilhante: Análise de um Paciente Esquizofrênico. Psicologado, [S.l.]. (2020). Disponível em https://psicologado.com.br/resenhas/filme-uma-mente-brilhante-analise-de-um-paciente-esquizofrenico . Acesso em .

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