Inclusão Escolar e Deficiência Mental: Análise da Interação Social Entre Companheiros

Inclusão Escolar e Deficiência Mental: Análise da Interação Social Entre Companheiros
(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)

O conceito de integração é uma das conseqüências fundamentais do principio de normalização. Sendo assim parte fundamental de todo o processo educacional.

Tendo como ponto de partida os resultados positivos alcançados com a prática de inclusão escolar nos paises desenvolvidos, nas duas ultimas décadas, o sistema educacional brasileiro tem vivenciado um momento de transição no atendimento dos alunos com necessidades educacionais especiais. Saindo de um modelo de educação especial que adotava a idéia de classes especiais e partindo para um modelo de integração das crianças especiais nas salas regulares de ensino uma vez que se deduziu a partir de estudos que o processo de inclusão/integração de crianças com deficiência no ensino regular possibilita-lhe interagir espontaneamente em situações diferenciadas, enquanto adquirem conhecimento e se desenvolvem. Essa integração, entretanto, não deve ser facilmente resolvida a partir de uma resolução de cunho legal ou teórico, uma vez que variáveis relacionadas a processos grupais e reações de preconceito podem influenciá-la, seja facilitando ou dificultando a integração dessas pessoas com aquelas ditas “normais”.

A proposta de inclusão escolar de crianças com necessidades educacionais especiais procura evitar os efeitos deletérios do isolamento social dessas crianças, criando oportunidade para a interação entre crianças, inclusive como forma de diminuir o preconceito.

A partir do final dos anos 80 do século XX, o termo integração começou a perder força, sendo substituído pela idéia de inclusão, uma vez que o objetivo é incluir, sem distinção, todas as crianças, independentemente das suas habilidades. Além disso, integração privilegia o aluno de necessidades educativas especiais dividindo com ela a responsabilidade da inserção, enquanto a inclusão tenta avançar, exigindo também da sociedade em geral, condições para essa inserção.

Na prática inclusiva, no entanto, percebe-se que mesmo aqueles alunos que se encontram inseridos no sistema regular de ensino continuam sendo isolados dos seus companheiros de turma não-deficientes. Ou seja, há uma inclusão física, mas não social e emocional.

O resultado disso é que estudantes com deficiências severas têm pouca oportunidade de praticar, refinar e expandir os seus repertórios de competência social e cognitiva, que serão úteis no decorrer da sua vida. Habilidades essas, que, se não aprendidas no devido tempo, poderão acarretar desajuste social, reafirmando assim a condição de deficiente, além de manter reduzida a probabilidade de desenvolver amizades.

De acordo com a pesquisa realizada por Marcus Welby Batista e Sônia Regina Fiorim Enumo, ambos da Universidade Federal do Espírito Santo, os alunos portadores de necessidades especiais são aceitos com menos freqüência e são mais rejeitados do que seus companheiros de turma de classe regular.

A rejeição está intimamente ligada à percepção que os alunos têm dos comportamentos, considerados como inadequados pelos colegas emitidos pelas crianças com necessidades espaciais.

Os alunos portadores de necessidades especiais também apresentam dificuldade em se relacionar com os colegas. Segundo Turner (1984), a dificuldade de contato desses alunos com seus colegas estão tanto na aceitação como na identificação com o grupo. Não é só pela proximidade que alguém se acha pertencendo ao grupo, ele tem de se identificar com este, pois é esse o processo básico de formação do grupo. Reside aí, então, a importância do parceiro no desenvolvimento e para a aceitação desses alunos no grupo, fazendo com que este se perceba de algum modo semelhante, diminuindo o preconceito e aumentando a auto-estima.

Outro aspecto que pode explicar essa dificuldade de relacionamento com os colegas está no fator tempo de exposição desses alunos a situações sociais mais amplas, cuja baixa freqüência acaba por levá-las a agir estereotipadamente, reforçando as diferenças existentes entre elas.

Fica evidenciado com tudo isso a necessidade de mudanças curriculares, uma aproximação dos pais a esse “novo” ambiente escolar para então ajudar as crianças na adaptação a esta nova realidade de forma saudável onde eles têm o que aprender e o que ensinar, além, de um contato aluno especial-aluno “normal” desde os primeiros anos escolares para se evitar um choque de realidade e mesmo os pensamentos e atitudes preconceituosas.

Referências

BATISTA, Marcus Welby and ENUMO, Sônia Regina Fiorim. Inclusão escolar e deficiência mental: análise da interação social entre companheiros. Estud. psicol. (Natal) [online]. 2004, v. 9, n. 1, pp. 101-111. ISSN 1413-294X. doi: 10.1590/S1413-294X2004000100012.

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